quarta-feira, 5 de março de 2014

ARENGA NÚMERO SEIS


A vida é diferente do jeito que a gente pensa que ela é; que já vem orientada de algum lugar como se fosse a faixa amarela desenhada na estrada para determinar o rumo a ser seguido. É certo que ambiente vivido dos primeiros passos ao surgimento dos primeiros sinais de barba exerce grande influência na formação da personalidade que determina o comportamento, mas esta influência não é determinante. Vai sendo modificada à medida que novos ambientes exerçam novas influências que vão resultar em novos comportamentos. Da falta de novos ambientes e novas experiências resulta a perpetuação das primeiras experiências do tempo do “Mamãe? Posso ir ali?”.

A história dos brasileiros mostra que eles nunca viveram outro ambiente que não o de festas, religiosidade, mau caratismo e desconhecimento de sociabilidade, daí que gritam ao celular, passam à frente de quem espera o elevador, tossem, espirram e soltam pum na sala de espera do consultório.

Tal comportamento não indica desinteligência. Decorre da convivência com a inseparável televisão. A influência vulgar da televisão anula até influência nobre adquirida no tempo do “Posso ir ali?”. É tão poderosa a influência corrosiva da televisão que é impossível não ter uma por perto. A televisão está para as pessoas como Mildred Rogers estava para Philip Carey, no impressionante romance Servidão Humana, de Somerset Maugham.

Da influência televisiva resulta uma juventude tão boba a ponto de se estar cogitando de ser eleita uma bunda como outro símbolo nacional brasileiro. As “celebridades” e as “famosas” cujos traseiros funcionam também como carta de apresentação devem estar discutindo se vai ser criada uma segunda bandeira brasileira ostentando um bundaço, ou se vai ser acrescentada uma bunda na bandeira existente. As coisas que saem do Brasil equivalem às que saem da bunda. Quanto maior a bunda, mais coisa sai de lá. Ambiente intelectualmente arejado para os brasileiros são festas, fazer compras em Miami, mostrar fotos tiradas na Europa e fazer bonito ao falar ingreis.

Mas essa arenga tem a ver com a afirmação inicial de sermos nós mesmos os nossos guias na vida. Vou mostrar com meu próprio exemplo e do fabuloso jornalista MAURO SANTAYANA. Pela sua biografia mostrada na amigona Wikipédia, ele também era de poucas letras como eu. O fato de ter vivido muitos ambientes, e ser dotado de muita inteligência, fez com que ele aprendesse tantas coisas que se tornou um Mestre do Saber.

Entretanto, embora lá embaixo na escala da evolução intelectual daquele grande jornalista, percebi ter aprendido a pensar com os mestres da faculdade, principalmente o filósofo Auto de Castro, de saudosa memória. Ao ler o maravilhoso artigo do não menos maravilhoso jornalista Mauro Santayana, ocorreu-me que há também outra forma de interpretar a frase histórica de Santo Agostinho citada e maravilhosamente interpretada pelo mencionado jornalista Mauro Santayana, em um dos seus brilhantes artigos intitulado A ÉTICA E A RETIDÃO. A frase é a seguinte: “A diferença entre os grupos de bandidos organizados e os estados é o exercício da justiça”. A interpretação do mestre jornalista, como se vê no citado e belo artigo, bastando pedir ao amigão Google, é a de que os crimes das autoridades devem-se ao fato de não prevalecer a justiça. Pensando sobre isso, ocorreu-me o pensamento de não ser a falta, mas a interpretação do que seja justiça a causa dos crimes praticados pelas autoridades representadas na frase do Sr Agostino pela palavra “estados” e pelo jornalista a palavra “governantes”.

Sendo as autoridades, ou estados, ou governos, que fazem as leis nas quais se apóia a justiça, não haveriam de fazer leis que dessem origem a uma justiça que os apeasse do bem bom dos palácios e da vida de rei-deus.

Nunca sairá das autoridades uma lei considerando injusto que a humanidade coma o pão cuspido pelo capeta para regalo dos bancos que lucram quinze bilhões num ano.

Esta arenga sobre a capacidade e necessidade de exercitar o pensamento visa convidar a filharada dos donos do mundo a pensar aonde lhes vai levar o comportamento de seus pais. Ela voltará depois de recompostos os sacos. Inté.

 

 

    

domingo, 2 de março de 2014

MOTIVOS DE TRISTEZA


 

Tristíssima sociedade esta nossa sociedade. Hoje, domingo, 02/03/2014, depois de tomar três doses de uísque e almoçar no Bristô, liguei a televisão ao chegar à casa e o que vi dá ânsia de vômito. Vi completos idiotas apresentando programas tão idiotas quanto seus apresentadores. O que se vê são outros idiotas a se requebrar num frenesi imbecil. Em praticamente todos os canais havia idiotas completos aos requebros e outras imbecilidades. Por todo lado que se olhe o que se vê são idiotas a dançar uma dança tão sem graça que só mesmo os dançantes veem beleza naquela palhaçada. São imbecis completos cuja felicidade se resume em sacolejar o corpo. Somos uma sociedade tão inferior que energúmenos brutamontes viram “celebridades” merecedoras de biografias badaladas pelo fato de protagonizar filmes de putaria. Como denominar de sociedade tal excrescência? Qual será o comportamento social de crianças que tiveram sua personalidade formada num ambiente putrefato como este em que vivemos? Vivemos uma sociedade onde quem vale menos vale mais. Onde está Heloisa Helena, aquela lutadora destemida em defesa de nossos descendentes? Está na Câmara Municipal de Maceió em vez de estar na presidência da república promovendo o verdadeiro desenvolvimento deste país de idiotas que dão prioridade aos personagens dos livros O Chefe, Honoráveis Bandidos e Privataria Tucana, todos gozando de prestígio social em detrimento de pessoas decididas a impor melhores condições sociais no lugar da selvageria denominada de sociedade na qual o sujeito se sente feliz por ter um emprego que lhe proporcione rendimento suficiente apenas para não morrer de fome.

Este é o triste quadro da sociedade da qual fazemos parte. Uma sociedade de bichos tão bichos que a coisa mais importante da vida é o futebola e o axé. Aqueles que melhor jogam o futebola e requebram no axé viram milionários e são tidos como “famosos” e “celebridades”, não obstante sua ignorância fenomenal no que diz respeito a qualquer outra coisa que não seja futebola ou axé.

Certa vez instituiu-se um concurso de erros. Seria vencedor aquele que conseguisse cometer o maior número de erros numa frase. O vencedor foi um sujeito que obteve quatro erros numa palavra de três letras. Ele escreveu a palavra “sim” da seguinte forma “ÇIN-N“ no que cometeu quatro erros numa palavra de três letras. Erro número um: não se começa nenhuma palavra com “Ç” (C cedilhado) Erro número dois: Esta palavra é grafada com a letra “S” e não com a letra “C”. Erro número três: a palavra “sim” termina com “M” e não com “N”. Erro número quatro: não se divide uma palavra monossilábica. Assim, pois, numa palavra de apenas três letras o sujeito conseguiu implantar quatro erros. Outro dia a imprensa divulgou frases escritas por alguns destes ignorantes que esta sociedade medíocre de requebradores de quadris considera “celebridades”, entre eles o Luciano Huck, que alcançavam este nível de desconhecimento ortográfico. Até quando vamos ser tão medíocres?

Ouvi comentário sobre o maluco que matou uma mulher e feriu outras três pessoas dentro de uma igreja. Dizia o idiota que comentava o fato não ser isso motivo de descrença na proteção divina porque cada pessoa tem seu dia de morrer determinado por Deus, e aquele era o dia determinado para que morresse aquela mulher. Entretanto, por que Deus haveria de contratar um infeliz pistoleiro para matar a mulher e ir para a cadeia, além de deixar outras três pessoas feridas?

É realmente muito triste ter por companhia pessoas tão imbecis. Inté.

   

DÚVIDA DESNECESSÁRIA


O professor Cristovam Buarque, relator da proposta de descriminalização da maconha, declara ter um montão de dúvidas a respeito do assunto. Ora aponta dados positivos como o fim da violência que mata milhares de jovens, ora aponta dados negativos como o aumento do consumo de drogas. Todas as dúvidas do eminente professor estão fundamentadas no medo que tem os políticos de perder votos porque votos para os políticos são tão importantes quanto respirar é importante para nós. Falo de cadeira da importância de respirar porque quanto menino sofria de asma e sei que é terrível a sensação causada pela falta de oxigênio no organismo. Os olhos ficam arregalados e inexiste posição agradável. O professor Cristovam Buarque, eminente mestre, educador de primeira linha, vive numa sociedade cujos eleitores são tão ignorantes a ponto de terem como “celebridades” Ivete Sangalo, Luciano Huck, Roberto Carlos, Alexandre Frota, Pelé, Big Brother, Fazenda, futebola e axé. Nestas circunstâncias, vivendo em meio a quem nem sabe fazer um “O” com um copo, o mestre em pedagogia teme perder os votos dos ignorantes convictos de que a violência policial é a melhor forma de lidar com o problema das drogas.

O nosso estimado professor deveria se mirar no espelho de Heloisa Helena, Eliana Calmon e Joaquim Barbosa, pessoas que não se submetem aos desmandos de se submeter à ditadura da subserviência. Faria muito melhor o nosso professor se em vez de ouvir a opinião do povo ignorante ouvisse a opinião do Dr. Alexandre Vital Porto, escritor e diplomata, mestre em direito pela Universidade de Harvard, que trabalhou nas embaixadas em Santiago, Cidade do México e Washington e na missão do país junto à ONU, em Nova York, portanto, homem de conhecimento sobre o problema das drogas e da sociedade infinitamente superior ao conhecimento dos requebradores de quadris que o professor Buarque pretende consultar. Este cientista social escreveu a seguinte matéria sobre a proibição ou a liberação das drogas, matéria intitulada A UTOPIA DE UM MUNDO SEM DROGAS nos seguintes termos:

“Os astecas comiam cogumelos alucinógenos; os antigos hindus fumavam maconha; os romanos misturavam ópio ao vinho. Parece que nunca houve sociedade sem drogas.

Sem contar os usuários das drogas já regulamentadas, como álcool e tabaco, atualmente, entre 3,4% e 6,6% da população adulta do mundo utilizam drogas ilícitas, como maconha, cocaína e anfetaminas.

A maioria destes fará uso eventual, sem maiores consequências ao longo da vida. No entanto, de 10% a 13% desenvolverão problemas de saúde, como dependência, ou contaminação por HIV e doenças infecciosas. O que era para ser recreativo vira patológico.

De cada cem mortes no mundo, uma decorre de atividades relacionadas ao tráfico de narcóticos. Estima-se que os custos dos problemas de saúde relacionados ao uso de drogas ilícitas alcancem de US$ 200 bilhões a US$ 250 bilhões anualmente.

Os prejuízos causados pela atividade ilegal – mas muito lucrativa – são absorvidos pelo conjunto da população. É como se o povo subsidiasse os traficantes com incentivos fiscais. É o pior de dois mundos.

Em 1961, a ONU aprovou sua Convenção Única sobre Entorpecentes com o objetivo de combater o problema das drogas por meio da repressão à posse, ao uso e à distribuição. O documento, assinado por 184 países, tornou-se, em grande parte, base conceitual para a elaboração das legislações mundiais sobre o tema.

No entanto, mesmo em países com leis especialmente severas, como Arábia Saudita e Cingapura, o tráfico e o consumo de drogas persistem. O exemplo clássico da ineficácia desse enfoque, a Lei Seca, tentou proibir o consumo de álcool nos EUA entre 1920 e 1933. O que acabou conseguindo foi transformar Chicago num antro de crime e criar personagens da linhagem de Al Capone.

Enquanto se persegue a utopia do mundo sem drogas, o comércio internacional de entorpecentes movimenta cerca de US$ 300 bilhões por ano. Em lugar de contribuir com impostos, esse dinheiro paga propinas e estimula a corrupção das instituições democráticas.

A história mostra que parte da população mundial vai continuar se drogando. Mesmo que, para isso, tenha de desafiar as leis. Se políticas de repressão estrita funcionassem, o Irã não teria uma das legislações mais severas quanto ao tema e um dos piores índices de dependência de heroína do mundo.

Os países que resolveram enfrentar a questão por meio de políticas inovadoras, que consideram o tema como de saúde pública e incluem a descriminalização do consumo de drogas leves, como a maconha, têm tido resultados encorajadores na reabilitação de usuários e no combate à criminalidade e outras consequências negativas da dependência.

A proibição das drogas só dá lucro aos traficantes. Não elimina o consumo nem seus efeitos deletérios, mas impede o controle, a tributação e potencializa o problema. Torna-se um fator de corrupção. Mas, acima de tudo, é irrealista. É tempo de considerar que "um mundo livre de drogas", como quis a ONU, talvez não seja possível. O jeito é conviver com elas pagando o menor preço”.

Então professor Buarque, É entre os religiosos e os requebradores de quadris que prevalece o ambiente onde analfabetos sabem meais que os cientistas. Portanto, em vez de consultar a sociedade que Vossa Excelência diz precisar ouvir para tomar sua decisão, ouça a voz da ciência e não tenha medo de ser sincero. Inté.  

 

  

      

 

 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

NO INVERSO, A VERDADE.


O programa Brasil Urgente apresentava como vilões os senadores que rejeitaram a diminuição da responsabilidade penal. Afirmava o apresentador do programa que os senadores iam de encontro à opinião pública, no que estava certo porque a opinião pública é errada. Se é a televisão que forma a mentalidade da população, não poderia ela, a população, discordar do que diz a televisão. Entretanto, mandar rapazolas de caráter deformado para a violência dos presídios, disso resultará que eles saiam de lá com o caráter ainda mais deformado. Pessoas amontoadas em cubículos imundos encaram a sociedade como o cão preso e atiçado encara seu atiçador. No dia que se ver livre, atacará com maior fúria quem o atiça. Entretanto, a visão das pessoas comuns como o apresentador do programa e a população que aplaude seu discurso, não vai até onde vai a visão dos sociólogos, pessoas que estudam questões sociais, categoria da qual faz parte muitos dos senadores que foram contra o malfadado projeto de encarcerar rapazolas. A todo instante nos chega a confirmação da veracidade de que toda a infelicidade decorre da ignorância, ou desconhecimento da verdade.

E onde está a verdade nessa história? Está no fato evidente de ser a política dos politiqueiros a arte da enganação. A existência de presídios lotados em nada diminui a violência. Como as pessoas comuns que são quase a totalidade da população não sabem disso, o governador de São Paulo quando em campanha alardeava a título de eficiência que no seu governo a polícia encarcerou cento e quarenta e quatro mil presos e que tinha feito o maior número de presídios do país. Apesar de tudo isso, a violência só faz aumentar. Como quem não sabe é como quem não vê, as pessoas comuns escolhem este tipo de enganador.

São infinitos os meios de combate à violência. Até iluminação eficiente das ruas é um deles. Entretanto, a revanche não é. A educação é o inimigo número um da brutalidade da violência. A Reforma Agrária que as pessoas comuns dizem ser coisa de satanás é um processo eficiente para reduzir a violência. Como as pessoas comuns pensam que Reforma Agrária é apenas entregar uma área de terra a alguém, ela nunca dará certo entre nós. Os politiqueiros, donos de imensas áreas de terra, usam os papagaios com microfone para convencer as pessoas comuns de que são bandidos aqueles que lutam por uma verdadeira Reforma agrária, aquela que desafogaria as cidades levando para o campo milhões de famílias.

Estes pobres jovens são vítimas da sociedade que os deixa crescer como bichos. Eles não tiveram um mínimo de afeto e tudo o que conheceram em suas tristes vidas foi o desprezo. Agora retribuem à sociedade o que recebeu. Em vez de cadeia, a sociedade deve lhes der educação e condição de vida compatível com a dignidade humana. Inté.     

 

 

 

 

 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

ARENGA NÚMERO CINCO


 

Um sábio afirmou que sua convivência com as pessoas comuns causava nele um mal-estar equivalente ao mal-estar provocado por doença. Quer dizer, pessoa comum é doença mental para quem tem a mente elevada. Pessoas comuns são aquelas para as quais a vida se resume em aprender uma atividade, exercê-la para ganhar dinheiro para comprar carro, apartamento, casar, ter filhos, tentar ficar rico, e, como disse o sábio Leonardo da Vince, encher latrinas. O sábio, ao contrário das pessoas comuns, como nos ensinam os Grandes Mestres do Saber, dão maior importância aos assuntos relacionados à espiritualidade porque a utilidade destes transcende a vulgaridade da vida das pessoas comuns.

Aqui estão alguns exemplos de comportamento das pessoas comuns: Estava eu, pessoa apenas um milionésimo menos comum, numa sala de espera aguardando a vez de ser atendido quando um telefone celular de alguma pessoa comum soltou um berro semelhante ao apito de um navio, causando-me susto tão grande que quase arremessou longe o livro que eu lia. Na semana anterior, na mesma sala, também fui impedido de ler meu livro porque um pai (pessoa comum) berrava no celular enquanto sua inocente filhinha subia na mesinha do centro da sala e pulava de lá aos gritos enquanto sua mãe (pessoa comum) olhava indiferente para a televisão e folheava uma destas revistas sobre as futilidades das pessoas comuns. Em outra ocasião, esperava eu um elevador, quando uma senhora (pessoa comum) que acabara de chegar entrou no elevador, e eu que chegara primeiro, fiquei do lado de fora. Buzinar carros e roncar motos na madrugada, despertando quem dorme, às vezes a custo de medicamento, é também comportamento de pessoas comuns.

A mente destas pessoas é inferior à dos sábios, nem sempre por desinteligência, mas por falta de oportunidade de elevar-se a um plano superior. A sabedoria do sábio vem menos da inteligência do que dos objetivos sobre os quais ela, a mente, tem por prioridade posto que a atividade de pensar é a praia deles, os sábios, enquanto que o dinheiro e invejar os americanos das bundas brancas é o mundo das pessoas comuns. Exercer a atividade de pensar eleva a espiritualidade e diminui a brutalidade. Platão afirmava que a atividade de governar deveria ser exercida por filósofos (pessoas que pensam).

Assim, razão de sobra tem o sábio para não gostar da companhia de pessoas comum como nós, uns mais, outros menos. Se os bichos atendem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar, para as pessoas comuns também nada significa a presença de outras pessoas.

A absolutíssima maioria dos brasileiros é composta de pessoas comuns, embora haja em muitos deles inteligência superior à de quem já superou esta fase, faltando-lhes tão somente aprender como se comportar socialmente. Papagaios televisivos com microfones na asa, quer dizer, na mão, ensinam por refinamento social requintes fúteis como usar vários garfos e várias facas numa refeição, em que tipo de taça deve ser servido determinado tipo de vinho, ou que vinho é apropriado para acompanhar carne ou peixe. Entretanto, comportamentos adequados para se viver em sociedade sem molestar as outras pessoas, só são encontrados nos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber, mas tais ensinamentos passam ao largo das pessoas comuns.

Entretanto, a capacidade fabulosa de pensar pode transformar espiritualmente bichos em gente do mesmo modo como a natureza fez com o físico.

Arengaremos mais depois de descansados os sacos. Inté.

 

 

 

 

  

 

 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ARENGA NÚMERO QUATRO


 

Não se pode desconhecer que nosso desassossego predomina sobre o sossego, a infelicidade sobre a felicidade, a guerra sobre a paz, a desarmonia sobre a harmonia e a competição sobre a cooperação. Cumpre saber o motivo pelo qual isto ocorre, se queremos sossego, felicidade, harmonia, e a ninguém mais é dado desconhecer que a competição gera violência. Este aparente enigma deixa de intrigar quando se analisa o comportamento individual das pessoas. Percebe-se então que os vexames são buscados voluntariamente por cada um. Percebe-se também que tal comportamento decorre do fato de ignorar que daquele comportamento resulte uma situação vexatória. Em determinado escritório desta nossa cidade, vi uma senhora grávida que manuseava dinheiro e as fichas de um fichário, sendo que para esta segunda operação ela umedecia o dedo na boca para melhor desgarrar uma ficha da outra, comportamento que pode afetar seriamente a saúde daquela mulher e a criança dentro dela. Se ela pudesse ver os germes transferidos do dinheiro e das fichas para sua boca e dali para o sangue que nutre sua criança, tal convencimento certamente a impediria de agir assim.

Do mesmo modo, ignorar o indivíduo a maneira correta de agir socialmente também é fonte de vexames para a sociedade. Os pobres diabos que buzinam na madrugada, que berram ao celular, que passam na frente de quem espera o elevador, que praticam vilanias em busca de riqueza, que acreditam ser a caridade sua única obrigação para com os deserdados pela sorte, estes tem comportamento tão danoso para a sociedade quanto tem aquela mulher lambedeira de dedo para si e seu filho ou filha. Entende-se a razão pela qual os Mestres do Saber afirmam que a infelicidade humana tem uma única causa: A IGNORÂNCIA.

É a ignorância dos conduzidos que dá sustentação aos condutores da sociedade. A política e a religião determinam o destino da humanidade e ambas só se mantém devido à ignorância que produz a indiferença quanto as coisas verdadeiramente importantes. Se a política visa a luxúria de poucos, a religião torna o resto indiferente à realidade e convictos de que só Deus pode melhorar o mundo. Nestas duas instituições está a força que subjuga a humanidade.

A situação em que nos encontramos pode ser representada no seguinte exemplo: Suponhamos a criação de duas grandes e influentes instituições. A primeira seria um imenso clube recreativo no qual a única participação de seus duzentos milhões de sócios se limitaria ao pagamento das mensalidades, uma riqueza fabulosa a ser administrada por pessoas cuja personalidade e caráter foram moldados por uma cultura na qual a desonestidade prevalece sobre a honestidade, o enriquecimento a qualquer custo é considerado a base da felicidade, e o sofrimento dos que sofrem é problema dos próprios sofredores que não quiseram escolher o caminho correto lá na encruzilhada do livre arbítrio. A segunda instituição deste exemplo teria por função manter os pagadores das mensalidades eternamente num mundo tão fantasioso que passam de geração a geração a convicção de que um velhinho viaja pelo espaço numa carroça puxada por veados voadores.

Estas duas instituições se completam na formulação do comportamento de quem paga impostos e dízimos para manutenção de fabulosas riquezas e vida faustosa para poucos em suntuosos palácios onde realmente se vive um mundo de fantasia.

Arengaremos mais depois de esvaziados os sacos. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ARENGA NÚMERO TRÊS.


 

Trabalhadores que abastecem os carros; que cortam mármore, azulejo ou amianto; que manipulam produtos químicos nas lojas; agricultores que se expõem aos raios solares ou manipulam venenos; todas estas pessoas que trabalham desprovidas dos meios de proteção, todas elas estão tendo um comportamento que lhes acarretará sofrimento no futuro. Aos requebradores de quadris no axé e no futebola, dos quais faz parte a quase totalidade dos brasileiros, este é assunto que não lhes toca. Entretanto, só aparentemente. Tal indiferença demonstra não só insensibilidade e falta de solidariedade humana, mas também total desconhecimento do que seja sociabilidade, ou a arte de se viver bem em grupo. As doenças que afetarão milhares de trabalhadores desprotegidos exercerão influência maléfica diretamente sobre todas as demais pessoas tanto porque podem ser contagiosas quanto por ocasionarem a ocupação de leitos nos hospitais, ou ainda porque priva a sociedade da participação no trabalho dos trabalhadores afetados, e aumenta a carga previdenciária em caso de invalidez ou morte. São, portanto, comportamentos errados do ponto de vista da formação de uma sociedade melhor.

Estas conjecturas, apesar de facilmente observáveis, são totalmente ignoradas tanto por quem as pratica quanto por quem pensa não ter nada com isso, estando todos completamente equivocados. Destes equívocos pessoais nasce o equívoco coletivo provedor da desarrumação social que produz os sofrimentos, razão pela qual os sábios afirmam ser a ignorância a única causa de toda a infelicidade existente. Pode parecer à primeira vista que a ignorância ou o desconhecimento dos comportamentos sociais adequados são privilégio daqueles integrantes de manada que buzinam durante a noite, que gritam ao celular, que passa na frente de quem espera o elevador, enfim, esse tipo de bicho de dois pés. Mas não é assim porque doutores de anéis de todas as cores adotam comportamento idêntico ao comportamento dos bichos de dois pés.

Quando o médico procede como o comerciante avarento e faz da saúde alheia um meio de enriquecimento pessoal, e é raro aquele que não faz, está adotando comportamento oposto àquele necessário para formação de uma sociedade equilibrada. Quando o advogado entra em conluio aos cochichos com os criminosos do Mensalão para ficar com parte do roubo que eles praticaram, também está se comportando erradamente do ponto de vista da sociabilidade, além de ter o nariz aumentado. Quando cientistas emitem opinião em troca de dinheiro como fazem os que se vendem ao Instituto Templeton para opinarem favoravelmente à religião, ou para afirmarem que as mudanças climáticas não se constituem em ameaça, estão tendo comportando avesso ao que deveriam ter para formação de uma sociedade sadia.

Dá o que pensar o fato de os Estados Unidos gastarem um bilhão de dólares todo ano comprando pareceres científicos sobre a normalidade das mudanças climáticas, ou do Instituto Templeton pagando gordas quantias de dinheiro anualmente em troca de pareceres favoráveis à existência de proteção divina. Por que será que ocorrem estas coisas? Se nada está ocorrendo de anormal na natureza, não há necessidade de comprar opiniões científicas que garantam esta realidade. Entretanto, estará a humanidade tão obtusa a ponto de não ver a bronca que está a caminho? Estaremos todos tão burros a ponto de não perceber a inexistência de proteção divina e da farsa que é ela precisar da confirmação de cientistas? Além do mais, tal proteção não protege nem mesmo seus mais graduados pregadores.

Veremos na próxima arenga, depois de esvaziados os sacos, o porquê de tudo isso. Inté.