sexta-feira, 31 de julho de 2020

ARENGA 547


Mino Carta censura a expressão redemocratização brasileira porque nunca houve uma democracia brasileira. Dá a entender que aquele ilustríssimo expoente do nosso jornalismo ao lado de Hélio Fernandes, Mauro Santayana e outros visse a democracia como algo bom que ainda não fomos capazes de alcançar. Se não é como pensa o mestre do jornalismo sadio, assim pareceu. Entretanto, sendo o mérito da democracia o direito de ter o povo seus governantes escolhidos por ele mesmo em vez de qualquer outro método que independa de sua vontade, tal direito tem resultado na escolha de palhaço, lutador de box, ladrões e jogador de futebola como legisladores, donde surgem absurdos como ser elevado à presidência da última instância do Poder Judiciário um cidadão que segundo a imprensa teria sido reprovado por duas vezes em concurso para juiz de primeira instância. Daí outras aberrações como autoridades protegendo ladrões abertamente, na cara da sociedade, o que justifica plenamente a afirmação de Vinicius Bittencourt de que a democracia é o sistema que não nos permite ter governo melhor do que merecemos. Ora, é justamente o contrário disto o que desejamos: ser-nos permito termos um governo ainda melhor do que merecemos.
Direito de protestar nas ruas, outra vantagem que justifica a democracia, também não serve de nada os protestos dos quais resulta algum efeito realmente positivo para o povo se resumem àqueles relacionados a bobagens como passagem de ônibus e coisas do tipo. Nenhum efeito terá um protesto a favor de algo que trouxesse efetivo benefício para a coletividade, como, por exemplo, o fim da isenção de imposto para ricos e as imensas fortunas das igrejas, ou que se cumprissem as recomendações da Constituição, principalmente a que diz serem todos iguais perante a lei. Dista anos luz disto a realidade de serem os criminosos do colarinho branco protegidos pelas autoridades governamentais e os infelizes de colarinho esfarrapado e sujo atirados às masmorras, cubículos frios, úmidos e doentios onde aos montes estão confinados pobres desafortunados que embora sendo os preferidos de deus são os que mais padecem no mundo por lhes faltar o dinheiro que a canalha da agiotagem do sistema financeiro acumula para puro deleite.
Desta forma, onde está a vantagem da democracia tão falada pela papagaiada de microfone a reboque da turma do me dá um dinheiro aí, quer dizer, da política? Não seria o caso de se engendrar um sistema de governo que pessoas civilizadas merecem? Problema é que de civilizados mesmo só gatos pingados. O resto é pipocador de bomba, bailarino de axé, frequentador de igreja e futebola, além de admiradores de “famosos” e “celebridades”.

















quarta-feira, 29 de julho de 2020

ARENGA 546


Casos do gravíssimo problema social da corrupção pipocam todos os dias em todos os órgãos de todos os governos, facilitados pelas medidas tomadas pelas autoridades governamentais para solução de outros problemas sociais. É uma situação curiosíssima que parece coisa mesmo de brasileiro, o povo mais povo do mundo, festeiro e infeliz ao mesmo tempo, com uma juventude apática a futucar telefone indiferente à realidade de ter de ralar, levantar de madrugada para amorcegar em corrimãos de transportes, contrair corona vírus, ser assaltado, para, no final, chorar num corredor de hospital graças à falta de dinheiro para ter uma velhice menos infeliz do que a que lhe aguarda.
Embora haja dinheiro aos montes, as verbas liberadas para resolver os vários problemas sociais vão servir mesmo é para alimentar a corrupção porque o roubo no Brasil é praticado abertamente à luz do dia ante um povo boquiaberto e incapaz de mover uma palha para evitar ser roubado. Nesse exato momento corre solta uma roubalheira tresloucada de canalhas travestidos de autoridades a embolsar o dinheiro de socorrer as desgraçadas vítimas da pandemia enquanto ministro do STF impede apuração de roubo e enquanto o povo se liga é na papagaiada de microfone anunciando jogos de futebola e carnaval em meio à pandemia.
Ao lado de tudo isso, parasitas sociais, por meio da agiotagem do famigerado sistema financeiro, sem dar um prego sequer, rouba descaradamente imensa fortuna da sociedade impotente e já tão calejada que não demonstra reação alguma ante o fato de ser roubada. Mas não é bem assim porque se ninguém é tão desprovido de inteligência a ponto de ficar indiferente se ladrão lhe rouba algo de pequeno valor, muito menos ficaria quem está sendo roubado do produto resultante do sacrifício de ralar o mês inteiro e por causa de ladrão lhe faltar tudo aquilo de que precisa.
A indiferença é fruto de uma lavagem cerebral resultante do trabalho da papagaiada de microfone que os ricos donos do mundo mantêm em atividade dia e noite a falar mentiras sem parar para segurar a manada na condição de manada em que foi transformado o povo, evitando, desta forma, ocorrer a possibilidade de se saber ser possível superar a falta de tudo que falta por falta de dinheiro porque dinheiro há aos montes. Apenas escorre aos borbotões pela roubalheira através da tubulação do esgoto da corrupção mostrada no Jornal Nacional. Se liga juventude!  


terça-feira, 28 de julho de 2020

ARENGA 545


Os que não sabem voar, da expressão de Friedrich Wilhelm Nietzsche (Quanto mais alto nos elevamos, menores parecemos aos olhos de quem não sabe voar), são os mesmos que também não sabem ser os idiotas causadores de tristeza da expressão de Sigmund Freud (Antes de diagnosticar a si mesmo com depressão ou baixa autoestima, primeiro tenha certeza se você não está, de fato, cercado por idiotas).
Por ser a humanidade constituída de causadores de baixa autoestima e de quem não sabe voar é que ela é tão infeliz que nem sabe ser infeliz. Desconhecendo a realidade da vida, toma riqueza e religiosidade por felicidade, no que erra fragorosamente por não se mirar no espelho de quem por saber voar não se torna causa de baixa autoestima, os Grandes Mestres do Saber.
Mas a humanidade não é infeliz por opção porquanto ninguém faria opção pela infelicidade. A humanidade não tem outro caminho senão o da infelicidade se as crianças são educadas para se tornarem adultos tão infelizes que a possibilidade de ter segurança em suas vidas depende da insegurança de conseguir um emprego e manter-se nele. É esta coisa efêmera e estressante que os seres humanos consideram felicidade e agradecem a deus por tê-la alcançado.
Embora depois de enraizada, uma cultura passa a ser considerada civilização, não há civilização se a sociedade é infeliz porque civilizar-se implica na capacidade de ter paz e tranquilidade porque é isso em que se resume a verdadeira felicidade, ao contrário do que se aprende em criança que ser feliz é ter deus e riqueza, por um sistema educacional que tem por objetivo impedir que os seres humanos aprendam a voar e não ser motivo de tristeza para quem aprendeu por esforço próprio uma vez que na escola aprende a ser MARIA-VAI-COM-AS OUTRAS.
É em criança que se aprende a fazer funcionar a “máquina infernal” de que trata importante matéria do blog Outras Palavras, escola de alfabetização política, intitulada CELSO FURTADO: ECONOMIA PARA A LIBERDADE. Daí não se poder avançar rumo a uma civilização de verdade sem aprender a voar na escola de voos espirituais como a do mestre Platão que mostrou à humanidade de onde vem sua mediocridade: A DIREÇÃO EM QUE A EDUCAÇÃO INICIA UM HOMEM DETERMINARÁ SEU FUTURO NA VIDA.










segunda-feira, 27 de julho de 2020

ARENGA 544


Por volta de meados do século passado, na minha então Itapetinga de agradáveis lembranças, no Cine Glória, que ficava no Ponto Certo, quando não se falava ainda em televisão, e nos cartazes apoiados nos postes de luz lia-se Tecnicolor, quando o filme era colorido, e quando apesar de menino semianalfabeto tinha eu a mesma mentalidade dos adultos de hoje, assisti a um filme que mostrava uma senhora ao pé de um rádio e uma pilha de remédios que ia tomando um a um à medida que no rádio o papagaio de microfone recomendava. Para nós era motivo de risadas, do mesmo modo como seria hoje para os adultos atuais diante da mesma cena. Mas aquilo, para quem superou a fase mentalmente inferior de frequentador de igreja, axé e futebola, objetivava mostrar a condição de manada que caracteriza a humanidade. Como tal, além de hilaridade, devia provocar em todos a mesma reflexão que provoca em quem se ligou nos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber e se tornou capaz de entender o que quis dizer Nietzsche quando disse que quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos de quem não sabe voar.
Não sabe voar quem não entende coisas como os recados dos pensadores. O mesmo historiador citado também nos deu importante recado quando ao falar da Revolução Francesa usou a expressão “uso da espada canônica” para se referir ao uso que a política faz da religião na arte satânica de parasitar o povo inocente capaz de comprar feijão milagroso.
Até hoje a humanidade se mostra incapaz de reconhecer a farsa monumental da religiosidade que a envolve e que representa apego ao retrógrado e ojeriza ao novo, razão pela qual a menor religiosidade dos gregos antigos ter sido a razão pela qual aquele povo superou os demais da época na atividade mental. Esta observação não pode ser contestada ante a realidade de ser mais forte a religiosidade onde também é mais forte a ignorância, fato que apesar de importantíssimo é ignorado pela massa bruta de povo cujo peso determina o rumo a ser seguido por todos.    



domingo, 26 de julho de 2020

ARENGA 643


A observação do historiador de ser a humanidade constituída de seres estúpidos é confirmada pela falta de interesse do povo em refletir a respeito porque quem cala, consente. Mas, é preciso frisar que tal indiferença só existe na classe de povo, que constitui a maioria absoluta dos seres humanos, e que é integrada por igrejistas, axesistas, futebolistas, “famosos”, “celebridades”, reis de pau oco, entre eles os Reis Midas. Da parte da classe de gente, constituída de gatos pingados, entre os quais se inclui o historiador, a observação nunca deixou de merecer esforço para ser superada, tendo, inclusive, já sido levantada a hipótese de ser a estupidez humana fundamentada na discrepância entre o que é tido como correto e seguido como se correto fosse, e o que é realmente correto, mas não é seguido.
Como o mundo segue a maioria, e a maioria é de povo, e povo não pensa, fica restrito à numericamente insignificante classe de gente o sentimento cívico de se incomodar por integrar uma humanidade de seres estúpidos a ponto de não perceberem a discrepância que há entre a informação de ser subversivo quem se insurge contra a ordem estabelecida e a realidade de representar esta ordem a subversão de ter invertido a função do Estado que é de cuidar do interesse pública para cuidar de interesse privado, o que faz de modo escancarado ao entregar cargos de altíssima importância para a administração pública a ricos e avarentos empresários cujo objetivo é o enriquecimento a qualquer custo. Não pode haver maior estupidez do que se esperar que empresários negligenciem interesses próprios para cuidar de interesse da massa bruta de povo, cuja sina é ter o rabo esfolado por ter seu destino decidido por empresários porque quando não é escorchado por empresários da política é atarraxado pelos empresários que arrancam da sociedade imensas fortunas em troca da prestação dos serviços e bens de que não se pode prescindir e não há outra fonte onde buscar. Não demora e haverá também um preço a pagar para respirar, como já há para comer e beber.
Se o tampo converte estúpidos em racionais, o faz com muito vagar. A subversão da ignorância para o esclarecimento que o filósofo observou chegar mais por ação do tempo do que da razão precisa acontecer por meio de uma revolução em vez de uma lenta evolução, o que só ocorrerá quando o número de gente (pessoas interessadas em viver melhor) superar o de povo (pessoas interessadas na vida de Cristo, anjos e arcanjos).

    




sábado, 25 de julho de 2020

ARENGA 642


Quando os papagaios de microfone não podem deixar de admitir a necessidade de se combater a corrupção, obrigados pela realidade de ter limite a burrice da massa bruta de povo, depois da admissão não deixam de acrescentar um “mas” que se faz seguir de um desfile de  argumentos absolutamente capciosos sobre haver necessidade de restrição à perseguição de corruptos. Tais argumentos, na verdade, significam não se poder dispensar o não-me-toques e finura quando se trata de ricos.
Embora os igrejistas, futebolistas e axesistas nem de longe percebam, este “mas” da papagaiada de microfone tem grande significação. Esconde a causa da pobreza no mundo e de todos os males que têm origem na pobreza e que são, na verdade, a maioria absoluta deles.  Consumindo os recursos públicos de maneira avassaladoramente impeditiva de poder haver bem-estar social a corrupção é a mãe, pai e avô de tudo que é ruim na sociedade. Se no dicionário o termo corrupção está ligado a podridão, como entender que se negue a necessidade de extremo rigor no tratamento para quem substitui por podridão a nobreza da atividade política responsável por nos assegurar paz e tranquilidade?
Seguinte: quando Platão disse que a direção em que a educação inicia um homem determinará seu futuro na vida, muito antes que a obtusidade dos seres humanos lhes permitisse perceber, Platão avisou à humanidade que o adulto é o resultado do que aprendeu quando criança. Assim, se no sistema capitalista as crianças aprendem a necessidade de deus, riqueza e competição, o resultado são adultos com uma espada em uma das mãos e uma bíblia na outra se engalfinhando numa disputa tão insana por riqueza que se aproveitaram da condição de manada da humanidade e instituíram a profissão de papagaios de microfone e de advogados famosos a ser exercida por pessoas inteligentes e bem-falantes que lhes apoiam ferrenhamente no objetivo de ajuntar riqueza ainda que por meio de crimes.
Cabe, pois, à humanidade, aprender a pensar para poder perceber o tamanho da malandragem em que está envolvida de forma tão espetacular que os seres humanos preferem se ligar em “famosos”, “celebridades” e reis de pau oco do que no futuro dos filhos.





sexta-feira, 24 de julho de 2020

ARENGA 641


A afirmação de um historiador da magnitude de Edward Mc Nall Burns (página 111 de História da Civilização Ocidental, primeiro volume), de que nenhum povo da antiguidade teve maior importância para o mundo moderno do que o povo da civilização hebraica, sendo o motivo desta importância o fato de terem os hebreus legado para o mundo moderno o substrato da religião, as histórias da criação e do dilúvio, o conceito de deus como legislador e juiz, junto com esta declaração o historiador esclarece que a infelicidade humana encontra explicação no fato de não terem os seres humanos alcançado ainda maturidade suficiente para habilitá-la a engendrar uma sociedade diferente do pandemônio em que vive. Aponta para esta direção o fato de terem por mais importante aquilo que é importante para pessoas tão inocentes que são capazes de comprar feijão santo, pessoas que constituem o rebotalho mental da sociedade, entre os quais se destacam os analfabetos. Ao contrário, para pessoas de elevado nível intelectual, entre os quais se destacam filósofos como Nietzsche, Politzer, Marx, Ingersol, Sam Harris, entre outros, a religiosidade constitui um mal por explorar a ignorância dos ignorantes da realidade da vida.
O fato de ser importante para a humanidade o que é importante para mentalidades inferiores, mas de nenhuma importância para mentalidades superiores, leva inevitavelmente à conclusão de haver algo de muito errado com a humanidade que considera importante o deus que estabeleceu a Pena de Talião (Êxodo 21:24,25). Ou como juiz se condenou um boi a morrer debaixo de pedradas por ter sido levado pelo instinto a chifrar alguém (Êxodo 21:28). Que condenou alguém à morte por apanhar lenho num sábado (Números 15:35). Que fez a mulher de Ló virar estátua de sal pela bestagem de olhar prá trás (Gênesis 19:26).
Vai daí que se são para a humanidade consideradas importantes estas coisas é porque ela vive ainda na infantilidade de ouvir histórias quaisquer na hora de dormir, o que explica o fato de viver num mundo tão infeliz que é qualificado de mundo cão.