segunda-feira, 28 de junho de 2021

ARENGA 594

“A respeito dos embustes dos milagres, frutos tanto da indisposição em raciocinar quanto da incapacidade de superar a crendice da qual resulta o medo da infundada ameaça do pecado, o filósofo Robert Green Ingersol levanta a interessante questão a respeito de milagres: Se Cristo tinha por objetivo provar o poder de deus, nada mais precisava fazer do que se apresentar perante seus algozes depois de ressuscitado, trazendo consigo Lázaro e o filho da viúva também revividos depois de mortos. Desta maneira, teria calado definitivamente os opositores visto ser inteiramente impossível contestar um poder capaz de trazer mortos de volta à vida. Como é a enganação a base da religiosidade, ela não admite raciocinar logicamente sobre seus alegados mistérios porque se eles forem encarados sem o tapa-olho da crendice mostrar-se-ão sem fundamento algum. Veja-se, por exemplo, que nenhuma lógica há na exigência de deus em ser amado (Lucas 4:8 – Salmos 100:2 – 150:1,6) porque o amor não pode ser uma obrigação, exigido, imposto, é espontâneo. Da mesma forma, o porquê de deus gostar de sangue e pedaços de animais esquartejados (Gênesis 15:9), (Êxodo 29: 20,21,22). E Nem se pode explicar como podia deus, apesar de onisciente, não saber que ia dar errado a criação dos homens para que viesse depois se arrepender de tê-los criado e afogá-los no dilúvio, se o arrependimento só acontece porque se desconhece o resultado do ato a ser praticado. Na baboseira do livre arbítrio, então, a inconsequência aflora pelos poros ante o raciocínio de não haver outra via para merecer as graças divinas senão puxar o saco de deus. Não há limite para os contrassensos da religiosidade. Raciocinar sobre o que diz Allan Kardec, de que a bondade de deus não permitiria que ele criasse o mal, sendo este, portanto, criação do próprio homem, leva à conclusão de ter o homem imposto sua vontade sobre a vontade de deus. A ser desse jeito, se deus não queria o mal e o homem o quis e pôs em prática é porque o homem se impôs à vontade de deus, o que é inaceitável para quem como Alan Kardec pensa que deus existe.”

Com alguma diferença que não altera o sentido, este foi um comentário que fiz sobre matéria publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil onde havia referência ao milagre da ressurreição de Lázaro, mas que foi censurado porque na cultura capitalista, como bem observou Orwell, a verdade representa ato revolucionário. Como revolução implica em mudança, o que não interessa aos ricos donos do mundo, não se pode falar a verdade. 

Decorrem coisas do arco da velha em consequência da necessidade de esconder a verdade. Se a humanidade fosse capaz de raciocinar sobre as informações nas quais fundamenta seu comportamento descobriria ser vítima de ludíbrios que se evitados muitos sofrimentos deixariam de existir.

Não questionar é contraditório com a capacidade de raciocinar. Por não raciocinar é que se dialoga com estátuas, compra feijão santo, água milagrosa e se festeja quando o momento exige muita cautela face às perspectivas negativas de futuro.

Não se pode deixar de questionar o fato de jovens aculturados serem alçados às alturas na estima coletiva por habilidades esportivas enquanto pensadores que contribuem com o desenvolvimento civilizatório do homem são ignorados e mesmo perseguidos a exemplo de Marx, Paulo Freire e tantos outros. Da mesma forma, ser a única preocupação dos seres humanos em relação à atividade de viver resumida ao aspecto material e de forma tão equivocada que torna o meio ambiente impróprio à vida para construir riqueza se para viver bem não não é preciso riqueza. Nem se deve negligenciar a realidade vivida de aparatos destinados a cultos religiosos, gastos astronômicos em armas quando basta observar o ensinamento de Cristo e dos Grandes Mestres do Saber para se concluir serem totalmente desnecessários. Nem se deve deixar de questionar porquê de ter a população de bancar  de desembolsar imensas fortunas além do custo para enriquecer quem lhe fornece as coisas necessárias como águe, luz, moradia, remédios etc. Nem se deve ignorar o erro existente em deixar a juventude por inocência encarar a velhice como algo repugnante que não lhe acontecerá jamais.

É por não pensar que a vida humana não difere da vida de bicho na qual inexiste atividade mental. Nem intelectuais deixam "escorregar" pelo fato de não pensado melhor sobre o que diz. Ana Cláudia Quintana de Arantes, por exemplo, no livro A Morte É Um Dia Que Vale A Pena Viver, Pág. 88, diz que o amor é que traz alguém à vida, quando o que traz alguém à vida é o relacionamento sexual que independe de amor como acontece no estupro e entre os bichos. Também em equívoco por não ter meditado incorreu Abrão em Êxodo 32:22 ao afirmar ser o povo propenso ao mal, o que não é verdade. Segundo mestre Platão, o comportamento do adulto resulta da orientação dada à criança pela educação. Aqui, sim, explode a sabedoria. O povo poderia ser sábio e bom se tais sentimentos lhe fossem ensinados em criança. Se é mau, como é, deve-se a não aprender quando criança os sentimentos de nobreza de espírito e a necessidade de tratar os outros do jeito que queremos ser tratados como ensinado por líderes verdadeiros como Cristo, Marx, Paulo Freire, entre outros.  



sexta-feira, 18 de junho de 2021

ARENGA 593

 

          Dia desses eu comentava em nossa melhor fonte local de informação, o jornal Tribuna da Bahia, uma das muitas notícias sobre os também muitos descalabros que infelicitam nossa medíocre sociedade de religiosos torcedores e carnavalescos, cabendo ressaltar, todavia, que estupidez e mediocridade não são privilégios da nossa republiqueta de banana apaixonada pelo “American Way of Life” uma vez que também nas sociedades consideradas superiores ocorre a mesma ausência de sentimentos nobres que distinguem o homem da fera. O fato de se fundamentar na riqueza material a “superioridade” das sociedades supostamente superiores torna inevitável a brutalidade e mesquinhez inerentes ao enriquecimento. Por força dessa circunstância, desconhecem o sentimento de irmandade que caracteriza uma sociedade realmente civilizada que até o momento não passa de utopia.

Na página 170 do livro História da Riqueza do Homem, do escritor Leo Huberman, tem duas pequenas amostras dos métodos que fizeram holandeses e ingleses os povos mais “civilizados” do século XVII e que põem abaixo a máscara de civilizados que eles ostentam idiotamente. São do seguinte teor: “Para conquistar Malaca, os holandeses subornaram o governador português. Ele os deixou entrar na cidade em 1641. Correram à sua casa e o assassinaram para “abster-se” do pagamento de 21.875 libras, o preço da traição. Onde punham o pé, provocavam a devastação e o despovoamento. Banjuwangi, província de Java, tinha em 1750 mais de 80.000 habitantes, em 1811 apenas 18.000”. “Na Índia em 1769-1770 milhares de nativos morreram de fome porque os ingleses haviam comprado todo o arroz e só vendiam a preços tão altos que os nativos não podiam comprar”. Mas a selvageria que justifica o dito de que por trás de toda grande fortuna há um ladrão não ficou para atrás. Acompanha a humanidade e atualmente se apresenta a pleno vapor na querela entre China e Estados Unidos disputando o troféu de troglodita espiritual mais rico.

Mas, como dizíamos entes de enveredar por outros pensamentos, falávamos do comentário na Tribuna da Bahia, quando então eu disse algo que não me saiu mais da cabeça: “Que mundo que fizeram do nosso mundo!” – disse eu. Realmente. É uma pena o que fizeram do nosso mundo. Tornaram-no impróprio de seres civilizados porque ao se procurar saber como tem se comportando a humanidade ao longo de sua história percebe ser insano seu comportamento, pelas seguintes razões:

 Da atividade econômica resultou a insanidade de apenas um por cento dos seres humanos terem se apossado de noventa e nove por cento da riqueza que devia ser utilizada em benefício dos cem por cento que integram a coletividade humana.   

E não fica por aí a insanidade humana. Não leva mais a conclusões inteligentes a atividade meditativa ou filosófica que fez dos gregos o povo mais evoluído espiritualmente do seu tampo, haja vista a baixa qualidade de vida da sociedade moderna. O raciocínio inteligente que levou os pensadores gregos a procurar coerência nas informações desapareceu de forma tão espetacular que na página 139 do livro História da Filosofia, de James Garvey e Jeremy Stangroom, consta que um senhor chamado Agostinho de Hipona, tido como o primeiro filósofo cristão, foi terrivelmente martirizado pelo arrependimento de ter-se deixado levar por uma invejável disposição sexual que o fez desfrutar das sublimes delícias guardadas no entre pernas das mulheres. É ou não é loucura total transformar em sofrimento lembranças que devem trazer prazerosas recordações de momentos tão verdadeiramente sublimes?

E tem mais: do ponto de vista da religiosidade, então, nem é bom falar.  Despreza-se a razão e se contenta com informações oriundas de crendices sem fundamento. Baseada a religiosidade num livro chamado Bíblia Sagrada, que apesar de considerado fonte de sabedoria inesgotável é, na verdade, um registro de guerras, assassinatos, inclusive em homenagem ao deus que não obstante de infinita sabedoria, faz questão de elogios, aplausos e louvação, como um reles político que gasta em propaganda de si próprio o dinheiro que estupidamente a massa bruta de povo entrega em suas mãos na esperança de ser usado em prol de bem-estar coletivo.

Do ponto de vista da vida social, a insanidade humana faz com que trabalhadores que prestam relevantes serviços à comunidade vivam em condições infinitamente inferiores a parasitas cujo nível intelectual corresponde ao de Baltazar da Rocha lendo o livro O Ultimato de Caxias, no programa humorístico A Praça da Alegria, apresentado por Manoel da Nóbrega.

No que diz respeito à ciência, vemos o cientista mais renomado, Albert Einstein afirmar que a ciência e a religiosidade se completam, não obstante ter a ciência derrubado a tese defendida a ferro e fogo pela religiosidade de que a Terra era quadrada e que a Peste Negra provinha de bruxaria. Ou o grande cientista não disse tamanha bobagem ou tinha tomado umas e outras para incorrer no disparate de afirmar que religião e ciência se complementam quando se sabe serem coisas opostas visto que a religiosidade se baseia em crendice e a ciência em fatos. 

Como ponderações vindas de um Zé Mané devem se fazer acompanhar do testemunho de alguém intelectualmente nobre, transcrevemos este trecho do livro Falando Francamente, do doutor Vinicius Bittencourt: “O flagelo da humanidade não é a peste, a guerra, a fome, a idolatria, a corrupção ou o crime. O flagelo da humanidade é a ignorância. Sem ela, essas calamidades não existiriam ou seriam drasticamente reduzidas. Apesar disso, o homem foge dos livros como o diabo da cruz. Reencarnando os párias, os impuros ou os intocáveis da velha Índia, nossos professores vivem na miséria. Os rebentos das classes abastadas desperdiçam o tempo com televisão e jogos eletrônicos. Os das classes pobres não têm livros, escolas, professores, nem motivação para estudar. Por toda parte alastra-se a ignorância. E nela se cevam os políticos, os curandeiros, os pastores de almas, os publicitários, a mídia eletrônica, a corrupção e o crime. A peste não existe onde há saneamento básico, assepsia, higiene. Na Idade Média, entretanto, a peste era atribuída a sortilégio e combatida com exorcismos. Em vez de matar os micróbios, cuja existência desconheciam, nossos antepassados matavam as feiticeiras. A guerra seria evitável se os povos não fossem ignorantes. Como disse Frederico, o Grande, se os soldados raciocinassem, abandonariam o comandante na primeira esquina. A fome não ocorre onde não há latifúndios improdutivos ou explosão demográfica. O fanatismo desaparece quando a sabedoria arranca a máscara dos ídolos ou sacode seus pés de barro. A corrupção elimina-se com a vigilância, a efetiva aplicação das leis e a transparência dos atos administrativos”.

 O que se vê e se tem na realidade justifica a observação de que a evolução espiritual priva de tudo que faz a alegria do povo porque ser alegre em meio à insensata estupidez em que chafurda a humanidade significa estado de completa demência.

 

 

sábado, 5 de junho de 2021

ARENGA 592

 

Só não se pode achar que são mentiras as façanhas que o doutor Eduardo Moreira atribui a si mesmo no importantíssimo livro O Que Os Donos Do Poder Não Querem Que Você Saiba por serem tais façanhas, apesar da grandiosidade, corroboradas tanto pelos doutores Jessé Souza e Márcio Calvet Neves nos prefácio e posfácio de outro grandioso livro do mesmo incrível doutor Eduardo Moreira, denominado Desigualdade, quanto pelos próprios livros cujo extraordinário conteúdo é imprescindível para que se possa prevenir contra a canalhice dos bancos que não obstante o endeusamento que papagaios de microfone fazem deles, extorquem impiedosamente quem conseguiu a duras penas poupar algum dinheirinho suado e precisando protegê-lo da corrosão inflacionária, cai na rede da ganância perversa dos malditos banqueiros. Um exemplo das muitas sacanagens contra os desavisados poupadores está nas páginas 35 e 36 do livro O Que Os Donos Do Poder Não Querem Que Você Saiba: “... imagine que a taxa básica de juros da economia brasileira seja de 12% e a inflação seja de 7%- a taxa de juros real é de 5%. Quando você investe em um título de capitalização de um banco, ele lhe paga os 7% desse nosso exemplo, referentes à inflação. E, com os 5% que sobram, compra alguns ou bilhetes de loteria para sortear entre os desinformados compradores dos títulos. E todo o resto do dinheiro embolsa como lucro. Títulos de capitalização não são investimentos, são sorteios da pior qualidade!”

Se a existência de seres humanos bons anula a tese de ser mau por natureza o ser humano, a maldade só pode ser aprendida. E é o que realmente acontece. Assim como no papel em branco se escrevem frases sublimes de grande sabedoria ou pornografias e baixarias apropriadas para “famosos” e “celebridades”, também no cérebro ainda em branco do recém-nascido podem ser registrados ensinamentos dos quais tanto pode resultar comportamentos adequados à formação de uma sociedade civilizada quanto de uma sociedade bárbara como é a sociedade humana sempre em guerras.

Partindo deste princípio reconhecido por Platão e conformado por Shakespeare (O destino que a educação inicia uma criança decidirá o seu destino). Como às crianças são ensinadas mentiras e a mentira nada constrói de bom e sólido, adultos que foram crianças que aprendera mentiras terão mentiras por verdade e nada melhor para ilustrar esta realidade do que a religiosidade que blinda a mente contra a entrada da verdade e torna o religioso um verdadeiro burro de carroça cujo tapa-olho não permite enxergar nada fora do caminho.

Tive oportunidade de vivenciar recentemente uma bela experiência nesse sentido: ao contestar a religiosidade de um doutor, argumentou alguém ser religiosa a maioria absoluta dos seres humanos. Entretanto, o fato de ser uma mentira considera verdade, mesmo que pela humanidade inteira, não quer dizer que seja verdade. Para a humanidade de outra época era verdade a mentira de que a Terra fosse quadrada.

A religiosidade, na verdade, faz à humanidade um grande mal que só pode ser reparado com a extinção ou da religiosidade ou da humanidade. Da influência maligna da religiosidade não escapam nem mesmo os cérebros mais brilhantes como o de Einstein, que apesar de não admitir deus, admitiu a existência de uma força superior desconhecida, quando a verdade é que por si mesma a natureza tanto cria quanto transforma independentemente de intervenção inteligente porque inexiste inteligência na natureza. Como manada estourada, a natureza segue seu rumo tanto criando curas quanto cânceres, bosta, crianças saudáveis, sem cérebro ou siameses.

O poder da crendice da religiosidade não poupou também o nosso doutor Eduardo Moreira ao afirmar haver sabedoria na bíblia. Como sabedoria se lá há regras para a escravidão (Êxodo 21:2,16 e Deuteronômio 15:12-18)? Se a criação divina é posta abaixo pela ciência? Que sabedoria pode haver em “Tudo o que é já foi, e tudo o que será também já foi”? (Eclesiastes 3:15). Onde estaria a sabedoria em recomendar em Deuteronômio 19:21 a pena de Talião para contradizer em Mateus 5:38 recomendando oferecer a outra face?

Dar-se-ia infinitamente melhor estaria a humanidade abandonando deus e cuidando de fiscalizar o que está sendo feito com o erário porque ele é o único responsável pala existência do bem-estar social. Além do mais, egoisticamente, religiosos só se preocupam consigo mesmos. Com o necessitado descarrega sua consciência na esmola. Seu egoísmo aparece na certeza de uma vida feliz ao lado de deus, na verdade uma vida da qual se deve fugir porque se resume em orações e nada de mulher prá trepar e uísque prá tomar.

  

domingo, 30 de maio de 2021

ARENGA 591

 

Embora economistas de real valor e que não têm rabo preso no poder muito contribuam na luta contra a desigualdade social ao apontar injustas distorções que possibilitam a espoliação criminosa por aproveitadores inescrupulosos, tal contribuição não vai diretamente ao foco do problema. Porém, diferentemente dos economistas, filósofos e papagaios de microfone que em troca da despensa abastecida enaltecem o perverso capitalismo que vigora no mundo, afirmando, inclusive, ser conveniente haver menor interferência do estado na economia e que o melhor governo é o menor governo, de forma a haver liberdade de auto regulação pelo mercado, canalhice que permite aos avarentos Midas extorquirem ao bel prazer tanta riqueza quanto exige usa insaciável sede de ouro. Outros economistas, entretanto, aqueles que não têm a consciência prostituída como Thomas Pickety, Eduardo Moreira, Joseph Stiglitz e outros mais, contradizem as opiniões emitidas em troca de pagamento. O doutor Stiglitz, na página 10 do seu grandioso livro O Mundo Em Queda Livre, põe abaixo esta a babaovista e diz que até o laureado doutor Alan Greenspan, sumo pontífice da teoria do governo mínimo, passou a admitir ser equivocada. Na mesma página 10 o economista afirma que deixar os mercados ao bel-prazer da insaciável ganância dos grandes grupos econômicos parasitários seria tão estúpido quanto colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. Esta verdade foi desnudada pela Lava Jato ao desnudar a canalhice da Odebrecht. Ao contrário da estultice de deixar a economia ao sabor dos monstros ajuntadores de riqueza, como também reconhece o doutor Stiglitz na página 70, os mercados exigem ação enérgica do governo. E quem senão um governo forte, máximo, exercido por homens que mijam na parede, (expressão de minha querida e saudosa prima Auta Rosa), seria capaz de ações enérgicas contra a sacanagem destes Monstros de cuja boca escorre baba de dragão? Governos mínimos, submissos aos monstruosos Reis Midas do mundo só agem energicamente quando é contra o povo. Aí, atiçam soldados que embora também do povo, de cassetete em punho, distribuem porrada prá cima da multidão tanto indefesa quanto imbecil.

Quando o doutor Stiglitz diz da necessidade de controle dos mercados, sobretudo do financeiro, ele mata a cobra e mostra o pau (o que matou a cobra) porque consta da página 177, referindo-se à crise imobiliária americana de 2008 que afetou o mundo, o seguinte: os banqueiros (devia ter dito os malditos banqueiros) em vez de serem responsabilizados pelos estragos que causaram, receberam bilhões de dólares. (Nós cá do cantinho de pensar fazemos a seguinte observação: de onde saíram estes bilhões de dólares, senão do povo que aprova o capitalismo e odeia o velho e sábio Marx? Contudo, não obstante a injustiça e a brutalidade da cultura individualista capitalista do venha a mim e os outros que se danem, realidade que levou o extraordinário Celso Furtado a dizer que a arbitrariedade e a violência tendem a dominar o mundo dos homens (lembrado por Paulo Batista Nogueira Júnior na página 386 de seu grandioso livro O Brasil Não Cabe No Quintal De Ninguém), pois, ainda assim, apesar de tamanho descalabro, por puro preconceito, isto é, um conceito que se faz antes de conhecer a realidade sobre a qual se opina contrariamente, as pessoas refutam ideias socialistas. Haja saco!   

  

    

sábado, 29 de maio de 2021

ARENGA 590

 

        A mesma atenção que os pais dedicam para arrumar a vida futura de seus inchadim deveria merecer a qualidade de vida que o futuro reserva para eles, mas não é o que acontece. Embora de nada vale abastecer uma conta bancária como garantia de tranquilidade dos filhos se em volta deles estão dezenas de outros filhos famintos que logo serão centenas ou milhares dispostos a usar de violência para não morrerem de fome e que, caso permaneça a indiferença, o desprezo do perigo que esta situação representa, quanto mais dinheiro tiver alguém, maior perigo estará correndo.

        Se do ponto de vista social, não se justifica o comportamento dos pais, o mesmo ocorre quando se pensa nos recursos naturais. Em cento e vinte e um anos a população do mundo passou de um para oito bilhões, e se com esses oito bilhões já escasseiam os recursos naturais com apodrecimento das águas, do ar e desertificação dos solos, fica praticamente impossível haver tranquilidade daqui a mais cem anos quando as mulheres tiverem despejado para correr o planeta, de suas imensas barrigas, os frutos do instinto de reprodução provenientes desses oito bilhões de agora.  Nem devem os pais omitirem de suas preocupações a respeito dos filhos a realidade sombria da exorbitância de garotos e garotas condenados pela estupidez humana a uma vida de cães vadios cuja humilhação pela exibição de imensas riquezas vai aos poucos transformando estas criaturas em feras capazes de matar até por causa de um um pão. Por um celular, já se mata.

Falta planejamento se a sociedade se divide em um grupo que desfruta da produção sem produzir e outro que produz sem desfrutar. Se se trata de seres que podem raciocinar, logicamente dever-se-ia buscasse uma situação em que todos se beneficiassem das conquistas que aumentam a comodidade e bem-estar. Se a selvageria humana não permite a igualdade total como é de se desejar, pelo menos deve-se refutar esta desigualdade brutal entre as classes de ricos parasitários e pobres parasitados.

Desde que começou a existir, este cantinho de pensar vem insistindo na necessidade de se pensar sobre a atividade de viver, indevidamente negligenciada, principalmente por intelectuais que tergiversam inutilmente sobre sexo dos anjos, mas nada que ajude a desbastar as arestas da estupidez humana. Um exemplo dado pelo intelectualíssimo doutor Raimundo Faoro no livro Os Donos do Poder, que começa desta maneira: “Nich nur der Vernunft von Jahrtausenden – auch ihr washnsinn bricht an uns aus. Gefarlich is es, Erbe zu sein.

Aquilo de que se faz necessário é em linguagem simples, acessível, procurar atrair a a humanidade para a realidade de viver uma irrealidade. Da distorção vivida quando toupeiras, verdadeiras antas desprovidas do mínimo de intelectualidade viram “celebridades” enquanto que as verdadeiras celebridades são ignoradas.   

quarta-feira, 26 de maio de 2021

ARENGA 589

 

  O complexo de vira-lata do brasileiro que Paulo Nogueira Batista Júnior menciona na capa do livro O Brasil Não Cabe No Quintal De Ninguém, faz com que o brasileiro seja capaz de exagerar no cumprimento da tarefa inglória constante de Mateus 5:39 para oferecer o outro lado da cara à tapa depois de ter apanhado de um lado. Tal procedimento vai de encontro à dignidade de homens tipo Zumbi e Spartacus que também se recusam a se vergar e submeter-se ao jugo que por ser degradante não condiz com a personalidade do homem que tem dignidade por premissa maior. Da mesma forma, mulheres como Leila Diniz entre tantas outras cujo caráter recusou a submissão imposta por deus em Gênesis 2:16. Infelizmente, porém, da luta das feministas resultaram “celebridades” de tamanha vulgaridade indescritível que suas bundas abundam no Yahoo Notícias.

Dificilmente pode ser encontrado outro povo com tamanha propensão a sujeitar-se à humilhação do que o brasileiro cuja paixão pelas coisas do estrangeiro ultrapassa o ridículo demonstrado pelo comunicador José Luiz Datena repetindo exaustivamente a palavra aligato para se referir a um jacaré. E tamanho espalhafato sobre o aligato se devia ao fato de que jacaré em inglês e aligator cuja pronúncia seria algo semelhante a E-LI-GUEI-TOR. Outra demonstração do ridículo do brasileiro que o Datena expõe com perfeição está no “slow motion” para dizer movimento lento ou câmara lenta. 

Há inclusive a história de um ministro brasileiro que beijou a mão de um presidente americano. Não é à toa que o grande jornalista Mauro Santayana em monumental artigo denominado A Crise Da Razão Política E A Maldição de Brasília diz que o brasileiro sente pelas coisas do estrangeiro a mesmo deslumbre que os índios sentiram perante a visão dos portugueses e das caravelas. Tudo aqui é só ridículo. A palavra caravelas, por exemplo, lembra um ministro ridículo que com o dinheiro do povo ridículo fez uma caravela ridícula para navegar até Porto Seguro nas comemorações da data do descobrimento, mas que não saiu do lugar e ficou por isto mesmo como sempre acontece nesta terra que por ser a pátria de deus, o ministro que afundou uma nota preta do povo na caravela foi castigado. Ah, se foi. Os curitibanos o castigaram com o cargo de prefeito de sua capital Curitiba.

O complexo de vira-lata do brasileiro é tão exuberante que na rádio CBN da Rede Globo há um programa intitulado “Young Professional” e na Rádio Bandeirantes de São Paulo há outro programa intitulado Brasil com Z. Em nossa capital Salvador há dois prediozinhos iguais denominados Trade Center e pelo menos aqui em nossa Cidade de Vitória da Conquista há prédios de apartamentos denominados Maison du Soleil, La lune, Maison du Soleil, Diamond Residence, condomínio Green Ville, entre outras demonstrações de preferência ao linguajar de gringos em detrimento de seu vernáculo. 

Mas a subserviência do brasileiro demonstrou se ilimitada quando as forças armadas nacionais obedecendo ordens do governo americano em sua paranoia anticomunista protagonizaram o golpe de estado de 1964 e escorraçaram o presidente João Goulart, torturaram e mataram jovens brasileiros. O entusiasmo de Evaristo Ferreira da Veiga e Barros que  o levou a escrever o BRAVA GENTE BRASILEIRA. OU FICAR A PÁTRIA LIVRE OU MORRER PELO BRASIL, morreria outra vez de desgosto se visse em que resultou a bravura dos homens que morreram defendendo um Brasil independente que hoje induz suas criancinhas a festejar o Halloween e aprender como aprendem as crianças americanas a temer ideias que pregam igualdade que apesar de recomendadas por Cristo, são hoje excomungadas como socialistas.  

A imbecilidade, entretanto, não é privilégio nosso posto que mundo afora multidões carregam nos braços rufiões em busca de mamar nas tetas de cargos eletivos. Contudo, por aqui, onde as coisas ruins são superiores às de qualquer outro lugar, é maior o alvoroço em torno de candidatos porque além dos rufiões locais a papagaiada de microfone também baba o saco de rufiões estrangeiros e comentam alvoroçadamente sobre a possibilidade de vir a ser fulano ou beltrano o rufião desse ou daquele país, principalmente dos Estados Unidos. 

Nossa pátria não merece destino se a natureza o brindou com exuberância da beleza e grandes riquezas que foram levadas, deixando pobreza em seu lugar. É injusto que os descendentes daqueles que deram a vida por um futuro glorioso de nossa pátria tenha sido convertido num povo de ladrões e, como disse Rui Barbosa, um povo que desconhece o nobre sentimento de honra, moralidade, caráter, e onde as nulidades viram celebridades enquanto celebridades são vilipendiadas a exemplo de Celso Furtado e Paulo Coelho.

Mas isso há de mudar. Nossa juventude haverá de se conscientizar antes de qualquer outra juventude do mundo que também se encontram presas em ardilosas armadilhas engendradas pelos proxenetas do sistema financeiro mundial do qual resulta muita riqueza para pouquíssimos e muitíssima pobreza a causar toda esta desordem.


  

 

domingo, 23 de maio de 2021

ARENGA 588

 

Ninguém melhor do que o inteligente jovem engenheiro, economista e escritor Eduardo Moreira para confirmar o que sempre alegamos aqui nesse cantinho de pensar: por motivo tão claro quanto água limpa no meu copo de cristal de tomar Blue Label, é impossível aprender a realidade da vida nas universidades fundamentas na cultura capitalista, motivo esse que é nada mais do que ser a irrealidade da vida a base da cultura capitalista. É por isto que Eduardo Moreira foi de brilhantemente inteligente e feliz ao titular seu livro  O QUE OS DONOS DO PODER NÃO QUEREM QUE VOCÊ SAIBA. Pronto! Tá tudo aí. A humanidade ainda não descobriu outra  maneira de cuidar da administração de sua sociedade senão entregando cada grupo em que se divide a sociedade humana fabulosas riquezas a determinadas pessoas para que arquem com o custo da administração pública. Constatada esta realidade, pode-se dizer que o mesmo ocorre com um estabelecimento comercial ou uma fazenda onde se engordam bois prá vender, com a diferença, e é aqui onde se encontra o porquê afirmamos estar no título do livro de Eduardo Moreira acima citado o motivo pelo qual em absolutamente nenhuma das muitas universidades do mundo capitalista se aprende a realidade da vida. 

Ao compararmos a administração da riqueza pública com a administração do estabelecimento comercial ou da venda de bois gordos, que elemento é imprescindível para o sucesso destas duas últimas atividades? Bingo para quem disse OS OLHOS DO DONO DO ESTABECIMENTO COMERCIAL E DA FAZENDA porque sem haver efetiva fiscalização, haverá inevitavelmente roubo de pequena monta a princípio, mas que irá crescendo se continua a falta de fiscalização, e serão de grande monta com a certeza de não haver fiscalização.

Embora não seja verdade que o ser humano se mau por natureza, é verdade que o ser humano é o resultado do que lhe é ensinado. E o que é que se ensinam às crianças no mundo capitalista senão apego à riqueza e desprezo pelo altruísmo?  Não pode tal cultura dar origem ao verdadeiro líder. Nenhum ser humano no qual se incutiu a cultura da vantagem para o mais forte ensinada pelo Frankenstein da bunda branca Henry Kissinger pode se tornar um Cristo ou mesmo um Ghandi. Como esperar que a criança educada para amar riqueza possa administrar fortunas sem delas lançar mão dinda que indevidamente? É, pois, no esperar que seres humanos educados para ter riqueza por objetivo maior da vida administrem corretamente a riqueza do mundo é onde está o grande erro da humanidade do qual resultam seus males maiores: guerras, fome, violência, destruição da natureza cuja consequências é a torrente de doenças que haverão de se tornar incontroláveis que hospedarão na população desassistida e chegará aos poderosos graças à falta de visão que faz deles grandes imbecis.

Na página 45 do livro referido o autor se refere ao comportamento de ficar de braços cruzados enquanto os administradores da riqueza pública se locupletam. Considerando que esta administração pública é feita contra o povo, ele compara a aprovação do povo à cultura capitalista de administração pública a uma aprovação por parte de bactérias a um sabonete capaz de dizimar bactérias. Não é outro o comportamento adotado pelo povo seguindo orientação de falsos líderes. O jovem escritor chega a exclamar “incrível!”. É realmente incrível que o povo passe necessidade enquanto os falsos líderes têm vivem nababescamente com o resultado do seu trabalho.

Entretanto, sabendo-se como se sabe da facilidade com que o cérebro pode ser conduzido, razão pela qual disse um sábio que a propaganda é a arte de explorar a estupidez humana (melhor diria a arte de conduzir o cérebro humano), na página 44 o escritor explica o comportamento por ele mesmo tido como incrível nas seguintes palavras: “O capitalismo sobrevive somente em função da propaganda que faz dele o que não é”.

Aí está! Se as mais famosas universidades do mundo estão encarregadas de ensinar que é aquilo que não é, estão proibidas de ensinar o que realmente é. Isto é, a realidade da vida.