segunda-feira, 21 de março de 2022

ARENGA 648

 

 Tudo leva à conclusão de ser a vida vivida ao contrário de como devia ser. Quando um pai, sob o efeito imbecilizante do pão e circo, escancha um filho no pescoço e o estimula a ter como herói uma marionete aculturada em louca disparada no carro de corrida, o resultado disso é infelicidade para as famílias de jovens mortos ou mutilados por acidentes nos “pegas” graças à influência maligna dos bonecos inconscientes de seu papel de moleques-de-mandado dos malfazejos Bezos e Hangs do mundo que a custo de ouro mantém a diabólica invenção do pão e circo cuja ação atrofia o raciocínio de forma tão espetacular que faz pessoas inteligentes se comportar como babacas capazes de ensinar aos filhos a admirar incultos escoiceadores de bola ou que a felicidade deles depende de deus em vez de suas próprias ações. Pais que assim procedem tornam seus filhos alienados da realidade de que nosso destino independe de divindades imaginárias criadas por nossos antepassados diante do medo que a enormidade da natureza lhes impunha. Ao fazer isso com os filhos os pais os priva da possibilidade de formar uma sociedade civilizada. São desnaturados os pais omissos ante a influência perniciosa da religiosidade alienante e das vulgaridades tão comuns no Yahoo Notícias e programas chulos de televisão porque disto resulta em estimular a prostituição e deturpar a sexualidade dos jovens.

Há uma trama satânica ardilosamente arquitetada para fazer os pais procederem assim porque o normal é que os pais orientem os filhos para que se deem bem na vida em vez de terem a vida infeliz que têm sem que ninguém mova uma palha no sentido de orientar os jovens inexperientes para caminhos menos infelizes por onde fazer o percurso da vida. Se até os bichos ariscam ou mesmo sacrificam a vida em defesa dos filhos, por que, então, seres humanos ficam indiferente vendo seus filhos sendo orientados para se tornarem tão infelizes que praticam suicídio?

Embora intelectuais tergiversem inutilmente  sobre como proceder para se viver melhor, é como se não percebessem a realidade de que a consciência coletiva da qual resulta a escolha dos líderes políticos que decidem pela qualidade de vida é moldada pelos interesses dos magnatas dos meios de comunicação uma vez que as pessoas não estão presentes ao que acontece no centro do poder de onde emanam as decisões políticas, resultando daí que as pessoas têm por verdade o que as notícias lhes dizem ser verdade. Vai daí que sendo natural a busca por comodidade, os magnatas donos dos meios de comunicação engordam suas contas bancárias já obesas, inclusive com verbas públicas, não só para transmitir falsidades e manter o povo tão desinteressado em aprender ser ele o verdadeiro senhor que passa necessidade enquanto paga contas bilionárias para dar vida faustosa a sanguessugas que se locupletam na agiotagem do sistema financeiro. As artimanhas anulam nos seres humanos a capacidade de raciocinar de tal modo que eles até almejam se tornar escravizados por um emprego dos exploradores da vitalidade de quem precisa vender a força/trabalho para sobreviver. Desta forma, mesmo querendo que os filhos se deem bem na vida, mas impossibilitados de agir nesse sentido porque suas mentes foram embasadas em informação falsas,  os pais acabam permitindo sem saber que seus filhos, como eles, venham também a se tornar  vítimas da sanha dos monstruosos ajuntadores de riqueza, e, em vez de agirem no sentido de viver bem, agem no sentido de viver mal ao desejarem também ser um parasita. A humanidade está tão atolada em falsidades  que até o livro que considera conter a palavra do seu deus há apologia à riqueza e até mesmo esse tal de deus tem seu tesouro divino, boa parte do qual, se deve ao morticínio e saque à cidade de Jericó (Josué 6-27).

Não é por falta de inteligência, mas pela impossibilidade de fazer uso dela que os seres humanos se comportam de modo a buscar infelicidades para si mesmos. A justificativa disto foi percebida pelo historiador Edward Mac Nall Burns de ser a humanidade constituída de seres tão estúpidos que vivem para destruir o que construíram, conclusão confirmada pelo genial Einstein quando fez a seguinte observação:  “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri certeza”. Para que esta estupidez seja superada basta que a humanidade seja alertada para a realidade de estar sendo estúpida, de estar sendo entorpecida por falsas informações de forma tão evidente que pessoas se reúnem para tratar de assuntos de vida depois da vida enquanto permite que Bezos e Hangs troquem por riqueza os recursos naturais de que depende a vida antes da morte.

Tem-se, pois, que a estupidez humana é inculcada nos seres humanos independentemente da vontade deles. Para isso é que existe uma televisão em cada local onde se ajuntam pessoas. É para fazê-las indiferentes ao absurdo de distribuir tão mal a riqueza produzida por elas que algumas dispõem de recursos para milhões de vidas embora só tenham uma, enquanto outros passam fome. Daí ter São João Crisóstomo afirmado com propriedade que ninguém a não ser nós mesmos pode nos fazer infelizes. 

Como os bichos, vivem os seres humanos por viver apenas, não obstante ser a atividade de viver a mais importante de todas as atividades, mesmo porque não se poder exercer nenhuma atividade sem que se esteja vivo e gozando de saúde e disposição. Daí não se justificar deixar a responsabilidade pela qualidade de vida e disposição sob responsabilidade de falsos líderes manipulados pelos parasitas ajuntadores de riqueza aos quais interessa a pobreza para que lhes custe menos a despesa de fazer funcionar suas máquinas de fazer fazer dinheiro havendo quem para não morrer de fome se disponha a trabalhar por pouco.

Ao afirmar mestre Platão que a educação recebida pela criança define o destino do adulto, e mestre Orwell ter afirmado que embora se imagina existir uma natureza humana, esta natureza vem de fora por ser o homem infinitamente influenciável, estão estes Grandes Mestres do Saber nos dizendo exatamente que se o mundo está em pandarecos deve-se à deseducação social aprendida pelas crianças e que em função da facilidade em influenciá-las por meio de um sistema de educação que ensina o bom mocismo exigido por Papai Noel, são as crianças preparadas para se tornarem adultos tão estúpidos que se deixam levar por festejamentos, foguetórios, vulgaridades "famosos", "celebridades" e reis de pau oco, toupeiras mentais inexplicavelmente merecedoras de maior apreço do que pessoas que exercem atividades nobres das quais depende o tão apreciado bem-estar.

Conhecer a verdade já era evitado desde antes de Cristo. Para isso é que quem escreveu o livro Gênesis a mando dos Bezos e Hangs de então colocou no versículo 17 do capítulo 2 a proibição de comer do fruto da árvore do conhecimento. Como é mais fácil enganar ignorantes, os parasitas ajuntadores de riqueza fomentam o desconhecimento da turba de frequentadores de igreja, axé e futebola de modo tão avassalador que se reúnem em centros espíritas para conversar sobre fantasmas, em igrejas para conversar com estátuas ou comprar feijão milagroso, mas não conversam sobre a realidade de terem seus filhos água, ar e comida cada vez mais carregados de veneno.

Mestre Platão considerava haver dois modos de saber: a impressão e o conhecimento. Ao refletir sobre isso conclui-se que a humanidade só dispõe da impressão porque o conhecimento leva a perceber que tudo à volta é só falsidade. Se a humanidade não sabe disso é por não dispor de conhecimento. A DEMOCRACIA, por exemplo, tida como forma mais perfeita de administrar a riqueza produzida coletiva e sobre a qual a trupe de fomentadores de desconhecimento faz alarde, não passa de engodo porque ficando a massa bruta de povo encarregada de eleger autoridades, os escolhidos são aqueles que dão prioridade a festejamentos em vez de educação e saúde. Prova insofismável desta realidade pode ser encontrada na declaração do fenômeno (em ignorância social) Ronaldo Fenômeno de que Copa do Mundo não se faz com escolas e hospitais. Outro exemplo de escolha errada é a opção por políticos adeptos das privatizações porque são um meio desonesto que permite à canalha vender o patrimônio público para crescer a pança e as contas nos infernos fiscais. Para maior certeza da incredibilidade desta tal de democracia, diz o mestre do saber Ladislau Dowbor, na página 22 do livro A Era do Capital Improdutivo: “Não há razão para os dramas sociais que vive o mundo. Se arredondarmos o PIB mundial para 80 trilhões de dólares, chegamos a um produto per capta médio de 11 mil dólares. Isto representa 3.600 dólares por mês por família de quatro pessoas. A desigualdade atingiu níveis obscenos. Quando oito famílias são donas de mais riqueza do que metade da população mundial, enquanto 800 milhões de pessoas passam fome, francamente, achar que o sistema está dando certo é prova de cegueira mental avançada”.

Só mesmo em avançadíssimo estado de cegueira mental deixa-se conduzir a humanidade a um destino determinado por falsos líderes, comportamento do qual resulta serem as pessoas rebaixadas a serviçais de nada menos que quadrilheiros que empregando artimanhas próprias de bandidos, engendradas por meio do mundo obscuro do sistema financeiro, roubam impiedosamente a riqueza que é de toda a coletividade humana, indiferentes aos sofrimentos decorrentes da ação verdadeiramente satânica de tomar na mão grande os meios com os quais poderiam muitos males serem sanados.

Tudo conduz à indispensabilidade de nova cultura se na cultura atual a juventude vai virar comida de germes sem ter aprendido a realidade da vida uma vez que os jovens têm como exemplo de bom comportamento criaturas inescrupulosas e tão estúpidas que por também nada terem aprendido da vida se acham confortáveis em situação na verdade perigosamente incômoda de abastados à larga não obstante se encontrarem arrodeados de famintos a proliferar como ratos em função da predominância dos instintos sexual e maternidade. O comportamento humano leva a uma velhice tão infeliz quanto a declarada pelo outrora famoso jovem Alain Delon em matéria no jornal Folha de São Paulo dando conta da infelicidade daquele que outrora mereceu admiração e glória, mas que se encontra tão infeliz que recorre à eutanásia por não suportar a velhice. Passado o tempo da glória, a realidade faz ver que a única utilidade da riqueza é proporcionar o conforto de um bom atendimento médico, um caixão luxuoso, um mausoléu de mármore, um forno crematório e briga entre herdeiros. Não podia ser outro senão de sofrimento o futuro dos seres humanos se têm riqueza por maior objetivo. Enredados numa teia de aranha negra tecida pelas falsas informações que incontáveis papagaios de microfone lhes empurra goela abaixo, deixam-se envolver os seres humanos por brincadeiras feito crianças, serem conduzidos inferentes feito boiada, situação que mereceu do velho e sábio Marx esta observação constante das páginas 172 e 173 do livro História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman: “Se dinheiro vem ao mundo com uma mancha congênita de sangue numa das faces, o capital vem pingando sangue e lama da cabeça aos pés”.

Nunca deixou o velho Marx sua preocupação com o desnecessário sofrimento humano. No entanto, em vez de acolhimento, é rejeitado embora suas afirmações correspondam à realidade demonstrada no seguinte trecho do historiador Edward Mc Nall Burns ao tratar da Revolução Industrial que introduziu novos processos produtivos no mundo: “Os dispositivos economizadores de trabalho capacitam o operário a produzir mais, mas é duvidoso que realmente lhe poupem muito trabalho. Seja qual for a situação atual, é indubitável que nos primórdios da Revolução Industrial a introdução das máquinas não representou grande vantagem para o trabalhador. Fizeram elas, muitas vezes, com que homens robustos e capazes fossem alijados dos seus empregos pelo trabalho mais barato de mulheres e de crianças. Além disso, muitas fábricas, particularmente as de tecidos, eram piores do que prisões. Tinham janelas pequenas que em geral se conservavam fechadas a fim de manter a umidade necessária à manufatura do algodão. A atmosfera viciada, o calor sufocante, a falta de higiene, a par de horários intoleráveis, reduziam inúmeros operários a pobres criaturas macilentas e minadas pela tísica, arrastando bom número deles ao alcoolismo e ao crime. Acresce que as novas cidades industriais se desenvolveram tão rapidamente e de maneira tão desordenada que, durante certo tempo, as condições de habitação dos pobres foram abomináveis. Ainda em 1840, em Manchester, um oitavo das famílias da classe operária vivia em porões. Outras amontoavam-se em miseráveis habitações coletivas, com até doze pessoas a morar num só quarto. Eram tão pavorosas essas condições que os empregados das fábricas inglesas tinham, no começo do século XIX, um nível de vida talvez inferior ao dos escravos nas plantações americanas”.

Não obstante tamanha monstruosidade, são os jovens induzidos a fazer opção pela cultura obtusa do ajuntamento de riqueza.

 Portanto, sem esclarecer a humanidade do seu papal de hospedeira de parasitas das mais diferentes espécies é totalmente impossível desbancar do trono de Midas a trupe avarenta e imune a sentimentos nobres que se apossou do mundo por meio de perversas artimanhas urdidas pelo sistema financeiro e vendidas pelas falsas informações. Na página 17 do pequeno grande livro Desigualdade, Eduardo Moreira, depois de ter estudado bastante o sistema financeiro, descobriu e torna público como os seres humanos são vítimas da sanha e perversidade daqueles que os parasitam com apenas esta frase: A FALTA DE CONHECIMENTO DOS CLIENTES TINHA UM ENORME VALOR PARA OS NEGÓCIOS. Embora nada signifique para a malta de frequentadores de igreja, axé e futebola, isto mostra que é graças à falta de conhecimento ou à ignorância fomentada pelo pão e circo que os algozes atrelam os grilhões na humanidade.

De toda esta “prosa” conclui-se que pensar é mais importante que navegar que Fernando Pessoa afirmava ser mais importante que viver.

   

 

 

terça-feira, 8 de março de 2022

ARENGA 647

Não se liga a televisão sem que na tela apareçam pessoas requebrando, mulheres fazendo com que a bunda fique em destaque, papagaios de microfone tecendo loas ao agribiuzinesse e bancos, políticos prometendo mundos e fundos ou com sorriso tão falso quanto objetos banhados a ouro e dentadura comprados na feira, feijão milagroso e água santa da igreja, comentaristas de politicagem discorrendo sobre erros da administração pública, como se a riqueza pública fosse para ser administrada corretamente. Abertas as cortinas do palco sobre o qual desenrola o drama da vida desgraçada da humanidade, principalmente a vida dos patrícios de deus deste recanto de mundo que apesar de abençoado pela natureza é habitado pelo povo mais povo do mundo que neste ano de 2022 tem como perspectiva única de governo a repetição do mandato de um político de mentalidade tão retrógrada que trouxe de volta a teocracia medieval ou a repetição de outro governante que pelas peripécias de um Ali Babá de nove dedos mostradas no livro O Chefe saltou da condição de pau-de-arara antes do primeiro governo para a de multimilionário depois de ter tido em seu poder a chave do cofre do erário. Não obstante esta realidade, é neste escroque que o povo mais povo do mundo deposita esperança de ter um governo que zele pelo futuro de seus filhos. Com firme desejo de dias menos infelizes, vamos tentar atinar com o porquê de ter nosso país um destino tão ingrato:

Do requebramento de quadris. Percebe-se que todos os requebradores são pessoas jovens. Por serem jovens ainda não puderem chegar à experiência necessária para saber o que mais adiante lhes aguarda na esquina da vida. Espetar penduricalhos nos beiços, peitos, bundas, orelhas, narizes e até nas partes íntimas do corpo é comportamento que denuncia imaturidade. Tendo sido induzida pelo pão e circo à imaturidade a juventude que é a mola do mundo, fica o mundo à mercê de uma velharia de mentalidade embolorada, avarenta e egoísta para a qual o importante é ajuntar riqueza. Tão alienados foram os jovens que desconhecem a realidade de serem eles mais poderosos do que todos os imbecis que por terem roubado suas sociedades e adquiridos imensas fortunas são chamados de poderosos. Sem um despertar da juventude para a realidade o mundo será levado ao caos pela sanha incontida de riqueza dos Bezos e Hangs da vida.

 Sobre a alienação da juventude, na página 92 do grandioso livro Os Donos Do Mundo, a fabulosa escritora espanhola Cristina Jiménez, diz que a empresa farmacêutica suíça Sandoz AG desenvolveu o ácido lisérgico (LSD), e que no governo Roosevelt foi criada uma instituição para promover a droga pelo mundo afora, o que deu origem à narco-contracultura do LSD dos anos 1960, a chamada Revolução dos Estudantes. Vejam só a quanto chega a maldade da velharia que manda no mundo: patrocinada pela CIA ao custo de vinte e cinco bilhões de dólares, por meio de lavagem cerebral, patrocinou-se uma anarquia juvenil de uma juventude domesticada por meio de controle laboratorial que deu origem ao termo infoxicação (de informação e intoxicação (página 88 de outro livro também da escritora Cristina Jiménez O Clube Dos Poderosos). E assim foi anulada a rebeldia da juventude e deixado o campo livre para ideias bolorentas. 

Há muito vem este cantinho de pensar falando do pão e circo inventado pelos romanos para desviar a atenção da massa bruta de povo das sacanagens de seus falsos líderes. E é bem assim que diz a pesquisadora espanhola estudiosa desse tema há mais de dez anos. Eis o que ela diz na página 117 de O Clube Secreto Dos Poderosos: “O controle do ócio é outra das obsessões dos senhores do mundo. Futebol e centros comerciais para manter a sociedade entretida, distraída dos assuntos políticos, é um dos seus objetivos. Trata-se da versão atual do pão e circo do império romano”. Portanto, sem um despertar da humanidade para o fato de estar sendo vítima do hipnotismo do pão e circo nada mudará e as mentes emboloradas terão campo livre para agir impunimente. 

Passemos agora ao porquê da vulgaridade da disposição feminina para expor a bunda: é uma questão da alta dose de vaidade feminina que o pão e circo aproveita com sucesso em seu trabalho de imbecilizar. A vaidade não poupou nem a deusa grega da sabedoria, Minerva, e a fez disputar um concurso de beleza com as deusas Juno e Vênus, (Página 297 de Mitologia, de Thomas Bulfinch), estando nesse concurso o germe que deu origem à Guerra de Tróia, mas isto é outra história porque o assunto agora é bunda. Estando na bunda da mulher a fixação da fantasia sexual masculina, a vaidade leva para aquela parte do corpo das mulheres a atenção. Assim, a fim de se mostrarem digas de atenção e desejo é que as mulheres dão sempre um jeito de pôr a bunda em destaque até para elas mesmas quando se contorcem diante dos espelhos ou das pinturas dos carros estacionados ao passar por eles para ver o lado de trás destinado à expulsão dos excrementos.

Dito isto, passemos à questão das promessas vãs dos políticos. Elas encontram explicação na espetacular facilidade com que o povo pode ser enganado. É tão fácil enganar o povo quanto tirar bala de criança. Desde que se tem notícia de povo que também se tem notícia de nunca ter faltado seguidores para qualquer maluco que depois de ter passado um tempo sumido, comendo insetos com mel, aparece dizendo-se mensageiro de deus. Não fosse a enganação, haveria discordância em carregar no lombo muitas coisas vãs como o peso de um congresso e um STF mais caros do mundo para atuar contra o interesse da população que dá vida mansa aos integrantes destas instituições para pular por cima da exigência constitucional de notável saber jurídico e reputação ilibada para ser juiz, fazendo com que seja empossado na terceira instância judiciária um advogado reprovado em concurso para a primeira instância, o que prova inexistência de saber jurídico, e que pelo fato de atuar na política que lhe assegurou a meteórica carreira, também afasta a possibilidade de ilibada reputação. Nem haveria o povo, não fosse a enganação, em concordar com a impunidade de criminosos do colarinho branco mais perniciosos para a sociedade do que os ladrões comuns que até por crime famélico padecem os horrores a que Dostoievski faz referência em Crime e Castigo.

Passando para o assunto papagaios de microfone, como explicá-los? Seguinte: eles são como bonecos de ventríloquos. Por meio deles os rufiões do sistema financeiro fazem chegar à massa bruta de povo coisas que fazem a trupe humana pensar do jeito que eles querem. Fazem crer ser necessário fazer compras, dar presentes no Natal, esvoaçar mundo afora arriscando a vida e distribuindo dinheiro e doenças, ter certeza que bandido pobre deve ser morto, que a criminalidade e o uso de drogas são problemas para a polícia, que deve apoiar a menoridade penal de 18 para 16, 14, 12 anos, processo que levará recém-nascido à prisão, que a falta de deus faz cometer crime bárbaro, que toupeiras mentais merecem fama e celebridade, que banco ajuda as pessoas, que agribiuzinesse e investidores fazem bem à sociedade, que é  preciso jogar na esportiva e proibir cassinos. Tudo que à sociedade parece necessário é a mando dos proxenetas do sistema financeiro reunidos no Clube Bilderberg, desnudado pela grande escritora espanhola Cristina Martín Giménez. Não é sem razão que esta pesquisadora/escritora diz na página 97 de O Clube Secreto Dos Poderosos que esta cambada converte sua ideologia em leis que mudam o destino da humanidade.

Agora, a questão dos comentaristas de politicagem discorrendo sobre erros da administração pública. São pessoas que tendo por profissão falar sobre política, se não podem deixar de fazer o trabalho em troca do qual têm a despensa abastecida, isto é, falar, também não podem ultrapassar os limites do sistema vigente no momento de suas falas sob pena de serem defenestrados por seus patrões, os donos dos meios de comunicação, a quem interessa a massa bruta de povo pensando como lhes convém. São, portanto, os comentaristas de politicagem inúteis ao se ater apenas aos problemas sem se referir às causas desses problemas. Afinal, já dizia Orwell que em época de farsa dizer a verdade é ato revolucionário. Sendo revolução insurgência contra um sistema estabelecido, para não deixar Orwell passar por mentiroso, aí estão Julien Assange amargando prisão e sujeito a pena de morte por ter dito verdades sobre canalhices do governo americano da bunda branca e o escritor Eduardo Moreira ameaçado por escrever o livro O Que Os Donos Do Poder Não Querem Que Você Saiba, mostrando canalhices do sistema financeiro parasitário e canalha dos sanguessugas da sociedade.

Como nenhum problema pode ser resolvido se permanece o fato do qual provém sua causa, de nada valem as análises dos analistas de politicagem porque politicagem não tem a ver com política, que como ciência da administração correta da riqueza pública, nunca existiu nem pode existir porque o dono desta riqueza, o povo, se comporta de modo totalmente desinteressado com o que está sendo feito dela. Apesar de estar na indiferença do povo com o desbaratamento da riqueza pública a causa dos problemas, nenhum analista de politicagem faz referência a esta questão, razão pela qual suas falas não servem para nada.

Talvez com infundada presunção, mas o firme e irresistível desejo de que as atuais criancinhas fofas venham a ter futuro menos ingrato do que o presente é o que leva este cantinho de pensar a pensar sobre estas coisas.

 E assim é que entrou pelo pé de pinto e saiu pelo pé de pato e meu senhor mandou dizer que é prá contar mais quatro e fim de papo.

 

 

 

 

 

 

 

 

  

domingo, 20 de fevereiro de 2022

ARENGA 646

 

Supondo haver milagres e que um deles viesse a fazer brasileiro ter vergonha na cara cínica, causaria comoção social no Brasil a declaração pública do ladrão Lula (segundo o livro O Chefe) dizendo-se o mais honesto dos brasileiros. No entanto, não sabendo o que é nobreza de caráter, nenhum brasileiro sentiu-se incomodado ao ter sua honestidade posta em cheque ao ser considerada inferior à de um larápio que sem trabalhar saiu da condição de pau-de-arara para o miliardário a que se refere o insuspeito doutor Hélio Bicudo e que só não está na cadeia graças à canalhice dos cavaleiros negros mambembes do STF. O fato de ninguém se incomodar em ser equiparado a ladrão (veja-se a respeito o livro O Chefe) significa duas coisas: ou todos os brasileiros são realmente ladrões ou são tão cínicos que não se sentem ofendidos em ter sua honestidade considerada inferir à de um ladrão.

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Se, porém, em vez de dotar de vergonha os brasileiros, o milagre pusesse nariz de Pinóquio e tornasse de um vermelho vivo uma banda da cara dos brasileiros ladrões, quantas autoridades ficariam fantasiados para o carnaval fora do carnaval?

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Na página 202 do livro O Fim Do Poder está dito que armas, dinheiro e astúcia são as ferramentas com as quais se constrói uma sociedade política e economicamente estável. Sendo assim, em termos de evolução civilizatória nenhuma diferença há entre a cultura contemporânea e a dos tempos bárbaros de Alexandre Magno.

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No Youtube, obscuro pau-mandado do sistema, figura tão minúscula quanto sua personalidade, denigre a imagem luminosa do Grande Mestre do Saber Paulo Freire, laureado por quarenta países do mundo em função de seu ideal de um sistema educacional que estimulasse nas crianças a capacidade de raciocinar. Como disto resultaria em eleitores que soubessem votar certo, tal ideia é satanizada por compinchas dos parasitas que se aproveitam de um sistema podre de administração pública para se locupletar. 

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No Youtube, com linguagem tão chula quanto a personalidade, papagaio de microfone expelia até pelos poros impropérios contra os comunistas assassinos de milhares de seres humanos no dizer daquela figura insignificante. No entanto, os inimigos do comunismo assassinam muito mais. Só Hitler assassinou milhões, e a pobreza decorrente da privatização da riqueza pública pelos avaros anticomunistas mata mais ainda de fome, violência e doenças curáveis.

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É por não raciocinar, como sabia o perseguido Paulo Freire, que a brutalidade ainda é tão exuberante que a terceira guerra mundial só não pipoca porque os beligerantes sabem que se autodestruirão mutuamente tamanho é o poder de fogo de cada lado.

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É por não raciocinar que a opinião da juventude, o maior poder do mundo, foi anulado e é indiferente à contradição entre a obrigatoriedade de se viver em sociedade e, ao mesmo tempo, predominar tamanho egoísmo que dá origem a um sistema financeiro parasitário por meio do qual a riqueza do mundo que devia ser usada em comum se encontra privatizada num mundinho dourado de avaros Reis Midas.

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Paulo Freire sabia que por não raciocinar é que fica fácil fazer da juventude um povo sem ideal, destinado a ter a vida dos irracionais, limitada a comer, cagar, reproduzir e, como o burro-de-carroça, trabalhar para produzir uma riqueza da qual, segundo Lula, os pobres não participam por não merecerem nada mais do que o necessário para sobreviver.

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Acompanhar os ensinamentos dos Grandes Mestres do saber faz raciocinar e descobrir que em vez de deus é a política que dita o destino do mundo. Como um povo que raciocina não permitiria uma sociedade parasitada por rufiões do sistema financeiro, para evitar que o povo venha a ter tal conhecimento, denigre-se a imagem de quem quer que se manifeste por justiça social.

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É por não raciocinar que pais de família são indiferentes a que depois de ralar por anos a fio e se tornarem profissionais em qualquer atividade seus filhos apenas conseguem o necessário para sobreviver enquanto vagabundos e incapazes de fazer um O com um copo enriquecem e viram “famosos”, “celebridades” e reis de pau oco exercendo atividades de nenhuma importância social.

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No livro O HORROR ECONÔMICO a intelectual Viviane Forrester atribui à economia os males do mundo. No livro O HORROR POLÍTICO, entretanto, estes males são atribuídos à política pelo intelectual Jacques Généreux, o que lembra uma tal de redoma de vidro de que ouvi professores falar na faculdade, de onde intelectuais veem o mundo de modo diferente das pessoas que participam da realidade da vida. Se é a política praticada pelos homens que monta o sistema econômico, todos os males que afligem a humanidade decorrem é da estupidez humana que em vez de ter a riqueza como meio de proporcionar bem-estar social a considera privilégio dos poucos Reis Midas do mundo. Enquanto o homem for o lobo do homem, a política montará uma economia da qual resultará gatos pingados super trilionários e imensa massa de frequentadores de igreja, axé e futebola nas mesmas condições do burro-de-carroça, com o necessário apenas para sobreviver, como afirma Lula, sob entusiásticos aplausos que denunciam estupidez de quem aprova tamanha burrice.

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Tá demorando mais que o necessário para a desmoralização fazer o STF e a política caírem de podres.

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Tem esse negócio de sobrevoar lamaçal, não sinhô. Tem mais é que meter o pé presidencial na lama e ajudar tirar cadáveres de lá de dentro. Quem manda comprar deputados com o dinheiro de fazer obras de prevenção?

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Joaquim Barbosa e Sergio Moro não têm chance de sucesso político. Para isso depende de partidos políticos, antro de bandidos que fogem deles como o diabo foge da cruz.

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Encarar o mundo e a vida como resultantes de processo evolutivo do qual não participa inteligência, isto é, deus, fica mais fácil de entender o mundo e a vida. A violência sexual, por exemplo, que sociólogos, teólogos e juristas tagarelam a respeito, nada mais é que reflexo da lembrança do tempo em que não havia diferença entre humano e bicho. Como o macho é mais forte fisicamente, uma vez tomado pelo desejo irresistível de penetrar uma fêmea, era normal fazê-lo independentemente de querer ela ser penetrada. O fato de ter sido convencionado ser ilegal o ato sexual sem o consentimento da fêmea não anulou no macho moderno a lembrança do tempo em que inexistia a restrição.

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A economia, também motivo de infindáveis tagarelices inúteis, fica fácil de ser entendida a partir de uma comunidade dos tempos de homem-bicho, como faz Eduardo Moreira nas páginas 29 a 34 do seu pequeno grandioso livro Desigualdade. Ele imagina uma comunidade primitiva recém-instalada em um lugar, cuja manutenção depende da única riqueza de que dispõe e que consiste em frutos, água, caça e a mão de obra necessária para colher, caçar, transportar e tornar estes bens passíveis de uso por todos tendo em vista que o grupo é forte se são fortes os indivíduos que o compõem. Desta forma, como diz o Mestre do Saber, a riqueza não é um fim em si mesma. Seu fim é assegurar o bem-estar coletivo. Daí que a existência de ajuntadores de riqueza privada, monstros de cuja boca escorre baba de dragão, está em total desacordo com a finalidade da riqueza produzida pela coletividade humana.

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Justiça no Brasil com Z, como diz a Rádio Bandeirantes AM de SP do orgulho gay, é tão aleijada que um desvalido é privado da liberdade por roubar um pão de um rico enquanto um rico como Geddel é mandado para casa depois de roubar tanto dos pobres que só num cuecão do tamanho de um apartamento na Graça escondia cinquenta e um milhões.

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Cachorrinhos são de imensa amistosidade e fofura. O pelo é de uma maciez impressionantemente agradável e eles têm prazer em deixar que os acariciemos. Contudo, fica entre o ridículo e o engraçado seus donos com um saquinho de plástico em uma das mãos, a outra dentro de outro saquinho de plástico recolhendo os toloquihos de cocô que eles vão depositando nas calçadas.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

ARENGA 645

 

Considerando o que disse com propriedade o Grande Mestre do Saber George Orwell de ser um ato revolucionário dizer uma verdade num mundo de falsidades, e considerando que ato revolucionário significa rebeldia contra um sistema estabelecido, e como o sistema político estabelecido para governar o mundo é de pura injustiça, entre muitos outros, que por dizerem verdades, a punição de Julian Assange prova quanta lucidez há na afirmação do mestre porque no falso mudo atual falar verdade merece castigo.

Abertas as cortinas do palco da vida humana, o cenário que se descortina é de falsidades. Lá estão pregadores afirmando haver um deus para garantir justiça, quando, na verdade, predomina tão exuberante injustiça que um por cento da humanidade vive nababescamente às custas do trabalho dos outros noventa e nove por cento, entre os quais inúmeros são os que, como cães vira-latas, precisam roer osso para sobreviver. Há pregadores para assegurar que paz de espírito é mais importante do que dinheiro, quando, na verdade,   é impossível ter qualquer tipo de paz em estado famélico, sobretudo se vitimado pelas terríveis dores do câncer de estômago ou as várias enfermidades com as quais a natureza se encarrega de nos brindar como prova de inexistência de ação inteligente.

Contudo, a maior de todas as falsidades sobre o palco da vida é o analfabetismo político. Sem ele todas as demais falsidades viriam abaixo porquanto é na necessidade de correr atrás de dinheiro onde se encontra a ausência da paz. Se para não morrerem de fome, os despossuídos buscam dinheiro recorrendo à violência que é fonte de insegurança, num paradoxo, quem tem dinheiro em demasia, busca tê-lo cada vez mais, também pela violência, a da exploração de quem trabalha.

Gastam-se no mundo tamanha riqueza para sustentar o analfabetismo político que obstaculiza o avanço para a civilização e a paz que pessoas menos estúpidas do mundo da enganação, sentindo a consciência pesada, estão doando dinheiro para obras de assistência social, enquanto os mais ignorantes, com o dinheiro de salvar crianças da fome e doenças, promovem bacanais onde abundam bundas de prostitutas. A segurança do analfabetismo político tem como contraponto a segurança da torpeza política porque deixa à vontade a bandidagem travestida de autoridades administrando a imensa riqueza do mundo, cenário que clama por mudança uma vez que na base da pirâmide político/social do mundo, analfabetos políticos nomeiam falsos líderes como responsáveis pela administração da riqueza pública produzida por quem trabalha, no vértice, como resultado desta distorção, a falta de discernimento dos escolhedores leva-os a escolher os maiores e mais prejudiciais de todos os ladrões, aqueles que roubam da humanidade até sua dignidade entorpecendo-a com o efeito faustão para tornar possível eternizar locupletação e tão esplendorosa impunidade que os próprios criminosos fazem leis que legalizam a ilegalidade, resultando num mundo de tamanha torpeza que bandidos são as excelências da sociedade.

Ao contrário do que pregam arautos profissionais das falsidades, o dinheiro é o único e verdadeiro poder na face da Terra. A falta de observação desta realidade é a fonte de onde jorra com fulgurante esplendor a estupidez de quem gasta dezenas ou centenas de milhares no hospital e diz que ficou bom graças a deus. Mas, sendo um mundo de falsidades, como disse mestre Orwell, dizer esta verdade é conquistar ojeriza. Entretanto, como o tempo é o senhor da razão e a verdade demora mas sempre aparece, como um nascer de um sol de verão, novo horizonte dissipará as trevas da crendice, pai e mãe do atraso, que faz doutores comungarem com analfabetos a mesma ideia de um deus criador, farsa que já era contestada lá na Grécia há mais de mil e quinhentos anos, mas que ainda hoje está presente no “graças a deus”, “com fé em deus”, “se deus quiser”.

  

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

ARENGA 644

 

Com o Dilema do Trem, desocupados de atividades laborais levantaram uma questão que leva quem pensa a remoer dúvida desnecessária. Todo caso, em se tratando de seres humanos, é impossível não se deparar com bobagens tipo “penso, logo existo”, porque pedras não pensam e muitos dedões roxos pelaí afora dão provas de que elas existem.

No Dilema do Trem, um trem desgovernado esmagaria algumas pessoas atadas sobre os trilhos, mas que poderiam ser salvas se alguém num viaduto sobre a linha férrea empurrasse um homem muito gordo para que seu corpão parasse o trem antes de atingir o grupo. Apesar de merecer atenção de pensadores, isto não passa de grande bobagem porque se a natureza se encarrega de nos brindar com situações aflitivas, devem-se dispensar invencionices nesse sentido.

Entre goles de uísque no Aerobar, dizia alguém ter acontecido que entre três astronautas americanos, a pouca quantidade de combustível exigia o sacrifício de um deles, e da Terra veio um justo critério de escolha segundo o qual deveria sacrificar-se aquele que não soubesse responder a uma pergunta. Ao primeiro, perguntou o nome do presidente dos Estados Unidos. Ao segundo, o significado da sigla NASA. Ao terceiro, um negro, como soletrar o nome do ator Arnold Schwarzenegger. 

Se é justo o sacrifício de poucos para salvação de muitos, tal convenção está atualmente invertida se noventa e nove por cento da humanidade são sacrificados para assegurar vida regalada de um por cento de ricos perdulários que se assenhorearam do mundo. Segundo este texto na página 163 do magnífico livro Os Donos Do Mundo, há cerca de dois mil anos Santo Agostinho já denunciava esta injustiça na forma como se manifestam os poderosos na sociedade:

“Afastada a injustiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Estas são bandos de gente que se submete ao comando de um chefe, que se vincula por um pacto social e reparte a presa segundo a lei por ela aceita. Se este mal for engrossando pela afluência de numerosos homens perdidos, a ponto de ocuparem territórios, constituírem sedes, ocuparem cidades e subjugarem povos arroga-se então abertamente o título de reino, título que lhe confere aos olhos de todos, não a renúncia à cupidez, mas a garantia da impunidade. Foi o que com finura e verdade respondeu a Alexandre Magno certo pirata que tinha sido aprisionado. De fato, quando o rei perguntou ao homem que lhe parecia infestar os mares, respondeu ele com franca audácia: “O mesmo que a ti parece isso de infestar todo o mundo; mas a mim, porque o faço com pequeno navio, chamam-me ladrão; e a ti porque o fazes com uma grande armada, chamam-te imperador”.

Não são, de fato, ladrões aqueles que sob diversos subterfúgios arrancam fortunas do povo? A Servidão Humana, título do livro de Somerset Maugham sobre o sofrimento de Philip está materializada na humanidade uma vez que ela é obrigada a servir a parasitas como mostra a contracapa do livro Escravidão Contemporânea, de Leonardo Sakamoto:

“A escravidão foi abolida no Brasil no século XIX. No entanto, todo ano, pessoas são traficadas, submetidas a condições desumanas de serviço e impedidas de romper a relação com o empregador. Não raro, sofrem ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamento e assassinatos. Entre 1995 e 2019, mais de 54 mil pessoas foram encontradas em regime de escravidão em fazendas de gado, soja, algodão, café, laranja, batata e cana-de-açúcar, mas também em carvoarias, canteiros de obras, oficinas de costura, bordéis, entre outras unidades produtivas no Brasil”.

Fora este tipo de escravidão, o que é o emprego senão uma escravidão tão sofisticada que é implorada por quem ainda não foi escravizado, o desempregado? É seu trabalho que produz a riqueza dos parasitas ricos donos do mundo tão estúpidos que na revista Forbes fazem figa a famintos brandindo montanhas de ouro nos narizes de desvalidos.

Se os escravistas são apenas um por cento da humanidade, e se está convencionado sacrificar a minoria em benefício da maioria, por que, não ser coerente com a convenção para reverter a situação e sacrificar os ricos donos do mundo a fim de que sua riqueza beneficie os noventa e nove por cento de não ricos e famintos? Afinal, este sacrifício não implica na vida, apenas nas contas dos infernos fiscais.

Se no mundo inteiro existem televisores em cada quarto das casas, salas de espera e logradouros públicos com Faustões, Sílvios Santos, Rodrigos Faro, BBBs Fazendas, Lucianos Huck, “famosos”, “celebridades” e reis de pau oco, recebendo imensas fortunas do povo, é exclusivamente para manter esse povo incapaz de refletir sobre sua condição de eternos hospedeiros de parasitas. 

  

 

 

 

 

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

ARENGA 643

 

 

A papagaiada de microfone da Rede Bandeirantes está alvoroçada por lançar a estreia de Faustão. É mais uma evidência da maldade inerente à cultura vigente do venha a mim e os outros que se danem para a qual é imprescindível um povo tão néscio a ponto de ver em Faustão alguma importância. Na verdade, cada um dos admiradores de Faustão é também um Faustão em potencial. Para que se torne um Faustão de fato é que existe o alvoroço da papagaiada de microfone da Rede Bandeirantes que tem seus motivos canhestros para criar programa intitulado Brasil com Z. 

Tanta imbecilidade tem razão de ser se àqueles que ditam como deve pensar a massa bruta de povo interessa um povo incapaz de pensar alto uma vez ser essa escória intelectual a quem cabe a responsabilidade de eleger as autoridades entre aspas que irão portar a chave do cofre do erário. Já o escritor espanhol do século XIX, Pio Borja, declarava ser mais fácil enganar a multidão do que enganar ao indivíduo (Pág. 161 de Os Donos Do Mundo). Vai daí que a realidade da vida mostra que o objetivo das “autoridades” escolhidas pelas multidões é fazer delas burro-de-carroça e explorá-las a fim de assegurar a si mesmas uma vida de tripas forras em mansões onde para se alimentar é preciso haver identidade entre o vinho e a carne, não obstante a existência de multidões para as quais felicidade é poder roer osso e dispor de absorvente íntimo que impeça o fluxo menstrual de escorrer pelas pernas.

Uma vez ciente da realidade de ser a multidão que escolhe a “autoridade", e de ser mais fácil enganar as pessoas quando em multidão, e de ser a enganação o objetivo das “autoridades, percebe-se que a euforia da papagaiada de microfone, sabujo das “autoridades” de plantão, é que havendo um Faustão por trás de cada microfone e de cada esquina para injetar estupidez nos passantes, assegura-se maior facilidade para a enganação que transforma em escravo o verdadeiro senhor, o povo, visto ser quem paga a conta de tudo.

O efeito faustão é tão avassalador para a sociedade que desmoraliza o conceito de democracia. Segundo observação na mesma página 16l de Os Donos Do Mundo, a democracia seria um sistema de governo no qual os governantes são escolhidos pelo voto dos cidadãos. Entretanto, estando fora de qualquer lógica considerar cidadã a malta festiva de drogados pelo efeito faustão, uma vez que absolutamente ninguém ali tem noção do que seja cidadania, cujo conceito envolve desfrute de liberdade e não há que falar em liberdade para quem vive sob o jugo do medo a que se refere George Orwell em 1984 e a subserviência no atendimento ao chamado do apito do emprego a que se refere Máximo Gorki em A Mãe.

Conclui-se, pois, que a falação de democracia é nada mais que uma das muitas enganações de que é vítima a massa bruta de povo leva pela arte satânica de marqueteiros a eleger quem promove maiores espetáculos mambembes com cantores também mambembes. 

 

 

sábado, 22 de janeiro de 2022

ARENGA 642

 

Segundo a religião dos gregos antes de virar mitologia, destino inevitável de todas as religiões, posto tratar-se de ingenuidade que o passar do tempo transformará em entretenimento literário, Zeus, o deus maioral entre todos os deuses e pai do deus Prometeu, foi acometido de um nervosinho e resolveu castigar os homens e seu criador, seu próprio filho e também deus, Prometeu, por tê-los beneficiado presenteando-lhes com o fogo que permitiu aos homens se tornarem superiores aos outros animais. Zeus, então, para se vingar dos homens, criou Pandora e mandou de presente para eles e Pandora não se fez de rogada. Esparramou sofrimentos quando por curiosidade abriu a caixa que os continha. Voltando-se Contra seu filho Prometeu, mandou outro filho seu, o deus hábil no manuseio de ferro, Hefesto, para acorrentar seu irmão Prometeu a um rochedo. Como a maldade é inata no ser humano dada sua condição de ainda entes primitivos, não podia faltar maldade na personalidade das divindades por eles inventadas. Assim, não satisfeito com tamanha maldade, Zeus ainda mandou que uma águia comesse o fígado de Prometeu sempre que ele se recompusesse depois de ter sido comido.

Mas, a propósito do quê esta lenga-lenga sobre mitologia? Ah, Sim! A propósito de ter sido Prometeu condenado ao sofrimento por conta do altruísmo ao agir para beneficiar, diferentemente da humanidade, também condenada a penar eternamente de males provenientes de sua própria estupidez. 

Entretanto, diferentemente de Prometeu, para quem não restava outra opção senão o sofrimento eterno, como admite ele mesmo na peça Prometeu Acorrentado, do dramaturgo Esquilo, para a humanidade há um caminho pelo qual pode livrar-se do sofrimento desde que se disponha a raciocinar, o que, antes de tudo, implica em sacudir fora o efeito imbecilizante do pão e circo que faz adulto se comportar como criança. Ao raciocinar como adultos os seres humanos descobrirão se encontrarem numa arapuca. Não é exagero, não. Um minuto de reflexão basta para se concluir não ter sentido a vida nem quem quem trabalha como desvalido para dar vida mansa à plêiade de parasitas do trabalho alheio conhecidos como ricos, nem a vida de quem passa o tempo de que dispõe de energia gastando-a em acumular riqueza uma vez que no frigir dos ovos irá virar comida de germes ou fumaça e cinzas num forno crematório. 

 Tão enredados estão pobres e ricos em suas vidas inúteis que nem lhes ocorre uma necessidade de buscar mudança uma vez que acreditam estar tudo bem embora vivendo num mundo cão onde a cada esquina a pessoa é espreitada por uma nova doença ou por violência. A abundância de festejamentos e requebramentos de quadris ficam por conta do faz-de-conta estar tudo bem quando está tudo é muito mal. 

A indisposição de lutar pela autodefesa impedirá a humanidade de poder vislumbrar o raiar de uma era isenta de tantos sofrimentos evitáveis. Ao contrário, a exemplo de Cisto, não faltam manifestações de desapoio a quem lhe indica caminhos menos sofríveis por onde caminhar e de apoio a quem lhe impinge sofrimentos uma vez que a falsos líderes nunca faltaram seguidores.

Como a superação da estupidez representa um Nó Górdio cujo desfazimento depende poder a humanidade elevar-se além da mediocridade em que chafurda feliz da vida, ou a humanidade seja ela própria seu Alexandre e desmancha esse nó, ou, do contrário, como Prometeu, penará para sempre se não há outra forma de vida senão a comunitária que jamais terá sucesso com cada um buscando seu quinhão individual, indiferente às necessidades dos demais, porque estes serão acossados a buscar pela violência aquilo de que precisam e a violência é fonte geradora de infelicidade, e, portanto de sofrimento.