Se desde a
primeira das eleições até as tão festejadas de hoje não foi possível deixar de
haver corrupção, por que tato falar sobre o fenômeno? Não seria o caso de institucionalizar
a corrupção em vez de conviver com ela considerando-a uma criminalidade
faz-de-conta? É criancice esperar que seres educados na cultura do venha a mim
e os outros que se danem possam ter sob sua responsabilidade o fabuloso tesouro
do erário sem que dele lance mão para satisfazer não só para imitar pavão, mas
também para atender as necessidades desnecessárias inoculadas na personalidade
de cada ser humano desde a educação infantil e continuada sob o medo que traz a
lembrança do tempo em que só se comia se achasse o que comer. A
institucionalidade da corrupção teria a vantagem de se iniciar uma época completamente
nova na qual prevalecesse a coragem de trocar
a falsidade pela verdade, dando assim sumiço à mediocridade da simulação que é a
maior das mil e muitas indignidades da personalidade humana ainda engatinhando
nos primeiros passos rumo a civilização. Uma primeira eliminação da mentira,
quem sabe, poderia ser seguida por novas eliminações que trouxessem, enfim, a
sociedade humana a viver um mundo real sem a desfaçatez de se querer ofuscar o
sol com aluz de uma candeia. Sendo a desfaçatez a mais repugnante das más
características da personalidade humana, faz-se necessário dela afastar a
humanidade para que possamos todos viver num mundo de verdades que nunca houve
na face da Terra, haja vista a fartura das alegrias tão infundada quanto as
festas enquanto irmãos passam fome ou morrem em guerras, de fome ou de doenças
curáveis.
Assim é que
nada além da desfaçatez justifica o alvoroço em torno de eleições como se cada
uma delas trouxesse tempos menos ruins inclusive para aqueles que assumem o
poder de delinquir com impunidade pela lei por eles criadas, mas que serão castigados
pelas lembranças inevitáveis no tempo em que se é forçado a pensar sobre o
passado de quem tem contas a ajustar com a consciência por ter feito coisas
tais como gastar o dinheiro de amenizar sofrimentos para dar empregos
multimilionários a palhaços para o trabalho de desviar os pensamentos do
amadurecimento próprio de pessoas adultas, fazendo delas crianças tão ridículas
que acreditam encontrar conforto espiritual lavando escadas de igrejas.
O que
efetivamente resulta de eleições é colocar falsos líderes em postos de mando para
que possam dar vasão à sanha de uma gatunagem impune de uma riqueza cujos donos,
envolvidos em festas feitas justamente para isto, não têm tempo de sabem ser seus
legítimos donos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário