A matéria
no jornal dizendo que deus é bonito aguçou minha pequena inteligência e me fez
pensar sobre o porquê de não se ter ainda chegado à realidade de viver a
humanidade sendo tangida feito cisco na enxurrada das águas putrificadas da
opinião pública, incapaz de traçar um destino próprio para si em vez de recebe-lo
pronto e acabado por meio da papagaiada de microfone. Os seres humanos foram
enquadrados no axioma falso de que uma mentira muito repetida vira verdade.
Falso porque a mentira continuará mentira quando se busca com tenacidade se se
trata de mentira ou de verdade. Vai daí que a mentira pode parecer verdade
apenas para aqueles a quem a natureza reduziu o cérebro a quase nada, o que
acontece com noventa e nove por cento da humanidade que aceitam disparates como
a afirmação de ser bonita uma entidade que nunca foi vista.
O pior tipo
de cegueira, a mental, dos noventa e nove por cento dos seres humanos, que
transformou a sociedade humana num ambiente ridículo de felicidade falsa feita
de batucada, ridículos famosos e celebridades, autoridades que figuram nas
páginas policiais, vulgarização e desprezo da seriedade em torno do importante
assunto da sexualidade presente principalmente no bacanal do carnaval quando
são distribuídos milhões de camisinhas, tudo por conta do pão e circo que leva
a massa bruta de povo à falsa crença de haver na vida espaço para tanta
festividade e nenhuma lágrima. A estupidez humana levou o grande pensador
Arnold Toynbee à afirmação de que a sobrevivência humana era maior quando os
seres humanos se encontravam indefesos contra os tigres do que hoje, quando nos
encontramos indefesos contra nós mesmos. E não é verdade que a humanidade pode
ser extinta pelo simples acionar de um botão? Mas, para a turba barulhenta e
repugnante aos olhos de quem aprendeu a realidade da vida, só há motivo para
alegria.
Também em
referência aos primitivos, Eduardo Moreira ensina que os humanos dos
agrupamentos primitivos agiam com objetivo da preservação do grupo. Percebiam
que a segurança, o bem-estar e mesmo a sobrevivência do grupo dependiam de
serem seus integrantes saudáveis, fortes e vigorosos. Depois de milhares de
anos eis que o agrupamento humano pensa justamente o contrário considerando
haver mérito em imbecis viciados em acumular riqueza, enfraquecendo com tal
atitude de débil mental o vigor da sociedade se os bens dos quais depende o
bem-estar, vitalidade e saúde de todos são apropriados por estes párias sociais,
ficando a maioria indefesa contra todos os males provenientes da natureza e que
não são poucos.
É, pois, na
razão inversa do bem-estar social o decantado progresso da cultura do venha a
mim e os outros que se danem. Nas páginas 88 e 177 do livro O Mundo Em Queda
Livre cujo autor que sabe o que diz porque é ninguém menos do que Joseph E.
Stiglitz, fazendo referência à tal crise da bolha imobiliária ocorrida nos
Estados Unidos consta o seguinte: “O governo deu bilhões de dólares aos bancos
na base de pai para filho”. E na pág. 177: “Os banqueiros que levaram o país a
um estado de confusão deveriam ter pagado pelos seus erros. Em vez disso,
receberam bilhões de dólares”.
São
infinitos os exemplos do tamanho da distorção de como é aplicada a riqueza que
a estar a serviço da coletividade de débeis mentais para a qual o que importa é
o que não tem importância. Não é outro o motivo pelo qual a turba festiva é
indiferente à distorção social existente no fato de vulgaridades esbanjarem
riqueza enquanto profissionais importantes para o bem-estar social são
relegados ao anonimato. Já nossa sociedade, coitada, quer fixar um código de ética
para os ministros do STF. Pobres de nós que não temos mais para onde esbanjar
ridicularidades. Se lei impusesse ética nossas autoridades não seriam
constantes nas páginas policiais e muito menos ainda nas cadeias.
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