Àquelas pessoas
que não tendo nada melhor a fazer, por mais de trezentas e dezesseis mil vezes visitaram
esse cantinho de pensar, peço licença para lhes dizer não ser por falta de
respeito a quem discorda do cantinho na questão de detestar as religiões e não
acreditar na existência de deus. No tocante às religiões, observando com alguma
atenção percebe-se que seu papel é igual ao de um comerciante desonesto que
vendesse o que não pode entregar. E nesse argumento cabe também observar que a indumentária
dos representantes vendedores das graças de deus e os farrapos do esmoler
constituem a única diferença entre o que prometem uns e outros. Quando os procuradores
de deus garantem coisa como no casamento dizem que nada pode separar o que deus
uniu, está mentindo tanto quanto o esmoler quando diz que deus vai pagar o
valor da esmola recebida.
Se penso diferente
do comum das pessoas é por ter aprendido tanta coisa observando o correr da
vida por noventa anos de existência além de uma vontade inquebrantável de passar
para os jovens capazes de ouvir por não terem ainda sido contaminados pela
praga da abstinência meditativa, levar a estes jovens a necessidade de se
encarar a atividade de viver com a seriedade que com que precisa ser encarada
por não haver outra forma de se viver com alguma qualidade de vida, o que não
se consegue deixando tal atividade a cargo da cultura socialmente infeliz do VENHA
A MIM E OS OUTROS QUE SE DANEM. Não sem substituída tal cultura por outra que
pregue um VENHA A NÓS PARA QUE POSSAMOS NOS DAR BEM, sem esta mudança fácil de
ser feita, haveremos de sempre nos dar mal, encontrando justificativa para a
existência da brutal e desumana diferença entre alguns poucos que tudo têm e os
muitos que nada têm. Inteiramente impossível uma vida social em nestes moldes.
É nesta
disparidade burra onde está a causa de todas as dificuldades inutilmente
examinadas e reexaminadas por intelectuais enxugadores de gelo sugerindo
remendos para um tecido social carcomido por tamanha podridão que além de exalar
mau cheiro, ultrapassou os dias previstos por Rui Barbosa para que os homens passem
a ter vergonha de ser honestos. Os tempos atuais estão contaminados por uma
desonestidade sem que nunca se tenha vista nada assim em no mundo. É descabível
e vergonhosa para a classe dinâmica da sociedade mundial, sua juventude,
aceitar uma falta de vergonha monumental em elevar aculturados promotores de
brincadeira ao topo da pirâmide de riqueza e fama sociais, com o único objetivo
de distrair o povo durante os malfeitos dos responsáveis pelos gastos públicos.
Depois de
jogar fora tanta conversa, voltemos à questão do não acreditar na existência de
deus. Vários são os motivos que levam a pensar assim e um deles é não ser possível admitir um deus de infinita
sabedoria que deixasse a maior expressão de felicidade que é um riso aberto, o
gargalhar, como atributo exclusivo de uma turba festiva e ignorante o
suficiente para ser barulhenta e que além disso encara a vida da mesma forma
dos irracionais, sem meditar, quando ela, a vida, demanda tanta seriedade para
quem pensa, como Paulinho da Viola, quando compôs a bela música que diz que
“VIVER NÃO É BRINCADEIRA, NÃO”. E, realmente, se nenhum assunto é tão sério
quanto a atividade de viver, como realmente é, deve ser encarado com seriedade.
Portanto como haver inteligência superior que permite valorizar promotores de
brincadeira a pondo de terem tanta riqueza que exacerba a usura de herdeiros o
bastante para brigas enquanto trabalhadores que prestam relevantes serviços á
sociedade a exemplo do pessoal da saúde, da limpeza, do fornecimento de água e
luz não mereçam tanta consideração? Está certo isso? Além do mais, um minuto de
meditação é o bastante para se concluir ser falsa a existência desse deus.
Ninguém pode ser obrigado a amar. Não é verdade? Isso de amar que outra coisa
não é senão sentir-se feliz em determinada companhia é um tipo de ação que
independe de vontade. Sendo assim, como pode esse deus castigar quem como nós os
ateus não o amamos porque não se ama o que não existe?
É assim que
penso, e não penso assim por opção. Apenas fui trazido até aqui, como dito,
pela observação das coisas da vida e nada vai nisso de intenção de faltar com o
respeito a ninguém. Apenas por desejar a todos, ricos e pobres, uma vida melhor
do que a que todos têm. Assim é que mesmo sem saber, em atitude de quem apenas com
uma candeia de cera tenta iluminar a obscuridade que assola o mundo. É ser muito
metido a besta com tamanha pretensão, né, não?