sexta-feira, 27 de março de 2026

ARENGA 877

O demônio estava divinamente inspirado no momento em que teve a suprema maldade de soprar nos ouvidos dos governantes a ideia de criar uma indústria de entretenimento que mantivesse o povo absorto com brincadeiras de modo a que nem de longe tivesse tempo para perceber a realidade de ser ele, o povo, o verdadeiro senhor do mundo uma vez que ninguém deixa de ser senhor para ser escravo como faz o povo que apesar de ser quem paga todas as contas da vida faustosa em palácios, vive no maior sufoco do mundo. Este é um assunto é tão importante que merece um esforça muito grande para superar a irrealidade em que vive o mundo. É de tão grande importância que precisa ser repisado incansavelmente porque não obstante o tamanho de sua importância, os escritores não se voltam para a realidade de não surtir efeito algum as conclusões a respeito de como se viver melhor do que se vive uma vez que que a indústria do entretenimento não permite que se tire a atenção das diversas modalidades de brincadeiras.

Embora seja difícil, não é impossível, desde que haja empenho nesse sentido, despertar os seres humanos para a realidade de depender deles mesmos e de mais nada tudo aquilo que ajoelhados balbuciam diante de imagens de gesso nas igrejas. Se tudo aquilo que desejamos depende de dinheiro, está totalmente na contramão da realidade entregar o dinheiro de adquirir o que se quer a pessoas que também querem adquirir coisas o dinheiro para que adquiram as coisas para nós e não acompanhar o que está sendo feito desse dinheiro.

A humanidade veio parar no impasse de não poder dispensar os atravessadores entre aquilo que ela necessita o que só pode ter depois que ditos atravessadores satisfaçam suas necessidades. Pior de tudo é que as necessidades dos atravessadores são ilimitadas. Morar, comer, vestir, segurança, lazer, saúde, educação dos filhos, tudo isso tendo um custo infinitamente maior do que custa às demais pessoas, sobra muito pouco ou nada para elas. São tão exuberantes as necessidades dos atravessadores que até se empenham em guerras que justificam do mesmo modo como justificam os palácios e a vida faustosa, necessidade esta que apesar de não terem as demais pessoas, são estas que vão se bater, matar e morrer para satisfazer necessidades desnecessárias dos atravessadores que se dizem representantes do povo. O porquê de o povo não poder dispensar os atravessadores é algo que precisa ser pensado e repensado e o povo sabe disso se criou a frase própria para os atravessadores MATEUS, PRIMEIRO OS MEUS.  

 

 

 

 


sexta-feira, 20 de março de 2026

ARENGA 876

 

Enquanto a humanidade permanecer enganada por entretenimentos, haverá de permanecer na infelicidade de ser parasitada pela política predadora vigente no mundo. Voltada para o objetivo de banalizar o sofrimento, os seres humanos se acostumaram a um tipo de vida de festejar enquanto tem disposição para isto e sofrer quando não tiverem mais presente e só lhes retar o presente, como diz a grandiosa Fernanda Montenegro aos noventa e seis anos de idade, portanto, com a experiência que os jovens ainda não têm.

Como rinocerontes, a humanidade se revestiu de uma carapaça de insensibilidade tão eficiente que elimina por completo a noção de solidariedade. Ao contrário de nossos antepassados caçadores coletores que que tinham por objetivo a segurança grupal, os humanos atuais abraçaram uma individualidade burra e contrária a tudo que diz respeito a uma vida social equilibrada que está distante da sociedade atual onde ninguém se incomoda que monstros em busca de poder e mais riqueza do que a que já têm atiram bombas que ceifam a vida em começo de cento e setenta e duas inocentes crianças que na escola escolhida por seus pais em busca de um aprendizado visando um futuro melhor, encontraram a morte.

Sob a carapaça de insensibilidade, a massa bruta se alvoroça em torno de Copa do Mundo, Lolopalooza, Velocidade na Fórmula Um, enfim campeonatos de vários tipos engendrados justamente para manter a trupe humana afastada da realidade de que a vida para ter sentido requer mais ponderação e sensatez do que as algazarras do pão e circo destinadas a manter o povo longe da razão e do equilíbrio só encontrado na meditação da análise sobre a possibilidade de se estar vivendo em erro.  Afinal, afirmou mestre Sócrates, uma vida não refletida não vale a pena ser vivida.

A humanidade foi levada a um tipo de vida que se resume a ser hospedeira de um eterno parasitismo que assegura vida faustosa de grupinhos, tipo de sociedade há muito extinta pela Revolução Francesa, mas que, como a Fênix, emergiu das cinzas e voltou a parasitar a humanidade ludibriada como criança por uma alegria de débil mental.

Se, conforme afirmou mestre Rousseau, o parasitismo teve início lá no princípio de tudo quando bafejado pelo diabo alguém tornou propriedade sua a terra que até então era de propriedade coletiva, só a falta de reflexão assegura esse tipo de sociedade na qual apenas alguns podem tudo em função do trabalho de quem nada pode.

Para encerrar esta “prosa”, voltando à nossa querida Fernanda Terres e a tranquilidade com que encara a questão de chagar à situação de não se ter mais futuro, tal situação só apavora o ignorante que passou a vida nos festejamentos sem nunca ter lido um livro a respeito do que pensaram os Grandes Mestres do Saber sobre a realidade da vida.