terça-feira, 11 de agosto de 2026

ARENGA 894

 

Aconteceu há tanto tempo que foi no século XIV de um pensador italiano chamado Dante Alighieri escrever uma grande obra intitulada Divina Comédia sobre as ficções de inferno, purgatório e paraíso. Na porta do inferno o autor colocou um aviso aos que lá entram dando-lhes ciência da triste realidade de que uma vez lá dentro perdessem a esperança em qualquer outra coisa que não sofrimento. Para quem é bobo a ponto de acreditar em coisas de divindades como inferno, tal aviso poderia merecer alguma reflexão a respeito. Entretanto, teria plena razão de ser se colocado em cada maternidade ou onde quer que houvesse no mundo uma parturiente porque é na sociedade humana onde realmente se materializam os mais diversos e cruéis tipos de sofrimentos decorrentes da estupidez humana materializada na forma de desorganização da sociedade em que vivem os biltres humanos.

Há nesse mundo quem possua tamanha quantidade do bem limitado e tão precioso porque dele depende a satisfação das necessidades das pessoas, ou seja, dinheiro, de modo a precisar desperdiçá-lo em devaneios, também há quem não tem acesso ao mínimo necessário para evitar sofrimentos evitáveis. De tal modo é a forma como os humanos organizaram sua sociedade. Apropriada para ser o lugar apropriado para sofrimento.

Se no começo disto tudo que existe atualmente, quando as pessoas só comiam o que encontravam, havia o horror da fome, motivo que deu origem à revolução agrícola, atualmente, segundo mestre Ladislau Dowbor, no livro O Pão Nosso de Cada Dia, embora seja produzido no mundo um e meio quilo de grãos por pessoa a cada dia, continua havendo quem seja infeliz tanto pela fome por não ter dinheiro para comprar comida, quanto pela ansiedade decorrente da necessidade de fazer aumentar a riqueza que possui, tanto maior também maior tal necessidade e infelicidade.  

Sendo o comportamento humano orientação da ignorância, não teve sucesso uma só das tentativas de se criar uma sociedade melhor, posto que todas por meio de violência. Como é impossível que da irracionalidade resulte racionalidade, a cada dia a humanidade se afunda de modo tão profundo na irracionalidade que não obstante a falta de perspectiva de felicidade mencionada no aviso constante na porta do inferno, as pessoas mais apreciadas pela sociedade humana no mundo inteiro são as menos capazes de elaborar pensamentos mais profundos por serem justamente as de pensamentos mais rasos.

 

  

sábado, 8 de agosto de 2026

ARENGA 893

 

No que diz respeito aos meandros da problemática que envolve a sociedade humana a serviço da lucratividade dos bilionários, até os Grandes Mestres do Saber Econômico, inexplicavelmente, salvo por uma distração, dão mostras de desconhecer o que rola no campo da artimanha política da qual decorre tudo que apesar de considerado errado acontece por vontade de um sistema político voltado para fomentar o tipo de desorganização social da qual se aproveitam os viciados em riqueza que por  tais artimanhas encontram os meios de alimentar seu vício explorando de forma desumana a sociedade desconhecedora da realidade escondida atrás das alegrias que depois de passado o vigor físico e a disposição para os requebros darão lugar a desânimos e mesmo tristezas proporcionais ao tamanho do desconhecimento da realidade da vida cuja complexidade  tinge de alguma forma até mesmo mestres em determinado tipo de problemas sociais como o grande economista Ladislau Dowbor que em um dos seus muitos bons sobre economia se admira do porquê de não se usar o grande alcance da mídia para esclarecer o povo uma vez ser impossível haver sociedade civilizada feita de povo ignorante de sua realidade.

A estranheza do mestre quanto à falta de política que esclareça o povo é motivo de nossa estranheza uma vez ser interesse da política no mundo inteiro manter o povo em total estado de desconhecimento da importância da política em sua vida transferindo para divindades esta responsabilidade quando a verdade é depender nosso bem-estar exclusivamente de ser nossa sociedade administrada por uma política que tenha este objetivo para todos indistintamente, coisa que nunca existiu entre os seres humanos. Se antes de haver governo o poder do mais forte fisicamente subjugava o mais fraco, depois de haver governo é o poder da riqueza que determina o lado para o qual deve pender o ponteiro da balança do bem-estar. Como se vê, só quem tem riqueza tem o que precisa e quem tem riqueza ainda maior tem até o que não precisa.

A humanidade continua carente de esclarecimento. Tão iludida tem sido que se acha proveniente de um ser de sabedoria e bondade infinitas como envergonhada de reconhecer a verdadeira origem animalesca demonstrada na mesma e até maior dose de estupidez e maldade existente nas feras dos tempos de fera cuja evolução serviu para aprimorar o poder de destruir em busca de cada vez maior soma de poder. Nenhum ser sábio e bom desejaria a companhia de tais monstros.