O título
que o jornalista Ruy Castro deu à sua reportagem: NASCE UM OTÁRIO A CADA
SEGUNDO NO MUNDO, dá panos prá manga ao pensamento. Será por ser feita de
otários que a humanidade não consegue engendrar uma sociedade suficientemente
bem arrumada para que não haja o disparate da tristeza das guerras convivendo
com as explosões de alegrias dos festejamentos?
A
humanidade organizou tão desinteligentemente sua sociedade que entregou o
destino dela nas mãos de pessoas espiritualmente tão desqualificadas quanto o
comum dos demais seres humanos otários e quedaram na esperança de que pelo fato
de terem sido investidas de autoridade tais pessoas viessem a se tornar
imbuídas das nobres qualidades de liderança que as tornariam capazes de
administrar os recursos públicos em benefício da coletividade e não de si
mesmas como acontece tão abertamente que diante de mais um grande lance de corrupção
o jornal Gazeta do Povo publicou matéria na qual afirma que os brasileiros não
se revoltam mais com a ostentação dos corruptos, o que também dá muito o que
pensar. Não terá por causa a indiferença aos desmandos políticos o fato de
estar a atividade mental
totalmente
absorvida pela indústria do entretenimento que aproveitando a facilidade com
que o cérebro pode ser conduzido torna ocorrências e pessoas de nenhum valor
socialmente relevante de importância em ocorrências e pessoas da maior
importância?
Salta aos
olhos a evidência de viver a humanidade tão alheia à realidade que diante da
tragédia na Venezuela com mais de mil mortos o papa oferece orações como
consolo para as vítimas. É também por viver enganada que os seres humanos
esperam atitudes nobres de seres tão vis quanto todos os humanos pelo fato de
terem sido elevados à posição de autoridades, não obstante a realidade de terem
tais líderes entre aspas aproveitada desta liderança para criar uma infinidade
de benesses para si mesmas com tão exorbitante prodigalidade que superam as mordomias
dos reis por direito divino escorraçados dos tronos por Napoleão Bonaparte.
Engana-se,
entretanto, quem atribui maldade ao comportamento dos falsos líderes. Qualquer
um no lugar deles agiria da mesma forma, educados que foram para a esperteza da
locupletação. Observe-se o fato de cogitar de incluir no sistema educacional de
crianças o ensino de agiotagem travestido de sistema financeiro. Sendo a
personalidade do adulto uma resultante do que se aprendeu quando criança, não
há como esperar que crianças educadas para “espertezas” venham se tornar
adultos talhados para líderes.
Se há
culpado nesta história de ladrões e roubados deve ser atribuída à deficiência
de um sistema educacional que resulte em cidadãos em vez dos analfabetos
políticos atuais.
Para que o
bem predomine sobre o mal basta aprender a verdade absoluta de estar na
política e não em divindades a busca do bem-estar social.