sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ARENGA 874

 

A matéria no jornal dizendo que deus é bonito aguçou minha pequena inteligência e me fez pensar sobre o porquê de não se ter ainda chegado à realidade de viver a humanidade sendo tangida feito cisco na enxurrada das águas putrificadas da opinião pública, incapaz de traçar um destino próprio para si em vez de recebe-lo pronto e acabado por meio da papagaiada de microfone. Os seres humanos foram enquadrados no axioma falso de que uma mentira muito repetida vira verdade. Falso porque a mentira continuará mentira quando se busca com tenacidade se se trata de mentira ou de verdade. Vai daí que a mentira pode parecer verdade apenas para aqueles a quem a natureza reduziu o cérebro a quase nada, o que acontece com noventa e nove por cento da humanidade que aceitam disparates como a afirmação de ser bonita uma entidade que nunca foi vista.

O pior tipo de cegueira, a mental, dos noventa e nove por cento dos seres humanos, que transformou a sociedade humana num ambiente ridículo de felicidade falsa feita de batucada, ridículos famosos e celebridades, autoridades que figuram nas páginas policiais, vulgarização e desprezo da seriedade em torno do importante assunto da sexualidade presente principalmente no bacanal do carnaval quando são distribuídos milhões de camisinhas, tudo por conta do pão e circo que leva a massa bruta de povo à falsa crença de haver na vida espaço para tanta festividade e nenhuma lágrima. A estupidez humana levou o grande pensador Arnold Toynbee à afirmação de que a sobrevivência humana era maior quando os seres humanos se encontravam indefesos contra os tigres do que hoje, quando nos encontramos indefesos contra nós mesmos. E não é verdade que a humanidade pode ser extinta pelo simples acionar de um botão? Mas, para a turba barulhenta e repugnante aos olhos de quem aprendeu a realidade da vida, só há motivo para alegria.

Também em referência aos primitivos, Eduardo Moreira ensina que os humanos dos agrupamentos primitivos agiam com objetivo da preservação do grupo. Percebiam que a segurança, o bem-estar e mesmo a sobrevivência do grupo dependiam de serem seus integrantes saudáveis, fortes e vigorosos. Depois de milhares de anos eis que o agrupamento humano pensa justamente o contrário considerando haver mérito em imbecis viciados em acumular riqueza, enfraquecendo com tal atitude de débil mental o vigor da sociedade se os bens dos quais depende o bem-estar, vitalidade e saúde de todos são apropriados por estes párias sociais, ficando a maioria indefesa contra todos os males provenientes da natureza e que não são poucos.  

É, pois, na razão inversa do bem-estar social o decantado progresso da cultura do venha a mim e os outros que se danem. Nas páginas 88 e 177 do livro O Mundo Em Queda Livre cujo autor que sabe o que diz porque é ninguém menos do que Joseph E. Stiglitz, fazendo referência à tal crise da bolha imobiliária ocorrida nos Estados Unidos consta o seguinte: “O governo deu bilhões de dólares aos bancos na base de pai para filho”. E na pág. 177: “Os banqueiros que levaram o país a um estado de confusão deveriam ter pagado pelos seus erros. Em vez disso, receberam bilhões de dólares”.

São infinitos os exemplos do tamanho da distorção de como é aplicada a riqueza que a estar a serviço da coletividade de débeis mentais para a qual o que importa é o que não tem importância. Não é outro o motivo pelo qual a turba festiva é indiferente à distorção social existente no fato de vulgaridades esbanjarem riqueza enquanto profissionais importantes para o bem-estar social são relegados ao anonimato. Já nossa sociedade, coitada, quer fixar um código de ética para os ministros do STF. Pobres de nós que não temos mais para onde esbanjar ridicularidades. Se lei impusesse ética nossas autoridades não seriam constantes nas páginas policiais e muito menos ainda nas cadeias.  

 

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

ARENGA 873

 

A bem das futuras gerações, há extrema necessidade de repensar o dito de ser irreversível o progresso uma vez que o que é considerado progresso está levando a humanidade ao desastre. Bons costumes dão lugar aos maus costumes e a imoralidade, falta de caráter e inversão de valores por terem se tornado normais e uma vez que a juventude assimila facilmente os costumes do meio em que vive, a influência negativa da cultura vivida no momento histórico da humanidade certamente que influenciará negativamente o futuro desta desamparada e inocente juventude de caráter deturpado pela falta de compostura de velhos deserdados do nobre sentimento de desonra e a criminalidade encontra terreno para expandir de modo assustador em consequência de uma inaceitável inversão de valores para os homens que ainda prezam nobreza de caráter.

Inúmeros escritores que percebendo estar a sociedade humana enveredando por um caminho espinhoso procuram chamar atenção para o que está errado, mas sem observar que nada há de errado para as autoridades que determinam o tipo de educação da qual resulta a personalidade dos seres humanos. Muitissimamente ao contrário, quando tais autoridades se misturam com a massa ignorante para lavar escadas de igrejas e sandices do tipo, incentivando a ignorância das crendices, fortalecem nessa pobre gente o terrível mal social de valorizar tudo que vai de encontro à formação de uma sociedade civilizada ao fazer apologia da ignorância que é a fonte de onde jorram todos os males que afetam atualmente a humanidade, tornando-a incapaz de atinar com os verdadeiros valores dos quais resulta uma juventude mental e fisicamente sadia.

Ao contrário de tudo que se faz necessário para que o agrupamento humano possa viver em harmonia, é valorizado tudo que seja contrário. Quando os jornais noticiam que políticos da oposição procuram denegrir a imagem dos políticos da situação, embora a sociedade nada veja de anormal nessa coisa, na verdade é a revelação de que tanto à situação quanto à oposição, em vez de ser o bem-estar da comunidade que representam, seu interesse verdadeiro é buscar as benesses que o poder oferece. Afinal, é realmente muito bom ter a despensa abastecida de coisas boas sem ter a preocupação com o custo.   

 

  

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ARENGA 872

 

Em 1919, com o Tratado de Versalhes, acabou definitivamente a Primeira Guerra chamada de Mundial que deixou por vingança as raízes dos preparativos da Segunda Guerra Mundial. E é de guerra em guerra é como avança mundo afora a maldita raça humana, mais perniciosa dos viventes cuja estupidez a faz acreditar ter infinitos motivos para alegria.

Assim como deus exigiu de Jacó para seu tesouro divino os despojos da destruição de Jericó, assim também os vencedores da Primeira Guerra penalizaram a Alemanha com tamanhas recompensas que é de causar espanto como já em 1939 a arrasada Alemanha que se viu em cacarecos não só pela destruição própria dos conflitos, mas também pelo peso dos encargos impostos pelos vitoriosos ao povo alemão, não obstante tudo isso, no espaço de dezenove anos se encontrava a Alemanha capaz de se vingar do mundo inteiro com tamanha fúria que causou mundo afora um estrago tão grande quanto ao que sofreu sozinha na Primeira Guerra.

Tamanha desenvoltura pode encontrar explicação no patriotismo de seu povo, que levava os soldados a lutar com espantosa tenacidade conforme afirmam historiadores.

Triste é tamanho patriotismo ter sido conduzido para o mal pela cultura de apenas ter de seguir orientação recebida sem o cuidado de analisa-la com a ponderação própria da inteligência e bom senso. A aceitação pura e simples de uma ordem, independentemente da intenção de quem ordena, que pode acreditar estar fazendo o melhor, pode, no entanto, levar a erros colossais como o extermínio dos judeus por ordem de Hitler. É impossível alguém em estado normal ser capaz de tamanha maldade. Aliás, há quem afirme ter havido um movimento fracassado de eliminar o líder alemão por pessoas menos insensatas, o que expõe estar errada a obediência cega contida nisso de “ordem não se discute, se cumpre” o que teria sido inspirado no “os mistérios de deus não se discutem”.

Não é sem alguma razão que a imprensa chama a atenção para o que a exemplo da Alemanha que por desleixo universal pode se preparar para o arraso que fez, também pode estar acontecendo a mesma coisa com o desenvolvimento bélico do Japão, que na Segunda Guerra Mundial também teve de se dobrar depois dos horrores recaídos sobre Hiroshima e Nagasaki. Portanto, no lugar de lavar escadas, aglomerar na Praça de São Pedro para ver quando sai fumaça branca, e tantas idiotices mais, devem os pais pensar na possibilidade de ter os filhos de trocando tiros com os ferozes japoneses. Afinal, há quem diga que os donos do mundo têm o objetivo de eliminar os não ricos a fim de se sentirem mais anchos nesse mundão besta.  

 

     

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ARENGA 871

 

Pareceria mentira se não fosse verdade, o tamanho do fuzuê sobre eleições. Agora, quem sabe que pode pensar, reflita sobre o quanto é bobo quem se alvoroça com candidato A ou B se depois de eleitos não fosse absolutamente tudo continuar do mesmo jeito ruim de antes. Para compreender o que vem a ser povo é preciso recorrer a mestre Platão e sua afirmação que fez sobre educação que é mais do que verdade. Disse o mestre que a orientação que a criança recebe da educação forma a personalidade do adulto. Sendo assim, o que aprendem nossas crianças senão mentiras e mais mentiras? A maior de todas estas mentiras tem nome de um tal de deus cujo nome ele mesmo declarou ser Eu Sou (Êxodo 3, 14,15) e que apesar de ser de infinita bondade adora ver pedaços de animais esquartejados e espelhados sobre altares em sua homenagem (Gênesis 15,10; Levítico 1,4) Ainda sobre a mentira sobre deus, quando já tem discernimento para aprender, tem sua capacidade de raciocínio diminuída ao aprender que os mistérios desse tal de deus não admitem argumentação sobre eles, mas que são para ser aceitos como dizem os preceitos contidos num livro chamado bíblia sagrada de leitura enfadonha e mentirosa porque diz ter um sujeito chamado Jonas permanecido no estômago de uma baleia durante três dias depois dos quais foi cuspido na praia sãozinho da silva e tão fagueiro como antes (Livro de Jonas). Também diz lá que uma jumenta reclamou com palavras a seu dono chamado Balaão (isso lá é nome de gente?) que a maltratava sem razão. Também está dito que Adão colocou nome em absolutamente todos os animais, o que não é possível.

Saltando fora da baboseira religiosa, na idade de discernimento, o homem aprende ser preciosa uma tal de democracia, maneira de deixar ao povo a responsabilidade pela escolha dos agentes executores da ação política. Agora, se você aí, por não ter nada melhor a fazer está lendo esta “prosa”, veja só que coisa mais desinteligente. Tá lembrado de mestre Platão? Pois bem, também outro pensador chamado Bertold Brecht denominou de analfabeto político quem diz não gostar de política por desconhecer a importância dela na vida de cada um. Dito isso, voltemos ao importante assunto da educação. Vimos que o povo é feito de quem só aprendeu mentiras, e, portanto, é certo que não aprendeu ser a política que determina nossa qualidade de vida.

 Agora, voltando ao analfabeto político de mestre Brecht, tendo povo aprendido só mentiras tem necessariamente de ser um povo feito de analfabetos políticos que, como tais, votam por obrigação e tão desinteressados que não podendo escolher corretamente, induzidos por canastrões travestidos de falsos líderes, fazem as piores escolhas, o que reduz a preciosidade da democracia à fama e celebridade dos “famosos” e “celebridades”.

 

domingo, 18 de janeiro de 2026

ARENGA 870

 

Como é impossível ficar sem pensar em nada, de modo que a mente ficasse desocupada, devia ser muito bom. Mas nada é como devia ser, em um laboratório de fazer os exames que esperam pelos jovens saltitantes não fazem a mínima ideia do que esperam por eles quando acabar o vigor da juventude que eles acreditam ser eterna. Tais assuntos me ocorreram quando na indispensável televisão onde quer que haja pessoas a serem imbecilizadas e aquele era o ambiente ideal para esse fim. Entretanto, percebe-se que o celular está se tornando um imbecilizador tão eficiente quanto a televisão. Naquele ambiente ouvia-se choro de crianças vítimas inocentes da cultura de ingerir veneno inclusive no seio de suas mães tão inocentes quanto aquelas pobres crianças.

Havia mais pessoas dedilhando com incrível rapidez o teclado do celular do que as que dividia o tempo em olhar para o painel de chamada e a televisão onde imensa multidão eficientemente imbecilizadas, com os braços para cima, ao som da música tocada por outros jovens igualmente imbecilizados que, como os dos braços levantados que oscilavam para a esquerda e a direita conforme o ritmo da música de tão baixa qualidade quanto a mentalidade de toda aquela multidão que não sabe o que futuro lhes aguarda porquanto já começa a escassez de água e os alimentos se tornam cancerosos.

Junto a tudo isso, eis que a mente achou de buscar a sabedoria de mestre Platão ao afirmar que o preço a ser pago pela indiferença aos assuntos relacionados à política é que os bons terão de ser governados pelos maus. Realmente, mestre Platão, o mundo sempre foi governado por quem mesmo sendo de boa índole é pervertido pela regra de Maquiavel segundo a qual o importante é se manter no poder independentemente de sentimentos nobres, sendo que esse poder nunca é exercido pelo bem da sociedade, muito ao contrário.

  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ARENGA 869

 

Ler os jornais ou não ler os jornais, eis uma questão maior do que o ser ou não ser de Shakespeare porque quanto a ser não se pode ter dúvida alguma porquanto é preciso existir para ler jornal. Grande problema de verdade é o quanto de negatividade acarreta ao estado de espírito de quem lê no jornal que certa mocinha, como se fosse em algum filme de baixa qualidade, virou celebridade por ter matado o pai e a mãe, ou a perplexidade ante a notícia de terem autorização da justiça para que presos cujas mães já morreram deixem a prisão para passar com a mãe inexistente o dia das mães ou o dia do nascimento de Cristo o que resulta em ter a polícia de correr outra vez para recapturar os mais espertos que aproveitando as autoridades nada espertas, não voltam mais para a pocilga onde estavam.

Pior ainda é que ao deixar de lado os jornais e passar a ler um livro depara-se com o que disse em meados do século XIV o frei Azpilcueta Navarro sobre os brasileiros, conforme está na página 38 do livro História Geral do Brasil, de vários autores: “A gente aqui só tem nome de cristão, embebidos em malquerenças, metidos em demandas, envoltos em torpezas e desonestidades publicamente”.

Desta forma, uma vez que ser analfabeto em leitura não significa ser analfabeto político, melhor é desaprender ler para não ter vontade de buscar informação por meio de leitura de jornal ou livro uma vez que na encruzilhada do livre arbítrio o brasileiro seguiu pelo desvio errado, enquanto o pai celestial dele ficou espiando para ver o que dava. Deu em brasilidade e corroboração das palavras de Rui.

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ARENGA 868

 

Ter interesse pela política é próprio da cidadania. Não ter, ao contrário, é ser analfabeto político que do ponto de vista do bem-estar das pessoas que formam uma sociedade é mais prejudicial a tal sociedade do que o analfabeto por não saber ler. Entretanto, sendo a imprensa a única fonte de conhecimento político e sendo a imprensa sabidamente defensora do ponto de vista da classe dominante cujos interesses sempre foram diametralmente opostos aos interesses do povo, a expressão “feito cego no meio do tiroteio” é apropriada para definir a situação do cidadão que não obstante a ansiosidade por informação, as que lhe chegam dão conta de uma política tomada de cabo a rabo por rapinagem dos recursos públicos. A serem verdadeiras as notícias sobre roubalheira, de onde é que sai a quantidade de dinheiro para ser roubado? Se há tanto dinheiro e tanto roubo, terão as autoridades sem exceção de uma sequer, do mesmo modo que os ladrões comuns, também formado quadrilha como fazem os bandidos do crime organizado? Alexandre Garcia nos dá notícia no jornal Gazeta do Povo de que promotores de justiça no Maranhão, estado com longa história de roubalheira, desistem de apurar roubo do dinheiro público em função da impunidade. Realmente, não é totalmente desanimador trabalhar, apurar a veracidade de se estar tratando de criminosos, apresentar denúncia e depois de condenados ver a justiça anular toda a trabalheira como alegam ditos promotores? No livro O Mensalão, de Merval Pereira, consta que o ministro Dias Toffoli, que depois de ser reprovado para juiz de primeira instância foi guindado pela má política a juiz de última instância, teria sugerido poupar os ladrões grã-finos das péssimas condições dos presídios brasileiros. Segundo a imprensa esse mesmo ministro que não é ministro por reputação ilibada e notório saber jurídico, mas pela política, cancelou multa 8,5 bilhões a que foram condenados os ladrões da Odebrecht.

Dá a quem tem na imprensa a única fonte de informação a impressão de haver entre as autoridades maiores o mesmo conluio que há entre os criminosos do crime organizado. A Operação Lava Jato prodigaliza a sensação de cego no tiroteio. Se daquele trabalho resultou que ladrões confessos de muitos bilhões foram condenados, vieram mais tarde a serem descondensados e os autores da apuração, condenados.