Enquanto a
humanidade permanecer enganada por entretenimentos, haverá de permanecer na
infelicidade de ser parasitada pela política predadora vigente no mundo. Voltada
para o objetivo de banalizar o sofrimento, os seres humanos se acostumaram a um
tipo de vida de festejar enquanto tem disposição para isto e sofrer quando não
tiverem mais presente e só lhes retar o presente, como diz a grandiosa Fernanda
Montenegro aos noventa e seis anos de idade, portanto, com a experiência que os
jovens ainda não têm.
Como
rinocerontes, a humanidade se revestiu de uma carapaça de insensibilidade tão
eficiente que elimina por completo a noção de solidariedade. Ao contrário de
nossos antepassados caçadores coletores que que tinham por objetivo a segurança
grupal, os humanos atuais abraçaram uma individualidade burra e contrária a
tudo que diz respeito a uma vida social equilibrada que está distante da
sociedade atual onde ninguém se incomoda que monstros em busca de poder e mais
riqueza do que a que já têm atiram bombas que ceifam a vida em começo de cento
e setenta e duas inocentes crianças que na escola escolhida por seus pais em
busca de um aprendizado visando um futuro melhor, encontraram a morte.
Sob a
carapaça de insensibilidade, a massa bruta se alvoroça em torno de Copa do
Mundo, Lolopalooza, Velocidade na Fórmula Um, enfim campeonatos de vários tipos
engendrados justamente para manter a trupe humana afastada da realidade de que
a vida para ter sentido requer mais ponderação e sensatez do que as algazarras
do pão e circo destinadas a manter o povo longe da razão e do equilíbrio só
encontrado na meditação da análise sobre a possibilidade de se estar vivendo em
erro. Afinal, afirmou mestre Sócrates,
uma vida não refletida não vale a pena ser vivida.
A
humanidade foi levada a um tipo de vida que se resume a ser hospedeira de um
eterno parasitismo que assegura vida faustosa de grupinhos, tipo de sociedade
há muito extinta pela Revolução Francesa, mas que, como a Fênix, emergiu das
cinzas e voltou a parasitar a humanidade ludibriada como criança por uma
alegria de débil mental.
Se,
conforme afirmou mestre Rousseau, o parasitismo teve início lá no princípio de
tudo quando bafejado pelo diabo alguém tornou propriedade sua a terra que até então
era de propriedade coletiva, só a falta de reflexão assegura esse tipo de
sociedade na qual apenas alguns podem tudo em função do trabalho de quem nada
pode.
Para
encerrar esta “prosa”, voltando à nossa querida Fernanda Terres e a
tranquilidade com que encara a questão de chagar à situação de não se ter mais
futuro, tal situação só apavora o ignorante que passou a vida nos festejamentos
sem nunca ter lido um livro a respeito do que pensaram os Grandes Mestres do
Saber sobre a realidade da vida.