sexta-feira, 20 de março de 2026

ARENGA 876

 

Enquanto a humanidade permanecer enganada por entretenimentos, haverá de permanecer na infelicidade de ser parasitada pela política predadora vigente no mundo. Voltada para o objetivo de banalizar o sofrimento, os seres humanos se acostumaram a um tipo de vida de festejar enquanto tem disposição para isto e sofrer quando não tiverem mais presente e só lhes retar o presente, como diz a grandiosa Fernanda Montenegro aos noventa e seis anos de idade, portanto, com a experiência que os jovens ainda não têm.

Como rinocerontes, a humanidade se revestiu de uma carapaça de insensibilidade tão eficiente que elimina por completo a noção de solidariedade. Ao contrário de nossos antepassados caçadores coletores que que tinham por objetivo a segurança grupal, os humanos atuais abraçaram uma individualidade burra e contrária a tudo que diz respeito a uma vida social equilibrada que está distante da sociedade atual onde ninguém se incomoda que monstros em busca de poder e mais riqueza do que a que já têm atiram bombas que ceifam a vida em começo de cento e setenta e duas inocentes crianças que na escola escolhida por seus pais em busca de um aprendizado visando um futuro melhor, encontraram a morte.

Sob a carapaça de insensibilidade, a massa bruta se alvoroça em torno de Copa do Mundo, Lolopalooza, Velocidade na Fórmula Um, enfim campeonatos de vários tipos engendrados justamente para manter a trupe humana afastada da realidade de que a vida para ter sentido requer mais ponderação e sensatez do que as algazarras do pão e circo destinadas a manter o povo longe da razão e do equilíbrio só encontrado na meditação da análise sobre a possibilidade de se estar vivendo em erro.  Afinal, afirmou mestre Sócrates, uma vida não refletida não vale a pena ser vivida.

A humanidade foi levada a um tipo de vida que se resume a ser hospedeira de um eterno parasitismo que assegura vida faustosa de grupinhos, tipo de sociedade há muito extinta pela Revolução Francesa, mas que, como a Fênix, emergiu das cinzas e voltou a parasitar a humanidade ludibriada como criança por uma alegria de débil mental.

Se, conforme afirmou mestre Rousseau, o parasitismo teve início lá no princípio de tudo quando bafejado pelo diabo alguém tornou propriedade sua a terra que até então era de propriedade coletiva, só a falta de reflexão assegura esse tipo de sociedade na qual apenas alguns podem tudo em função do trabalho de quem nada pode.

Para encerrar esta “prosa”, voltando à nossa querida Fernanda Terres e a tranquilidade com que encara a questão de chagar à situação de não se ter mais futuro, tal situação só apavora o ignorante que passou a vida nos festejamentos sem nunca ter lido um livro a respeito do que pensaram os Grandes Mestres do Saber sobre a realidade da vida.

 

 

 

 

    

 

       

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