quarta-feira, 3 de junho de 2026

ARENGA 887

 

Apesar de ter sido o Brasil criança embalado em berço de corrupção, e embora esta praga pareça ter mais tentáculos aqui do que em qualquer outro lugar do mundo em vista de não haver nenhuma instituição sem ser corroída, não é ela, entretanto, privilégio desta terra pátria de deus porque também campeia mundo afora montada na garupa do cavalo baio de um dos cavaleiros do apocalipse com procuração dos outros três para representá-los.

Pegando o gancho do dito de que até mesmo das coisas ruins pode-se tirar algo de bom, esta maldita praga serve para mostrar o quanto se faz necessário pensar em novo tipo de organização da sociedade humana na qual a riqueza produzida pela sociedade não possa ser desbaratada como poeira na ventania, abandonando o tradicionalismo bolorento e o bafo de múmia que têm impedido a humanidade de inovar o bastante para sair do descaminho que a conduz rumo à infelicidade como tem sido desde que os seres humanos se juntaram em comunidades maiores.

Não é crível que livres do poder maligno da indústria do entretenimento que faz festejar em ambiente próprio para lágrimas, e uma vez livres para poder pensar em superar o atual estágio da falta de mentalidade que impede atingir uma organização social digna de seres com um mínimo de civilização, pelo menos o necessário para rejeitar falsidades como considerar progresso produzir milhões de carros, aviões navios monstruosos e bilhões de chaminés vomitando gazes venenosos, e muito menos escorraçar dos campos sua população para as cidades onde irão fomentar doenças e violência, tudo isso com a finalidade de se deixar à vontade ricos senhores que aumentam sua riqueza com apoio do BNDES envenenando solos e pessoas.

Até o momento, entretanto, ainda é tão diminuta a evolução da capacidade de raciocínio que aqueles que a têm mais evoluída desperdiçam tempo precioso escrevendo em linguagem complicada livros inúteis destinados a gatos pingados uma vez que o resto, por não passar de resto, não sabe ler, ou sabe, mas não lê porque os folguedos são mais importantes.

Mas, lamentavelmente, o que se tem são vidas deploráveis de lamentos e implorações por justiça vinda justamente da parte daqueles que tiram proveito das injustiças por lhes ter sido inoculada nos primeiros aprendizados da infância a maldade inerente à avareza e o desprezo aos semelhantes.

Tudo faz crer não haver futuro nem próximas gerações e nem nada diferente de sofrimentos contrastando com alegrias porquanto os progenitores de gerações futuras também aprenderam as mesmas falsidades que a todos convencem de se tratar da mais pura verdade.

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