Na filosofia, como em tudo mais, não quem
ache de colocar uma pulga na orelha da paz de quem está sossegado. Por nada ter
de melhor a fazer, filósofos criaram a seguinte questão que outra finalidade
não tem senão tirar o sossego de quem estava numa boa: imagine que você se
encontre ao lado de uma alavanca que muda na bifurcação de uma linha de trem e
serve para mudar o sentido de um trem que se aproxima e que se continuar na rota
normal do seu destino esmagará quatro crianças que brincam despreocupadamente
sobre a linha do trem. Porém, se for acionada a alavanca à seu alcance que
desvia o destino do trem, ele matará apenas uma criança que do mesmo modo despreocupado
das outras quatro crianças também brinca despreocupadamente sobre a linha para
a qual você desviaria o trem acionando a alavanca, O que você faria? Salvava as
quatro crianças e deixava que uma morresse? Você tem em suas mãos salvar quatro
crianças ou apenas uma ou simplesmente ser indiferente. O que você faria em
tais condições? Espero sinceramente não ter colocado uma pulga na consciência
de ninguém. Afinal, não sou filósofo. Apenas passo adiante o que vi e mostra
haver sempre por perto um espírito de porco.
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Se algum dia a turba festiva e
barulhenta de pagadores dos impostos que financiarão as guerras que os haverá
de matar seus filhos, se essa massa insossa vier a despertar da letargia mental
em que tem sido mantida, perceberá coisas do arco da velha. Perceberá, por
exemplo, que o cristianismo ao contrário da paz que esperam encontrar por lá é
o maior disseminador de desassossego com sua história mal contada de continuar
vivendo uma outra vida engendrada exclusivamente para amargar as dores das
queimaduras no fogo do inferno a fim de purgar pecados pelos descaminhos a que
foram levados por vontades consideradas inconvenientes pelo deus de bondade
infinita, numa contradição própria de quem não pensa sobre a vida, e se pensa é
sobre o que está fazendo aqui, de onde vem e prá onde vai, questões
irrelevantes uma vez que estando aqui o importante é procurar viver da melhor
maneira possível o que não inclui saber como veio parar aqui e nem se preocupar
com o medo do fogo do inferno.
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