quarta-feira, 1 de abril de 2026

ARENGA 878

 

Quanta razão tinha mestre Sócrates em valorizar a atividade de pensar, de meditar sobre a loucura de viver, principalmente de se viver mal como se vive quando sem meditar sobre como viver melhor. Chegou mesmo o mestre a afirmar o mestre não valer a pena uma vida não pensada. Na realidade, tal tipo de vida é como vivem os irracionais. Isto não anula nossa capacidade de pensar? É por não pensar que a imprensa noticia sobre mães em sofrimento relembrando as últimas palavras proferidas por seus filhos mortos em monstruoso ataque a uma escola para crianças no Irã, terra de quem apesar de acreditar ser religioso porque medita, é justamente o contrário porque a meditação leva à falta de não haver razão para a existência de irreligiosidade, como já desconfiavam os gregos antigos, povo que por valorizar a meditação, procurou explicar o universo de modo diferente da baboseira de criação divina.

A respeito das mães chorosas por seus filhos mortos, nada há de estranho nisso porque se todas as guerras têm por consequência pais sofrendo a perda de seus filhos, a questão deve ser buscar a realidade do porquê de haver guerras. Meditando a respeito, a conclusão será o velho costume da impressão de estar certo o que está errado porque não pode haver vantagem em destruir a juventude que é a força vida de todo grupo social. A meditação faz concluir ser estupidez armar a juventude até os dentes e instiga-la a matar e morrer por amor à pátria. Que raio de pátria e esta que exige a morte de seus filhos, assim como creem os religiosos que um deus muito bom mandou seu filho para morrer crucificado a fim de salvar a humanidade se ele, deus, matou afogada toda a humanidade de uma vez só?

Tá faltando, minha gente, pensar muito sobre o que nos dizem como sendo verdade. Não pode ser verdade haver justificativa para as guerras se elas decorrem unicamente porque a democracia permite a um povo politicamente analfabeto escolher falsos líderes que apesar de covardes arrotam valentia escondido atrás da juventude fardada e armada que por não pensar são facilmente convencidos de haver motivo para imitar os gladiares da antiga Roma que acreditavam valer a pena morrer com espada na mão em defesa da honra dos ajuntadores de riqueza da época.

Todos os valentões fazedores de guerras não passam de tolos que não sabem ser inevitável chegar o dia em que a natureza os transformará em um monte de pelancas e que de nada adiantará a riqueza trocada pela vida dos jovens robotizados e sacrificados por terem sido convencidos de que ordens, como os mistérios de deus, devem ser obedecidas sem qualquer questionamento a respeito.