domingo, 17 de novembro de 2019

ARENGA 593


A política tradicional jamais terá sucesso no cumprimento do objetivo de dedicar à sociedade os mesmos cuidados que um chefe de família zeloso de seus deveres dispensa a seus dependentes. Ao contrário, em toda a história humana os agentes políticos objetivaram a exploração das sociedades. Desta forma, sob pena de ser destruída pela ganância dos Midas do mundo é necessário que o povo passe a considerar a política como a principal atividade a merecer sua atenção. Até o presente momento o que se tem é um povo tão iludido pelo pão e circo que ainda não descobriu ser a política a única responsável por sua qualidade de vida. É uma trama tão bem urdida que mesmo as pessoas supostamente esclarecidas, portadoras de títulos universitários, se deixam levar juntamente com a massa bruta de povo rumo às igrejas e aos terreiros de brincadeiras. Os meios de comunicação a serviço da má política enganam o povo tecendo loas às maravilhas dos bancos, do agribiuzinesse, dos planos de saúde, do Mercado e da fonte na qual ele se nutre e que é a necessidade desnecessária de fazer compras, principalmente em Me Ame.

O povo foi transformado pela política tradicional em servo, quando, na verdade, é o senhor por ser quem arca com todos os custos sociais porquanto a má política permite aos mais ricos se omitirem da obrigação de pagar impostos, comportamento que demonstra total ignorância de sociabilidade. Os suicídios, a depressão e a criminalidade que envolve os jovens não deixam dúvida quanto a ser crescente a infelicidade na qual incorre o povo. A atividade política não realiza nem um por cento daquilo que deveria realizar em benefício da sociedade porque mais de noventa e nove de sua ação é realizada em benefício das próprias autoridades políticas e seus apaniguados. Embora a moralidade e a honradez nunca fizessem parte do vocabulário dos políticos, atualmente a imoralidade e a desonra assumiram de tal assombrosa forma o caráter da política que os criminosos não precisam mais esconder suas atividades de bandidos travestidos de autoridades. O Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça brasileira, acaba de jogar esta realidade na cara deste povo infeliz e festivo, incapaz de se indignar com a indignidade da situação de ser o povo mais povo do mundo por constituir a única sociedade onde as autoridades não precisam disfarçar a realidade de ser a atividade política exercida contra a sociedade.

Uma vez que o bem-estar custa dinheiro, é preciso haver planejamento para a posse do dinheiro. Não pode ele ser apossado indiscriminadamente como acontece quando o pão e circo transforma em milionários pobres mentais que parasitam inocentemente a sociedade e aos quais os meios de comunicação se referem como “famosos” e “celebridades”. Estes pobres diabos acreditam serem realmente célebres e famosos embora o ridículo seja seu principal atributo. São tão débeis que sua debilidade não lhes permite perceber o ridículo de se achar capaz de serem presidentes da república.

A ação nefasta de comprar a indiferença política da massa bruta de povo com as palhaçadas das marionetes tem servido à política através dos tempos. Desta forma, enquanto o elemento asqueroso povo não despertar para seu papel de idiota a sociedade não poderá ser diferente da esculhambação que é quando se espera que ladrões administrem honestamente a fortuna resultante do pagamento dos impostos. Quanto mais desonesto, cara de pau e safado, maior a chance de qualquer aventureiro ter sucesso como político e se tornar administrador da riqueza pública. É como se uma raposa perdesse a vontade de comer galinhas ao ser nomeada vigia do galinheiro. É estarrecedor o fato de ser indiferente a massa bruta de povo a tal situação, embora ela não lhe escape totalmente porque uma historiazinha popular sobre a resposta de um político à indagação da origem de sua inclinação política deixa claro que o povo sabe ser vítima da canalhice. O político teria explicado que tudo começou quando era menino e seu pai lhe prometeu quinhentos por cada nota dez. Então, ele convenceu o professor a embolsar duzentos e cinquenta em troca de notas dez.

Desta forma, dependendo de vigilância a honestidade do político por se tratar de ser humano, não há estupidez suficiente para justificar a indiferença do elemento asqueroso povo ao deixar a cargo de desonestos o dinheiro público.

A ninguém com um mínimo de discernimento é mais dado o direito de desconhecer que a orientação dos falsos líderes tanto políticos quanto religiosos objetiva entreter o povo de modo a não perceber o engodo que o envolve. Verdade que o povo vez em quando desconfia de haver algo errado e sai às ruas. Quando isto acontece, os falsos líderes deixam cair algumas migalhas de suas mesas fartas e o povo retorna para casa, a televisão, as igrejas, o futebola, as “celebridades”, os “famosos” e ao seu destino de servir a seus senhores aboletados na vida mansa e fantasiosa do bem bom dos palácios, defendida por um séquito de baba-ovos remunerados para fazer crer ao povo ser normal que apenas gatos pingados possam usufruir do resultado do trabalho executado pela coletividade. O Brasil, não se deve esquecer, acaba de mostrar ao mundo que as autoridades formam uma confraria com os ladrões da riqueza resultante do trabalho coletivo. A administração pública jamais poderá prescindir da existência de um povo esclarecido o bastante para saber o erro monumental que é deixar-se levar pelo pão e circo. É preciso acima de tudo se ligar na política porque é dela e não de deus que depende até mesmo o sucesso ou fracasso de uma religião. Geoffrey Blainey mostra esta realidade quando afirma na página 129 do livro Uma Breve História do Mundo, o seguinte: “O budismo e o cristianismo, que ainda estavam lutando após vários séculos de pregação de fé, deveram muito de seu sucesso posterior à conversão de dois poderosos imperadores: Asoka, da Índia, e Constantino, de Roma. Um rei de um vasto império achava-se propenso a acolher bem uma religião que fizesse seu povo se sentir contente com sua vida simples e, às vezes, difícil”.

É imenso o fosso de obscuridade que separa o povo da realidade de ser a religião um dos muitos berrantes com os quais o pão e circo desvia a atenção da manada para longe da política. A cegueira mental que a religião impõe não permite raciocinar sobre a simples realidade de ser impossível a existência de um deus que embora poderoso não consegue vencer o mal, como é de seu desejo, segundo todas as religiões. A humanidade já está bem velhinha para continuar se comportando como criança. Inté.



       

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ARENGA 592


O QUE ESPERA DO GOVERNO BOLSONARO? Esta pergunta demonstra espetacular analfabetismo político porque passa do tempo de se perceber que da atividade política de qualquer governante apenas migalhas para evitar revolta são a única coisa que o povo deve esperar. Aí está no jornal Folha de São Paulo a notícia de que serão liberados bilhões para emendas parlamentares, ou seja, bilhões para serem divididos entre parasitas sociais sob o olhar complacente dos donos desse dinheiro. O povo não toma jeito mesmo. Sua obtusidade não lhe permite perceber que o objetivo dos governantes é completamente diferente daquele na qual acredita. Organização social coerente com o bem-estar coletivo nunca foi objetivo de algum governo. Locupletar-se às custas do erário é o único objetivo dos políticos por força da cultura do enriquecimento a qualquer custo aprendida quando criança. E não é preciso ser inteligente para concluir que a política é a arte de ludibriar a massa convencida de buscar nas igrejas a solução para suas dificuldades. Basta não ser um arrematado imbecil incapaz de elevar o pensamento além de igreja, axé, futebola, “famosos” e “celebridades” para perceber que a atividade política serve unicamente aos interesses da classe parasitária dos ricos almejada por aqueles que ingressam na política, com raríssimas exceções. É, pois, de um ridículo extraordinário pessoas do povo exigir direitos porque o único direito que têm o povo é arcar com a pesada carga dos impostos que os ricos não pagam, além de cumprir fielmente as obrigações determinadas pelo emprego. O emprego é nada mais nem menos do que uma forma de escravidão. Quando, em troca da despensa abastecida, intelectuais afirmam em seus “Best-Sellers” que o bem-estar social depende do emprego estão mentindo tão descaradamente quanto aqueles que viam no fim da escravidão da chibata um atentado à economia e a condenação dos negros a um destino ainda pior: a morte por inanição. A estupidez que caracteriza os seres humanos é incompatível com um ambiente civilizado onde prevaleça a harmonia. Desta forma, é impossível esperar de políticos atitudes nobres porquanto se trata de seres humanos e, como tais, desonestos por natureza e cultura.

Sendo a cultura o modo de se comportar, e sendo o comportamento determinado por aquilo em que se acredita, resultam daí comportamentos falsos porque tudo aquilo em que a humanidade acredita é falso. O passado mostra esta realidade. Na tragédia Hamlet, por exemplo, seu autor, Shakespeare, descreve com naturalidade o aparecimento do fantasma do pai de Hamlet. Hoje, nenhum autor colocaria um fantasma entre suas personagens sem incorrer em ridículo porque o tempo se encarregou de desfazer muitas crenças, entre elas a existência de fantasmas. Como o convencimento pelo tempo é demasiadamente lento, crenças falsas continuam determinando o comportamento humano como a existência de um deus do qual só se ouve falar. Apesar de falsa, é uma crença de poder tão grande que conduz ao mesmo nível de mediocridade mental doutores e analfabetos. Raros são aqueles que percebem não haver razão de ser da existência desse tal de deus no qual os pobres de conhecimento botam a maior fé. O grande pensador Robert Green Ingersol afirmou ser incompreensível o fato de deixar a orientação dos filhos a cargo de um deus que afogou os filhos dele.

O erro monumental dos seres humanos é deixarem-se conduzir feito gado, desprezando completamente o exercício do raciocínio.

A notícia de que o Banco Itaú roubou da nossa sociedade a quantia de mais de sete bilhões de reais em apenas três meses deveria causar comoção social porque sendo limitado o dinheiro, não pode em hipótese alguma ser objeto da ganância de monstros de cuja boca escorre baba de dragão conhecidos como banqueiros e grandes empresários, e nem ser distribuído pelo pão e circo entre as marionetes que entretêm a massa bruta de povo, parasitas conhecidos como “famosos” e “celebridades” cuja falta de discernimento não lhes permite a mínima noção do que seja sociabilidade. A riqueza social precisa ser usada com racionalidade em vez de ser considerada coisa de ninguém de forma tão espetacular que uma obra pública custa várias vezes seu valor real. É, pois, total desatino ficar a juventude de longe do mundo político porque é dele que depende o futuro dos filhos dos jovens que de tão maltratados estão se suicidando e se tornando assassinos ainda em crianças.

São fartas as evidências de que nada se deve esperar de políticos além de maldades. A situação de penúria social apesar da montanha de riqueza produzida pela classe trabalhadora e a presença de multimilionários ocupando cargos públicos com único intento de aumentar suas fortunas são algumas delas. Deixar que o peso do pagamento de impostos recaia sobre os mais pobres e permitir que os mais ricos se omitam desta obrigação é também uma prova de que a classe política é subserviente aos interesses escusos dos Tios Patinhas do mundo.

Enquanto rolam os desatinos, a juventude futuca telefone e se liga na canonização da pobre e inocente dona Dulce.

A pusilanimidade da juventude futucadora de telefone haverá de custar-lhe elevado preço em desassossego. Inté.

  


terça-feira, 1 de outubro de 2019

ARENGA 591


Encontramo-nos entre um velho mundo que morre, e um novo mundo que luta para nascer. Esta frase é de Umair Haque, em reportagem no blog Outras Palavras. Como integrante do mundo capitalista, o autor da frase cometeu ato falho ao admitir que o seu mundo capitalista está morrendo. Nem podia ser de outra forma uma vez que o capitalismo concentrou noventa e nove por cento da riqueza do mundo nas mãos de apenas um por cento da humanidade. Qualquer jeca pode perceber ser insustentável uma situação para a qual, existem pessoas que não têm necessidades a serem atendidas. A avareza dos malditos Reis Midas os faz crentes de ser possível eternizar tamanha injustiça social. À juventude cabe acordar para a realidade de se tratar da inviabilidade do futuro das próximas gerações. Este é realmente um mundo que morre para dar lugar a um mundo no qual todos possam satisfazer suas necessidades. O grande problema é que as atenções dos jovens que são o motor que movimenta o mundo estão voltadas para esse mundo que morre. Igrejas, axé e futebola prendem de modo tão absoluto a atenção da juventude que os jovens nem desconfiam de que por trás da militarização da educação de seus filhos atrofia a capacidade de raciocinar deles porque militar aprende a obedecer sem questionamentos. É contando com esta incapacidade de raciocinar que “autoridade” como a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disse que as meninas são estupradas porque não usam calcinha. E sugeriu construir fábricas de calcinhas como solução.

Os jovens são obrigados a redigir textos sobre fatos históricos de nenhuma importância para a qualidade de vida presente e futura, num sistema educacional bolorento que induz a juventude a se ater a uma erudição incapaz de torná-los aparelhados mentalmente para solucionar os problemas que os afligem. A solução destes ´problemas depende unicamente de ação em vez da omissão política que caracteriza a juventude. Depende, por exemplo, de ler e raciocinar apenas sobre o que dizem os primeiros capítulos do livro O BRASIL PRIVATIZADO, de Aloysio Biondi, Grande Mestre do Saber, da moralidade e da honradez, e do livro O MAPA DA CORRUPÇÃO NO BRASIL, de Larissa Bortoni e Ronaldo de Moura. No primeiro, podem ser vistas coisas assim: “Em cinco anos, o governo Fernando Henrique Cardoso não destruiu apenas a alma nacional, tornando-a dependente do exterior. Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional”. (Página 11). E, no segundo, página9: “... atraso para o fornecimento de documentos e recusa para investigar denúncias ...”. Até quando permanecerão os jovens indiferentes a assuntos de tamanha relevância política?

É para assegurar esta indiferença que o oráculo do presidente Bolsonaro considera Paulo Freire inimigo do governo. O motivo? Simplesmente porque o método de ensino proposto por Freire incluía matéria para desenvolver a capacidade de raciocinar da criançada. Aí está o motivo da ojeriza. Para trogloditas, raciocinar é algo tão ruim quanto doença braba. Mirem-se, jovens, no exemplo da garotinha que se dirigiu a estas múmias pestilentas e desavergonhadas nos seguintes termos: “Vocês fracassaram conosco. Vocês roubaram minha infância e agora estão roubando meu futuro. Por dinheiro”.

É por aí. Inté.




quinta-feira, 26 de setembro de 2019

ARENGA 590


ORA, VIVAS! Parafraseando deus, tantos vivas quantos grãos de areia há nos mares do mundo para estes jovens que despertaram para a preservação da natureza, dando lição de sensatez a esta velharia mumificada que apesar de adorar deus entregou a satanás a alma em troca de riqueza, razão pela qual continua destruindo os recursos naturais do mundo, indiferente ao futuro das crianças que felizmente despertaram para esta realidade. O novo comportamento juvenil significa que a hegemonia da velharia mumificada tem seus dias contados antes de dar lugar a uma mentalidade arejada da nova geração que desponta. Bem que Thomas Paine disse: “O TEMPO CONVENCE MAIS QUE A RAZÃO”. Prepare-se, pois, para a volta aos sarcófagos ó velhos decrépitos, adeptos de uma política cujo lema é o “venha a mim e aos meus”, política esta tão inviável que transformou os políticos tão odiados pelo povo que nem mesmo os poucos políticos sérios, mas contaminados pela ojeriza contra a parte canalha de seus colegas teriam coragem de aparecer numa feira-livre, sem saírem de lá sob chuva de vaias, ovos, tomates e mesmo pedradas. Em função deste temor, a bandidagem da política se desloca para os locais dos conchavos contra a juventude em jatinhos pagos pelos jovens que já despertaram para a questão do meio ambiente e que logo despertarão para o fato de haver algo extraordinariamente errado na permanência de uma política na qual os políticos são odiados pelo povo.

Sendo a violência motivo impediente de bem-estar, e sendo a política da velharia antissocial de tamanha violência que enquanto crianças morrem de fome alguém toma indiferentemente um sorvete que tem ouro entre os ingredientes, sob a orientação de tal política a humanidade estará condenada a não desfrutar do benefício do bem-estar. Entretanto, para esperança de melhor sorte para as futuras gerações, no mundo inteiro jovens despertam para a necessidade de se preservar o meio ambiente. Mais cedo ou mais tarde toda a juventude despertará para a necessidade de restabelecer a verdadeira função da atividade política que nem de longe é o enriquecimento individual, inclusive às custas do erário. Este movimento jovem significa que em vez da orientação deformadora de caráter que vem sendo transmitida de pai prá filho pela cultura individualista do cada um por si, a meninada está recebendo outro tipo de orientação, o que significará uma geração de autoridades conscientes de sua responsabilidade social porque estes meninos serão as autoridades de amanhã. Desta forma, sendo curto o caminho entre o despertar da consciência ambiental para a consciência política, as futuras gerações terão a felicidade de contar com autoridades conscientes da realidade de ser impossível viver em sociedade com total ausência de preocupação com a vida coletiva como faz a sociedade moderna mais preocupada com a vida depois da morte do que antes dela, como seria correto.

Tal mudança pode ser iniciada com a inclusão de rápida discussão no final de cada palestra, missa, aula, enfim, qualquer reunião, sobre a proposta de Paulo Freire de incluir no sistema educacional matéria capaz de desenvolver na meninada a capacidade de raciocínio. Assim, raciocinando, a molecada não teria de esperar que o tempo a convencesse de haver algo muito errado em sua vida. Importante também seria bisbilhotar sobre o porquê de ter o velho oráculo do presidente encontrado na proposta do grande educador motivo para odiá-lo se ele é respeitado no resto do mundo. Inté.

  

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

ARENGA 589


Ridículo o estardalhaço que se faz em torno de eleição e dos bilhões desperdiçados com esta palhaçada. O destino do povo sobre o qual pesa o ônus de todos os custos sociais, qualquer que seja o resultado das urnas, é um só: ter de contribuir com mais da metade do valor de tudo que precisa comprar a fim de garantir despensa farta para a camarilha de parasitas proclamados vitoriosos pelo resultado de uma eleição totalmente inútil do ponto de vista do bem-estar social, uma vez que o mundo está se transformando num enorme corredor de hospital onde desvalidos clamam por um socorro que não vem. Cabe, então, indagar: para que servem a eleição e os governo se a injustiça assumiu tamanha magnitude que os injustos submetem os justos a tribunais tendenciosos? Sendo a juventude a maior prejudicada pelos desgovernos, em nome da sensatez ela deve fazer algo a respeito. Sair da apatia eterna em que sempre viveu, deixando-se levar obedientemente pela vontade obscena de verdadeiros monstros de cuja boca escorre baba de dragão e que existem unicamente para amealhar mais e mais riqueza. A parasitagem tem tido vida demasiadamente longa. Na página 27 de A Utopia, Thomas More se refere aos parasitas medievais da seguinte maneira: “Consideremos antes o que se passa sob nosso olhar; vejamos o grande número de nobres que, não satisfeitos com sua própria ociosidade, vivem preguiçosamente como zangões, do trabalho dos seus rendeiros, a quem esfolam até o osso, fazendo-os pagar rendas elevadíssimas ...”. Os parasitas são párias sociais porque o conceito de sociedade é incompatível com a avidez individualista destas figuras que apesar de desprezíveis, ditam as regras a serem seguidas por uma juventude que parece não ter vontade própria.

Despontam, todavia, jovens interessados em tais assuntos, o que é fato alvissareiro para quem sonha com um mundo sem tanta indiferença ante o sofrimento alheio. À medida que mais e mais jovens concluírem por si mesmos em vez de esperar que o tempo lhes convença de haver algo errado, sem sombra de qualquer dúvida, será o começo da mudança necessária para mostrar que a vida, se é um jogo, como afirma Jacob Petry, na página 21 de Poder e Manipulação, é um jogo de cartas marcadas a favor de falsos líderes dos quais, infelizmente, uma injustificada falta de interesse da juventude não lhe despertou ainda para a necessidade de descartá-los. O mesmo Jacob Petry, na página seguinte, observa que a humanidade se encontra envolvida por uma cultura morta, mais preocupada em ensinar sobre as revoluções Francesa e Russa, o Princípio de Arquimedes, a descoberta da América ou a teoria da evolução.

Este viés educacional não é mera coincidência. Faz parte da cultura de se dedicar atenção ao passado e ao presente, mas nunca ao futuro. Daí que o fato de se respirar, comer e beber veneno nada significa para jovens pais convencidos de ser necessário para a economia, como afirma a velharia e os jovens acreditam. Não é por outro motivo que o oráculo do atual presidente da república considera Paulo Freire inimigo do governo. O motivo de tal inimizade é ter Freire sugerido a inclusão no programa educacional de matéria que estimulasse nos jovens o raciocínio. Acontece que raciocinar abre brenhas nas trevas do conservadorismo bolorento, permitindo a penetração da luz de ideias novas das quais as mentalidades arcaicas fogem como o diabo foge da cruz. É por isto que os jovens são levados a saber o que pensaram Robespierre, Danton, Marat, Lênin, Stalin, ao tempo em que têm sua atenção desviada de coisas tão simples quanto o porquê da desarmonia se o ingrediente principal de qualquer sociedade é a harmonia. O raciocínio também levará à conclusão inquestionável da Impossibilidade de haver eleições corretas porque para tanto os eleitos teriam de ser escolhidos por um colegiado de sábios, uma vez ser a idoneidade moral a característica dos sábios. Entretanto, enquanto o raciocínio girar em torno de futebola, axé e igreja, descartada fica tal possibilidade, uma vez que a vilania, a sordidez, o ludíbrio da religiosidade e a estupidez das guerras caracterizam o comportamento da humanidade. Inté.




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

ARENGA 588


Entre tantos filósofos e escritores de “Best Sellers” que jogam conversa ao vento, até hoje apenas três deles, Thomas Paine, Carl Marx e Nietzsche deixaram mensagens que se bem analisadas para que fossem observadas e seguidas aliviariam a aflição humana. Quando Thomas Paine afirmou que O TEMPO CONVENCE MAIS QUE A RAZÃO, não fosse a incapacidade de raciocinar da juventude e ela chegaria à conclusão de não haver necessidade de se esperar que o tempo mostre estarem errados comportamento até então tidos como corretos, o que pode ser descoberto pela própria pessoa. É apenas uma questão de raciocinar. Desta forma, sendo a juventude a força que move o mundo, meditando ela sobre a vida e as palavras do filósofo Paine chegará à conclusão de haver erros imensos a esperar que o tempo as desmascare. A guerra é um belo exemplo de erro que o tempo ainda não conseguiu convencer ser um mal irreparável. Assim, em vez de esperar, a força viva da sociedade humana precisar meditar sobre o absurdo de se ter de viver coletivamente e brigando ao mesmo tempo. Da mesma forma, não há motivo para esperar que o tempo convença de não haver razão para deixar seu destino ser decidido por velhos amorais, movidos por interesses opostos àqueles que interessam aos jovens tais como a acumulação de riqueza num lugar e miséria nos demais lugares, visto ser isto uma fonte de conflitos. Nem há justificativa para os gastos astronômicos com máquinas de destruição e os templos fabulosos que abrigam os inimigos que parasitam a sociedade. É por esperar pela ação do tempo que o erro da Inquisição permaneceu por mais de quinhentos anos até que fosse defenestrado pelo inevitável esclarecimento que o tempo trouxe e mostrou a barbaridade daquela instituição absurda que afirmava agir em benefício do condenado à fogueira uma vez que tirava sua alma das garras de satanás e a entregava nas mãos divinas de deus. Assim, não há motivo para esperar pelo convencimento do tempo para se perceber o que está errado porque o raciocínio pode fazer isto em tempo de evitar os estragos que os falsos líderes impingem impiedosamente à juventude e seus descendentes. O filósofo brasileiro, Jacob Petry, provando que esta terra não dá origem apenas a canalhas, disse na página 9 do seu livro Poder e Manipulação ter sido tomado de tamanho espanto quando jovem ao tomar consciência de como somos manipulados pelos falsos líderes que teria exclamado admirado: “Meu DEUS, COMO SOMOS OTÁRIOS! ELES USAM ESSAS ESTRATÉGIAS O TEMPO TODO CONTRA NÓS, SEM SEQUER PERCEBERMOS!”. Assim, para não ser otário, é suficiente se ligar no sentido das palavras do filósofo, lendo Senso Comum.

Se Thomas Paine lembrou à humanidade de algo de tal magnitude, Carl Marx não deixou por menos quando advertiu sobre a realidade de que OS FILÓSOFOS SE RESUMEM A ANALISAR O MUNDO QUANDO AQUILO DE QUE REALMENTE SE FAZ NECESSÁRIO É MODIFICAR O MUNDO. De fato. É realmente necessário mudar este mundo onde o mal supera o bem de forma tão espetacular que pessoas morrem de fome enquanto outras pessoas pagam quantias exorbitantes por uma refeição contendo ouro, nos restaurantes de Dubai. E para que absurdo maior do que usar tão mal a riqueza existente que jovens são transformados inexplicavelmente em multimilionários? Nossa sociedade, então, escancarou para a juventude do mundo as janelas da necessidade de mudança vez que aqui foi aprovada uma lei que obriga a juventude a pagar advogados para defender os ladrões que roubam o povo e os desordeiros passam a ter supremacia sobre os ordeiros.

Por último, vem a observação de alcance monumental do filósofo do bigode de vassoura, Friedrick Nietzsche, quando advertiu ao mundo a grandiosidade do mal decorrente da religiosidade. Ela é parceira da política na maldade de explorar a estupidez humana. Nietzsche advertiu quanto a esta realidade ao dizer que a religiosidade é a Circe da humanidade. Aqui o filósofo foi de uma clarividência própria de sua genialidade porque assim como a feiticeira Circe da obra de Homero transformou em porcos os companheiros de Ulisses, a religiosidade também transforma seres racionais em irracionais ao convencê-los da existência de um deus nunca visto por ninguém, todo poderoso, que os espera de braços abertos no céu. Só mesmo não raciocinando por si próprio, mas adotando o raciocínio de salafrários estelionatários para que alguém possa depositar esperança numa vida depois da morte. Logo estes ladrões convencerão a malta ignorante a fazer como os antigos egípcios que entregavam fortunas a seus sacerdotes para que a usassem na manutenção de seus espíritos. Inté.  




segunda-feira, 8 de julho de 2019

ARENGA 587


No que diz respeito à superação das injustiças sociais, tema que deveria merecer o melhor das preocupações dos seres humanos posto que sem isto jamais será alcançado o bem-estar por todos desejado, em vez de haver progresso, há regresso. Se no século XIX Marx convocava os trabalhadores do mundo para que se unissem na luta contra a estupidez humana do individualismo egoísta, e se na primeira metade do século XX Politzer dizia que os trabalhadores queriam saber a causa da injustiça social (isto consta da página 16 do livro Princípios Fundamentais de Filosofia), é porque tanto Marx quanto Politzer, dois grandes pensadores, tinham motivo de esperança em que a classe trabalhadora viesse a realizar o ideal de engendrar uma sociedade menos injusta. Mas, e hoje? Pode alguém contar com a massa bruta de imbecis para outra coisa que não seja espernear no futebola e no axé, quando não estão conversando com estátuas como faziam os Vikings, ou virando a bunda para o céu em orações, ao tempo em que se destroem mutuamente por discordar da maneira de agradar a um deus tão medíocre que faz questão de ter o saco babado? Qualquer atitude inteligente desta massa bruta está fora de cogitação porque sua capacidade de raciocinar decresce à medida que cresce a sofisticação dos meios de comunicação pertencentes aos ricos donos do mundo aos quais interessa um povo domesticado que lhes segue como os cãezinhos seguem ao babacas que lhes puxam pela cordinha, e de mentalidade tão medíocre a ponto de ser convencido de que esfarrapados mentais são celebridades, e que se deixa envolver completamente pela ação destruidora de inteligência do pão e circo que se manifesta de forma espetacular nos assuntos do Yahoo Notícias sobre as mediocridades ali tratadas de celebridades, assuntos que apesar de chulos absorvem a atenção da pobre juventude alienada.

Como haveria de se comportar esta triste juventude futucadora de telefone para avisar às rádios onde está chovendo ou congestionado o tráfego, diante de um exercício de redação sobre estas questões levantadas pelo Grande Mestre o Saber Georges Politzer: “POR QUE ESTUDAR FILOSOFIA?”  e “QUE FILOSOFIA ESTUDAR?” Certamente levaria uma nota abaixo de zero. A pobre juventude foi propositalmente arrastada a uma mediocridade mental tão monumental que tanto desconhece a necessidade de pensar quanto que filosofar significa pensar. Acostumada na mediocridade dos papagaios de microfone sobre as bundas e as trepadas das “celebridades” a mente dos jovens se tornou incapaz de pensar que a qualidade do futuro a esperar por eles depende de coisas muito mais importantes do que riqueza. É por isto que o Grande Mestre do Saber recomenda a necessidade de pensar.

Quanto à segunda pergunta do Mestre, deve-se pensar sobre um tipo de vida condizente com dignidade porquanto a capacidade de raciocinar, privilégio do ser humano, assim o exige. Entretanto, cadê a dignidade se a vida das pessoas é até inferior à vida das bestas uma vez que estas não se matam por riqueza como fazem os humanos? Inté.