terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PORQUÊ DA VIOLÊNCIA

Não se trata de presunção querer explicar a violência. Apenas repito o que aprendi nos ensinamentos que pessoas inteligentes deixaram nos livros. Eles nos mostram que nossos males decorrem da infantilidade humana. Como as crianças, os adultos também adoram soltar foguete e destruir coisas. Verdade que esta infantilidade diminui dia-a-dia, porém, ainda nos mantém tão longe da realidade da vida quanto nossos antepassados ao acreditar ser a terra quadrada. O desconhecimento da realidade (inocência) que leva a criança a enfiar o dedo na tomada elétrica, também faz os adultos se estabelecerem sobre um arsenal nuclear na certeza de ser este o procedimento correto para se ter paz. Como dormir em paz ao lado de bombas atômicas?
A estupidez da humanidade levou o sábio Leonardo da Vince a dizer as seguintes palavras sobre nós (ou contra nós?). Foram estas as duras palavras do mestre: “Os que se acomodam ante os desmandos não passam de condutores de comida, os únicos rastros que deixam de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias”.
Devíamos nos envergonhar de merecer tal reprimenda por aceitarmos os desmandos do mundo! Somos indiferentes ao sofrimento de nossos irmãos, pessoas com os mesmos sentimentos e necessidades que nós! Com a desculpa de livre arbítrio todos pensam que podem ficar tranquilos quanto à indiferença com que contemplam crianças berambulando pelas ruas. Crianças que nunca ouviram uma palavra de carinho! Criança não pode ficar na rua sozinha!
Conselhos sábios não devem esperar por pedidos. Os mestres do saber nos mostram que nossa sociedade é ruim porque o comportamento atual das pessoas é exatamente o contrário daquele comportamento que levou as pessoas a sentirem necessidade de viver juntas. A cooperação entre elas lhes facilitaria a vida. Mas eis que a competição substituiu aquela cooperação inicial de modo tão violento que ainda justifica a expressão de ser o homem o lobo do próprio homem. É por isto que nossa sociedade é vítima de uma infelicidade maior a cada dia. Nenhuma sociedade pode ser normal com desavenças entre seus membros.
Um destes conselhos sábios nos dá o filósofo Sam Harris, no livro Carta a Uma Nação Cristã, pág. 16. Ao constatar que mais da metade do povo de seu país ainda pensa que o universo foi criado há apenas seis mil anos, quando a ciência prova a existência de coisas com centenas de milhares de anos. Não deixa de ser estranho tal comportamento. Não parece coisa de quem pensa acreditar mais em algo de que só se tem notícia do que em algo cientificamente provado.
Quem se dedicar a pensar sobre o assunto de maneira independente, acabará concordando com o filósofo. Inocência é o contrário de experiência, e é notória a superioridade da experiência sobre a inocência quando se trata de se construir alguma coisa. Não há outra explicação por termos uma sociedade tão mal construída senão a ingenuidade de acreditar que para se ter paz é preciso preparar-se para a guerra. Só a aceitação de desmandos faz com que se encare sem indignação a ocorrência de disparos ouvidos em meio a uma programação de rádio, mas que era a inaceitável realidade de alguém sendo morto na rua, em frente à estação que transmitia o programa.
O comportamento da sociedade atual é o mesmo da Idade Média, quando as pessoas que compunham a fina-flor da sociedade tinham como única preocupação apenas caçar e cobrar impostos para gastar em festas. Não é demais repetir, portanto, ser o resultado da falta de amadurecimento mental, ou seja, a inocência da realidade que nos cerca, a causa de tanto choro.
Um mundo que gasta montanhas de dinheiro em armas para ter paz, já por este comportamento demonstra insanidade. Demonstra insanidade ainda maior ao alimentar a fonte da violência que é a exclusão social. Isto significa que a inexperiência nos leva ao comportamento irracional do cachorro correndo atrás do próprio rabo. Fazemos a guerra para obter a paz e acabamos com a paz ao produzir miséria e a violência. Então, o que dizer de tal construção, senão ruim?
A próxima geração terá oportunidade de constatar se o filósofo tem razão. Se as coisas estiverem bem quando forem adultas as crianças que as mães carregam hoje em seus ventres, aí estará provado o erro do filósofo por não acreditar que a proteção divina salvaria as pessoas dos eventos funestos anunciados pela ciência. Porém, e se o filósofo estiver certo?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DESEDUCAÇÃO

DESEDUCAÇÃO

TRISTÃO E ISOLDA, de que falamos da última vez, é uma lenda medieval. Ainda criança, portanto muito longe ainda de conhecer Isolda, Tristão foi entregue por seu tutor, gente da nobreza, ao sábio mestre Gorvenal para que lhe desse uma educação esmerada. Tristão foi muito bem preparado para o mundo daquela época. Foi muitissimamente (o computador não quer esta palavra, não) bem preparado nas artes marciais, o que convinha porque as guerras de conquista de territórios eram comuns naquela época e ser bom guerreiro era o melhor que um pai podia desejar para um filho.
Agora vamos ao ponto onde se tocam a educação do Tristão e nossa cultura de “levar vantagem” que tanto infelicita a humanidade. Embora a humanidade não saiba, ela carrega consigo uma infelicidade mascarada pela inocência da juventude e que tem origem no comportamento das pessoas orientado por um sistema educacional deformado.
É que a educação moderna, como a da Idade Média, também prepara as pessoas para a guerra. Uma guerra de conquista. Conquista de um troço esquisito chamado mercado, adorado pelos governos. Consiste em comprar e vender coisas, com ênfase no “vender”. É tão esquisito que todos os países querem vender e nenhum quer comprar.
As pessoas são educadas em cada país de todo o mundo para serem boas na conquista de mercados. As armas destes soldados, em vez de lança, espada, etc., são armas com poder de destruição mais eficiente do que os arsenais nucleares porque elas destroem a alma das pessoas sem matá-las. Transforma-as em zumbis programados para perseguir riqueza e nada mais. Ao nascer uma criança, trata-se logo de iniciá-la numa religião e abrir-lhe uma poupança bancária, ambas providências negativas. O primeiro procedimento é condenado pela professora da Universidade Católica de Campinas, Marilda Novaes Lipp, Ph. D. em psicologia. Ela não condena a religião em si, mas a maneira como ela é ensinada às crianças atualmente (esta importante matéria está na revista Isto É, de 7 de maio de 1997). O segundo procedimento também é negativo porque leva à ambição e ganância. O dinheiro, do mesmo modo que dá bem-estar também dá infelicidade quando vira obsessão. Somos educados para valorizar apenas o TER em vez do SER. Nenhum pensamento quanto à possibilidade de uma vida menos infeliz onde as pessoas comportam como se se odiassem mutuamente ou mesmo a si próprias. A indiferença das pessoas ante tantos desatinos como cheirar bufa de ônibus e danificar a audição, atinge as raias da estupidez. Todos os males que nos infelicitam decorrem de um único mal: o mau uso do dinheiro público. Basta dar uma olhada no site IMPOSTÔMETRO.ORG.BR para se ver a quantidade de dinheiro existente.
A infantilidade de nossas mentes pode ser avaliada pela conversa que tive com uma senhora a quem não via há mais de trinta anos, ainda mais velha que eu e que fora criada em nossa casa. Criatura simples e analfabeta, mas de uma integridade moral suficiente para limpar Brasília. Religiosa como toda criatura simples. Fomos irmãos até os meus cerca de dezesseis anos, época em que, uns mais outros menos, éramos todos quase analfabetos e com o mesmo modo de pensar. Um dia nos separamos por um período muito longo. Depois de alguns reencontros, conversas, lembranças e muitas saudades, esta minha irmã, que tem um tempero maravilhoso para preparar um peixe, estranhou minha maneira de ser tão diferente da maneira de outros tempos, principalmente em religião, e falou: “Ué, Zemaro, por que você tá desse jeito, se você não era assim?”
Ao perceber que o raciocínio daquela adorada criatura permanece o mesmo do tempo de juventude me fez refletir muito sobre a vida. Pensar que já acreditamos nas mesmas coisas e que tínhamos os mesmos costumes! Dois seres com as mesmas crenças e aspirações no passado, atualmente com idéias completamente opostas em virtude do tipo de aprendizado e do ambiente em que viveram.
Com a finura e sensibilidade que me caracterizam, respondi: “Olha, você não passa de uma idiota. O que me faz pensar diferente de você é um montão de conhecimento que adquiri lendo nos livros. Pessoas inteligentes aprenderam sobre a vida através de muito estudo e observação e deixaram escritas estas observações para quem quiser aprender as coisas que eles descobriram. Como você não teve oportunidade saber ler e nem conviveu com pessoas que pensam de outro modo, continua igualzinha àquele tempo em que nosso conhecimento cabia num dedal. Porém, você e todo mundo mais dá valor ao estudo. Tanto é verdade que colocou todos os seus treze filhos na escola. Então, uma vez que você e qualquer pessoa que não seja muito burra valorizam o conhecimento, você devia aceitar o meu modo de pensar porque ele se baseia em muita leitura e só pela leitura se obtém conhecimento de verdade em vez destas mentiras que você tem na cabeça oca.” “Pois então,” continuei, “só há vantagem em aprender nos livros sobre a vida. Basta ler o que sábios escreveram que a gente ganha um pouquinho de sabedoria. Agora, presta atenção e me diga como é que se explica o fato de uma pessoa que nunca leu coisa nenhuma contradizer as afirmações de sábios como Einstein?” Com cara de nenhum convencimento ela retrucou: “nunca vi falá desse Istái”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

NARIZ NÃO É CHAMINÉ, OUVIDO NÃO É LATA DE LIXO

Quem observa os ensinamentos da escola da vida e ainda não foi contaminado pela indiferença perversa que domina o relacionamento entre as pessoas, levando-as a se portarem como verdadeiros inimigos, ao observar o comportamento das demais pessoas, haveria de sentir o mesmo incômodo que sentiria ao ver alguém em perigo, mas sem poder ajudar.
Quem permanece o dia todo no centro de nossa cidade, principalmente na Régis Pacheco, Dois de Julho e terminal dos ônibus, reduz a cada dia a capacidade de respirar e ouvir. Estas pessoas se acostumaram de tal modo à fumaça e ao barulho que já não sentem mais incômodo algum embora os danos à saúde sejam os mesmos verificados em alguém como eu, acostumado ao ar menos venenoso porque morei os últimos vinte e cinco anos na zona rural, senti-me sufocado e tive de desistir do que ia fazer e sair rápido das imediações da sinaleira no cruzamento da Regis Pacheco com a Fernando Spínola, tal o mal-estar causado pela fumaça negra que me queimava o nariz e garganta.
Entretanto, aquelas pessoas que não parecem se incomodar, estão preparando uma velhice com falta de respiração e audição, o que é um sofrimento imenso. Só quem já viu um velho na agonia da falta de ar pode imaginar o que seja. E embora os jovens não acreditem que vão envelhecer, podem estar certos de que vão, sim. A vida, aliás, é um constante envelhecer. Estamos constantemente perdendo células, de modo a tornar a quantidade delas insuficiente para nos manter com o mesmo jovial aspecto, e à medida que o organismo vai perdendo a capacidade de repor as células que morrem nosso organismo definha a cada pulinho do ponteiro de segundos, num constante envelhecer, até à morte de todo o organismo.
Por que as pessoas não se incomodam em respirar veneno e danificar a audição com o barulho infernal dos carros de propaganda, preparando para si uma velhice mais infeliz do que ela precisa ser? Por dois motivos. Ambos com origem na inocência a que leva o despreparo mental. As pessoas pensam que vão permanecer como estão agora para sempre, mesmo respirando veneno, e isto é uma burrice de todo tamanho. Por acreditar ser duradoura a saúde é que só se preparam para o futuro em termos de dinheiro. Os precavidos procuram acumular dinheiro para custear as despesas com a manutenção física. Porém, tão importante quanto isto é a preparação mental, psicológica, espiritual, ou o que for, contanto que se tenha alguma preparação para o envelhecimento, coisa que o sistema educacional deformado não fornece. Prepara as pessoas apenas para o trabalho que produz riqueza, nunca para a vida.

Se as pessoas que respiram aquele ar putrefato pudessem enxergar a si próprias no futuro, certamente procurariam se mexer de alguma forma para mudar o rumo das coisas. Só a inocência justifica a indiferença aos comportamentos dos quais resultam sofrimentos. A inocência não deixa o povo perceber que pode mudar o rumo do caminho pelo qual caminha.
As pessoas que passam todo o dia no centro da cidade um dia estarão meio surdas e, mais tarde, surdas. O ouvido acostuma com aquele inferno, mas os danos são irreversíveis e o conformismo demonstra desinteligência. É incompreensível que alguém passe todo um dia, uma semana, um mês, anos, respirando veneno e ouvindo barulho indiferentemente aos perigos que lhe rondam.
O problema do barulho, este é facílimo de resolver. O barulho que não me deixa raciocinar me levou a pedir providência ao vereador Miguel Felício, homem verdadeiramente ligado aos problemas sociais, que me disse estar trabalhando no sentido de fazer cumprir a Lei do Silêncio.
Se a mentalidade das pessoas lhes permitisse outros interesses além do mundo corrupto do futebol, bastava não freqüentar as lojas cujo estardalhaço danifica o aparelho auditivo para acabar com o barulho. Além disso, Podemos interferir na política de várias maneiras. Podemos ajudar as autoridades apontando-lhes defeitos na administração a fim de serem corrigidos, como fiz eu ao procurar a autoridade responsável para pedir providência contra o barulho. Podemos até propor a criação de leis.
Aprendi com pessoas inteligentes que a indiferença das pessoas ante os mal-estares que a todos afligem é a causa da perpetuação destes desconfortos, e, realmente, não podia ser de outra maneira. Pessoas orientadas pela cultura do "levar vantagem" acabam produzindo desvantagem coletiva como a infelicidade do medo de violência que a todos assombra. Não se pode esperar outra coisa de pessoas com mentalidade tão curta a ponto de danificar seus corpos numa busca inexplicável ao culto à beleza.
No primitivismo, quando a manutenção da vida era mais difícil porque a alimentação dependia da caça e coleta, justificava-se a primazia das preocupações com os bens materiais. Na atualidade, porém, depois da agricultura e domesticação dos animais, podemos muito bem dedicar algum tempo na busca de um modo de vida sem tanto sofrimento. Mas a ganância pela posse de bens materiais presente em todo ser humano supera de longe a preocupação com um bom relacionamento e isto haverá de levar a uma infelicidade sem fim porque o planeta não dispõe de recursos materiais capazes de promover a riqueza de toda a humanidade, e a parte que ficar de fora, como já se pode verificar, procurará de todos os modos buscar os meios de sobrevivência onde quer que eles estejam e por quaisquer meios, resultando desta busca o desassossego no qual já nos encontramos mergulhados. E olha que a coisa está apenas começando!
Quando o maldito carro de propaganda do G.Barbosa interrompeu minha leitura da lenda Tristão e Isolda, estava eu a meditar sobre uma passagem da leitura, referente à educação do personagem Tristão. O primor de educação dispensada a um príncipe, o Tristão, nos dá uma perfeita amostra da causa de nossa absurda cultura da violência, sobre o que falaremos em outra oportunidade porque o ato de escrever me é penoso pelo cansaço que causa o desconhecimento do vernáculo, principalmente as vírgulas, as quais decido no par ou ímpar. Caso algum dos cheiradores de bufa de ônibus tenha tido saco de ler esta baboseira até aqui, voltaremos à lenda medieval de Tristão e Isolda e a relação entre aquela história e nosso modo estúpido de viver.
A Editora Martin Claret lançou uma coleção denominada Obra Prima de Cada Autor. São livros baratos. Este contendo a lenda custou nove reais. Atualmente já custa um pouquinho mais, mas vale a pena. Só a leitura, a boa leitura, poderá fazer de nós seres menos idiotas. Inté.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A JUVENTUDE E O FUTURO

A JUVENTUDE E O MUNDO
Considerando que daqui a cinqüenta anos apenas existirão sobre a face da terra os atuais jovens, e que o índice de maior ou menor agradabilidade do ambiente em que viverão dependerá do procedimento que estas pessoas mantiverem em suas inter-relações, ou seja, na nos modos pelos quais as pessoas se relacionem entre umas e outras. Se dos procedimentos atuais resulta uma sociedade como a nossa onde se ouve dizer que a pessoa sai de casa sem certeza de voltar viva, é porque as pessoas que compõem esta sociedade não estão tendo o comportamento adequado para resultar em uma sociedade diferente, onde não houvesse medo.
O irrefutável e conhecido fato de ser o nível cultural e educacional de cada um dos componentes de um grupo o determinante do comportamento do total destas pessoas, ou seja, o comportamento social, fica evidente que o sistema educacional está errado porque o normal seria que as pessoas procedessem de modo a viverem em harmonia porque em qualquer circunstância a paz é melhor que a violência, quando as pessoas são normais.
É por isto que vocês, jovens, para seu próprio bem e de seus descendentes, precisam pensar. Se a ciência (e vocês são estudantes, afetos, portanto, às ciências), está a nos mostrar desastres decorrentes do atual comportamento, não se compreende a atitude de total indiferença ante os desmandos que comprometem o futuro de vocês. O comportamento da juventude se assemelha ao de moradores de um prédio em ruínas e indiferentes ao risco. Não esperem pelo desabamento do único prédio capaz de oferecer guarida, o planeta. Lembrem-se de que ele Já corre perigo. Se nosso comportamento é orientado pela educação recebida, uma criança que vê o pai extasiar-se pela emoção de uma corrida de carro, por exemplo, ganha a certeza de ser aquilo algo maravilhoso e este aprendizado vai terminar nos “rachas” que tem feito alguns paraplégicos. Se não há a menor dúvida quanto ao fato indiscutível de ser o aprimoramento educacional o único fator capaz de produzir uma sociedade onde se possa viver em paz, com a sinceridade de quem só lhes deseja harmonia e uma vida agradável, isto porque também tenho descendentes, digo-lhes que só terão a ganhar com a leitura de um artigo do grande jornalista Alex Ferraz, publicada no jornal Tribuna da Bahia de 08/12/2010, que pode ser lida na internete. Ao abrir a página sobre A Tribuna da Bahia, clique em “página inicial e escolha a opção “colunistas” lá no alto. Clique em “Alex Ferraz” e não deixe de ler a matéria intitulada O Pior de Todos os Males deste País. Lá vocês perceberão a maldade que é feita com vocês.
Certa vez, ao fazer referência ao despreparo dos jovens participantes do programa Yahoo Perguntas e Respostas, onde eu participava como Pensador, fui criticado por um jovem que teria visto algum tipo de desmerecimento nas minhas palavras. Não é isto. O atual sistema educacional capenga e defasado não lhes pode dar uma boa formação porque ele que devia ser movido por um Estado verdadeiramente interessado no melhor futuro possível para sua juventude, passou a ser interesse de empresas cujo único objetivo é ganhar dinheiro. Nenhum interesse no futuro de ninguém. O atual sistema deseduca. Prova disso é o modo como são maltratados os professores, tanto pelo Estado que permite a um chutador de bola receber salário mais de mil vezes superior ao salário de um professor, quanto pelos alunos que deviam lhes ser gratos por lhes ensinar algo sobre o enfrentamento da vida.
Enquanto vocês espetam espetos no corpo e detestam política, o órgão representativo da classe estudantil é transformado em antro de pelegos e é desbaratado o dinheiro de remunerar professores para que possam se dedicar integralmente à tarefa de lhes preparar eficientemente como cidadãos e técnicos capazes de evitar a contratação de estrangeiros em virtude de deficiência em nosso pessoal. Se você leu isto, não sabe o quanto aprenderá com a matéria sugerida. Boa leitura, boa sorte.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

OS JOVENS E O FUTURO

OS JOVENS E O FUTURO

Algum pai ou mãe, pelo menos uma destas futuras mães estreantes que passam ostentando com orgulho sua barriguinha, teriam pensado no tipo de ambiente em que irá seu filho viver? Os jovens barulhentos na saída das escolas, mais dia menos dia, todos serão pais e mães que irão cuidar de sua cria com zelo, dedicação, muito trabalho e despesa, almejando para ele futuro glorioso com muita felicidade. É o que todo pai normal e mãe almejam para seus filhos.
Estes jovens, entretanto, só conhecem o mundo de hoje, este do presente. O mundo de dez anos atrás, porém, era diferente do de hoje e o de vinte anos atrás era ainda mais diferente. E em que consiste esta diferença? Na deterioração da qualidade de vida. É aqui, jovem despreocupado, que você precisa colocar alguma responsabilidade no lugar de algumas brincadeiras e pensar um pouco na possibilidade de chegar a sociedade em que vivemos a uma condição de pobreza e violência tão grandes que não deixem espaço para a felicidade de seus filhos.
Vinte anos antes de hoje podíamos andar despreocupados pelas ruas nas madrugadas. Dez anos antes de hoje já seria perigosa tal empreitada, e atualmente é quase impossível que isto aconteça sem ocorrer alguma violência. A escala ascendente de violência levará a sociedade à desintegração e a juventude estará cometendo crime de omissão contra seus descendentes ao não procurar evitar tal desfecho.
Os bens materiais existentes no planeta são os únicos meios capazes de proporcionar o bem-estar necessário à existência da paz e de uma vida menos infeliz, onde haja possibilidade de trabalho e que as pessoas possam ir lá trabalhar e voltar vivas para casa. Entretanto, tais recursos estão a serviço de poucas pessoas. Àqueles que não integram o clube dos ricos, apenas as sobras, se houver.
Há algo de muito errado com quem não percebe a iminência do desastre resultante do modo como está sendo conduzida a administração dos bens materiais do mundo, e os jovens estão permitindo que velhos acostumados a um tempo que já não existe mais continuem a agir como se houvesse apenas eles com necessidades a serem atendidas. São tantas as pessoas infelicitadas pela exclusão social, origem da violência que era menor a vinte anos atrás, mas que vem crescendo assustadoramente a ponto de não se poder saber como será o amanhã, quando apenas os jovens de hoje estarão por aqui?
O mundo ficou muito ruim. Foi reduzido a atividades de produzir dinheiro, fábricas que transformam o planeta em quinquilharias e abarrotam o mundo de lixo e doenças. Os economistas, serviçais dos velhos ricos e donos destas fábricas, de mentalidade superada, vivem a repetir como papagaios coisas que para nós não tem qualquer significado. Bolsa de Valores, cotação de moedas estrangeiras, spread bancário, taxa de câmbio, saldo de balança comercial, importação e exportação, nada disto tem a ver com o povo que é quem move o mundo. Portanto, jovens, para seu próprio bem e de suas futuras crias, lembrem-se que vocês são povo e, portanto, de fora do clube das pessoas que desfrutam do bem-estar proporcionado pela riqueza produzida por vocês quando estiverem trabalhando como hoje fazem seus pais.
Todo jovem deve incluir em suas conversas comentários sobre a situação ora vivida em que apenas alguns gatos pingados desfrutam de toda a riqueza do planeta e disto resulte muita infelicidade e violência. Se os jovens de 1964 exageraram ao enfrentar de mãos limpas soldados armados e morrerem nesta luta inglória, os jovens de hoje também exageram ao permitir serem liderados por velhos e que a entidade de classe dos estudantes seja transformada em recinto de pelegos, como fizeram os jovens trabalhadores com os seus sindicatos.
Não há arma mais poderosa do que o pensamento. Só que para haver ação resultante do pensamento é necessário que se pense. Se os jovens de outras épocas podiam se dar ao luxo das brincadeiras por mais tempo, os de hoje não podem porque sua sobrevivência está em perigo e a correção de rumo necessária no destino da sociedade deve interessar sobremaneira aos jovens. Fatos demonstrativos do absurdo ora vivido estão aí de sobra para lhes incentivar o raciocínio, o lucro dos bancos, por exemplo, expõem tal distorção que ficaram sem jeito e mudaram o nome para spread a fim de disfarçar a roubalheira. O Banco do Brasil teve um lucro de dois bilhões e seiscentos milhões nos últimos três meses apenas. O Banco Itaú, três bilhões no mesmo período. O Banco Bradesco, dois bilhões quinhentos e vinte mil; Banco Santander, um bilhão novecentos e trinta milhões. Como é possível angariar tanto dinheiro em tão pouco tempo sem se produzir coisa alguma, apenas especulando com agiotagem? Motes para discussão não faltam. Se a Constituição Federal, que é a bíblia a ser observada pela administração pública, estabelece que todos somos iguais perante a lei, por que não somos, então? Ela também impõe que todas as pessoas tenham direito à educação, saúde, segurança, moradia, alimentação e lazer. Entretanto, como pode uma família de quatro pessoas ter estas coisas com o salário mínimo? Bagunça é o que não falta como se pode constatar pela presença de balas perdidas, de crianças de rua, de países estrangeiros usarem nosso território como depósito de lixo, do rouba escancarado do dinheiro público sob a indiferença popular, pelos salários de categorias importantes para a sociedade comparados com os salários de jogadores de bola.
É, moçada, tá na hora de botar a cabeça para girar em torno de coisas mais sérias que espetar espetos e veneno no corpo, além de promover a própria surdez com o volume do som nos carros.

domingo, 17 de outubro de 2010

Por que eleições causam tanto alvoroço?

Porque é uma corrida para o único paraíso existente, o mundo das autoridades. Lá, nada falta. Ao contrário, sobra. O lixo das casas das autoridades, como revelou o trabalho de repórteres bisbilhoteiros, contém sobras de iguarias finas e caras.

Se a autoridade é acometida de alguma doença para a qual existe solução, onde quer que ela esteja virá até a autoridade. O Estado banca tudo. Abastecimento da dispensa, copa, adega, cozinha, sanitários, guarda-roupa, jardins, piscinas, mansões, palácios e tudo o mais de que alguém possa necessitar para uma vida de luxo e riqueza, cai tudo milagrosamente nas mãos das autoridades. Deve ser este o motivo pelo qual as autoridades tanto zelam pela crença nas divindades. A violência que a todos amedronta não amedronta as autoridades porque elas estão sempre protegidas por homens armados e treinados para defender suas excelências. Obrigações trabalhistas? Não atingem as autoridades. O Estado banca as milhares de pessoas que subservientemente se esforçam para servir da melhor maneira as autoridades. Nenhum membro da família das autoridades que precisa de emprego fica desempregado. O Estado não deixa. O valor do ganho e a duração do tempo de trabalho e as folgas das autoridades são estabelecidos por elas mesmas. Se alguma autoridade é empresário, sua empresa tem à disposição os recursos dos bancos oficiais. Para viajar, as autoridades não encontram problemas. Aquelas que não tem seu avião particular tem amigos que tem e que estão sempre dispostos a emprestá-lo. Para locomoções de pequenas distâncias as autoridades tem à sua disposição carros novos, combustível e motoristas. O Estado banca. Não é difícil entender o porquê das brigas pelo posto de autoridade.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

REFLEXÕES

“Vida de gado. Povo marcado, povo feliz” (Zé Ramalho).

Razão tem o poeta. Não há diferença entre o comportamento do povo e o da manada. Ambos caminham por onde determina seu dono. O povo age como se fosse seu próprio inimigo. Não tem interesse nas coisas que podem melhorar sua vida. Ao contrário, vive como se a juventude não acabasse e só quer saber de festas, indiferente ao futuro que a ciência anuncia. Aplaude, como criança, a queima do seu dinheiro em fogos. Dinheiro esse que fará falta na hora de comprar os remédios que a velhice exigirá. Sofre quando o filho se arrebenta num “racha” sem saber que ele foi um dos incentivadores desta tragédia ao aplaudir como herói outro idiota programado para dirigir carros a duzentos e cinqüenta por hora. Nosso povo gosta tanto do primitivismo que vive a imitar como macaco. O jornalista Mauro Santayana disse que nosso povo ainda sente pelo estrangeiro o mesmo deslumbramento que os silvícolas sentiram ao contemplar a chegada dos homens brancos e seus navios vindos do mar. Nosso povo ainda é tão deslumbrado pelo estrangeiro que bicicleta é cafona chique é como dizem os americanos: “bike”. Lugarzinho de papo? Que qui é isso? É “point”. O prédio onde moro se chama “Maison Du Soleil”. O vizinho é “La Lune”. Não há uma só rua sem ostentar orgulhosamente palavras “chiques”. Perguntei certa vez ao dono de uma oficina mecânica o significado do nome da oficina (Brack Car) e ele respondeu que era Carro Preto em “ingreis”.

Esta coisinha aparentemente simples de adotar cultura alienígena contribui em muito para o atraso do desenvolvimento mental que dá origem à nossa situação de eternos colonizados, enquanto o povo se orgulha de ser o Brasil conhecido pelo bom futebol, sem saber que seu país é visto como um lixão onde outro país joga seu lixo e é tão respeitado que seu ministro tirou os sapatos para ser revistado no aeroporto de Nova Iorque como se fosse um malandro qualquer, e nós, brasileiros, somos muito mal vistos no exterior e somos chamados de “cucaracha” (barata) sem que isto diminua o orgulho dos “cucaracha” ao dizer que vai para o exterior.

Se eu, semi-analfabeto até aos quinze anos aprendi a raciocinar, qualquer um também pode. Já é hora de botar a cabeça para pensar sobre nosso comportamento porque ele nos expõe ao ridículo pelas qualidades observadas pelos atores americanos.

Qual a necessidade que há em se retirar milhões de animais do seu ambiente, aprisioná-los e assumir um custo fabuloso para mantê-los em cativeiro só para serem vistos? Encontrar diversão na cena grotesca de espancamento mútuo entre duas pessoas no ringue é de uma mentalidade tão estúpida quanto a daqueles que se divertiam vendo leões devorando os cristãos.

A capacidade de suportar barulho presente no povo demonstra falta de sensibilidade e grosseria decorrentes do modo de vida estúpido de produzir e consumir que não permite o surgimento da sensibilidade. Do mesmo modo, os momentos de lazer são preenchidos com coisas sem qualquer ligação com o desenvolvimento do intelecto. Absorvem as pessoas por informação as baixarias da televisão e por ordem dela adoram nulidades a quem transformam em reis e rainhas e providenciam para que se tornem milionários enquanto elas mesmas, as pessoas que enriquecem as nulidades, vivem no sufoco.

As pessoas devem saber que não nos cabe apenas obrigações. Também temos direitos e é preciso recebê-los. De nada adianta ser proprietário de algo que não se tem. Pode-se ser exigente sem necessidade de violência. O barulho ensurdecedor que está na cidade nesta campanha eleitoral vai prejudicar a audição das pessoas. Mas elas não precisam arrebentar os aparelhos. Basta ir à prefeitura e exigir o cumprimento da Lei do Silêncio. Existe uma lei que proíbe barulho acima do suportável sem dano para a audição. Chama-se Lei do Silêncio. Mas as pessoas preferem ser versadas em assuntos de futebol. Orgulham-se por ser amigo ou saber sobre a vida de algum “figurão” do mundo da bola. É hilariante o ar de orgulho e superioridade assumido por alguém em traje completo de jogador de bola.

É igualmente ridículo quando em um bar qualquer a televisão lá no alto anuncia algo sobre futebol e as pessoas para lá se dirigem apressadas e demonstrando grande interesse no que vai ouvir com a cara para cima.

Se a humanidade não vivesse a destruir o que construira até então, já teríamos alcançado uma civilização pacífica. Os gastos com homens e armas seriam suficientes para extirpar a pobreza do mundo. Alguém pensa nisso? Pensa nada! Neguinho tá mais interessado no resultado do exame de urina do jogador de bola e é por isto que o povo é seu próprio inimigo. O movimento revolucionário de 1964 que tanto atraso e sofrimento trouxe ao país foi apoiado pelo povo.

FREI BETO

A paz não pode ser alcançada através da religião porque nesta prevalecem violência, sofrimento, submissão e conformismo. Por isto é que é difícil entender frei Beto. Dono de admirável caráter e personalidade de estadista, abandonou o governo petista que vestira a camisa dos ricos e, como disse ele mesmo em entrevista à revista Caros Amigos, o governo trocou um projeto de país por um projeto de poder. Entretanto, afirma ser este o melhor governo que o país já teve, enquanto a verdade é que este rico e pobre país nunca teve um governo bom. O que há de bom em um governo cujos governados morrem como moscas de doenças curáveis e de bala perdida enquanto distribui esmolas a título de combater a pobreza e é indiferente à verdadeira causa de sofrimento que é o assalto ao erário? Segundo o livro “O Chefe” o presidente que o frei Beto diz ser bom teria usado o poder que lhe confiamos esperançosos em melhores dias para ingressar no mundo do ricos, confirmando a afirmação do mesmo frei Beto de que o pobre não se interessa em combater a pobreza. O pobre almeja ser também um rico. A ser verdade a acusação, como pode ser bom um governo comandado por bandido? Se são falsas, como pode ser bom um governo onde se calunia impunemente?

Frei Beto afirma na página 123 de A Mosca Azul que seu ideal de sociedade justa decorre de sua fé cristã. Este ideal também é meu, sendo eu ateu. Sou tão dominado por este sonho que escrevo sempre que me surge oportunidade, sem medo do ridículo de não saber escrever. Também afirma ele sentir-se por vezes dominado por um instinto animal oriundo da escala zoológica, o que significa admitir-se a teoria darwinista, enquanto para a religião o homem teria surgido já pronto e acabado por obra de um Deus que nunca aparece e sempre age por intermédio de outrem além de matar crianças e ser tão escravagista a ponto de recomendar cuidado apenas em não arrebentar os dentes e os olhos do escravo ao ser castigado.

A religião é fruto da falta de conhecimento apenas. À medida que recuamos no tempo estaremos também penetrando num mundo de maior desconhecimento e, portanto nesta lógica, de maior força da religião. Chegaremos ao cúmulo da ignorância de queimar pessoas vivas ou atirá-las para serem desossadas e devoradas por feras, em nome de Deus. Ao contrário, aumentando-se o conhecimento diminui a força da religião. Posso dizer sem virar cinzas que nunca houve nenhum Deus e que esta crença é nociva à sociedade porque faz com que as pessoas esperem que Deus faça o que elas mesmas poderiam fazer. É por isto que ao passar por uma igreja de onde vinha o som de cânticos religiosos alguém comentou: “É uma reunião de infiéis”. Realmente, oração não leva a nada. Está aí a situação cada vez pior ao lado do incremento das igrejas e orações. Ao contrário, há povos no mundo onde a religiosidade e menor e o bem-estar coletivo é maior.

Também o cientista Marcelo Gleiser afirma a necessidade de Deus. Aqui não há de que se espantar porque aquele cientista é empregado de ricos e eles precisam que os pobres busquem conforto em outro lugar que não em suas caixas-fortes abarrotadas do verdadeiro poder de desbaratar sofrimentos que é o dinheiro. Este, sim, remove montanhas, como se pode provar.