segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ARENGA SESSENTA E UM


Quem se sente a gosto em determinada posição resiste a mudar para outra posição sem a garantia de ficar ainda mais a gosto. Esta é uma lei da natureza na qual nem os juristas que perseguem o doutor Joaquim Babosa conseguem nela fazer o malabarismo permitido nas leis da sociedade para driblar a condenação de ladrões do erário e receptar parte do roubo. É pela impossibilidade de fraudar a lei da comodidade que nos obriga a procurar conforto sempre que demonstram ingenuidade aqueles que afirmam que os politiqueiros estão errados em não por ordem na sociedade que administram. Embora realmente estejam errados os politiqueiros, ainda muito mais errados estão os que esperam deles mudanças no sentido de corrigir os erros que eles próprios providenciam por ser impossível agir de outra maneira desde que não se pode esperar que pessoas imbuídas da cultura do levar vantagem sempre venham a abrir mão espontaneamente de mordomias que lhes permitem nem sequer saber o que é ter necessidade de nenhuma das coisas pelas quais as pessoas do povo precisam buscar com grande sacrifício, morrendo, muitas vezes, por não conseguir. As reformas que os bobos encaram como uma cura milagrosa para os males sociais a ser levada adiante pelos próprios causadores destes males nunca haverão de curar coisa nenhuma pela obviedade de não largar do osso quem está a roê-lo. A expressão “Quem quer, vai, quem não quer, manda” (embora eu não tenha certeza se precisa tantas vírgulas) esclarece bem esse assunto e contém tanta sabedoria que nem parece. Esta frase mostra não só a causa da falta de solução dos problemas que afligem todos os aflitos do mundo, que é o fato de ficarem eles a esperar que alguém os livre de suas aflições, transferindo para outros a execução da tarefa de cuidar do futuro de seus filhos. Pode esperar sentada a sociedade, que as autoridades não vão transferir para o povo qualquer parcela do bem-bom de sua vida mansa, onde basta dizer que não fez o que fez para realmente não ter feito.

Embora já tenha passado do tempo, ainda não se percebeu que nunca dará certo esse negócio de entregar uma montanha de dinheiro a um ser ainda incivilizado e esperar que ele compre bem-estar para outra pessoa que não ele mesmo. Mas é isso que o povo faz e a montanha de dinheiro é removida para os infernos fiscais por alguma fé muito má.

Fecha justo com a realidade a afirmação de que aquele que em vez de ir lá e fazer o que precisa ser feito manda alguém fazer acaba ficando prejudicado de alguma forma, verdade esta que pode ser percebida até nas coisas corriqueiras como o sujeito que chegou ao guichê e pediu uma passagem para Biçuli, ao que o atendente lhe disse que não havia passagem para Biçuli, e o comprador foi direto a uma pessoa que o aguardava fora da estação e disse: “Óia, Biçuli, o home disse que num tem passage procê, não”. Não se pode negar a sabedoria contida no “quem quer, vai. Quem não quer, manda”. Mas a certeza de caber à própria sociedade tomar a iniciativa de promover a mudança necessária a fim de fazer a vida ficar agradável para que as pessoas não sejam tão barulhentas e infelizes, contradiz com a estupidez humana que leva o povo a fazer mudança para pior. A humanidade já atravessou várias fases no seu roteiro de involução espiritual. Quem não for tão ingênuo a ponto de pensar que sempre fomos do jeito que somos agora, e quiser ter uma ideia de como éramos antes de sabermos como iniciar o fogo, veja o filme “A Guerra do Fogo” e preste atenção no assombro e emoção que sentimos quando percebemos ser possível iniciar um fogo. É realmente impressionante e comovente comtemplar a expressão de espanto e alegria do ser quase humano ao perceber ser possível iniciar um fogo, no que tinham absoluta razão por ser o fogo seu único meio de defesa contra inimigos infinitamente mais fortes. Outra constatação que tiramos do filme é entender que a ignorância da época de bicho era tanta, e não podia ser diferente por se tratar de bichos, apesar de ter diminuído continua em nossa personalidade fazendo com que inexista em nossa espécie o sentimento da solidariedade humana coletiva necessária para reconhecer a grande verdade de sermos iguais na vida real e não apenas na letra fria e falsa da lei.

Não se podem dispensar os administradores, é verdade. Mas também não se pode deixá-los como únicos responsáveis pela chave do cofre pelas razões que levaram o governador de São Paulo a brandir guilhotinas. Enquanto perdurar o instinto sobre a espiritualidade, seria sensato acompanhar o trabalho das autoridades, recusando aceitar uma administração que não proporcionasse tranquilidade necessária para não se ter medo nas ruas, mas é aqui que a porca torce o rabo porque não há ninguém pensando em mudar nada. Embora iniciasse recentemente a juventude uma exigência de mudança, logo achou melhor voltar aos aparelhos de futucar e as coisas ficaram ainda piores com a nomeação dos piores tipos de seres humanos para compor o congresso. Com a juventude que temos, estaremos em pior situação a cada dia. Inté.

 

 

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

ARENGA SESSENTA


Se um dia houver sensatez em algum lugar, todo esse rame-rame em torno de religiosidade e materialismo poderá ser resolvido apenas estabelecendo-se a obrigatoriedade de se comprovar o que se afirma. Algo assim parecido com um comportamento oposto ao que vigora atualmente, onde a mentira predomina sobre a verdade. Incorreria em pena grave quem fizesse afirmação de abrangência social sem a devida comprovação. Isto simplificaria tudo porque o mal da humanidade é a mentira. O mundo não pode ser bom enquanto houver necessidade de iludir o povo com pão e circo, o que já ficou provado que não dá certo. Nem pode der mesmo certo um ambiente de esconde-esconde porque o ideal seria que todos pudessem aprender como é o funcionamento da organização social. Uma sociedade para ser agradável não significa total inexistência de conflito porque a própria natureza se encarrega de dar origem a personalidades incapazes de aceitar o limite que a vida em grupo exige de todos. Uma sociedade só se torna agradável quando constituída de pessoas que entendem o funcionamento da máquina social e de sua importância tamanha que pode ser considerada sagrada e defendida a qualquer preço. Não há outra maneira de se viver senão em ajuntamentos, mas ninguém pensa nisso apesar da vantagem real que existe no fato de poderem as pessoas trocar entre si a satisfação das suas necessidades. Mas, como o povo não tem nem noção destas coisas, não pode fazer uma sociedade agradável, e nem poderá enquanto não tiver maturidade suficiente para perceber as coisas que não são ditas e que por isso mesmo precisam ser “pescadas” nos acontecimentos que não se encontram nos aparelhos de futucar que substituiu o cérebro da juventude imprestável.

A humanidade foi possuída pelo espírito do Rei Midas e adotou o dinheiro como parâmetro para a vida, o que deu origem a uma correria desabalada em busca de riqueza. Sempre me lembro de quanto se engana um jovem que há muito vi numa antiga IstoÉ com os olhos esbugalhados, dizendo eufórico que sua empresa estava dobrando a cada dez anos, mas que ele queria era mais! Este é o comportamento avesso àquele do qual resulta uma sociedade agradável. Como o que se aprimora é a busca do ouro, para tanto, papagaios papagaiam nas rádios onde, como, e quando aplicar seu dinheiro para receber de volta mais do que aplicou. Quem deita e acorda pensando em dinheiro não pode pensar para compreender o motivo pelo qual o comportamento daquele jovem de olhos esbugalhados querendo mais e mais riqueza é um comportamento antissocial. Embora tido como normal, é, na verdade, uma grande aberração entre a recompensa que recebe o trabalhador para fazer os objetos e a recompensa recebida pelo dono das máquinas e os executivos que os comercializam. A desigualdade social não pode ser tão exorbitante quanto é. A desumanidade com que são tratados os pobres e desamparados desnuda a mediocridade do sistema de administração pública que garante direitos iguais no seu ato de formação solene, sob a proteção de Deus, e proclamado em grande estardalhaço.

Uma vez não sendo possível viver de outro modo que não em sociedade, é desinteligente não se buscar um meio de convivência que permita a todos se sentirem a gosto, o que não é possível numa sociedade onde uns levam vantagem sobre outros porque esta é uma sociedade fadada ao fracasso como fracassada está a sociedade humana em função de seus subterrâneos obscuros onde são tramadas as armadilhas que justificam as palavras do governador de São Paulo ao afirmar que se o povo souber o que se passa por lá debaixo dos panos haverá falta de guilhotina. Não resta dúvida de estar tudo errado e não há outra maneira de endireitar senão ensinando às crianças o contrário do que nos foi ensinado porque é tudo mentira, enquanto só a verdade constrói. Inté.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

ARENGA CINQUENTA E NOVE


Em que mundo anda a cabeça desses papagaios que papagaiam em microfones a necessidade de se aumentar o consumo para que a economia esteja bem, se para isso é preciso agredir ainda mais a natureza que já não suporta mais tanta agressão? A sandice desses insufladores de necessidades desnecessárias cujo atendimento enche as burras de quem faz pose na revista Forbes, crime que se comete contra os jovens ao viciá-los em compras em lugar das coisas sobre as quais há real necessidade de atenção. Sempre existiram os pregadores do apocalipse que marcam com seu rastro de casco partido as sociedades de sua época, martelando feito araponga de dia e de noite sua pregação enfadonha de desenvolvimento a troco de se comer, beber e respirar veneno. É de se supor que estas pessoas não tenham filhos ou que não gostam deles. O grande representante dos cascos rachados, a figura física e moralmente monstruosa de Henry Kissinger a endeusar a competição, um processo, segundo sua opinião de rei Midas, que envolve ganhadores e perdedores. Cada sistema vigente em cada fase histórica teve seus lacaios para defender quem quer que estivesse na posse da chave do cofre. Essa necessidade de vencedores e perdedores é a causa de toda a desarrumação uma vez que não há mais motivo para competição porque ela dá origem à desarmonia, impossibilitando a paz social só encontrada na harmonia. Do mesmo jeito que acontece com os sons musicais que precisam se harmonizar para formar melodiosos e belos acordes, também as pessoas precisam se harmonizar entre si para formar belas sociedades.

O modo de administração pública perdeu de vez a compostura e assumiu desavergonhadamente seu papel de fingir preocupação com o povo incapaz de reivindicar algo que não sejam festas em troca do imposto que paga. Esta alienação mental a que é submetido o povo a ponto de não se interessar pela segurança dos próprios filhos visa facilitar a enganação e funciona tão bem que jogador de futebola serve de chama voto para o candidato que aparece ao seu lado no retrato. É de irrealidades tanto a vida social quanto a individual, e não podia ser de outra forma uma vez que a personalidade social é o resultado da soma das personalidades individuais. Quando as personalidades individuais tem a mesma propensão gastronômica do peru, o resultado é uma sociedade na qual podem ser encontrados pedaços de corpo humano pelas ruas.

Deixando a inocência da criação divina, o bicho que veio a se tornar homem tinha necessidade de matar porque disse dependia sua vida. Um tigre que não matar vai morrer de fome. Embora a mutação física nem de longe permita mais a semelhança com outros bichos, salvo as macaquices de fazer compras em Me Ame, o mesmo não aconteceu com o lado espiritual que continua com raízes lá no tempo de bicho, razão pela qual a humanidade carrega a saga da destruição. As guerras são fruto de uma estupidez maior que o mundo. Não há sensatez em criar filhos para se matarem em campos de batalha e nem para virem a sofrer falta de tudo quando chegar a declaração de guerra da natureza.

A história da humanidade envolve muito sangue. Até na história de um Deus cuja bondade não tem limite se encontram morticínios. Já são tempos de se pensar em paz e harmonia entre nós. Não deve a juventude continuar total e socialmente inútil para sua sociedade. A única contribuição que os jovens dão à sociedade é em dinheiro, nenhuma contribuição espiritual que aprimore a vida social carente de valores positivos. Tão carente está nossa sociedade que se tornou ridícula ao transformar um órgão da nobreza de um Congresso Nacional em lugar de recreio altamente remunerado pela juventude para jogador de futebola, cantor de bobagem, palhaço, enfim, para quem esboçou atitude de quem pensa e pediu mudança nas ruas, o que recebeu foi uma mudanças às avessas como avesso é tudo nesse país de jovens imprestáveis. Inté.

 

domingo, 5 de outubro de 2014

ARENGA CINQUENTA E OITO.


Há muito, muito tempo, afirmou-se que a religião seria o entretenimento literário das futuras gerações. Só haverá futuras gerações, entretanto, se o mundo deixar de ser esta esculhambação e se organizar. Como só pode o mundo ser organizado quando houver um povo educado, isto significa que se houver futuras gerações, serão de pessoas educadas. Como pessoas para ficarem educadas precisam ler bons livros, e como quem lê bons livros adquire conhecimento, é realmente certo que uma geração futura de pessoas de grandes conhecimentos terá motivos de sobra para dar boas risadas ao tomar conhecimento da seguinte notícia publicada no Jornal do Brasil, com a manchete Ossos de São Pedro são mostrados pela primeira vez pelo Papa Francisco”. O conteúdo da matéria é realmente de fazer cólicas de tanto rir a quem aprendeu alguma coisa da vida. Acontece, porém, que quem aprendeu alguma coisa na vida fica triste por viver em meio a quem joga fora o tempo e os recursos de dar dignidade a pobres crianças transformadas em bichos. Nesta notícia está a prova evidente do atraso mental em que se encontra a humanidade em termos de evolução espiritual. Levando-se em conta a experiência que tinha o ser humanado primitivo em comparação com a experiência do homem moderno, pode-se afirmar com tranquilidade que os seres humanos ainda se encontram em épocas primitivas quando se acreditava na necessidade de agradar o espírito do animal morto pelo caçador. Mas aqui está a notícia de que falávamos. Bem desse jeito que aqui está: Centenas de milhares de peregrinos juntaram-se para ver os oito fragmentos de ossos com entre 2 e 3 centímetros de comprimento, exibidos em uma cama de marfim dentro de um baú de bronze, que estava exposto em um pedestal na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano”

Enquanto as crianças podem ficar sem água e comida, idiotas se reúnem numa praça para ver pedacinhos de ossos sobre uma cama de marfim dentro de um baú de bronze. Tal notícia lembra outros idiotas da Idade Média que se prostravam ante pedaços de madeira apresentados pelas igrejas como sendo um pedaço da cruz em que Cristo fora crucificado, mas que se reunidos seriam suficientes para construir um navio. A afirmação é do grande historiador Edward McNall Burns em História da Civilização Ocidental. Esse tipo de gente prefere dar sua afeição a cães, gatos, pedaços de madeira e de ossos em vez de dá-la às crianças que se matam nas drogas para onde são empurradas exatamente por falta da atenção de quem vai prestar atenção em pedacinhos de osso sobre cama de marfim, bem ao lado do Banco do Vaticano. Entretanto, como a mentira tem pernas curtas, embora não tão curtas, mesmo aquelas pessoas dotadas de mentalidade mumificada acabarão por perceber a inutilidade de lotar igrejas e a utilidade de se ligar no trato da sociedade. É inevitável a superação da ignorância. Em livro denominado “Porque o ateísmo vai substituir a religião”, que pode ser acessado através do amigão Google, o doutor Nigel Barber afirma o seguinte:

“Prosperidade fará ateísmo substituir a religião em todo o mundo até 2041, diz estudioso.
Um estudo realizado pelo Dr. Nigel Barber afirma que a religião será banida da sociedade mundial até o ano de 2041, e substituída pelo ateísmo, devido ao aumento da qualidade de vida da população e prosperidade de países hoje em desenvolvimento.
Barber lançou um livro sobre o tema, chamado Why Atheism Will Replace Religion (“Por que o ateísmo vai substituir a religião”, em tradução livre), onde disserta com mais detalhes sobre sua previsão ousada.
Para a produção do livro, o biopsicólogo irlandês estudou as crenças, hábitos e histórico de pessoas de 137 países, e chegou a conclusão de que as populações vão se tornando ateias conforme vão prosperando materialmente.
Para o professor Barber, os adeptos à religião já não são maioria: “Tais grupos são pequenas minorias da população mundial e que eles vão se tornar ainda mais marginalizados à medida que aumenta a prosperidade global e padrões de vida melhoram”, disse.
Em seu livro, Barber questiona quanto tempo levaria para a maioria dos países em todo o mundo chegarem a um nível semelhante de riqueza e desenvolvimento igual aos países que já têm um número expressivo de ateus, e diz que conforme isso for se concretizando, a proporção de religiosos cairá igualmente aos países já desenvolvidos, pois as pessoas já não precisarão confiar no sobrenatural uma vez que suas necessidades físicas e materiais estão sendo atendidas.
“O declínio da religião não acontece apenas porque as pessoas estão se tornando mais ricas, mas também por causa do aumento da qualidade de vida, diminuição de doenças graves, melhor educação e bem-estar”, diz Barber, que cita dados de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): “A religião é uma prioridade baixa nas culturas japonesa e sueca, onde as pessoas normais são relativamente confortável. Consequentemente, a maioria das populações é ateia”.
Segundo informações do News Channel 9, o estudioso reconhece que os benefícios emocionais da religião favoreceram a evolução da sociedade como um todo, mas afirma que a tendência é que os avanços obtidos através da fé sejam deixados de lado.
Como exemplo, Barber cita um estudo publicado na revista Psychology Today, em 2007, que descobriu que não há quase nenhum ateísmo na África Subsaariana, devido à baixa qualidade de vida, e que na Europa, onde há mais qualidade de vida, o número de ateus é maior. Na Suécia, por exemplo, 64% das pessoas não possuem religião; Na Dinamarca, 48% são ateus, assim como 42% dos alemães; Na França, o número de pessoas sem religião é 44%.

Quando se compara países em todo o mundo, os mais felizes não são as mais religiosas", afirmou. "Os países onde a maioria das pessoas está mais infeliz predomina a pobreza, fome e doença, e são esses mesmos países onde a crença religiosa é mais forte.”

As afirmações do livro estão aí para serem percebidas por todos. Só não são, é em virtude da refutação das ideias novas que sempre enfrentam resistência, Já dizia o Grande Mestre do Saber Machado de Assis. Entretanto, a religião é o meio pelo qual o necessitado procurar mitigar sua necessidade. No Livro de Rute, 1;6, está dito que Noemie ouviu dizer que o Senhor se lembrara de seu povo e estava a lhe dar pão, resolveu voltar para sua terra de origem com suas duas noras, de onde partira porque havia fome. Como não se pode esconder a evidência demonstrada nas palavras do doutor Nigel Barber, vai-se diminuindo a resistência à ideia de haver infinita superioridade na vantagem social em se cuidar das crianças em vez das igrejas.

A arte de viver é a única que se torna pior à medida que é exercida por mais tempo. Todas as demais atividades se perfeiçoam com a prática. Entretanto, a ignorância que leva a juventude a fazer opção por viver em função de dinheiro haverá de passar e ser substituída por um sentimento capaz de refletir sobre o destino triste das pobres crianças morrendo afogadas em arremedos de barcos por pura ignorância dos adultos. Inté.

 

sábado, 4 de outubro de 2014

ARENGA CINQUENTA E SETE


Presenciei um acontecimento que dá a exata dimensão do sentido expressado pela afirmação de que a ignorância é a fonte de todos os males. Vi uma jovem ficar orgulhosa ao ser apresentada a mim como uma serva de Deus. Naquele comportamento, que é o comportamento da juventude frequentadora de igreja, está toda a razão de ser da religião: tornar as pessoas tão pobres de espírito que se sentem orgulhosas em ser tão insignificantes quanto insignificante é um servo conformado com a servidão. Que trabalho desempenha uma serva de Deus? Não pode ser outra coisa senão pedir um quilo de qualquer coisa na porta do supermercado, trabalho de idiota, porque os políticos agradecem. Eles adoram a moleza de alguém fazer por eles o que eles deveriam fazer. Quando a juventude descobrir que pode pensar, aí perceberá o malogro que é esse negócio de bem-bom lá no céu. O único bem-bom que existe está num altar chamado erário, profanado por impuros cuja relação com os jovens equivale ao comportamento do esperto que para enganar o bobo aponta numa direção que será imediatamente seguida pelo olhar do ludibriado, enquanto o enganador apronta alguma coisa.

A juventude está nas mãos da religião e do poder econômico, forças até aqui donas absolutas do mundo, mas que tem usado tão mal esse poderio que nunca deixará de haver guerras no mundo enquanto for este que aí está o modelo a ser seguido. Se esse modelo trouxe a esta situação de total descalabro em que se encontra a sociedade destes jovens parvos, é preciso haver em alguém do comando a sensatez de mudar esse rumo de tanta infelicidade apenas pela estupidez da necessidade desnecessária de buscar tesouros, principalmente no Cassino Caixa Econômica Federal.

A religião e o poder econômico são duas forças malignas que impedem o surgimento de uma sociedade civilizada. Se por um lado a religião reduz a dignidade humana a ponto de encontrar felicidade na servidão, o que elimina a altivez e a esperteza vivaz do jovem, por outro lado, o poder econômico faz jovens estudantes de engenharia florestal e agronomia convictos de não haver nenhum malefício na monocultura do eucalipto. Mas tanto o poder da religião quando o do dinheiro só criaram problemas para si. A religião já está se tornando ridícula. Um Papa que vive a pedir paz e o mundo cada vez mais violento. Isso já está cansando. Como se pode ser tão bobo a ponto de acreditar numa proteção divina que não atende aos pedidos de seu representante máximo? Do mesmo modo, o poder econômico está também perdendo o fôlego em sua briga contra a natureza e logo será derrotado e não terá como ressarcir o preço a ser cobrado pelos saques feitos contra a riqueza que a natureza criou durante bilhões de anos e que a sanha por dinheiro destruiu em apenas dois séculos.

Aquela jovem acredita ser a pessoa mais feliz do mundo, enquanto a realidade é que ela é uma infeliz cuja infelicidade aparecerá quando chegar uma velhice de choro no corredor do hospital. Ela é exemplo perfeito para se entender o porquê de ser a ignorância a mãe de todos os males. Fica fácil entender a degradação social quando se tem em mente que o peso pela quantidade das pessoas com tal mentalidade é que determina o rumo que a sociedade deve seguir. Como o cérebro destas pessoas cabe no fundo da agulha, o resultado é uma sociedade em guerra porque a guerra é o argumento dos ignorantes por completo desconhecimento do que seja sociabilidade. Nem mesmo sabem estes pobres autômatos o que a história do passado conta sobre sua religião, e nem mesmo sabem o que é religião. Basta-lhes saber da existência de um Deus a ser cultuado, pensando ter sido sempre assim, sem que lhes passe pela cabeça o que seja animismo, politeísmo, monoteísmo e materialismo. É triste, mas é a realidade. Como este tipo de mentalidade abrange a maioria absoluta da sociedade, resulta em eleição de palhaço e jogador de futebola para legisladores.

Que tipo de sociedade seria uma sociedade formada exclusivamente por pessoas da mentalidade daquela jovem orgulhosa de ser serva? A resposta a esta pergunta é a coisa mais fácil do mundo porque tal sociedade seria exatamente como é a nossa sociedade cuja força motriz, a juventude, não presta absolutamente para nada. É tão fácil de ser enganada que a troco de enriquecer os fabricantes de aparelhos para serem futucados, são capazes de permanecer uma semana inteira na fila à espera de abrir a loja que venderá o último modelo. É. Com essa juventude aí, a coisa pega. Né, não? Inté.   

 

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ARENGA CINQUENTA E SEIS


A maior demonstração de insustentabilidade da vida de nossa sociedade acaba de chegar a público pela atitude de duas instituições nacionais noticiada na imprensa. Não pode haver em nenhuma das línguas faladas no mundo expressão capaz de definir a estupidez e incapacidade de indignação desse povo qualificado de manada pelo poeta. É de causar uma tristeza do tamanho do universo pensar que futuro terão as crianças desenvolvidas em tal ambiente. Absurdo ainda muito maior do que todos os absurdos desta sociedade de idiotas é a indiferença com que a sociedade encara o fato de haver a Ordem dos Advogados de Brasília indeferido o pedido de inscrição como advogado feito pelo doutor Joaquim Barbosa. Qualquer instituição nobre haveria de sentir-se orgulhosa em contar com a participação do único homem com bastante coragem para defender a juventude da eterna condenação à condição de manada. Entretanto, a Ordem dos Advogados de Brasília recusa-se a contar no seu quadro de advogados o nosso futuro presidente da república. Já o doutor Thomaz Bastos, aquele que teve o nariz crescido ainda mais do que já é com as mentiras que colocou na boca do Cachoeira, para este são louvores. Não está realmente de cabeça para baixo? Aquele que defende a sociedade é preterido em benefício daquele que a agride. Há na Revista Época matéria com o título Thomaz Bastos orienta Odebrecht e Camargo Corrêa. Alguém pelaí imagina o tipo da orientação? Pois é isso aí que esta juventude pamonha merece.

Nesse país às avessas, as pessoas mais importantes são aquelas que não tem importância nenhuma. Vive-se uma inversão de valores tão alarmante que o mundo da prostituição é invejado e desejado pelas moçoilas e os rapazolas, o que faz antever um futuro sem futuro. Desprezou-se completamente a necessidade da leitura, o que transformou a juventude em analfabetos que sabem ler. Desta ignorância nasce a indiferença em relação àqueles assuntos que mais merecem atenção. Tanto esse fato da recusa em receber o doutor Barbosa, quanto o comportamento da segunda instituição referida lá em cima, a Câmara Federal, também acaba de agir de cabeça para baixo. Imagine só que seu presidente, o deputado Henrique Alves, de triste memória, quer que o juiz Márlon Reis seja punido por ter declarado que a maioria das cadeiras do parlamento é ocupada por corruptos. Não é de rachar? Todo mundo sabe disso. Quem quiser a prova basta perguntar a alguém quando não houver ninguém por perto. Além disso, Até o Lula (o roto e o esfarrapado) já falou que aquilo é uma grande picaretagem. O Datena, então, bota os deputados abaixo de cachorro.

Tanto no caso de doutor Barbosa, quando o mocinho virou bandido, do mesmo modo, também o deputado Henrique Alves quer punir quem quer defender o futuro dos jovens apalermados. O entendimento de tais procedimentos depende apenas de se levar em conta que as autoridades agem sempre no sentido de tirar algum tipo de proveito, preferencialmente não havendo quem os incomode por perto. Em tal ambiente não há espaço para quem não surrupia nem quer que ninguém o faça. Daí a valorização dos palhaços de todos os tipos a prender a atenção, e uma educação que deseduca, nascendo dessa união a imbecilidade que gera a indiferença ante o fato de ser a sociedade administrada ao contrário. Há mil armadilhas que conduzem à desumanidade de impedir a evolução espiritual do povo, tornando-o tão idiota que paga um palhaço e um jogador de futebola para que sejam legisladores. Há pelaí uma jovem inocente agradecendo a Deus pelo seu sucesso em ficar rica cantando músicas evangélicas. O que esperar de um povo com tal mentalidade? Como todos os enchedores de igrejas, a ignorância desta inocente moça que a sociedade imbecilizou nunca lhe permitirá saber que em vez de levantar os olhos para o alto como está na foto da revista, ela deveria abaixá-los em atitude de humildade e arrependimento porque a riqueza que ela agrade a Deus olhando para cima, vem é da ignorância de pobres diabos cá de baixo que compram seus discos.

Observando a circunstância de ser a Cidade de Brasília a sede dos dois acontecimentos de repúdio à honradez quando se persegue os doutores Barbosa e Márlon Reis por serem íntegros, declara-se o império da desonra e confirma-se de cabo a rabo o conteúdo de uma das muitas grandes reportagens do genial jornalista Mauro Santayana, intitulada A CRISE DA RAZÃO POLÍTICA E A MALDIÇÃO DE BRASÍLIA, peça que só vale a pena ser lida e que está à disposição no amigão Google. Ali fica demonstrada com maestria que também o chamado movimento revolucionário de 1964 teve um resultado oposto ao anunciado. A leitura da citada matéria faz ver que realmente as coisas em nosso país de triste sorte andam às avessas. Se estes pobres jovens não despertarem para a necessidade de se interessar por política estarão ferrados. Inté.

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ARENGA CINQUENTA E CINCO


              O Datena da televisão mostrava a violência e a bagunça que virou uma localidade artificialmente pacificada pela falsa política chamada de pacificação. Ele acertou quando disse sensatamente que pacificação não se faz com tiros, mas com educação. Por tal declaração, merece parabéns. Entretanto, errou quando disse que os políticos são incompetentes. Aqui o Datena se equivocou porque os políticos só poderiam ser considerados incompetentes se estivessem empenhados em organizar uma sociedade civilizada, sem, no entanto, jamais conseguir alcançar tal objetivo. Se os políticos quisessem montar um sistema educacional capaz de formar cidadãos e o povo jogasse pedra neles por querer tal insanidade; se os políticos quisessem montar um sistema de saúde que atendesse a todos com a mesma eficiência que atendeu o energúmeno Lula e o povo recusasse; se os políticos quisessem uma sociedade onde as pessoas pudessem passear em belos parques arborizados sem serem baleadas, onde se respirasse ar puro, e o povo fizesse protestos contra isso; se os políticos quisessem um controle rígido do erário, de modo a não se desperdiçar um centavo sequer e o povo reclamasse, aí, sim, poder-se-ia falar em incompetência pela falta de capacidade de liderança. Não só incompetência, mas também a burrice estaria configurada em tal situação porque quem passa séculos tentando fazer uma coisa sem conseguir e não desiste só pode ser burro além de incompetente. Acontece, porém, ser bem outro o objetivo visado pelos políticos. Nunca em tempo algum nenhum político jamais teve por objetivo cumprir sua obrigação de gastar o dinheiro dos impostos em bem-estar social. Basta passar as vistas nas páginas policiais dos jornais e ouvir os noticiários para se tomar conhecimento da eficiência com que os políticos desempenham sua verdadeira atividade, a de levar vantagem. Este laborar os políticos desempenham com tanta eficiência que no mundo deles os criminosos são os juízes de seus próprios crimes praticados tranquilamente sem maiores preocupações porque as CPIs estão aí mesmo para encerrar a investigação satisfatoriamente para o lado deles. Quando aparece algum juiz sério e bem intencionado a querer arrumar as coisas como devem ser, é imediatamente defenestrado pelos políticos de toga, entre os quais também há bandidos, segundo a doutora Eliana Calmon, que sabe muito bem o que fala.  O que está realmente errado nisso tudo é exatamente tudo isso.

          Não há absolutamente nenhuma boa notícia sobre nós nos meios de comunicação daqui ou de fora. A televisão mostra ao vivo pessoas sendo assassinadas. As crianças assistem homens disparando armas sobre alguém. As principais emissoras de rádio seguem obrigatoriamente o padrão estabelecido no mundo dos que prestam culto ao dinheiro, de modo que fora crimes, o que se ouve em maior quantidade é papagaiamento sobre dólar, cotação de tudo que é coisa, até de xoxota, bolsa de valores, câmbio, uma parafernália de agiotagem dos infernos. Enquanto isto ocorre, há denúncias aos montes de subtração dos recursos que deveriam ser usados para por ordem nesta esculhambação de sociedade onde um candidato à presidência da república, a título de propaganda, aparece ao lado de um jogador de futebola, numa clara demonstração do atraso mental tanto do candidato quanto de quem se deixa influenciar por esta insanidade. Pessoalmente me senti diminuído na capacidade de raciocinar porque jogar futebola nada tem a ver com administrar a sociedade uma vez que isto se faz usando a cabeça, enquanto para o futebola se usam os pés. Para um grupo de pessoas civilizadas, o quadro de político se apresentar com um jogador de futebola seria motivo para não se votar nele.

          E por que não somos civilizados? Tão simples a resposta quanto enganar eleitor. Não somos e não seremos civilizados enquanto se esperar que as autoridades se disponham a montar um sistema de educação que ensine verdades uma vez que a tônica da política é a mentira. Quando algum figurão do mundo político diz alguma verdade perto de um microfone que deveria estar desligado, o figurão é imediatamente agraciado com algum cargo no exterior a título de punição. O povo só alcançará a categoria de gente quando passar de seres movidos a dinheiro para seres movidos à espiritualidade necessária para não permitir sejam crianças tratadas com menos dignidade do que gatos e cães. O único motivo pelo qual não somos civilizados é porque não somos educados. Somos uma sociedade de brutos que vive bailando e desviando de bala perdida, sociedade ligada a coisas tão rasteiras que a mente não sai do nível do chão.

          Está esgotado o atual modelo de administração pública porque as autoridades saem do meio político que precisa de pessoas não educadas socialmente. À política interessa que as pessoas vão às igrejas e aos terreiros de axé e futebola e não queiram saber de outras coisas. Desse modo, a mudança que a situação caótica está a exigir não acontecerá senão quando for exigida pelo povo, exigência impossível de acontecer enquanto o povo for constituído de babacas que contribuem para o aumento da poluição de todos os tipos apenas para ver Mickey Mouse e fazer compras em Me Ame. Inté.