domingo, 12 de março de 2017

ARENGA 394


Entre as muitas histórias que integram a bela mitologia grega que convidam ao exercício do pensamento existe uma tragédia chamada Medéia, criada por um poeta chamado Eurípedes. Conta que o príncipe Jasão foi encarregado pelo rei Pélias de recuperar o velocino de ouro, uma pele de carneiro alado cuja lã era feita de ouro, usurpado daquele reino. Numa embarcação chamada Argo embarcou ele em companhia de outros bravos jovens que ficaram conhecidos como Argonautas. Chegando ao reino do rei usurpador, Aietes, Jasão foi incumbido de executar três tarefas consideras impossíveis por seus companheiros como condição de ter de volta o velocino de ouro. Como a mulher de Zeus, o deus mais poderosos entre todos os deuses apreciava Jasão, fez com que a filha de Aietes chamada Medéia e que dispunha de grandes poderes se apaixonasse por Jasão e o auxiliasse no cumprimento das difíceis tarefas, o que o levou ao sucesso e Medéia, apaixonada, acompanhou Jasão que algum tempo depois abandonou-a por ter-se apaixonado pela filha do rei Creonte, o que levantou na alma de Medéia um sentimento de vingança tão terrível que ela afirmou ser a mulher comumente temerosa, que foge à luta, que estremece à vista da arma. Mas, quando seu leito é ultrajado, não existe alma mais sedenta de sangue. Foi tão violenta a ação de Medéia que matou os próprios filhos para causar sofrimento no pai, Jasão, e tramava morte pavorosa para ele, sua nova mulher, Glauce, e para seu pai por dado a filha a Jasão em casamento. Embora não pareça, as maquinações de Eurípedes ao criar esta história traz à juventude a necessidade de pensar em outra coisa que não apenas o profissionalismo ganhador de dinheiro. Como assim, haveria de inquirir o incrédulo frequentador de igreja, axé e futebola. Acontece que sendo a sociedade feminina como Medéia e como ela relegada a total desprezo pelos seus dirigentes, estarão seus infelicitadores condenando-se do mesmo modo que Jasão, Glauce e seu pai a se tornarem alvos de terrível vingança por parte da sociedade, como já aconteceu por mais de uma vez durante o curso da História, inclusive, segundo o historiador Barns, página 888 do segundo volume de História da Civilização Ocidental, entre as causas que provocaram os horrores da Revolução Russa de 1917 estaria a sangria dos recursos públicos em função de conluios entre fornecedores do governo e funcionários públicos. Exatamente o que está sendo demonstrado pela Operação Lava Jato, perseguida pelos funcionários públicos que se beneficiam dos conluios.

Os habitantes do planeta Terra estão à deriva do mesmo modo como estariam os passageiros de um barco cuja    tripulação, seduzida pela magia do canto de sereias, abandonasse a responsabilidade de suas funções para viver um mundo irreal de loucas fantasias sugeridas pelo encantamento. Do mesmo modo, seduzidos pelo canto do sistema econômico, os dirigentes do destino da humanidade vivem a falsa realidade de haver vantagem no consumismo e no “levar vantagem” sobre os mais fracos e desprotegidos, desumanidade recomendada pela economia, da qual resultam as grandes riquezas e as grandes pobrezas. Desumanidade aqui não tem o mesmo sentido de piedade, caridade, bondade, pieguices dos frequentadores de igreja, axé e futebola infensos à atividade de pensar em outra coisa que não BBB, “famosos” e “celebridades” cuja mentalidade não vai além dos vasos sanitários. A desumanidade em ser indiferente às dificuldades alheias está na impossibilidade de se formar com tal comportamento uma sociedade espiritualmente elevada, portanto, diga de seres humanos, visto que tal sociedade não pode existir enquanto houver quem não possa satisfazer plenamente suas necessidades essenciais. Equivale a dizer que sentimento humanitário é ter a clarividência necessária para compreender a necessidade de ter em relação à todas as pessoas indistintamente a mesma preocupação que se tem em relação a si mesmo e aos familiares. Embora os babacas repetem como autômatos “deseja para os outros o que deseja para você mesmo”, não é o que fazem, e é em função desse não fazer que se deve a ilusão de serem as coisas necessárias à existência material e a religiosidade os dois únicos aspectos da vida merecedores de meditação. Falsidade das maiores porque se da meditação religiosa resulta a infelicidade do ataque a bomba que matou ao menos quarenta e quatro iraquianos e feriu outros cento e vinte a caminho do templo de orações, como noticia a imprensa, das meditações econômicas resultam infelicidades sem fim como estas registradas em matéria do jornalista Silvio Caccia Bava publicada no jornal Le Monde Diplomatic Brasil, denominada Convulsões Sociais: “Com o corte nas políticas sociais praticado pelo governo federal e o ajuste imposto aos governos estaduais e municipais obrigados a cortar salários e previdência dos servidores públicos o conflito está aberto.  A soma destes fatores com insensibilidade do governo sem voto e sua postura submissa ao rentismo estão levando o país para um período de convulsões sociais.   As pessoas se refugiam em casa com medo da violência generalizada. O atraso no pagamento dos servidores e o congelamento de seus salários levaram as PMs e os bombeiros a permanecer em seus quartéis. Supermercados e mais de duzentas lojas são saqueados pela população na região metropolitana. No estado, outros cem saques são registrados. O comércio fecha as portas. Mais de 170 veículos são roubados no período.”

A sociedade humana é submetida a maus tratos desde que se tem conhecimento dela e é realmente muito impressionante como se submete a isto sem se cogitar outra forma de convivência tanto os maltratadores quanto os maltratados uma vez que de tal comportamento resultará infelicidade para uns e outros. Embora felicidade suponha total ausência de sofrimento, o que é inteiramente impossível na vida porque a maioria deles são impostos pela natureza, realidade desconhecida apenas enquanto dura a inexperiência e o vigor da juventude, a inteligência, contudo, deve levar a procedimentos que evitem os sofrimentos evitáveis. Inté.  

 

 

 

sexta-feira, 10 de março de 2017

ARENGA 393


O mundo só terá desassossego, sobressaltos e crescente infelicidade enquanto tiver a prosperidade material do desenvolvimento econômico por principal objetivo. A economia, assunto sobre o qual papagaios de microfone papagaiam incessantemente, numa distorção total da verdade dos fatos, mereceu do escritor Edmilson Movér, na página 21 do ensaio Antitratado de Economia, a observação lúcida de que se a ciência da economia resolvesse alguma coisa a sociedade americana não deveria sofrer os efeitos das crises econômicas como aconteceu em 2008 porquanto é lá onde se encontram as mais avançadas universidades de ciências econômicas em todo o mundo. Na realidade, a irrealidade do que afirmam os economistas não se deve ao fato de serem pessoas desprovidas de inteligência. A verdade observável no curso da História é que todo e qualquer tipo de governo tem seus apoiadores. Dentro desta irrefutável lógica, os economistas são os apoiadores do sistema capitalista adotado pelos governos que ditam a administração do mundo. Sendo os Estados Unidos o carro-chefe dos países capitalistas, seu Secretário de Estado, o economista Henry Kissinger, bradou e os economistas das repúblicas de banana principalmente repetem à exaustão que a melhor forma de administração é permitir que o mais forte (o mais rico) subjugue o mais fraco. É o que fazem nossos papagaios de microfone quando apontam vantagens no agribiuzinesse, no consumismo e na reforma da previdenciária, o que fazem não por desinteligência, mas pela garantia do emprego que lhes assegura a manutenção da família. O emprego é uma forma de subjugar, de submeter-se à vontade do empregador ante a possibilidade de perder a garantia do sustento da família. Por isso e emprego impele o desenvolvimento mental sempre na direção de riqueza, objetivo que orienta todo empregador e que leva a humanidade a empregar em armas recursos que deveriam ser empregados em bem-estar individual do qual depende o bem-estar social, e vice-versa. No frigir dos ovos, chega-se à conclusão de serem os economistas nada mais do que moleques de recado da ideologia de Donald Trump segundo a qual o aquecimento global é conversa fiada, o que é desmentido pelo descontrole dos fenômenos naturais e pela notícia publicada no Jornal do Brasil sobre matéria do jornal inglês The Guardian onde se lê o seguinte: OMS diz que poluição é responsável por 1,7 mi de mortes de crianças ao ano. Matéria publicada nesta segunda-feira (6) pelo The Guardian conta que de acordo com novos relatórios da Organização Mundial de Saúde a poluição é responsável por uma em cada quatro mortes entre todas as crianças menores de cinco anos. O diário acrescenta que as principais causas seriam ar tóxico, água com impurezas e falta de saneamento básico”.

Considerando, pois, a realidade de defenderem os economistas procedimentos dos quais resulta morte de criancinhas, chega-se à conclusão de serem eles tão nocivos à sociedade quanto os advogados que se tornam milionários por conta da especialização de inocentar ladrões do erário em troca de participação no produto do roubo, prática da qual também resulta na morte de criancinhas por falta do leite redentor. Também na contramão vai o lengalenga dos economistas sobre a esperança de combate ao desemprego. O economista ganhador de Nobel Joseph E. Stiglitz na página 215 do livro O Mundo Em Queda Livre coloca o desemprego como causa impediente à organização social quando afirma que “Enquanto o índice de desemprego permanecer alto, a ameaça da deflação será tão grande quanto a da inflação. A deflação é um risco sério porque, quando os salários e os preços caem, as famílias não conseguem pagar suas dívidas”. É falso o mundo da economia capitalista aprovado pelos economistas, não só por se apoiar no sistema bancário, cupim que corre a tranquilidade das pessoas ao sugar-lhes o suor, mas também por se fundamentar na dependência do emprego quando a realidade é que a fome de riqueza dos patrões dos economistas, os ricos donos do mundo, promove deliberadamente o desemprego a título exatamente de economia. Até as prostitutas perdem seus empregos para a tecnologia que proporciona economia para a avareza dos Midas da revista Forbes como mostra esta notícia: Barcelona recebeu a primeira casa de prostituição apenas com bonecas hiper-realistas de material termoplástico. Não há sequer uma mulher de programa no novo bordel da cidade espanhola. Segundo o jornal “Mirror”, uma hora de programa com as bonecas custa cerca de R$ 330, o que equivale a 100 euros. Os quartos são individuais e a empresa promete que assegura a máxima higiene”.

Prova de se tratar de pura falsidade o mundo da economia é a matéria jornalística dando conta de que na China acabou a escravidão porque os operários de lá ganham salário superior ao salário dos brasileiros. Ora, tal afirmação é conversa para boi dormir ou para massa de frequentadores de igreja, axé e futebola. Sendo o emprego o elo que prende o trabalhador à escravidão, como falar em libertação através do salário que liga o trabalhador ao emprego? Qualquer que seja o salário, será sempre nada mais que apenas pequena parcela do resultado do trabalho desenvolvido pelo trabalhador, como afirmou Marx, cujo grande erro foi depositar esperança na massa bruta de povo ao depositar nela uma capacidade que não existe de formar uma sociedade civilizada. Na página 895 do segundo volume de História da Civilização Ocidental, diz Burns, seu autor, que em 1872 em Amsterdã Marx teria declarado que em países como Inglaterra e Estados Unidos os trabalhadores poderiam alcançar seus fins por meios pacíficos, História tem mostrado provas indiscutíveis desta impossibilidade, inclusive o episódio monstruoso de ter sido uma fábrica fechada e incendiada nos Estados Unidos com os trabalhadores lá dentro por reivindicarem melhores condições de trabalho.

Afirmar libertação da escravidão através de salário é tão tendencioso quanto a afirmação safada do posudo FHC de não haver prejuízo social no financiamento de campanha. Tal afirmação é nada menos que uma verdadeira imoralidade do ponto de visto social por ser, na verdade, um processo diabólico contra a sociedade sobre a qual recairão as consequências dessa safadeza de financiamento de campanha ora demonstradas pela Operação Lava Jato que afetaram de modo mais grave o Rio de Janeiro onde o resultado do financiamento de campanha deixou uma penúria tão grande que os funcionários públicos estão mendigando comida.

A falsidade da afirmação de Fernando Henrique, sobre quem o próprio tio disse não merecer confiança, foi muitissimamente bem analisada e desbancada pelo perspicaz jornalista Ricardo Boechat, cuja capacidade de percepção dos fenômenos sociais contrasta flagrantemente com sua declaração de gostar de futebola, por ser este parte do pão e circo do qual provém a indiferença em relação à política, o analfabetismo político que propicia campo livre às malandragens do mundo da politicagem ao desviar a atenção da massa bruta de povo, tornando-a incapaz de perceber as nuances contra ela como faz magistralmente o grande jornalista admirador de futebola. Inté.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 8 de março de 2017

ARENGA 392


A injustiça de haver fome no mundo enquanto imbecis esbanjam fortunas da na revista Forbes é uma realidade espantosa de haver injustiças garantidas pela própria justiça, o que significa não haver justiça no sentido de se corrigir as distorções capazes de inviabilizar a harmonia necessária a uma vida social com o mínimo possível de atribulações. Pois não é isto o que se espera da justiça? A seres ainda tão brutos como os humanos, a noção de justiça não encontra espaço na personalidade porque o sentimento do que é justo não é diferente do de amor, amizade, confiança, que não podem ser impostos por nascerem do mais íntimo e nobre no ser humano, aquilo que se costuma denominar de alma. Os seres humanos não terão tempo para se desenvolverem mentalmente até uma elevação espiritual que lhes permita formar uma sociedade justa. Como tudo o mais, também no que diz respeito ao nobre sentimento de justiça, observa-se algum avanço positivo, embora insignificante ao que devia ser. Tão insignificante quanto o avanço do sentimento de justiça é o avanço da antirreligiosidade que já devia estar muito à frente. No entanto, procedimentos adotados por seres humanos para impor sofrimento a outros seres humanos em nome de Deus, dos quais é possível se ter noção através das imagens a que se pode ter acesso pedindo ao amigão Google temas relacionados à Inquisição, coisas tão repugnantes que parecem de monstros. O fato de ainda haver tanto bafafá em torno de Deus e de terem persistido as monstruosidades da Inquisição até às vésperas da fuga da família real para o Brasil em 1808 como relata Laurentino Gomes no livro 1808, testemunha a recusa em se perceber a realidade. Da mesma forma, quanto ao sentimento de justiça, demonstra algum desenvolvimento positivo o fato de ter sido abolida a barbaridade incompatível com o raciocínio de se acreditar ser razoável equiparar um ser humano a um irracional por ter a pele negra. No entanto, em função da recusa em progredir espiritualmente, a servidão apenas mudou de forma, mas nunca deixou de existir.

O que não falta é conversa jogada fora em torno da infelicidade humana, sem, entretanto, que lhe identifique a causa que outra não é senão o atraso em se desenvolver mentalmente, recusando-se terminantemente a se desgarrar da animosidade que faz indispensável a presença de uma força moderadora do mesmo jeito com as crianças não dispensam a presença de um feitor. Quando Rui Barbosa sentenciou que toda a infelicidade humana decorre da ignorância, esta ignorância pode ser resumida à falta de percepção da necessidade de se pensar sobre a vida em vez de vivê-la como irracionais, em eterna disputa entre o mais forte e o mais fraco. Como não podia ser diferente, sempre com vantagem para o mais forte porquanto a fortaleza em questão é força bruta.

Nesse exato momento, concretiza-se entre nós desta triste república de banana a teoria de que os males decorrem da falta de meditação sobre a vida. Está em andamento uma série de medidas pela força do governo de ricos contra a fraqueza do povo das quais resultará ainda maiores restrições às muitas que limitam a capacidade de ter o povo atendidas suas necessidades, objetivando com isso aumentar ainda mais a riqueza dos poucos que já possuem abundância de riqueza, procedimento que trará um futuro de inquietação para uns e outros. Portanto, nem uns e nem outros estão refletindo sobre como será um futuro com imensa quantidade de excessivamente necessitados ao lado de alguns gatos pingados excessivamente abastados.

A respeito da reforma previdenciária que beneficiará o sistema bancário o jornal do Brasil mostra matéria publicada pelo jornal americano The New York Times intitulada: LÍDERES DO BRASIL DEFENDEM AUSTERIDADE, MAS NÃO PARA ELES, onde se lê: “Reformas de Temer são para menos favorecidos. Enquanto Congresso está se preparando para cortar benefícios de pensão em todo o país, membros do Governo se aposentem com pensões vitalícias depois de apenas dois anos no cargo”. Inté.

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de março de 2017

ARENGA 391


Ronaldo Fenômeno acaba de vender o apartamento que mantinha havia mais de dez anos na elegante Avenue Montaigne, em Paris. O ex-craque e a namorada, a modelo Celina Locks, passaram uma derradeira estada no lugar entre o início do segundo semestre e o começo de novembro, quando ela veio ao Brasil a trabalho. O valor da venda segue guardado a sete chaves. Esta notícia publicada na revista Carta Capital era para ser encara pela juventude como uma bofetada na cara. Quando esta juventude for substituída por outra que não leva para casa um zero do Enem e que atinar com a realidade de que seus avó, bisavós, trisavós ou seja lá que “vós” forem pagaram satisfeitos e brincalhões as despesas de mil e uma coisas desse tipo fartamente estampadas na imprensa, enquanto enfrentavam fila na madrugada chuvosa a mendigar empréstimo para pagar o estudo que a constituição lhes garante por conta dos impostos, o que haverá de pensar aquela juventude sobre esta juventude? Que ideia faria ela de seus antecedentes que se dependuram nos corrimão dos coletivos rumo às igrejas para levar o dinheiro de construir templos monumentais e pagar uma plêiade imensurável funcionários completamente inúteis por representarem um Deus que nunca existiu? Ou para os terreiros de requebrar os quadris no axé levar o dinheiro para custear a vida faustosa de “famosos” que não sabem fazer um “O” com um copo e de “famosas” cuja maior especialidade á esfregar as xoxotas? Ou para as lojas, sugestionados pela papagaiada de microfone, levar o dinheiro de trocar por um mais rápido o aparelho de futucar? Ou para os estádios de futebola levar o dinheiro de pagar os iates, apartamentos, aviões, farras monumentais de jogadores de futebola com “modelos”? Ou será que ninguém precisa pagar por nada disso? Virá tudo de um passe de mágica, de um "Fiat” semelhante ao que criou o universo, como acredita a massa ignara da qual faz parte a juventude atual? Ou a juventude começa a usar a capacidade de raciocinar com a qual a natureza lhe diferenciou da besta, ou a amargura que ela amarga agora, embora e não saiba ser amargurada exatamente por não pensar, haverá de amargurá-la de modo tão intensivo que não poderá deixar de tomar conhecimento tal a intensidade dos sofrimentos provenientes do atual modo de viver apenas em função de riqueza e ignorância. Ao se perguntar a um jovem pelo seu estado de saúde, a resposta estou bem, vem inevitavelmente acompanhada de um graças a Deus. Entretanto, ele descobrirá entristecido quando lhe bater à porta da velhice a realidade de que Deus só cuidava dele enquanto jovem com reserva de energia. Na hora da necessidade de UTI, entretanto, se não tiver uma boa conta bancária, estará esperando por ele o mesmo por que passou o personagem de Leon Tolstói no livro A Morte de Ivan Ilitch.  Não admitir esta hora é o pior dos resultados do não pensar porque ele chegará tão certo quanto estou a teclar estas mal traçadas e aquele que atravessou o período de vida sem educar-se espiritualmente amargará sem necessidade sofrimentos dispensáveis. E esta é uma afirmação facílima de ser checada. Basta visitar todas as dependências de um hospital, principalmente os de pobres, embora sejam os preferidos de Deus no dizer dos frequentadores de igreja, axé e futebola, categoria na qual se enquadra noventa e nove vírgula nove por cento da juventude cuja mentalidade está muito bem representada pela mentalidade que molda a personalidade do filho de presidiário Sérgio Cabral ao perguntar a um segurança: “VOCÊ SABE QUEM SOU EU?”. Antes da Lava Jato, certamente ele perguntaria “VOCÊ SABE QUEM É MEU PAI?”. Não o fez certamente por medo de ouvir a seguinte resposta: “SEI. UM LADRÃO”. Certa vez, entre goles de uísque no Aerobar, ouvi que ante a arrogância de um jovem que lhe perguntou se ele sabia quem era seu pai um segurança respondeu: “SE NEM SUA MÃE SABE, COMO É QUE EU VOU SABER?”

Infelizmente, a juventude é isso daí. Não há termo capaz de expressar o tamanho da estupidez de uma juventude que aplaudiu a sacanagem da Olimpíada que segundo matéria publicada no Jornal do Brasil denominada 'Le Monde' chama Rio de Janeiro de favela Olímpica, onde se lê coisas assim: “O jornal francês Le Monde traz em sua edição deste sábado uma reportagem intitulada "La favela olympique" (em português: favela olímpica), onde critica fortemente o estado das instalações feitas para a realização dos jogos olímpicos em agosto de 2016, no Rio de Janeiro, que em menos de seis meses se encontram em total abandono e decadência, como o caso do estádio do Maracanã”...  “Maracanã agora tem sua grama amarelada, seca como feno, cadeiras furadas, e sua luz foi cortada por falta de pagamento”.

E então, juventude, cadê você? Isso não é papel de jovem porque jovem tem jogo de cintura, sagacidade, pronta reação às adversidades. Algo de muito estranho acontece com os jovens ao dirigirem suas energias apenas a duas atividades, ambas inúteis: preparar-se para ser rico ou criminoso, na verdade, a mesma coisa. Tenham pena de seu país e de vocês mesmos, jovens! Não chafurdem na ignorância e nem deixem seu país chafurdar na lama e no ridículo! Deixar de ser palerma é fácil como deixar de fumar. Basta querer, o que significa ser macho que mija na parede feito a rapaziada da Lava Jato e ser fêmea que não se mire no espelho de “famosa” e “modelo”. Jovens que se mirem no espelho de Heloisa Helena e Eliana Calmon. Lembrem-se, sobretudo, que a História contará às futuras gerações o procedimento lamentável que vocês têm tido até agora. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 5 de março de 2017

ARENGA 390


INSENSATEZ, é tudo insensatez nesse país de merda, e a principal delas todas é uma juventude que leva para casa zero do Enem, não sabe quando um livro está virado de cabeça para baixo e tem como de maior interesse assuntos relacionados com “famosos” e “celebridades” cujos motivos de fama são futilidades como trepadas ou peitos e bundas siliconados.  É INSENSATEZ a declaração de Aécio Neves quando afirma ter sido lícito, legal, o dinheiro que a empreiteira lhe deu, simplesmente por não haver lisura no ato ilícito de se vender a autoridade do cargo aos interesses de empresários, submetendo-se a substituir seu dever de zelar pela sociedade pela obrigação de satisfazer vontades espúrias do espírito de Midas que domina a personalidade de empresários. Desta prática resulta que tais empresários cobrarão em troca desse dinheiro preço tão alto que causam prejuízos irreversíveis à sociedade. Empresário não dá prego sem estopa e a estopa, nesse caso, é a manada imbecil de sacolejadores de quadris. A Operação Lava Jato está mostrando a realidade sobre o retorno que a sociedade é obrigada por conta destas impropriamente chamadas doações por se tratar de empréstimos escorchantes, uma das muitas imoralidades que justificam as grandes fortunas exibidas na revista Forbes uma vez que os financiadores praticam a mesma agiotagem que rende os lucros fabulosos e imorais dos banqueiros. A concordância da justiça com esta ilegalidade decorre da INSENSATEZ que anula a separação de poderes supostamente garantidora da lisura entre os três poderes na democracia. Ficou assentado que os politiqueiros pinçam dos seus quadros os juízes dos tribunais, que aprovam ou desaprovam as decisões dos juízes de primeira instância, e aqueles , em retribuição ao favor, agem em relação aos politiqueiros da mesma forma que os politiqueiros agem em relação aos seus financiadores de campanha, isto é, colocando os interesses destes acima dos interesses da sociedade. Como nas sociedades secretas, algum gato pingado que se opuser a esta INSENSATEZ será perseguido ou “desaparecido”. Apesar de secretas, as sociedades assim denominadas exteriorizam suas ações. Do conluio política/justiça fica exteriorizada a ação do Foro Privilegiado, do qual resulta não só a proteção da justiça aos politiqueiros que não puderam evitar o julgamento, como visto no caso Mensalão, mas também a vista grossa que a justiça faz à deficiência de juízes nos quadros da magistratura, o que é também uma forma de proteção à bandidagem da política. Não havendo juízes suficientes para julgar, muitas malandragens acabam tendo vencido o prazo de validade e incorrem em prescrição, ficando os criminosos livres de julgamento.

É INSENSATEZ o sistema de escolha dos governantes no Brasil de hoje que nenhuma diferença tem do registrado pelo historiador Laurentino Gomes no livro 1808, quando só os ricos podiam ser candidatos e eleitores. Se daquela forma de escolha resultava num governo empenhado em cuidar dos interesses dos ricos, nada mudou porque mesmo podendo os pobres votar e serem votados atualmente, só se elegem aqueles que os ricos escolhem, garantindo com isso, do mesmo modo, sua primazia no interesse das ações governamentais.

É INSENSATEZ a declaração do goleiro Bruno de não haver vantagem em ser ele condenado à prisão perpétua uma vez que disto não resultaria no retorno à vida a mulher de cujo assassinato é acusado. Nesse caso, não podia mesmo ser coerente por se tratar de um pobre jovem vítima do analfabetismo promovido a unhas e dentes pelo governo a fim de evitar que a juventude aprenda o que aprendi nas lições dos Grandes Mestres do Saber: A VERDADE, a única que liberta, como afirma a bíblia, mas em sentido diametralmente oposto à realidade porque a liberdade de que trata a religiosidade é a conformação com a subserviência da escravidão. O estado letárgico em que se encontra a mentalidade popular em função do sucesso governamental na implantação do analfabetismo político foi magnificamente expressada pelo “famoso” carnavalesco Joãozinho Trinta quando disse acertadamente que pobre gosta de luxo. Realmente, o carnaval é a maior demonstração de estultice que o povo poderia dar. O porquê desta afirmação está eficazmente explicado numa reportagem denominada Jamais vou entender este fenômeno chamado Carnaval, publicada no jornal Tribuna Livre, matéria atribuída ao jornalista Arnaldo Jabor, mas contestada a autoria. Embora seja na mesma linguagem ferina do Jabor a matéria jornalística, a contestação parece verdadeira por ser aquele jornalista mais próximo do mundo dos promotores do pão e circo. Inclusive, o intelectualíssimo Jabor publicou matéria denominada Carnaval ainda é a marca de nossa grandeza, de natureza diametralmente oposta à primeira, o que faz mais forte a possibilidade de não ter sido ele o autor de Jamais Vou Entender Este Fenômeno de Carnaval, onde se lê coisas assim:Um povo sofrido, roubado, explorado, muitas vezes sem perspectivas, de uma hora para outra, explode numa alegria sem motivo... sem limites, sem pudor. Homens que até sexta-feira trabalharam de terno e gravata, no sábado, vão para as ruas maquiados, vestidos de mulher, sutien por cima de peitos peludos”. Ou assim: As ruas estão tomadas de foliões urrando de alegria... e eu me pergunto: VOCÊ ESTÁ ALEGRE POR QUÊ, OTÁRIO??? Sua vida melhorou de ontem prá hoje?” É realmente mais uma das incoerências, um povo vitimado por todo tipo de falta de assistência e exposto a sofrimentos, ao mesmo tempo numa tremenda explosão de alegria e o luxo das escolas de samba.

A baixa capacidade mental do povo da qual provém a força da politicagem demonstrada no fato de servir para angariar votos a presença de iletrado jogador de futebola justifica a declaração do goleiro Bruno, declaração que se analisada racionalmente levaria à conclusão da inutilidade de punição para autor de assassinato uma vez ser impossível trazer morto de volta à vida. É tudo INSENSATEZ. A papagaiada de microfone da Rádio CBN entrevistava na manhã do dia 04/03/17 um professor sobre a diferença entre coisa pública e privada. A explicação daquele professor, em vez de explicar a questão posta, explicava de modo completo o motivo pelo qual os jovens levam para casa o zero do Enem. Perguntado pela diferença no trato da coisa pública em relação à coisa privada, tema tão amplo que, na verdade, é a causa de todo o mal da humanidade em decorrência da incivilização dos seres humanos ainda presos ao medo da necessidade dos tempos das cavernas, medo do qual decorre a necessidade de acumular riqueza, necessidade da qual decorre a deformação de personalidade do ser humano e o leva a sobrepor à honradez o atendimento à falsa necessidade de riqueza a qualquer custo. Em vez de se estender sobre tema tão vasto e apropriado para intelectuais como é de supor o entrevistado, em vez disso o professor se limitou a fazer apologia do governo de banqueiros chefiado pelo senhor Michel Temer, inclusive incorrendo em falsidade ideológica ao limitar a prática de corrupção ao governo realmente corrupto dos petistas e afirmar com todas as letras que o atual governo a está combatendo. São falsas ambas as afirmações porque os assuntos políticos continuam sendo também assuntos de polícia uma vez que os escândalos pipocam diariamente, e, como prova de mentir mais uma vez, os livros Os Ben$ que os Políticos Fazem, O partido da Terra, Honoráveis Bandidos e Privataria Tucana denunciando crimes dos governos anteriores evidenciam o que nunca foi novidade de terem os governos anteriores cometidos os mesmos crimes dos petistas denunciados no livro O Chefe. Não menos falsa é a afirmação do professor entrevistado pela papagaiada de microfone da rádio CBN quando afirma que o atual governo está no caminho certo porque, como todos os governos, em todos os tempos, também o atual governo cuida é do interesse dos banqueiros através da privatização da previdência e do corte de gastos sociais. Fala-se em economizar bilhões sem se atinar para a realidade de que todo e qualquer dinheiro que entrar para o erário, inclusive o proveniente da sempre cogitada CPMF, terá o mesmo destino: A tubulação de esgoto da corrupção mostrada diariamente no Jornal Nacional. Inté.

  

 

 

quinta-feira, 2 de março de 2017

ARENGA 388


Este mal amanhado blog tem tido motivo para ter o nariz empinado. Nele consta que o verdadeiro Deus é o erário bem administrado por ser ele a única fonte de bem-estar, o que significa paz, o que significa ausência de necessidade das coisas de que se necessita, o que significa um ambiente de verdadeiros irmãos espirituais. Ressalte-se, entretanto, o BEM ADMINISTRADO porque, quando mal administrado o erário, como é em todas as sociedades do mundo pelo fato de não contar com a fiscalização do povo e ficar sob a exclusiva responsabilidade de autoridades de araque cuja má fé pode ser vista na opulência de suas vidas, com destaque para republiquetas de banana como o Brasil. Nestes casos, o erário serve apenas às forças malignas que impulsionam os Midas assassinos depravados do mundo a se ajuntarem num grupinho de apenas um por cento da humanidade a infelicitar o resto dela condenando-a a uma vida tão indigna a ponto de ter suas crianças condenadas à inanição e morte.

Mas o motivo de orgulho deste mal amanhado blog está numa entrevista do filósofo Giorgio Agamben, que a escola de alfabetização política como deve ser considerado o blog Outras Palavras nos mostra sob a denominação de CAPATALISMO, DINHEIRO E EXCREMENTOS, na qual está dito com todas as letras por ninguém menos do que um filósofo cuja biografia está espiritualmente a anos luz das biografias políticas recomendadas pelo banqueiro Nelson Jobim, cuja atividade de banqueiro justifica sua contrariedade com a Operação Lava Jato. Voltando aos motivos de nosso orgulho, quando o filósofo diz “Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro”, como está dito na entrevista, embora difícil de acreditar, reafirma o que está dito em algum lugar por aqui nesse nosso insignificante blog. E quem disse que para por ai? Não vem este mal amanhado dizendo à juventude que é uma burrice do tamanho do mundo concordar em ser conduzido por falsos líderes? Pois aqui está outra perfeita sintonia de pensamento contida na frase do Grande Mestre do Saber Giorgio Agamben: “A tarefa que nos espera consiste em pensar de cabo a cabo a “vida política”. Mas estas coisas só serão objeto de conjectura quando a juventude não levar mais para casa um zero do Enem, superar a fase negra de povo e descobrir ser dona do governo e não apenas das ruas onde saracotear o carnaval. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de março de 2017

ARENGA 387


O carnaval torna as multidões tão tresloucadas que os órgãos governamentais, segundo a imprensa, distribuíram esse ano milhões de camisinhas, o que significa que as pessoas irão trepar alucinadamente porque em época normal não existe tamanha preocupação do governo com sua incapacidade de assistir os nascimentos provenientes das trepadas normais. A facilidade com que o bicho povo se deixa levar pela influência do ritmo das marchinhas e o efeito do álcool significa que existe também sobre a mentalidade a mesma recusa que existe em se envelhecer fisicamente, razão pela qual os seres humanos têm o mesmo comportamento de crianças quando ao lado de uma fogueira ou em alguma comemoração adultos e crianças se comprazem no mesmo divertimento de pipocar bombas. É este comportamento puramente visionário de se apegar à juventude de forma tão arraigada que leva a procedimentos rejuvenescedores que além de não raro levar à morte, têm resultados só aparentemente satisfatórios, mesmo porque, como lembra Cazuza, o tempo não para. O pior da recusa em recusar sair da mediocridade mental o fato notório de que em função desta recusa a humanidade descamba ladeira abaixo tão despinguelada quanto caminhão na banguela rumo ao desastre. O exercício do pensamento está limitado apenas à materialidade da qual a vida não pode prescindir. Além da rotina da luta pelos meios necessários à sobrevivência a capacidade mental não leva as pessoas além dos mundos do divertimento e da religiosidade, ambos apropriados para serem habitados por mentalidades infantis. Se no primeiro desses mundos existe quem eleva à categoria de famosos e celebridades pessoas cujos méritos são expor ao público nudez e tendências sexuais, principalmente se pelo mesmo sexo, no segundo mundo, o da religiosidade, encontramos um assistente de Deus, por ordem Dele e para Seu deleite executando o seguinte trabalho: “Ele (Abrão, o assistente), tomando todos estes animais (uma novilha, uma cabra e um cordeiro ambos de três anos, uma rola e um pombinho) partiu-os pelo meio e lhes pôs em ordem as metades, umas defronte das outras; e não partiu as aves. Aves de rapina desciam sobre os cadáveres, porém Abrão as enxotava” (Gênesis 15:10-ll). Absolutamente nada, pois, a não ser a imaturidade para justificar a presença de tantos adultos nesses mundos infantis.

O mundo estaria melhor se em vez de se debruçar sobre governos, democracia, totalitarismo, esquerda, e direita dirigisse sua atenção para o impasse existente na questão de não poder prescindir dos governantes e, em função da imaturidade humana, não ser possível haver governante algum cuja atenção vá além do próprio umbigo. Se a História mostra que as chamadas civilizações se desenvolveram com maior vigor nos lugares para os quais acorria maior número de pessoas, sobretudo de culturas diferentes, não se admite que no mundo moderno onde se integram as diversas culturas a evolução mental se recusa a acontecer e as pessoas permanecem tão infantis que se encantam com queima de fogos, corrida de carros e de equídeos, inclusive na São Silvestre. O isolamento, sim, justifica a incivilização. Certas comunidades isoladas, ainda atualmente permanecem no primitivismo. O instituto da inimputabilidade no qual o direito abriga as pessoas mentalmente incapazes pode ser estendido à humanidade porque o mundo abriga uma população tão mentalmente incapaz que está a promover sua própria ruína em função de um corre-corre desenfreado e alucinante semelhante ao do rato na presença do gato bom de caça. Corre-se pelo emprego, do ladrão ou da polícia, mas estão todos sempre correndo, numa intranquilidade da qual resulta a própria infelicidade. Inté.