segunda-feira, 7 de setembro de 2020

ARENGA 437

 

Vagabundos se afastaram da sociedade e até tiveram gafanhoto e mel por alimento a fim de meditar para adquirir sabedoria bastante para entender a vida para que pudessem passar adiante o aprendizado e ajudar as pessoas. A infelicidade humana, entretanto, mostra que nenhuma das conclusões a que estes pensadores chegaram com tamanho sacrifício tivesse alcançado sucesso. Limitaram-se a aconselhar procedimentos jamais observados.  E nesse ponto é de se ressaltar o equívoco de mestre Hegel ao afirmar que nada se aprende estudando História porque em função do estudo da História saí da total ignorância comum à humanidade, e, sem dispensar um bom uísque, feijão, arroz, verduras, frutas, alguma carne e companhia de outras pessoas, com ajuda dos livros, principalmente os de História, mergulhei no aprendizado da vida e o que aprendi e passo adiante, se observado, endireitará noventa por cento do desmantelamento do mundo, coisa que os comedores de gafanhoto não conseguiram, nem mesmo Cristo, o mestre de todos eles.    

Aprendi que a causa dos problemas que afligem a humanidade é apenas a falta de dinheiro. Simples assim. Onde há dinheiro não há as necessidades que dão causa aos problemas que por sua vez são a causa da infelicidade. A porca torce o rabo é para saber o motivo pelo qual falta dinheiro se há dinheiro suficiente para resolver absolutamente todos os problemas solucionáveis do mundo. Os livros nos ensinam que toda a dinheirama foi apossada por parasitas do sistema financeiro, monstros de cuja boca escorre baba de dragão, que por meio de agiotagem embolsam fortunas e mais fortunas que, num círculo vicioso, vão ser usadas para produzir mais fortunas sem precisar nada produzir.

Como para superar uma dificuldade é preciso haver vontade de fazê-lo, o mal do mundo está no fato de não haver empenho na superação de seus males porque esperando os sofredores que o alívio venha de deus e de falsos líderes políticos, haverão de esperar em vão porque não existe deus e aos políticos só interessa o enriquecimento, principalmente aproveitando da indiferença política do povo para roubá-lo à vontade. Duas historiazinhas nos ensinam com exatidão o porquê desta falta de vontade humana em superar os infortúnios:

Conta-se que o nome do vinho Casillero del Diablo teve origem na história inventada por um apreciador de vinho de haver um demônio no armário onde guardava seus vinhos para evitar que seus empregados os furtassem. Também se conta que a crença de tempos passados de ser venenosa a ingestão de determinadas frutas com leite ou com outra fruta foi criada pelos ricos quando fruta era cara por ser importada em caravelas e grande parte apodrecia antes de chegar.

É também se aproveitando desta mesma inocência que os monstros de cuja boca escorre baba de dragão, gastando imensas fortunas nos meios de comunicação, fazem o povo temer políticas socialistas que o beneficiariam, colocando-se a favor da política capitalista que lhe é prejudicial.

Portanto, para que a humanidade se livre dos tormentos que a atormentam, basta aprender o que os livros ensinam, sem abrir mão de coisa nenhuma, principalmente do uísque e do copo de cristal.  


domingo, 6 de setembro de 2020

ARENGA 436

 

Segundo aqueles que se dedicam a pensar sobre o assunto, os governos foram instituídos para empregar corretamente o dinheiro que a coletividade deposita em suas mãos para gastar na administração da sociedade composta por aquela coletividade. Daí haver o pensador Thomas Paine afirmado que um governo deve ser considerado bom quando faz esta administração com melhor resultado e menor custo. Sendo esta uma realidade incontestável, só uma idiotização, uma debilidade mental, justificaria opiniões de ser bom ou excelente o governo de um povo miserável, não obstante a imensa riqueza que esse povo lhe põe nas mãos. Realmente, sendo a desonestidade implantada no ser humano pelo culto da divinização da riqueza, como esperar que seres desonestos não roubem um dinheiro que lhe veio cair nas mãos e que pertence a um populacho ignorante que nem sabe ser dona daquele dinheiro? Pode alguém na vastidão do mundo apontar um único governo que vise o bem-estar da sociedade que administra a ponto de ser realmente um bom ou excelente governo? Se não, e as guerras, a miséria e o sofrimento provam que não, quem atribui tais qualidades nobres a qualquer governo no mundo inteiro é por ter a mesma propensão gastronômica do peru.

O mais crível é que tais opiniões sejam compradas. Se até cientistas vendem opiniões afirmando ser a competição a melhor forma de se organizar uma sociedade ou de ser necessária a crença em deus, que dizer então do populacho e dos lambe botas que montam no pescoço o saco de um governante e assim desfilam em meio à multidão de idiotas?

 Para quem está com fome, bom governante é o que lhe dá migalhas. Mas não é assim. Não é bom o governo de onde há fome. Nem o que reprime com violência rebeldia contra a injustiça por ser atitude nobre recusar a submeter-se a injustiças.

O mundo precisa ser repensado e passa já do tempo de se fazer isso. O primeiro passo nesse sentido deve ser no rumo de sacudir para longe a orientação de ideais políticos desprovidos de espírito de sociabilidade.


sábado, 5 de setembro de 2020

ARENGA 435

 

 

Na página 34 do livro Origem Da Desigualdade Entre Os Homens, mestre Rousseau diz o seguinte: “... é evidente, pela leitura dos livros sagrados, que o primeiro homem, tendo recebido de deus...” e na página37 de Senso Comum mestre Thomas Paine se refere como fato histórico o pedido de Samuel a deus para que desse um rei que governasse seu povo (1 Samuel 8:6).

Ao fazer referência a deus como realidade, apesar do extraordinário conhecimento que demonstraram, estes dois grandes pensadores deixaram claro que mesmo eles, os grandes pensadores, tinham muito ainda a aprender sobre a realidade da vida porque se declararam também envolvidos na mesma falsa crendice do populacho festeiro e vulgar que escreve “foi deus que mim deu” em carrinhos baratos, conversa com estátua e compra feijão santo.

Atualmente, em função do esclarecimento adquirido com a experiência, a existência de deus não faz mais sentido para nenhum intelectual, salvo os que têm na fé a garantia da despensa abastecida. Repercutiria mal atualmente entre pessoas cultas uma obra literária que se referisse a religiosidade como merecedora de credibilidade. A leitura da bíblia leva à conclusão de estar completamento certa a afirmação de que as religiões de hoje serão  mitologias amanhã.

Interessante nessa história bíblica de Samuel reivindicar um rei perante deus é a sabedoria de quem a escreveu ao avisar a Samuel que o rei iria achacar o povo, tomando dele até os filhos (1 Samuel 8:11). Não é o que fazem os governos obrigando os filhos do povo a se matarem nas guerras? O cara que escreveu isso tinha a percepção que até hoje o povo não tem se ainda acredita em governo.

Mas não é apenas quanto no tocante a religião que pensadores se declararam inocentes quanto à realidade da vida. Incorreram no mesmo equívoco filósofos ateus como Marx, Lenin e Stalin ao acreditar que o elemento povo tivesse discernimento necessário para promover uma sociedade civilizada, o que fica atualmente demostrado ser impossível porque sendo agora o povo responsável pela escolha dos governantes, escolhem bandidos para representá-lo como autoridades governamentais.

Entretanto, mesmo a pensadores modernos que criticam a inviável cultura capitalista parece escapar uma parte da realidade. Grandes economistas como Thomas Piketty e Ladislau Dowbor, por exemplo, veem inviabilidade na economia apenas na agiotagem parasitária do sistema financeiro, por ser danosa ao sistema produtivo. Mas, na realidade, é inviável todo o sistema econômico capitalista se o sistema produtivo é voltado para lucros ilimitados que dão origem a grandes enriquecimentos que acabam, num círculo vicioso, direcionados para a condenável agiotagem do sistema financeiro.


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

ARENGA 434

 

Os que pulam da cama espavoridos para não perder o horário para não perder o emprego, os que pregam o rabo num banco para se profissionalizar e se habilitarem a ser empregados e hospedeiros do parasitismo da Mais Valia, os que se inquietam na busca por maiores lucros na agiotagem do assino financeiro, nenhuma destas pessoas sabe ter sido tão escravizada quanto os negros e os índios que a lei autoriza os jesuítas escravizar em nome de Cristo. É possível que com o passar do tempo e do vigor físico, a escola da vida conscientize algumas destas pessoas da realidade que tudo aquilo em que elas acreditam, religião, governo, democracia, liberdade, felicidade para sempre, respeito à constituição, justiça, tudo isto é tão fantasia quanto Papai Noel.

Pessoas nascem, envelhecem e terminam o prazo de validade de vida tão iludidas quanto quando começou a viver. Uma rica senhora idosa do mundo das “celebridades” acaba de dar magnífico exemplo da ingenuidade com que a humanidade vê a realidade da vida. A menção a este fato é importante porque mostra quanta certeza as pessoas têm de algo que não corresponde à realidade. Ao dizer aquela senhora que os comunistas odeiam os cristãos entre os quais ela se incluía, expressa o modo de pensar de noventa e nove vírgula nove por cento da humanidade. Mas, de modo algum corresponde à realidade se ao buscar justiça social e pregar desapego à riqueza os comunistas se mostram mais perto dos ensinamentos de Cristo do que se mostra aquela rica e festeira senhora.

No que diz respeito à realidade de que a vida demanda meditação, a faculdade de pensar em nada contribui. A total a falta de interesse dos seres humanos em analisar o que lhes chega ao conhecimento. Um infernal mecanismo de comunicação faz a humanidade se interessar por tudo aquilo de que ela deve recusar ou participar com a mesma moderação com que se toma remédio. Festas, esportes, a celebridade das “celebridades”, bandidos legislando a seu favor e contra a sociedade, inúteis templos a custo de fortunas para professar crendices. Um momento de reflexão basta para se perceber estar tudo ao contrário do que devia ser.

A indignação do doutor Ladislau Dowbor com a humanidade deve ser de todos nós. Apenas uma palinha da indignação dele: “Hoje 800 milhões de pessoas passam fome, não por culpa delas, mas por culpa de um sistema de alocação de recursos sobre o qual elas não têm nenhuma influência. A impotência de não poder prover o alimento ao filho é um sentimento terrível. Milhões de crianças morrem todo ano. Cerca de cinco vezes mais do que as vítimas das Torres de Nova Iorque. A injustiça tão presente e a empáfia dos ricos que ostentam o seu sucesso sem ver a desgraça que produzem, francamente, me deixam puto da vida.” (Página 13 do livro A Era Do Capital Improdutivo).


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

ARENGA 433

 

No livro A ORIGEM DA DESIGUALDADE ENTRE OS HOMENS, Rousseau levantou a hipótese de ter sido o conformismo dos pobres com a pobreza o motivo da riqueza dos ricos. Supõe, ainda, que a desigualdade teria começado quando o primeiro homem cercou um terreno e passou a ser dono dele. Tendo em vista ter sido a terra a única riqueza dos primeiros tempos, porque a vida dependia dela para colher o que pudesse ser comido, se as outras pessoas  tivessem contestado energicamente aquela usurpação porque até então a terra era de uso coletivo, corresponderia atualmente a uma situação na qual supondo-se ser inteligente o povo, como o verdadeiro dono do mundo, impedisse a permissão para  que um só avarento se apossasse de riqueza suficiente para prover necessidades de milhões de pessoas.

Sonhador como só o filósofo Rousseau, talvez tenha exagerado em sugerir a possibilidade de inexistência de propriedade privada em função dos vários temperamentos que levam alguns a se contentarem com pouco enquanto que outros têm o olho maior que a barriga. Mas, se em função da ignorância humana inexiste ambiente para igualdade, nem por isso deve ser permitida tamanha desigualdade visto corresponder à brutalidade da fera que tendo abatido presa suficiente para várias outras feras, ameaça rosnando e mostrando as presas se outra se aproxima.

Posteriormente, em vez da terra, veio a Mais Valia a se tornar o fator provedor de riqueza como consequência da apropriação dos meios de produção, e, também sob a indiferença dos donos do mundo, avarentos Reis Midas têm açambarcado para si por total ignorância de sociabilidade, fabulosas fortunas, privatizando, do mesmo modo que o primitivo de Rousseau, o que deve ser de uso coletivo.

A ferocidade dos Reis Midas é mostrada pelo economista sem rabo preso Ladislau Dowbor ao dar conta de que oito famílias são detentoras de riqueza correspondente à riqueza de metade da população do planeta. Como ser suportável tamanha injustiça social em se tratando de seres pensantes? O que justificaria tamanha brutalidade de se admitir que um parasita social possa aplicar um bilhão de dólares na agiotagem do cassino financeiro e embolsar cento e trinta e sete mil dólares por dia sem mover uma palha (Ladislau Dowbor, A Era Do Capital Improdutivo, página 26), enquanto um trabalhador rala um mês inteiro pela sobrevivência apenas? Não ocorrem a estes monstros de cuja boca escorre baba de dragão os acontecimentos tenebrosos da França de 1789 e Rússia de 1917?  Que diabo acontece com a humanidade que se sujeita a ser eternamente escravizada por parasitas? Só pode ser porque, como Rousseau disse, depois de se acostumar a ter senhores, não será mais possível dispensá-los.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

ARENGA 432

 

O maior erro que o ser humano comete é permitir que lhe seja tirado o direito de pensar e decidir por si mesmo o rumo a ser tomado na vida.  Se foi agraciado pela natureza com a faculdade de perceber além do alcance dos olhos, por que deixar que falsos líderes pensem em seu lugar e determinem a qualidade de seu futuro? Confiar em quem não se pode confiar não é próprio de quem pensa. A humanidade ainda se encontra em tal estado de selvageria que desconhece sentimentos nobres de irmandade e desprendimento de modo tão evidente que o normal é cada ser humano procurar tirar vantagem do semelhante. O resultado de deixar o destino ser decido por seres tão brutos é ter sido a humanidade obrigada a prover vida mansa para malandros travestidos de autoridades. Não se pode entender o engendramento do qual resulta tamanha injustiça sem entender o que quis dizer Marx com a Mais Valia. A repulsa que o populacho tem ao velho Marx é mais uma das infinitas lambanças arquitetadas pelos malandros aproveitadores da facilidade com que o povo pode ser engabelado porque não pode haver algo de ruim em alguém como Marx que embora por método diferente, dedicou a vida a lutar pelo mesmo ideal de Cristo: justiça social.

Na verdade, em vez das ideias socialistas que buscam uma sociedade sem despossuídos de tudo, o que deve ser rejeitada é a injustiça de uma liderança que usa dos liderados em benefício dos líderes e apaniguados. É a injustiça de não se poder obter os bens indispensáveis sem ter de arcar com soma superior ao valor de tais bens para formar as imensas riquezas de quem os produz e de quem os comercializa. As pessoas conhecidas como poderosas em função de riqueza, devem este poder ao excedente que cada um dos mais de sete bilhões de seres humanos são obrigados a pagar além do preço justo destes bens a título de lucro, graças ao tipo de política executada por falsos líderes muito bem recompensados pelos aproveitadores desonestos em troca da garantia da política que os beneficia e prejudica o povo. Se com número menor de pessoas, porque nem todos pagam dízimo, as religiões acumulam tamanhas fortunas que seus chefes despontam na revista Forbes entre os mais ricos do mundo, é exorbitante a fortuna se absolutamente ninguém deixa de contribuir porque ninguém deixa de comprar.

Daí ser total perda de tempo tudo que se diz e escreve a respeito de coisas erradas como corrupção, desperdício do dinheiro público, cassino financeiro, imensas fortunas pessoais para poucos e imensa pobreza para muitos, porque estas coisas são feitas para serem desse jeito e não deixarão de ser desse jeito enquanto o povo tiver seu destino decidido por quem as quer tão ao contrário de como devem ser que estão a destruir as condições vida no planeta e profissionais de saúde que salvam vidas, professores que ensinam a ler, enfim, quem presta serviço relevante à sociedade é menos valorizado do que toupeiras mentais com padrão de vida infinitamente superior.


terça-feira, 1 de setembro de 2020

ARENGA 431

Ao meio-dia de todo dia, hora em que a maça bruta de povo está em casa para o almoço, a imprensa falada, em polvorosa e entusiásticos brados de goooooolllll, papagaiam sobre futebola. Escravos cujo emprego não permite se deslocarem até suas senzalas para almoçar, a fim de não prejudicar a mais valia de seus patrões, são vistos nas lanchonetes com uma xícara na mão e olhos pregados num aparelho de televisão no alto da parede por meio do qual explode a euforia dos papagaios de microfone em tremenda gritaria porque o barulho tem o poder de atrair a atenção de pessoas talhadas para ambientes chulos.

Trata-se de uma armadilha tão eficiente que dela não escapa nem intelectual do porte do economista Ladislau Dowbor, autor de importantes livros como A Era Do Capital Improdutivo e O Capital Se Descola. Na página 15 do primeiro, seu autor, homem de tão grande intelectualidade se declara torcedor de time de futebola. Se existisse milagres, um deles seria o poder que tem o futebola de atrair para si a opinião pública, desviando sua atenção da política, permitindo que ela possa esconder os horrores que pratica contra a sociedade. Além desse mal (o mais danoso) o futebola também é prejudicial desperdiçando fabulosas somas de dinheiro tanto na corrupção mostrada nos livros O LADO SUJO DO FUTEBOL, de Amaury Ribeiro Júnior, Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet, O SUBMUNDO DO FUTEBOL, de Wilson Raj Perumal, POLÍTICA, PROPINA E FUTEBOL, de Jamil Chade; JOGO CADA VEZ MAIS SUJO, de Andrew Jennings, quanto nas riquezas retiradas da sociedade para jogadores.

Portanto, a realidade que ninguém vê é que o fanatismo pelo futebola evita que o povo possa pensar para não discordar da obrigação de prover rega bofes de parasitas em esplendorosa vida palaciana na qual abundam iguarias, vinhos e mulheres adoidado que abrem as pernas até acima das nuvens em luxuoso avião, tudo por conta do erário.

Ao conseguir livrar-se da prisão mental e prestar atenção no que ocorre ao redor, ver-se-á que o mundo real está tão de ponta-cabeça que criminosos tomaram conta do poder político tão espetacularmente que a bandidagem transformou em vilões os jovens heróis da Lava Jato e estão jogando livre e à vontade, inclusive com proteção da justiça.