segunda-feira, 5 de abril de 2021

ARENGA 483

 

Uma charge de Jean Galvão na Folha de São Paulo mostrando pobres expostos ao rigor do frio faz quem é capaz de driblar os dribles do futebola meditar sobre o contraste entre tamanha desgraça social e a revelação do Grande Mestre do Saber Ladislau Dowbor de que apenas oito famílias mais abastadas no mundo possuem riqueza equivalente à riqueza de metade da humanidade. Ler os livros do doutor Dowbor, entre eles o mais recente A ERA DO CAPITAL IMPRODUTIVO, minha melhor aquisição, faz concluir que este país não produz só ladrões, frequentadores de igreja, axé, futebola e futucadores de telefone. Junto com esta trupe de contrários e indiferentes à luta por uma política correta, também exacerba com tamanha prodigalidade a maldade da cultura capitalista que em nosso meio inverteu para proteção a ação da justiça de perseguir bandidos, insanidade que se faz acompanhar da loucura de legalizar a maldade de fazer um trabalhador ter de ralar durante um mês inteiro para ganhar míseros mil e trinta e nove reais enquanto jogadores de futebola recebem tanto dinheiro que só é possível saber tratar-se de milhões e milhões pela quantidade de mulheres que os assediam porque dinheiro sempre atraiu mulheres como açúcar atrai formigas.

Rui Barbosa adivinhou que nesta republiqueta de banana tornar-se-ia ridículo cultivar sentimentos nobres como pudor, vergonha, honestidade e moralidade. Faltou adivinhar que o despudor, a desonestidade, a imoralidade e a pobreza espiritual seriam fontes segura de riqueza material.

O continente sul americano só podia mesmo se encontrar no estado de desgraça em que se contra se é encarado como inferior por uma humanidade tão inferior que se vê na situação inusitada de não ter ainda descoberto a necessidade de dispensar liderança em função da impossibilidade de existir um só ser humano capaz de liderança se a realidade de ainda se encontrar a humanidade orientada pelo instinto bruto dos tempos de bicho torna impossível  a existência de alguém dotado do sentimento nobre de altruísmo que caracteriza um líder. Esperar ações nobres de um ser humano por ter sido alçado a um posto elevado corresponde a esperar que uma fera se torne pacífica pelo fato de lhe ter sido dado o nome de Cristo.

 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

ARENGA 482

 

Existe uma modalidade de crime tipificado no Código Penal como estelionato, que ocorre quando ardilosamente alguém engana outrem levando esta pessoa a erro do qual resulta vantagem para o enganador. Quando ocorre, descoberto o malogro, é comum o enganado recorrer à justiça buscando ressarcir-se do prejuízo. Entretanto, quando se trata do todo, do coletivo, da humanidade, embora vitimada pelo maior dos prejuízos da história desta modalidade de delito em todos os tempos, não toma providência alguma, é como se nada acontecesse. Ou pior, o fato de serem enganadas as pessoas é encarado com atitudes de nenhum resultado como risos ou ódio.

E a malandragem é de tamanha sutileza, é tão bem engendrada, que os enganados, ainda que avisados do engano palas notícias na imprensa, não tão nem aí. Nem é preciso uma ditadura para amordaçar a imprensa. A certeza dos enganadores de haver total desinteresse da parte dos enganados com a enganação faz com que eles deixem a imprensa dizer o quanto quiser que em vez de estar sendo gasto como era de se esperar, o dinheiro dos impostos ou está sendo roubado, ou gasto em benefício dos enganadores. Considerável soma desse dinheiro vai para uma instituição milenar denominada pão e circo, que em parceria com outra instituição milenar denominada religião, formam uma dupla satânica. A primeira, por meio de espetáculos circenses reduz às atividades lúdicas a atenção coletiva. A outra, brandindo a ameaçadora espada de fogo do pecado, impõe convicção de ser necessário morrer para depois ter o bem-estar comprado a preço tão alto que leva até o dinheiro de comprar respiração.

Entretanto, sob o argumento capcioso do turismo, multidões esvoaçam mundo afora, lotam a Disney, abarrotam as lojas de Me Ame, as igrejas, as praças de axé e futebola, numa demonstração de total indiferença em relação ao fato de ser ludibriada. Sendo voluntária a cessão de bens que propicia aos estelionatários a impunidade, ficam eles tão à vontade que com a espada da lei se auto protegem da punição que a lei impõe a suas práticas delituosas.

quarta-feira, 31 de março de 2021

ARENGA 481

 

A realidade mostra haver impropriedade vernacular no termo civilização com que os livros de História se referem a sociedades humanas. Como se cogitar de civilização em seres tão bárbaros que buscam poder com a mesma brutalidade com que os Vikings buscavam tesouros? Acomodada no faz-de-conta das crianças e dos loucos, a humanidade se nega a encarar a realidade de se viver a mesma ilusão de quando o objetivo dos governos era construir impérios a custo de vidas humanas. Não há civilização sem que se chegue à comunhão de interesses, de ser praticado o ensinamento de Cristo sobre irmandade, de desejar ao outro o mesmo que se deseja para si, em vez de se ater às falsidades do se deus quiser, do graças a deus, do com fé em deus, da igualdade perante a lei, da justiça social ou da falsidade de ser a competição a melhor forma para se viver coletivamente.

É inegável que a humanidade marcha rumo à civilização. Mas esta marcha ocorre ao acaso, independentemente de ação voltada nesse sentido. Abandona-se determinado comportamento contrário a uma convivência civilizada apenas quando se torna inevitável a percepção de haver modo de proceder mais inteligente, o que poderia acontecer antecipadamente caso se racionasse sobre a possibilidade de haver erro naquele proceder, o que não se faz. Segue-se em frente sem interesse no futuro como se só existisse o presente como fazem os irracionais, razão pela qual não se fala em civilização de bovinos ou suínos.

Também peca a parte da História sobre importância da cultura dos romanos para o mundo ocidental em virtude de ter sido a origem da língua portuguesa, do sistema jurídico e do cristianismo. No tocante ao povo brasileiro, tais instituições em nada contribuíram para sua caminhada rumo à civilização. Se o cristianismo visava o bem, no Brasil predomina o mal, a língua portuguesa é brutalmente espezinhada por estrangeirismos e do sistema jurídico resultaram o STF e leis acobertadoras de banditismo.

A insensibilidade de brutos é o que faz a felicidade do povo brasileiro. Na imprensa, notícias sobre esportes praticados em monumentais templos para brincadeiras, para se conversar com estátua ou para comprar feijão milagroso, recolher dízimo, notícias de futilidades, pornografia e prostituição, disputam de igual para igual com notícias de sofrimento, de mortes em tão grande quantidade que faltam sepulturas, de altos roubos do dinheiro de amenizar a tortura de quem não pode respirar por falta desse dinheiro.     

domingo, 28 de março de 2021

ARENGA 480

A imprensa é uma faca de dois gumes. Se por um lado mostra os problemas que afligem a humanidade, por outro lado, salvo gatos pingados como Ladislau Dowbor, Thomas Piketty e poucos outros economistas que escrevem livros mostrando coisas como o impasse entre bem-estar social e o acúmulo em poucas de imensas riquezas privadas, bem como a insanidade da prática de se procriar sem se levar em conta a possibilidade de não ter como manter viva tanta gente.

Tirando fora os poucos escritos desse teor, no mais, a imprensa faz maior mal do que o bem que faz uma vez que suas informações distorcem a verdade. Depender de propaganda para sobreviver, e ser a propaganda a arte de explorar a estupidez humana, resulta que para a imprensa é mais conveniente um baixo nível intelectual dos ouvintes do que de pessoas intelectualmente elevadas. Esta realidade pode ser facilmente percebível na grande audiência que têm as gritarias dos programas sobre futebola, geralmente aos meios-dias, quando a ralé mental é atraída pela televisão no horário de almoço, quer em casa, quer nos restaurantes e lanchonetes. Da mesma forma, as vulgaridades de “famosos”, “celebridades” das baixarias de BBB e Fazenda, além de reis de pau oco, pessoas vulgares para as quais a imprensa carreia a atenção do povo com tamanha eficiência que jovens ficam ricos por cantar, mostrar a bunda, ou escoicear bola enquanto têm de ralar numa vida medíocres os jovens que lutam contra a pandemia, e perseguidos os que buscam justiça social, resultando daí que os seres humanos se comportam de modo a se prejudicarem a si mesmos por força das informações da imprensa.

Daí que a realidade vivida exige mudança. Quando a imprensa mostra à população o lucro dos bancos ou a jogatina do Cassino Caixa Econômica, nenhum interesse desperta na opinião pública a inviabilidade de uma situação na qual há mais vantagem na agiotagem, na jogatina, no roubo do sistema financeiro, nas atividades lúdicas e na prostituição mostrada no Yahoo Notícias do que no trabalho honesto e produtivo. 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 6 de março de 2021

479

 

Injustificável é o conformismo dos seres humanos ante as várias espécies de exploração a que são obrigados suportar, principalmente a dos gigolôs do sistema financeiro. O povo se submete à torpeza de parasitas com a mesma subserviência de pobres putas desamparadas pela vida que se apaixonam por impiedosos malandros de péssimo caráter. É por conta desta subserviência que a opinião pública não discorda do argumento canalha do parlamento que para esconder da justiça os crimes de deputados e senadores apega-se ao argumento da inviolabilidade assegurada no artigo 53 da Constituição Federal. Isto é de um cinismo de clamar aos infernos porque quando a constituição estabelece a imunidade está visando evitar que meliantes se apresentem como ofendidos por falas contundentes de parlamentares honrados em defesa da sociedade. Nunca para proteger meliantes travestidos de deputados e senadores.

Deus cagou fora do pinico quando deixou sem afogar no dilúvio alguns trastes para dar origem ao elemento asqueroso povo, corja tão espiritualmente vil que depois de se misturar com bichos, seus iguais, e contaminar-se com doenças inerentes aos bichos, desperdiça em brincadeiras e foguetórios o dinheiro de tratar as doenças e as esparrama mundo afora num injustificado deslocamento tresloucado prá lá e prá cá.

 O elemento asqueroso povo é incapaz de livrar-se de seus dois maiores males: a religião e o governo. Por um lado, a religião lhe atocha o ferro alimentando a incapacidade de raciocinar para que converse com estátua e compre feijão santo, por outro lado, o governo usa desta incapacidade para atochar-lhe o ferro fazendo-o sustentar em palácios com vida mansa uma plêiade de vagabundos da mais baixa estirpe.

No que diz respeito à religiosidade, na página 27 do livro Falando Francamente Vinicius Bittencourt nos lembra estas palavras do filósofo Thomas Paine: “Quando lemos as histórias obscenas, as libertinagens volutuosas, as cruéis e traiçoeiras execuções, as vinganças impiedosas, que enchem mais da metade da bíblia, pensamos que seria mais consistente chamá-la a palavra do demônio do que a palavra de Deus. É um relato de perversidades que contribuem para corromper e embrutecer a humanidade”.

A estas palavras o mestre do Saber Vinicius Bittencourt acrescenta: “O povo quer ser iludido. Os padres e os pastores suprem esta carência, fornecendo imposturas”.

No que diz respeito ao governo, foi ele cooptado pelo poder do dinheiro de ignorantes Reis Midas que embora sendo apenas um por cento da população botou o bundão farto em cima de noventa e nove por cento da riqueza do mundo sob completa indiferença da opinião pública cooptada pelo pão e circo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

ARENGA 478

 

             Papagaios de microfone é uma expressão que define com perfeita exatidão o tagarelar dos comentaristas de politicagem porque a fala deles independe de raciocínio. Quando falam que os comunistas são inimigos da democracia, da ordem democrática e respeito à constituição, trata-se de verdadeiro papagaiar porque tal fala não resiste a uma análise ainda que superficial. Observando o que estabelece a Constituição Federal, a democracia seria uma forma de governo que entre vários objetivos constam os seguintes:  Dignidade da pessoa humana (Art. 1º, item III). Constituir uma sociedade justa e solidária (Art. 3º, item I). Erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais (Art. 3º, item IV). Garantir que todos tenham segurança e igualdade perante a lei (Art. 5º). Garantir que ninguém seja submetido a tratamento desumano ou degradante (Art. 5º, item III).

 Ora, a realidade de ser o contrário de tudo isto o que se tem prova insofismavelmente que a cultura capitalista não visa tais objetivos e que eles estão mais perto do ideal comunista de justiça social que a papagaiada de microfone denigre raivosamente por ordem de seus donos, os ricos patrões donos dos meios de comunicação, com maior obediência do que o papagaio que por vezes teima em não repetir o que seu dono manda e fica a mofar dele mirando-o ora com um olho, ora com o outro.

Uma análise isenta de fanatismo leva à conclusão de haver mais seriedade no ideal comunista de extinção da pobreza como único caminho para o bem-estar, visto que ele depende de poder satisfazer as necessidades, o que só se faz com dinheiro, do que o ideal democrático em vigor para o qual deve-se esperar morrer para que se possa desfrutar de bem-estar.

Da mesma forma, também não existe racionalidade no papagaiar dos comentaristas de politicagem sobre a prisão do malandro federal da câmara de deputados ordenada pelo malandro federal do STF, sob alegação de terem os parlamentares inviolabilidade garantida pelo Art. 53 da Constituição Federal quanto às suas opiniões. Ora, a constituição estabelece esta imunidade visando evitar que homens honrados sejam molestados por causa de pronunciamentos ainda que contundentes em defesa da sociedade. Entretanto, nunca para garantir a segurança da bandidagem que infectou todas as instituições governamentais porque seria insuportável que a lei garantisse imunidade em se tratando dos foras da lei que graças à democracia se apossaram do poder político.

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

ARENGA 477

 

 

Um ninho de pássaros com filhotes em grande frenesi e incontido alvoroço, com os biquinhos escancarados ao máximo para receber o alimento que seus pais tanto ingerem quanto lhes trazem sem cessar, lembra o alvoroço das eleições, lembra os políticos e lembra os reis midas do mundo, e o campo de onde os papais pássaros caçam o alimento lembra a população. Principalmente a população brasileira. Embora seja a mesma coisa no mundo inteiro, no Brasil, por ser apenas um pouco mais maior a ignorância humana, posto que ainda colônia, dá prá se perceber com maior nitidez a semelhança visto ser dispensável a necessidade de fingimento comum nas sociedades “civilizadas”.

Por se deixar levar ao sabor dos acontecimentos é que a humanidade alimenta as mais diversas paradoxais situações, nenhuma delas em seu proveito porque não há um só indivíduo no mundo que não gostaria de viver de modo diferente do que está vivendo. Nem podia ser diferente visto ter sido a vida conduzida à situação insustentável de depender de um consumismo desenfreado que tem como resultado destruir o planeta do qual depende o tipo de vida almejado, sendo a indiferença dos prejudicados o combustível da força motriz que inviabiliza a possibilidade de se ter o tipo de vida que a todos faz falta, razão reclama, e que para ser alcançado é necessidade haver empenho nesse sentido.

Embora seja grande e crescente o inconformismo com o tipo de vida entre os seres humanos, a rebeldia tem se limitado a queixumes e violências, atitudes que além de improdutivas, partem de número inexpressivo de pessoas visto estar a maioria ligada no pão e circo e que por estar também convicta de que a deus cabe a condução do mundo, deixa de conduzi-lo, inviabilizando a possibilidade de poderem todos ter o tipo de vida que gostariam e que jamais poderão ter se a riqueza da qual depende um tipo de vida com algum conforto foi apossada por apenas um por cento das pessoas.

Tão intrigante quanto ao porquê de ter a humanidade se permitido chegar a tamanho descompasso é sua indisposição de engendrar o tipo de vida desejado por cada um individualmente. Se todos, um a um, querem outra forma de vida, para alcançá-la basta unir numa só vontade as vontades individuais e pôr mãos à obra na materialização da vontade de viver bem, o que vale qualquer sacrifício posto ser a vida a mais fabulosa escola que pode existir, como haverão de perceber um dia os jovens, desde que, como em qualquer escola, se disponha a aprender.