sexta-feira, 23 de março de 2012

PESSOAS INOCENTES

É crime conceder habite-se a prédio inacabado, e é crime fazer barulho. Entretanto, aqui em Conquista, por falta de observação e inteligência, aluguei e passei a morar num apartamento cujo prédio inacabado já tinha habite-se. Era um inferno total. Pancadaria e barulho de máquinas que pareciam estar logo ao lado. E tudo porque a administração municipal deixa de cumprir determinação legal. Encontrei na internete a Lei n. 1172/96 que proíbe no artigo 14 a concessão de habite-se a prédio inconcluso. Embora se refira a lei ao Distrito Federal, a norma tem que ser geral porque o sofrimento de conviver em meio a pancadaria é martirizante em qualquer lugar.
As pessoas que se sentem mal com o barulho tem direito assegurado em lei ao silêncio. Uma consulta ao artigo 1.277 do Código Civil e o artigo 42, item IV, da Lei das Contravenções Penais nos deixa certos disso. E tem razão de ser. A Organização Mundial da Saúde adverte que a poluição sonora não só danifica a audição, mas também e principalmente o sistema nervoso. Sabendo-se o estado de nervosismo que acomete as pessoas atualmente, há coerência em se ligar o aumento do barulho proveniente do chamado progresso ao aumento da violência que já produz duelos por assuntos triviais do trânsito infernal por culpa do atual modo de vida que a todos obriga a ter carro.
Os brasileiros se portam como crianças. Adoram brincadeiras. Festas, então, nem se fala. Aplaude o esbanjamento do seu dinheiro em festa da corrupção do futebola, do axé, e do papôco dos foguetes coloridos, ao tempo em que chora nos corredores dos hospitais.
A inocência é tão grande que no prédio onde moro foi afixado no elevador um aviso aos moradores recomendando a título de boa convivência que se observasse o silêncio durante o período em que os operários não estivessem martelando a cabeça das pessoas. Advertia que precisamos de silêncio a partir das 22 até as 7 horas. A partir das 7, quando recomeçam os trabalhos de construção, na inocência das pessoas que acreditam conviver com o barulho sem pagar um preço, não se fazia mais necessário o silêncio que a lei nos garante durante as vinte e quatro horas do dia. A lei nos protege até contra o latir de cachorro. O barulho age como o veneno dos alimentos que aos poucos resulta no câncer ou outros tipos de moléstias que acabam com os idosos que os consumiram por mais tempo. Não perdem por esperar os que ainda não absorveram veneno bastante para fazer andar arrastando os pés (quando pode andar) ou tremendo como se estivesse com frio. Desse modo, também o barulho vai minando o sistema nervoso até deixá-lo à flor da pele e levar a pessoa a gesto do qual lhe resultará também grande mal.
Certa vez um deputado aparentemente bem intencionado apresentou projeto para incluir o barulho entre os crimes de ação pública. Isto significaria mais facilidade para o seu combate. Entretanto, como prova de que a religião prejudica a sociedade, a bancada dos deputados que a igreja evangélica elege com o dinheiro das pessoas inocentes impediu alegando cercear o direito ao culto. O culto a que eles se referiam era o local barulhento aonde as pessoas vão levar dinheiro. Por que Deus que criou o universo iria precisar de deputados? Qual é o papel deles no relacionamento da sociedade com Deus? Paz, isso podemos ver que não é porque a festa que cultua sua crença, juntamente com a pancadaria de construção e os carros com alto-falantes tornam um inferno a vida de quem precisa se concentrar num trabalho ou leitura.
A inocência das pessoas não as deixa enxergar o que está fora do alcance da mão. Nada a não ser brincadeira lhes chama atenção. A correria que empreendem em busca de mais e mais dinheiro não teria razão de ser se elas recebessem da administração pública aquilo a que tem direito. Se o recebessem, só teriam que gastar do que recebem apenas a parte de pagar imposto. Todo o restante seria economizado porque não haveria necessidade de pagar plano de saúde, médico, dentista, cerca elétrica, grades de ferro e vigilância. Só teria mesmo de gastar com a comida.
São tão tolas as pessoas inocentes que a administração pública lhes passa mel na boca. Uma propaganda apresenta como mérito do governo o fato de emprestar dinheiro para que o estudante pobre possa estudar. Isto é falso, só admissível num ambiente de tolos. Este procedimento é duas vezes danoso à sociedade. O dinheiro de pagar o estudo já foi entregue à administração pública através dos impostos. Se tiveram outra finalidade, a sociedade ficou prejudicada. Não se pode pagar duas vezes a mesma dívida. Além disso, há outro absurdo nesta notícia que é o fato de levar o jovem a começar sua vida profissional já embaraçado com uma dívida que é ilegal, exato no momento de constituir família.
As pessoas inocentes ouvem coisas desse tipo e acreditam tanto que levam em boa conta uma administração pública que tira recursos de quem trabalha para sustentar quem não trabalha. Na maioria das vezes involuntariamente.
A indiferença das pessoas inocentes quanto aos destinos de sua sociedade faz com que elas não percebam que propaganda não corresponde à realidade. O presidente da república quando estava sadio pavoneou que tinha levado o sistema de saúde pública a tal perfeição que até dava vontade de adoecer para se tratar nele. Pois aconteceu de ficar muito doente. Entretanto, não aproveitou a oportunidade de satisfazer a vontade e se mandou para hospital particular e só para ricos. Curioso é que ele era um pobre coitado. Como ficou rico?
As pessoas inocentes não percebem nada além de brincadeiras e correria atrás de mais dinheiro. Ouvem com naturalidade até propaganda da Souza Cruz. O que pode haver de positivo numa fábrica de cânceres que infelicitam famílias?
É isso aí, pessoas inocentes, vocês precisam crescer e tomar jeito de gente.

sábado, 22 de outubro de 2011

TEMPOS MODERNOS



Modernizar implica em substituir o velho pelo novo quando o novo se mostra mais eficiente. Então, quando se conclui haver um novo modo de se obter o mesmo resultado com menor esforço ou emprego de material, substitui-se a maneira antiga de fazer pela novidade. Há de se notar, entretanto, a necessidade de averiguação de haver benefício oriundo da aplicação da nova técnica.
Uma averiguação sobre a substituição dos tempos de antanho pelos tempos atuais, ainda que feita por alguém que nem sabe onde colocar as vírgulas pode provar não ter havido vantagem na troca do velho pelo novo. Esse negócio moderno de virar celebridade e ser motivo de festejo social por se casar com alguém do mesmo sexo ou se tornar tão idiota a ponto de se voltar ao tempo dos gregos no culto pela beleza física, com a desvantagem de haver na modernidade morte de pessoas em consequência do esforço para ficar bonito e dos venenos usados para apressar a boniteza, enquanto que a história não parece registrar morte de um grego por causa de seus exercícios em busca da beleza física, movidos que eram pela ingenuidade de acreditar que os males do mundo vieram quando a curiosidade de Pandora levou-a a abrir a caixa que os guardava, ingenuidade esta que continua orientando as ações dos povos ainda não habilitados a se tornarem civilizados.
É verdade que nos tempos de antanho não havia o avanço da medicina que salva muitos ricos. Entretanto, ninguém era mantido vivo por drogas, tubos, agulhas e UTIs, num sofrimento tão grande como o que vi nos olhos da minha mãe já desenganada por dois outros médicos, mas operada pelo mercenário Walter Pinotti, que nos extorquiu.
Personagens de Eça de Queiroz costumavam morrer de apoplexia nos tempos de antanho. Sujeito se empanturrava de comida e bebida e enchia as veias de obstáculos que impediam o movimento do sangue e caia mortinho da silva de apoplexia. Isto era muito mais simples do ponto de vista de evitar sofrimento do que desperdiçar os recursos que poderiam beneficiar outros membros da família para manter apenas um deles numa vida que não é vida e que logo se acabará, além de não ser do gosto do próprio doente se pudesse escolher. A vantagem do modernismo sobre os tempos de antanho no que diz respeito a este aspecto do sofrimento humano não é tão vantajosa assim.
As grandes vantagens trazidas pela experiência do passar dos tempos às ciências médicas estão só ao alcance de quem pode pagar plano de saúde. Os donos deles ficam milionários enquanto que o pessoal que cuida de nós tem de se virar para ter um padrão condizente com o esforço que fazem. Muitos deles, imbuídos da cultura que torna necessário o enriquecimento, esquecem o juramento para se tornarem mercenários como o Dr. Walter Pinotti. A modernidade, portanto, como consequência de um lento processo evolutivo, não trouxe benefícios significativos.
E na Economia Política? Ah! Aí sim! Vê só quanta riqueza? Qual o quê. Tudo balela. A produção de riqueza vai levar a humanidade à extinção. Se nós já estamos tendo problemas com a natureza, os filhos destes jovens de espeto no beiço e “nas partes” irão amassar o pão pro diabo comer.
Então, se também na produção de riqueza não houve vantagem para o povo, mesmo porque ela só beneficia poucos, a vantagem da substituição dos tempos de antanho pelos tempos modernos continua sem maiores vantagens.
É verdade que outros povos evoluíram para um estágio denominado de civilizado apesar de continuarem tão imbecilizados a ponto de também sustentarem palácios, autoridades de todo tipo com vida regalada de mordomias, casamentos espalhafatosos de ridículos príncipes e princesas que esvoaçam pelo mundo à custa deles.
Tais povos, apesar de também estúpidos, vieram a ser liderados por autoridades que aplicam mais recursos do que roubam e isto lhes permitiu um padrão de vida mais alto e a denominação de civilizadas apenas por viver melhor. Não por atingir um estagio evolutivo superior, mas apenas pela posse de bens materiais, o que denota ignorância.
“Civilizado”, então, define um estágio da evolução cultural humana ainda eivada de barbarismo capaz de manter o povo como mero servil das autoridades. Então, se um povo civilizado está ainda em tais condições de escravidão consentida, que dizer de um povo cuja evolução intelectual ainda nem lhe confere o estado de civilizado?
Se o significado de civilizado serve para definir brutos, a modernidade não trouxe vantagem alguma porque antigamente, como na modernidade, brutos saltavam sobre outros povos com menor poder físico e lhes tomavam o que tinham, sendo ainda pior agora porque os saques não são apenas entre povos, mas também entre pessoas do mesmo grupo.
O que falta para haver vantagem na substituição dos tempos de antanho pelos tempos modernos é uma EDUCAÇÃO que forme cidadãos para ser colocada no lugar desta que forma idiotas capazes de idolatrar personagens ridículas pela habilidade dos pés a ponto de eleger uma delas para legislador e outras igualmente ridículas em tal papel, por fazer palhaçadas, delegando autoridade a pessoas intelectualmente incapazes de exercê-la.
Em consequência desta deseducação é que em todo o mundo a nossa parte é a mais atrasada em função de sua deseducação. Nossa modernidade continua de fornecedores de riqueza para a gatunagem dos civilizados. Estamos tão atrasados na evolução intelectual que a brutalidade escancarada é comum entre as pessoas.
Estamos tão embrutecidos que andamos indiferentes sobre fezes nas ruas com barulho suficiente para tornar a juventude estressada e surda. O poder público habilita prédios inacabados para serem habitados e a administração de um deles distribuiu comunicado entre seus moradores advertindo para a necessidade de se resguardar civilizadamente a comodidade dos vizinhos evitando barulho entre as vinte e duas e as sete horas da manhã. Se na modernidade as pessoas só tem direito ao sossego neste horário, ao contrário do que estabelece a legislação, é porque a modernidade não trouxe benefício suficiente que superasse o malefício de criar a necessidade imensurável de riqueza que põe as pessoas em polvorosa e com o comportamento de rebanho faminto ao avistar pasto suculento.
A busca por riqueza embruteceu as pessoas de tal maneira que não se pode confiar em mais ninguém. Deixei a cargo de uma locadora de imóveis a vantagem de pagar o aluguel de todo o ano de uma só vez e o resultado foi que não houve vantagem alguma. Por confiar nas pessoas, paguei de uma só vez o mesmo que pagaria em doze vezes.
Isto de ainda confiar nas pessoas é coisa de gente do tempo de antanho como eu, que não acreditava chegar o tempo previsto por Rui Barbosa ao garantir que o homem chegaria a não ter um pingo de vergonha na cara.
Certa vez, caminhoneiro nato que sou, dirigia meu caminhão e dei carona a um grupo que levou as minhas cordas quando desceu.
Observador do Mestre Cuca, para satisfação da minha mulher, certa vez resolvi percorrer os oito quilômetros que me separavam da Cidade de Barra do Choça para comprar um pouco de aipim porque a do sítio era nova e eu queria fazer algo com aipim. Escolhi na feira um amarrado que custava dois reais e que ficou por cinco reais porque o vendeiro, um velho, se queixou que iria ficar sem trocado para os fregueses. Por ser de antanho e não querer prejudicar o velho, dispensei o troco e voltei para a cozinha onde tive a decepção de constatar que todas as raízes estavam azuis e imprestáveis.
Outra vez, dirigindo meu primeiro caminhão, ainda a gasolina, isto quando não havia asfalto para a Barra do Choça, encontrei um caminhoneiro a quem eu sentia orgulho em tratar de colega, e lhe emprestei vinte litros que seriam deixados em determinado posto, e ainda não deixou.
Em outra, também um colega caminhoneiro me levou a lata de óleo de freio e não deixou lá no posto onde disse que deixaria.
Ainda teve outro “mui” colega caminhoneiro que levou doze canos de PVC que não se acomodavam bem na minha carga e sumiu com eles.
Quando produzia café, tive vários sacos de café roubados além de seis motores e cabos de alumínio que são roubados para serem receptados e transformados em panelas. Até grãos de café eram roubados nas árvores.
A ladroagem com brutalidade dos tempos de antanho está presente também na modernidade, o que afasta a existência de ter havido vantagem em sua aplicação. Nos outros povos, a gatunagem é efetuada por meio de furto que é um modo sutil de roubar. Entre nós, entretanto, roubar, cujo processo inclui violência, é tão normal quanto respirar.
A humanidade talvez não tenha tempo de saber que estaria em melhores condições sem a estupidez que leva as pessoas a consumirem-se numa correria infernal atrás de dinheiro enquanto imbecis se arvoraram da riqueza que tem, mesmo assistindo o acontecido com outros imbecis transformados em farrapos antes de mortos em sofrimento exatamente por causa da riqueza que tinham.
Na modernidade, povo equivale realmente à manada como descobriu o poeta ao sentenciar do alto de sua genialidade a estupidez humana, como fez outra pessoa, um menino, afastando a cegueira do povo que fingia enxergar vestido um rei que estava nu.
Haja estupidez! Razão tinham os Grandes Mestres do Saber em não gostar de nossa companhia.










terça-feira, 4 de outubro de 2011

VAMO TÊ VERGONHA, PÔ!


Olá, jovens que não vão ler meu recado. Façam de conta que estão escutando que lá vai prosa e puxão de orelha com brinco ou sem brinco. Não sei se a juventude merece porrada pelo comportamento idiotizado, ou piedade por ter nascido num ambiente do qual não participa a dignidade de homem e mulher que mereça respeito integral porque atualmente não é vergonhosa a desonestidade. Pelo contrário, dá estatura social.
A palavra “homem”, independentemente do sexo, encerra um qualificativo de superioridade, mas superioridade pela capacidade de pensar e por em prática as ações oriundas do pensamento. Ser homem, portanto, é a representação de um ser capaz de gestos nobres. Se não há gestos de nobreza e sentimento de solidariedade humana em determinado grupo é por ser ainda muito primitiva a índole deste grupo. Uma sociedade em tais moldes é uma sociedade infeliz como a nossa e causa tristeza a indiferença da juventude ao conviver com atos dos quais não fazem parte aqueles requisitos de honra e nobreza de caráter próprios dos verdadeiros homens e mulheres. Estão os jovens acostumados a um sistema onde quanto menos qualidades de homem tiver alguém, maiores as chances de receber prestígio social.
Pois eu os convoco, ó cambada, para encher o peito de ar poluído e assumir uma posição de homem diante do seu belo país porque ele não age por si só e precisa que alguém o faça por ele. Alguém que queira saber por que um homem da estatura moral do General Charles de Gaulle disse que o Brasil não é um país sério? Por que um Ministro do Estado Brasileiro foi revistado no aeroporto americano como um marginal qualquer e um Senador da República do Brasil beijou a mão de um candidato a presidente americano? Por que os atores americanos zombaram dos brasileiros? Se nossos minérios vão embora e voltam em forma de produtos acabados que compramos por centenas de vezes mais caro do que vendemos os minérios, não é fazer papel de bobo uma vez que há um montão de gente precisando trabalhar? Por que não processamos os minérios aqui mesmo? Por que o Brasil precisa importar trabalhadores se temos milhões de desempregados? Por que nossos políticos declaram menosprezar a opinião do povo que lhes paga a vida faustosa? Quando as pessoas são normais, é a opinião do patrão que prevalece.
Não obstante a existência de grandes brasileiros e brasileiras entre nossos irmãos brasileiros, isto ocorreu no plano interno. Do ponto de vista de mundo nosso papel sempre foi de bobo da corte. Nada mais ridículo do que o Lula exibir um ar de importante para dizer que ia telefonar para O AMIGO Bush! É um presidente “ingênuo”. O Bush é bilionário de família tradicionalmente bilionária e escolado na arte maligna de explorar a humanidade, enquanto que o pau de arara explora apenas um pobre povo desprovido de entendimento. Do Lula o Bush é “mui amigo”. Amigão dele é o lucro das empresas de seus correligionários ao custo de apenas 550 reais por trabalhador ao mês.
Uma vez que está todo mundo tão interessado nesta prosa, vou lhes dizer que o Professor Laurentino Gomes escreveu um belíssimo livro de História do Brasil, intitulado 1808, onde ele nos mostra nas páginas 60 a 65 a origem de nossa preguiça e no capítulo 15 ele nos mostra de onde vem nossa gatunagem. Eis uma amostra da origem de nossa preguiça: “A riqueza de Portugal era resultado do dinheiro fácil, como os ganhos de herança, cassinos e loterias, que não exigem sacrifício, esforço de criatividade e inovação, nem investimento de longo prazo em educação e criação de leis e instituições duradouras. Baseava-se na exploração pura e simples das colônias, sem que nelas fosse necessário investir em infra-estrutura, educação ou melhoria de qualquer espécie”.
Nossa qualidade de inferiores é tão evidente que até os nomes dos prédios residenciais precisam ser em inglês, francês ou espanhol. A língua dos brasileiros não serve. Por que os nativos desprezam seu país?
É compreensível que a velharia da boca torta pelo uso de todos os defeitos do mundo não se sinta incomodada porque o cinismo é a praia deles. Agora, a juventude precisa assumir um papel de verdadeiros homens e mulheres, lançar fora os espetos dos beiços e “das partes” e tirar nosso país do ridículo para colocá-lo num lugar honrado. Para tanto basta marchar com o estandarte da justiça em uma das mãos e o da honra e dignidade na outra mão. Sob o signo destes símbolos haverão de vencer até a própria parvoíce.
A maior mudança já ocorrida na história da humanidade está nas mãos dos jovens atuais. Mudança da qual não participa a brutalidade, mas mudança capaz de fazer o mundo ficar bom. Para tanto basta que os jovens tomem nas mãos a educação de seus filhos e mude o comportamento deles, fazendo-os pessoas normais em vez de idiotas a quem se ensina que um velhinho voador vai descer pela chaminé (mesmo que não haja chaminé) e deixar presente em forma de metralhadora para despertar nas pobres e inocentes criaturinhas o instinto da violência. O convencimento verdadeiramente capaz de promover mudança é aquele oriundo da mudança de mentalidade, como nos mostra o professor Durval Lemos Menezes, no livro A Conquista dos Coronéis, quando afirma a influência da nova mentalidade dos filhos dos coronéis sobre as idéias do coronelismo.
A grande mudança começará a existir a partir do momento que os jovens pais ensinarem a seus filhos que está muitíssimo errado uma equipe que nos livra de uma dor martirizante de coluna merecer menos reconhecimento do que outra equipe que corre atrás de bola. Faz-se necessário colocar as coisas nos lugares e assumir outra posição perante o mundo. Enquanto outros povos descobrem cura para muitos males, nós descobrimos novas formas de chutar petardos, saracotear no axé e vender a “paixão” cor de jambo de nossas mulheres para o deliciamento dos gringos da bunda prateada.
Pois então, ó cambada, que tal levantar alto a verdadeira bandeira de uma independência autêntica, conquistada por respeitar e ser respeitado por merecimento, e depois colocá-la no lugar desta independência mambembe comprada por seiscentas mil libras esterlinas? O professor Laurentino explica tudinho. É legal! Inté.

domingo, 18 de setembro de 2011

INDIFERENÇA E ESTUPIDEZ


Um empresário da Avenida Bartolomeu de Gusmão me disse estar apreensivo com os assassinatos ocorridos nas imediações de sua empresa, e que ainda ontem (dia 12) uma menina de dezesseis anos levou três tiros na boca. Que a pobrezinha ainda correu e sangrava muito. Morreu pouco adiante.
O que faz a sociedade ser indiferente a tal barbaridade? É preciso ser mais bruto do que o mais bruto dos irracionais para não se sentir enojado e até revoltado ante tal barbaridade, principalmente quem tem filhas. Ser insensível ao sofrimento daquela criança é ser monstro! Os poucos que sofrem junto com a menina, estes nada podem fazer porque o rumo da sociedade é determinado pela absolutíssima maioria das pessoas, e elas só pensam em dinheiro.
O desconhecimento do que seja viver com outras pessoas leva a pensar na possibilidade de se ter seu mundinho particular, o que impossível. O que acontece na sociedade acontece conosco, mais cedo ou mais tarde.
Como a qualidade das pessoas determina a qualidade da sociedade, se a sociedade é insensível à brutalidade é porque esta brutalidade está em cada um de nós. É por ter conhecimento disto que escrevo mesmo sem saber, na ilusão de que seja minha gota de incentivo ao surgimento de uma sociedade onde as menininhas recebam carinho e educação. Nunca, de modo algum, não pode acontecer, é o cúmulo da degradação humana, dar tiros numa menininha. É incompreensível a indiferença dos pais de menininhas! É incompreensível, sobretudo, a indiferença dos jovens! Desperta, cambada! Lança longe o espeto do beiço e exija como cidadãos educados que as autoridades cumpram seu dever.
São evidentes as más qualidades das pessoas modernas. Assumir um compromisso atualmente não significa nenhuma obrigatoriedade. O homem atual não sabe o que é honrar sua palavra.
Sendo uma das pessoas que sofre junto com a menininha, havia eu feito uma carta ao prefeito pedindo limpeza na cidade porque as pessoas estão pisando em fezes que escorrem dos ralos e levando doenças para suas casas. Este assunto como se vê, é pertinente a todas as pessoas que prezam a higiene. Fui ao jornal Diário do Sudoeste saber o custo de publicação e me disseram que seria publicada sem custo por ser de interesse público. Saí de lá com a certeza de se tratar de gente capaz de sofrer também com acontecimentos iguais ao da menininha. Entretanto, no lugar da carta publicou fuxicos de novelas.
É necessário levantar mais alto a cabeça para enxergar além da necessidade de correr e fazer barulho em busca de dinheiro, mesmo porque ele será buscado pelos descendentes de quem atira em menininhas. O Japão estabeleceu um sistema tão rígido de educação para formar técnicos eficientes na produção de riqueza que muitos jovens japoneses se sentiam tão inferiorizados por não conseguirem acompanhar o ritmo e cometiam suicídio. Alcançou o objetivo e produziu imensa riqueza ao custo de infelicitar o povo rico com o medo justificado de viver numa ilha ponteada de usinas nucleares sujeitas a serem quebradas por cismas climáticos que abundam na região. Do mesmo modo, os Estados Unidos acumularam montanhas de dinheiro e tem por conseqüência seus cidadãos sob constante perigo.
Está enganado quem espera encontrar bem-estar junto a um monte de dinheiro estando ambos rodeados de necessitados capazes de dar tiro em menininha pela falta de apenas alguns reais. A desumanização embrutece as pessoas. Já chegamos ao cúmulo do absurdo de se morar em meio a uma construção com o consentimento do poder público que libera habite-se a um prédio inacabado. Neste momento sou bombardeado por marretadas, ronco de furadeira, enfim, um inferno. Não tem moral para exigir que as pessoas observem as normas de conduta o poder público que descumpre a norma que exige total conclusão do imóvel para obtenção daquele documento.
Enquanto vida tiver, não deixarei de pirraçar para que as pessoas aprendam a pensar. Descobrirão existir um universo de coisas além de dinheiro. Descobrirão que não somos obrigados a suportar barulho e que ele faz mal. Veja o que disse o juiz paulista Dr. Antônio Silveira Ribeiro dos Santos no jornal Notícias Forenses, de junho de 1997, página nove: “Atualmente o direito de propriedade não é absoluto, devendo assim o proprietário utilizar sua propriedade de forma a atender os fins sociais, não prejudicando terceiros, bem como não produzindo nenhuma ação poluidora que afete seu vizinho ou a coletividade, uma vez que o direito a um ambiente sadio é previsto constitucionalmente, reconhecendo-se uma nova função da propriedade: a ambiental”.
Se não temos de suportar barulho, como pode o poder público permitir que seja habitado um prédio em construção?
Precisamos refazer nosso comportamento social de modo a que nos preocupemos com as menininhas. Principalmente os jovens. Não devemos nos esquecer de que a violência social, de um a um, acabará atingindo a todos, garante o autor de Por Quem os Sinos Dobram. E ele é bem mais inteligente que nós.





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PENSAR É PRIVILÉGIO DO HOMEM


Olá, juventude envelhecida. Ói eu traveis nos pé docêis.
Como o barulho de alguma festa não me deixa dormir nesta madrugada de sábado, fiquei a pensar como a vida seria melhor se os jovens tivessem conhecimento do que seja vida social. Seria bom porque com a vivacidade própria dos jovens eles haveriam de aprimorar este conhecimento, de modo que depois de algumas gerações viríamos a ser uma sociedade civilizada. Entretanto, com a mentalidade de dar preferência a assuntos do tipo Programa do Ronco – Miss boniteza – Fashion Week – Fórmula Um – Futebola – Basquetebola – Voleibola, fica difícil elevar a mente a coisa menos rasteira. Para aumentar minha tristeza, ao ligar o rádio ouço a notícia de que Ronaldinho Gaúcho foi a estrela que mais brilhou na Bienal Do Livro. É simplesmente assustador! Livro tem a ver com o cérebro e ele fica na cabeça. Não nos pés. Os jovens estão tão velhos que caducam. Já estão querendo usar califon. Qualé, meu!
Sendo do tipo teimoso que não larga o osso, não desisto de abrir uma brechinha no monte de bobagem que vocês tem na cabeça para colocar uma pitada da sabedoria que a velhice me deu e que seria proveitoso vocês prestarem atenção na prosa de hoje porque vocês não sabem, como eu também não sabia quando era jovem, o que é vida social, e a falta deste conhecimento levará vocês ao destino horroroso previsto pele ciência e vocês nem sabem disto porque preferem a atividade doa pés. O conhecimento da vida social é mais importante do que o conhecimento que levou o homem à lua. Prova isso o fato de que o país que levou o homem lá é o mesmo país onde os cidadãos vivem com medo da própria sombra porque tem inimigos no mundo todo.
Não se pode desconhecer o fato de que para se viver em sociedade é necessário levar em conta a existência das outras pessoas. Nós que constituímos a sociedade humana precisamos uns dos outros e de cooperação para que haja harmonia. Uma sociedade na qual se possa viver com dignidade não pode existir onde se desconheça que antes do EU individual há o EU social e ele impõe limite ao meu EU individual pela necessidade de observar que não estou só, que há pessoas em volta e que estas pessoas, do mesmo modo que eu, também tem seu espaço, afazeres, lazeres e direito de exercê-los tanto quanto eu tenho direito às mesmas coisas. Como os interesses são desencontrados porquanto uns querem coisas diferentes de outros, faz-se necessário o conhecimento do que seja vida social para que se esteja convencido da vantagem na conciliação dos interesses para evitar perturbações que prejudicam a harmonia social.
Certo dia, na Praça do Gil, um domingo pela manhã, alguns jovens funcionavam uma parafernália sonora em frente a um hotel. Esta preocupação em levar algum esclarecimento aos jovens, porque deles depende o futuro, me fez reclamar com eles, até com alguma rispidez, fazendo-os ver a situação de quem dormia no hotel. Dada a cordialidade daqueles jovens que acataram minha observação e fizeram silêncio, concluí tratar-se de pessoas de boa índole e com boa dose de educação doméstica, a quem peço desculpa pelo modo de falar. Só lhes falta a educação social, o conhecimento do que seja vida social. Um sistema educacional como o nosso onde os pés rendem mil vezes o salários do professor que usa a cabeça não tem interesse em produzir cidadãos, mas seres esquisitos com aspecto de adulto e mente infantil.
Não aprendem na escola que a sociedade é um abrigo para cada um de nós e que precisamos protegê-la. Certamente as crianças perguntarão: Como proteger algo que não se vê? Só não vê se não tirar o pensamento da preocupação de saber se vai botar o pirce no beiço de baixo ou no de cima. Se prestar atenção na quantidade de objetos e atitudes de que depende o bem- estar de cada um, verá de quanta gente ele depende. Nós dependemos uns dos outros.
O escritor Ernest Hemingway faz referência a este inevitável e necessário entrosamento entre os seres humanos no livro Por Quem os Sinos Dobram. Diz ele que ao perguntar por quem os sinos dobram a resposta seria que eles dobram também pela pessoa que está perguntando. (Perguntar por quem os sinos dobram equivale a perguntar quem foi que morreu. Era costume haver um sino repicando durante todo o dia quando morria alguém com alguma relevância social).
A afirmação do escritor de morrer um pouco de cada um quando morre alguém faz sentido levando-se em conta que as pessoas são as células do corpo social porque a sociedade é um organismo vivo que exerce influência sobre o nosso comportamento. Não cumprimentar uma pessoa tem efeito que provoca reação na prática. A sociedade é a força resultante da união das pessoas e o nível de conhecimento destas pessoas determina o da sociedade. Nós os seres humanos estamos para a sociedade humana assim como as células do nosso corpo estão para o nosso corpo. Se a morte de uma delas afeta o nosso organismo, do mesmo modo, a morte de um de nós afeta o corpo social ou sociedade em função de nossa interdependência.
Quando jovens inocentes arrebentam seus tímpanos e sistema nervoso com o som do carro ou o estrondo da moto eles também produzem o mesmo resultado danoso nas pessoas em volta. Elas não se incomodam porque também desconhecem o resultado negativo que o barulho produz. Agora, imagine a situação de quem sabe e é obrigado a suportar a tortura de ter sua saúde estragada sem poder cumprir o instinto primário da autodefesa de seu bem estar espezinhado pelo barulho. Neste exato momento escrevo sob marretadas provenientes de obra em algum apartamento no prédio. A vida seria melhor sem tanta ignorância.
Ante a inocência de vocês, sinto obrigação de mostrar um caminho com menos pedregulho do que este por onde vocês caminham e que lhes indicaram por maldade. Qualquer pessoa ficaria agradecida por receber tal aviso e pior para vocês se continuarem nesta indiferença indolente à deseducação que os leva a preferir quem dá pontapé a quem escreve livros.
Sociedades que investiram na formação de cidadãos em vez de barulhentos vivem infinitamente melhor do que nós. Tá na hora de pensar, ainda que de mansinho prá começar. A novidade pode dar dor de cabeça ao desenferrujar o cérebro. Vamos ficar no fácil, mas vamos aprender a pensar: Podemos começar pela situação absurda de estar o governo gastando bilhões na festa da corrupção do futebola e declara não haver dinheiro para aumentar a prevenção contra o surto violento de dengue que a ciência está anunciando vai arrasar com vocês. Vamos lá! Esqueça a academia e o pirce por um momento e aprenda a pensar que não dói, embora a pergunta exige muita concentração e esforço mental. Lá vai a pergunta, preparem-se: Um jogo de futebola onde houvesse noventa por cento de chance de ter dengue, alguém iria?
Qualquer jovem teria pergunta a fazer a um bailarino da bola. Entretanto, estando diante de um profissional cuja formação exigiu adquirir conhecimentos científicos durante anos, teria uma pergunta a fazer? Digamos que diante de um advogado, teria curiosidade de lhe perguntar por que a imprensa diz que estão roubando o erário e nem os ladrões são presos nem a imprensa responde por calúnia? Diante de um profissional da saúde, perguntaria se as pessoas usassem água e sabão em lugar de papel higiênico haveria menos problemas de hemorróidas? A um engenheiro, perguntaria por que os apartamentos modernos se assemelham a uma moradia coletiva a ponto de se tomar conhecimento do que se passa no outro apartamento e por que a água do banho só corre para o lado onde o ralo não está? Ou ainda por que pias e vasos sanitários deixam voltar o meu cheiro para dentro de casa? Estando com um político, pergunta-lhe por que há tanto barulho e sujeira na cidade? Estando com um técnico da Embasa, pergunta-lhe que tipo de água estamos bebendo? A um religioso, perguntaria qual a superioridade do ser humano sobre os outros animais, se também comemos outros bichos e nascemos de um mesmo processo no qual até os movimentos do macho de bicho e de homem são iguais na hora da forniquexa que produz a proliferexa? Inté.





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MOMENTOS AGRADÁVEIS

Nosso papo de hoje também inclui as pitadas de ensinamentos dos grandes mestres do saber que pesco nos livros deles e passo para vocês. Porém, desta vez, o assunto principal e que não vai ser lido como os outros, vai em torno de uma história legal que vem depois do conselho indispensável para que vocês dêem atenção também para outros valores como pensar num futuro melhor para seus filhos uma vez que a ciência está nos prevenindo da iminente falta de água e comida em virtude da estupidez de se acabar com a fertilidade dos solos e a vegetação que a protege. No Rio Grande do Sul, cerca de seiscentos mil quilômetros quadrados já viraram deserto e os cientistas afirmam que Minas Gerais terá em algumas décadas um terço de sua área em iguais condições. Enquanto os solos férteis desaparecem, a necessidade deles aumenta. Máquinas estão também dependendo de terra para serem alimentadas.
Uma dona de casa me disse que Jesus não deixará nada disto acontecer. Basta dar uma olhada nos lugares que viraram e que estão virando deserto para ver que Jesus num tá nem aí. Aliás, imaginem só o que espera por vocês depois de tomarem conhecimento de uma das informações do mestre Geoffrey Blainey: Até à época em que o nosso cabeludão andava por aqui nós teríamos feito apenas cerca de trezentos milhões de filhos. (volte e leia de novo do até que é preciso entender isso direitinho) Entretanto, só no tempinho de lá prá cá a fornicação colocou quase sete bilhões de pessoas para comer feijão e beber água junto com vocês. E vocês não pensam nos filhos dos filhos de vocês?
O mundo está muito ruim e vocês precisam dar um jeito nisso. Está muito errado esse negócio de deixar nosso país ser conhecido por causa de esporte e prostituição. Gira por aí uma propaganda da “paixão” de nossas mulheres e prova o dito com o testemunho de vários gringos que enaltecem as excelências das suas “paixões”. Já ouvi a “ferramenta” propagada no comércio do turismo ser tratada carinhosamente (como merece) de “perseguida” e até de “ligeireza”. Nunca de “paixão”.
Fica por aqui o aconselhamento de hoje porque vou lhes contar um fato legal que envolve o respeitável empresário UBIRATÃ AMORIM. E duvido que alguém fora do mundo dos negócios saiba quem é este respeitável senhor. Pois pode segurar na cadeira porque vou dizer que é ninguém menos que o nosso impagável Bira Bigodão, figura das mais estimadas e que dispensa apresentação. Da mais humilde oficina mecânica aos lugares mais refinados não há quem não se sinta bem com a presença de Bira Bigodão porque ele é como o violeiro que “alegrava o terreiro numa buniteza” da canção de Elomar. A diferença é que na canção, depois da alegria inicial, o sentimento espalhado pela música do violeiro trazia a tristeza de volta. Já com a chegada de Bira Bigodão é só alegria o tempo todo. Atrás daquela cara fechada há uma eterna juventude que contagia.
Pensei em economizar tempo abreviando o “Bira Bigodão” para apenas BB. Porém, me ocorreu que este é o nome pelo qual é conhecida uma famosa mulher e mudei de idéia. Afinal, pode não dar certo alcunhar um macho que ostenta um bigode daqueles com nome de mulher.
Não há quem ainda não tenha curtido ao vivo uma das histórias sadias e bem humoradas que justificam a empatia do Bigodaço. Eu já presenciei duas. A primeira foi em companhia de um cidadão irrepreensível de nosso meio que é o nosso estimado João Alberto Novais, carinhosamente chamado de João Bocão. Este cavalheiro não haverá de negar seu honesto testemunho no caso de vir eu a necessitar provar perante alguma corte de justiça a veracidade do acontecido.
Certa vez alguém tentava por em ordem um aparelho desordenado, quando chega Bira Bigodão já mandando uma peruada: Não tá vendo que o problema aí é a junta, pô? – disse ele. – Qualé junta, ó bigode de puxada. – Respondeu o rapaz – (todos são íntimos do Bigodudo). Ajunta tudo e joga fora! – Arrematou o Bira.
A outra história de que participei foi também em companhia de alguém do mais alto quilate. Um empresário do setor automobilístico de boa qualidade como Renault, Honda e Nissan. Trata-se de Sebastião Cardoso Neto, cuja aparente sisudez não consegue esconder a sinceridade e compreensão estampadas no olhar que legitimam o apelido de Netinho. Os funcionários o estimam segundo me disse a simpática e agradável Adriana, a garota morena do cafezinho. Como são poucas pessoas com boas qualidades, precisamos valorizá-las para que elas venham a florescer também em nós.
Reunidos e conversando amenidades, dois empresários e este aposentado, o que desfez minha impressão de que todo empresário quando não está contando dinheiro estivesse maquinando coisas contra nós. Pois ali estávamos a jogar conversa. Perguntei a Bira se ele ainda lidava com laticínios. Respondido que sim, perguntei se ele tirava leite. Respondido que sim, comentei que eu até aos quinze anos era vaqueiro do meu pai e que tirava leite por obrigação, enquanto que o Bira fazia isso levado pela comichão que faz ele não ficar quieto. Disse que eu fazia requeijão, manteiga, ferrei animais e tratei de bicheiras. Falei que no meu tempo, do qual já se vai muito tempo, a barra era mais pesada que hoje. Naquela época havia chuva e uma camada da lama do esterco do curral fazia crer que se estava usando botas. O leite era tirado de cócoras e não raro se encostava a bunda na lama.
Como, entretanto, desde que se tem notícia de gente, é sempre dando um jeito de adaptar a natureza às suas necessidades de conforto, hoje não mais é necessário meter os pés aos poucos até se acostumar com a lama fria pela manhã porque o frio é amenizado pelas botas de verdade.
Enquanto eu falava Bira e Netinho escutavam como pessoas educadas que são. Prossegui falando que também observei o uso de um banquinho com uma perna só amarrado no trazeiro da pessoa de modo a não ser necessário carregá-lo. Ao se levantar, a única perna que tem o banco e que lhe dá sustentação fica na horizontal e a pessoa pode se deslocar livremente ostentando um rabo horizontal. Ao sentar-se, volta o apoio para a vertical, apóia-se no chão proporcionando relativo conforto ao trabalhador.
Perguntei a Bira se ele usava um banco semelhante e a resposta nunca mais saiu da minha mente. Disse ele que usava, sim, a ajuda do banquinho. Disse mais: que o banquinho dele tinha o apoio virado para baixo ao contrário do banquinho dos gaúchos que tem o apoio virado para cima.
Nenhum gaúcho encontraria motivo de ressentimento diante da figura do Bira Bigodão porque ninguém consegue estranhar o Bigodaço. Inté.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

INSTRUÍDOS E NÃO INSTRUÍDOS


Olá jovens que nem tomarão conhecimento desta prosa. Problema não. Mesmo com uma das mãos momentaneamente inutilizada, volto a tentar mostrar-lhes a mediocridade da vida por vocês vivida. Vítimas de um sistema deseducacional que faz o aluno maltratar o mestre, vocês ainda estão, sem que disto tenham culpa, na categoria de pessoas não instruídas, de acordo com a classificação de um dos Mestres do saber, como veremos. Portanto, mesmo que não prestem atenção, ainda assim não deixarei de fustigá-los para que aprendam um pouco dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber que pesco em seus livros e passo para vocês juntamente com a experiência de setenta e cinco anos de aprendizado na escola da vida, a fim de lhes evitar muitos dos tropeções que dei e que vocês não precisam dar.
O escritor Fiódor Dostoiévski estabelece uma oposição entre homem não instruído e homem instruído. Afirma que o desenvolvimento mental é muito menor no homem não instruído do que no homem instruído, e isto não permite que o homem instruído possa sentir-se bem junto ao homem não instruído. Como podem observar, é realmente difícil uma convivência entre pessoas que querem pensar e outras pessoas que querem fazer barulho. O barulho não incomoda ao homem comum porque ele desconhece o malefício que o barulho produz no organismo, enquanto que o homem instruído sabe perfeitamente que o barulho produz surdez e neurose, além de impedir a concentração dos homens instruídos. A ciência afirma que o barulho inevitável do progresso vai tornar surda toda a humanidade. A História registra o fato de uma colônia egípcia localizada perto de uma catarata do Rio Nilo onde todos os moradores eram surdos.
O escritor Fiódor Dostoiévski chama de doença o mal-estar causado ao homem instruído pela presença do homem não instruído, presença obrigatória porque a quase totalidade da raça humana é constituída de pessoas não instruídas. Foram estas as palavras deste Mestre do Saber, na página 18 do livro Memórias do Subsolo: “Uma consciência muito perspicaz é uma doença, uma doença autêntica, completa. Para o uso cotidiano, seria mais do que suficiente a consciência humana comum, isto é, a metade, um quarto a menos da porção que cabe a um homem instruído”
.O homem instruído, portanto, tem o pensamento voltado para a produção de idéias, enquanto o homem não instruído tem seu pensamento voltado para coisas unicamente materiais e fúteis como bares e academias de formar bêbados e músculos, ainda que inoculando produtos estranhos em seus corpos, o que fará com que o organismo fique mais debilitado do que outro organismo mantido naturalmente. A única preocupação do homem não instruído em relação a seus filhos é com a possibilidade de lhes faltar bens materiais, sem despertarem para a realidade de que a pobreza em volta tornará perigosa a posse de tais bens. Não lhes ocorre que a deficiência do sistema educacional cria a necessidade de se importar mão de obra estrangeira qualificada para a tecnologia moderna e que isto tornará ainda mais difícil do que hoje para os futuros jovens conseguirem emprego.
Os apartamentos construídos pelos nossos engenheiros e arquitetos eliminaram a privacidade dos moradores. Moradores destes imóveis tomam conhecimento até dos momentos de intimidade dos casais de outro apartamento. A água do banheiro sempre escorre para o lado contrário do ralo e o mau cheiro de esgoto retorna para dentro de casa em face do mau acabamento na colocação das pias e vasos sanitários e isto faz os moradores respirar gazes putrefatos prejudiciais à saúde. Dá medo passar sobre uma ponte construída pela engenharia produzida pelo método deseducacional.Estes absurdos são aceitos pelas pessoas não instruídas como coisa normal, mas incomodam as pessoas instruídas porque elas sabem do resultado danoso de tais comportamentos.
Estou aprendendo nos livros das pessoas instruídas que elas sofrem por não poderem ter um só espaço onde sentir-se à vontade porque as pessoas não instruídas ainda não aprenderam a observar o fato de que para se viver em sociedade há de se respeitar o espaço das outras pessoas e isto está a anos luz de pessoas barulhentas ou que não se incomodam com o barulho, ou ainda que ocupa a rua com o veículo, ou aquele que espalha água nas pessoas, ou aquele que passeia tranquilamente sobre as bostas nas ruas. Há alguém sem estas características entre nós? Só haverá uma sociedade normal quando todos formos pessoas instruídas. Vamos começar a nos instruir?
Ninguém tem culpa de não ser instruído. A verdadeira verdade da vida é como o samba. Não se aprende na escola. A indiferença das pessoas com a situação de imundície em que se encontra o centro da nossa cidade, um ambiente desagradável, próprio para irracionais, demonstra a falta do hábito da higiene. Quem anda sobre fezes de animais e caldo pestilento de esgoto leva para casa nos solados dos sapatos doenças para danificar a saúde dos filhos que dizem amar. O barulho ensurdecedor ao qual o povo é indiferente, só encontra explicação na falta de conhecimento e sensibilidade. Pessoas grosseiras tem maior capacidade de encarar um ambiente assim. A Organização Mundial da Saúde declara que o barulho além de causar surdez também causa a neurose da qual resulta violência suficiente para produzir muita infelicidade.
A distância que separa as pessoas da realidade faz que elas acreditem ser possível acostumar-se ao barulho. Não pode! O barulho, como a câncer, age sorrateiramente e o resultado do seu trabalho aparece quando se passa a pedir para que o interlocutor repita o que disse e quando se é dominado por fúria bestial até por ter alguém arranhado um carro.
Jovens de países que cuidaram da educação de seu povo já começam a perceber o papel de idiotas que a sociedade lhes atribui e começam a exigir tratamento melhor das autoridades. Por aqui, entretanto, a mente dos jovens não vai além das manchetes do Yahoo. Neste exato momento os jovens tem a oportunidade de absorver refinado caldo de cultura nas seguintes matérias: 1 – Dinei e popozuda se beijam. 2 – Alguns dos meus ex são gays. 3 – Jesus: cachê alto para discotecar. 4 – Dentinho defende gata e ataca invejosos. Então, que pensamentos podem nascer de mente capaz de dar assunto a tais assuntos? O resultado do exame de urina do jogador de bola é notícia capaz de despertar interesse nas pessoas classificadas pelo poeta de MANADA. Não lhes interessa saber que os países com os menores gastos em segurança, mas que cuidaram muito da educação de seus cidadãos são os países com o menor índice de violência.
É constrangedor observar a indiferença com que as pessoas encaram os desmandos que lhes são prejudiciais. Eles podem ser evitados sem necessidade da violência usada por jovens de outros países nas suas reivindicações. O estardalhaço ensurdecedor promovido pelas casas comerciais nos carros de propaganda e nas próprias lojas deixaria de existir se as pessoas deixassem de freqüentá-las.
Como se vê, precisamos nos educar.