sábado, 23 de fevereiro de 2013

TRISTE JUVENTUDE




 Havia ontem na Avenida Olivia Flores um grupo de jovens com a cara pintada. Seria contra a eleição de dois bandidos para a presidência das duas casas do Congresso Nacional, onde são elaboradas as leis que regulamentam o destino da sociedade? Seria contra o fato do ex-presidente da república fazer orgias sexuais acima das nuvens, lá no alto do azul do céu, em luxuoso avião comprado e mantido pelos seus pais? Seria pelo fato de não conseguirem mostrar a seus pais também alienados a burrice que é ter eles de sustentar além dos filhos, milhões de desempregados expulsos do campo pelo agribiuzinesse dos bilionários, muitos deles estrangeiros? Seria pelo fato de haver três livros intitulados Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe, mostrando para onde vai o dinheiro dos impostos pagos por seus alienados pais? Talvez fosse pelo fato de ter a presidente da república anunciado que vai tomar providências para aumentar o consumo do qual resultará ainda mais lixo para apodrecer o ar e a água dos quais dependerá a vida dos filhos daqueles jovens e netos de seus alienados pais?  Ou seria por revolta contra a administração municipal que deixa caldo de bosta escorrer pelas ruas e ser levado para suas casas no solado dos sapatos onde provocará doenças?
Não! Infelizmente, não! A tinta na cara daqueles jovens era a única coisa coerente com o comportamento da juventude em geral que é o triste papel de palhaço sem graça.
O sistema deseducacional impinge na juventude uma ignorância monumental, só comparável à do motorista de taxi que me disse em Salvador, há muito tempo, não ter nada com o que dizia o povo sobre a roubalheira de ACM, uma vez que aquele governador não roubava nada dele, do motorista. A mentalidade daquele homem tão pobre de espírito é a mesma mentalidade daqueles universitários também ignorantes.  A estupidez desta triste juventude, alegre apenas por idiotia, produzirá um mundo ainda com maior ignorância e infelicidade para seus filhos. Uma juventude que não se incomoda em pisar em bosta, respirar fumaça preta das descargas e ouvir barulho milhares de vezes superiores ao suportável sem danos à saúde é uma juventude sem nenhuma perspectiva de ser humano. Está mais chegada para os enchedores de privada a que se referiu o gênio Leonardo da Vinci quando definiu magistralmente o comportamento da atual juventude indiferente a todos os desmandos a que estão submetidos, inclusive pagando por tudo que a Constituição Federal lhes garante em troca dos impostos que seus bobos pais pagam. Se estes jovens ignorantes soubessem o que é a Constituição Federal, eu lhes recomendaria uma olhada no artigo quinto, mesmo sabendo que de nada lhes adiantaria porque eles não tem capacidade de entender nada que não seja futebola e axé. Foi esta a sentença do Mestre do Saber na qual se enquadra perfeitamente o comportamento da juventude imbecilizada: “Aqueles que se submetem aos desmandos não passam de condutores de comida. A única marca de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias.”
Não é difícil entender porque todas as grandes inteligências repudiam o comportamento geral da humanidade, principalmente do brasileiro, campeão em encher privada.
O mestre Darwin disse que o brasileiro tem quase nada das qualidades que conferem dignidade ao homem.
É realmente triste para quem observa as lições dos grandes Mestres do Saber e aprende haver um modo civilizado de se viver, mas ter de viver em meio a tanta ignorância. Só bois, vacas e bezerros convivem harmoniosamente com bosta. Eu vi, com estes olhos da cara, um jovem, imbecil como todos, ser borrifado por um carro com o caldo fedorento e doentio saído do esgoto. A única coisa que aquela pobre e estúpida criatura fez foi virar a cara para o outro lado e seguiu em frente como se nada estivesse acontecendo enquanto seu corpo recebia um banho de caldo de bosta.
Embora seja comum entre meus parentes viver até mais dos cem anos, eu gostaria de ter uma morte tranquila e rápida a fim de sair do meio desta triste manada.
 
     

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ATÉ QUANDO TANTA INDIGNIDADE?


Quando eu era menino, coisinha de apenas uns sessenta e cinco anos atrás, ouvia uma história de um alienado mental constantemente ridicularizado por imbecis. (A história não falava em imbecis. Mas, como qualificar quem atormenta alguém já naturalmente atormentado?). Certo dia, porém, a debilidade levou seu portador ao desespero e ele arrebentou um dos muitos bobos que frequentemente o atormentavam para espanto dos demais. Quando em julgamento pela agressão praticada, o advogado de defesa da infeliz criatura assumiu uma atitude estranha de riscar palitos de fósforo e ficar a procurar algo pelos cantos da sala e debaixo das mesas, o que irritou o juiz. Inquirido pelo juiz sobre aquele procedimento esquisito em ambiente tão sério, o advogado respondeu que queria mostrar haver um limite para a tolerância como demonstrou o próprio senhor juiz, homem de esmerada educação ao se irritar por apenas alguns segundos ante um quadro desagradável, que dizer daquele infeliz que sempre viveu a suportar humilhações?

Esta história tem tudo a ver com nossa situação de bobos (quase todos) ou humilhados (aqueles que pensam). Ela, a História, mostra que a paciência tanto se esgota no alienado mental como no homem de letras. O detalhe importantíssimo é que os governantes estão tão embevecidos em sua posição de mando que acreditam poder nos manter na condição de eternamente atormentados, tão bobos que vivemos a correr para prover suas necessidades quaisquer que sejam elas. Até templos para homenagear a memória de quem a imprensa diz ser ladrão. Nada pode faltar para as autoridades. Nem mesmo as orgias sexuais não só em luxuosas casas de prostituição que o povo paga para as autoridades, mas também lá bem alto no céu azul em luxuoso avião pago pelo povo bobo que tá mais a fim de saber qual foi o resultado do jogo.

O comportamento das autoridades de total embevecimento com as maravilhas que o poder pode proporcionar quando aliado à ignorância impede que as autoridades se lembrem dos exemplos registrados pela História de como terminou este tipo de procedimento por parte de governantes alheios aos anseios da população. Nem toda a população é constituída de bobos. Além disso, mesmo uma grande parte dos bobos também já está insatisfeita por não poder chegar até àquelas coisas que a televisão lhe inculca na cuca como sendo só maravilha e, além disso, de facílimo acesso, e quem não comprar é viado ou fi de puta. A indiferença de governantes pelos anseios da sociedade já terminou em tanta infelicidade que incluiu corpos separados das cabeças.

O modo como os politiqueiros administram a sociedade não pode ser aceito por quem não seja bobo porque ele levará a sociedade à derrocada total. Não haverá outra definição senão derrocada total para o resultado da produção de tantas quinquilharias e indiferença para com a violência e apelo às compras que inclui mulheres seminuas nas mais variadas posições excitantes. Quem quer que se dedique por algum tempo a pensar no modo bobo como vive o povo brasileiro haverá de se recusar a seguir os mesmos passos. Ele nem mesmo sabe para onde está indo e nem mesmo pensa nisso por estar impossibilitado de pensar face à preguiça cerebral implantada em sua cabeça pela cultura BBB, Fazenda e manchetes na imprensa dando conta de pesquisa para saber quais os homens com as maiores rolas do mundo. Um povo com tal magnitude intelectual não constrói uma sociedade decente.

A maior injustiça a que pode um ser humano ser submetido é viver em meio ao barulho e à impossibilidade de conversar sobre algo que não seja futebola, axé, último modelo de celular, fazer compras ou colocar flores na calçada da boate queimada no Rio Grande do Sul ou fazer orações. Se os bobos de lá não fossem tão bobos a ponto de “não se meter em política” e cobrassem da administração municipal o cumprimento de suas obrigações, ajudando-a inclusive, a esta altura seus jovens não estariam precisando de funerais.

A falta de discernimento de bobo leva a humanidade a recusar sistematicamente o destino inevitável que tem: a morte. “Ninguém quer a morte. Só saúde e sorte” já dizia o poeta. Como, entretanto, a danada da morte não depende de querer ou não querer, inclusive já morreu o jovem poeta criador desta sentença verdadeira apenas para jovens que ainda não tiveram oportunidade de aprender como é que a vida é e para velhos que já perderam a oportunidade de aprender.

Nossa sociedade está tão à deriva que um professor precisa ter vários empregos para apenas sobreviver enquanto um bobo iletrado recebe quarenta mil reais para conversar bobagens por uma hora de relógio sobre futebola. Nossas crianças assistem debates e mais debates sobre a venda de vagina pela mesma imprensa que se diz guardiã dos interesses de seus leitores.

Estamos tão bobos que temos deputado condenado à cadeia por crime comprovado contra nós, mas que em vez de estar no xilindró, lugar de bandidão, está bem a gosto na companhia de seus pares na câmara dos politiqueiros que devia ser CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, a receber suas vantagens de deputado pagas pelo povo bobo e fazendo discursos enxovalhando a justiça que o condenou.

Estamos tão à deriva que aceitamos coisas inaceitáveis para não bobos. Se nós pagamos às autoridades para que elas organizem um sistema judiciário para condenar bandidos, como podemos aceitar que a autoridade não aceite que esta justiça tenha validade quando ele é o bandido? Temos vários ex-presidentes ladrões, denunciados nos livros Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe. Entretanto, inexplicavelmente, estão todos aí jurando de pé junto que trabalha pela felicidade de seu povo que vive a chorar nos corredores do hospital por pura birra uma vez que a saúde no governo do PT  é simplesmente beleza pura.

Que triste sina tem esse povo tão bobo que vive a chorar na televisão e a brincar nos palcos e nos estádios construídos com o dinheiro de lhes amenizar os sofrimentos? É um comportamento tão desinteligente o do brasileiro que o leva a ser constantemente ridicularizado até por outros bobos como atores incultos. Vestir roupa confeccionada com lixo hospitalar americano é coisa normal para o brasileiro bobo que não só tira isso de letra, mas também encara numa boa o roubo escancarado do dinheiro de lhe proporcionar melhores condições de vida. É com a bobagem de contar com a eterna bobagem do povo que os politiqueiros roubam a grana de pagar o estudo garantido pela Constituição Federal a todo momento invocada por eles como inviolável, mas que deixa de ser quando anunciam espalhafatosamente como eficiência do seu trabalho o empréstimo de dinheiro a juros para que o estudante pobre possa estudar. Se esse dinheiro já foi passado aos politiqueiros através dos impostos, é uma deslavada safadeza emprestar de volta esse mesmo dinheiro ao seu dono, o povo, que nem sequer sabe disso por ser constituído de bobos.

O que está ocorrendo com a eleição dos presidentes do senado federal e da câmara federal, que não merecem ter os nomes iniciados com letra maiúscula em função de sua pequenez, é uma afronta monumental para quem tem vergonha na cara.  É realmente boba uma juventude que assiste impassível à substituição do seu Congresso Nacional por uma pocilga de negociatas corruptas praticadas por ladrões piores que os assaltantes de rua, porquanto não se arriscam. Não há nível de desclassificação para um congresso que elege bandidos para sua presidência. A disfunção cerebral dos politiqueiros não lhes permite perceber não haver necessidade nem futuro nisso.
Haja saco!

sábado, 19 de janeiro de 2013

CONSELHO BOM NÃO PRECISA SER PEDIDO.


Não tenho culpa de ter sido feito com o defeito de me sentir mal vendo alguém incorrer em determinado procedimento que lhe vai causar algum tipo de dano apenas por falta de um aviso ou conselho, principalmente quando o procedimento danoso procede unicamente da inexperiência com a arte de viver que só pode ser alcançada na plenitude por duas maneiras: leitura dos livros escritos pelos Grandes Mestres do Saber ou pela experiência adquirida através de muitos anos observando a vida e as pessoas. A inexperiência decorre de se desconhecer muitas nuances da vida pelo fato de ainda não ter chegado o momento de passar por elas. Embora haja quem atravesse todas as faixas etárias sem prestar atenção nas coisas que lhe acontecem, e por isso mesmo se diz que passou a vida em brancas nuvens por não ter tirado lição alguma dos fatos à sua volta, havendo entre estes quem recuse em nome geralmente da religião em acreditar que o universo não tem mais de cinco ou seis mil anos. Estes são os que fazem a fortuna de pastores como mostra a Revista Forbes. Peçam ao Google: “riqueza dos pastores brasileiros” e vejam só para onde vai o dinheiro do dízimo que a juventude em sua triste ignorância joga fora construindo imensas fortunas para bandidos. O Edir Macedo já esteve na cadeia. Só não ficou porque rico não fica.  

Em se tratando de evitar um dano que sem o aviso ou conselho acometeria inevitavelmente alguém, não há aplicação para o conceito de que conselho só se dá quando é pedido. Eu, com toda certeza, não me permito ficar indiferente ante a possibilidade de ajudar alguém a se livrar de situação difícil. É exatamente esse maldito pendor que movimenta meus dedos até quando estou com preguiça para avisar à juventude que ela precisa deixar de ser tão boba a ponto de se comportar como garotos de oito a dez.

Qualquer jovem de hoje entenderia como bobagem o procedimento dos jovens da época das Cruzadas que iam para a guerra em troca da promessa do papa de lhes dar uma recompensa no céu. Ninguém, nem mesmo os religiosos, deixaria de considerar uma bobagem tal procedimento. Pois, para quem toma conhecimento dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber, o procedimento dos jovens atuais é tão bobo quanto bobo é para os jovens atuais aqueles outros jovens lá da Idade Média que iam ser espetados por espada em troca de benesses no céu.

Entretanto, a bobagem dos jovens não decorre da impossibilidade de serem convencidos de que há realmente necessidade de se refrear certos procedimentos por maior que seja o apelo. Um ambiente sem respeito mútuo como acontece conosco denota total falta de sociabilidade de onde nasce a harmonia provedora do bem-estar social. Porém, o convencimento de tal necessidade, como todo convencimento, raramente pode ser transmitido por palavras. O inocente só fica convencido de não valer a pena se embebedar com licor de jenipapo depois de se embebedar com licor de jenipapo. Antes de se embebedar com licor de jenipapo, é impossível fazer com que o inocente saiba o que ele vai passar no dia seguinte àquele em que deu a primeira bicada no licor de jenipapo. No outro dia, aí, sim, o convencimento se instala e só a incapacidade de se refrear certas vontades será capaz de fazer com que o inocente volte a se embebedar com licor de jenipapo.

O que torna boba a juventude é não ter tido oportunidade de aprender outra forma de vida senão a vida de bobos. Para se aprender o que não é ensinado, por observação e dedução apenas, demanda tempo e é o melhor dos aprendizados. Ao lado dos livros e dos professores, o aprendizado na escola da vida me ampliou o horizonte e tento passar o que aprendi para os inocentes. Sei que é difícil porque as pessoas estão demasiadamente apressadas com as coisas que nada tem a ver com o mal-estar que acompanha a velhice. É como se não fossem ficar velhos e muxibentos. Para evitar muito desgosto, tristeza e sofrimento quando as muxibas começarem a botar a cara, aconselho ou aviso aos jovens para não levar tão a sério o embelezamento. O reflexo das bundas que as mulheres estufam para ver o reflexo na pintura dos carros estará em murchinha da silva um dia e é preciso estar preparada para não sofrer quando isto acontecer. Já vi um amigo que nunca primou pela inteligência, talvez por não ter tempo para pensar em outra coisa que não nas mulheres que não lhe davam folga pelo fato de ter ele algo que atraia as mulheres, e em sua sombra tive belas namoradas. Acabada a juventude, três décadas depois do nosso tempo de namoradores, encontrei esse amigo numa infelicidade de fazer pena. Lamentava não entender porque Deus fez aquilo com ele (referia-se ao muxibamento inexorável). É o retrato cuspido de quem nada aprendeu na vida.

Como é só pela falta de quem lhes mostre as bobagens que os jovens agem como bobos, vou lhes mostrar que os adultos de hoje são tão infantis quanto eu quando tinha entre oito e dez anos. Por aquela ocasião, quando brincávamos de picula, costumava-se ouvir: “Quem chegar derradeiro é viado” ou então “ o derradeiro é fi de puta” e a gente desabalava na carreira, cada um querendo chegar antes de ser o último para não ser nem viado nem fi de puta. Pois, por incrível que possa parecer, depois de ter chegado aos setenta e sete anos, vejo adultos em número infinitamente maior do que nossos grupos de picula a correr desesperadamente numa brincadeira semelhante à nossa, com a única diferença que mudou o nome de picula para São Silvestre. Eu gostaria de saber onde se enquadra o derradeiro a chegar.

Gente, está na hora de pensar em coisas sérias. Já chega de brincadeiras. É muito feio comportamento de criança em adulto.

 

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO


 
O advogado é um sujeito preparado para apresentar de uma forma técnica, de modo a procurar facilitar o trabalho do magistrado ao qual ele faz um pedido de reparação para alguém que tenha sofrido dano físico, moral ou patrimonial. É, pois, um trabalhador cuja atividade visa impor ordem na sociedade. Entretanto, estudantes da FAINOR, que ouvi se tratar de futuros advogados, promoveram uma algazarra tão violentamente barulhenta na rua que, também segundo ouvi, foi preciso a intervenção da polícia. Isto é um descompasso uma vez que desordeiros não se importam com a ordem por desconhecer o que seja sociabilidade, ou vida em sociedade.

Vi, com os olhos da cara, na Av. Siqueira Campos, em frente ao correio, um jovem que trafegava de bicicleta em sentido contrário ao trânsito ser indiferentemente borrifado por um carro com um caldo putrefato e fedorento que escorria do esgoto.

Ouvi de um jovem que o homem nada pode fazer para melhorar as atuais condições de vida porque só Deus pode fazê-lo.

Ouvi de um jovem piauiense que limpava meus sapatos no aeroporto de Brasília que os moleques craqueiros são craqueiros por vontade própria. E ainda disse mais: que eles poderiam ser o que bem quisessem se usassem o livre arbítrio.

Esta também foi a explicação que nos deu (à minha mulher e eu) um taxista, também em Brasília, para um quadro inusitado de duas jovens trocando roupa na rua por volta de sete horas da tarde. Explicou serem garotas que moram nas cidades-satélites e trabalham no comércio da capital e que se prostituem à noite a fim de melhorar o salário. Completou dizendo que na verdade são prostitutas por vontade. Se quisessem, com o livre arbítrio, poderiam ser o que escolhessem.

Vejo jovens submetidos indiferentemente a um barulho ensurdecedor e a respirar o veneno contido na fumaça preta dos carros sem a mínima noção do estrago que aquilo está fazendo em seus ouvidos, pulmões e sistema nervoso.

É de fazer dó e piedade ver jovens indo sem necessidade para os hospitais como já fui muitas vezes quando a falta de orientação me fazia pensar que os prazeres das extravagâncias não viessem a cobrar um preço tão alto. Só com experiência se fica convencido de que poupar o organismo vale muitíssimo a pena. Basta dar uma espiadinha nas UTIs para acabar qualquer dúvida.

Jovens matando jovens e por jovens sendo mortos nas guerras guerreadas tanto em nome de líderes políticos quanto da liderança divina.

Jovens de inteligência acima do comum, não suportando o vazio de uma realidade que se resume em trabalhar, comer, cagar e trepar, enlouquecem e disparam armas sobre pessoas e em si próprios.

Ante tais realidades, fica evidente estar a humanidade no caminho errado. Nem poderia ser de outro modo uma vez que do sistema educacional não consta no currículo o ensinamento de como se viver em sociedade. À juventude, que é o patrimônio maior da sociedade, por ser ela o motor que move o mundo, precisa ser ensinado o exercício do pensamento, coisa nem de longe cogitada pelas lideranças da humanidade porque o objetivo de todas elas é esconder do povo a verdade da vida, à qual só o pensamento conduz.

Na realidade, nem mesmo os líderes sabem nada sobre a vida porquanto da ação deles é que resultou um mundo cão. É tão danoso para o futuro o modo de condução orientada pelos líderes do mundo que a genialidade do mestre Shakespeare os qualificou de cegos. Realmente, o pior tipo de cegueira, a mental, impede seja notado ser perigosamente falsa a crença absurda de ser necessário armar-se para se ter paz. Quanto mais armas há no mundo, mais violência também. A única verdade verdadeiramente verdadeira é que no mundo tudo é mentira, hipocrisia e burrice. A Revista Época de 26/12/2012 tem matéria afirmando que Papai Noel existe. A falta de conexão com a realidade, o fato de viver de ilusões e mentiras é o que produz a apatia humana pelo exercício do pensamento, deixando o ser humano em pé de igualdade com os bichos. Quem recebe um banho de caldo de bosta e não se incomoda é por ser bicho. Quem afirma que só Deus dá jeito é porque não pensa, do mesmo modo que não pensa quem pensa que o craqueiro é craqueiro por querer, ou que a prostituta é prostituta por querer, ou que não tem consequência empanturrar-se de comida, cachaça, barulho e droga.

A juventude foi tolhida de sua capacidade de pensar. Crianças a quem se ensina ser verdadeira a existência de um velho que viaja pelo espaço numa carroça puxada por veados voadores sem demonstrar curiosidade sobre o fato de veado voar é demonstração de atrofiamento da vivacidade própria das crianças, resultando daí adultos tão bobos que festejam a queima em fogos e festas do dinheiro de lhes amenizar as infelicidade à espera que passe o vigor da juventude. Só a incapacidade de pensar leva a estar de acordo com o salário de fome para o professor e salários extraordinariamente altos para promotores de brincadeira.

Os primeiros pensamentos do homem tinham necessariamente de ser voltados para a parte material da vida. Atormentado pela natureza, usou o homem da novidade que era a capacidade de pensar para encontrar meios de proteção. Entretanto, depois de superadas as dificuldades de sobrevivência, pouquíssimos seres humanos dedicaram ou dedicam algum tempo ao desenvolvimento da capacidade de pensar. Os que o fizeram, os filósofos, são tachados de malucos.

Assim, é por causa da falta de uso do pensamento que estamos tão mal. Que tal pensar? E por que não começar pensando se há realmente necessidade de se pensar? Sem o pensamento que leva a concluir quantos malefícios podem advir do fato de tomar um banho de caldo de esgoto, não estaremos nos equiparando aos porcos?

   

 

   

 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O CASAL REAL, O VELHO E O SACO DE BOSTA

          Quem viu na televisão um velho com um saco de estrume na mão, doido prá jogar na cabeça do príncipe e na mulher do príncipe? Pois eu vi. Estou exultando de alegria, satisfação, regozijo e felicidade por descobrir a existência de outro velho que, como eu, também pensa como Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo, enfim, os jovens que sonharam com um mundo melhor. Ah! Como eu gostaria de ter coragem e oportunidade para tacar bosta na cabeça de tudo que é rei. Todos eles, inclusive os daqui.
          Para que serve um rei, alguém pode dizer? Para nada! Absolutamente nada. Quando os chefes de governos eram reis, cada um deles se achava o dono daquele Estado e agia como se assim fosse. O povo, como nunca prestou para outra coisa, produzia gansos, leitões, galinhas, enfim tudo de que necessitavam as festas dos nobres esvoaçantes e rodopiantes.
         A existência de reis deve-se a duas causas que a sociedade precisa banir: uma delas é o excessivo apego às tradições. A outra, é a necessidade de todos os governos do mundo em providenciar entretenimento com que envolver a atenção do povo e evitar a percepção do que está sendo feito com o dinheiro que lhes é entregue para devolver em serviços. Desta distração resulta a facilidade que faz da atividade de tomar conta do erário a mais rentável das profissões.
          Tem um rei aí que chupa a atenção do povo para um enorme e muito belo palco ricamente iluminado e enfeitado, sob o encantamento mágico e deslumbrante do maravilhoso magnetismo da televisão, e lá, nesse templo profano do ouro, cujos poderes são os únicos realmente superiores a tudo, até à natureza, porquanto tem se mostrado superior a ela na capacidade de fazer pensar, lá, nesse ambiente rico e feliz, para onde aquele rei leva o povo há cinquenta anos ele conta em forma de música para o povo maravilhado e com a boca aberta que de hoje em diante ele só vai gostar de quem gosta dele. Se eu falar a mesma coisa por um minuto sequer, dou a cara à tapa que neguinho taca bosta neu. Já ele, por ter sido ungido pelo poder da magia televisiva e transformado em rei, toda vez que ele fala que só vai gostar de quem gosta dele o povo taca é muita palma e dinheiro nele.
          Tem outro rei pelaí (e pelaí soa parecido com o nome dele), sujeito aparentemente bom sujeito. Ele nem mesmo sabe o verdadeiro motivo pelo qual se tornou rei e rico como todo rei. Deve pensar, como também pensam os bailarinos de axé, que é por saber jogar bola muito bem. Mas, sendo inteligente, como não são os bailarinos de axé, mesmo inocente, deve lhe passar pela cabeça que já fez muitas belas jogadas o seguinte: Por que quem sabe jogar bola vira rei, e não faz nenhum rei saber abrir um crânio ou um coração danificado por algum motivo, arrumar tudinho lá dentro, tampar de novo e fazer com que o quase defunto volte a bailar axé ou espernear no futebola? Por que tal façanha não faz reis? Tal questionamento deveria ocorrer na cabeça de todo mundo, principalmente de quem gosta dos filhos. Não pode haver hipótese alguma de justificativa para a exacerbação do fanatismo pelas brincadeiras que leva a juventude à loucura de estar convencida valer a pena acorrer para o descampado e lá permanecer por dias à espera de brincadeira sem dar a mínima para a situação mostrada lá no Google se digitar “o veneno está na mesa”. A constatação de consumirmos cada um de nós um litro e meio de veneno a cada ano deixa entendido o motivo pelo qual as UTIs andam superlotadas a ponto de não poderem mais aliviar as dores de quando forem velhos os filhos dos jovens de hoje e isto exige de qualquer pessoa, mormente os pais, alguma reflexão a respeito, salvo em se tratando de retardado. Certa professora da Universidade do Ceará declarou em entrevista à revista Caros Amigos que em determinada localidade do seu estado os hospitais já não podiam dar conta de atender pessoas envenenadas por trabalhar na lavoura.
          Os filhos que as pessoas dizem amar só não sentem os efeitos do envenenamento porque ao contrário dos agricultores que recebem alta dose de uma só vez, nós recebemos em parcelas de modo que a fatura só chega depois de ingerida a última parcela suportável pelo organismo.
          Embora pareça irreal, quem executa algum tipo de divertimento se dá muito melhor na vida material do que qualquer outra atividade fora da de tomar conta de dinheiro público. Na atividade de produzir brincadeiras, quem não vira rei vira celebridade com direito a estardalhaço na imprensa ávida em descobrir e anunciar com quem a celebridade está namorando, quem a celebridade beijou ou quem está “de caso” com a celebridade, como é sua casa, como é o cachorro ou o gato, quantas roupas e sapatos tem a celebridade, e quais os preferidos, enfim, até gostaria a mídia de anunciar quando a celebridade solta um pum. Até jogo para pessoas inteligentes a imprensa inventa para não tirar de foco a celebridade. A mídia publicou três pares de belas coxas de mulher e desafiava os bailarinos de axé a apontar a que celebridade pertencia cada um deles. Este inteligente jogo deve ter suscitado muita discussão, principalmente entre quem ainda não tenha tido a sorte de conhecer de perto as formosas coxas. Cuecas de celebridades já foram motivo de muito anunciamento na imprensa. O Jornal do Brasil anunciou que uma celebridade por jogar bola declarou não usar cueca desde os quatorze anos. Agora, o que absorve com mais vigor a atenção da imprensa e dos admiradores de reis é a notícia ardorosamente noticiada da venda de uma prexeca pela qual um japonês se disse disposto a pagar um milhão e meio por esta “paixão” da mulher brasileira. Enquanto isso, meninas índias de dez anos na Amazônia estão vendendo suas prexecas por apenas vinte reais, com menos desgaste do que a comprada por um e meio milhão.

domingo, 11 de novembro de 2012

A NOVELA

          Este é o único enredo de novela que deveria atrair a atenção da juventude porque é destas coisas que depende o bem-estar no futuro de seus filhos. Matéria publicada na revista Veja dá conta do emaranhado tipo teia de aranha da politicagem que toma conta do dinheiro público, dinheiro que deveria ser transformado em salários. Fala-se até em mistério envolvendo o enredo desta novela. Entretanto, como todo mistério, só não é esclarecido pela falta de interesse em que isso aconteça por ter autoridades envolvidas e as autoridades não haverão de querer apenar-se a si próprias.
          É do conhecimento geral a sede de poder dos petistas que os levou a ampliar o sistema endêmico da corrupção brasileira a fim de conseguir muito dinheiro para comprar muito poder. Para tal objetivo, os petistas montaram um sistema de “conseguir” mais dinheiro além da arrecadação em muitos lugares, inclusive na prefeitura do município paulista de Santo André, com participação do prefeito petista Celso Daniel.
          A matéria de Veja deixa um vislumbre de entendimento do funcionamento de uma parte da tramóia de Santo André: Um dos envolvidos, o empresário Ronan Maria Pinto, tinha entre suas empresas um jornal de pequeno porte que recebeu do Cassino Caixa Econômica Federal a título de pagamento de anúncios a quantia de um milhão e trezentos mil, enquanto ao jornalão Folha de São Paulo, com muito maior tiragem de exemplares recebeu coisas para anunciar apenas no valor de quinhentos e sessenta e cinco mil, ficando evidente serem tais pagamentos fictícios para retornar o dinheiro aos cofres do PT a fim de comprar deputados. Eles podem ser comprados. Há uma charge com bonecos de deputados na prateleira do supermercado com os devidos preços.
          Como nosso assunto é a novela, voltemos a ela. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, estava também envolvido na malandragem, o que evidencia a aprovação ou participação do seu Chefe imediato, o sapo barbudo. Até aqui vimos apenas algumas pinceladas em torno do enredo da novela. Já conhecemos três dos personagens e uma parte de suas atividades: O empresário Ronan era tão ligado ao prefeito em questão quanto era ligado ao governador do Rio de Janeiro o empreiteiro que foi flagrado juntamente com o governador e seu secretariado a farrear num luxuoso restaurante de Paris com os guardanapos na cabeça. Certamente esqueceram que tinham de usar o guardanapo para esconder o rosto como se vê nos assaltos, mas esconderam a cabeça.
          Mas, voltemos à novela que é nosso assunto. Também sabemos da participação do Secretário geral da Presidência da Republica, o senhor Gilberto Carvalho. Antes disso ele já tinha ocupado mais de um posto na cúpula da administração do prefeito Celso Daniel e, portanto, também participante na montagem do esquema fraudulento que funcionava bem até surgir um terceiro figurante, o Sombra, homem de confiança do prefeito e que o acompanhava há muito como auxiliar em todos os cargos políticos por ele exercidos, havendo insinuações na imprensa sobre a possibilidade de haver algo mais entre eles, coisa normal dos tempos modernos que se incorpora e estratifica na cultura, tornando-se irreversível. Para que o homossexualismo volte a despertar indignação coletiva como já fez, vai o mesmo tanto de tempo desde que era considerado o caminho pavimentado para os braços de satanás.             Que coisa, ora raios e trovões! Nosso assunto é a novela. Pois bem, a índole de larápio do brasileiro fez com que o Sombra roubasse uma parte do roubo que ele ajudava roubar para o PT comprar poder. Como o prefeito era petista e, portanto, também convencido da necessidade de comprar poder, não se conformou com o desvio de parte do roubo para outra finalidade e, como consequência, apareceu morto no mato e com sinais de tortura atestado pelo médico legista, mas prontamente contestada pelo advogado petista, numa renovada demonstração de ignorância, praia dos petistas. Um advogado que não seja também médico não pode entender mais de cadáver do que um médico legista e as ações que impedem a elucidação do caso por si só diz do conhecimento geral dos petistas com poder de decisão.
          Como se trata de novela, é preciso acompanhar passo a passo. Já sabemos que em Santo André havia um esquema corrupto na prefeitura a fim de angariar dinheiro para o PT comprar poder, sendo que o Secretário geral da Presidência da República participava juntamente com um empresário chamado Ronan e o prefeito do município, além do seu braço direito, o Sombra. Também sabemos que o motivo do fracasso foi porque o Sombra bancou bandidagem prá cima dos outros bandidos.
          Ainda existe mais coisa envolvida porque se o prefeito foi torturado teria sido para revelar alguma coisa de que ainda não se sabe do mesmo tanto que já se sabe sobre o seu assassinato. O fato é que morto o prefeito, não podia aparecer a verdade de ter sido ele morto pelo Sombra porque apareceria a verdade sobre a roubalheira petista por ele conhecida a fundo. Há mesmo evidência de que o PT teria providenciado para que o Sombra eliminasse o prefeito.
          Surge mais uma personalidade. Figura interessante. Sua cabeça brilhava como espelho sob as luzes dos holofotes durantes os interrogatórios nos quais aparentava ser um bom e afável sujeito. Nem de longe parecia que estava envolvido em tantos crimes patrocinados pelos petistas ávidos de dinheiro para comprar poder. Seu nome é Marcos Valério e ele mesmo declarou ter sido chamado pela cúpula do PT para ajudar a esconder o caso da corrupção e a morte do prefeito, de que tem ele completo conhecimento.
          Acontece que não obstante tanto brilho este senhor foi condenado ao xilindró por quarenta anos em função de ajudar os petistas na ajuntação e aplicação do dinheiro roubado por vários métodos e lugares, inclusive em Santo André, e quiçá (alguém conhece isso? Quiçá?) em Campinas, onde o prefeito também foi assassinado sem que ninguém o tenha assassinado.
          Foi por trabalhar junto com os petistas na aplicação deste dinheiro para comprar poder que o lustroso e afável senhor está às vésperas de ser enxilindrozado por quarenta anos. Na tentativa lógica de tentar poupar pelo menos um pouco da pele, foi à Procuradoria Geral da União e revelou em depoimento que Ronan (aquele que recebia uma grana preta por anúncios e que integrava a quadrilha) estava chantageando o secretário-geral da Presidência, o Gilberto Carvalho, para não envolver seu nome e o do seu chefe sapo barbudo na morte de Celso Daniel.
          É de pasmar! Um bandido que participa da quadrilha petista fala uma coisa destas e não é imediatamente conduzido para lugar seguro onde possa ser ouvido atenciosamente até em troca de sua liberdade total porque daí resultaria o conhecimento de toda a trama.
          O que aparenta mistério é que o PT está com o poder nas mãos e pode impedir o surgimento da verdade com atitudes como a de José Dirceu quando era ministro, aliado aos juízes petistas do STF, impediu que o Ministério Público de Santo André pudesse ouvir o afável senhor bandido cabeça de penteadeira que sabe tudinho sobre esse “mistério” e ainda sabe muito mais. Enquanto formos conduzidos por este tipo de liderança, o povão continuará a chorar nos corredores do hospital e a bandidagem a fazer a festa em cima dos pamonhas que trabalham.

domingo, 21 de outubro de 2012

TÁ FALTANDO CUCA


 

A juventude gosta tanto de ler que aprecia até as bobagens que escrevo como se pode ver da participação neste blog. Ele existe há anos e até agora apenas dois ou três amigos se manifestaram por consideração. Entretanto, como creio ser obrigação de quem tem experiência passar um pouco dela para quem não tem, estou de volta no cumprimento do dever de tentar mostrar aos jovens um pouco da realidade da vida, e ela consiste no fato de estar a juventude condenada pelos seus líderes a um sistema educacional deficiente. Na revista Caros Amigos n. 186/2012, o filósofo Vladimir Safatle diz não haver um projeto do governo que em 50 anos transforme o ensino fundamental e médio em ensino público de qualidade. Tal afirmação tem sua veracidade constatada na declaração do Ministro da Fazenda de que se for empregado o montante de dez por cento do PIB na educação quebra o País.

Fazer o quê, se não tem dinheiro para um sistema educacional eficiente? O jeito é continuar com o atual sistema que forma profissionais incapazes do exercício da profissão? Estão sendo autorizados a prestar serviço à população advogados que não sabem redigir uma petição com precisão, médicos que não sabem diagnosticar a doença do doente, engenheiros que constroem apartamentos em que a água do banho fica empossada ao lado oposta do ralo e causa infiltração para o apartamento de baixo. Enfim, uma educação que forma técnicos tão incapazes em suas especialidades que é preciso trazer de fora quem faça o que os daqui são sabem fazer. Este será o destino dos jovens brasileiros enquanto durar a indiferença para com estes assuntos.

Até mesmo um jovem inexperiente ao encomendar um trabalho ao serralheiro, pedreiro, engraxate, carpinteiro, contador, médico ou advogado, espera um trabalho bem feito. Entretanto, quando se trata do trabalho da administração pública, as pessoas agem como se elas nada tivessem a ver com o seu resultado. Quando muito lamentam. Porém, exigir qualidade, não exigem. Nem mesmo sabem que podem fazê-lo. Como disse um pensador, o jovem não sabe o que pode e o velho não pode o que sabe. Realmente, depois de ter vivido setenta e seis anos, se eu pudesse, rachava a cabeça da juventude para extirpar a indiferença ante as coisas importantes para o futuro de seus descendentes.

O motivo pelo qual a juventude não terá uma educação eficiente não é a falta de dinheiro porque dinheiro existe aos montes. Lá, nos infernos fiscais, equivocadamente chamados de paraísos fiscais, estão montanhas de dinheiro daqui; nas festas do futebola, do axé e da queima de fogos estão montanhas de dinheiro; no luxo dos palácios e na manutenção da corte das autoridades estão montanhas de dinheiro; no ispréde bancário estão montanhas de dinheiro; os livros Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe contém cada um deles montanhas de dinheiro; nas caixas-fortes de imbecis que fazem pose de mais ricos do mundo estão montanhas de dinheiro livres de imposto. Então, o que acontece para não se ter educação de qualidade? Acontece uma coisa tão simples como respirar quando se tem saúde, mas só observável por quem queira observar, o que não é o caso de quem só observa os lugares onde adquirir droga, onde vai ter uma festa de axé ou de futebola, onde colocar o som mais volumoso no carro, onde colocar o próximo espeto, se no nariz, na orelha, ou “nas partes”, onde encontrar a academia de ginástica ou que incentivador muscular aumenta mais rápido os bíceps, estas são as preocupações da juventude por orientação do sistema educacional montado pelas autoridades para evitar que as pessoas pensem em exigir um trabalho de boa qualidade em troca das montanhas de dinheiro que lhes entregam.

Existe uma cidade chamada São Paulo, paraíso dos agiotas do mundo que chegam de jatinhos, vão de helicóptero para algum palácio e faz o mesmo trajeto de volta para seus países depois de ter armado alguma transa que lhe permitiu engordar a conta bancária. O povo daquela cidade, entretanto, respira ar empesteado, bebe água imunda, sofre alagamentos constantes pela invasão das águas de chuva que não tem como infiltrar no solo porque o asfalto não deixa. O sufoco é tão grande que os moradores de lá chegam a morrer nas estradas fugindo a cada feriado comprido. Entretanto, afirmam todos ser uma bela cidade.

O motivo que leva à crença de se tratar de uma bela cidade é o mesmo motivo que leva à crença de se ter de conviver com um sistema educacional esfarrapado, com os professores precisando correr atrás do sustento em outras atividades. A título de manter um sistema esfarrapado de educação, a Academia Brasileira de Letras homenageou um iletrado jogador de futebola. Até se fala em educação pelo esporte. Só não se fala em educação que mostre a necessidade de espiar o que as autoridades estão fazendo. O esporte incute a deseducação e a formação de verdadeiros bichos que se engalfinham até a morte pelo resultado de um jogo já determinado pelos cartolas milionários depois de combinar a propina com o juiz.

Há tanta verdade na afirmação da inexistência de dinheiro para qualquer coisa, quanto há verdade na afirmação do governador da cidade de São Paulo, que é o único paraíso onde balas perdidas fazem zumbido constante, quando disse ao povo que a segurança de seus moradores depende da manutenção de um constante estado de guerra. Tal afirmação tem sentido oposto àquele afirmado pelo governador, contando com a indiferença dos jovens do nariz atravessado por espeto. Então, vai-se transformar o paraíso em campo de guerra? E ninguém contesta? Não apareceu nenhum jovem para dizer ao governador que sua excelência está equivocado. Há cidades onde não existe um estado de guerra e as pessoas vivem em paz.
Mas, para evitar a contestação a que levaria o esclarecimento oriundo de uma boa educação, alega-se impunemente não poder gastar dez por cento do PIB para educar a juventude, mas pode gastar trinta e cinco por cento dele para pagar juros a agiotas sem pátria, conforme noticia a imprensa.

Como ninguém se dispõe a checar tal informação, fica sendo verdade a mentira. A turma que exerce o papel de autoridades faz da juventude peteca. O governo alardeia como grande feito seu um desmando tão grande que resulta em sacrifício para a juventude indiferente ao lugar onde vai dar o caminho por onde caminha. O alarde é sobre empréstimo para que jovens pobres possam estudar. Isto é um verdadeiro descalabro. Se a Constituição Federal garante educação em troca dos impostos que todos pagam ao governo, não há necessidade de se pagar outra vez. Entretanto, com a anulação da capacidade de pensar e o acomodamento com tudo que lhe é imposto, o jovem aceita esse absurdo de começar sua vida profissional com uma dívida inexistente diante do que diz a Lei Maior tão invocada pelos politiqueiros como merecedora de respeito. O processo de anular o efeito da educação funciona tanto que durante a bienal do livro lá na cidade do ar envenenado e do constante estado de guerra, os jovens deixaram de lado os escritores e se aglomeraram em volta de um iletrado jogador de futebola. A cuca da juventude ainda se encontra à altura dos pés. Tá faltando cuca prá pensar.