quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O MAL EXPULSANDO O BEM


 

O Mestre do Saber Vinicius Bittencourt, em seu fabuloso livro Falando Francamente, nos lembra o fato aparentemente controvertido de que a moeda ruim expulsa do mercado a moeda boa. A política econômica sempre foi uma forma de roubar do povo o produto do seu trabalho, de sacrificar o povo em benefícios do trio maligno que domina a humanidade desde sempre: politicagem (porque nunca houve política para o povo), religião e pessoas muito ricas (o que sempre houve). Estes três elementos constituem o apanágio do sistema capitalista que destruirá o futuro das gerações vindouras por ter sua base assentada sobre a monstruosidade tanto de escravizar uma parcela da sociedade necessária ao trabalho de produzir a riqueza para uso daquelas três categorias parasitárias, quanto eliminar o excedente incômodo da população pelas guerras, violência policial, fome e sucateamento da assistência à saúde e educação para os pobres. Entretanto, os pobres já começam a perceber a realidade de também terem direito a um lugarzinho ao sol como se vê pela pipocação de protestos de todos os tipos e em todos os lugares. Sendo eles em número infinitamente maior, disto resultará uma confusão capaz de transformar num inferno o futuro destas crianças cujos pais e avós dizem amar.

As moedas boas são expulsas pelas moedas ruins por meio do conjunto das tramóias que formam o Sistema Econômico que os ricos garantem ser beleza pura e transformam esta mentira em verdade através dos seus papagaios assalariados que atualmente portam caneta e microfone e os meios de comunicação para repetir mentiras tantas vezes até transformá-las em verdades. São milhares de “economistas” em todas as emissoras de rádio e televisão a fazer apologia do compra-compra e garantir que as crianças devem acreditar em Papai Noel e tomar coca-cola, e que os adultos não podem deixar de visitar os Estados Unidos e a Europa. Outro dia, um radialista, a título de mostrar que estivera por lá, ao cumprimentar o colega de trabalho que chegava para substituí-lo, acrescentou: “Falei muito em seu nome lá nos Estados Unidos”.

Voltando ao nosso assunto das moedas, quando o dinheiro circulante eram moedas feitas de ouro e prata, ocorriam duas formas de roubar o povo que nasceu para ser roubado: ladrões comuns raspavam das moedas o ouro ou a prata, o que diminuía seu peso, ou o governante, que na época era um rei, cunhava as moedas com menor quantidade de ouro ou prata, adicionando outro metal qualquer para manter o peso, o que tornava de qualidade inferior as moedas adulteradas, embora permanecessem com o mesmo poder de compra das moedas sem adulteração. Assim, quem possuía moedas boas, guardava-as, retirando-as de circulação e usavam as adulteradas, sendo esta a razão pela qual as moedas ruins expulsavam as boas.

Atualmente, são as pessoas de qualidade superior que são expulsas da sociedade pelas pessoas de qualidade inferior. Na política, por exemplo, Plínio de Arruda Sampaio e Eloisa Helena, ambos com um passado de luta por uma organização social de paz e harmonia entre nós são substituídos pelas pessoas atualmente nos postos de mando da administração pública com um passado descrito nos livros Brasil Privatizado, Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe. Esta valorização do ruim em detrimento do bom ocorre em todos os quadrantes da vida social. Ignorantes crassos que não sabem fazer um “o” com um copo são considerados pela sociedade “celebridades”, “famosos”, enfim, merecedores de vida faustosa, enquanto um professor é desprezado, os policiais são mantidos na condição de seres humanos inferiores e incapazes de compreender a função nobre que desempenham na manutenção da ordem social, convictos de serem seus inimigos aqueles que lhes pagam o salário. As Forças Armadas, Instituição que deveria ser motivo de orgulho do seu povo, embora contem com grandes homens, são dirigidas pelos que mancomunaram com os ricos dos Estados Unidos para submeter seu país ao jugo dos americanos das bundas brancas em 1964.

Estamos vendo nesse momento pessoas de baixa qualidade a execrar um homem sensato, um juiz tão corajoso quanto Heloisa Helena, que se recusou a punir uma pessoa por vender maconha, alegando ser isso injusto porque ninguém é punido por vender tabaco ou bebida alcoólica, o que é corretíssimo do ponto de vista da sensatez. Estas pessoas de qualidade inferior não o fazem por desconhecimento da realidade. Fazem-no pelo salário que lhes pagam os grandes traficantes contra os quais ninguém se insurge como prova o caso do Helicóptero do Pó. Quem desconhece a realidade são aqueles que se deixam enganar pelos argumentos destes deformadores de opinião, verdadeiras “moedas falsificadas”. Suas alegações de inobservância de preceitos constitucionais são hilárias ante tantas inobservâncias de tais preceitos tais como garantia de sermos todos iguais perante a lei e as garantias de terem todos direito à saúde, segurança e educação. Se em todos os lugares do mundo onde as pessoas desfrutam de padrão de vida melhor do que o nosso a maconha pode ser usada, então, por que entre nós não pode?

Este juiz é moeda de ouro do melhor e merece nossos aplausos e votos de muita felicidade junto com seus familiares. Inté.

 

 

 

  

 

sábado, 25 de janeiro de 2014

DURA REALIDADE


Algumas reflexões sobre a mediocridade a que foi reduzida a vida pela estupidez em que mergulha a humanidade em decorrência de sua ignorância me levaram a uma dose dupla de uísque e muita tristeza por ser obrigado a viver num ambiente cuja brutalidade supera a brutalidade das feras. A insatisfação se transforma em tristeza à medida que observo o comportamento das demais pessoas que compõem a sociedade infeliz da qual sou brigado a fazer parte, e ser também infeliz. O comportamento humano é tão estúpido que ultrapassa os limites da própria estupidez, da burrice e da ignorância. São bichos como também o são o burro que puxa a carroça ou a junta de bois carreiros puxados pelo nariz a arrastar um toro de madeira. Os brutos seres humanos são incapazes de perceber que só a união de todos num ambiente coletivo e harmonioso é capaz de nos trazer a paz e o bem-estar provedores do conforto corporal e espiritual. Em vez de procurar esta felicidade no lugar certo que é onde se unem o congraçamento e a irmandade, procuram-no nas igrejas onde ela não está. Os bichos de dois pés vivem uma vida destinada exclusivamente a orar, ver putaria na televisão, se interessar pelas notícias de Neymar e Marquezine, saber os lugares inusitados onde Xuxa já trepou, ter curiosidade em saber que Daniela Mercury quer ser engravidada pela namorada, procriar, encher latrinas, ficar em filas, ouvir barulho, fazer compras, pagar impostos, adorar os Estados Unidos e Europa, enfim, chafurdar na mediocridade.

O mais elementar dos pensamentos leva à conclusão de que foi anulada nos humanos a capacidade da reflexão, o que os iguala aos irracionais. Pessoas portadoras do título de doutor tem o mesmíssimo comportamento dos analfabetos com os quais comungam a religiosidade própria dos mal informados, e a indiferença ante o destino trágico à espera de seus filhos. São incapazes de perceber que a alegria e os bons momentos perduram apenas enquanto perdurar o vigor da juventude. São incapazes de compreender que esse vigor vai se exaurindo a cada tique-taque do relógio, e que um dia nada mais dele restará. A incapacidade de racionar não permite a percepção de que a alegria, as brincadeiras, os requebramentos de quadris serão um dia, tão certo quanto dois e dois são quatro, substituídos por uma imobilidade que cresce à medida do esbanjamento da vitalidade. Entretanto, como se essa vitalidade fosse eterna, os brutos seres humanos desperdiçam-na estupidamente usando drogas e adotando comportamentos dos quais resultam o sucateamento dos corpos, atitude equivalente à construção da ponte que liga os terreiros das brincadeiras à UTI para os que podem pagar, e ao choro no corredor do hospital os que não podem pagar. 


O tempo útil de que dispomos é estupidamente desperdiçado de todas as formas. Nem só os estúpidos o dilapidam no corre-corre do ajuntamento de dinheiro. Escritores brilhantes escrevem trilhões de palavras em volumosos livros para dizer coisas que poderiam ser ditas de modo simples e sem arrodeios. Sobre a inutilidade das religiões, por exemplo, em lugar de palavreados infinitos e montanhas de livros, é suficiente observar que os lugares mais infelizes são aqueles onde há mais religiosidade. Esta verdade foi expressada pelo sociólogo que  afirmou haver mais infelicidade nos lugares onde há maior número de igrejas e farmácias. Com efeito, é nesses lugares onde se verifica maior número de doenças provenientes da falta de saneamento, e, consequentemente, a compra desenfreada de remédios até sem indicação médica, o que faz o paraíso das farmácias. Por outro lado, a falta de leitura faz o paraíso das igrejas porque só a leitura de bons autores convence da safadeza das religiões que levam pastores às fortunas e o vaticano aos escândalos bancários. A inocência dos analfabetos faz a festa das religiões. Nunca se viu um ateu analfabeto. O conhecimento da verdade não pode ser alcançado sem boas leituras que mostrem a realidade das religiões através de sua história.  A mentira da preferência divina pelos pobres pode ser verificada no fato visível de estar no sofrimento da pobreza a base de sustentação da riqueza. Se não houver pobres necessitando de emprego para tocar as máquinas dos ricos não haveria as monstruosas mega empresas a dominar o mundo e convencer os pobres de que é bom ser pobre.


A garantia religiosa de um mundinho de paz em companhia de Deus só perdura até o esgotamento inevitável da vitalidade e o sofrimento na UTI, destino inevitável desenhado pelas atribulações da vida moderna tanto na busca infindável por riqueza quanto pelo consumo de alimentação, água e ar envenenados. A água Schin, por exemplo, apresenta um Ph melhor do que muitas outras águas engarrafadas, mas produzido por uma doze de 19,55% de bicarbonato de sódio danoso à saúde do estômago. As lufadas de fumaça preta saídas dos canos de descarga dos veículos arruinarão os pulmões dos jovens tão burros que nem sabem disso. O barulho causa danos tantos que o menor deles é danificar o sistema nervoso a ponto de causar impotência sexual e ressecamento da pele que provoca envelhecimento precoce. Mas os idiotas que requebram os quadris não pensam nas consequências disso tudo na saúde de seus filhos. Entretanto, quem pensa, não precisa de algumas doses de uísque?


A crença na existência de um Deus bom e que sabe o que se passa no pensamento de cada um de nós é desmentida pela realidade: ou Deus não sabe o que se passa na cuca de cada um, ou Ele não é bom.  Se soubesse, saberia da intenção do monstro de dois pés de tacar gasolina e fogo na menininha do Maranhão. Se fosse bom, não deixaria acontecer aquela monstruosidade. Do mesmo modo, a crença de que fazer o bem é bom porque agrada a Deus é desmentida cotidianamente pelos acontecimentos da vida sem fantasia como prova o padecimento do garotinho americano de oito anos que salvou seis pessoas de um incêndio, mas morreu queimado quando voltou para buscar seu avô. A crença de valer a pena rebolar os quadris no axé e no futebola desaparece ante a realidade de uma velhice chorosa no corredor do hospital. Para retirar da sarjeta os que lá se encontram, basta inocular-lhes dignidade em vez de religiosidade e piedade.  Aos que buscam tranquilidade escondendo-se atrás de uma montanha de dinheiro, lembremos-lhes que um dia serão achados.  


Para proceder coerentemente não há necessidade de desperdiçar tantas palavras e intelectualidade. Basta raciocinar sobre o cotidiano da vida. Hoje, no caixa de um supermercado, pelo hábito de procurar aproximação com os trabalhadores que produzem a riqueza do mundo e que deveriam ter melhores condições de vida, convidei a funcionária do caixa e o empacotador do supermercado a tomarem comigo uma dose do uísque de fina qualidade que lá comprei. A funcionária agradeceu, mas o empacotador, num gesto de desaprovação à bebida próprio dos religiosos, frisou com orgulho que não bebia. A certeza de estar aquela pobre criatura em posição superior à minha é desmentida pelo fato de ter eu um padrão de vida infinitamente superior à dele. Se lhe fosse mostrada esta verdade, certamente argumentaria que sua vida boa está a lhe esperar no céu. Enquanto isso, vai empacotando compras e ajudando os gringos donos do supermercado e do Brasil e do mundo a ficarem cada vez mais ricos. É esta a finalidade da religião, convencer aos humildes de que vale a pena ser humilde. Isto está visível na qualidade inferior dos carros baratos que ostentam os dizeres “Deus mim ama”, “presente de Deus”, e bobagens que tais. 


Se as crenças que dão origem aos comportamentos correspondessem à realidade, o mundo não estaria tão ruim e as pessoas cultivariam a amizade e o entendimento em vez de cultivar a malquerença que produz as guerras. A ninguém é dado o direito de desconhecer estar tudo errado. As pessoas mais insignificantes e vulgares são exatamente as mais apreciadas e valorizadas pela sociedade. A vulgaridade se tornou meritória como mostra esta notícia da imprensa: Globo dá passo a frente com beijo lésbico”, esta notícia é ilustrada por uma foto de duas mulheres com a língua de uma dentro da boca da outra, o que é, na realidade, milhares de passos atrás.

Verdadeiros monumentos à ignorância são alçados a uma vida faustosa enquanto jovens marcham numa idiotia neles inoculada para torná-los conformados com uma vida de escravidão consentida sem perceber que uma velhice doentia e sem onde se tratar os espera porque os recursos por eles produzidos serão canalizados para as caixas fortes dos ricos e para as brincadeiras que desviam a atenção dos assuntos onde devia estar: a administração dos recursos públicos e a atividade da classe parasitária dos ricos e seus lacaios politiqueiros. A leitura dos livros Brasil Privatizado, Honoráveis Bandidos, Privataria Tucana e O Chefe, só não mostra à juventude o motivo pelo qual falta dinheiro para as coisas sérias porque as brincadeiras funcionam como um imã que atrai a atenção transformando nulidades em celebridades. As futilidades escondem as falcatruas dos politiqueiros e dos ricos donos do mundo. Os juros e amortizações que a dívida pública brasileira canalizou para o bolso dos parasitas em 2011 consumiram 45,05% do orçamento da União, produto do trabalho dos jovens alienados, enquanto à saúde destinaram-se apenas 4,07%, e à educação apenas 2,99%.

É daí que provém a ignorância produtora dos sofrimentos, da compra de remédios e da religiosidade. Inté.

 

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

SONHO REALIZADO


 

De tanto ouvir falar nas belezas do nordeste, mesmo com uma pulga atrás da orelha, mas, incentivado sobretudo pela possibilidade de encontrar alguém cuja identidade revelarei mais adiante, alguém que tiraria o Brasil de sua eterna desmoralização, possibilidade esta com a qual sonho há muito, resolvi olhar de perto as decantadas belezas nordestinas. Sara cancelou alguns exames de saúde, enchi o tanque da CRV e nos mandamos com a intenção de percorrer tantos estados quantos meus setenta e oito anos me permitissem dirigir. Entretanto, confirmando o que tenho afirmado neste blog, este é um país apropriado para manada e não para quem tem noção do que sejam responsabilidade, direitos e obrigações. Logo de entrada, um desmando: pagar pedágio várias vezes para andar atrás de caminhões que soltam lufadas de fumaça preta proveniente da queima do óleo diesel mais venenoso do mundo. Em seguida, outro desmando: os caminhoneiros ignoram a determinação legal de deixar espaço entre si para os automóveis e fazem buzinaço quando se é forçado a entrar na marra entre dois caminhões a fim de não chocar de frente com outro caminhão. São incontáveis os desmandos. Depois de correr perigo para ultrapassar inúmeros caminhões, chegando aos postos de pedágio dá-se de cara com outro desmando: guichês fechados por medida de economia para atender à usura dos ricos donos do mundo e imensas filas, resultando que os caminhões, ônibus e muitos carros outros penosamente ultrapassados voltam a ficar em nossa frente porque eles passam diretamente por um guichê especial sem necessidade de entrar na fila para pagar o indevido pedágio, anulando, assim, todo o esforço empreendido e os riscos corridos para ultrapassá-los.

Disse o Mestre do Saber Leonardo da Vinci o seguinte: “aqueles que se submetem aos desmandos, não passam de condutores de comida. A única marca que deixam de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias”. Como tenho também outras marcas a deixar, comecei a ficar irritado ao ser submetido a tantos desmandos que ia encontrando pelo caminho. Para quem tem experiência de mais de meio século em direção nas estradas, as ultrapassagens são estressantes porque envolvem riscos. Nas subidas onde há uma terceira pista, a situação de estresse é ainda maior porque os motoristas dos caminhões trafegam com as rodas sobre a linha que separa a terceira pista da pista na qual nos encontramos, fazendo com que passemos tirando fino nos caminhões que vão e nos que vem em sentido contrário.

Embora sem autorização para passar pelo guichê especial, não suportando a vilania da situação de ter várias vezes de repetir a operação da ultrapassagem, invadi o guichê especial disposto a arrebentar aquela vara que obstrui o caminho mesmo que estragasse minha CRV, só não o fazendo porque o espaço entre a ponta da vara que serve de obstáculo e o muro foi suficiente para que meu carro passasse. Vou esperar pela multa para contestar. Não creio que nenhum juiz concordasse com tal absurdo por não acreditar haver juiz que se enquadre na qualificação de enchedor de privada.

Seguindo viagem, chegamos a uma capital de um estado nordestino onde um filete de água putrificada e fétida escorria ao lado do meio-fio e um rio igualmente fedorento despejava diretamente na praia mais adiante. Um carro estampava os dizeres “TUDO É DO PAI” embora não explicitasse a que se referia aquele “tudo” e nem o pai de quem era o dono de tudo. Outro carro anunciava em grandes letras “JESUS MIM AMA”. Depois destas bizarrices nos hospedamos num hotel de quinhentos reais a diária, onde saía apenas um filete de água na pia do banheiro e mesmo assim não tinha vazão e ficava empoçada dentro da pia. Convoquei a manutenção que melhorou a condição da pia (apenas melhorou) e explicou que a água era fraca mesmo e embolsou vinte de gorjeta. Não se tinha privacidade no banheiro porque além da porta comum havia também uma porta fixa de vidro que permitia a quem estivesse do lado de fora ver quem estava lá dentro. O resfriador de ar não esfriava o ambiente e foi preciso vir alguém da manutenção que levou mais vintão. Dois dias depois, já em outra capital, hospedamos num hotel que dava para o mar, e mesmo estando no décimo oitavo andar não se podia abrir a janela porque o axé dos farofeiros na praia lá embaixo arrebentava os ouvidos cá em cima.

Ante tantos desmandos, quebrei o beco de volta da quarta capital, desistindo das demais. Não há lugar neste país de manada para quem aprendeu a pensar e ambicionar uma vida com mais dignidade. Entretanto, um acontecimento alvissareiro superou todos os desprazeres e a tristeza de viver em ambiente tão desagradável. Eu seria capaz de repetir tudo se tivesse novamente a oportunidade de desfrutar ainda que por pouco tempo da companhia de ninguém menos do que a fabulosa musa da política brasileira, HELOÍSA HELENA, a mulher que faria desse país um lugar onde nós que pensamos pudéssemos viver sem tantos dissabores.

Esta juventude imprestável para qualquer coisa que não sejam adorar imbecilidades como as notícias dando conta dos lugares inusitados onde Xuxa já trepou, ou que Daniela Mercury quer ser engravidada pela namorada, poderiam muito bem deixar de ser apenas enchedores de latrina e se interessarem por política porque é dela que depende o futuro de seus descendentes. Para começar, procurem saber quem é HELOÍSA HELENA, suas atitudes, seu caráter e sua luta em nossa defesa. Juntamente com Sara, fiquei emocionado ao lado dela, e não resisto à tentação de mostrar estas fotos aos que honram com sua visita este blog trapaiado . Inté.

 

 

 





    

domingo, 5 de janeiro de 2014

SOPA BRASIL


INGREDIENTES: dezenas de feriados; centenas, talvez milhares de igrejas; milhares, talvez milhões de farmácias; festejamentos de futebola e axé que deixam cadáveres atrás de si; multidões de idiotas requebradores de quadris; adoradores de atletas, palavra mais pronunciada pelos meios de comunicação que até já inventaram a idiotice do pára-atleta; ratazana de dois pés; ignorância de montão; dezenas de partidos políticos que não passam de quadrilhas para roubar o erário; cinismo; congresso depravado; falcatruas de todos os tipos; juízes e policiais na bandidagem; cinquenta mil assassinatos por ano; centenas de acidentes rodoviários; delegacia para roubo de fios elétricos; pesquisas de opinião pública com resultado previamente estabelecido; hospitais transformados em vale de lágrimas; privilégio governamental de exercer jogo de azar; crianças criadas como bichos e bichos criados como crianças; jovens alienados por um sistema que deseduca procurando paz nas religiões sanguinárias e pagando ágio ao governo para poder estudar; uma Constituição Federal que não cumpre o que promete; espetáculos pirotécnicos caríssimos pipocando e produzindo surdez e fumaça para aumentar a poluição e desperdiçar dinheiro; ignorantes nas portas dos supermercados a pedir um quilo disso e daquilo em nome de Deus para socorrer famintos, trabalho que deveria ser executado pelos politiqueiros cujo dinheiro já embolsaram; milhões de lâmpadas acesas a consumir a energia já escassa para enfeitar árvores e milhões de cegos mentais num frenesi de compra-compra a fim de atender ao chamamento da televisão para a festa de natal; esmolas através de cestas disso e daquilo com as quais se compra a simpatia de um povo idiota; loucura desenfreada pela paixão ao “American Way of Life” que leva ao procedimento de macaco da rádio CBN que aos domingos às nove e trinta da manhã apresenta um programa intitulado “Young Professional”.

Estes ingredientes e muitos outros mais formam a sopa Brasil para ser servida a idiotas tão idiotas que adoram e respeitam quem não merece respeito e despreza aqueles que o merecem, entre eles a ex-senadora Heloisa Helena.

Um governo de cuja administração resulta a sopa com os ingredientes acima citados está aí a fazer pose com aprovação do populacho religioso, festeiro e burro deste país infeliz de tristíssima origem. A popularidade deste governo que só é bom para quem não sabe o que é bom, e que, na realidade, é um desgoverno cuja popularidade é conquistada do mesmo modo como se conquista a simpatia de uma criança oferecendo-lhe bombons. As cestas básicas que na realidade representam degradação social, ao lado das bolsas disso e daquilo, já se cogitando da criação de uma bolsa estupro, para a ignorância dos ignorantes, em vez de deficiência, soa como eficiência e afaga sua incapacidade de distinguir da falsidade a sinceridade. Afinal, porcos preferem a lama.

O povo desse país de idiotas opta pela companhia de figuras como Renan Calheiros, Sarney, Jader Barbalho, Lula, à companhia de Heloisa Helena, que, quando senadora, bradou em alto e bom som, da tribuna do senado do qual fazia parte, não merecer respeito aquele senado por não se fazer respeitar. É mentira esta afirmação? Merece respeito um senado cujos presidentes são figuras vezeiras nas páginas policiais? Para se ter uma amostra da canalhice que é o senado deste país de imbecis peça ao amigão Google o seguinte: Enquanto falcatruas depredam o patrimônio público, PF caça black blocs e veja se Heloisa Helena tinha ou não tinha razão quando disse que o senado não merece respeito. Esta matéria mostra a depravação moral daquela instituição que deveria ser motivo de orgulho se fôssemos um povo em vez de manada.

 Quem merece mais respeito, e, por isso mesmo, mais apreceiamento? Sarney, personagem do livro Honoráveis Bandidos, Renan Calheiros com seu turismo aéreo para botar cabelo na careca às custas de quem chora no corredor do hospital, Jader Barbalho, que consumiu dezenas e dezenas de milhões da SUDAN num ranário para sevar rãs de ouro, ou Heloisa Helena que fala a verdade em defesa desse povo cuja ignorância a leva a ter piedade? Pois esse Zé povinho de merda desta republiqueta de banana ignora aquela brava e digna mulher cuja nobreza de caráter dignifica a política brasileira muito mais do que a união de todos os demais politiqueiros travestidos de políticos. Num masoquismo coletivo, se empolga esse povo desprezível com os energúmenos produtores de sua infelicidade. Não se pode ter outro entendimento para explicar a preferência pelos canalhas em detrimento das pessoas dignas senão pelo gosto ao sofrimento.

A ex-senadora Heloisa Helena, que sempre teve melhores condições de vida do que Lula, posto nunca ter sido pau-de-arara, continua precisando trabalhar para viver enquanto Lula, pau-de-arara que era, virou multimilionário. Roubou os recursos de amenizar o sofrimento dos idiotas que o idolatram e gostam de sofrer enquanto dançam axé, ignorando a dura realidade do choro no corredor do hospital quando esgotar a energia para o requebramento de quadris.

Ninguém conhece mais o PT e Lula do que Heloisa Helena, também enganada como todos nós ao acreditar no Lula do povo, hoje aos abraços e afagos com Sarney e Maluf. Exatamente por conhecer o canalha que é Lula foi que Heloisa Helena declarou o seguinte: “O ex-presidente Lula é um gângster, ele chefia uma organização criminosa capaz de roubar, matar, caluniar e liquidar qualquer um que passe pela sua frente ameaçando seu projeto de poder”. Será que isto não explica as mortes de Celso Daniel e Toninho do PT?

Esta mulher que se expõe a perigos em defesa desse povinho que não merece seu sacrifício é preterida pela figura nojenta do canceroso Lula, milionário às custas dos idiotas que o idolatram. A leitura do livro O Chefe mostra quanta verdade existe nas acusações de banditismo que a brava heroína Heloisa Helena faz ao ex-pau-de-arara na defesa desse povo imprestável para outra coisa que não seja axé, futebola e ignorância sem limite e que não merece seu sacrifício.

Enquanto a juventude preferir igrejas em vez de política, a situação permanecerá desse jeito. Entretanto, podemos muito bem mostrar aos jovens menos burros o quanto eles estão por fora da realidade. Inté.

domingo, 29 de dezembro de 2013

RESPOSTA À PERGUNTA DE MILLÔR


Millôr Fernandes escreveu um livro cujo título é esta pergunta: “QUE PAÍS É ESTE?” e ele mesmo apresenta algumas respostas que justificam o motivo da sua perplexidade ante a bagunça total que o induziu à pergunta/título. Entretanto, este iletrado aqui, que se preocupa mais com os filhos dos jovens do que eles próprios, e que nem sabe escrever mas sabe pensar, tem uma resposta só, apenas uma, mas que esclarece melhor do que todas as respostas apresentadas pelo genial Millôr, irmão do genial Hélio Fernandes, ambos membros de uma família portadora do gene da genialidade. Minha resposta à pergunta do porquê de ser este país uma total esculhambação é o fato de ser ele habitado por idiotas. É um país de idiotas tão idiotas que a juventude prefere comungar as idéias religiosas lastreadas no conhecimento empírico dos analfabetos, desprezando as idéias científicas que nos garantem ser impossível ao ser humano ter um mundinho particular de paz fora da sociedade como creem os jovens encontrar na companhia da divindade.

Foi um cientista que afirmou ser o homem um animal social. Para os jovens idiotizados pela idiotia coletiva isto nada significa. Sua cuca ocupada com a necessidade de acumular dinheiro com o qual acreditam fazer seu mundinho particular de bem-estar não lhes permite entender o significado daquelas sábias palavras. Se eles tivessem em companhia de sábios em vez de analfabetos, tomariam conhecimento do fato inegável de não ser possível viver bem isoladamente dos outros seres humanos. Nós necessitamos uns dos outros como necessitamos de respirar ar puro. Se as próximas gerações estão condenadas a respirar, comer, beber veneno e estraçalharem-se mutuamente, deve-se este futuro de sofrimento exatamente ao desconhecimento da necessidade de sermos irmãos em vez de inimigos.

Na religião e no capitalismo, entretanto, não encontramos tais ensinamentos. Embora ambos tragam mensagem de paz e felicidade, sua pregação não corresponde à realidade. A história tanto de uma como do outro é pintada de vermelho pelo sangue de seres humanos trespassados desde espada às modernas balas disparadas até por aviões invisíveis ou que voam sozinhos. A religião tem por objetivo ajudar o capitalismo a enganar as pessoas fazendo-as se sentirem bem na escravidão aprovada por Deus em várias passagens bíblicas. As infelizes criaturas que se postam nas portas dos supermercados para constranger outros pobres de dinheiro e de espírito a lhes dar um quilo de qualquer coisa são lacaios da religião e ajudantes do capitalismo ao obrigar pessoas também idiotizadas a comprar mais um quilo disso ou daquilo, e, ao mesmo tempo, aliviar os politiqueiros do cumprimento do seu dever de cuidar dos problemas sociais.

A desarmonia é o combustível do capitalismo cuja premissa é haver vantagem na competição, quando, na realidade, só poderá a humanidade encontrar paz de espírito na cooperação. Estas são as conclusões de homens que estudaram as sociedades humanas e cujas idéias são rejeitadas em prol das idéias de analfabetos inoculadas nas pessoas quando crianças.

A idiotia é a causa de toda a infelicidade desse povo que festeja sua indignidade de ser tão idiota a ponto de viver a babar o saco do “American Way of Life”. Abacate já passou a ser avocato, jacaré virou aligátor, treinador pessoal é Personal treiner. No shopingue Conquista Sul há um local onde se vendem sapatos onde se lê “shoes”. E assim vamos seguindo como macacos.

Idiotas colocam na cabeça um gorro vermelho e vão servir panetone e cola-cola a mendigos em vez de lhes ensinar dignidade. Idiotas abarrotam aviões para fazer compras em Miami. Idiotas enchem supermercados, ruas e shopingues em obediência à orientação do berrante capitalista. Idiotas procuram proteção divina em templos religiosos cujos tetos desabam sobre eles. Idiotas ensinam a seus filhos a invenção americana de Papai Noel para promover vendas. Idiotas aplaudem um governo onde as festas tem maior importância do que a infelicidade dos que choram no corredor do hospital. Idiotas Assistem indiferentes à desfaçatez de politiqueiros canalhas a pregar moralidade na televisão. Idiotas não percebem o absurdo de não ter o governo a menor vergonha de mostrar eficiência através do fato escabroso de ter morrido menos gente assassinada e vitimada por desastres nas estradas neste ano do que morreram no ano anterior, quando o normal é não morrer ninguém em ano nenhum. Idiotas levam seus filhos para campos de futebola onde idiotas promovem banho de sangue na disputa para saber quem é mais idiota.

A falta de discernimento é compreensível na infância. A partir do momento em que não precisa mais de alguém para impedir que se coloque o dedo na tomada de eletricidade é porque já tem discernimento suficiente para analisar se o que é dito corresponde à realidade.  Na maturidade, então, é incompreensível a incapacidade de seres adultos, e mesmo velhos, permanecerem atolados numa idiotia que os leva a ter comportamento de boiada a seguir a orientação do berrante do Mercado para atacar furiosamente o “ir às compras” recomendado por Papai Noel. Quando criança, há mais de três quartos de século, participei do ambiente de Papai Noel, coisa que até hoje embevece os adultos. Como idiotice pouca é pouca idiotice, criaram uma Mamãe Noela e logo criarão um Bebê Noel para conduzir às compras. Se no tempo do Vinícius de Morais os bares estavam cheios de homens vazios, hoje, as ruas, muito mais que os bares, estão repletas de pessoas vazias entre as quais se incluem velhos e velhas fascinados e fascinadas pelo compra-compra dos americanos das bundas brancas.

O comportamento dos adultos de hoje equivale ao comportamento das crianças do meu tempo de criança quando a idiotia nos apaixonava pelo “American Way os Life” de tal modo que aquele mundo nos afigurava como um paraíso. Os idiotas que chegavam de lá atravessavam os saguões dos aeroportos com ar de superioridade em relação à inferioridade daqueles que não conviveram em terras americanas e não tiveram o privilégio de pisar as calçadas da Quinta Avenida e fazer compras em Miami. Ainda me lembro de um “felizardo” recém chegado de lá que me contou entre as novidades desconhecidas por nós simples mortais, o fato de ter visto um brasileiro atirar ao chão uma ponta de cigarro e que um policial a apanhou e colocou numa cesta de lixo, acrescentando com ar de superioridade: “Em todo canto por lá há uma cesta de lixo”. Também já ouvi a seguinte idiotice: Às gargalhadas, uma família “superior” porque acabava de chegar das “Oropa”, enroscava de tanto rir porque um dos rapazolas chegou perto de um daqueles soldados que mais parecem estátuas e passou a mão prá lá e prá cá perto dos olhos do policial e ele permaneceu impassível.

O brasileiro é um povo tão idiota que se deixa embevecer pelas mesuras dos funcionários de hotéis caros sem saber que aquilo é só fingimento e que por trás de toda aquela reverência não representa mais do que um “cucaracha” idiota. O povo brasileiro é o único do mundo que continua cem por cento colonizado. Empresas estrangeiras encontram aqui um verdadeiro paraíso para suas falcatruas. A imprensa noticiou recentemente que o ministro mambembe mantega mandou esquecer um débito fiscal de um trilhão de reais devidos por grandes empresas, muitas delas estrangeiras, entre as quais o banco Santander. Os minérios vão ser transformados em objetos em outros países. O ouro é explorado pelo Canadá. A telefonia beneficia outros países entre eles a Espanha, e assim por diante.

Nossa política virou imoralidade. Sua história é registrada no noticiário policial. A qualidade exigida para ser um executor político, em vez da virtude, é ser um canalha menor do que os grandes canalhas. O deputado João Paulo Cunha, condenado à prisão pela canalhice do Mensalão, acaba de declarar que sua canalhice é uma canalhice menor do que a canalhice dos fiscais do ISS em São Paulo. Sarney, aquele personagem do livro Honoráveis Bandidos, ante o fato escabroso da situação dos presídios no Maranhão que se tornou propriedade de sua família e onde uma guerra entre os presidiários causa dezenas de mortes, e as mulheres que entram lá são estupradas, acaba de apresentar como eficiência do governo de sua filha o fato de que lá no Maranhão a violência fica dentro dos presídios e não vai para as ruas. Não pode haver nenhuma escala capaz de medir o tamanho da idiotia de um povo que houve indiferente uma declaração desavergonhada deste tipo e tece loas para o governo do qual participa tão energúmena figura.

O governo paga com o dinheiro do povo idiotizado as empresas de pesquisa para dizerem que o governo é bom e o povo acredita. Como pode ser bom um governo em cuja administração morrem cinquenta mil pessoas anualmente vitimadas por uma violência fora de controle, além de ser um dos mais corruptos países do mundo, e com o mais baixo nível educacional dos jovens em todo o mundo?  Duas situações apenas podem explicar a aprovação para tal governo: a facilidade de ser enganado ou gostar de degradação, porque, afinal, o que é do chão não quer colchão.

Ante tal situação, onde fica a juventude que não desperta para outro tipo de vida senão o de comprar e comprar tudo que a televisão lhes manda comprar, além de freqüentar templos religiosos que lhes “fazem a cabeça” para receber dízimo? Não percebem os jovens que este caminho leva à infelicidade dos seus filhos? Será tarde quando a juventude idiotizada perceber que nenhum Deus evitará que seus filhos sofram os efeitos danosos do compra-compra desenfreado. A fumaça saída dos automóveis transformados em sonho pela propaganda e as lufadas saídas dos bueiros das indústrias que abastecem o consumismo serão a desgraça dos pulmões das criancinhas do presente. Não percebe a juventude que nenhuma proteção divina tirará dos alimentos, da água e do ar os venenos que transformam alimento, água e ar em inimigos da saúde? É este o mundo que pretendem os jovens para seus filhos? Se é, estão loucos. Se não é, como não pode ser, estão indiferentes porque é o que está sendo colocado à sua disposição.

Não aceitem este tipo de vida, jovens, o ser humano tem dignidade e não deve ser orientado a proceder como idiota. Não é nas igrejas que está a possibilidade de uma vida que vocês devem aspirar para seus filhos. Não é verdade que a canalhice compensa. O que compensa é a sabedoria de saber escolher um caminho melhor para ser caminhado. Este pelo qual trilhamos por orientação de falsos líderes nos trouxe ao impasse. Chegamos ao cúmulo de nossos falsos líderes pleitearem o cerceamento do direito da Promotoria Pública investigar crimes políticos. Se vocês não estivessem tão alienados saberiam que esta intenção tem tudo a ver com o que é ruim para seus descendentes. A Promotoria Pública foi quem denunciou um esquema criminoso montado pela corrupção dos politiqueiros paulistas que embolsavam gordas propinas para diminuir débitos de empresários desonestos e tão ladrões quanto os funcionários corruptos.

Chega-se ao cúmulo de haver o deputado João Paulo Cunha, presidiário pelo roubo do Mensalão, alegado em sua defesa que este roubo do ISS de São Paulo é infinitamente menor do que aquele do qual ele participou. Tal ambiente, não fosse a idiotia, seria repudiado pela juventude que precisa se mirar no espelho de Nelson Mandela e condenar à sua insignificância os falsos líderes que reverenciavam o cadáver daquele líder autêntico, mas cuja reverência tinha o mesmo significado que tem a simpatia demonstrada no sorriso do gerente de hotel americano de luxo onde milhões de brasileiros fazem papel de bobo, papel desempenhado pelos jovens idiotizados a correr atrás de dinheiro para comprar coisas idiotas.

Deixemos, pois, a idiotia que nos idiotiza. Inté.

 

 

 

 

domingo, 22 de dezembro de 2013

NÃO PODEMOS FICAR COMO ESTAMOS


As pesquisas representam o mais novo vaqueiro contratado pelo sistema capitalista para chefiar a condução da manada humana rumo ao reino da estupidez de uma escravidão consentida pelos próprios escravos cujo feitor é um monstro denominado Mercado. Mancomunada com a grande imprensa, principalmente a que atinge todos os rincões do mundo, a televisiva, esta que ensina putaria às crianças, e que não deixa faltar um aparelho de TV em nenhuma sala de espera do universo capitalista, a fim de não interromper o fluxo de idiotia que leva a manada ao compra-compra desenfreado, do qual resultará o soterramento da humanidade por montanhas de lixo de todos os tipos, inclusive o proveniente de aparelhos eletrônicos que já contamina o solo e a água, fazendo com que venenos façam parte do cardápio servido à família que acredita cuidar bem dos filhos.   

Como bois carreiros puxados pelas ventas, o populacho não consegue desviar os olhos da luminosidade hipnótica da televisão que produz ídolos tão úteis a um desenvolvimento social salutar quanto a utilidade encontrada num curativo ensangüentado que cobria uma pústula maligna. A televisão transforma paspalhos iletrados em “famosos” com salários astronômicos pagos pela sociedade graças à inutilização da capacidade de raciocinar que iguala seres humanos aos irracionais incapazes de distinguir o certo do errado. Está errado o aceitamento pela sociedade de pessoas completamente desqualificadas em todos os sentidos como “celebridades” e “famosos”. Estas “celebridades” não merecem o apreço que a sociedade lhes dá. A função destas “celebridades” é fazer crer que a insignificância é importante, o que é próprio do sistema capitalista que leva as pessoas a menosprezar os valores morais e éticos em prol da vulgaridade. Tanto assim é que o nobre sentimento da sexualidade foi deturpado a tal ponto de se leiloar virgindade. Despertado precocemente nas crianças o desejo sexual, como acontece no país tido como símbolo do desenvolvimento intelectual, a Suécia, onde tem havido forte incremento no número de abortos por menores de idade e a prática sexual começa a partir dos nove anos, sendo que a impotência sexual acontece entre meninos de doze anos de idade..

 As pessoas não pautam seu comportamento por uma orientação resultante de suas próprias conclusões. Em vez disso, orientam-se pelas pesquisas de opinião. Se a pesquisa diz que há emprego para quem quiser, para o povo essa conversa de desemprego é falsa. Se a pesquisa diz que neste ano o número de assassinatos diminuiu cinco em cada dez mil pessoas assassinadas, o populacho fica satisfeito e nem pensa nas quarenta e nove mil novecentos e setenta e cinco pessoas assassinadas.

Ou é falso o resultado destas pesquisas que mostra satisfação popular com um governo onde o dinheiro do povo serve até para pagar implante de cabelo de autoridade e turismo aéreo para festas de casamento e coisas que tais, ou a pesquisa consulta apenas idiotas, categoria que abrange mais de noventa por cento dos brasileiros.

Para quem pensa, entretanto, a realidade das pesquisas é a seguinte: Fazendo uma pesquisa entre a população para saber se deve adotar a eutanásia, haveria rejeição pelo povo por ser contrária à vontade de Deus. Entretanto, Deus matou mais pessoas do que todas as guerras que a brutalidade humana já produziu, e até com maior selvageria porque os animais irracionais entraram no morticínio produzido por Deus.

A mesma pesquisa feita entre os trabalhadores na área da saúde teria também um resultado negativo pelo motivo de privar a indústria da saúde das fabulosas somas de dinheiro que a ignorância humana paga às UTIs para manter vivo alguém já morto e que se pudesse se manifestar certamente rejeitaria o tratamento e o prolongamento do sofrimento. Posso falar isso de cadeira porque minha família foi depenada pelo doutor Valter. Pinotti, no Hospital Nove de Julho em São Paulo, num tratamento inútil de minha mãe que veio a morrer em grande sofrimento em virtude da fome de dinheiro daquele maldito médico. Era tamanho o sofrimento de minha mãe e por tanto tempo que ao ver refletido numa tela os movimentos fracos e inconstantes do seu coração, com os olhos encharcados, eu pedia ardentemente à natureza que o fizesse parar de vez. Conhecendo como meus irmãos e eu conhecíamos nossa mãe, o fim daquele infortúnio seria também a vontade dela. Tudo isso para que o mercenário Valter Pinotti roubasse nosso já escasso dinheiro.

Se os jovens gostam de seus filhos, é extremamente necessário que não os deixem se tornar tão idiotas quanto seus pais. Não há limite para a idiotice de ser indiferente ao fato de termos um presidente do Senado Federal, uma das maiores autoridades do país, ser tão ignorante a ponto não só de se preocupar com calvície, mas também por usar de sua autoridade para ordenar que um imenso avião da FAB o levasse a outro Estado da Federação para implantar cabelo em sua cabeça pelada por fora e por dentro. Estes jovens imbecilizados precisam saber que esse pessoal tido por eles como líderes são o inverso dos verdadeiros líderes. Eis o que disse um líder verdadeiro chamado Nelson Mandela: “Os verdadeiros líderes devem estar sempre dispostos a sacrificar tudo pela nação”. É exatamente o contrário dos tipos que lideram a sociedade brasileira. Eles sacrificam a nação em seu benefício. Como aceitar tal situação se é daí que nasce a infelicidade que nos infelicita? As criancinhas que seus pais idiotizados dizem amar serão adultos ainda mais infelizes do que os de hoje graças à irracionalidade produzida pela televisão que faz merecer menor atenção a notícia sobre a observação do líder autêntico Nelson Mandela e maior atenção a notícias assim:  “Um dos assuntos mais comentados da semana foi o fato de uma apresentadora do jornal nacional ter-se levantado de sua cadeira antes da hora”. Ou assim: Garoto dá chapéu incrível no futsal. Ou assim:A cantora usou um vestido justo, curto e transparente no lançamento do seu disco”. Ou assim:Zagueiro do Santos namora gata de tirar o fôlego”.

Depois do exemplo da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) quando todo cheque sofria um desconto a ser aplicado na saúde, mas que a montanha de dinheiro arrecadada serviu mesmo foi para alimentar as safadezas dos politiqueiros, nada senão a idiotice justifica o seguinte entusiasmo publicado na imprensa: “A notícia da destinação dos royalties da exploração do pré-sal prioritariamente para a educação foi recebida com entusiasmo pela sociedade brasileira, que há décadas convive com uma cultura de desvalorização da educação. O valor estimado até 2022 com as receitas do pré-sal chega a R$ 279 bilhões”. Essa grana irá para a corrupção e não para a educação. Estejam certos disso.

Minha gente! Já estamos bem crescidinhos para sermos enganados com tanta facilidade. É mais do que hora de deixarmos de ser tão idiotas. O futuro de nossas crianças está condenado a um verdadeiro inferno. Pensemos nisso! Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 15 de dezembro de 2013

O VENENO CAPITALISTA


Causa-me espanto o fato de ter começado a ler muito depois dos outros garotos da minha idade, mas, não obstante esta circunstância, dos que naquela época estavam à minha frente em leitura e que ainda vivem, e com os quais tenho contato, raros são os que tem discernimento suficiente para entender a realidade da vida. Que os jovens sejam alienados, embora com tristeza, compreende-se, porque o sistema educacional estabelecido pelo modelo de administração no sistema capitalista que vige no mundo tem por objetivo exatamente tolher a capacidade de raciocinar e fazer os jovens tão indiferentes que nada veem de esquisito no fato de precisarem fazer empréstimo na Caixa Econômica ou no Banco do Brasil para pagar seus estudos, se a Constituição Federal lhes garante que os impostos são responsáveis por eles.  É um sistema tão perverso que transformou a educação numa indústria de produzir dinheiro e consumidores. É uma educação às avessas da qual resultam seres incapazes de pensar em outra coisa que não seja comprar e comprar.

Em algum lugar desse blog analisamos uma filosofia/armadilha do presidente da Coca-Cola apresentando um rosário de conselhos orientando as pessoas para o melhor procedimento a fim de que se deem melhor na vida. Embora não passe de armadilha satânica, aquela arenga é vista pela juventude como coisa de grande sabedoria. Se o presidente da Coca-Cola quisesse o bem da humanidade, sua atitude devia ser de aconselhar aos jovens para que nunca bebesse aquela garapa insalubre que rende à empresa uma fortuna incalculável graças à ação dos deformadores de opinião através de propagandas bem preparadas para fazer certo o que é errado.

O mundo capitalista é um campo minado. Só o conhecimento adquirido com a experiência e boas leituras é capaz de mostrar as armadilhas preparadas por falsos filósofos e escritores assalariados que conduzem a juventude como boiada para onde quiser a maldade dos lacaios desse sistema perverso. Eles fazem apologia do capitalismo e denigrem a imagem do socialismo. Entretanto, o socialismo é um sistema no qual os trabalhadores participariam da riqueza por eles produzida. Se assim é, não pode ser pior do que esse sistema que reserva para os trabalhadores apenas o corredor do hospital para corar sua infelicidade quando a velhice chegar.

A última demonstração de filosofia barata e venenosa está a correr pela internete numa mensagem com o seguinte título interrogativo: VIVER OU JUNTAR DINHEIRO? Seu autor é um funcionário da Rede Globo, a mesma que leva putaria para dentro das casas de famílias indiferentes ao que seus programas indecentes produzem na cabeça de jovenzinhos e jovenzinhas que se encontram no despertar da curiosidade para as coisas do sexo. Dispondo de um microfone, esses falsos filósofos emitem através dele suas falsas opiniões. É o seguinte o teor da mensagem maligna:

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.
Lá vai: "Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida".
"Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço."

Esta porcaria aí é encarada como sabedoria, mas contém esperteza maldosa em lugar da sabedoria que aparenta para os jovens ainda incapazes de pensar pela falta de oportunidade negada exatamente com o objetivo de acatar as recomendações que lhes são apresentados por pessoas mal intencionadas e perversas, bem remunerados pelo sistema capitalista para induzir a falsidade de que consumir é ser feliz. Quem fica feliz com o consumismo são os ignorantes capitalistas para quem acumular riqueza nos infernos fiscais é garantia de bem-estar. À luz da razão, percebe-se que a mensagem visa tão somente induzir ao consumo.

Os lacaios do consumismo são os coveiros do futuro da juventude. Dos canos de descarga dos automóveis cuja posse foi transformada por esses malfazejos em sonho a ser realizado sob pena de ser inferior, às lufadas de fumaça emitidas pelas chaminés das indústrias que produzem as quinquilharias para o consumismo, passando pela necessidade desnecessária de lotar ônibus e aviões num frenesi constante do viajar endeusado pelos defensores do interesse dos donos das companhias de transporte, a recomendação de se adquirir roupas caras, tudo isso desemboca na maliciosidade do consumismo desenfreado que está levando o planeta para um buraco sem fundo.

Por fim, percebe-se a estupidez da afirmação da desnecessidade de dinheiro na velhice porque é exatamente quando mais se necessita dele. A velhice requer muitos remédios e eles estão custando os olhos da cara. Avareza é diferente de sensatez. Privar-se de prazeres sadios por pena de gastar algum dinheiro é coisa bem diferente de ter uma reserva para a velhice porque este sistema perverso defendido por falsos filósofos e escritores assalariados reserva para a velhice apenas os corredores do hospital para se chorar. As caipirinhas ou qualquer outro inebriante só são necessários na velhice. Todos eles fazem mal à saúde. Mas, na velhice são de grande utilidade para ajudar a suportar os mal-estares inexplicáveis, mas frequentes. Além disso, o velho tem mais é que não ser tão burro a ponto de temer a morte. Se nada mais tem a fazer por aqui, não há motivo para agarrar-se à vida como quem ainda tem filhos para criar. O jovem não precisa da ajuda de nenhum inebriante para enfrentar a vida. Para os malditos endeusadores do capitalismo as roupas devem ser caras e compradas de acordo com os requebros nos desfiles de moda. Se a juventude não adquirir discernimento para separar o falso do real, seus filhos terão péssimas lembranças suas. Inté.