segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ARENGA CINQUENTA E QUATRO


O exercício da atividade política não tem de envolver necessariamente desonestidade como sempre envolveu. Mais ali, menos acolá, mas a verdade é que sempre se desvirtuou o verdadeiro sentido da política a fim de beneficiar os privilegiados de sempre em detrimento do resto, considerado realmente um “resto” todos fora desse grupinho de privilegiados. E o curioso disso tudo é que é o “resto” que paga a conta porque os privilegiados fazem corpo mole na hora de dividir a despesa e sempre tem um pauzinho mágico que nunca os deixa perder no par ou ímpar. Uma olhadinha na desproporcionalidade entre a contribuição de um dos privilegiados que tem dez bilhões e a de um do “resto” que tem apenas dez mil, atestará que se o primeiro pagasse em cada cem unidades o mesmo valor que pagou o segundo, seria necessário dobrar o tamanho do cofre do erário.

Desde a eternidade, onde quer que houvesse, há, ou venha a haver alguém representando um grupo em atividade que envolvesse ou envolva dinheiro, é inevitável o roubo porque o ser humano nunca se livrou do medo dos tempos em que só se comia o que se achava, e esse medo que o obrigava a se apossar de qualquer coisa de qualquer jeito ainda permanece provocando uma necessidade inexistente nos tempos de agora quando há fartura de tudo. Esse comportamento primitivo de rato devia decrescer como decresceram outros comportamentos orientados também pelo instinto primitivo, como o comportamento de comer restos de carne. O mesmo não aconteceu com o comportamento de ajuntar coisa, que leva a avançar sobre quem tenha algo que pode ser tomado.

A dificuldade de se despertar para a realidade de se viver tempos novos exigindo novos comportamentos está na seguinte situação: Todo despertar precisa passar primeiro pelo convencimento. Mas todo convencimento precisa passar primeiro pelo cérebro. Mas todo cérebro precisa de alimento vindo do mundo espiritual para tomar decisões sábias, e é justo aqui que a coisa pega porque cérebro que se alimenta nas igrejas, no axé e no futebola não tem como ir além das orações, do requebramento de quadris e dos pés do jogador de futebola. A televisão é provedora eficiente do esterco com o qual são adubados os raciocínios medíocres com interesse em saber sobre os lugares onde a “famosa” já trepou. Tem uma propaganda pelaí que o cara pede à mulher para mudar da novela para o futebola. Não vai além disso a capacidade cerebral do povo. Cérebros sevados com religião, axé e futebola jamais subirão às alturas de uma espiritualidade elevada bastante para formar uma sociedade de gente civilizada. Raciocínio rasteiro produz um ambiente próprio para quem não enxerga nas laterais e por isso não pode perceber estar vivendo uma situação esquisita de se viver numa guerra que apesar de ser guerra ninguém dá atenção.

Esta situação é fruto da deturpação da política para a qual não há mais espaço na nova realidade. A velha política morreu. Teve a morte sentenciada com o procedimento que levou sua história a ser contada nas páginas policiais, com deputado indo dormir na cadeia e deputado procurado pela polícia. Não dá mais para remendar essa roupagem carcomida pelo tempo. Tão carcomida está que seus executores são odiados pelo povo e fogem dele, situação oposta à que devia ser porque ao se encontrar um ilustre guardião dos seus direitos, a atitude correta não podia ser outra senão a de grande simpatia por aquele que faz por você o que você não pode fazer por estar batalhando a comida dos inchadim. Esse negócio de animosidade entre povo e autoridades é uma coisa muito esquisita. Um general acaba de dizer que não vai dar informações ao inimigo, declarando o exército propriedade sua e inimigo do povo que pediu a informação e que paga pela manutenção do exército. Esta situação de descalabro é o limite até onde pode ir o desmando. Do outro lado desse limite está a guilhotina do governador de São Paulo.

Embora montado numa tartaruga, o esclarecimento segue a obscuridade montada numa lebre. Como a tartaruga não cansa, acaba chegando lá e iluminando o ambiente, com o que enfraquece a força da obscuridade. O poder que tinha o chefe político de matar alguém apenas por cismar com sua cara ou para lhe tomar a mulher, não existe mais.

Mas esse enfraquecimento da obscuridade mental não conta com a cooperação da política para ser enfraquecido, no que reside toda a falha do comportamento social humano porque a razão de ser da política é exatamente o contrário do que está sendo feito. Ela existe para proporcionar ao povo a melhor qualidade de vida que puder com os recursos de que dispõe. Como em primeiro lugar estão as necessidades reais e imaginárias do grupinho dos privilegiados, o que sobra para o “resto” deixa-o na situação em que se encontra esta sociedade de rezadores, chutadores e requebradores, da qual começa a despontar gato pingado despertando para a realidade de haver algo errado pelaí.

Da inversão do papel da política resultou que ela trabalha para evitar o incremento do esclarecimento. Mas, por mais força nesse sentido, a tartaruga acaba chegando com o esclarecimento. Aumenta o número dos que conseguem perceber o que se passa nas laterais, e o boato se espalha principalmente através dos Grandes Mestres do Saber, que devem ser a única fonte de inspiração para orientar no caminho da paz. Com eles se aprende que a vida pode ser agradável enquanto dura, não se restringindo apenas ao período que vai do primeiro carro ao primeiro casamento, tempo em que nem de longe se pensa no primeiro exame de próstata, e muito menos na primeira UTI. É isso aí. Inté.

 

 

sábado, 6 de setembro de 2014

A PRESIDENTE E A BÍBLIA II


A candidata que os fuxiquentos afirmam ganhar a eleição é de indiscutível honestidade. Embora tenhamos tido quem se apresentasse com cara de santinho por ter vindo de lá de baixo e se mostrasse satanás, já da honestidade de dona Marina não se pode duvidar. Entretanto, como através de todos os tempos a política nunca foi além da meia verdade por preferir os subterfúgios da obscuridade, a honestidade de dona Marina vai ter de ter um jogo de cintura maior que o do gato para manter-se limpa em meio ao lamaçal. Caso ela consiga realmente impor-se pela honestidade, mesmo sendo inteligente como realmente é, pode vir a ser prejudicada pela sua comprovada inocência em relação à vida e à realidade do mundo, por ser característico do religioso. Ela demonstrou este desligamento da realidade (Na interpretação de quem observa a vida) quando repetiu feito papagaio e com muita convicção uma frase atribuída a Jesus Cristo, personagem que talvez nem tenha existido, como afirmam estudiosos da história da humanidade. Entretanto, dona Marina nem desconfia disso e repelirá veementemente quem avisá-la que um historiador lá das bandas da Inglaterra escreveu um livro afirmando que Cristo nada mais foi do que uma invenção do governo romano. E dona Marina sabe bem de que o governo é capaz. Mas, como para o religioso não há necessidade de se desconfiar de nada que vem da religião, dona Marina tascou com toda convicção o seguinte: A VERDADE VOS LIBERTARÁ.

Ao dizer isso, dona Marina expôs seu despreparo para a arte de viver porque a vida necessita de atitudes baseadas no raciocínio e é por isso que por mais Maria-vai-com-as-outras que alguém pode ser, chega um tempo em que é obrigado a tomar uma atitude de sua própria lavra, e ninguém toma atitude sem que ela saia do raciocínio. Mas a afirmação de dona Marina foi afirmada sem raciocínio porque na política o que mostra a historia é que se vê em palpos de aranha aquele que busca a verdade. O mundo da política é o contrário do mundo dos seres humanos. Lá, quando entra em recesso, em vez de diminuir, aumenta a despesa, não obstante não se trabalhar. Se dona Marina não estivesse enfeitiçada como a garota também de origem humilde como ela e como ela também de infância difícil e que tinha certeza de estar comprando um lugar no céu com o dinheiro que levava para a igreja, já teria percebido o engodo que é a religião, conclusão a que chegaram todos aqueles que dedicaram anos a estudar profundamente o assunto através da comparação entre o que diz a religião e o que dizem os acontecimentos vividos e registrados pela história dos povos. Qualquer pessoa que fizer o mesmo chegará à mesma conclusão. Mas são raríssimos os que se dispõem a esta tarefa em virtude da correria atrás de dinheiro. Alguns para sobreviver, outros para mostrar na Revista Forbes, mas todos correm atrás dele. Ainda que pudesse, dona Marina dispensaria a revista Forbes com certeza. Mas como sempre lutou pela sobrevivência, ainda não teve tempo para esquecer a proibição de conhecer o outro lado e dar uma lida nos ilustres Grandes Mestres do Saber.

Enfim, se dona Marina me permite, lembro a ela que na política a verdade condena em vez de libertar porque quem quer que busque a verdade na política encontra o destino trágico de Wladimir Herzog e de tantos jovens cujas ossadas se descobrem a cada dia. A história está cheia de provas materiais desta realidade, mas como os religiosos não se dão ao trabalho de pesquisar sobre o que se ouve, o tapa-olho da obstinação não lhes permite enxergar a realidade contrária, embora escancarada.

O que aconteceu com o Martin Luther King é prova material de que a verdade condena em vez de libertar. O que queria aquele negão do coração de ouro? Queria que todos reconhecessem que a cor da pele não é indicativo de superioridade nem de inferioridade. Pode haver maior verdade? Pois ele foi assassinado por defender isso. Assim, como dizer que a verdade liberta? É da infantilidade humana, incapaz de levantar a cabeça para enxergar além do monte de dinheiro ou do aparelho de futucar que nascem todos os males. Isso precisa ser escrito em todos os muros do mundo, como disse o mestre do saber e do bigodão. É preciso espernear contra esta ingenuidade que impede o desenvolvimento espiritual necessário para que os seres humanos deixem de se considerar inimigos uns dos outros, e não é isso que a religião mostra. Na história da religião deixa o mesmo rastro de sangue e destruição que se for seguido vai levar também às grandes nações de povo religioso que faz pose por desfrutar de grande conforto, mas que nem imagina quantas vidas foram sacrificadas para que ele possa apertar o botão e fazer o ambiente ficar a gosto.    

Se Lamarca e Marighela eram demônios, como se explica que o Frei Tito estivesse do lado deles e que também fosse assassinado por defender a verdade? Ou não é verdade que o objetivo deles estava mais certo do que o objetivo dos que portavam a bandeira da mentira de deixar o bolo crescer prá dividir depois? É interessantíssima a falta de interesse do religioso na realidade. A mistura da religiosidade injetada junto com as vacinas do tempo dos cueiros produz o efeito colateral de castrar o raciocínio. Assim, se estiverem certos os arengueiros, estaremos como pêndulo entre a vantagem da honestidade e a desvantagem da inocência que é ainda mais acentuada em quem teve a infância ligada a ambiente religioso, principalmente quem era obrigado a conviver com sofrimentos porque eles amolecem o cérebro deixando-o a mercê de quem quiser, sendo abocanhado pela religião que o inutiliza como provedor de raciocínio. Os raciocínios provenientes de cérebros sadios e soberanos dos sociólogos chegaram à conclusão de que o lugar onde há muita religiosidade é também o mais atrasado, o que pode ser constatado apenas olhando em volta. Então, para que serve a religiosidade, se quanto maior ela é também é maior o atraso? Onde as crianças morrem mais, num ambiente religioso paupérrimo ou num ambiente de ateus ricos? Se assim é, o que pode ser senão falta de maturidade para justificar a religiosidade? E se dona Marina é imatura poderá ser boa presidente, mas a possibilidade maior é que não o seja. E aí, como ficamos nós? Como sempre: arranjando um consolo. Desta vez pode ser o de que poderíamos ainda ficar pior, seja lá qual for a condição em que estivermos. Né, não? Inté.

 

 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

ARENGA CINQUENTA E TRÊS


Uma opinião deformada que um deformador de opiniões deformou dá conta de que os eleitores evangélicos logo terão a chance de votar em candidatos também evangélicos, o que é preocupante por sugerir retorno à época de maior obscuridade mental quando a religião era misturada com a política e o rei era considerado Deus pela massa amorfa do populacho que pouco ou nada evoluiu a não ser na técnica sofisticada de matar, roubar e produzir imensa riqueza que serve de nada contra a pobreza porque se esconde nos infernos fiscais. Faz-se extremamente necessário escorraçar da política a influência religiosa e perniciosa dos tempos obscuros quando a ingenuidade das pessoas religiosas fazia com que não faltasse quem atravessasse salões reais portando orgulhosamente o pinico real para esvaziá-lo da bosta santa. Atualmente há quem se sinta gratificado paparicando reis a ponto de se orgulhar em comprar o boteco do agrado do rei para que ele possa tomar birita mais a gosto. Atualmente, os reis são só de brincadeirinha. Há rei cantor, rei jogador de futebola, rainha por falar bobagem na televisão, todos com vida regalada, e bota regalada nisso, que os súditos de mentalidade tão tacanha quanto a deles lhes garantem.

Apenas uma rápida retirada de atenção do aparelho de futucar e um lampejo de inteligência são suficientes para se perceber que a política e a religião nasceram juntas e suas vidas se resumem em maquinar diabruras contra o povo. Nunca houve um só palácio de rei sem a sua capela e os figurões da religião a compartilhar as benesses da corte e ajudar o poder político com as promessas de inferno para quem não se comportasse direitinho trazendo sem reclamar seu leitão, pato, ganso e galinha para o santificado regalo ao vinho nos folguedos palacianos onde os religiosos obesos se fartavam. O patrimônio da igreja superava em muitos casos o patrimônio do rei. Como o povo daquela época ainda não tinha sido hipnotizado para ficar satisfeito com a escravidão, lá pelos tempos da guilhotina do governador de São Paulo, o populacho francês fez um acabamento dos diabos em cima de seus escravizadores que cepou fora a cabeça e muita coisa mais de quem o atormentava, levando de roldão centenas dos representantes de Deus sem que nenhuma divindade os socorresse. O que levou o populacho daquela época a fazer isso foi a percepção de ser a maldade da religião ainda mais perversa do que a maldade da escravidão imposta pela realeza e seus asseclas.

Tanto a igreja esfolou o populacho que ele ficou de saco cheio e depois do festival de horrores guilhotínicos, afastou a religião prá lá e tornou laico o estado. Estarão os religiosos esquecidos da guilhotina? Antes de alguma medida no sentido de voltar ao estado eclesiástico dos tempos obscuros seria bom que os pretendentes à obscuridade tivessem uma conversinha durante um jantar em restaurante fino como é do costume dos politiqueiros, visto não precisarem se incomodar com despesas porquanto há mais de duzentos milhões de pessoas dispostas a pagar-lhes tudo. Tal conversa deve girar em torno do motivo pelo qual o governador afirma que vai faltar a máquina que cepou fora muitos pescoços de quem se achava no bem bom.

Tem também notícia deformada pelaí em função da mistura perigosa das safadezas da politicagem com as da religião que se efetivada produzirá quatro péssimas consequências para a sociedade: A primeira decorre de ser Paulo Maluf o primeiro nome do grupo de que trata a notícia. A segunda, de ser o segundo nome da lista o nome do pastor Marcos Feliciano. A terceira é que a terceira pessoa do grupo também é um pastor, e, finalmente, a quarta consequência desastrosa é o fim a que se propõe o grupo satânico: DISCUTIR POLÍTICA PARA ELEITORES EVANGÉLICOS. O interesse desse grupo diabólico é manter o povo na posição mental da empregada doméstica que garantia de pé junto estar comprando um lugarzinho no céu com o dinheiro que entregava à igreja.

O chamado eleitor evangélico nada mais é do que humildes inocentes que acreditam ter recebido carro como presente de Deus, pessoas de mentalidade tão rasteira que são incapazes de um pensamento próprio, portanto, facilmente conduzíveis pela propaganda eleitoral televisiva tão convincente aos pobres de espírito que apenas meio minuto na tela é disputado ferrenhamente com chingamento, unhas e dentes. Uma vez enfeitiçado, o populacho sem vontade própria faz o que a televisão mandar fazer, inclusive votar em ladrões. Ela mandou tá mandado. Taí a rapaziada a danificar seu sistema nervoso para futucar aparelho por ordem da televisão, justificando inteiramente o dizer dos caras que sabem o que falam e afirmam ser a ignorância a fonte de todos os males. Com efeito, é o que mostra o fato de estar uma fábrica de determinado produto pagando um bilhão de reais a uma mulher muito bonita para fazer propaganda daquele produto. Para que a ganância do fabricante pague está fábula de dinheiro à mulher é porque ele sabe perfeitamente, como eu sei, que a ignorância faz com que a beleza da mulher faz acreditar na perfeição daquele produto que, na realidade em nada mudará para melhor ou pior, permanecendo do modo como foi feito, e o resultado da insanidade é que os consumidores irão desembolsar um bilhão jogado fora. Nada senão a estupidez justifica comportamento tão idiota que permite a parasitas se tornarem bilionários em troca de nada. É desencontro demais, mas não pára por aí. Determinado candidato diz que vai criar um ministério da segurança pública para resolver o problema da violência, como resultado da falta de senso comum que torna ridículo o brasileiro cuja campanha politiqueira está suscitando gozações do jornal americano, inclusive de um candidato que se apresenta voando entre as nuvens insinuando um personagem de quadrinhos que voava e resolvia qualquer problema com seus superpoderes.

O mais eficiente ministério contra violência existente no universo inteiro está bem aí. Só que funciona ao contrário, não merecendo, portanto o nome de Ministério da Educação. A violência é apanágio dos ambientes onde predomina a ignorância dos deseducados, principalmente nos ambientes de maior religiosidade onde jornalistas são degolados e crianças martirizadas em nome de Deus.

Isto lá é ambiente de juventude esclarecida? Uma juventude que aceita o que não aceitou a juventude de mais de duzentos anos atrás? A mente da juventude está mesmo é cagada de urubu. Inté.

 

 

 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ARENGA CINQUENTA E DOIS


Cheguei a uma pequena indústria e perguntei a dois jovens trabalhadores que trabalhavam numa máquina, por um terceiro trabalhador com quem em precisava falar. Com um rizinho de gozação, responderam que tinha ido fazer exame de próstata, ao que lhes indaguei qual o motivo do riso, visto que chegaria a vez de também eles fazerem aquele exame necessário na maturidade da vida, o que foi uma surpresa desagradável e até repulsiva para eles. Refutaram a idéia, afirmando categoricamente que nunca iriam precisar disso. É assim que a juventude é preparada para enfrentar a vida e é exatamente por falta de preparação que a sociedade está indo para o brejo. Sendo a sociedade o reflexo das pessoas que a formam, uma sociedade formada por idiotas que não tem a menor noção de uma coisa tão simples quanto a decadência do seu próprio corpo, diferenciando-se dos bichos apenas por saber falar onde está doendo, será uma sociedade como a nossa onde é normal se encontrar pedaços de corpo humano pelas ruas, forma perigosa de se viver porque distante da realidade, e não se pode viver de fantasias como a do mundo encantado das autoridades onde tudo é realmente um encanto antes de se transformar em tormento como já aconteceu pelaí afora. No mundo das famílias a despesa se limita à receita. Mas no mundo das autoridades não é assim. Lá, o negócio é tão encantador que mesmo com a economia crescendo como rabo de cavalo, a arrecadação e os gastos continuam aumentando.   

Uma questão à qual é indiferente a juventude supostamente esclarecida: o processo de escolha das autoridades que vão governar o país precisa envolver fortunas, aviões, caminhões, barcos, canoas, automóveis, ônibus, telhas, sacos de cimento, assassinatos, disenterias e dentaduras? Uma coisa tão simples de se chegar à urna e digitar um número, no entanto, envolve coisas do arco da velha. Os setenta por cento de jovens politicamente esclarecidos que a imprensa encontrou no Brasil, por acaso, sabem o motivo de tanta confusão em torno das eleições? Claro que não sabem. Quando houver realmente setenta jovens esclarecidos entre cem deles, estes setenta saberão que a euforia das eleições é a mesma que tomaria conta das pessoas de determinado grupo querendo cada uma chegar primeiro a determinado lugar onde se encontra um gênio com uma lâmpada fumacenta proporcionando a quem chegar lá um modo de vida tão maravilhoso que afastaria para sempre qualquer possibilidade de não poder realizar os sonhos por mais perdulários que fossem. Um mundo tão maravilhoso onde não se precisa ser careca, e onde as cuecas quando ficam cheias, é de dinheiro. Há até quem acredite ser presente de Deus a ventura de alcançar uma posição de mando no mundo embaralhado das autoridades com acesso à chave do cofre. O embaralhamento é propositadamente orquestrado para não ser entendido como é que funciona a coisa no interior dos palácios onde pastas 007 navegam impunemente enquanto a juventude supostamente esclarecida, mas boba na realidade, que paga a conta, é convencida a ir para a igreja ou para algum terreiro de axé ou futebola, preferencialmente levando os filhos para que já cresçam idiotizados e sem interesse em saber porque se afirma que todos são iguais perante a lei, mas não existe um só rico entre os infelizes amontoados nos presídios como sacos de lixo, num sofrimento tão grande que os está transformando em esquizofrênicos desassistidos, enquanto alastram clínicas psiquiátricas para cães e gatos das madames e seus madamos frequentadores de igreja.

O ato de votar entre pessoas esclarecidas é manifestar sua preferência pelo melhor pretendente ao cargo público, manifestação esta cuja eficiência depende de se conhecer o passado, o caráter e as convicções do candidato e suas propostas de como melhor organizar a sociedade com menor custo, o que equivale a ser estadista, coisa que jovens futucadores de telefone incapazes de saber que vão envelhecer e ter de fazer exame de próstata estão a anos luz de distância, razão pela qual estão aí com promessa de forte votação palhaço e jogador de futebola, enquanto uma personalidade política do tipo de Eloisa Helena os bobos desconhecem, ao passo que deveriam carregá-la nos braços e colocá-la no primeiro posto de mando e tomar conta dela para não ser perseguida como tem sido e são tantos quantos se empenhem em trabalhar honestamente para que do seu trabalho resulte real benefício para a sociedade. Estes são preteridos em favor de quem usa o cargo como ponte para o mundo da fantasia das farturas, principalmente de dinheiro, virando as costas para os interesses da massa amorfa de ignorantes que nem mesmo sabem a diferença entre “como” e “comer”, e nem querem perder tempo com isso porque vai começar o jogo.

Nesse exato momento os senadores anularam uma decisão da agência encarregada de proteger a sociedade através da fiscalização dos remédios, fazendo retornar às farmácias um medicamento que aquela agência houve por bem proibir por ser perigoso conforme constatação científica. É esse desinteresse que leva a fazer festas com o dinheiro público. Por interesses escusos das autoridades os jovens que tiverem de tomar o medicamento vão correr o risco do efeito colateral grave anunciado pela ciência, coisa a que não aceitariam se fossem realmente esclarecidos para desconfiar de mutreta por trás disso aí.

Prá qualquer lado que se vire lá estão os desmandos próprios de sociedade de pessoas sem esclarecimento e que sofrem por isso. A juventude está vivendo perigosamente em função de sua alienação. É como alguém num campo minado sem saber das minas. Com o sistema capenga de educação, o resultado são profissionais também capengas como os médicos e a juíza pagos para proteger a sociedade, mas ocasionaram a morte de um jovem ao considerar apto ao convívio social e colocar em liberdade um religioso e assassino louco que apenas três anos antes havia matado o também religioso Glauco e o filho.

A balbúrdia em que transformaram a administração pública pode ser vista em dois artigos escritos recentemente por quem entende sobejamente de sociedade. Um deles é um exame pelo ex-ministro Ernane Galvêas sobre a conjuntura econômica do país, onde à pergunta se o Brasil vai bem ou mal, diz que a reposta depende da pessoa a quem é feita a pergunta. Isto é falsidade porque quem faz uma pergunta espera ouvir a verdade e a verdade é só uma. Será falsa a resposta a quem quiser saber se o Brasil vai bem ou mal se respondida pelo fabricante de armas, donos dos planos de saúde, das farmácias e das funerárias porque estes são itens necessários à guerra civil que abastece suas contas bancárias. O outro artigo é de autoria do grande jornalista Mauro Santayana, intitulado “As Escolhas de Dona Marina”. Ali, além das observações do grande entendedor de problemas sociais, também se pode tomar conhecimento de uma total parafernália de mistura de economia, sociologia, estatística e coisa e tal, de compreensão dificílima, confusão adredemente preparada para esconder as coisas que o governador de São Paulo afirma serem capazes de fazer reaparecer muitas guilhotinas. Mas como essa prosa já vai longe, inté.

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ARENGA CINQUENTA E UM


Só pode estar errada, e muito, a matéria publicada na imprensa de que setenta por cento dos jovens brasileiros alcançaram esclarecimento político, fato simplesmente impossível de já ter acontecido, embora venha acontecer algum dia. Mas, por enquanto, ainda está muito longe de despontar no horizonte esta segurança de tranquilidade para as criancinhas rechonchudas. Se apenas por exceção se chega ao esclarecimento político, o que equivale a dizer sociabilidade, o que quer dizer pessoa apta a viver em sociedade, encontrar um só jovem entre cem deles com tal qualidade é mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro. Não passa de ignorante uma juventude que não sabe a diferença entre “come” e “comer”, indicativo da falta de leitura, único meio de sair da burrice e ficar esclarecido, coisa que a juventude não tem condição de fazer, visto ter transferido sua atividade mental do cérebro para a ponta do dedo de futucar telefone. São evidências que infelizmente contrariam a pesquisa. É absolutamente impossível ser esclarecida uma juventude que se reúne em associações religiosas para pedir a divindades o bem-estar por todos almejado o que só os jovens podem se dar a si mesmos, mas que nunca alcançarão por meio da religiosidade porque a finalidade da religião é exatamente manter as mentes longe da fonte de bem-estar: o erário, e fazer crer, como creem os jovens, em encontrar felicidade apenas depois de ser enfiado num caixão e enterrado para apodrecer debaixo da terra. Quando os jovens babacas ficarem esclarecidos perceberão a realidade de depender sua segurança da boa aplicação do dinheiro público. Embora haja evidências disso por todo lado, a obscuridade mental não deixa perceber coisas simples como a enorme ameaça de infelicidade que vírus ebola está a prometer à humanidade em decorrência da falta de recursos para serem usados no combate à doença quando surgiu porque ela surgiu entre pobres. Agora, os jovens do mundo correm perigo de vida enquanto futucam seus telefones.

Quando houver setenta jovens esclarecidos em cada cem, estará formada a sociedade ideal porque o rumo da sociedade é ditado pela maioria como prova o estado calamitoso em que se encontra nossa sociedade em virtude de ser a maioria composta de completos alienados que aprovam medidas governamentais que gastam em festas quantias que ninguém sabe a quantos bilhões chegaram no festival das empreiteiras e do futebola que tem a mesma finalidade de alienar como alienados estão os jovens que escancham suas crianças no pescoço para ficarem tão imbecilizadas quanto seus pais afetados pelo fanatismo de um esporte que não é esporte, mas um sorvedouro de recursos a tornar canalhas em bilionários, recursos estes que estariam sendo bem usados se realmente setenta por cento dos jovens fossem esclarecidos porque quem é esclarecido sabe que o dinheiro é a única fonte de bem-estar.

Entretanto, com idéia - fixa numa bola e nos pés dos jogadores, com a maior de todas as certezas pode-se garantir ser impossível sair da escuridão da ignorância à qual os Grandes Mestres do Saber muito acertadamente atribuem os males que a ignorância da juventude atribui à falta de religiosidade, erro tão crasso quanto o de queimar as mulheres suspeitas de serem causadoras da peste negra no lugar dos bichinhos microscópicos que realmente eram os responsáveis pela doença que dizimou um terço da população européia na Idade Média. Nem pode ser esclarecido quem ainda não teve a perspicácia de perceber os verdadeiros motivos que alavancam a política e a religião, irmãs siamesas na maldade de explorar a ignorância humana que chega a ser maior que a própria humanidade.

Ao se tornar esclarecido, toma-se consciência de não haver necessidade de riqueza para se viver bem porque para isso é suficiente ter como suprir as necessidades. Porém, quem tem o cérebro já criando raízes no mundo digital como a juventude alienada ora considerada como esclarecida, não pode ter noção sobre nosso mundo real. Nada poderia ser mais gratificante do que uma juventude esclarecida porque seria a total remissão de um passado vergonhoso para os poucos homens dignos ainda existentes para os quais está falido o sistema de organização social. Sem tirar os olhos do fato de ser a imprensa o reflexo da alma da sociedade, nossa sociedade se alimenta de notícias tão envenenadas de insignificância, imoralidades e mentiras que as tornam tão prejudiciais à espiritualidade quanto prejudiciais são para o corpo os alimentos do agribiuzinesse. Veja só três exemplos das notícias que servem de informação aos jovens “esclarecidos”, publicadas na grande imprensa brasileira:    “Angelina Jolie e Brad Pitt se casam na França”. – “Shakira confirma segunda gravidez”. – “Pai de Beyoncé diz que filha inventou boato de divórcio”. Quem se liga nisso aí não é esclarecido porque disto nada resulta em benefício para qualquer sociedade. Aquilo em que a socialmente inútil juventude futucadora de telefone deveria se ligar é na falta de recursos naturais que ameaça sua sobrevivência, mas nem a falta de água que já causa infelicidade é capaz de fazer com que os jovens tirem o dedo do telefone. Juventude esclarecida coisa nenhuma. Juventude emburrecida, isso sim. Ou não? Inté.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A PRESIDENTE E A BÍBLIA I


Os fuxiquentos das pesquisas estão a dizer que dona Marina Silva vai ser a presidente da república. É lamentável que não seja Eloisa Helena. Embora eu não saiba se a fabulosa Eloisa Helena é religiosa ou não, posso garantir de pé junto que ela jamais abriria mão de suas convicções por ordem de Silas Malafaia, cujos podres foram escancarados por seu colega arrecadador de dízimos Edir Macedo depois de ter tido este os seus próprios podres escancarados pelo Silas Malafaia numa troca de “delicadezas” que nada fica a dever às da politicagem, irmã siamesa da religião.

É inacreditável que o Estado assuma de vez a posição de eclesiástico como mostra a atitude do governo de dona Dilma ao correr para adular a religião do mesmo modo que dona Marina. Caso se confirmem os fuxicos, embora as coisas não podem ficar pior do que estão, o ideal seria que ficassem muito melhores. Entretanto, não vai dar para alimentar tal esperança de um comando que busca orientação na bíblia, livro de bobagens que dá a seguinte orientação para a eventualidade de vir um boi a dar uma chifrada num escravo ou numa escrava, causando prejuízo ao seu dono por ficar sem o produto do trabalho do chifrado ou chifrada. Eis o procedimento recomendado pelo Deus que orienta dona Marina nas inspirações que ela vai usar para nos orientar. Está lá em Êxodo, 21; 32 a 36 o seguinte: “Se o boi chifrar um escravo ou uma escrava, dar-se-ão trinta siclos de prata ao senhor destes, e o boi será apedrejado até a morte”. Imagina só: se até os homens com toda sua estupidez botam em cana quem apedrejar um boi, como é que dona Marina vai buscar orientação num livro que manda jogar pedra nele? Quanto à referência a escravos, a escravidão apenas mudou seu jeito de ser ao passar o chicote para seu feitor eletrônico, a televisão.

Quem tem filhas virgens, então, deve tirar as barbas da inauguração de templos e colocá-las no molho porque o exemplo vindo do livro onde dona Marina se aconselha é de fazer arrepiar os cabelos de quem os tem porque Ló, pai de duas moças virgens, ao se ver num sufoco desgraçado por causa de dois anjos que uns bandidos de Sodoma queriam sodomizar, diante da aflição, sabem o que fez o pobre apavorado e devoto Ló? Propôs aos bandidos sodomizar as suas filhas virgens que ele ia entregar prá eles. Imagina só: lá isso é livro onde dona marina vai buscar orientação? É o próprio pai que diz textualmente aos bandidos para procederem com suas filhas do modo como eles bem entenderem. Os que gostam das coisas bem explicadinhas podem ver lá em Gênesis, 19; 8.

É verdade que não dá prá ficar triste se dona marina vier a ser presidente, mas também não dá para ficar alegre por passarmos a ser comandados por alguém tão inocente a ponto de partilhar de uma fé que manda construir um suntuoso templo, batizá-lo de Meca, e usá-lo exclusivamente para guardar, venerar e beijar uma pedra caída do espaço sideral e que acreditam ter sido enviada por Deus pelo fato de ter vindo de lá de cima. Uma pessoa tão inocente a ponto de acreditar que uma pedra pode exercer qualquer tipo de influência sobre nós merece ser aconselhada a aprender mais porque aprendeu muito pouco como é que é a vida, o que deveria ser impedimento para ser presidente da república, embora quando se trata de politicagem, nenhuma diferença há entre analfabetos e letrados. Aliás, há por aí um analfabeto que se ufana de ter sido melhor presidente do que o anterior saído da Sorbonne.

O problema maior é que como todo religioso, também dona Marina não exerce sua capacidade de pensar porque se a exercesse já teria descoberto que a companhia de Deus só traz o mal, coisa que já temos de sobra. O exemplo está aí à vista com o que aconteceu com o próprio povo judeu eleito por Deus como seu preferido. Sempre viveram os judeus literalmente ao Deus dará. Depois de zanzar pelaí foram parar como escravos no Egito onde ajudaram a construir a riqueza daquele país, penando para construir tijolos e apanhar palha ao mesmo tempo. Depois, teve destruído o seu templo bilionário onde pensavam encontrar proteção. De sofrimento em sofrimento, chegou o povo das preferências de Deus a uma situação ainda pior que a nossa em fanatismo religioso como mostra esta imagem ilustrando o texto que pode ser lido pedindo ao amigão Google "quem salva as crianças das bestas do Islão?"



A imagem dá a impressão de se tratar de perversidade, mas não é isso o que está ali porque toda mãe ama seu filho. O que ocorre é a mesma falta de sintonia com a realidade que é a característica do religioso. Aquela pobre mãe foi induzida a erro do mesmo modo como agora induz seu filho, o que justifica o dizer os Grandes Mestres do Saber de que todos os males que infelicitam a humanidade decorrem puramente da ignorância. Há bastante tempo este mal amanhado blog vem dizendo que todos, ricos e pobres, pretos e brancos, letrados e iletrados, só terão paz quando for ensinado às crianças o contrário do que lhes é ensinado, principalmente o gravíssimo erro de ensiná-las a serem religiosas antes que tenham discernimento para decidir se vale a pena.

A insinuação de perversidade que a imagem tenta passar através da expressão “bestas” nada mais é do que a intenção do povo americano também religioso de instigar ódio no mundo contra os da outra religião que é para não ficar feio jogar bomba em cima deles e arrancar os braços de suas crianças porque assim estarão mostrando a eles que seu Deus tem mais poder de fogo e ainda de lambuja deverá de haver algo por lá para ser surrupiado. Dá prá esperar nada de religioso, não. Né, não? Inté.

 

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A PRESIDENTE E A BÍBLIA


O bichismo, tanto quanto as drogas, são problemas sociais unicamente por causa da ignorância das pessoas que formam a sociedade. Aliás, todos os problemas que a humanidade enfrenta, como há muito afirmam os Grandes Mestres do Saber, tem origem bem lá na ignorância. Tirando a ignorância fora, o que fica são pessoas que gostam de usar droga e pessoas que preferem exercer sua sexualidade de um modo diferente que só eles sabem como é que é e que só a eles interessa. Então, olhando direito, não existiria problema algum sem a birra contra quem consome droga ou contra quem tem seu jeito diferente de exercer a sexualidade. A resistência às idéias novas, diferentes daquelas a que se está acostumado, é uma coisa mais que natural nos seres humanos. Entretanto, por maior que seja a resistência, elas acabam se abancando e prevalecendo. A prostituição já foi considerada crime, depois virou apenas contravenção penal, mas atualmente prexecas podem ser compradas pelos telefones anunciados na imprensa. Há também leilão de prexeca com a garantia duvidosa de ainda não ter sido usada. A prostituição ficou tão chique que os pais desejam suas filhas por lá, e até tem o poder de tornar seus praticantes em “famosos” “celebridades” e “escritores”.

Quanto menor noção tenha a pessoa sobre vida social, ou seja, quanto maior a sua ignorância, mais difícil se torna superar a ojeriza contra quem usa droga ou joga água fora da banheira. Interessante é notar que entre os homens há menor rejeição ao homossexualismo do que entre as mulheres, quando deveria ser o contrário porque para os homens um cara que não aprecia a preciosidade feminina é um concorrente a menos. Para as mulheres, entretanto, é um a mais.

A resistência inútil às mutações sempre foi causa de conflitos, e a poderosa cola com a qual foi pregada a religiosidade na mente do populacho é a maior e mais difícil ilusão que precisa ser extirpada do convívio humano. Alguém que se julga merecedor de milagres é por ser totalmente alheio à realidade da vida, trazendo em sua personalidade enorme dose de falta de percepção ou de pedantismo. Se a maioria absoluta da humanidade é composta por quem morre à míngua por falta do dinheiro escondido nos infernos fiscais, como provam as mortes pelo ebola, alguém como a candidata religiosa (infelizmente) que vai ganhar a eleição para presidente da república e que consulta a bíblia antes de tomar decisões difíceis, confirma com tal comportamento a continuação do desconhecimento que carrega como consequência de sua origem humilde, uma vez que superar a ausência de conhecimento sobre a realidade da vida custa caro e não chega a quem precisa batalhar para se sustentar. Ante tantas pessoas infelizes, alguém que se julga merecedor ou merecedora das proteções divinas e seus milagres é alguém que se acha mais merecedor do que as outras pessoas como um garotinho arrastado pelo asfalto até ficar esfolado e morrer em sofrimento sem merecer a atenção de nenhuma divindade.

A única coisa de que precisamos para viver melhor é encarar a vida com a simplicidade com que age a natureza. Entretanto, a necessidade de complicar, faz com que esta simplicidade se torne complexidade ao se acreditar que a beleza dos lírios do campo tem algo a ver com a religiosidade dos pobres de espírito e de conhecimento de sociabilidade. Cada ser humano é uma ilha num mar de falsidades. Estamos numa situação tão esquisita que nossa história é tocada por acasos, como diz o Arnaldo Jabor, que às vezes fala coisas sensatas mesmo sendo defensor do capitalismo, fonte de infelicidade e inquietação por se fundamentar na competição, quando a paz da qual nasce o bem-estar só pode ser alcançada através da cooperação necessária para não haver tanta discrepância entre as exibições na revista Forbes e nos corredores do hospital.

Tudo indica que do governo da presidente religiosa sairão soluções como as do papa uma vez que ninguém entende mais de bíblia do que ele. Entretanto, para mostrar ação, anda o papa a pedir paz aos que matam indistintamente inocentes crianças em nome de Deus. Alguém é capaz de admitir algum resultado desses apelos?

O amigão Edmilson Movér, o ensaísta, reclamou por eu ter atribuído nossa falta de sorte aos urubus, nossos amigos provedores de limpeza, segundo ele. Mas que estamos cagados de urubu, não resta dúvida. Inté.