quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ARENGA 310


Constituída pelo povo de mais baixo nível mental entre todos os povos do mundo, a sociedade brasileira vive com festas a mesma situação de desconforto que levou o povo francês a um movimento revolucionário tão grande que se tornou marco divisor entre as Idades Moderna e Contemporânea. Na página 590 do segundo volume de História da Civilização Ocidental, do historiador Edward McNall Burns, são citados como causa da sublevação social denominada Revolução Francesa iniciada no ano 1789, situações semelhantes às vividas por este povo imprestável e medíocre, incapaz de indignação apesar de viver uma infelicidade tão grande a ponto de levar pais de família a cometerem suicídio e “suicidarem” seus entes queridos para preservar a si e a eles de tormentos ainda maiores do que os já existentes. Enquanto isso ocorre, os imbecis ainda não atingidos pelos horrores que lhes alcançarão mais cedo ou mais tarde vivem alegremente, incapazes de perceber os horrores que os aguardam. A sede de poder para ser usado em benefício próprio, um dos motivos que causou a insatisfação dos revolucionários franceses, aqui é encarada sem qualquer indignação pelo povo festeiro que paga satisfeito o festival de cinismo das propagandas eleitorais nas quais viciados em politicagem e aspirantes às suas sacanagens se apresentam desavergonhadamente buscando apoio para pretensões antissociais ou criminosas. Cita também o historiador, como motivo para o movimento revolucionário francês o fato de terem os três últimos governantes, Luís XIV, Luís XV e Luís XVI arrastado o governo aos derradeiros extremos da extravagância e da irresponsabilidade. Apesar de ser isto a mesma coisa que vemos acontecer aqui, os brasileiros estúpidos lotam igrejas, terreiros de brincadeiras e de axé, numa felicidade que se converterá em lágrimas. Outros fatores de desagrado mencionados pelo historiador como impulsionadores do movimento revolucionário do povo francês eram a grande quantidade de órgãos e funcionários desnecessários recebendo emolumentos dos cofres públicos, o desperdício e o suborno. Não é o que temos aqui, com um amontado de mais de trinta ministérios, inclusive um para esportes, empreiteiras subornando autoridades, montanhas de dinheiro desperdiçado nas olimpíadas? Mas, para a manada de cuja cabeça, se aberta, emanará mau cheiro, tal situação passa ao largo de suas cogitações paquidérmicas. Ainda como elemento da insatisfação francesa está também a nossa realidade de não haver distinção entre as rendas do governante e as rendas do Estado. É o que corre também entre a malta ignorante de brasileiros que se vira satisfeita para proporcionar vida faustosa e riqueza pessoal para governantes.

A aceitação dos brasileiros e a não aceitação dos franceses de uma situação análoga encontra explicação em dois fatores mencionados pelo historiador como indispensáveis a uma revolução social por ele descrita como sublevação política e social. Um desses fatores seria o esclarecimento do povo, e outro seria a existência de guerras externas que desmoralizassem o sistema vigente. Isto explicaria a posição de quatro da massa bruta de brasileiros ante qualquer imposição. Formada por analfabetos políticos, além de avessos a assuntos diferentes do resultado do exame de urina do jogador de futebola, a única guerra que travam é uma guerra interna contra si mesmos. Entretanto, nossa situação chegou um nível tão baixo em todos os sentidos que reclama transformação, mas uma transformação que deve ser conduzida pela sabedoria em vez da violência das revoluções sociais históricas que em nada contribuíram para elevar o padrão de vida social. Se o povo era infeliz antes de sua revolução, foi mais infeliz ainda durante ela, voltando à mesma infelicidade que havia entes dela. Não pode mais restar dúvida quanto ao fracasso do modelo mundial de administração pública baseado na manutenção de noventa e nove por cento da população em condições subumanas com a única finalidade de sustentar vida faustosa para o grupinho antissocial de um por cento. Inté.

 

 














domingo, 28 de agosto de 2016

ARENGA 309


A observação da vida pode dar sabedoria até mesmo à espécie de seres viventes mais desinteligente entre todas, a espécie do bicho povo. Há bastante sabedoria na afirmação popular de ser a teoria diferente da prática. Entretanto, como não poderia faltar desinteligência mesmo em observações inteligentes vindas de povo, deixou-se de ressalvar o “às vezes”, porque não é sempre que a teoria falha quando posta em prática. A falha ocorre quando escapa algum detalhe na elaboração da teoria. Um vasilhame calculado para caber quarenta litros falha se usado para medir grãos por não ter levado em conta os espaços vazios entre os grãos. Depois da conclusão da necessidade da vida coletiva, várias teorias foram elaboradas em torno da solução dos inúmeros problemas decorrentes deste tipo de vida, mas todas falharam redondamente pelo simples fato de não levar em conta a estupidez do ser humano decorrente do fato de ainda ser ele orientado mais pelo instinto do que pela racionalidade, como prova a necessidade de matar, roubar e enganar, práticas brutais comum entre os irracionais. Até cuspir no semelhante o ser humano cospe como fazem os bichos peçonhentos que lançam substância paralisante em suas presas. A brutalidade humana não escapa à sensibilidade dos poetas como demonstram estes versos do poeta Wilson Souto:

Oh homem estúpido e cruel,
Que culpa tem o inocente,
Matam em nome do Céu,
De forma tão inclemente.

Os homens são bestiais
Se dizem filhos de Deus
Não consta que os animais
Procedam assim com os seus.

Ao longo da história humana diversas teorias tentaram inutilmente aparar as arestas da brutalidade humana, permitindo uma vida comunitária menos atribulada. Houve quem defendesse um administrador nomeado por Deus que não devia ser contestado sob nenhuma hipótese, posto que indicado por Deus. Não deu certo e a escolha passou a ser feita pelo povo a ser administrado. Defendeu-se até que o administrador precisasse mentir, esconder dos administrados coisas da administração. Em torno desta questão desfilaram pela história humana centenas de teóricos e teorias sobre império, república, poder absoluto, liberalismo, democracia, socialismo, comunismo, o diabo a quatro, visando organizar a sociedade de modo que seus integrantes desfrutassem do conforto da tranquilidade, uma vez que, diferentemente dos irracionais, pode promover os maios necessários para tanto. Mas tudo resultou em nada. Falharam todas as tentativas como se pode ver pela barbaridade da qual resultam sofrimento, mortandade, balbúrdia e desorganização. O povo se recusa a superar a animalidade de bichos e se destroem mutuamente como disse o poeta.

Entre nós, por exemplo, os meios de comunicação embrenham-se numa discussão inútil que lembra o título do livro de Schopenhauer Como Vencer Um Debate Sem Precisar Ter Razão. Aliás, nos comentários sobre esse livro na internete, alguém afirma não se interessar em saber o que é individualismo porque só lhe interessa o que une as pessoas, mas não o que as separa. Não é por falta de inteligência tal opinião porque o desinteligente não se interessa por problemas sociais a ponto de ler e comentar matérias a respeito. Tal opinião é comum ao povo em virtude de lhe ter sido castrada a capacidade de pensar pela religiosidade segunda a qual não há que meditar sobre os mistérios divinos. É acatá-los simplesmente, e tá acabado. Mas isso é de uma estupidez monumental por ser daí que provém o analfabetismo político. Se aquele comentarista se desse ao trabalho de usar daquilo que faz a diferença entre nossa espécie e as demais, a capacidade de pensar, perceberia haver contradição naquela conclusão porque o individualismo pelo qual ele diz não se interessa é o que separa as pessoas, ao contrário do coletivismo ou socialismo que é a única maneira de se viver bem em sociedade, porque as une. É do individualismo que nasce a perversidade de não se poder dispor da comodidade de se ter luz, água, comida, alívio ao sofrimento físico ou psíquico que a natureza impõe, proteção contra a fera que habita cada ser humano, enfim, não se pode ter nada disso sem contribuir para o acúmulo de riqueza de alguém. Parte de cada conta que se paga, em função do individualismo, destina-se à agiotagem internacional dos infernos fiscais, quando, na verdade, como se faria no socialismo, nada se pagaria a mais do que o necessário para se produzir e distribuir os bens necessários. O fracasso na administração pública entre nós levou à existência de trinta e cinco partidos políticos consumindo fartos recursos públicos, cada um com sua teoria de organização social, e o resultado é isto que aí está sendo demonstrado pela Operação Lava Jato.

Não há o que estranhar no fato de nenhuma das modalidades de administração pública até hoje experimentadas ter conseguido realizar a função à qual se destina em função do instinto de rato sugado junto com leite materno aliado ao individualismo antissocial. Esta união satânica leva à roubalheira e nada mais. Não há, portanto, que se acomodar com esta situação e não procurar melhor modo de viver porque todo o mal que aflige a sociedade é de responsabilidade exclusiva de uma administração pública tão canhestra que é tida como a melhor apenas por não haver outra pior ainda do que esta que aí está cuja finalidade é repartir o erário entre bandos de ladravazes.  Que ninguém se engane, embora a juventude pareça eterna, um dia percebe-se ser diferente. O motivo pelo qual os velhos não são brincalhões é o fato de lhes ter chegado a realidade da vida. Portanto, melhor faria a juventude se começasse mais cedo a pensar sobre a orientação que lhe dá os mandatários do mundo porque ao se dispor a pensar fatalmente se chegará à conclusão de estar tudo errado como prova a inexplicável situação de cães e gatos tomarem sorvetes e seres humanos não disprem do básico feijão e arroz. O ministro Gilmar Mendes, dá uma amostra do fracasso de administração pública na seguinte declaração:A inexistência de refeitórios, chuveiros, banheiros, pisos em cimento, rede de saneamento, coleta de lixo é deficiência estrutural básica que assola de forma vergonhosa grande parte da população brasileira, mas o exercício de atividades sob essas condições que refletem padrões deploráveis e abaixo da linha da pobreza não pode ser considerado ilícito penal, sob pena de estarmos criminalizando a nossa própria deficiência”. Aí está, pois, a verdade nua e crua de nos encontrarmos na situação inusitada de sermos obrigados a viver na pobreza extrema apesar da quantidade de dinheiro da sociedade tragado pela fúria individualista.

O blog Outras Palavras, que deveria interessar à juventude se ela não fosse tão burra, dá conta da situação insustentável de estar nos infernos fiscais destinada à agiotagem quase metade PIB mundial de setenta e três trilhões de dólares, o que diz da necessidade de mudar esta situação porque é dela que resulta a violência que assola o mundo. Inté.

 




terça-feira, 23 de agosto de 2016

ARENGA 308


Embora podendo pensar, a massa bruta de seres humanos nunca pensou em determinar seu destino. Como gado, vem sendo conduzida para destinos do interesse de seus condutores. Se a capacidade de pensar deu ao homem o poder de domesticar o gado em seu benefício, não se justifica passar o homem de domesticador de gado para gado domesticado. Obrigado à condição vil de servos de condutores acastelados em palácios por conta de uma ficção chamada Estado em torno da qual giram mil e uma explicações sobre sua origem e de que formas tem atuado ao longo da sua existência, em vez disso, deveria este enorme falatório se ater à forma como atua o Estado, e como deve atuar, por depender desta atuação a qualidade de vida dos seres humanos. Se o Poder de Estado se faz necessário face à brutalidade humana, não se justifica um
Estado promotor de brutalidade porque isto o inutiliza. Estado tem a função de impor a ordem uma vez que os indivíduos são desordeiros. Promover a necessária harmonia social deve ser o nobre objetivo do Estado. Aconteceu, entretanto, no caminho da vida, que as autoridades representativas do Estado passaram a ser também desordeiras, o que põe a sociedade humana nas mesmas condições de caos em que, segundo a mitologia grega, se encontravam os elementos de que é feito o universo antes da intervenção divina que os separou de modo a pôr ordem no que era desordem. Então, tirando fora a preguiça de pensar, conclui-se que o Poder do Estado não tem tido sucesso quanto ao objetivo a que se propõe, razão pela qual há maior conveniência em estabelecer um Estado que cumpra seu sagrado dever do que ficar a jogar conversa fora em torno de como foi ou deixou de ser os princípios que orientam a existência do Poder de Estado.

A ignorância geradora da violência que fazia parte da vida nos tempos bárbaros continua presente e com força bastante para impedir que as conquistas dependam de evolução espiritual em vez de canhões. Desprezam-se sábias orientações enquanto são acatadas outras totalmente desprovidas de inteligência e bom senso, chegando-se à situação insustentável na qual a juventude não tem um só bom exemplo para incentivá-la no caminho da honradez porquanto as autoridades representativas do Poder de Estado vieram a se tornar inteiramente desonradas, situação que precisa ser revertida porquanto nada justifica que o Estado inverta seu dever de impor ordem e passe a promover desordem. Manter o povo em perpétuo estado de ignorância a ponto de acreditar que vida se resume a festas é uma maldade que só será percebida quando acabar a disposição para sacolejar os quartos no axé e caminhar para as igrejas. Desta forma, para que serve então o Poder de Estado? Para promover desordem não é preciso porque a brutalidade humana se encarrega disso com eficiência. Alguma coisa deve ser feita no sentido de reverter a situação de se manter uma máquina caríssima que não funciona.

Deve-se a inconsequência generalizada à falta de uma juventude lúcida que se ligue nestas coisas em vez de obedecer aos papagaios de microfone encarregados de popularizar indiferença às atitudes inteligentes, mantendo-a em nível mental tão medíocre que encontra motivo de fama e celebridade em “famosos” e “celebridades” cujo único mérito se reduz em disputas esportivas e expor “as partes” ao público. Talvez seja sabedoria em vez de estupidez a atitude do povo alemão em voltar a cultuar os deuses da mitologia grega. No livro Mitologia está dito que os gregos antigos estavam certos de que os elementos água, terra e ar se encontravam todos numa mistura chamada caos. Do nada, surgiram deuses que os organizaram formando o universo. Quem sabe a imbecilidade do povo alemão juntamente com os deuses da mitologia grega consiga também organizar o caos social? Triste juventude, incapaz de perceber o triste destino que lhe é reservado por um Poder de Estado exercido às avessas. Inté.   

 

 


domingo, 21 de agosto de 2016

ARENGA 307


A menção do historiador Burns de ter a humanidade demorado noventa e cinco por cento de sua existência até o aparecimento da escrita mostra que em apenas cinco por cento dela a humanidade deu um salto evolutivo extraordinário. Considerando as informações científicas de existirmos por volta de 500.000 de anos e que a escrita surgiu apenas há 3.000 anos antes do ano em que se acredita ter nascido Cristo, o que teria ocorrido há 2.016 anos atrás, juntando esses períodos teríamos o total de 5.016 anos decorridos da invenção da escrita até hoje contra 494.984 vividos antes, o que mostra o extraordinário salto evolutivo ao se comparar a evolução ocorrida até aos 494.984 anos de existência e a ocorrida em apenas 5.016 anos Se durante todo o primeiro período o homem ainda andava a pé, no segundo, vai ao espaço sideral e ao fundo do mar. Não nada de estranho nisso porquanto a evolução se processa em progressão geométrica. A segunda vez que se faz alguma coisa é sempre mais perfeita do que a primeira vez, a terceira ainda mais que a segunda, assim por diante. Entretanto a humanidade só evoluiu do lado material. Espiritualmente continua tão bárbara como sempre foi. O atraso mental que fazia crer ser divertido assistir feras devorando pessoas é o mesmo atraso mental que faz crer haver diversão ao segurar num pau de selfie e fotografar-se. Crimes se tornaram tão comuns que a ninguém espanta mais fatos como o narrado pelo fabuloso jornalista Elio Gaspari do Jornal do Brasil, criador da expressão petrolarápios para definir a rapinagem dos recursos públicos pelas próprias autoridades apaniguadas a cupinchas para praticar crimes contra a sociedade sob sua guarda. Apenas a título de exemplo, o jornalista menciona um tal de Zwi Skornick que adquiriu com dinheiro público uma casa cinematográfica em Angra dos Reis onde tinha doze carros de luxo entre os quais três Porches e duas Ferraris. Tão à vontade esta figura desprezível, que desfilava tranquilamente com um Rolex cravejado de brilhantes. As condições da vida moderna demonstram que a extraordinária evolução a que se refere o historiador não levou os seres humanos à civilidade da qual decorre a paz, a tranquilidade e a vida sossegada que deveríamos ter, de modo que espiritualmente involuimos, andamos para trás.

O atraso mental se deve única e exclusivamente ao modo de administração pública comandada pelos ricos donos do mundo aos quis interessa um povo mentalmente incapacidade de perceber a escravidão a que é submetido. Em tempos idos a administração pública era mantida longe do povo em função da religiosidade, como mostra Léon Duguit na página 6l do livro Fundamentos do Direito, através da menção de um texto do rei francês Luís XV no seguinte teor: “Só de Deus recebemos nossa coroa. O direito de fazer leis pertence a nós somente, sem dependência e sem partilha”. Embora tal justificativa para esconder a realidade de como é gasto o dinheiro público tenha se desgastado em função de diminuir a religiosidade à medida que diminui a ignorância, contudo, esta ignorância ainda não diminuiu o bastante para se chegar à realidade de ser inteiramente impossível esperar os recursos destinados à promoção do bem-estar social não sejam dilapidados uma vez deixados à mercê dos brutamontes espirituais e sua avidez por palácios e riqueza. Parasitas acomodados em Câmaras Municipais, Estaduais, Federal Vice Presidente, Vice Prefeito, dezenas de partidos políticos a roer o erário através da excrescência Fundo Partidário, obras públicas custando vários vezes seu valor real, funcionários públicos sendo transformados em milionários ou bilionários por conta da roubalheira desenfreada ora exposta pela Operação Lava Jato, tudo isto mostra sobejamente a impossibilidade de se deixar a cargo de ladrões o Tesouro Nacional. Só haverá evolução mental capaz de organizar uma sociedade civilizada, o que equivali a dizer uma sociedade na qual se possa estar a gosto quando aumentar os gatos pingados que superaram o analfabetismo político e se tornarem capazes de ensinar às suas crianças a realidade de ser mais producente em termos de diminuição de infelicidade acompanhar o pagamento das despesas públicas do que fazer orações. Inté.

 

 



ARENGA 306


Escritores que escrevem por obrigação não visam o esclarecimento de seus leitores. Tendo necessariamente que escrever, enveredam pela prolixidade. Desperdiçam montanhas de palavras para dizer o que pode ser dito com poucas palavras. Nesse exato momento os meios de comunicação desperdiçam palavras e tempo em torno de Fidel Castro. Esse homem foi exemplo para a humanidade. Mas o que se fala dele é o inverso do que se devia falar. O que fez o Fidel Castro foi simplesmente o inverso do que fazem os promotores da infelicidade humana, os ricos donos do mundo. Nunca li a respeito, mas já ouvi que o país de Fidel era um cabaré para os ricos americanos que disputavam no pôquer uma viagenzinha para deflorar, cuja virgindade seus pais trocavam por dinheiro para comprar comida. Não se prestando a capacho dos Estados Unidos como as figuras de Serra e Temer adorando numa submissão ridícula o ministro americano, Fidel conseguiu em seu povo adeptos suficientes para lutar a favor de seu país, diferentemente dos brasileiros que aderiram aos americanos em 1964 para lutar contra seu próprio país. Os adeptos da cultura individual, portanto, antissocialista do “é meu” maldizem o Fidel Castro como maldizem tantos quantos se arvorem a exigir que os recursos públicos sejam usados em benefício da sociedade em vez de serem usados para engordar a agiotagem dos infernos fiscais. Como isso impediria o que está sendo mostrado pela Operação Lava Jato, também perseguida pelos adeptos do “é meu”, as figuras antissociais de FHC e José Serra declararam que Fidel desrespeita os direitos humanos, o que é uma deslavada sem-vergonhice porque quem se sentiu melindrado com o socialismo de Fidel foram os antissocialistas que se mandavam para os Estados Unidos, paraíso dos ricos donos do mundo causadores da infelicidade humana. Contam os detratores do socialismo com a inteira burrice de quem houve a afirmação daqueles dois senhores porque desrespeitar direitos é justamente o que eles fazem ao parasitar a sociedade, terem vidas abastadas à custa de infelizes ignorantes para os quais a vida se resume a dependurar nos corrimãos de transportes em troca de oitocentos reais por mês, futebola, igreja e axé.

Talvez Fidel tenha errado ao impor que os adeptos do “é meu” aderissem ao “é nosso”, única maneira de se ter uma comunidade pacífica, sem necessitados, portanto, civilizada e humana. É superestimar a incapacidade de percepção das pessoas afirmar como fazem os meios de comunicação dos ricos donos do mundo que Fidel Castro infringia alguma lei porque as leis devem servir para organizar a sociedade. Que contribuição para isso pode ser encontrada em nossa lei que afirma terem todos direito a morar, comer, divertir, educar-se, com apenas oitocentos reais por mês? Que diz serem todos iguais perante as leis, se ladrões privilegiados deixam de merecer punição apenas por negar as acusações? Merece respeito a lei que criou o Foro Privilegiado? Por não respeitá-las é que os inimigos do socialismo espinafram Fidel Castro através da papagaiada de microfone e dos escritores ganhadores do Nobel para os quais o capitalismo teve pleno êxito em proporcionar bem-estar social. Em sentido oposto, no sentido da verdade, o blog Outras Palavras publicou dois artigos, um do economista Ladislau Dowbor intitulado A Rede Corporativa Mundial, e outro do Frei Leonardo Boff intitulado Agroecologia Como Antídoto À Produção Transgênica, nos quais tanto o economista quanto o frei expõem aos leitores a monstruosidade da transformação da produção de alimentos em fonte de riqueza como querem os inimigos de Fidel e amigos do “é meu”. Nem precisa ser inteligente para perceber a monstruosidade de se apossar de imensas áreas, de recursos do BNDES, da expulsão dos camponeses para as cidades, da obrigação de se ingerir veneno, para engordar a agiotagem dos infernos fiscais. A cultura do “é meu” contra a qual se insurgiu Fidel Castro, motivo da ira de seus detratores, também o Papa Francisco se insurgiu conta ela como prova a presença de João Pedro Stédile ao lado dele quando se pronunciou contrariamente ao sistema capitalista, enquanto que a papagaiada de microfone da Rádio Bandeirantes AM de São Paulo espumava de raiva porque o Stédile fora convidado pelo governador de Minas Gerais para uma solenidade. Inté.

 

 


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ARENGA 305


Os velhos que nem chegaram aos oitenta, mas já se encontram nas caríssimas UTIs, espetados por mil agulhas e tubos para alimentar, respirar, enfim, manter-lhes um simulacro de vida, depois de engordarem a conta bancária do hospital e passar desta para a outra vida que acredita existir ao lado de Deus deveriam contratar o advogado com o maior nariz que lá encontrasse, daqueles que obrigam as leis a fazer contorcionismo para provar que bandido rico não é bandido, com a finalidade de mover contra Deus ação de reparação ante a desigualdade de tratamento verificada no fato de agraciar este ateu com a sorte de estar aos oitenta anos, apesar de dor nas costas e cólica renal, firme como rocha, capaz de dirigir minha CRV quinhentos quilômetros com apenas algumas paradas para um cafezinho, fagueiro e a gosto aqui em frente ao computador, ao lado de um copo de cristal que me foi presentado e uma garrafa de bom uísque sorvendo moderada e prazerosamente deliciosos goles enquanto, ao contrário de quem Lhe lambe as botas, digito verdades que contestam não só Sua santidade, mas também Sua própria existência. Talvez exista mesmo um Deus diferente do Deus dos religiosos, um Deus que goste de verdades e vai enrolando a morte orientando a foice dela para lugares diferentes daquele em que me encontro. Saí de um enfarto sem nem precisar operação, embora um médico mercenário do hospital Santa Isabel, chamado Nilson sei lá das quantas, em Salvador, a fim de tomar meu escasso dinheiro, quisesse me operar.

Faço sempre um brinde à natureza em reconhecimento à sua benevolência ao me permitir fazer o que mais gosto que é tentar levar aos inocentes o que aprendi em oitenta anos de observação da vida, observação da qual resultou a conclusão de vivermos de modo infeliz quando deveríamos viver um mundo de paz e compreensão da necessidade de sermos tão unidos como irmãos educados em vez de vivermos às turras nos infelicitando mutuamente. No blog Outras Palavras, que deve ser visitado por quem deseja deixar a qualidade reles de povo, há uma imagem condizente com o assunto da reportagem que ilustra, na qual aparece uma mulher com ar de perplexidade ante a cena brutal na qual um soldado em plena rua manuseia como se fosse disparar uma possante arma de guerra semelhante àquelas dos filmes que as crianças assistem depois de terem sido levadas à igreja pelos pais criminosos que as ensinam mentiras em lugar de verdades.

Decorridos milhares e milhares de evolução já devíamos ter atingido um nível mental capaz de nos levar a uma espiritualidade que nos desse a entender ser impossível encontrar paz através de guerra e tranquilidade na riqueza. Aqueles que mais professam religiosidade são também os que cercam para si maior quantidade do mais precioso bem que existe e que a todos deveria beneficiar porquanto dele depende a vida de todos: A TERRA. O representante máximo do falso Deus, o Papa, acaba de se pronunciar a esse respeito conforme matéria que pode ser vista pedindo ao amigão Google PAPA CONDENA INTERNACIONAL DO DINHEIRO. Observar a realidade de que o sol nasce para todos contribui mais para a felicidade do que observar os princípios bíblicos porque eles aprovam a escravidão e fazem apologia à riqueza à morte e à violência do saque. A humanidade, apesar de tanta religiosidade inútil, foi conduzida a um destino tão triste que a o assombro da morte se fundamenta no mesmo princípio que leva o asno a recusar deixar o capim. Como os troços de bosta que flutuam entre remadores da Olimpíada, também a mente dos frequentadores de igreja, futebola e axé se recusa a mergulhar e descobrir a realidade de se viver uma vida de asno. Inté.

 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ARENGA 304



Neste tipo de vida esquisitamente vivida, a verdade precisa ser escondida a sete chaves. Há uma obstrução intransponível adredemente construída graças ao analfabetismo político de modo a vedar à percepção humana o conhecimento do que se passa no mundo de onde provêm as decisões das quais depende não só o bem-estar, mas também a própria vida. Não há justificativa para que o ser humano deixe sua existência à mercê de falsas orientações. De onde vem o horror às verdades, como a realidade da necessidade de sermos solidários uns com os outros? Na página 26 do Livro Vermelho, Mao Tsé-Tung cita como inimigos de uma sociedade socialista o setor reacionário dos intelectuais (o que podemos traduzir por escritores assalariados). Na página seguinte do mesmo livro, a 27, o revolucionário chinês se refere a estes inimigos do socialismo como os “inimigos sem armas”, no que se equivocou o grande líder chinês. O escritor Edmilson Movér lembra que os sábios são passíveis de falhas tanto quanto nosoutros. O equívoco do sábio Mao está no “sem armas” porque é com o poder das armas, das bombas que despedaçam crianças que os inimigos do socialismo garantem seus impérios a custo do sofrimento dos frequentadores de igreja, axé e futebola. Porém, arma mais eficiente do que as artilharias para garantir a privatização dos bens que a todos deveriam servir, seus adeptos contam com arma infinitamente mais poderosa que é o controle da mente humana. A este papel satânico se dedicam os escritores assalariados e a papagaiada de microfone aos quais também se juntam empregados para filosofar. Do controle mental demoníaco das mentes só escapam aqueles que aprenderam a verdade com os Grandes Mestres do Saber. Só neles se pode tomar conhecimento das armadilhas ideológicas que fazem a mentira assumir ares de verdade. Como não se pode tomar conhecimento da verdade aqueles de mentalidade ligada nas futilidades dos “famosos” e das “celebridades”, o sistema educacional montado pelos adeptos da sociedade individualista, a custo de ouro, mantém a mentalidade popular enterrada na lama da ignorância de se ligar no resultado do exame de urina do jogador de futebola.

Para isto muito contribui a religiosidade. Contestando o jovem filósofo americano e ateu Sam Harris, os religiosos representantes de um órgão de assistência social por meio de caridade, que pode ser conhecido neste endereço eletrônico, www.thinkagain.us, afirmam que o ateísmo não só carece de evidências, mas também não tem em que basear sua integridade moral, ao tempo em que admitem corrupção na Igreja. Aí está, o porquê da necessidade dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber para aprender separar a mentira da verdade. De princípio, ensinam os Grandes Mestres que a caridade é socialmente negativa não só pela degradação espiritual do necessitado, mas também por não haver necessidade da existência de necessitados porque os recursos materiais existentes no mundo são suficientes para toda a humanidade viver dignamente desde que usados coerentemente. Também em mentira incorrem aqueles religiosos quando afirmam que o ateísmo carece de evidência. Estarão invertendo a realidade porque na religiosidade é que falta evidência posto nunca se ter visto Deus e, do mesmo modo, os milagres só existirem por ouvir falar. Além disso, apesar de tanta religiosidade, igrejas, orações, paracés de todo tipo há milênios, a humanidade é cada vez mais infeliz. A afirmação de que esta infelicidade é produzida pela desobediência a Deus também é pura descaração por contradizer a afirmação de que a vontade de Deus era que o homem fosse feliz. A ser verdade que a infelicidade ocorre por vontade de homem, ter-se-ia de admitir que a vontade do homem foi capaz de se sobrepor-se à vontade de Deus uma vez que o homem fez o que Deus não queria que ele fizesse. Mas não para por aí. Incorrem em contradição ao afirmar faltar base para a integridade moral dos ateus e afirmar haver corrupção na igreja. São as contradições que impedem a retidão de um caminho lúcido que leva a uma sociedade civilizada. Aí está quem garanta e assine embaixo que a melhor maneira de viver é disputando cada um seu lugar ao sol. Inté.