quarta-feira, 1 de março de 2017

ARENGA 387


O carnaval torna as multidões tão tresloucadas que os órgãos governamentais, segundo a imprensa, distribuíram esse ano milhões de camisinhas, o que significa que as pessoas irão trepar alucinadamente porque em época normal não existe tamanha preocupação do governo com sua incapacidade de assistir os nascimentos provenientes das trepadas normais. A facilidade com que o bicho povo se deixa levar pela influência do ritmo das marchinhas e o efeito do álcool significa que existe também sobre a mentalidade a mesma recusa que existe em se envelhecer fisicamente, razão pela qual os seres humanos têm o mesmo comportamento de crianças quando ao lado de uma fogueira ou em alguma comemoração adultos e crianças se comprazem no mesmo divertimento de pipocar bombas. É este comportamento puramente visionário de se apegar à juventude de forma tão arraigada que leva a procedimentos rejuvenescedores que além de não raro levar à morte, têm resultados só aparentemente satisfatórios, mesmo porque, como lembra Cazuza, o tempo não para. O pior da recusa em recusar sair da mediocridade mental o fato notório de que em função desta recusa a humanidade descamba ladeira abaixo tão despinguelada quanto caminhão na banguela rumo ao desastre. O exercício do pensamento está limitado apenas à materialidade da qual a vida não pode prescindir. Além da rotina da luta pelos meios necessários à sobrevivência a capacidade mental não leva as pessoas além dos mundos do divertimento e da religiosidade, ambos apropriados para serem habitados por mentalidades infantis. Se no primeiro desses mundos existe quem eleva à categoria de famosos e celebridades pessoas cujos méritos são expor ao público nudez e tendências sexuais, principalmente se pelo mesmo sexo, no segundo mundo, o da religiosidade, encontramos um assistente de Deus, por ordem Dele e para Seu deleite executando o seguinte trabalho: “Ele (Abrão, o assistente), tomando todos estes animais (uma novilha, uma cabra e um cordeiro ambos de três anos, uma rola e um pombinho) partiu-os pelo meio e lhes pôs em ordem as metades, umas defronte das outras; e não partiu as aves. Aves de rapina desciam sobre os cadáveres, porém Abrão as enxotava” (Gênesis 15:10-ll). Absolutamente nada, pois, a não ser a imaturidade para justificar a presença de tantos adultos nesses mundos infantis.

O mundo estaria melhor se em vez de se debruçar sobre governos, democracia, totalitarismo, esquerda, e direita dirigisse sua atenção para o impasse existente na questão de não poder prescindir dos governantes e, em função da imaturidade humana, não ser possível haver governante algum cuja atenção vá além do próprio umbigo. Se a História mostra que as chamadas civilizações se desenvolveram com maior vigor nos lugares para os quais acorria maior número de pessoas, sobretudo de culturas diferentes, não se admite que no mundo moderno onde se integram as diversas culturas a evolução mental se recusa a acontecer e as pessoas permanecem tão infantis que se encantam com queima de fogos, corrida de carros e de equídeos, inclusive na São Silvestre. O isolamento, sim, justifica a incivilização. Certas comunidades isoladas, ainda atualmente permanecem no primitivismo. O instituto da inimputabilidade no qual o direito abriga as pessoas mentalmente incapazes pode ser estendido à humanidade porque o mundo abriga uma população tão mentalmente incapaz que está a promover sua própria ruína em função de um corre-corre desenfreado e alucinante semelhante ao do rato na presença do gato bom de caça. Corre-se pelo emprego, do ladrão ou da polícia, mas estão todos sempre correndo, numa intranquilidade da qual resulta a própria infelicidade. Inté.

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

ARENGA 386


O doutor Carlos Velloso demonstrou comportamento ético quando recusou o Ministério da Justiça por ver nisso a possibilidade de haver influência positiva a favor da clientela de seu escritório de advocacia, uma vez que, segundo informa a jornalista Eliane Cantanhede no Estadão, passaria a ter informações privilegiadas de imenso valor para seus clientes. O mundo da política é mesmo um mundo que precisa ser revisto por ser tão sem pé nem cabeça que uma pessoa pode ser ético ao mesmo tempo em que exerce atividade antiética. Há nobreza no comportamento do doutor Velloso frontalmente contrário ao comportamento das muitas outras pessoas que ocupam cargos públicos para dele usar em benefício próprio ou de alguém. Na história política não é novidade cargo de secretária servir de fachada para concubinas. Portanto, há de se louvar o gesto nobre do doutor Velloso, oposto a tudo que com muita tristeza presenciamos no ambiente putrefato da politicagem como, por exemplo, o doutor Nelson Jobim condenar a tentativa de moralização política da Lava Jato da mesma forma como fazem os declaradamente desonestos. Em sendo banqueiro o doutor Jobim, fica esclarecida sua ojeriza a quem é contra parasitas sociais. Entretanto, se é que há, e não pode deixar de haver ladrão do dinheiro público entre os clientes do escritório do doutor Velloso, não seria antiético defender criminosos cujos crimes levaram os brasileiros à situação aflitiva em que se encontram de completo abandono, como fizeram todos aqueles advogados, entre eles o doutor Thomaz Bastos, no julgamento dos criminosos do Mensalão, e fazem ainda todos os advogados que garantem e assinam embaixo serem inocentes seus clientes sendo eles ladrões ainda mais socialmente prejudiciais do que os milhares que abarrotam as pocilgas/presídios.

O princípio de direito segundo o qual ninguém deve ser condenado sem defesa se justifica plenamente quando há possibilidade de ser inocente o acusado. Mas, em se tratando de políticos, nenhuma possibilidade há de não se tratar de criminoso porque as evidências falam por si sós. A imprensa mostrou um secretário municipal de São Paulo que durante a gestão adquiriu mais de cem imóveis, o que afasta totalmente alguma dúvida quanto existência de ação criminosa. Do mesmo modo, as imensas áreas de terras adquiridas por políticos e mostradas no livro O Partido da Terra, de Alceu Luís Castilho, as acusações constantes dos livros Honoráveis Bandidos, Privataria Tucana e O Chefe, são provas suficientes para condenar os acusados uma vez que não partiram com tudo prá cima dos acusadores como faria qualquer cidadão honrado acusado de ser ladrão. Entretanto, o que se vê são advogados riquíssimos de uma riqueza extraída do produtos de crimes e até mesmo pessoas investidas de autoridade para defender a sociedade defendendo os inimigos dela. Os descendentes destas personalidades torpes haverão de envergonhar-se de tais ascendentes, salvo se portadores do mesmo aleijão moral. É claro que o trabalho dos advogados trazem grandes benefícios à sociedade. Mas, como em toda profissão, há também profissionais com espírito de Midas do tipo o oftalmologista Rui Cunha e o cardiologista Nilzon qualquer coisa cujos espíritos de Midas levaram-nos a encontrar em mim falsa necessidade de cirurgia. Para tais profissionais o dinheiro está acima de qualquer consideração de ordem moral. Mas canalhas desse tipo, felizmente, são minoria. Já fui beneficiado pelo profissionalismo sério e competente do advogado que me salvou de ser vítima da fome de dinheiro dos bancos Bradesco e Itaú. Nem por isso deixa a sociedade de ser prejudicada pelo trabalho dos famosos escritórios de advocacia, entre eles o da mulher do governador do Rio de Janeiro, hoje na prisão por conta de crimes dos quais resultou a situação vexatória dos trabalhadores no serviço público do Rio dependendo da boa vontade da população para que possam se alimentar.

O mundo carece ser repensado porque depois de tanto tempo de existência os seres humanos ainda não concluíram estar num caminho tão errado que produzem sua própria infelicidade. A brutalidade ainda existe até naqueles agrupamentos que se sobressaem entre os demais como os mais civilizados como mostra a notícia de ter sido transmitido ao vivo pelo Facebook um estupro coletivo na Suécia. Há de se cogitar com ênfase sobre o que disse o escritor Nelson Rodrigues: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. Com a devida permissão, poder-se-ia acrescentar a esta sábia observação esta outra observação que não precisa ter a genialidade do famoso escritor para ser observada e que é a realidade de serem os idiotas que sempre dominaram o mundo depois da invenção da democracia. Se antes dela aqueles que punham a carga no lombo o burro/povo eram levados a os postos de parasitagem por uma questão de nascimento, caso em que o bicho povo não interferia, inventada a democracia são os próprios parasitados que escolhem seus parasitas. Depois de domesticados, os bichos não vivem sem a condução de quem os domesticou, razão pela qual o bicho/povo não pode dispensar liderança. Aí está a massa ignara a lamber o saco de Lula sem que lhe passe pela cabeça a verdadeira pretensão de qualquer líder.

Resulta de idiotia a notícia de que o parceiro de falcatruas de Sergio Cabral, o governador Pezão, será testemunha de defesa do seu companheiro de exploração sobre a massa bruta de cariocas, o que é uma estultice do tamanho do mundo uma vez que a lei não obriga que alguém promova provas contra si mesmo. Os idiotas a que se refere Nelson Rodrigues são, efetivamente, a quase totalidade dos seres humanos, mas não a totalidade. Havendo os que não são idiotas, é injusto, que estas exceções sejam conduzidas por idiotas tão idiotas que ante a aproximação de circunstâncias grandemente infelicitadoras de fome, sede, doenças e um crescer assombroso da violência, como loucos incapazes de um só comportamento coerente, vivem num festejamento inexplicável para quem não foi tomado da idiotia a que se refere o famoso escritor e teatrólogo. A mesma idiotia faz com que sem nenhuma justificativa, seres na realidade menos importantes entre os menos importantes dos humanos sejam considerados tão importantes a ponto de serem reverenciados com riqueza e os termos “famosos” “celebridades” e “excelências”.

Na página 1009 do segundo volume de História da Civilização Ocidental, o historiador Edward Mac Nall Burns diz o seguinte: “Todo aquele que vive muito acima do nível animal recorre constantemente às lições da História”. Acima do nível animal só pode ser interpretado como sendo aqueles que integram a exceção à regra da idiotia. Portanto, tal observação corrobora a afirmação de Nelson Rodrigues porque absolutamente nenhum ninguém que enquadre na sua classificação de idiota se interessa por estudo de história porquanto suas mentes não ultrapassam o interesse pelo exame de urina de jogador de futebola, igreja e axé, enquadrando-se, desta forma, na classificação de animal feita por Burns. Entre as muitas manifestações da idiotia está a afirmação pomposa de não se incomodar com opinião alheia porque os paramentos brincos, tatuagens, etc., são colocados exatamente em função das outras pessoas uma vez que ninguém se enfeita para ser apreciado por si mesmo. Aliás, o escritor/pensador Edimilson Movér afirma que as mulheres se enfeitam muito mais em função das mulheres do que dos homens. Dá o que pensar tal afirmação. Carece absolutamente de fundamento a afirmação de independência pessoal porque as opiniões alheias têm peso imensurável quando se está nu, cagando, trepando, e até mesmo mijando, embora vestido.

Os idiotas a que se referia Nelson Rodrigues são os que formam a massa amorfa de povo. A palavra povo encerra a ideia de coisa insignificante, reles, desqualificada em termos de organização social civilizada porque povo não se incomoda com barulho, grosserias e se interessa por vulgaridades. Mas não são apenas os frequentadores de igreja, axé e futebola que integram a trupe ordinária de povo cuja idiotia atrasou o avanço civilizatório da nossa sociedade quando apoiou o assassinato dos nossos jovens progressistas pelo impropriamente chamado Movimento Revolucionário de 1964, ordenado pelos Estados Unidos. Integram-na também tanto os imbecis que pavoneiam suas montanhas de riqueza na revista Forbes, quanto seus paus-mandados, os papagaios de microfone, escritores e filósofos assalariados e as “autoridades” porque também estes impedem o desenvolvimento civilizatório social por aniquilarem o dinamismo da inteligência jovem que sem a orientação maléfica destes biltres mentais produziria excelentes frutos em vez de imbecilidades como futucar telefone, frequentar igrejas, axé e futebola.  Inté  

 

 

    

      

 

 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ARENGA 385


Ao ouvir um jovem de brinco e tatuagem dizer que o rock é um som mundial, uma garota que já superou a fase reles de frequentador de igreja, axé e futebola disse que som realmente igual em qualquer lugar do mundo era o som de arroto, bufa e ronco. Não fosse a natureza tão estúpida a ponto de fazer criar o pavor estampado nos olhos do animalzinho sendo devorado vivo, ela devia ter encarregado um ateu para substituí-la na hora de fazer os seres humanos a fim que lhes ministrado um forte sentimento de irmandade que os diferenciasse das feras. Caso fosse eu o escolhido, faria um sentimento de irmandade ainda com maior ou pelo menos o mesmo vigor que tem a sexualidade sobre todos os seres humanos, sem distinção de um só deles porque não há um só homem ou mulher no mundo inteiro que não se interesse por um buraco de fechadura numa porta atrás da qual duas mulheres esfregam as xoxotas. Entretanto, a mesma burrice que orientou a natureza a impedir o pau de endurecer sem excluir a vontade de trepar levou-a a fazer os seres humanos ainda mais brutos que os irracionais por se destruírem mutuamente sem que disso dependa sua vida como acontece entre as feras. Mas a desunião parece não merecer a devida atenção até mesmo de ilustres personalidades literárias porque na sinopse do livro O Fim da América, de Naomi Wolf, há referência à frase saída da mentalidade rasteira de políticos afirmando que a eterna vigilância é o preço que se tem de pagar a fim de se ter liberdade. Ora, isso é mais uma contradição das muitas que norteiam o caminho seguido pela humanidade, como, como por exemplo, viver sobre a falsa crença de que será levada a porto seguro pela condução de líderes cujo comportamento revela escancaradamente más intensões. Mas a ninguém parece ocorrer a necessidade de se cogitar sobre tal realidade. Fala-se sobre quem vai ser isso ou aquilo nos quadros da administração pública, mas sem se levar em conta a realidade de que ninguém vai ser isso ou aquilo com o objetivo de levar a sociedade a bom termo. Isto já devia ter sido percebido há muito, uma vez que já foi percebido ser impossível engar a todos todo o tempo.

Há tanta falsidade na frase “O PREÇO DA LIBERDADE É A ETERNA VIGILÂNCIA” quanto há na liderança que conduz o mundo. Nesta frase não há beleza. Ela nasce do seio das falsidades pelas quais os seres humanos pautam sua vida porque onde há paz não há necessidade de vigilância por ser um ambiente no qual prevalece o sentimento da verdadeira irmandade que se traduz por uma elevação espiritual capaz de levar à compreensão de que o bem-estar de cada um depende do bem-estar de todos, razão pela qual ninguém precisa ser vigiado a fim de não fazer mal a ninguém por ser o próprio indivíduo a não querer prejudicar ninguém face à compreensão de estar prejudicando a sociedade, prejuízo esse que viria afinal a recair sobre si mesmo. Como observou Hemingway, quando morre alguém também morre junto um pouco de cada um, razão pela qual os sinos dobram também por aquele que pergunta por quem eles estão dobrando.

A necessidade de vigilância decorre da belicosidade necessária à avareza dos Reis Midas do mundo e seu aleijão mental que exige fortunas e mais fortunas, razão pela qual se fazem necessários os ataques com objetivo de tomar as coisas das sociedades atacadas, e por isso precisam ser vigilantes. A palavra vigilância indica a necessidade de arma, portanto, ambiente ainda incivilizado necessário à barbárie própria de um ambiente cuja brutalidade permite que apenas um por cento das pessoas se apropriem de noventa e nove por cento dos bens que deveriam servir a todos os cem. É este o objetivo da liderança que lidera o mundo. No Blog da Amazônia, o jornalista Altino Machado nos dá notícia de que os ingleses através da expressão “trouble-maker” (criador de problema), já reconheceram a realidade de que os líderes políticos criam problemas em vez de resolvê-los. Entretanto, mesmo sabendo disso, os ingleses acrescentam aos falsos líderes uma realeza parasitária. Encerrando esta “prosa” temos que Altino Machado nos dá também prova irrefutável da falsidade da liderança política entre nós na reportagem publicada no mesmo blog acima citado, denominada Riqueza, miséria e insegurança na terra do papi soberano, matéria que precisa ser obrigatoriamente conhecida por se tratar de uma verdadeira lição própria de Grandes Mestres do Saber, por mostrar a verdadeira finalidade dos líderes políticos com os quais conta esta sociedade de imbecis incapazes de ver a realidade mostrada na notícia de que o governo se pavoneia por destinar cem milhões para apoio ao sistema prisional enquanto bilhões rolam pelos tubos de esgoto mostrados no Jornal Nacional, por onde a corrupção faz escoar bilhões e mais bilhões. Ao lado disso, famílias são enlutadas pela violência, agentes de segurança são punidos por reivindicar mísero aumento de salário e promotores do pão e circo viram reis e vivem como verdadeiros reis. Inté.

 

 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

ARENGA 384


Como qualquer outro folião, políticos também têm o direito de curtir o carnaval, de dançar, pular, paquerar, beber. Isto aí faz parte de matéria no jornal Folha de São Paulo, evidência de que quem escreve por força de um contrato de trabalho escreve sem pensar, daí imbecilidades desse tipo. Se os políticos podem se auto intitular deuses, e Brasília, o seu Monte Olimpo; se um simples “nego as acusações” convence a justiça de sua inocência; se transformam em juiz o correligionário para julgá-los; se têm duzentos e vinte milhões de brasileiros dispostos a não deixar lhes faltar nada, alguém é capaz de imaginar alguma coisa a que político não tenha direito? Paquerar? Curtir carnaval? Beber? Tá de brincadeira! Isso é fichinha prá político! Político tem direito a aviaozão e secretária prá trepar no azul do céu. Têm direito a surubas e cardápios milionários. Têm direito de traficar droga e influência através de “mulas”.

O direito ao carnaval, na verdade, considerado por quem escreveu a matéria como exclusivo do povo ou ralé, no meio da qual mulheres se pavoneiam pelo fato de esfregarem suas aranhas, esse direito é dado ao povo pelos políticos. São eles os mantenedores do pão e circo. Se apenas um ou outro se mistura com a malta desprezível, o faz a contragosto. Como disse o general Figueiredo, que já começa a deixar saudade, cheiro de cavalo é preferível a cheiro de povo. Os que não saltitam no meio da massa repugnante é porque têm coisas a fazer mais importantes para suas contas bancárias como, por exemplo, a reforma da previdência que lhes renderá polpuda comissão do sistema bancário que já esfrega as mãos e baba a baba gosmenta de monstro capaz de se comprazer com a miséria de quem lhes deu a vitalidade e recebe em troca uma velhice desassistida para amargar, destino para o qual ruma a massa amorfa dos bichos carnavalescos que por não poderem raciocinar, privilégio que a natureza nega aos jovens, desconhecem completamente a realidade da vida. Vez em quando, entretanto, como acontece nesse exato momento, em matéria publicada no jornal Estadão, para algum conforto espiritual de quem pensa, alguns gatos pingados, talvez até mesmo carnavalescos estes gatos pingados, demonstram alfabetização política ao caírem de pau prá cima do banqueiro Nelson Jobim, que, temendo como todo banqueiro teme a Operação Lava Jato, dá entrevista àquele jornalão condenando o trabalho dos bravos jovens que buscam a moralização política temida pelos depredadores do erário. Por amarem seus filhos, os jovens da Lava Jato pensam também nos filhos dos adoradores de igreja, axé e futebola que não têm quem pense neles. Com justificável medo dos defensores de uma Nação Brasileira que substitua a República de Bananas, dos heróis em busca de um Estados Unidos do Brasil em vez do Brasil dos Estados Unidos, covarde e cretino como todo surrupiador, o banqueiro/ministro/jurista Nelson Jobim afirma que os jovens da Lava Jato estão atrás é de fama em vez de moralização política, e os aconselha a buscarem biografias na política e não no judiciário, sem se dar conta de que da biografia de político exala podridão moral.

Por força da podridão moral dos políticos, o relator da reforma previdenciária pedida pelos banqueiros, um dos Maias brasileiros que matariam de vergonha os Maias portugueses do livro Os Maias de Eça de Queiroz, está propondo o fim da isenção tributária que beneficia as entidades filantrópicas. Diz ser uma vergonha que tais instituições não recolham os impostos que deveriam. Claro que rola malandragem nas entidades filantrópicas por serem as malandragem, a safadeza, a falta de vergonha, a desonestidade e a imoralidade parte integrante da cultura do brasileiro. Entretanto, por menor que seja, em algo de concreto as entidades filantrópicas beneficiam o bicho povo, ao contrário das igrejas que só beneficiam as falcatruas dos politiqueiros ao fomentar o analfabetismo político que tanto serve à corrupção, prejudicando, portanto, o povo, não recolhem imposto nenhum, mas o Maia de triste memória não vê nenhuma falta de vergonha nisso.

É também a podridão que faz cair aos pedaços a política o motivo da notícia noticiada no jornal Folha de São Paulo de estar o presidente Temer conquistando deputados de pouca expressão com paparicos e atenção visando obter apoio para suas pretensões privatizantes do interesse de banqueiros , o que deixa quem pensa com uma interrogação preta em cima da cabeça uma vez que a função de presidente da república é buscar atender as reivindicações do bicho povo, o que leva à conclusão da necessidade de mudar de rumo a política, mesmo porque o mesmo jornal Folha de São Paulo dá notícia de que sem Padilha, cresce o isolamento e dependência do presidente Temer, o que escancara que o presidente fica de pé e mão atados se não estiver apoio de ladrão. Mas, o fato de terem sido rechaçadas as safadezas do Jobim injeta algum ânimo na esperança de quem deseja um Brasil que mereça orgulho. Inté.    

 

 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

ARENGA 383


A notícia no jornal Folha de São Paulo de que há 85 anos as mulheres conquistaram direito ao voto traz à lembrança meu tempo de menino lá na fazenda do meu pai, quando era necessário fazer algum procedimento numa rês xucra. Conduzido o animal para dentro do curral, era ele laçado. Por ser xucro, atacava o vaqueiro que mais que depressa passava para o lado de fora por entre os varões da cerca, enrolava o laço no varão, e, à medida que o animal corria e esbravejava, o vaqueiro ia puxando o laço de modo a encurtar cada vez mais o espaço disponível para o animal correr e saltitar. Desse modo, ele acabava por encostar os chifres na cerca e imobilizado. Para fazê-lo deitar a fim de marcá-lo ou colocar creolina ou benzocreol na bicheira, depois de peado (amarradas juntas as pernas), ia-se afrouxando o laço aos poucos à medida que seu corpo era puxado de lado por uma corda e, em consequência, ia caindo até ficar deitado. O lance de afrouxar o laço aos poucos é exatamente o que acontece com o povo. O momento em que o laço estava totalmente recolhido e o animal se encontrava com a cabeça encostada na cerca, impotente porque imobilizado, correspondia ao tempo em que o povo trabalhava debaixo de chibata tantas horas quisesse o empregador. Depois, passou a ter direito a trabalhar menos, depois ao voto, dos pobres, depois das mulheres, mais tarde veio o direito ao salário, a férias, décimo terceiro, aposentadoria, Bolsa Família, um faz de conta de proteção à segurança, saúde e educação. A cada uma destas conquistas correspondia a cada afrouxadinha que o vaqueiro dava no laço que sujegava o boi, de forma que assim como o boi, aos poucos, ia se vendo algo mais cômodo, também o povo através dos milênios tem conseguido alguma coisa em sua eterna busca por comodidade. Percebe-se, entretanto, que a busca do povo por comodidade limita-se exclusivamente à comodidade física. Também o boi procura sombra, comida, água e descanso. Para que o povo alcance a verdadeira comodidade faz-se necessário antes de tudo diferenciar-se do boi, fazendo uso da capacidade de pensar que ele desconhece ter, o que fica evidente pelos usos e costumes medíocre que os pais passam para os filhos, resultando na cultura que orienta comportamentos também medíocres, razão da identidade entre povo e manada.

A sociedade da juventude parva de futucadores de telefone, adoradores de igreja, axé, futebola, “famosos” e “celebridades” depois de acreditar ter chegado ao fundo do poço descobriu tratar-se de um fundo falso. A fossa a que chama de sociedade continua descendo indefinidamente, chegando à equiparação daquilo que devia ser política ao tráfico de drogas e à putaria porquanto as altas cúpulas do poder se declaram promotoras de suruba e “mula” para transportar dinheiro, processo também usado pelos traficantes para conduzir as drogas por não disporem de helicóptero e a faculdade de ficar tudo bem com o fato simplório de negar as acusações.

Diferenciando-se de manada através da capacidade de pensar, o povo descobrirá a existência de coisas infinitamente mais elevadas a se conquistar do que apenas o direito de trabalhar, descansar, comer, cagar e trepar. Descobrirá que a liberdade tão falada não depende apenas das coisas materiais. Pode-se perceber esta realidade olhando para os donos das imensas fortunas mostradas na brutalidade social da revista Forbes. Seus donos não são livres. Os medos lhes atormentam por todo lado, principalmente o medo de ficar pobre ou ser preso em virtude das falcatruas inerentes à formação das grandes fortunas. Liberdade mesmo é não precisar ter medo de nada. Nem passar pela cabeça a possibilidade de ficar sem as coisas das quais depende uma boa qualidade de vida. Como se vê, tais coisas não dependem só de riqueza porque tanto os ricos como os pobres bebem água com bosta, comem comida com veneno, respiram ar empesteado e correm o risco de nem isso terem mais. Inté.

  

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

ARENGA 382


Refletindo a respeito do termo ECONOMIA conclui-se ser apenas mais um dos muitos equívocos em que se baseia a vida dos seres humanos. Ao contrário da sugestão inteligente e racional proposta pelo verbo economizar, no sentido de se usar com a devida parcimônia as coisas necessárias, a economia sugerida pelos sabujos dos reis Midas do Mundo, os papagaios de microfone, escritores e filósofos assalariados, ao contrário, sugere consumir perdulariamente tudo que as fábricas dos ricos donos do mundo produzem, ainda que desnecessárias como quase tudo que a manada abarrota as lojas para comprar em função da existência de um complô criminosamente arquitetado para deturpar a realidade. O escritor Edimilson Movér, na página sete do Ensaio ANTITRATADO DA ECONOMIA faz referência a esse complô num alerta sensato de quem pensa sobre o eminente desastre proveniente do comportamento insensato de quem por não pensar enfia a cabeça no buraco da burrice. Conclui o escritor. É realmente uma burrice maior que o próprio mundo a que envolve a massa amorfa e desprezível de povo, menos por ação sua, mas por uma omissão a que é levado graças ao trabalho nefasto dos deformadores de opinião que faz com que o povo viva numa alegria de débil mental que festeja a própria desgraça. A cultura que sempre orientou o comportamento humano baseada no tripé religião/necessidade de liderança/riqueza trouxe o mundo ao estado de desgraça em que se encontra. A coisa é tão sem pé nem cabeça que a maior parte dos seres humanos padece de sofrimento por não ter as coisas de que precisa enquanto a menor parte deles padece também de desassossego ante a iminência de ser vítima dos necessitados, resultando daí que o mundo se encontra mergulhado no padecimento por exclusiva sandice de gatos pingados possuídos pelo espírito de Midas que mesmo dispondo de imensas fortunas, como o jovem de olhos arregaladas e boca escancarada a berrar na revista IstoÉ que sua empresa dobrava a cada dez anos, mas que ele queria era muito, muito mais ainda.

Por força da doença que produz baba gosmenta de riqueza, monstros espirituais infensos à noção de sociabilidade se fazem arrodear de um séquito de deformadores de opinião que afirmam a troco de salário haver vantagem em destruir os recursos dos quais depende a vida do planeta, o que conseguem mantendo no ar a peteca do “pão e circo” martelado tão incansavelmente que pais de família nada veem de anormal em haver até Ministério do “Pão e Circo” consumindo fabulosas verbas enquanto o governo anuncia congelar por vinte anos gastos em educação e saúde, na contramão do crescimento populacional. É tudo parte do complô maldito a que se referiu o escritor Movér. Não podendo o ajuntamento de riqueza dispensar a prática de crimes porquanto assim como meu pai não dava conta sozinho de executar as tarefas da fazenda, também os Reis Midas do mundo não podem construir sozinhos suas imensas fortunas, razão pela qual se fazem arrodear de um bando de protetores especializados pelas Harvards do mundo em fazer crer que o errado é que é o certo. Afinal, é a troco destas mentiras que eles atendem suas necessidades. O jornal Estado de São Paulo (Estadão) publica o seguinte: “A empresa britânica Rolls-Royce negocia com o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) um acordo de leniência, espécie de delação premiada de pessoa jurídica, por meio do qual se compromete a confessar ilícitos, colaborar com investigações e ressarcir prejuízos ao erário”. Aí está, pois, para quem pensa que só por aqui os ricos são criminosos, o modo como se fazem as riquezas no mundo todo. Enquanto isso, o que faz a juventude em prol de um mundo melhor para seus filhos? Hein? Hein? Digaí? Inté.

 

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ARENGA 381


Por maior que seja a pompa, as mais elevadas personalidades cairiam no ridículo se determinados comportamentos viessem a público. A arte, embora encarada apenas como diversão, assim não deve ser porque através dela nos são revelados inúmeras facetas da realidade da vida, coisas que nos põem a pensar. O filme Casa dos Espíritos, que vale a pena assistir e pode ser assistido no Netflix, é um convite à meditação sobre a realidade da vida, coisa que passa a anos luz da mediocridade dos frequentadores de igreja, axé e futebola. A história do filme nos mostra a mediocridade existente nos juramentos solenemente jurados. Ante o poderia da natureza, comportamentos aparentemente irretocáveis de posudas e altas autoridades vão por terra abaixo, como acontece quando a intervenção dos encantos femininos de uma prostituta enfeitiçam algum dos chefões revolucionários cuja intervenção salvou a vida da filha de um milionário senador todo-poderoso que seria vilipendiada e morta pela brutalidade humana aumentada quando se trata de policiais porquanto do treinamento a que são submetidos os jovens a fim de se tornarem policiais a arma e a violência passam a fazer parte da sua personalidade. Aqui se faz mais que necessária a ressalva de que na referência à prostituta não vai nenhum desmerecimento às prostitutas porque em minha atribulada vida conheci muitas delas com mais nobreza de caráter do que muitas excelências pelaí).

Esse bolodório vem a propósito da necessidade de se pensar sobre a vida, porquanto ela tem sido tão negligenciada que o dinheiro passou a merecer atenção maior. A realidade da vida é completamente outra daquela que se imagina ser. Não corresponde à realidade nem mesmo a historiazinha bizarra de haver semelhança entre o entregador de pizza e o ginecologista visto que ambos sentem e cheiro, mas não comem. Na realidade, tanto entregadores de pizza quanto ginecologistas sucumbem ao ditame da natureza e, apesar dos juramentos feitos ante o dono da pizzaria e Hipócrates, com remorso ou sem ele, ambos tiram uma lasquinha nos seus instrumentos de trabalho. Mas, até mesmo no que diz respeito à História, deve-se refletir a respeito dela. Na página 1009 do livro História da Civilização Ocidental o historiador Burns questiona se nossa civilização estaria fadada a sucumbir diante de invasores bárbaros vindos de fora ou de dentro da própria humanidade e se seria ela substituída por uma nova Idade das Trevas.

Acontece ser a barbárie da própria humanidade a causa de sua destruição, e deixou ela a Idade das Trevas. Mais uma lição nos dá a arte cinematográfica através do filme Os Vikings, povo cuja cultura incutia nas crianças o ideal de serem guerreiros bravos e matadores, do mesmo modo como a cultura atual incute nas crianças o ideal de riqueza, portanto, a mesma brutalidade com a diferença apenas de que os assassinatos são praticados de forma indireta. Embora os detentores de imensas riquezas não espetam espadas na barriga e nem dá tiro em ninguém, eles matam quando impossibilitam que excluídos possam atender suas necessidades primárias. A realidade da autodestruição da humanidade por conta de sua própria barbárie está demonstrada no conceito dado à nossa História na opinião de Edward Gibbon, citado pelo mesmo historiador, página e livro acima citados, no seguinte teor: “A História seria o registro dos crimes, das loucuras e dos infortúnios da humanidade”. Inté.