sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

ARENGA 858

 

Não é aprendendo a filosofia dos filósofos que a humanidade vai sair da enrascada em que se meteu se os mais badalados entre eles, os mais antigos, eram tão inocentes a ponto de haver entre eles um tal de senhor São Tomás de Aquino que se dispunha a fazer o impossível: provar a existência de deus. Como provar a existência do que só existe na imaginação de quem por ser incapaz de pensar por si mesmo se orienta pelo pensamento alheio. Aliás, a humanidade embora seja constituída de seres dotados pela natureza de inteligência, exala estupidez por todos os poros de modo tão evidente que toma por certo o que está errado. Veja, por exemplo, a dependência de emprego como condição de vida, o que não tem sentido algum não só porque não pode haver emprego para todos que dele precisam, mas também porque o planeta não dispõe e materiais suficientes para serem transformados por empregados em quinquilharias a serem comercializadas. Trata-se, pois, de mais um dos muitos engodos com os quais a pequena parcela dos que acreditam poder mandar ludibriada a massa bruta de povo para ter vida regalada com o suor da cara alheia.

Lembra Eduardo Moreira que em vez do dinheiro, na realidade, riqueza são as coisas de que necessitamos para viver. Entretanto, como tais coisas vieram a ser trocadas pelo dinheiro que se tornou propriedade de poucos, a maioria, não podendo satisfazer suas necessidades, se veem na condição de excluídos que atrapalharão a tranquilidade dos poucos incluídos. Para que tal não ocorra, a solução pode ser o extermínio do excedente de excluídos, hipótese levantada pela escritora Viviane Forrester, no livro O Horror Econômico. Entretanto, deixar-se-ão os deserdados de tudo serem abatidos com a mesma docilidade das vítimas do Holocausto? Se não, o que acontecerá no mundo? Em nome da juventude, não será melhor evitar pagar para ver? Não é preciso ser inteligente para sentir que do jeito em que está não pode ficar.

 

 

     

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