terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ARENGA 868

 

Ter interesse pela política é próprio da cidadania. Não ter, ao contrário, é ser analfabeto político que do ponto de vista do bem-estar das pessoas que formam uma sociedade é mais prejudicial a tal sociedade do que o analfabeto por não saber ler. Entretanto, sendo a imprensa a única fonte de conhecimento político e sendo a imprensa sabidamente defensora do ponto de vista da classe dominante cujos interesses sempre foram diametralmente opostos aos interesses do povo, a expressão “feito cego no meio do tiroteio” é apropriada para definir a situação do cidadão que não obstante a ansiosidade por informação, as que lhe chegam dão conta de uma política tomada de cabo a rabo por rapinagem dos recursos públicos. A serem verdadeiras as notícias sobre roubalheira, de onde é que sai a quantidade de dinheiro para ser roubado? Se há tanto dinheiro e tanto roubo, terão as autoridades sem exceção de uma sequer, do mesmo modo que os ladrões comuns, também formado quadrilha como fazem os bandidos do crime organizado? Alexandre Garcia nos dá notícia no jornal Gazeta do Povo de que promotores de justiça no Maranhão, estado com longa história de roubalheira, desistem de apurar roubo do dinheiro público em função da impunidade. Realmente, não é totalmente desanimador trabalhar, apurar a veracidade de se estar tratando de criminosos, apresentar denúncia e depois de condenados ver a justiça anular toda a trabalheira como alegam ditos promotores? No livro O Mensalão, de Merval Pereira, consta que o ministro Dias Toffoli, que depois de ser reprovado para juiz de primeira instância foi guindado pela má política a juiz de última instância, teria sugerido poupar os ladrões grã-finos das péssimas condições dos presídios brasileiros. Segundo a imprensa esse mesmo ministro que não é ministro por reputação ilibada e notório saber jurídico, mas pela política, cancelou multa 8,5 bilhões a que foram condenados os ladrões da Odebrecht.

Dá a quem tem na imprensa a única fonte de informação a impressão de haver entre as autoridades maiores o mesmo conluio que há entre os criminosos do crime organizado. A Operação Lava Jato prodigaliza a sensação de cego no tiroteio. Se daquele trabalho resultou que ladrões confessos de muitos bilhões foram condenados, vieram mais tarde a serem descondensados e os autores da apuração, condenados. 

 

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