quinta-feira, 9 de maio de 2013

RECADO DE SPINOZA (II)


Na encheção passada falávamos que o Mestre do Saber Spinoza ensinava haver vantagem em observar a vida e o mundo. Quem fizer isso chegará à conclusão de ser impossível ter tranquilidade sem dinheiro. Mas ele nos transmite também valorosa lição nas seguintes palavras: “As novas opiniões são sempre suspeitas e geralmente opostas, por nenhum outro motivo além do fato de ainda não serem comuns”. Há, também aqui, esbanjamento de sabedoria. Gratificante é reconhecer ter valido a pena procurar ainda que atabalhoadamente entender as lições dos Grandes Mestres do Saber. De um total alienado na juventude, como são todos os jovens, escrevi nesse malamanhado blog sobre o erro que a humanidade comete ao se apegar às tradições em lugar das inovações e é isso mesmo o que nos ensina o sábio Spinoza. Só porque ainda não se tornaram comuns, isto é, praticadas comumente, são rejeitadas as novas opiniões, o que leva a humanidade ao mesmo procedimento do coitado do boi que passa a vida rodando em torno do eixo que movimenta a moenda. É a própria natureza a não permitir tal comportamento porque ela impulsiona à ação, mudanças e transformações.  É preciso dar a volta por cima das mesmices. As culturas mudam porque as pessoas vão descobrindo novos procedimentos em decorrência do inevitável aprendizado pela observação das coisas. O aprendizado sobre o corpo humano originou uma cultura nova que substituiu a cultura velha de não se poder escarafunchar o corpo por ter sido feito por Deus. No tempo da cultura velha teve um cara por lá que quase vira cinza por ter dito que o sangue circulava pelo corpo afora. Várias culturas velhas foram substituídas por culturas novas no decorrer da História da Humanidade. De um tempo em que todos éramos bichos, chegamos a outro tempo em que embora a humanidade ainda esteja mais bruta que os bichos, a ponto de haver bilionários ao lado de esfomeados, sem capacidade de perceber estar preparando infelicidade para si e os seus. Mas, em meio à manada já existe pessoa civilizada entre nós como prova o senhor desconhecido que me fez parar o carro para pegar e me entregar minha carteira que eu esquecera no bagageiro do teto do carro.

A resistência às inovações deve-se a quem se encontra a gosto com a situação atual. Como quem decide se a situação atual deve ser trocada é a maioria da sociedade, porque é o peso da maioria que carrega o resto consigo, por que então a permanência de um sistema onde apenas alguns se encontram a gosto e a imensa maioria vive no sufoco por causa de uma cultura velha que causa tanto sofrimento? A explicação está no fato de que a situação nova desperta medo na grande maioria da população porque ela é convencida pelos que se encontram a gosto através da mídia a custo de tanto dinheiro que todas as empresas informativas recebem montanhas de dinheiro dos que se encontram a gosto para convencer os demais de que as inovações são coisa do capeta e que bom mesmo é não estar a gosto por serem estes os preferidos de Deus.

Se tomarmos uma reforma agrária como exemplo, veremos que as pessoas que não se encontram a gosto são contra. Os deformadores de opinião das emissoras fazem crer à manada que a mudança é produto do comunismo que fuzila padre e faz churrasco com carne de criança. Amedrontados pela possibilidade de terem suas criancinhas transformadas em churrasco, a manada teme a reforma agrária e acredita no que dizem os deformadores de opinião de ser melhor uma imensa área de terra produtiva ser explorada por apenas um grupinho do qual participam muitos estrangeiros, sendo esses grupos de ricos financiados pelo dinheiro dos desgraçados dos trabalhadores através do BNDES. Entretanto, o aprendizado pela observação recomendada pelo Mestre do Saber, uma vez havendo tal observação, dela resultaria o aprendizado que levaria à conclusão de que da reforma agrária resultaria alimentos sadios porquanto produzidos em menor quantidade em cada local, diminuindo a necessidade de veneno e isto resultaria em diminuição de preço e evitaria a incidência de muitos cânceres. Além disso, desafogaria as cidades porque levas de trabalhadores acorreriam para o campo em busca de seu pedaço de terra onde viver em paz com sua família. Quando esta realidade se tornar realidade, a crença de ser a reforma agrária ofensiva a Deus cairá por terra e todos serão beneficiados com a substituição da cultura velha pela cultura nova. Ainda outro dia quando eu era criança, ninguém acreditaria em casamento entre dois homens ou duas mulheres a não ser que cada um dos dois homens se casasse com cada uma das duas mulheres. Porem, macho com macho e muié com muié, qualé, meu? Vai contar essa mais longe! Assim reagiria qualquer pessoa há setenta anos. No entanto, está aí esta coisa esquisita para alguns. Dizem até que no futuro só haverá homossexuais no mundo. Ainda bem que não terei tempo de aprender a emplumar-me para rebolar.

Quando a manada aprender a pensar descobrirá o que descobriu a sociedade francesa do final do século XVIII e que mudou tão radicalmente a cultura velha por uma nova que cepou fora a cabeça de reis, numa demonstração de selvageria própria dos seres brutos que compõem a humanidade, desde que dela se tem notícia. Com muita brutalidade foi substituída uma cultura que orientava um procedimento de respeito e até adoração pela figura do rei-Sol por uma nova cultura que orientou o procedimento de matar o rei-Sol, procedimento que visava melhorar a situação da absoluta maioria da população francesa do século XVIII que era obriga a arcar com o peso do sustento de um grupinho de ricos perdulários, o que realmente aconteceu. Porém, pela falta de conhecimento sobre o mundo e a vida, o resultado daquela monumental explosão de insatisfação do povo contra seus opressores, teve por êxito apenas conquistar novos opressores. Sendo o dinheiro o único poder que remove montanhas, os ricos trocaram o poder oriundo da estirpe familiar pelo poder da força do dinheiro, de modo que o pobre que lá na cultura velha era considerado inferior por não ter nascido em família tradicional, os pobres atuais são considerados inferiores por não terem nascido em família rica. A situação é tão semelhante que o governador de São Paulo declarou que apenas o fato de o povo desconhecer as tramas armadas contra ele evita a situação de violência da Revolução Francesa e seu banho de sangue.

Razão tem o governador porque o imperialismo do rei Deu-sol voltou a brilhar com esplendor. Se o povo daquela época tinha de se virar para sustentar ricos e autoridades, e se os ricos eram os donos do poder, nenhuma diferença há entre o tratamento dispensado ao povo pelas autoridades francesas na época da revolução e as autoridades de hoje. Sabendo o resultado que deu esse negócio de autoridade abusar da paciência do povo, não se compreende a continuação despreocupada do imenso abuso das autoridades de gastar fortunas para fazer festas enquanto uma criança de oito anos permanece num hospital com uma bala em seu corpinho até morrer à míngua por falta de dinheiro e ter de aguentar o desdém da maior autoridade da administração pública entre nós, repetindo o descaso com o povo da rainha da cultura da nobreza, ao dizer  rindo ao povo que o sistema de saúde pública estava mais do que perfeito. Inteira razão tem o governador paulista em dizer que se o povo soubesse o quanto faz papel de idiota, ira faltar guilhotinas para cepar fora as cabeças dos politiqueiros que infernizam a vida do povo tão bobo que construiu um templo chamado Instituto Lula para homenagear a figura do presidente que transformou em milionária sua família de ex pau-de-arara. Tá tudo no livro O Chefe.

Então, conhecendo-se a violência em que deu este procedimento das autoridades em relação ao povo que lhes garante a boa vida, costume de velha e defasada cultura, por que esperar o mesmo desfecho outra vez? O apego às velhas opiniões que nos conduziram a esse mar de infelicidade de ter de conviver com cadáveres à volta, com famílias infelicitadas constantemente por uma violência incontrolável, situação extremamente desagradável decorrente da falta de visão que causa o desinteresse das autoridades, tal como aconteceu no movimento francês, por tudo isso e muito mais é que é preciso compreender o ensinamento de Spinoza e substituir as velhas opiniões por opiniões novas. Inté

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

POVO SACO DE PANCADA


                      Certa vez, ao me ouvir dizer que não gosto da vida, o médico que procurava me aliviar a dor de cólica renal me aconselhou a visitar um psicólogo, o que me fez pensar em como o ser humano complicou o ato simples de viver. A ciência da psicologia pode prestar relevantes serviços à humanidade. Entretanto, como pode um psicólogo convencer a ser indiferente alguém propenso a não se sentir bem ante o sofrimento alheio? Nem todas as ações da natureza podem ser contornadas pelo conhecimento científico. Há quem afirme a possibilidade de nunca ter existido no mundo um Jesus Cristo, como faz o historiador Geoffrey Blainey. Porém, pelo que se ouve sobre o Cristo, poderia ele ser convencido a não se sentir mal com a situação do povo de sua época? Pois, dentro de minha insignificância, também me sinto infeliz em ver crianças sendo criadas da mesma forma como são criados os bichos. Ouvi certa vez um imbecil ficar admirado de uma criança conseguir dormir na rua às doze horas do dia em meio ao barulho e sob um sol escaldante. Aquela pobre criança não dormia, encontrava-se desmaiada pelo cansaço de perambular durante todo o dia e parte da noite em busca de meios para manter-se vivo, busca esta que pode levá-la à mesma situação de risco em que se via o primitivo quando tinha que ir a campo em busca do que comer, premido pela fome, aventura que muitas vezes lhe custava a própria vida. Toda a infelicidade humana é causada unicamente pela falta de sintonia das pessoas com a realidade do mundo. Agem como se não precisassem da natureza, desprezando a sabedoria do velho adágio que previne para o fato inegável e facilmente verificável de que de onde se tira e não se bota, vai faltar. É impossível ficar a gosto quem vê a vida também por outro foco que não apenas o de trabalhar, juntar dinheiro para criar família, comprar carro, apartamento e tudo o mais que a televisão mandar.

                     O alheamento da sociedade é a única causa de todos os sofrimentos que fazem tanta gente chorar por tanto tempo. Afirma-se ser ruim adquirir conhecimento porque o que os olhos não veem o coração não sente. Mas isto é ter o comportamento do avestruz. Atitude de ser humano é estar atento para qualquer coisa que faça mal à sua sociedade e providenciar corrigir o que estiver errado. Este é o único procedimento capaz de proporcionar menos infelicidade social. É nisso que consiste a sociabilidade ou o conhecimento da necessidade que tem os seres humanos de viver em harmonia porque uns precisam dos outros. Muitas pessoas trabalharam para que eu pudesse estar usando um computador para tentar mostrar a alguém que é impossível continuarmos a viver de uma forma tão estúpida quanto a que vivemos. Vejam só a manchete do jornal Correio da Bahia de 05/05/2013: Projeto de lei poderá criar o "bolsa-estupro" para evitar que mulheres abortem. A proposta tramita no Congresso e estabelece o pagamento de um salário mínimo mensal durante 18 anos.

                   Aí está uma estupidez de tirar o sono e, por isso mesmo, extremamente desagradável e angustiante o fato de nada significar para a estúpida população de bailarinos de axé esta notícia insuportável para quem não é imbecil. Qual a finalidade do Estado mantido a preço de ouro pelo trabalho dos idiotas? Não é proporcionar trabalho, educação, moradia, segurança e saúde? A Constituição Federal, pai e mãe de todas as leis, diz ser esta a finalidade do Estado. O que não falta ao Estado são recursos para cumprir sua obrigação de cuidar da sociedade. Dispõe de tanto dinheiro que transforma em milionários seus funcionários e lhes proporciona viver em palácios uma vida de rei, além de festas monumentais em templos esportivos equivalentes ao templo do Rei Salomão, contando tal prodigalidade com total indiferença do povo idiotizado que vê jogado fora o resultado do seu trabalho e se conforma em ter de trabalhar ainda mais para sustentar os filhos de bandidos como se não bastasse ter de sustentar bandidos de todos os tipos, inclusive os que se encontram amontoados em presídios imundos cuja manutenção envolve muita corrupção.

                   A notícia do jornal significa a falência do Estado. Declara-se incapaz de evitar o crime e por isso o torna legal ou admissível mediante uma recompensa para a vítima, paga pelo povo que durante dezoito anos irá arcar com um salário mínimo mensal para as vítimas de estupro às quais irão se juntar outras vítimas de mentirinha levadas pela cultura da falta de caráter do brasileiro. Como disse meu irmão, o Dr. Bira, vai ter mulher pedindo para ser estupra da a fim de poder contar com a benevolência dos bobos dos bailarinos de axé e futebola. É ou não é um tormento viver em meio a tanta estupidez? Como pode a psicologia convencer alguém que pensa de que não há motivo para se incomodar e que o incômodo não deve produzir tristeza?

 

 

 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

RECADO DE SPINOZA


A baixeza do comportamento humano ficou magnificamente demonstrada pelo autor da obra que descreveu o comportamento daqueles jovens mentalmente deformados e retratados no filme Laranja Mecânica. A sociedade humana é tão bruta que se deixa levar por um rumo desconhecido, mas certamente desastroso, traçado por falsos líderes que arrancam o couro do pobre para cobrir o rico que os mantém no emprego de falso líder. Tanto os das religiões quanto os das brincadeiras ou os da politicagem, todos os falsos líderes vivem do trabalho e da ignorância do pobre e, por isso mesmo, são criminosos. Os falsos líderes da política, então, estes são genocidas. Declaram guerras onde a brutalidade tornou legal o assassinato de milhões de pobres coitados que não sabem o que fazem e que em busca de meios para a sobrevivência foram acabar vestidos de farda, com um fuzil na mão, e numa situação de ter de matar ou morrer. Estes eternos bobos se estraçalham entre si e até se odeiam realmente e se chamam de inimigos sem haver qualquer motivação para isso porquanto os matadores de um lado tanto quanto os do outro lado, na realidade, nada tem uns contra os outros porque nem mesmo se conhecem. São os falsos líderes Chefes das Nações da politicagem que os convencem de se tratar de inimigos e da necessidade de matá-los. Enquanto os eternos bobos se estraçalham, eles tomam finas bebidas numa boa e fazem as contas de quanto dinheiro vai ganhar com a guerra, principalmente as comissões das indústrias de armas. Como se trata de eternos bobos, os jovens cumprem obedientemente as ordens porque elas são “superiores” e dispensam o pensamento.  Da refrega, os que escapam creditam a Deus tal fato, mas não debitam a ninguém a morte dos que não escaparam. Aqueles a quem “Deus salvou” viram heróis de guerra e nem percebem terem feito na verdade um “papelão” que irão repetir na velhice ao desfilar uma turma de velhos barrigudos como se ainda estivessem no tempo de jovens soldados, sendo a dificuldade com dinheiro a única semelhança entre uns e outros.

Um sujeito que pensava e por isso mesmo não tinha tempo para requebrar os quartos nem no axé e nem no futebola, e que se chamava Baruch Spinoza, falou o seguinte: “Não chore, não se revolte. Compreenda. A felicidade é a compreensão lógica do mundo e da vida”. Foi o que disse o cara, mas esta mensagem sublime nada significa para os eternos bobos. Para eles a felicidade está no céu, no axé e no futebola, e é exatamente por procurar a felicidade no lugar onde ela não está que os eternos bobos também são eternos infelizes. Nem podia e nem pode ser diferente enquanto os eternos bobos permanecerem convencidos da desnecessidade de se pensar sobre o mundo à volta de cada um como nos ensinou aquele pensador ocupado em pensar.

Por não pensar no mundo e na vida é que estas senhoras grávidas não descobrem que a fantasia em torno da maternidade como “ser mãe é sofrer no paraíso” está tão longe da realidade quanto a noção que a juventude faz do que seja a vida. Além de não ser possível haver sofrimento num paraíso, pois assim não seria paraíso, a realidade é que ser mãe é ter de sofrer para botar para fora do corpo um sujeito que foi criado lá dentro e que depois de crescido pode vir a ser inimigo de quem passou por aquele sufoco. A festa em torno da maternidade, aquele negócio de escolher o bebê mais rechonchudo e feliz, é tudo para levar às compras. Muito ganharia a sociedade em qualidade de vida se as senhoras barrigudas aprendessem a realidade de ser mais importante inclusive para o bebê mais rechonchudo e feliz se as atenções fossem voltadas para o bebê mais magricela e infeliz porque ele será um inimigo de todos os rechonchudos do pedaço, e são em muito maior número.

 Pensando-se sobre o conteúdo da conclusão a que chegou o senhor Spinoza, deduz-se que a humanidade é incapaz de perceber o enorme benefício obtido se fosse observada e posta em prática a recomendação do pensador. Quando ele fala que a felicidade está na compreensão lógica do mundo e da vida, está a nos dizer que somos infelizes apenas pela incapacidade de compreender a vida o bastante para saber que ela é mais seriedade do que brincadeira. Quem vive para imbecilidades, como alguém que leva uma criancinha de colo para um ambiente hostil de futebola, preparando aquela criança para ser outro idiota, é alguém que não compreende nem o mundo e nem a vida. É alguém tão alheio à lógica que acredita poder requebrar eternamente no axé e no futebola, mesmo vendo os hospitais e as UTIs lotados de velhos com os quartos esculhambados de tanto requebrar no axé e no futebola.

De acordo com a lição dada pelo pensador há três séculos e até hoje não aprendida, a compreensão da lógica do mundo e da vida mostra a realidade de que cada nascimento representa uma contribuição para o acúmulo de pessoas do qual resultará em explosão de violência dada a carência dos meios de subsistência. Se na atualidade já não se bebe nem se come água e comida limpas, e muitos nem suja, não precisa ser inteligente para perceber que tal situação tende a ficar mais grave à medida que mais gente passa também a disputar comida. Como se vê, é preciso refletir para se dar melhor porque a vida está muito ruim para todos, inclusive para os infelizes jovens que não tem tempo para aprender nada sobre a vida e o mundo, como recomendou Spinoza.

Quem se dispuser a pensar um pouco haverá de perceber que estamos numa situação esquisita de dar prioridade a gastos com brincadeiras enquanto pessoas amargam conformadamente sofrimento sem fim por falta de dinheiro. Todos aqueles que apreenderem o sentido da lição de Spinoza certamente adotarão o comportamento que teve alguém quando deixei minha carteira no bagageiro no teto do carro e saí. Um senhor, infelizmente desconhecido para mim, me fez parar, apanhou a carteira de lá de cima e me entregou. Ao fazer isso ele me poupou de muitos aborrecimentos e perda de dinheiro porque naquela época o dinheiro era em espécie e carregado na carteira. Mas, apesar de ter sigo grande o benefício que obtive através da ação de me fazer parar para pegar a carteira que ele percebera haver eu esquecido sobre o carro, apesar da grande ajuda que me deu, e pela qual lhe sou muito grato, ainda assim este benefício é menor do que aquele que pode ser alcançado pelo acatamento da recomendação de se procurar compreender o mundo e a vida porque este benefício beneficiaria toda a humanidade. Representaria para cada ser humano uma felicidade ainda maior do que a que usufrui com a ação daquele senhor que me salvou a carteira porque não pode haver felicidade maior do que viver num ambiente onde as pessoas que pensam não tenham de conviver com quem não se incomoda de beber água com bosta e comer comida com veneno. Um carro-pipa abastecido com água suja não leva quem esteja desligado do mundo e da vida a querer saber se não está trocando o problema da falta d’água por um problema maior de saúde. Está faltando interesse em ser gente. Quem não pensa é apenas porque ainda não sabe que pode pensar. Quando aprender, vai descobrir quanta sabedoria está na lição do Mestre do Saber Spinoza. Como, entretanto, a prosa já vai longe, faremos um devorteio pelaí e faremos outra encheção em torno de outra fala do doutor Spinoza. Inté.

 

     

 

 

sábado, 27 de abril de 2013

ETERNOS BOBOS (IV)


                       Como a mentira tem pernas curtas, acaba sendo alcançada pela verdade. Muitas mentiras foram alcançadas e desbancadas por verdades. Não faz tempo que a mentira de ser a terra quadrada foi desmascarada pela verdade de ser redonda, e apenas alguns dias atrás quem precisasse atravessar um rio tinha primeiro que rodar feito peru em torno do deus dono do rio para através de mil mesuras, paracés e muita adulação conseguir sua permissão para atravessar o rio dele sem ficar pelo meio. Atualmente, passa-se sobre vários rios sem pagar pedágio para o deus deles, e nem se molha os pés. Outras mentiras começam a perder o prazo de validade e em poucas gerações muitas delas serão desbancadas. As mentiras às vezes tem conexão entre si e quando morre uma delas morrem várias que a ela se ligavam.

A maior de todas as mentiras de todos os tempos, e que carrega consigo enorme penduricalho de outras mentiras, já está ficando fraca dos quartos e começa a claudicar: é a mentira de haver vantagem em ajuntar riqueza num só lugar. Nem o poder de toda a riqueza já ajuntada no mundo conseguirá manter por muito mais tempo a indiferença com esta situação de haver muita riqueza em poucas mãos. Isto é altamente prejudicial à sociedade.  Pessoas de várias partes do mundo já não estão mais lendo nesse catecismo de haver vantagem em ajuntar um montão de riqueza num lugar e um montão de pobreza em outro lugar muito maior do que o lugar onde fica a riqueza, e como se não bastasse esta circunstância, por inacreditável que possa parecer, mas a verdade ainda escondida é que a população da parte da pobreza é quem faz a riqueza da parte da riqueza.

As pessoas que não se deixam seduzir por axé e futebola já perceberam a realidade de se viver uma irrealidade insustentável e dão início a um movimento ainda fraco, mas que haverá de se tornar invencível. É o movimento da desimbecilização que não permite ver a visível e palpável injustiça de um sistema perverso que eleva vagabundos à categoria de reis e celebridades que só tem de célebre a ignorância, e sobre quem são escritos livros que os eternos bobos compram. Vai sair um livro sobre a vida de um ator de filme pornográfico que certamente será sucesso para a mentalidade reles dos babacas que rodopiam no axé e se estraçalham no futebola. Pois, a sociedade que valoriza esse tipo de gente condena trabalhadores a um salário mínimo, e apenas enquanto tiver vigor para produzir e não levar para casa nem um terço do que produziu porque a maior parte do que gerou seu desgaste físico fica de lucro para a fábrica onde trabalha e para fazer as compras dos desempregados. O que o trabalhador deixa por conta das tungadas seria suficiente para que tivesse uma velhice despreocupada. Entrementes, a realidade é bem outra: quando não aguentar mais movimentar a máquina da fábrica, aí, ó, o trabalhador que faz a riqueza dos ricos vira bagaço na fila do hospital.

Os chamados pensadores sempre cogitaram de desconfiar da verdade sobre o porquê dessa moda de enriquecimento de algumas pessoas, e apresentaram suas cogitações a respeito. O velho Marx pegou todas estas cogitações e ajuntou numa explicação fácil de ser entendida: A riqueza do rico tem duas fontes de abastecimento: falcatruas e a sobra da força-trabalho que bilhões de trabalhadores em todo o mundo deixam nas fábricas onde trabalham. Do trabalho do trabalhador sobra para ele apenas uma caneta lambuzada de ouro para enfiar no bolso, segundo Chico Buarque. A maior parte do que produziu seu trabalho vai se juntar com as outras partes dos outros trabalhadores para fazer a riqueza dos donos das fábricas.

Para os eternos bobos (para quem a morte é uma perda irreparável) nada há de anormal no fato de uma menininha ficar vinte e quatro horas num hospital com um bracinho quebrado e chorando, enquanto o filho do rico Eike Batista chega num hospital acompanhado de quatro automóveis num grande aparato de seguranças armados e é atendido imediatamente apenas para saber se tá tudo bem. Não pode estar nada bem nessa situação esquisita em que aos que nada fazem, tudo, e aos que tudo fazem, nada. Isso não vai dar certo nunca.

A mania de juntar riqueza é uma loucura tão perigosa quanto a loucura de jogar pedra. Os ricos sofrem de um tipo de paranóia oriunda do medo da fome dos tempos em que a comida era tão rara que era comum o ser que viria a ser um ser humano ser morto na tentativa de conseguir alimento. Os ricos são loucos varridos. Tem medo de passar fome com os supermercados abarrotados de comida. Eles usam o poder da riqueza para manipular os cordões que movimentam os eternos manés-gostosos que compõem a humanidade, sendo a Economia Política a mais poderosa máquina de carrear dinheiro para os ricos, sendo os economistas da Prostituição da Consciência os manipuladores dos controles que convencem os Manés-minha-égua de ser normal balançar os quartos no axé e no futebola indiferentes ao sofrimento da menininha do bracinho quebrado.

 Mas, assim como há juízes tipo Joaquim Barbosa e há juízes tipo juiz Lalau, há economistas da Prostituição da Consciência, mas também há economista como a peso pesado da economia mundial Loretta Napoleoni, que diz verdade como a registrada na página 59 do livro Economia Bandida:   

   “Fabricam-se falsas esperanças difundindo-se, por exemplo, as altas taxas de crescimento da economia norte-americana. Mas isso é pura ilusão. Um trabalho essencial feito pelos economistas norte-americanos Ian Dew-Becker e Robert Gordon mostra que de 1997 a 2001 a maior parte desse crescimento enriqueceu os executivos das grandes empresas, como os ex-diretores da Enron, além de atores e atletas famosos, figurões da mídia e celebridades em geral”.

Desse jeito aí fica muito claro que o futuro desse presente não tem futuro. Estas palavras da mulher pensadora desnudam toda a trama armada pelos ajuntadores de riqueza. Como se vê, o destino da riqueza é o mesmo em qualquer lugar: uma parte para as grandes empresas, outra parte para a mídia, e o restante para promover os promotores das brincadeiras que prendem a atenção dos eternos bobos para que eles não se lembrem de lembrar do erro que é se esforçar tanto para ter como recompensa virar bagaço na fila do hospital.

A insensibilidade dos brutos seres humanos precisa ser contida pela polícia porque chega a ponto de escravizar também na modalidade proibida da escravidão do chicote e da senzala, que causa horror enquanto a televisão estiver ligada. A escravidão negra era tão torturante para o negro quanto é torturante para quem pensa ter de conviver com quem não pensa porque uns e outros tem objetivos completamente diferentes. Enquanto as pessoas que não pensam não sabem porque precisam chorar na fila do hospital, pessoas que pensam perceberam que o choro, as filas e toda a inquietação em que vivemos é tudo por falta da dinheirama canalizada para os alforjes dos ricos. Estas pessoas se juntaram para devassar contas secretas nos infernos fiscais onde se encontram os alforjes dos ricos com o dinheiro do pobre. Quem quiser saber sobre o fuxico do escândalo das montanhas de alforjes que aquelas pessoas já esmiuçaram, basta pedir ao amigão Google: International Consortium of Investigative Journalism. Lá diz que os meios de comunicação estão mais interessados em esconder o conluio dos ladrões do que zelar pelo interesse público, o que não é novidade. Como disse a economista de verdade, os donos da mídia também tem lá os seus alforjes. E também diz que o Brasil não se interessa pelo assunto, o que também não é novidade porque Maluf é um dos ladrões, mas é assim ó com os home e cum a muié.

Tirando fora as bombas que os países chamados civilizados jogam em cima de quem tem petróleo, e as que explodem no corpo de jovens que se pipocam na esperança de conseguir com isso fazer orgia no céu, sem lhes ocorrer de que apenas o povo brasileiro é capaz de proporcionar orgias no céu para Lula e Rose, afora estes pipocos, nos vários lugares do mundo onde pipoca uma bomba, é sinal de que alguma mentira está sendo contestada. Nós, entretanto, continuamos procedendo como o povo mais ridículo do mundo e capaz até de contrariar o preceito estabelecido no Eclesiastes, Três; Quatro, de haver tempo de prantear e tempo de dançar. Por aqui nóis pranteia e devorteia na merma da hora. Inté.

sábado, 20 de abril de 2013

ETERNOS BOBOS (III)


                        À medida que se faz repetidamente alguma coisa, maneiras mais eficientes de fazer esta coisa vão aflorando espontaneamente e substituindo os procedimentos anteriores que se tornam peça de museu. É um processo natural que acompanha a mania de mudança da natureza. Do acúmulo das experiências adquiridas resulta o aprendizado que faz o aprendiz virar mestre, donde se deduz que o aprendizado aumenta a eficiência pela introdução de deduções que o cérebro produz e das quais se beneficia o ser humano como prova a introdução de novos procedimentos na ciência que estuda os dentes. Hoje sujeito senta numa cadeira que depois vira cama, se borrando de medo, mas não sente dor alguma se comparado com a mesma situação há cem anos, como deveria ser?

Uma vez que o comportamento é o resultado do aprendizado, a humanidade aprende ao contrário porque do seu aprendizado resulta malefícios em vez de benefícios, chegando ao absurdo de ter degradado tanto sua qualidade de vida a ponto de ser ela na modernidade inferior àquela vivida Há cem anos. Ao contrário de se aprender bom caratismo e sociabilidade, os seres humanos aprendem idiotices e se tornam mestres em canalhice. Lá vai uma pá de tempo do tempo que já devia ter surgido uma juventude de homens e mulheres que merecessem ser chamados de homens e mulheres e que ensinassem sabedoria a seus filhos. Não há maior demonstração de amor pelos filhos do que tirá-los do aprendizado de idiotices do qual resulta apenas três situações em torno das quais orbita a humanidade: extrema riqueza e seu oposto extrema pobreza, ajuntando-se a estas duas situações inexplicáveis uma terceira situação também inexplicável em que se encontra a maioria dos seres humanos pressionados entre a necessidade de trabalhar para fazer a riqueza dos extremamente ricos e para sustentar os extremamente pobres através das mil cestas básicas, indenizações a pessoas enlutadas por deficiência da administração pública, etc.

Já chega de tanta burrice, sô! Tá na hora de pensar no que se ouve e no que se faz. Embora muito longe ainda esteja, dia haverá de haver em que as pessoas nos encararão com desprezo pelo fato de admitir nossa sociedade que seres humanos com espírito de monstro posam para fotos anunciando possuir imensa riqueza enquanto crianças morrem por imensa pobreza. Certamente compreenderão os do futuro aquilo que os eternos bobos não compreendem: a única causa de toda a infelicidade que grassa mundo afora é a IGNORÂNCIA produzida através de um sistema educacional que ensina deseducação porque alguém preparado apenas para ganhar dinheiro, como é o resultado do que se aprende no sistema educacional do mundo, não pode ser uma pessoa educada no sentido de sociabilidade. Enquanto não houver a compreensão da necessidade de estima entre os seres humanos a humanidade andará às avessas, desagregando-se até o caos em consequência da atitude burra de permanecer na situação tão infeliz em que se encontra com seus jovens se autodestruindo.

Se o homem não recusa as inovações introduzidas na atividade de ganhar dinheiro, a tal de tecnologia, recusam todas as inovações no campo espiritual. A falta de preocupação com esse tema leva pessoas nobres de conhecimento e sentimento a não ter certeza da inexistência de inteligência na natureza. Aqueles que realmente se empenham em estudar o assunto afirmam isso. Então, por que duvidar deles, se não duvidamos quando médico nos diz que estamos doentes, ou quando o advogado nos diz que é ilegal tal procedimento, ou, ainda, quando o professor nos transmite seus conhecimentos? Só o desinteresse pelo tema pode levar à incerteza de que temos para o universo a mesma importância e o mesmo destino que as baratas. Quando se dispõe a pensar sobre o assunto de religiosidade logo se percebe tratar-se de coisas inteiramente irreais. Nada melhor para esclarecimento do assunto do que um livrinho de leitura agradável chamado Carta a Uma Nação Cristã, do jovem filósofo americano Sam Harris. Em Eclesiastes, por exemplo, Deus teria estabelecido tempo para se odiar e tempo para lutar. Ora, o inferno de vida em que se encontra mergulhada a humanidade tem por causa exatamente o ódio e as lutas. Só o apreço e um sentimento nobre de cooperativismo entre os seres humanos poderão proporcionar uma vida de qualidade. Pode-se afirmar categoricamente que a religião é um engodo monumental. O Arnaldo Jabor foi muito feliz ao se referir aos templos religiosos como os supermercados da fé.

Inteiramente explicável a religiosidade apenas nos eternos enganados pela luzinha mágica da televisão que os leva a se espremerem em aviões e navios, onde adquirem doenças e não raro perdem a vida. A força da tradição impede que as pessoas pensem seus próprios pensamentos. É por falta deles que a humanidade vaga como zumbi. Rara é uma pessoa que não se oponha a ser levado por uma multidão de enganados, barulhentos, de menor conhecimento e experiência, e que nem mesmo sabem para onde vão e nem o que lá encontrarão. Tudo é incoerência. Os filhos, encarados do ponto de vista tradicional necessários à realização do casal, precisam ser encarados atualmente como também os causadores da extinção da vida no planeta que irá sucumbir ante a exigência de tanta coisa para tanta gente, o que o levará à exaustão. O petróleo, base da economia da humanidade está se esgotando. Basta pedir ao amigo Google “reserva de petróleo” para se ver não haver motivo para tantas festas e muito menos gastar uma fábula de energia para iluminar terreiros de axé e futebola onde os eternos bobos se estraçalham numa falsa e perigosa felicidade de bicho.

Reúnem-se multidões nos templos inúteis onde não se pensa na qualidade da água que bebe e qual será a qualidade da água que seus filhos e netos irão beber. Estão certos os eternos enganados de que Deus não deixará acontecer nada do que a ciência está prevendo. Se sempre houve água, sempre haverá de haver, acreditam. Tal crença ainda persiste em função da indisposição para pensar. Uma observação superficial é bastante para se perceber como está fraca a força da religião se comparada com o tempo dos fabricantes de cinzas, como bem define o tempo da inquisição o doutor Evandro Gomes Brito em seu maravilhoso livro O PAPA ALEXANDRE VI E SUAS DUAS AMANTES.

No seu andar de costas, a humanidade está levando jovens de sociedades tidas como das mais civilizadas à prática medieval que consiste na luta entre dois idiotas de mentalidade inferior à dos cavalos que montam. A estupidez consiste em derrubar da montaria o oponente com uma estucada violenta da ponta de uma vara que cada um dos cavaleiros aponta para a cabeça do outro e cujo impacto causa grandes danos porque atinge a pessoa com o peso corresponde à resultante da soma das velocidades que cada um dos cavalos desenvolve.

É nessa triste condição de marcha-ré a que se reduz a espiritualidade humana, causando profunda tristeza naqueles a quem a experiência faz enxergar um pouco mais à frente. É torturante a impossibilidade de jogar uma corda mental para puxar a humanidade de dentro das águas turbulentas e imundas da brutal ignorância em que se encontra. As pessoas portadoras do sentimento de solidariedade, aquelas pouquíssimas que superaram um pouco a animalidade, não conseguem suportar a estupidez das bestas humanas indiferentes ao sofrimento de uma menininha que ficou oito dias com uma bala no seu corpinho até morrer à míngua, como inseto, mesmo estando num hospital. Só os bichos são indiferentes ao sofrimento de outro bicho. É uma verdadeira tortura para quem tem sentimento, caráter, e alguma inteligência ter de viver no mesmo ambiente em que vivem seres muito mais semelhantes a hienas do que a seres humanos. Para quem usa a faculdade de pensar, o comportamento da multidão é o mesmo comportamento de vacas, bois, bezerros e bezerras. A atividade das bestas humanas se resume em trabalhar para sustentar os ricos, da mesma forma que outros animais também condenados ao destino de produzir proteínas e terem seu corpo destruído para que as pessoas se apossem delas. Excluída a obrigação de trabalhar, as outras atividades dos pobres seres humanos se resumem em brincar, comer e encher latrinas. Não ocorre a ninguém, ao que parece, nenhuma estranheza quando a imprensa anuncia que em determinado ano houve mais assassinatos do que o normal. É o estado de degradação social a que chegamos a ponto de haver número normal para assassinatos. Havendo permissão para determinado número de assassinatos, e sabendo-se que as bestas humanas ainda se comprazem com o prazer de matar, não se justifica tanta festa porquanto algum festeiro pode ser um portador da permissão para ser morto. Mas, como esta prosa já está uma prosa, inté outra prosa.

 

sábado, 13 de abril de 2013

ETERNOS BOBOS (II)


Daqui a um quaquilhão de anos luz ainda não haverá alguém capaz de acreditar na barbaridade dos tempos atuais. Diariamente nos chegam ao conhecimento fatos que desnudam a ferocidade de monstro que ainda habita o ser humano. O caso que vou narrar ninguém me disse ter acontecido, está no cotidiano desta vida de bichos indiferentes ao sofrimento dos semelhantes. Cenas pavorosas de degradação humana passam ao largo das preocupações dos frequentadores de igrejas, terreiros de axé e de futebola.

O caso a que nos referimos envolve uma família constituída de um casal de bilionários e dois filhos rapazes e herdeiros de todo um grande império de riqueza dos seus pais. Como é comum entre todos os irmãos bilionários do mundo, também as conversas destes dois irmãos giravam sempre em torno de novas emoções que lhes custavam cada vez maior quantidade de dinheiro à medida que necessitavam de emoções mais fortes para manter o alto grau de novas sensações de prazer e extravagância.  Certa vez, a emoção forte escolhida pelos dois para aquele dia foi uma corrida disputada em suas motos milionárias. Quando estavam quase a voar, a moto do irmão que ia à frente teve a roda dianteira danificada por uma pedra e perdeu o controle. Foi de encontro à murada da ponte e atirou o bilionário lá muito abaixo dentro da água revolta. Embora o irmão que vinha atrás tivesse visto tudo, inclusive o obstáculo que causou o acidente, foi tomado de súbito pela idéia de que se o irmão desaparecesse ele teria muito mais dinheiro para novas emoções. Como é normal para a cultura de bestas em que se tornou o ser humano, alegou que vinha na frente e que nem tinha percebido a falta do irmão porquanto o ronco ensurdecedor do possante motor de sua moto não lhe permitia saber que o irmão acidentado não o acompanhava.

O baixíssimo nível de espiritualidade que orienta o comportamento desse irmão desnaturado é o mesmo que orienta uma sociedade tão desnaturada quanto esta monstruosidade em que chafurdam os ignorantes e tão depravados seres humanos que negociam xoxotas na imprensa e garantem que a prostituição não é tolerada pela moral e os bons costumes. Porém, como se falar em moral e bons costumes em lares que convivem com cenas de prostituição mais depravadas do que as do meretrício, com a agravante de participarem delas todos os membros da família?

A absolutíssima maioria dos seres humanos teve anulada sua capacidade de raciocinar em consequeência da ação enganadora dos falsos líderes através dos meios de comunicação. Além da parceria diabólica com a religião, os falsos líderes da política também fizeram parceria maligna com os meios de comunicação e formaram uma trindade maldita na divisão do trabalho de enganar. Não faz tempo uma emissora de televisão dizia aos enganados que o ateu é capaz de cometer crimes bárbaros, procedimento que visa fazer com que os enganados nunca cogitem de ser ateu para não cometer crimes bárbaros nem deixar de levar o dízimo que faz a riqueza dos pastores como mostra a matéria “riqueza dos pastores” publicada pela Revista Forbes. É para esse supermercado da fé (como disse o Arnaldo Jabor) que vão os suados tostões do aposentado tão enganado que ouve o pastor dizer que Lennon morreu porque Deus o matou por tê-Lo afrontado. Não ocorre a quem ouve tamanha enganação nem um lapso de pensamento sobre a inconseqüência de tal afirmação. Quem matou o Lennon foi um cara com revolver que atirou nele. Se Deus é o mandante, Ele deixou Seu pistoleiro divino à própria sorte, na cadeia.  Também disse o mesmo gigolô da fé que os Mamonas Assassinas morreram porque Deus guiou o avião para bater na montanha e há entre os enganados quem veja sentido nisso. Se o Deus que os enganados pensam existir é bom como eles dizem, Ele não mataria ninguém. Além disso, por que mataria Deus também o pobre do piloto? Como todo enganado, certamente também ele era temente a Deus, mas deixou sua família desfalcada do companheiro.

O poder enganador dos meios de comunicação (principalmente da luz inebriante da televisão) sobre os enganados os mantém na corda curta, sujegados ali, ó, na obrigação de não desviarem a atenção das brincadeiras nem dos lugares de fazer compras. Seus agentes são chamados Formadores de Opinião, mas são na realidade Deformadores de Opiniões. Geralmente são senhores rechonchudos cujo trabalho consiste em fomentar a eterna bestagem que faz os enganados dançar logo depois de chorar. Os deformadores de opiniões não são bobos como os enganados. Há neles inteiro conhecimento da situação porquanto ao tratar de assunto onde não haja lugar para o trabalho de enganação percebe-se neles lucidez e conhecimento, faltando-lhes, entretanto, a percepção do mal coletivo resultante do trabalho de imbecilizar os enganados porque é nesse ambiente de imbecis cada vez pior por eles fomentado onde viverão seus descendentes. O plim plim dos enganadores tem o mesmo efeito do pêndulo que o mágico balança diante dos olhos de alguém e que impede esse alguém de olhar em outra direção senão o movimento do plim plim, isto é, do pêndulo. Lá no país que joga bomba na cabeça de quem tem petróleo, um enganado morreu pisoteado por uma manada de outros enganados quando abriu a porta da loja e eles avançaram para obedecer ao “ir às compras” imposto pelo “plim plim” que até criou datas nas quais se é obrigado a dar presente às crianças, outra para as mães e os pais, outra para a namorada, e muitas outras mais. A passagem de cada uma das datas do “ir às compras” faz com que as lojas pareçam formigueiros e façam estardalhaço para atrair o maior número de enganados com o barulho de auto falantes, numa demonstração de grosseria espiritual.

Embora a enganação imposta pelos falsos líderes possa ser percebida de vários modos, um exemplo magnífico desta trama é a Venezuela. Os deformadores de opinião pintam o presidente Chávez como um bandido. Entretanto, o jornal Le Monde Diplomatique Brasil deste mês de abril traz matéria do jornalista Steve Rendall com o título PARA AS MÍDIAS, UM HOMEM A ELIMINAR, sendo o título revelador do ódio nutrido pelas mídias conta o presidente venezuelano a ponto de querer eliminá-lo é o efeito do trabalho de enganar. O motivo pelo qual os falsos ídolos pagam ao plim plim para pintar o Chávez de demônio perante os enganados é porque aquele líder natural teria cometido o mesmo crime de Jesus Cristo ao ombrear com os humildes. Revela a matéria jornalística que o crime do Chávez foi aplicar o dinheiro do petróleo em educação, saúde e programas alimentares, em vez de dividi-lo como é de costume com os capitalistas, classe que substituiu os nobres na mudança de regime ocorrida no final do século XVIII com a Revolução Francesa.

Toda vez que os enganadores se sentem seguros bastante para descuidar dos cuidados com a enganação, a descoberta da situação de enganados tem levado estes a subverter a situação por meios violentos. Nada era mais sólido que o poder da igreja antes da Revolução Francesa. No entanto, segundo a História, cerca de dois mil a três mil padres e freiras foram assassinados durante o período revolucionário. Entretanto, nenhum movimento visou acabar com a enganação. Os que eram enganados passam a ser enganadores e continua a eterna servidão dos eternos enganados com seus enganadores tão seguros de si como sempre estiveram. Até quando? Inté.

 

  

 

 

domingo, 7 de abril de 2013

POLÍTICA E RELIGIÃO


                         Desde que se tem notícia da existência de agrupamento humano, também se tem notícia da necessidade que tem cada ser humano de se aconselhar com outro ser humano nas suas dúvidas. Quanto mais esperta for a pessoa, maior curiosidade e mais dúvidas, o que ocasiona mais perguntas e a necessidade de alguém que as esclareça. Em todo agrupamento humano sempre surge alguém que inspira confiança aos demais, embora não seja comum esse tipo de gente. Ao contrário, é um tipo raro chamado de líder carismático. É alguém em quem não se tem dúvida de merecer confiança, alguém de quem ninguém duvida da integridade e companheirismo. A este líder natural as demais pessoas passam a confidenciar suas dúvidas, problemas ou angústias porque o homem não tem natureza para viver isolado. Quem pensa ser “o próprio” é por não ter aprendido nada na vida. Limitou-se a ocupar o tempo em que permaneceu por aqui apenas para encher latrinas. Esta ignorância faz com que um ser humano tenha como único interesse por outro ser humano apenas a intenção de lhe explorar a força-trabalho. Não sabem estes brutamontes que teriam muito mais a ganhar se explorassem o lado espiritual das pessoas, fazendo por merecer a amizade delas e retribuindo com a sua.

 Como resultado da sua sinceridade, companheirismo e, sobretudo, disposição desinteressada para ajudar alguém em dificuldade, veio o líder natural a angariar a simpatia de todos e resultou que viesse a assumir a função de chefe do grupo, e dedicando real interesse no destino dos liderados. Quando as dúvidas não versavam sobre coisas materiais, começou a surgir outro tipo de líder também verdadeiro na pessoa de quem trouxe consigo a propensão para pensar sobre o porquê das coisas e das pessoas. O fato de observar a vida com maior intensidade, terminou por tornar mais aptos estes observadores para conversar e orientar sobre assuntos que não faziam parte do dia a dia como as guerras. Assim, passou a haver em cada grupo dois líderes, um cuidava da administração dos assuntos materiais e o outro cuidava dos problemas de angústia, ou aquilo que veio a ser denominado de espiritual.

Como o homem nunca alcançou nível espiritual que superasse os instintos, tendo, inclusive, a necessidade de freio como cavalo, como eles mesmos alegam, a supremacia do instinto sobre a espiritualidade deu origem às irmãs siamesas usura e ganância. Como fêmea já acasala com fêmea, do acasalamento daquelas duas cobras nasceu uma necessidade de riqueza tão brutal que levou as pessoas de maior agilidade mental a considerar inferiores os mais lentos e deles tirar toda vantagem possível a fim de construir suas riquezas. Um dos meios utilizados para enriquecer foi usar a capacidade de enganar e se fazer passar por líder a fim de ganhar o poder que o apoio dos liderados garante para usar em benefício próprio.  

Criou-se, então, uma categoria de falsos líderes que exterminaram os líderes verdadeiros e passaram a contar com técnicas que orientam como vestir, impostar a voz, assumir determinadas posições corporais, enfim, tornar o mal intencionado num perito na arte de enganar. Foram tão bem preparados que atualmente estenderam seu poder sobre a humanidade e a submeteram a uma sofisticada servidão tão servil que os seres humanos se privam dos elementos essenciais à sua sobrevivência, mas nunca deixam que nada falte aos falsos líderes.

A fome de poder dos ignorantes levou os falsos líderes a perseguir e exterminar o líder natural e fizeram uma divisão no trabalho de enganar. Os falsos líderes dos assuntos espirituais iriam viver às custas dos enganados prometendo-lhes proteção divina e os falsos líderes para assuntos materiais viveria de prometer saúde, segurança, educação e moradia, o que não deixa de ser um contrassenso porquanto a proteção divina deveria proteger contra todos os tipos de necessidade. Entretanto, como se trata de enganados, fizeram crer que o Estado era uma coisa e que a Religião era outra coisa. Entretanto, a separação foi de mentirinha. O que houve foi um acordo sobre a forma de viver sem ter de subir em andaimes, entrar nas minas de carvão, ou ser arrastado pela enxurrada. Combinaram então que uma parte do que arrancassem do povo ficaria sendo chamada de imposto e pertenceria ao líder da administração política e outra parte seria chamada de dízimo, laudêmio, e outras formas de tungar, e seria da religião e entregue aos representantes de Deus. O poder dos falsos líderes da religião só não é maior do que o poder dos falsos líderes da política porque estes contam com forças armadas. Entretanto, o poder daqueles é incalculável porque sua liderança é exercida sobre toda a humanidade, sem limite de território como ocorre com os falsos líderes da política.

Entretanto, a união indissolúvel entre religião e política nunca deixou de existir. Seria impossível a estas duas entidades viverem isoladamente porque todas duas ajudam-se mutuamente na tarefa maligna de extorquir os enganados que até são chamados de ovelhas. O poder de força do poder político garante a segurança da riqueza que os falsos líderes da religião tomam dos enganados e os falsos líderes da religião ajudam os da política fazendo crer aos enganados que não adianta nada querer saber o que eles estão fazendo com o dinheiro. Uma menininha ficou à míngua num hospital e morreu unicamente por falta do dinheiro que os falsos líderes da política levam para casa. Entretanto, os familiares da menininha morta são incapazes de imaginar que ela morreu porque o dinheiro de salvá-la está sendo roubado e desperdiçado. Os falsos líderes da religião convenceram que o que acontece a cada um é decorrência de não ter escolhido a entrada correta lá na encruzilhada do caminho do livre arbítrio. Assim, todos se conformam. Percebe-se a existência de uma força tremenda para levar as pessoas à tamanha cegueira. Como poderia uma menininha de oito anos ter discernimento para conhecer as maldades do mundo a fim de evitá-las? Seu destino até então estava ligado ao de seus pais e se eles não obedeceram aos preceitos divinos de observar a orientação que a seta indicava lá na encruzilhada do caminho do livre arbítrio, a menininha nunca poderia sofrer as consequências.

Os enganados não podem perceber o engodo, mas fatos demonstrativos desta parceria estão aí à vista. Muitos viram a cena ridícula de Lula e Edir Macedo de mãos sobrepostas inaugurando a TV que ajuda os enganadores da política a manter os enganados ligados no céu e não em Brasília. Agora mesmo vimos os falsos líderes da política de várias partes do mundo confabulando com o chefe dos falsos líderes da religião recém nomeado, havendo um criminoso sexual contra crianças entre aqueles que o nomearam, estando condenado em seu país, os Estados Unidos, por tão divino crime. É entre estas duas feras que o povo está espremido. Inté.