domingo, 14 de agosto de 2016

ARENGA 301


A manchete no Jornal Folha de São Paulo Brasil precisa de providência contra abuso de poder” é um imenso mar aberto para o barquinho do pensamento navegar. De início, é intrigante porque sempre que se fala em abuso de poder é de referência à ação de uma autoridade sobre alguém. No entanto, ante a realidade de serem as próprias autoridades a abusarem tanto do poder que lhes é conferido para proteger a sociedade prejudicando-a em vez de protege-la, não como esperar que as autoridades tomem providências contra os abusos por elas praticadas.  Moisés Naim, logo no princípio do primeiro capítulo do livro O FIM DO PODER, define o poder comoa capacidade de conseguir que os outros façam ou deixem de fazer algo”. Dentro desta lógica incontestável, o que obrigam as autoridades o povo a fazer senão coisas contra o próprio povo? E uma vez que assim é, qual é o motivo de assim continuar sendo? Simplesmente a incapacidade de raciocinar castrada pelo religiosidade e os meios de comunicação para os quais há felicidade em destruir a natureza, ingerir veneno, conviver com a putaria que deturpa a nobreza existente na atração encantadora do macho pela fêmea e vice-versa. A impossibilidade de pensar sobre a vida imposta pela correria em busca de riqueza impede a percepção do seu lado espiritual, razão pela qual a humanidade passa pela vida sem viver, enquadrando-se perfeitamente na sentença condenatória do Grande Mestre do Saber Leonardo da Vinci, segundo a qual “quem se submete aos desmandos (como faz a humanidade ao submeter-se à escravidão moderna cujo chicote são os meios de comunicação) não passa de condutor de comida. A única marca que deixa de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias”

Em função da desnecessidade de pensar ardilosamente providenciada pelas intenções inconfessáveis tanto das autoridades religiosas e estatais a humanidade deixa-se conduzir sem se interessar para onde está sendo conduzida, razão de toda sua infelicidade porque seus condutores tem para com ele as mesmas intenções dos condutores de boiadas, o que levou o poeta Zé Ramalho a comparar o povo à boiada quando sentenciou: “Vida de gado. Povo marcado, povo feliz”.

Já decorreu bastante tempo desde os tempos dos governantes/deuses. Cabe, pois, à humanidade, concluir pela impossibilidade de esperar ser conduzida por seres humanos com seus defeitos à tranquilidade de que deveriam desfrutar em sua curta passagem pela vida, o que jamais se conseguirá a seguir a orientação enganadora de haver vantagem no individualismo necessário para a existência das grandes fortunas. O individualismo é incompatível com a tranquilidade social, razão pela qual é rejeitado até mesmo pelos irracionais. Nunca se viu uma abelha ter seu favo privado na colmeia. Viver de modo prazeroso é inteiramente possível, desde que se leve em conta a realidade de não poder viver brigando quem precisa viver junto. Inté.

 

 

 

 

 

 

 


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ARENGA 300


Definitivamente, nossa situação é mais atrapalhada do que o ambiente da Torre de Babel. Em dois artigos no Jornal do Brasil, um dos expoentes da nossa cultura jornalística, o mestre Mauro Santayana, deixa às tontas o raciocínio de quem se dispõe a pensar. Quando ele afirma ter havido conquistas nos últimos treze anos só podemos entender tratar-se de conquistas sociais. Sendo cientista social, trabalha com problemas sociais. A esta conclusão nos leva o raciocínio. Os avanços a que se refere, portanto, devem ser entendidos como algo positivo em decorrência de ação governamental, uma vez que em função da brutalidade humana não se pode dispensar a ameaça do cassetete ostentado por uma autoridade, no caso, o governo. Mas onde estaria alguma ação positiva tanto dos governos anteriores aos últimos treze anos como durante esse período no qual o jornalista vê avanços? Só se por estarmos acostumados a coisas tão ruins as menos piores nos afigurem como boas. Temos, portanto, o destino do casal inventado por Orwell no livro l984 para demonstrar a infelicidade proveniente de mau governo, quando, não obstante se encontrar num quarto quente e infestado de percevejos aquele casal se sentia a gosto porque do lado de fora a coisa ainda era pior. “Avanço” dá ideia de mudança para melhor, nós, definitivamente, estamos impedidos de avançar simplesmente por que nossa rapacidade não permite uma vez que numa sociedade de ladrões a vida se resume a roubar e ser roubado, o que elimina a possibilidade de se ter o sossego inerente a uma sociedade que passa pelo processo de avançar. No prefácio de Os Bruzundangas, Lima Barreto nos lembra que por volta de 1601, entre nossos avós culturais, os portugueses, foi atribuído ao padre jesuíta Manoel da Costa a autoria de um livro chamado A Arte De Roubar, sobre a várias modalidades de roubar e os ladrões. Mais modernamente, Laurentino Gomes nos mostra que nossos pais culturais nos transmitiram o instinto de rato. Assim, pois, a roubalheira generalizada em função da qual se encontram em calamidade a educação, saúde e segurança, elementos base para o avanço de uma sociedade, causa confusão o fato de uma pessoa como o grande jornalista Mauro Santayana ver avanço nos últimos treze anos.

Em outro artigo, o mestre o jornalismo volta a fundir o juízo de quem o lê. Condena a Operação Lava Jato afirmando que sua ação prejudica o desenvolvimento do país, citando como exemplo desse prejuízo o fato de ter a Odebrecht demitido mais de 120.000 pessoas no último ano em função da perseguição sofrida, criando, inclusive, com sua capacidade criativa, a figura de que em nome de consertar o país o que a Lava Jato faz na realidade é jogar o bebê pela janela junto com a água do banho. Mas, então, senhor jornalista, cadê a lucidez que o orientou naquele combate duro contra a corrupção demonstrada no artigo monumental de vossa senhoria chamado A Crise da Razão Política e a Maldição de Brasília? Para o senhor tenha razão é preciso que as construtoras não tenham cometido a improbidade denunciada pelo Ministério Público do mesmo modo como os advogados de Carlinhos Cachoeira afirmavam que ele nada fizera de recriminável. Disto se deduz estar errado combater os autores de corrução, o que é de dar um nó no pensamento de quem pensa.

Nesse mesmo artigo, o grande jornalista se refere à condenação do cientista brasileiro, um dos principais responsáveis pelo programa de enriquecimento de urânio, ganhador da Medalha do Pacificador. Quanto a ser injusta a condenação, não há o que estranhar por se tratar da mesma justiça que condenou o doutor Protógenes Queiroz e perseguiu o doutor Fausto de Sanctis. Contudo, causa estranheza o fato de ser merecedor do título de pacificador quem contribui para a fabricação das armas nucleares que a qualquer momento destruirão o mundo e as criancinhas que pais imbecis fabricam despreocupadamente, porque essa história de energia nuclear para fins pacíficos é história para boi dormir. Ou já tô caducando? Inté.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ARENGA 299


Se combater a corrupção é necessário, ainda mais necessário é combater a causa da corrupção sob pena de se ver a sociedade humana destroçada em consequência da brutalidade da qual resulta a situação perigosamente inusitada de um por cento dos seres humanos terem se apropriados de noventa e nove por cento da riqueza do mundo, situação sobre a qual cabe a todos indistintamente refletir, sob pena de recaírem aflições sem fim sobre as futuras gerações. Nada justifica os festejamentos e tantas alegrias ante as possibilidades já quase reais de serem os risos transformados em lágrimas. É loucura total a sanha da corrupção que suga os recursos públicos no mundo inteiro com ênfase para as repúblicas de banana. Faz-se extremamente necessário inverter esta situação insustentável. Para tanto não precisa mais violência do que a brutalidade da violência existente na corrupção. Basta perseguir até alcançar um sistema educacional voltado para as crianças ensinando-lhes exatamente o contrário do que lhes é ensinado uma vez que o adulto resultante de uma criança que aprende não ser preciso meditar sobre o que lhe é ensinado será um adulto exatamente como são os adultos de hoje, em consequência do aprendizado que lhes foi ministrado quando crianças. O que aprendem as crianças desde sempre? Aprendem que seu bem-estar não depende de si mesmas, mas de Deus; que o objetivo maior na vida é ficar rico; que há diversão nas distorções de caráter promovidas pela televisão, cujos danos podem ser observados no vício de futucar telefone e admirar “famosos” e “celebridades”. E o quê deveria ser ensinado às crianças? Sociabilidade, necessidade de respeito mútuo, irmandade, diferença entre cooperativismo e individualismo. Do aprendizado a que são submetidas as crianças resulta que elas acreditam na necessidade de serem superiores e, portanto, com o dever de cuidar unicamente de seus próprios interesses, com o que restringe a convivência social aos clubes e às festas. Entretanto, ter consciência e aprimorar a interdependência dos seres humanos, aprender a verdade de ser impossível o bem-estar individual numa sociedade turbulenta, atormentada pelo medo, disto resultará benefício infinitamente maior do que fazer orações. Esta realidade precisa ser escrita em todos os muros do mundo (com permissão do mestre Nietzsche pela ideia).

Quando os meios de comunicação alardeiam como meritória ação pela qual pessoas passaram da extrema pobreza para extrema riqueza, estão na verdade prestando grande desserviço à coletividade em benefício da cultura antissocial da necessidade de acumular a riqueza destinada a conferir poder a seu possuidor, resquício da mentalidade bárbara dos tempos dos grandes imperadores muitos dos quais nem os ossos existem mais. Desse modo, fazem-se necessários olhos para ver que o convencimento a orientar a humanidade é um convencimento falso do qual resultará infelicidades do arco da velha. Só falta deixar a bobagem de lado e passar a pensar sobre o que se ouve e o que se vê em vez de simplesmente se ater ao que se aprendeu quando criança. Inté.

 







quarta-feira, 10 de agosto de 2016

ARENGA 298


O amigo e escritor Edmilson Movér me passa uma dessas mensagens que correm mundo pela parte boa da internete. Trata-se da conversa entre um homem atarefado no computador enquanto aguarda a comida num restaurante e um desses garotinhos que em função da brutalidade humana se encontram abandonados pela sociedade e levados pelo azar a enfrentar sozinhos as tormentas da vida. Mesmo ocupado, sendo espécime de gente como meu amigo Movér, o homem deu atenção ao garotinho e este lhe perguntou o que é virtual, ao que o homem respondeu tratar de uma espécie de mundo onde podemos dar vasão à imaginação, inclusive fazer o mundo ser como gostaríamos que ele fosse, o menino, então, disse que ele vivia num mundo assim porque vivia imaginando ter uma família, comida e estudo para ser doutor. Por ser também espécime de gente é que meu amigo escritor lamentava a insensibilidade humana, no que tem absolutíssima razão porque povo é sinônimo de brutalidade, insensatez, burrice, ignorância, animalidade, religiosidade, irracionalidade, enfim, tudo de ruim tem esse agrupamento de biltres denominado povo. Muita razão tinham os Grandes Mestres do Saber quando afirmaram ser uma verdadeira doença a presença do povo, o que pode ser sentido a todo instante. Chegando de viagem com fome, por volta de uma da tarde, a fim de evitar a espera normal nos restaurantes, resolvemos almoçar a comida já pronta do Shopingue Conquista Sul, por onde passávamos no momento. Só mesmo a necessidade de ter alimento no estômago foi capaz de nos fazer suportar o barulho infernal do amontoado de bichos na sala de refeições. Era um frenesi infernal que nem de longe lembrava um lugar onde fazer refeição para quem superou a fase mastodôntica e reles de povo. Era tamanha a algazarra que lembrava os porcos quando lhes era despejada a lavagem nos cochos lá da fazenda de meu pai na minha juventude. E não há que dizer tratar-se de Vitória da Conquista porque em Brasília, não estando esfomeados como desta vez, Sara e eu tivemos de sair do hotel de boa qualidade onde estávamos hospedados em busca de outro restaurante por causa do barulho ensurdecedor, risos e berros estrondosos, tilintar infernal de talheres e pratos num dia em que se comemorava alguma coisa pelos animais em forma de gente daquela cidade onde a corrupção encontra campo livre, inclusive com ajuda da mais alta corte de justiça.

Os brutos seres humanos vivem sem se dar conta da necessidade de se lembrar que também outras pessoas partilham do mesmo ambiente. Estacionam os carros de modo tão atabalhoado que no lugar onde estacionam dez caberiam mais dois ou três. Povo, em sua brutalidade, tem capacidade de suportar barulho muitas vezes superior aos cães. Eles não suportam o pipocar das bombas. Diante disso, fica fácil entender o motivo pelo qual esse é o país mais desgraçado do mundo. A causa é nada mais do que ter a juventude mais estúpida do mundo, embora outros jovens de outros mundos não se mostrem menos estúpidos ao remar no meio de bosta e cadáveres em decomposição lá no Rio de Janeiro. Esta notícia dá mostra da qualidade do nosso povo: Para Ronaldo Fenômeno, a solução é cuspir nos adversários”. Está aí na imprensa esta manchete provando a repulsa do amigo Movér à falta de sensibilidade do povo, o que, aliás, não é de se estranhar uma vez tratando-se de povo para quem Ronaldo do cuspe é fenômeno por ter comportamento equivalente ao dos animais peçonhentos que lançam cusparadas contra suas presas.

Este é um país tão desgraçado que uma pesquisa sobre o que é melhor para o Brasil apresenta as seguintes sugestões: 1 – Que o presidente interino convoque novas eleições. 2 – Que o presidente fique no cargo até o fim do mandato. 3 – Que a presidente Dilma volte e complete o mandato até 20l8. Alguém do lado de fora da classe de povo na qual se incluem politiqueiros e analfabetos políticos pode vislumbrar algo de melhor em alguma destas opções? Senão vejamos: Caso a manada opte pela primeira sugestão e que ela fosse acatada, nada mudaria porque a chave do cofre iria parar nas mãos de outro pau-mandado das empreiteiras. Se a segunda opção, absolutamente nada mudaria porque este governo, como mostra esta notícia: “Farra fiscal olímpica: McDonald’s, Bradesco e Globo não pagarão impostos, apesar de lucrarem bilhões”, também governará em benefício dos avarentos e nefastos ricos donos do mundo, patrões de todos os governos, dispensando para o povo o tratamento do governo do Rrio Grande do Sul que precisou ser obrigado pelo que ainda resta de bom na justiça para pagar o salário de um funcionário aposentado de cem anos com câncer de próstata. Assim agem os governos quando se trata de povo, e com presentes bilionários em isenções para os ricos. Quanto à terceira opção, apesar de haver um monte de gente gritando pela volta de D. Dilma, teríamos nada mais nada menos do que a continuação do esfacelamento do erário através de muitos episódios como a Refinaria de Pasadena. O fato de haver quem queira Lula e Dilma se explica por estar o brasileiro tão acostumado ao sofrimento quanto aquele infeliz casal mencionado por Jorge Orwell no livro 1984 que se sentia na maior felicidade num quarto de calor insuportável e infestado de percevejos.

O julgamento resultante da pesquisa citada equipara-se ao que o deus Osíris submetia o egípcio morto para entrar no seu reino de boa-venturança colocando de um lado da balança uma pena (que representava a verdade) e do outro lado o coração do morto (que representava a consciência). Desse julgamento, como uma pena tem necessariamente de pesar menos do que um coração, o morto seria remetido inevitavelmente para um lugar escuro de muito sofrimento, do mesmo jeito em que se encontram os brasileiros na escuridão da ignorância e na infelicidade de um futuro ainda mais infeliz. Inté.

 

    

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ARENGA 297


A vida é vivida de um modo tão esquisito que a realidade precisa ser escondida a qualquer custo. Mesmo as pessoas sabidamente capazes de entender seus meandros precisam dizer coisas inverossímeis para si mesmas. O Mestre do Saber Mauro Santayana acaba de nos dar um exemplo desta irrealidade (ou realidade). Em mais uma de suas magistrais observações sobre a sociedade humana, no artigo intitulado O papa e o estrume do diabo, aquele escritor, como sempre faz, decorre de modo soberano sobre a real causa da infelicidade humana: A INSENSIBILIDADE SOCIAL. O que levou o grande jornalista à sua bem-vinda manifestação foi o fato de ter sido o Papa Francisco, homem de espiritualidade e senso comunitário dignos de louvor, criticado por biltres sociais por ter condenado aquilo que é realmente condenável por ser a causa do infortúnio do mundo, O APEGO AO DINHEIRO. Como não podia deixar de ser, em função de sua sensibilidade social por todos conhecida, o magnífico jornalista, do alto de sua capacidade jornalística, censura aqueles que censuram o Papa. Entretanto, ao se referir à vida, o jornalista a menciona como “PRESENTE MAIOR QUE RECEBEMOS DE DEUS”. Ora, de um homem do nível intelectual daquele nobre jornalista e escritor não se pode esperar que desconheça as afirmações de filósofos, historiadores e cientistas sobre a inexistência de Deus. A simples observação da vida leva à conclusão desta realidade. A leitura da história das religiões mostra que Deus é uma criação humana que, como todas as instituições humanas, também sofreu alterações ao longo do tempo. Os obtusos, a estes é simplesmente impossível admitir a realidade. Platão mostrou isto bem mostrado com O MITO DA CAVERNA. Mas, e os conhecedores da realidade como Mauro Santayana, Frei Beto e o Papa? Por que estes homens de grande saber não podem dizer o que sabem? Por que não podem eles acabar de vez com a causa de toda a infelicidade humana proveniente da parceria diabólica entre a política e a religião demonstrada na matéria do Jornal Folha de São Paulo de 08/08/2016 dando conta de que a isenção fiscal para templos religiosos de São Paulo atinge R$ 110 milhões? A matéria jornalística faz referência a clérigos fascistas, o que elimina a ideia que se tem de um Deus bom porque sendo bom não permitiria representantes fascistas, estupradores, salafrários que pedem os carros de seus seguidores. Se até um Zemané tomou conhecimento da realidade da vida através dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber, por que será que outros Mestres do Saber fingem desconhecê-la? A simples constatação de serem os de menor conhecimento os mais fervorosos religiosos é o bastante para se concluir que a religiosidade nada mais é do que um grande engodo porque os menos capazes mentalmente são mais fáceis de serem enganados. Uma iletrada serviçal me disse que o dinheiro entregue ao pastor é para pagar um lugarzinho no céu. A religiosidade e a existência de Deus como doador da vida é própria dos biltres criticados pelo grande Mauro Santayana, mas nunca para ele próprio. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 6 de agosto de 2016

ARENGA 296


As doenças que nos afligem têm tantas causas que ainda se dispusessem os profissionais da saúde a abrir mão de algum dinheiro para dedicar tempo a buscá-las, jamais conseguiriam determinar a causa que provocou a doença daquele doente em virtude da gama infinita de causas a produzir doenças uma vez ser permitido pela lei haver nos alimentos determinada quantidade de bosta, veneno e pelos de rato, situação explicável apenas pela atual forma socialmente criminosa de administração pública patrocinada pelos donos das fábricas para as quais o importante é a rapidez com que suas chaminés bufam a fumaça resultante da fazeção de coisas (inclusive alimentos) a serem vendidas a fim de que seus donos, os ricos donos do mundo, a pior espécie de ser humano do ponto de vista da sociabilidade, não interrompam a remessa de riqueza para os infernos fiscais. Sabendo-se que enquanto permanecer a causa permanecerá o efeito, para que a humanidade supere os problemas que a infelicitam seria necessário antes determinar o que produz esses problemas. E isso é mais fácil do que determinar a origem de determinada doença que infelicita determinado doente, porquanto existe uma só causa para todos os problemas que infelicitam a humanidade. A quase totalidade dos seres humanos não sabem disso porque, na verdade, só sabem sobre “celebridades” e “famosos”. Que sabedoria pode ser encontrada neste tipo de pessoas? Certamente nenhuma. Entretanto, são as pessoas mais valorizadas no mundo inteiro, o que se deve á ignorância das pessoas do mundo inteiro. Há muito os Grandes Mestres do Saber determinaram a causa da infelicidade humana quando afirmaram do alto de sua sabedoria o seguinte: Todos os males que infelicitam a humanidade têm uma só causa: A IGNORÂNCIA!”. Assim, uma vez substituída a ignorância pelo conhecimento estará resolvido o problema de onde surgem todos os males que nos infelicitam. Seguindo a lógica da necessidade de eliminar a causa como pressuposto de eliminar o problema, uma vez esclarecido que a ignorância é a causa dos problemas humanos, para eliminar a ignorância, pois, é preciso antes de tudo descobrir  sua causa a fim de ser ela eliminada. O historiador Edward McNall Burns, no primeiro volume de História da Civilização Ocidental, página 111, nos dá perfeito esclarecimento sobre a fonte da qual emana toda a ignorância dos seres humanos. Quando ele diz “Nenhum dos povos do antigo Oriente, com exceção, talvez, dos egípcios teve maior importância para o mundo moderno do que os hebreus. Foram eles, já se sabe, que nos deram grande parte do substrato da religião cristã, como os mandamentos, as histórias da criação e do dilúvio, o conceito de Deus como legislador e juiz, e ainda mais de dois terços da bíblia”. Ao dizer isso o historiador desnudada a causa da ignorância. Tendo sido este aí o maior legado a determinar o comportamento humano, não há como esperar um comportamento baseado na sabedoria só encontrada num raciocínio lógico uma vez que aquele legado é constituído de fantasias tão infantis que não convencem nem mesmo a uma criança esperta.

As religiões, por exemplo, por si sós se desmoralizaram de tal modo que só mesmo a ignorância mencionada pelos Grandes Mestres a justifica. Não resiste a religiosidade ao mínimo raciocínio lógico. Por que Deus nunca mais apareceu a ninguém? Por que a religião só se firmou através da política? Que dizer sobre os dez mandamentos? Eles estão a merecer o mesmo respeito e observância dispensados à Constituição Federal em sua ordenança para que todos sejam iguais perante a lei em concomitância com o Foro Privilegiado. A criação divina do universo, então, ante o avanço científico, apenas a mais elevada ignorância ainda lê por esta cartilha. E o dilúvio, quem, além do mais requintado ignorante é capaz de conceber sete pessoas numa barca recheada de animais fedorentos, cagões e bufões para os quais não faltou alimento durante cerca de um ano vagando por sobre o planeta totalmente coberto de água? Do legado de Deus como legislador e juiz, apenas o que se vê em Êxodo 21:2-36 é de uma brutalidade que justifica a brutalidade dos tempos modernos, incluindo a escravidão que ora obriga os seres humanos a sustentarem uma orgia de templos monumentais para ostentação e folguedo de parasitas seguidores da opulência do Rei Salomão com seus estábulos para quatro mil cavalos e mil mulheres para desfrutar. A influência deste legado tem inspirado governantes modernos a orgias sexuais.

Assim, a ignorância que causa os problemas que nos infelicitam tem sua origem no erro de continuar pensando do mesmo modo como pensavam os povos de cerca de dois mil anos antes de Cristo, ideias, crenças e costumes que há muito já deviam ter dado lugar a novas ideias, crenças e novos costumes. Simples como trocar de lugar no cinema quando o casal da frente impede a visão da tela. Basta a juventude se conscientizar de sua burrice e trocá-la por sabedoria para que tudo se resolva. Inté.

 

 

 

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ARENGA 295


“Um dos diretores da Fiesp deve dinheiro à União e deixou de pagar R$ 6,9 bilhões”.

“A jornalista Ana Estela de Sousa Pinto explica quanto um país chega a pagar para realizar uma Olimpíada”.

“Faustão embolsa R$ 3 milhões em propaganda de refrigerante”

“Os roubos descobertos na Petrobras já somam quantias de cifras bilionárias, e ainda estão em fase de investigação. A ex-presidente da estatal, Graça Foster, chegou a estimar um prejuízo de R$ 88 bilhões em divulgação de balanço, em 2015”.

Estas notícias mostram uma vida tão sem lógica quanto a vida dos dementes. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, em seu imponente edifício na Avenida Paulista, concentra a fina-flor dos bilionários empresários paulistas cujas fabulosas riquezas são fruto desse modo perverso de administração pública cuja perversidade a notícia reflete porque nada pode justificar a necessidade de um destes bilionários estar de posse daquela fortuna do dinheiro do povo, não querer pagar e ficar por isso mesmo. Do mesmo modo, a outra notícia. A jornalista menciona a espantosa cifra de quarenta e oito bilhões de reais gastos em brincadeiras, ao tempo em que médicos lamentam a falta de recursos que os obriga a deixarem de amenizar o sofrimento de quem sofre, delegados de polícia se veem obrigados a soltar criminosos por não terem onde nem como mantê-los presos, policiais e professores precisam entrar em greve por mísero aumento salarial. A terceira notícia, como diz o próprio Faustão é coisa de louco. Aquilo significa que o homem ganha três milhões de reais para recomendar ao povo beber uma água choca enquanto um professor não ganha isso durante toda a vida. E a quarta notícia, que dizer dela? Se a estimativa é de oitenta e oito bilhões, pode botar mais bilhões jogados fora naquela roubalheira sem fim aplaudida pelos papagaios de microfone, moleques de recado de sanguessugas sociais tipo os monstros da FIESP e que a fim de bem cumprir as ordens de seus patrões desprezam o futuro dos filhos quando arregaçam a cara num riso forçado para enfatizar as brincadeiras com as quais seus patrões conseguem anular a capacidade de raciocínio do povo tão imbecilizado a ponto de beber água choca suficiente para que o vendedor dê a Faustão três milhões para recomendar a garapa insalubre e embolsar muitos outros milhões. Para a papagaiada de microfone desprovida de vontade própria hoje é um dia histórico para o Brasil porque têm início as brincadeiras às quais a lúcida jornalista atribuiu gastos monumentais. Como burrice pouca é pouca burrice, tem mais absurdo do tipo:

“Olimpíadas do Rio já bateram recorde: 42 camisinhas para cada atleta. Serão 100 mil preservativos específicos para as mulheres. Além disso, serão 350 mil para os homens e 175 mil pacotes de lubrificante”.

“As malas de viagem chiquérrimas das famosas”.  Estas quinta e sexta notícias, não só dão conta de ter sido o Rio de Janeiro transformado num imenso bacanal, mas também que concorrendo com a politicagem, a prostituição é outra fábrica de bilionários. Sob algum pseudônimo, parasitas sociais cujo único mérito é mostrar a bunda como propaganda e alugar suas xerecas, fazem tanta riqueza quanto os ladrões do erário. Como podem as crianças crescerem mentalmente sadias vendo a prostituição proporcionar imensas fortunas enquanto as trabalhadoras honradas chegam à velhice chorando num corredor de hospital?

“Eduardo Cunha prepara dossiê sobre seus aliados para eventual delação premiada”. Esta sétima notícia mostra que um deputado prepara uma lista de crimes cometidos por outros deputados para com isso obter o apoio deles em defesa da acusação de crimes contra a sociedade por ele praticados. Mas então, a que ponto de degradação de todos os tipos foi convertida a política? É o cúmulo dos cúmulos tal situação! Como pode acontecer de um Congresso Nacional ser formados por bandidos um escondendo os crimes do outro? E enquanto tudo isto rola, a juventude patrocina alegre a orgia do Rio de Janeiro e do Congresso Nacional, ao tempo em que mil e uma conversas em torno de quem vai ser ou deixa de ser o presidente da câmara dos deputados ou quem vai ser o próximo posudo a assentar a bunda na cadeira presidencial para assegurar a continuação desta esculhambação. Faça-se uma averiguação sobre quem quer que seja ou venha a ser o presidente de qualquer instituição pública nesse país de merda que a conclusão será de que o lugar dele é na cadeia. E a juventude esperneia de alegria quando um imbecil chuta a bola ou quando outros imbecis remam canoas em águas cheias de bosta e cadáveres. O jornal diz que os competidores em atividade aquática após a palhaçada vão desinfetar seus corpos. O que estes biltres deviam desinfetar é sua espiritualidade tão apodrecida que suas mentes lhes negam a capacidade à percepção da inconveniência de se tripudiar ante a tristeza dos que sofrem por falta do dinheiro jogado fora com suas brincadeiras verdadeiramente sem graça alguma nas condições em que se encontra o mundo com jovens enlouquecidos disparando armas sobre pessoas ou cepando fora a cabeça de outros jovens num ritual tão macabro quanto a carnificina dos sacrifícios bíblicos para fazer bonito perante Deus. De tudo isto se conclui que a humanidade se recusa a evoluir espiritualmente, preferindo a condição de porcos na lama.

 Apocalipse zumbi espalha surto de superbactéria pela Sibéria”.

Esta oitava e também estarrecedora notícia dá conta de que na Sibéria uma rena morta há mais de setenta anos e conservada pelo frio, com o aquecimento global, bactérias perigosas que se encontravam no cadáver congelado foram revividas pelo calor e já mataram mais de uma centena de outras renas e passam agora a ameaçar fazer o mesmo com os humanos.

É a isto que levou o fabuloso desenvolvimento tecnológico dos biltres humanos. Ao abrir jornal, revista, ouvir rádio ou televisão, as notícias são sobre crimes, putaria, “celebridades” e “famosos”, vulgaridades e horrores. Fora destes assuntos nada mais existe para ser noticiado porque a atividade de viver foi reduzida àqueles assuntos e não há como dizer tratar-se de privilégio de latinos, povos considerados bárbaros pelos outros povos não menos bárbaros, mas que não olham para o próprio umbigo. A mesma estupidez que leva o brasileiro a disparar na São Silvestre ou na Avenida Paulista aspirando várias vezes mais veneno do que respiraria se estivesse andando normalmente é também a estupidez que leva a fina-flor da civilização europeia a brincar na Baía de Guanabara em meio a um monte de bosta e corpos em decomposição.

A evolução apenas fez o ser humano ficar de pé, perder os pelos, procurar abrigo e aprimorar os meios de matar, brutalidade esta exigida pela natureza para a sobrevivência, mas não afetou a evolução a parte mais nobre do ser humano, a espiritualidade. Os tempos modernos demonstram claramente um avanço tecnológico extraordinário. Entretanto, todo o desenvolvimento tecnológico nada mais é do que arma mortal com a mira voltada contra o próprio ser humano já em vias de se autodestruir, sendo, portanto, incompreensível que seres capazes de moldar seu modo de vida vivam uma vida do tipo desta em que se vive em meio a horrores, crimes, baixarias e uma desinteligência tão grande que o maior de todos os brasileiros em envergadura moral e hombridade que se colocou heroicamente a serviço de defender esse povo de merda, em meio a aplausos, também recebeu vaias. Que tipo de sacana é a pessoa para a qual o doutor Moro merece vaia? Bandidos é a resposta porque os bandidos não suportam a legalidade ferrenhamente defendida pelos doutores Sergio Moro, Rodrigo Janot e pequena parte da juventude sadia que os ajuda na luta heroica em defesa desse povinho desqualificado sob todos os pontos de vista, povo que desconhece o sentido das palavras honra e dignidade, cuja juventude futuca telefone e leva para casa um baita zero do Enem. Chegamos a um nível de intelectualidade tão calhorda que a mentalidades de portadores de títulos universitários não passa do “graças a Deus”, “com fé em Deus” e “se Deus quiser”. Estas expressões encontram justificativa nos semianalfabetos elevados à categoria de “celebridades” uma vez que estes mendigos espirituais desconhecem totalmente o que seja dificuldade para satisfação de suas necessidades materiais, as únicas que têm, mas inteiramente injustificáveis em quem tem de se ralar para obter o mínimo daquilo que necessita. Esta é mesmo uma sociedade de brutalidade infinita. Inté.