quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ARENGA 370


Não há dúvida alguma quanto à necessidade de se pôr a pensar. Tanto quanto recomendou Rodin através de sua escultura O PENSADOR. Num espaço de apenas quarenta minutos tive dois exemplos da necessidade de se pensar, e muito, sobre a questão da religiosidade, principalmente. Ao cumprir o vício de saber o que dizem os jornais, dei com a seguinte notícia na Folha de São Paulo: VEREADORA SE RECUSA A LER BÍBLIA EM SESSÃO E GERA POLÊMICA EM ARARAQUARA. Trata-se da bela jovem estudante de direito Thainara Faria, que estreia com brilho sua carreira política ao demonstrar compreensão de haver necessidade de novos ares que soprem prá bem longe o ar bolorento da tradição milenar enraizada na personalidade da massa ignorante incapaz de perceber não ser Deus o criador da religiosidade, mas a religiosidade a criadora de Deus. O historiador Henry Thomas afirma ser bem provável que Deus e os governantes tenham tido sua origem num pé de trigo. A explicação seria a seguinte: No lugar onde primeiro se formou o maior agrupamento de seres humanos, o Egito, a vida dependia do trigo, alimentação básica. Como se desconhecia o cultivo, as plantas para serem colhidas existiam espontaneamente ao sabor das enchentes do Rio Nilo. Da circunstância que diferencia os seres humanos tanto no físico quanto no psíquico resultou que alguns espécimes humanos tenham maior capacidade de percepção do que outros. Infelizmente, porém, esta circunstância sempre levou os de maior percepção a usar desta faculdade para tirar proveito dos demais. Foi assim que ao perceber a germinação do trigo, em vez de comunicar aos demais aquela grande descoberta, os observadores teriam se aproveitado para se fazer representante de deuses, passando a serem encaradas como pessoas “diferentes”. Para perpetuar e ampliar a vantagem desta “diferença”, inventaram um Deus para representar e um governo para chefiar. Daí afirmar o historiador que Deus e os faraós tiveram origem num pé de trigo.

Depois da auspiciosa notícia da lucidez da jovem vereadora, dois fatos confirmaram a insistência deste mal amanhado blog quanto à necessidade de se analisar o que se ouve e lê. O primeiro deles foi encontrar entre os comentários à notícia sobre o comportamento elogiável da jovem vereadora, quem a censurasse sob alegação de ser o Brasil um país cristão. Elevando o pensamento acima da mediocridade de BBB, “famosos” e “celebridades”, face o estado de miséria e choro que denuncia sofrimento, conclui-se pela necessidade de deixar o Brasil de ser cristão, razão pela qual aquela jovem merece ser elogiada e não criticada. O segundo acontecimento que também leva à conclusão da necessidade de pensar, ocorreu quando dei com dois trabalhadores cada um portando no ombro um fardo da mudança de alguém que deixa nosso prédio e ouvi um deles dizer que Deus é muito bom. Aí está a realidade percebida pela sociologia quando afirma ser maior o atraso mental de um povo de determinada comunidade quanto maior for o número de igrejas e farmácias. Depois de passada a vitalidade daquele trabalhador braçal e chegar seu aneurisma cerebral, Deus o internará no Sírio Libanês? É triste saber que este distanciamento da realidade é fomentado por aqueles a quem a natureza dotou de maior capacidade de percepção, mas que a usam tão mal que os benefícios pretendidos com esse mal uso se convertem em malefícios para todos, independentemente de serem ou não cristãos. Inté.        

 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ARENGA 369


O presidente cor de rosa dos americanos das bundas brancas e seu topete também cor de rosa vão acabar de espatifar o mundo com ações desastrosas que fazem os cepadores de cabeça ficar vermelhos de uma raiva a ser descarregada sobre os imbecis religiosos que o escolheram. Bem feito! Quem manda ser o mundo habitado por seres tão inferiores que festejam a própria escravidão? Ou não é de escravidão a vida dos seres humanos? Apenas não perceberam eles ainda a semelhança entre a existência da “obra prima de Deus” e a existência dos jericos. Podendo raciocinar, ao se recusar a fazê-lo os seres humanos se mostram ainda mais estúpidos que os jericos aos quais a natureza privou de tamanho privilégio. Na verdade, a vida dos seres humanos, como a dos jericos, também se limita a trabalhar, trepar, comer, cagar e festejar, porque também o jerico faz festa quando depois de ter o lombo esfolado no trabalho rola alegremente pelo chão ao se ver livre da cangalha. Como o jerico e o troço de bosta na enxurrada, também o destino dos seres humanos independe de si uma vez que um assombroso mas explicável embotamento mental esmaeceu a inteligência dos seres humanos. Nesse exato momento, nesse recanto de mundo onde a estupidez não é diferente da estupidez dos outros lugares porque foram os outros lugares que nos ensinarem a sermos estúpidos, a imprensa está em polvorosa sobre a escolha de um ministro para o STF. Por que o alvoroço, se quem quer que seja lá chegará já com as regras de procedimento determinadas pela cultura de louvar o único poder soberano que existe, o poder dos ricos donos do mundo, que decide inclusive sobre a vida e a morte? O povo não percebe nunca ter sido outra coisa senão um detalhe insignificante manejada por interesses contrários aos seus. A presidente do Supremo Tribunal Federal, objeto do alvoroço midiático e ridículo sobre a escolha do novo ministro, acaba de decidir que as apurações dos roubos imensuráveis do dinheiro público devem ser feitas às escondidas do povo, impedindo, assim, que a malta insignificante saiba sobre os métodos de tortura empregados sobre ela por seus algozes, não obstante a realidade de ser a malta ignorante dona desse dinheiro e ser quem sempre sofreu, sofre e sofrerá as consequências das ações assassinas dos deformados mentais das quais resulta a impossibilidade de terem as crianças a redenção do leite, e a todos a possibilidade de evitar os sofrimentos evitáveis ou aliviados os inevitáveis decorrentes do curso inexorável da natureza.

Há de se repetir à exaustão o despropósito que é desperdiçar apenas em brincadeiras o vigor necessário à produção de coisas materiais tais como a organização de uma sociedade onde a vida seja agradável. Para tanto, faz-se necessário apenas por em exercício a capacidade de pensar, inexistente em atitudes como a de uma papagaia de microfone que depois de fazer menção às mazelas das empreiteiras e passar a comentar assassinatos de várias pessoas, fazia a seguinte exclamação/interrogação: POR QUE TANTA VIOLÊNCIA? Ora, a resposta está exatamente na primeira parte de se seu próprio comentário. Da mesma forma, um papagaio de microfone da mesma rádio paulista dava uma notícia que dizia feliz: Daniela Mercury vai cantar no carnaval de São Paulo. Outra notícia que dizia dar orgulho viver em São Paulo por coisas inteligentes como esta: um endereço eletrônico no qual as pessoas descreviam o que achava ser sintoma de doença e recebia o diagnóstico. Crise de tosse, por exemplo, poderia indicar surgimento de câncer. Ora, não pode haver maior estupidez. São Paulo é uma fábrica de câncer. Destruir as condições de vida saudável não pode ser atitude inteligente. Das notícias felizes noticiadas pelo papagaio de microfone fazia parte a de que o prefeito iria participar de um bloco de carnaval. Ou esse papagaio de microfone é tão burro que desconhece a história do pão e circo ou é um cupincha dos donos das padarias e dos circos que dão origem a notícias como esta publicada no blog Outras Palavras onde escrevem jornalistas que não se enquadram na classificação de papagaio de microfone ou escritor assalariado: “A cada ano, 2,5 milhões de crianças vão dormir sem um lar para chamar de seu na nação mais rica do mundo”. Inté.

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ARENGA 368


Se dependemos da política de forma tão absoluta que inclui nossas próprias vidas, por que, então, tem a atividade política de ser exercida às escondidas de nós? Se assim tem sido até agora, assim não deve continuar sendo. Ou se cura a Peste Paquidérmica que assola a mente da juventude e se crie uma tradição nova, ou a humanidade jamais passará da materialidade de viver em função de dinheiro. Conhecedor apenas por teoria da necessidade que tem os políticos de subterfúgios, inclusive através das recomendações de Maquiavel, passei a conhecê-la na prática aqui em minha Cidade de Vitória da Conquista, em reunião na seção local da Ordem dos Advogados, onde era recebida com justificadas honras a candidata a senadora, a ministra Eliana Calmon. Há muito uma dúvida me entalada o pensamento: Como entender a existência dos livros Honoráveis Bandidos, Privataria Tucana e O Chefe sem que nem acusadores e nem acusados fossem levados às barras da justiça? Sabendo da sinceridade, honradez e competência jurídica da  ministra Eliana Calmon, em quem votei conscientemente, mas que foi derrotada pelo analfabetismo político deste povinho desqualificado em todos os sentidos, estava eu convencido de sair de lá com minhas dúvidas esclarecidas. Entretanto, apesar de sua conhecida sinceridade como ministra, como política, limitou-se apenas a dizer que Fernando Henrique havia esclarecido no programa de televisão Roda Vida serem falsas as acusações a ele imputadas. Só disse isso aí. Portanto, nada ficou esclarecido e continuo querendo entender este “mistério”. Sendo notório o caráter nobre e a competência jurídica da ministra Eliana, sua resposta não explica o fenômeno porque também não se pode desconhecer a nobreza de caráter do jornalista Hélio Fernandes, que no seu jornal Tribuna da Imprensa escreveu magistrais artigos sobre a desonestidade de FHC na privatização da Vale do Rio Doce. Além disso, é do conhecimento de quem se interessa por política que um tio de Fernando Henrique Cardoso, o general Felicíssimo Cardoso, afirmou não ser de confiança o seu sobrinho. Assumir o peso da responsabilidade sobre atos ímprobos praticados é atitude que passa a anos luz da personalidade dos políticos tradicionais como prova o chavão enjoativo martelado pelos papagaios de microfone “NEGA AS ACUSAÇÕES”. A recusa da ministra em esclarecer o motivo pelo qual Maluf, Sarney, FHC e Lula não sejam obrigados a provar inocência e nem os autores das acusações punidos por calúnia e difamação foi a experiência prática que tive da necessidade de serem os políticos reticentes com a verdade.  

Num ato falho, o governador de São Paulo disse que se o povo tomar conhecimento do que se passa por baixo dos panos no mundo político, a guilhotina será ressuscitada. Embora não seja de desejar acontecer com a guilhotina o mesmo que aconteceu com Lázaro porque dela não resultou nada de construtivo, alguma coisa precisa ser feita porquanto dos acontecimentos que acontecem debaixo dos panos resultam as seguintes notícias: No livro Tudo ou Nada, da jornalista Malu Gasper, lê-se o seguinte: “Eike Batista é legítimo representante do empresariado brasileiro, com algumas poucas exceções. Defende o capitalismo puro, mas busca todo o tipo de facilidades, como ser financiado por um banco público, no caso, o BNDES”.  Também na Folha, reportagem de Bela Megale e Mariana Dias: Ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez relataram, em delação premiada à Operação Lava Jato, que a empresa mantinha uma espécie de "tesouraria interna" dedicada ao pagamentos de propina e caixa dois para agentes públicos”.

Tendo sido a atividade de administrar os recursos transformada em conluios desse tipo, evidente fica a necessidade de ser feita por debaixo dos panos. Faz-se necessário portanto, para o bem das futuras gerações, de uma vacina contra a Peste Paquidérmica a fim de poder a juventude retirar os panos e deixar a luz do sol clarear a atividade política por ela a única fonte do bem buscado nas igrejas ou do mal encontrado no medo da violência, a depender da mentalidade dos jovens. Inté.

 

ARENGA 367


Se até na “civilizada” sociedade alemã se faz pesquisa para saber a quantidade de cerveja que fica grudunhada nos bigodes dos bebedores, não há o que estranhar se entre os brasileiros de triste memória se pesquisa sobre o desinteresse dos jovens quanto ao seu futuro, conforme notícia na imprensa. De se estranhar, e muito, é o fato de desconhecerem os pesquisadores a realidade há muito afirmada neste mal amanhado blog de ter sido a mentalidade dos jovens reduzida a um monte de lixo em decorrência da orientação recebida pelas crianças de serem Deus e dinheiro os polos de onde emana felicidade. Uma vez deformada a personalidade pela falsidade desta orientação, permanecerá ela deformada por não ser a personalidade como uma plantinha torta que se corrige amarrando-a a uma estaca com barbante. A dificuldade de corrigir uma personalidade depois de deformada foi magnificamente mostrada por Platão no Mito da Caverna. A falta de ligação dos jovens com seu próprio futuro foi detectada pela sensibilidade inerente à mentalidade criadora de Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica. A experiência de oitenta anos de vida juntamente com a perspicácia inerente à criatividade o levou a declarar haver necessidade de uma educação voltada a preparar o jovem para a velhice. Realmente, tal orientação levaria os jovens a se preocuparem com o futuro, coisa que erradamente consideram desnecessária por acreditarem ser inesgotável o botijão de gás que alimenta a chama da vitalidade, escapando-lhes a realidade observada por Schopenhauer de que esta chama vai diminuindo, esvaindo, até restar daquilo que foi um vigoroso jovem campeão disso ou daquilo apenas um “caco” jogado num canto. A esta observação cabe ajuntar outra: Quanto maior a evolução espiritual, menos “caco” sentirá ser aquele que chegou à situação de “caco”. Para se concluir estar a juventude caminhando rumo ao nada, ao vazio, ao caos, por se preocupar com o dia de amanhã apenas em termos de Deus e dinheiro não há necessidade de pesquisa. Basta olhar em volta e ver quais as companhias preferidas pelos jovens. Se para eles verdadeiras nulidades espirituais são paparicadas como “celebridades”, ajuntando-se a esta realidade aquela outra que diz “quem com porcos anda farelos come”, conclui-se ter sido a juventude tomada por assombrosa mediocridade mental que impossibilita nos jovens atitudes inteligentes como a meditação sobre o futuro porque se assim fosse haveria a percepção de haver algo de muito errado na maneira de viver ante a realidade de se estar condenando a vida à extinção.

Não podendo a juventude encontrar felicidade em Deus uma vez que Deus não existe, nem podendo encontrá-la no dinheiro que lhes garantiria a satisfação das necessidades primárias por se encontrar o dinheiro em mãos de apenas um por cento dos seres humanos, encontra-se a juventude num vazio mental que dá origem à seguinte notícia publicada no jornal Folha de São Paulo: Rolezinhos do beijo lotam marquise do Ibirapuera com até 20 mil jovens. Entre eles, uma jovem justifica tal comportamento para não ficar sem fazer nada. Aí está a monstruosidade que fizeram com os pobres e infelizes jovens reduzidos a uma mediocridade tão acentuada que os priva da capacidade de lutar pelo seu bem-estar, entregando-se ao infeliz destino traçado pelos monstruosos Reis Midas do mundo e sua sede satânica de ajuntar riqueza, objetivo que para ser alcançado faz-se necessário relegar noventa o nove por cento dos seres humanos à impossibilidade de se elevarem espiritualmente e se sentirem felizes com apenas pão e circo distribuídos pelas “celebridades” e “famosos” regiamente pagos para tão inglória tarefa.

Para salvação do mundo, faz-se necessária uma pesquisa que esclareça o motivo pelo qual não se ensina às crianças a necessidade de respeito mútuo no lugar do “levar vantagem” do qual resultam seres tão infelizes quanto Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Marcelo Odebrecht e tantos outros que logo serão seus companheiros de infortúnio. Tivessem esses infelizes recebido quando crianças uma educação da qual resultassem personalidades imbuídas de honradez e bom caráter não estariam agora naquela situação de sofrimento e humilhação. Será que no meio de tantos doutores não há quem perceba a necessidade de deixar de lado o cachimbo da tradição cujo uso entortou a boca do mundo? Inté.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ARENGA 366


A professora e psicóloga pós-graduada e especializada em Psicologia e Educação, Maria Helena Souza Patto, escreveu um livro chamado A PRODUÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR, com 454 páginas, do qual acabo de adquirir um exemplar da quarta edição, versando sobre o acanhado desenvolvimento do ensino no Brasil. Diz a professora ser inaceitável tanta reprovação e evasão escolar e que sucessivas pesquisas revelam total insucesso das tentativas de reversão do quadro calamitoso do ensino brasileiro. Ora, o que acontece com a fina-flor da intelectualidade? Será preciso que um semianalfabeto mostre a conclusão a que chegou Rui Barbosa quando afirmou que A chave misteriosa das desgraças que nos afligem, é esta, e só esta: a ignorância popular, mãe da servilidade e da miséria”?

É possível que Anísio Teixeira e Paulo Freire não percebessem estar jogando conversa fora ao pregar uma educação capaz de formar cidadãos? Também perde tempo em termos de benefício para a educação o trabalho da professora Maria Helena aqui referido, simplesmente pelo fato estarrecedor de ser a deseducação o objetivo não só dos governos das repúblicas de banana, mas do mundo inteiro, como fica magnanimamente ensinado pelo Grande Mestre do Saber Rui Barbosa quando se refere à ignorância como mãe da servilidade. Qual tem sido o destino da humanidade através dos tempos senão servir aos senhores acastelados em palácios com vida faustosa? Pessoas politicamente alfabetizadas ou cidadãos, por acaso, se prestam ao servilismo? Absolutamente, NÃO. Como para concordar em carregar cangalha no lombo e levar ferro no rabo é preciso ser idiota arrematado, os donos das cangalhas e dos ferros impossibilitam uma educação da qual resultem idiotas cuja mentalidade não vai além de igreja, axé, futebola, “famosos” e “celebridades”. Se é assim, e é assim que é, por que, então, escrever livros sobre o fracasso da educação se ele interessa ao Estado que transformou a educação em fonte de renda para os ricos donos do mercado educacional? Há dois anos paguei algo em torno de quatro mil e quinhentos reais para que uma estudante pobre de minha afetividade cursasse um pré-vestibular. Ano passado paguei oito mil e quinhentos para outro estudante pobre, inteligente e esforçado, fazer o mesmo curso.  

A vida no mundo é vivida tão ao contrário que busca deliberadamente a própria extinção. A sociedade está estruturada sobre falsidades. As chamadas autoridades responsáveis pela condução do mundo e seus discursos, o rigor à observância das leis, a democracia, a religião, é tudo falsidade. Aqui entre nós, por exemplo, aboliu-se do crime e do criminoso a característica de ação antissocial, o que fica demonstrado ao se reunir a mais alta corte da justiça, o Supremo Tribunal Federal, para decidir se réus em ação penal podem ocupar cargos na linha sucessória de presidente da república. O fato de nem mesmo precisar parecer ser honrado para se ocupar o mais relevante posto da administração pública é suficiente para se concluir ser tudo uma grande armação. Daí a necessidade da ignorância que incapacita a percepção da realidade de que a euforia da juventude é igual à da droga. Depois de passada fica a ressaca. E a ressaca desta juventude de bosta será num corredor de hospital a chorar o arrependimento de ter passado a vida em brancas nuvens. Inté.        

 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

ARENGA 365


Em Gênesis 32,26, Jacó disputou com Deus uma luta que pelo jeito deve ter sido judô. Embora Jacó saísse coxeando, foi o vencedor da refrega. Partindo do princípio de obediência à lei natural que dá ao mais forte o direito de destruir o mais fraco, era a Jacó que os frequentadores de igreja, axé e futebola, seres que ainda não aprenderam a pensar, deveriam atribuir a pecha de Todo Poderoso uma vez que foi ele o vencedor, portanto o mais forte. Mas nem mesmo o fato de ser Deus vencido numa luta é capaz de fazer a turba de mentalidade mumificada pela tradição perceber que as histórias da bíblia, como no livro Pequenas Histórias da Bíblia, de Thomas Bulfinch, não passam de histórias adequadas para distrair e fazer com que uma criança enfastiada coma sua comida, ou seja, HISTÓRIAS PRÁ BOI DORMIR. A humanidade sempre foi enganada, mas nunca percebeu. A maior demonstração de engodo foi dada por um figurão do mundo tido como civilizado e ocorreu quando o Secretário de Estado do povo da bunda branca, o feioso Henry Kissinger, com ares de grande sabedoria, por ser próprio dos ignorantes de espiritualidade o pavoneamento, declarou que o sistema capitalista é a forma ideal para se administrar a sociedade humana por se fundamentar na competição onde o mais capaz vence o menos capaz. Incapaz de pensar por si mesmos, os seres humanos seguem na direção que lhes aponta o dedo indicador de brutamontes espirituais tão ávidos quanto os Vikings por saques e violência. O senhor Kissinger é apenas o moleque de recado desses cavaleiros do apocalipse, indicando à humanidade o caminho da competição na qual brutamontes espirituais escravizam a humanidade através do corre-corre e da dependuração nos corrimãos dos coletivos em troca do mínimo do Salário Mínimo. O capitalismo escravizador abençoado por mister Kissinger é tão bom que está aí na internete um grupo de bundas brancas com as ditas de fora mijando sobre fotos de políticos praticantes da fórmula defendida pelo senhor Kissinger como protesto.

Ao preferir acatar opiniões alheias e recusar a ter suas próprias opiniões os seres humanos declaram gostar mesmo é de “levar ferro” por viver num mundo de brutamontes esperando contar com honestidade e honradez necessárias para que sejam leais aos seus interesses as opiniões de quem lhes diz o que fazer, deixar de fazer, e o que ser. Nenhuma suspeição levanta na mentalidade paquidérmica dos seres humanos a vida faustosa em que vivem seus líderes, aqueles que lhes dizem “façam o que mandamos, mas nem pensem em fazer o que fazemos. Assim, como tem o povo sido levado aos trancos e barrancos, mas festivo e bufão de uma eterna corte de parasitas da qual ainda fazem parte reis, rainhas, príncipes e princesas. Como criança que se engana colocando açúcar na chupeta, é o povo enganado desde sempre com festas. O eterno “panem et circenses” substituído por igreja, axé, futebola, “famosos” e “celebridades”. Inté.

 

 

ARENGA 364


Na introdução do livro O LIVRO DA ECONOMIA, Editora Globo, está dito que muita gente começa a se conscientizar da influência da economia sobre a riqueza e o bem-estar. Acontece, porém, que esse “muita gente” é nada ante a necessidade de haver interesse em peso, coletivo, sobre esse assunto. Considerando que a economia é a arte de gerir recursos, a economia política seria a atividade de gerir o dinheiro público ou erário, portanto, atividade da maior relevância por depender dela o bem-estar social, do qual depende o bem-estar individual, vez que este requer o consumo de bens que dependem desse dinheiro ou erário, dinheiro que os membros da sociedade juntam exatamente para atender suas necessidades de consumo. E ajuntam uma riqueza fabulosa porquanto resulta da contribuição que mais de sete bilhões de pessoas fazem diariamente. Todo santo dia pinga dinheiro, e muito dinheiro, no cofre público. É uma riqueza incalculável, suficiente para que absolutamente todos os seres humanos possam satisfazer todas as necessidades exigidas pela vida. Estranhamente, entretanto, acontece que em função do desinteresse coletivo pela administração desta riqueza, circunstância esta que vai se juntar ao fato de serem todos os seres humanos orientados pelo egoísmo, ao “primeiro eu e os meus”, o que resulta em ser a satisfação pessoal a primeira preocupação de todas as pessoas no mundo, não sendo diferentes as pessoas às quais a coletividade entrega a exclusiva responsabilidade pela gestão da imensa riqueza pública ou erário, tem-se como resultado desta equação que em obediência à cultura milenar do “primeiro eu” estas pessoas lancem mão do erário para si, os seus e os que os colocam nos postos de mando exatamente para lhes “facilitar” o cumprimento do dever de enriquecimento exigido pela cultura do TER. A indiferença pública em relação à administração do erário é tão grande que as pessoas afirmam preferir ficar longe dela por ser a coisa suja ou indigna, quando, na realidade, é o contrário. Com tal comportamento, os seres humanos desprezam a única fonte real de felicidade como “coisa suja” e transferem para as orações a esperança de ter saúde, quando ela depende de bons hospitais e eficientes profissionais da área. Da mesma forma, a educação e a segurança, elementos sem os quais se torna impossível o bem-estar, na verdade o que para os seres humanos é algo indescritível a que chamam de felicidade.

Enquanto a humanidade não tiver a economia política como primeiríssima coisa a merecer atenção de cada ser humano ao abrir os olhos pela manhã será infrutífera a busca por uma felicidade impossível de ser encontrada porquanto os seres humanos sempre agiram de modo a promover a própria infelicidade como decorrência de se recusarem a reconhecer não mais haver necessidade do medo de ficar sem ter o que comer e serem compelidos a tomar as provisões das outras pessoas porque isto impossibilita a harmonia sem a qual se torna impossível haver a tranquilidade indispensável ao bem-estar também chamado de felicidade. Não se pode estar tranquilo e ao mesmo tempo com medo da fome, da doença sem tratamento, de ladrões, de qualquer coisa a ser temida como, por exemplo, a incapacidade de se alcançar determinado objetivo do qual depende a sobrevivência, razão pela qual ela, a sobrevivência, não seria motivo de anseios ou apreensão caso dependesse de todos em vez de depender apenas da própria pessoa.

Daí ser irritante pela inutilidade, o papagaiamento dos papagaios de microfone e ridículos comentaristas políticos e econômicos em torno de quem vai ocupar determinado cargo, se o modo de exercê-lo visa o enriquecimento de poucos e o empobrecimento de muitos, dois polos negativos. Os seres humanos só dão foras. O maior deles é temer a morte e almejar a longevidade. Passada a frugalidade dos festejamentos, o que resta, como observou o Grande Mestre do Saber Schopenhauer, o que resta é um caco a ser cuidado pelas outras pessoas. Na verdade, uma “coisa”, para a qual nenhum interesse despertam os sítios, os iates, as compras em Me Ame. Sinal de ter chegado um pouco de sabedoria, enfim. Inté.