sexta-feira, 28 de abril de 2017

ARENGA 413


Entre todos os infelicitados pela cultura do enriquecimento que representa a desgraça do mundo, Sergio Cabral e sua mulher lembram com maior perfeição a antiga profecia que ligava os tesouros a algum tipo de maldição. Na lembrança da criança que fui no meu inocente mundo rural ainda estão registradas histórias de potes de moedas de ouro enterrados e protegidos pelo “Sujo”, nome que se dava a Satanás. Uma historiazinha agradável de Edgar Allan Poe intitulada “The Gold-Bug”, e que vale a pena conhecer, também gira em torno de um tesouro escondido e do medo que tomava conta do velho jupiter, fiel companheiro de William Legrand no momento em que este tentava localizar um tesouro enterrado por piratas. É da falsa necessidade de riqueza que provêm toda a miséria do mundo. Absolutamente nada justifica as imensas riquezas em mãos de uma só pessoa, realidade que daqui e dali começa a ser trazida a público. Como toda caminhada por maior que seja começa com apenas um simples passo, para felicidade de todos, um dia chegará em que a compreensão da realidade de não passar de ignorância a excessiva necessidade de bens materiais além do suficiente para uma vida digna a que absolutamente todos os seres humanos devem ter.

O blog Outras Palavras, escola de alfabetização política, em matéria denominada PARA ENFRENTAR O MITO DO CRESCIMENTO ECONÔMICO, traz a notícia alvissareira de que a inglesa Kate Raworth, estudiosa e pesquisadora de assuntos relacionados a economia, bem-estar social, meio ambiente e políticas públicas, publicou um trabalho onde se lê coisas assim: “Pesquisadora britânica propõe novo paradigma para a ciência econômica: abandonar o "homem racional, autorreferido e calculista; voltar-se ao bem-estar de todos e à salvação do planeta”. Esta notícia representa mais um motivo de orgulho para este mal amanhado blog porque as garatujas aqui alinhavadas têm a presunção de mostrar à juventude o bruto erro que comete em deixar ao léu o seu destino. Como não se atinar com a realidade de estar o mundo sendo arrastado para um caos absoluto em função da desmesurada fabricação de riqueza? Não sendo impossível desconhecer tal realidade uma vez que ela salta às vistas de todos, por que, então, não tratar de procurar suas causas a fim de combatê-las? Não é preciso ir muito longe para se chegar às fontes da infelicidade humana. Ela está no fato de se ter fixado na mente de todos a falsa ideia de que a única coisa a merecer atenção é o crescimento econômico. De que adiantou aos agora atormentados ajuntadores de riqueza entre os quais despontam Sergio Cabral e sua mulher o crescimento econômico? Pois a mesma infelicidade que agora atormenta estes infelizes, por diversas razões, atormentará toda a humanidade sem distinção de ninguém. Não resultará outra coisa de uma cultura que gira em torno de bolsa de valores, juros, cotação de moedas, sistema financeiro, sobretudo a imoralidade do sistema bancário que arranca o coro das sociedades de forma ainda mais cruel nas repúblicas de banana onde o erário fica a cargo de um banqueiro.

Se mesmo nas sociedades consideradas mais elevadas espiritualmente as pessoas consideram ser o dinheiro o principal objetivo a merecer atenção, nas sociedades espiritualmente medíocres como a nossa esta irrealidade chega ao extremo da perversidade contra um povo tão desprovido de cultura social que depredam bens públicos por considerá-los propriedade de ninguém. É uma crueldade do tamanho do mundo a perversidade da reforma previdenciária ora levada a efeito pelo governo de banqueiros, quando tira dos mais necessitados um mínimo amparo com que contar quando não mais tiverem condição de trabalhar. A preferência dada à complicação que faz centenas de analistas em torno desta realidade simples lembra a história do maluco beleza por todos estimados que procurava o anel debaixo do poste onde havia ilumanação embora o tivesse perdido lá dentro do barraco onde era escuro. O desânimo de quem afirma não ter mais jeito para esse nosso belo país de triste sorte vem justamente da grande confusão em torno de reformas, roubos, políticos ladrões, falta de saúde, de hospital, de segurança, disso e mais aquilo, enfim, de falta de tudo, menos de imoralidades, caráter e vergonha na cara. Pondo a mão na consciência e refletindo-se sobre tudo isso, chegar-se-á inevitavelmente à conclusão de se tratar-se apenas de ser cada um de todos os indivíduos no mundo inteiro possuído do sonho de riqueza. Deixando a sociedade a cargo de pessoas embaladas por este sonho, os recurso materiais dos quais depende a organização de da sociedade, não poderiam ter outro destino que não fosse a tubulação mostrada no Jornal Nacional. Simples assim. Inté. 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

ARENGA 412


Os pensadores do movimento iluminista que se insurgiram contra o ranço de múmia das ideia medievais não cansavam de apregoar a liberdade. Considerando que o novo sempre substitui o velho, a novidade do novo iluminista ainda não substituiu a velharia da falta de liberdade. Belo exemplo desta realidade se nos apresenta por todos os lados. Não bastasse a obrigação de produzir a riqueza que o Jornal Nacional mostra escorrendo pelo esgoto, mil e uma outras obrigações são colocadas no lombo de quem acredita ser livre. Até o movimento grevista que ocorre agora aqui em nossa república de banana dos macacos deslumbrados pelo American Way of Life, apesar de ser o direito à greve considerado grande conquista da classe trabalhadora, aqui é o contrário porque a maioria dos trabalhadores não são levados à greve por convencimento próprio da necessidade de se insurgir contra alguma coisa que lhe prejudica material ou moralmente. Talvez seja exagero falar em moralidade quando se refere ao macaco deslumbrado brasileiro. Mas o certo é que aqui o trabalhador é obrigado, forçado a participar das greves porque algum de seus falsos líderes, geralmente levado por interesses próprios e escusos, na maioria das vezes interesses políticos, posto que não raro lideranças de movimentos trabalhistas ou estudantis acabam sendo elevados a altos cargos eletivos pelo analfabetismo político de quem transforma num passe de mágica em legisladores palhaço e jogador de futebola. A política exerce irresistível atração, sobretudo nas pessoas de menores qualificações morais, aquelas que não sentem nenhum constrangimento e por isso não veem obstáculo algum em se aproveitar das outras pessoas para levar algum tipo de vantagem sobre elas sempre que se lhes é dada a oportunidade. Assim é que portadores desta falta de solidariedade humana, que no frigir dos ovos é a causa de todo o desmantelamento social, deparando-se com a oportunidade de se fazerem conhecidos por muitos analfabetos políticos em função de representá-los ou por lhes apresentar programas de televisão compatíveis com a mediocridade mental de seus admiradores, fazem-se  candidatos a cargos eletivos para o que encontram facilidade em função da falta de seriedade política dos partidos de politicagem, elegendo-se com facilidade a elevados postos da administração pública que lhes dão oportunidade de se aboletarem de forma tão auspiciosa que lhes permite até a aquisição de joias milionárias com a dinheirama que as grandes empresas lhes dão. Sergio Cabral acaba de declarar que os joias multimilionárias de sua mulher foram compradas legalmente com a sobra da companha. Ainda que as doações de campanha não fossem a imoralidade que são, por razões claras para quem sabe que sabe pensar, não seria o caso de devolver os donatários aos doadores as tais sobras?

É com vistas na malandragem da politicagem que sindicalistas se tornam presidentes de partidos políticos e promovem greves com o objetivo de tornar seus partidos capazes de obterem maiores benefícios do governo e da população. É por isto que não sendo o movimento grevista uma questão ideológica, caso em que mobilizaria a classe reivindicadora em peso, os malandros conseguem adesão de quem também esteja de olho na oportunidade de alguma esperteza e fecham ruas e estradas de modo a forçar a fabricação de um movimento grevista. Esta é mais uma realidade funesta entre as muitas que clamam pelo sucesso de liberdade vislumbrada pelos iluministas. Inté.   

 

 

 

 

 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

ARENGA 411


Filósofos têm tendência a complicar as coisas simples. Afirmar que a liberdade depende da eterna vigilância é tão sem pé nem cabeça quanto afirmar que o homem nasce livre. São afirmações filosóficas cujo mérito se restringe unicamente em incentivar o pensamento a trabalhar. A primeira frase pressupõe a necessidade de vigília, o que elimina a possibilidade de liberdade. Os filmes mostram esta realidade na cena comum em que uma pessoa do grupo fica de guarda para que as outras possam dormir. Nesta situação, não há liberdade para quem vigia nem para quem dorme, escravizados que estão pela necessidade de proteção contra algum perigo. Do mesmo jeito, a frase que afirma nascer livre o homem porque nenhum ser vivo nasce sem depender da proteção dos pais, principalmente das mães. O exemplo mais comum de seres que nascem sem contar senão consigo mesmos são as tartarugas, mas a maior parte dos recém nascidos são predados antes de alcançar a água que lhes daria chance de sobreviver. Em toda sua história, os seres humanos nunca conheceram a liberdade e jamais terão a necessária desenvoltura espiritual para conhecê-la enquanto permanecerem na condição atual de brutamontes mentais. Entre os sete bilhões de pessoas, apenas alguns gatos pingados são capazes de elevar o pensamento pouco mais alto que o solado dos sapatos. A quase totalidade dos seres humanos, porém, ainda não pensam senão nas atividades físicas de comer, trepar e cagar. Ante quadro tão tenebroso, como falar em liberdade, se nunca foi dado ao ser humano oportunidade de conhecê-la uma vez que a história mostra o homem sempre preso à obrigação de servir a um senhor celestial que o submete sob ameaça de pecado e a um senhor temporal que o submete ao pagamento de imposto. A exigência do senhor celestial, que a princípio se contentava com um tosco altar sobre o qual Noé depositou cadáveres de animais, conforme o Livro de Gênesis 8:20, evoluiu para templos monumentais e uma quantidade tão grande de representantes divinos que é impossível saber-se o número deles. Do mesmo modo, também cresceu exigência do senhor temporal, que passou da obrigação de levar ganso e leitoa para alimentar nobres rodopiando valsas em grandes salões para uma monstruosidade denominada Economia Política da qual resulta noventa e nove por cento dos seres humanos transformados em serviçais de um por cento deles, por sua vez escravos da ganância. Cadê, pois, a liberdade?   

 

 

 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ARENGA 410


O programa Diálogos com Mário Sergio Conti, no canal Globo News, que entrevistou o doutor Flávio Bierrenbach, deu mais um motivo de orgulho para esse mal amanhado blog. Ao ser questionado sobre uma solução para o desmantelamento político do Brasil, pergunta que muito me agradou ante a realidade de terem os noticiários sido resumidos a acusações de crimes e negações, a resposta do raríssimo político honrado, intelectual e magistrado, o doutor Flavio Bierrenbach, confirmou o que vem sendo dito aqui através destas pessimamente alinhavadas linhas onde as vírgulas são decididas pela cara ou coroa. Quem perde tempo lendo as bobagens nas garatujas deste blog sabe perfeitamente estar dito aqui em várias oportunidades ser flagrante paradoxo uma sociedade cujos membros competem entre si por melhor posição individual. Não há nisso o espírito societário do qual são partes integrantes a solidariedade e harmonia, portanto, o avesso da competição caracterizada pela existência de vencidos e vencedores. Embora tenha defensores o modo atual de administração pública cujo resultado é a esculhambação que aí está, seus defensores têm o mesmo perfil mercenário dos advogados que defendem os marginais de luxo que tiram das crianças o direito tomar seu leite. Em toda a história não há registro de uma só governo que não contasse com um séquito de seguidores. Manoel Bandeira mostrou muito bem esta realidade quando disse das vantagens que teria em Passárgada onde era amigo do rei. A mesma inconsistência moral que leva cientistas a venderem à Fundação Templeton opiniões favoráveis à religião, também leva escritores e economistas a prostituirem suas consciências e receberem pagamento para afirmar o absurdo de ser melhor viver competindo do que cooperando, como fez o Secretário americano de triste memória Henry Kissinger ao garantir que bom mesmo é este regime no qual o mais capaz segue em frente e o menos capaz é largado para trás. O procedimento de abandonar os menos capazes teve razão de ser quando os incapazes de caminhar atrapalhavam o indispensável deslocamento do grupo em busca de comida porque disso dependia a vida de todos.

O motivo de nosso orgulho é que o doutoríssimo Flávio Bierrenbach, respondeu ao entrevistador que a solução para nossos problemas estaria no surgimento de um filósofo e uma filosofia QUE CONVENCESSE DA NECESSIDADE DE IMPOR A COOPERAÇÃO EM LUGAR DA COMPETIÇÃO. Assim, pois, alvíssaras para o mal amanhado blog que há muito vem procurando mostrar à juventude a necessidade de sair da letargia mental e inovar não só essa república de banana, mas também o mundo que parece ter sido tomado por forças demoníacas graças unicamente à cultura da competição da qual resultam crianças fuziladas, queimadas por veneno, explodidas por bombas, esmagadas por desabamento de igrejas, monstruosidades cuja origem está exatamente na cultura da competição por riqueza. Como não há riqueza para todos, através da usurpação e muita maldade, desprovidos do sentimento de solidariedade abocanham para si recursos  que a todos deviam servir e, através de mil e uma artimanhas como pão e circo e a religião, levam para longe da realidade a opinião pública de modo tão eficiente que até pessoas de grandes conhecimentos se declaram religiosas ou apreciadores dos espetáculos oferecidos pelo pão e circo, quando, na verdade, o ambiente é mais propenso à reflexões sobre medidas capazes de promover o bem-estar social sem o qual as crianças não terão outro futuro senão o sofrimento, coisa que só pode ser alcançada mediante ação humana inteligente e pacífica, qualidades desconhecidas da religiosidade e da política de competição, ambas promotoras de guerras. A História da Humanidade reservará as páginas mais indignas para a biografia dos pusilânimes seres humanos da atualidade de mentalidade tão torpe que ante o quadro pavoroso em que se apresenta o mundo, voltam suas preferências para mediocridades como “famosos”, “celebridades”, brincadeiras e igrejas, indiferentes à incompatibilidade do procedimento das fêmeas despejando crias num mundo que já se mostra incapaz de sustentar a população existente.

Como nosso assunto é a confirmação destas ideias pelo doutor Bierrenbach, por outro lado, parece haver ele exagerado quando disse ser necessário o surgimento de um filósofo que demonstrasse a necessidade de substituir a competição pela cooperação porque para perceber tal realidade não precisa nenhum filósofo e nem nada além de subir num murundu e olhar em volta. O que se vê é tão estarrecedor que há jogos eletrônicos exercendo tamanha influência negativa sobre os jovens que eles estão sendo convencidos a praticar automutilação e suicídio, o que é exatamente o contrário daquilo que deve ser porque a melhor fase da vida é a da juventude, quando então se tem capacidade de determinar não só o próprio destino, mas também o do mundo. Se os jovens foram levados a um desânimo absoluto sobre suas vidas, ficará o mundo a cargo de mentalidades deformadas pela cultura antissocial do enriquecimento individual e do desprezo aos nobres princípios de moralidade e honradez, cultura torpe que dita o comportamento de uma velharia mumificada de mente embolorada que se fazem de líderes, mas de cuja liderança resulta poucos abastados e muitos necessitados, portanto, todos infelizes por ser impossível felicidade num mundo infeliz onde predominam as disputas que dão origem a guerras.

Entretanto, com o necessário pedido de perdão, este iletrado discorda do doutor Bierrenbach quando ele sugeriu a criação de uma Assembleia Constituinte nomeada pelo povo. Parece ser praxe entre os intelectuais superestimar as qualidades mentais do povo. Karl Marx contava com o proletariado no poder para que houvesse justiça social. Paulo Freire e Myles Horton, conforme está dito na página 19 do livro O Caminho Se Faz Caminhando, visavam uma educação participativa que desse poder aos pobres e destituídos, o que equivale a dizer povo, sem levar em consideração que a única educação oferecida ao povo visa exatamente mantê-lo satisfeito como pobre e destituído, no que muito contribui a religião com sua canalhice de prometer um paraíso despois de morrer tanto trabalhando para possibilitar que imbecis façam pose na revista Forbes. No mesmo equívoco incorre o doutor Flávio Bierrenbach ao acreditar na capacidade do povo para escolher pessoas capacitadas para uma Assembleia Nacional Constituinte. Ao atribuir ao povo a desenvoltura mental necessária para nomear pessoas intelectualmente capacitadas para tão nobre tarefa, o ilustre entrevistado não levou em conta que povo é a massa imbecil que além de lotar igrejas e campos de brincadeiras, é portadora de tão profundo analfabetismo político que vota num candidato pelo fato de se apresentar em público ao lado de um jogador de futebola. Se a tarefa de constituinte não pode ser deixada a cargo dos atuais políticos face à desonra que os caracteriza, é bastante atentar para a realidade de terem sido eles nomeados pelo povo. Se o povo deu vitória a politiqueiros em lugar de Eliana Calmon e Heloisa Helena na disputa por uma lugar no senado, como esperar que esta mesma massa bruta, de uma hora para outra, tenha adquirido discernimento bastante para nomear uma Assembleia com a responsabilidade de escrever uma Constituição?

Se verdadeira a necessidade de uma nova constituição por ter sido a atual transformada num emaranhado tão confuso que dificulta a interpretação, os responsáveis por ela deverão ser escolhidos pelos gatos pingados que já superaram a fase povo e alcançaram a nobre posição de gente, os quais também deverão juntar-se aos escolhidos. Devem ser pessoas que saibam dos benefícios provenientes de se taxar rigorosamente as grandes fortunas, dos malefícios provenientes das grandes propriedades rurais, das vantagens da reforma agrária e das desvantagens do agribiuzinesse e dos bancos, do prejuízo social decorrente da divisão do erário entre compadres através de uma infinidade de ministérios e institutos de preservação de tristes memórias, do foro privilegiado, da prescrição para os crimes de lesa pátria, entre outras necessidades sociais, enfim, de pessoas esclarecidas o bastante para nomear uma constituinte capaz de elaborar uma constituição que iniba a pior forma de governo que, segundo Thomas Paine no seu pequeno grandioso livro Senso Comum, seria exatamente o tipo do nosso governo, ou seja, aquele governo que utiliza para causar infelicidades os meios que o povo lhe dá para proporcionar felicidade. Inté.

 

 

 

 

domingo, 16 de abril de 2017

ARENGA 409


Tudo que o ser humano faz é feito de modo contrário ao que devia ser feito. A interpretação de sua história através dos tempos demonstra esta realidade porque em vez de relegar o triste passado de brutalidades incompatíveis com a dignidade do gênero humano, ao contrário, vive-se a mesma brutalidade de antanho como mostra notícia no Yahoo Notícias dando conta de que pessoas albinas são mortas em países africanos para que feiticeiros façam poções com os ossos para dar sorte. Recentemente, na nação sul-africana Malawi, está ocorrendo aumento devastador na morte de albinos, sendo que a Anistia Internacional revela que este mês de abril foi mais letal ainda, com quatro albinos malawianos assassinados, incluindo um bebê. Exemplo da permanência do barbarismo ainda em voga é também o apego de múmias espirituais à construção de grandes e ricos impérios. A imprensa dá notícia também de ter sido a intenção de proporcionar lucros à indústria de armas que levou o governo americano a atacar a Síria. Não se pode de pronto substituir esta acusação ao presidente americano cor de rosa pelo nobre sentimento de piedade demonstrado ao lamentar o sofrimento de lindas criancinhas porque outras lindas criancinhas tiveram no Iraque seus braços arrancados por bombas americanas.  Atirar bombas sobre lindas criancinhas não é diferente de lhes atirar veneno. Decorridos mais de mil e quinhentos anos desde que caiu o primeiro grande império, o romano, em vez de servir aquele acontecimento como exemplo de não haver vantagem no pavoneamento em virtude de riqueza, o que se apresenta modernamente são governos disputando quem é mais capaz de se pavonear exibindo maior riqueza, numa afronta perigosa aos necessitados. Eles, os necessitados, são atualmente em quantidade tão grande como nunca foram em tempo algum, e as reações contra a submissão que pipocam ora ali ora acolá evidenciam   comportamento diferente do comportamento dos necessitados dos primeiros tempos, quando se submetiam docilmente a servir de comida para leões famintos.

Embora os algozes dos necessitados, como a Fênix, têm sempre ressurgido das cinzas de todas as revoluções para de novo assumirem a condição de algozes, faz-se necessário lembrar que todas as revolução contra a submissão por parte dos necessitados deixaram atrás de si corpos decapitados e tão retalhados quanto os animaizinhos que Deus exigiu Lhe fossem presenteados por Abraão Gênesis 15:9-11). A incapacidade de perceber sua própria estupidez é a única explicação para que persistam governantes em disputa para ostentar riqueza e poderio bélico. A insensatez domina o mundo de ponta a ponta. Se o governante da Coréia do Norte promete espatifar os Estados Unidos, não menos extravagante é a imagem do Papa lavando e beijando o pé de presidiário e dizendo que prisão não pode ser lugar de degradação, o que é óbvio. Não deixa de ser também uma coisa estapafurdiamente sem pé nem cabeça porque a ser o presídio lugar para submeter o presidiário a degradações, seria a mesma coisa de se admitir na atualidade a mentalidade bolorenta do “olho por olho” para que os presídios fossem lugares onde se cumprir a brutalidade bíblica de submeter o faltoso à mesma falta em que teria ocorrido. Sabe-se que o presídio tem a nobre função de dotar o criminoso da compreensão necessária à vida em comunidade, mas que tal objetivo seja alcançado, em vez de banhar e beijar o pé do criminoso, comportamento ridículo e inócuo, o que é necessário é um povo bastante esclarecido para entender que a administração da riqueza pública não pode ficar a cargo da bandidagem ora desmascarada pela Lava Jato, mas que, ao contrário, deve ser empregada em benefício da coletividade, o que é inteiramente impossível acontecer enquanto não houver interesse do dono desta riqueza, o povo, nos assuntos relacionados à aplicação da montanha de dinheiro proveniente dos impostos que permanecerá escoando pela tubulação de esgoto mostrada no Jornal Nacional.

O pensador Karl Marx afirmou que o capitalismo, depois de substituir o atraso social do feudalismo e do mercantilismo, seria substituído pelo socialismo (página 102 de O Livro da Economia, da Globo Livros), o que não aconteceu ainda pela recusa dos seres humanos em evoluir espiritualmente à capacidade de perceber que a administração pública capitalista vai de encontro à vida comunitária como prova esta notícia no blog Outras Palavras: Depois de subtrair, da Previdência, R$ 25 bi em impostos, banco Itaú participou, na Receita Federal, do “julgamento” em que a operação foi considerada regular. É de aberrações desse tipo que resulta a situação explosiva de um por cento dos seres humanos serem donos de noventa e nove por cento da riqueza do mundo. Provado que está a impossibilidade de permanecer a situação em que se encontra o mundo, em vez de ficar a tagarelar sobre os desmandos, o que se deve fazer é buscar uma forma de administração voltada para o interesse da coletividade porque a atual forma visa exclusivamente o interesse dos administradores e os brutamontes integrantes do grupinho de analfabetos políticos. O grande impasse é tirar o povo da fase bruta de povo e elevá-lo à condição de gente. Enquanto permanecer a mentalidade reles de povo, canalhas estarão nos postos onde deveriam estar pessoas como Eliana Calmon, cuja pretensão ao senado o povo negou e deu a Fernando Collor. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, intitulada A Lava Jato também pegará o Judiciário, a doutora Eliana Calmon acaba de dar entrevista cuja leitura explica melhor nossa realidade do que todo o converseiro da papagaiada de microfone. Inté.

 

 

 

 

 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ARENGA 408


A imprensa diz ser crime o caixa dois do político. Na verdade, dentro da atual conjuntura política do mundo inteiro, o fato de ser político, por si só, é crime. A questão inteira está apenas em não se raciocinar a respeito de nada. Os religiosos, por exemplo, ao ler ou ouvir que Deus condenou a cobra a se locomover arrastando, nem sequer lhes desperta o intelecto para cogitar sobre o modo como a cobra andava antes da condenação. Entre os raros espécimes da espécie humana que ainda pensam, aquele que se dispuser a meditar sobre a vida, perceberá que ela, a vida, jamais poderá abrir mão de duas circunstâncias que lhe são inerentes, sendo a coletividade ou sociedade a primeira delas, e a adoção de determinados comportamentos dos quais depende a harmonia social, a segunda. Uma vez trazida à luz esta realidade, concluir-se-á inevitavelmente estar o crime diretamente ligado à inobservância dos comportamentos prejudiciais à vida societária. Mesmo numa sociedade onde não há normas escritas sobre tais comportamentos, o desenrolar do cotidiano levará inevitavelmente à restrição de comportamentos que vão de encontro ao interesse comum. Esta realidade foi reconhecida pela HISTÓRIA DO DIREITO ao denominar a obrigatoriedade de observação das normas estabelecidas pelo costume, denominando o conjunto destas normas de DIREITO CONSUETUDINÁRIO ou não escrito. Desse modo, levando-se em conta a explicação de como teria iniciado a política, feita pelo historiador Henry Thomas em História da Raça Humana (e não há motivo para refutá-la em virtude de sua logicidade), a política teria tido início de um comportamento contrário ao interesse comunitário, portanto, criminoso do ponto de vista da sociabilidade. Segundo observa o historiador, lá na localidade onde veio a se formar a primeira sociedade humana, o alimento do qual depende a vida era o trigo. Mas ele dependia das enchentes e vazantes de um rio, de modo que a depender dos bofes da natureza havia épocas de fartura e de escassez e fome. Aconteceu de acontecer que determinado indivíduo teve a ideia de guardar trigo quando havia fartura para garantir alimentação na época de fome. Entretanto, em vez de partilhar com seus semelhantes esta salutar providência, o que seria o comportamento correto porque numa sociedade o interesse de um deve ser o de todos, adotou um comportamento individualista, portanto, contrário ao interesse comum, levando vantagem sobre os demais indivíduos da comunidade vendendo-lhes o alimento de que necessitavam, tomando, assim, da comunidade, recursos que vieram a lhe proporcionar a riqueza que acabou por proporcionar-lhe o poder que acabou por levá-lo à condição de governante ou político. Desta forma, tendo a política origem num comportamento antissocial, portanto, criminoso, aquele que tem o crime como meio de vida não é outra coisa senão criminoso.

Se toda a problemática se reduz a esta realidade facilmente percebível, por que, então tanto bafafá, disse me disse, reuniões e mais reuniões, análises de cientistas políticos de brinco na orelha, enfim, tremendo alarido sobre coisa tão simples? Seguinte: No frigir dos ovos, a vida de absolutamente todos os seres humanos depende da política e da religião. Acontece que também a religião teve origem tão criminosa quanto a política. O estudo da história da religião também leva à conclusão de ter sido ela nada mais do que obra da mesma “esperteza” que deu origem à política. Inventou-se a figura de um Deus a quem cabe determinar de forma absoluta o destino de cada um, de modo a convencer as pessoas da inutilidade de se questionar sobre a possibilidade de haver melhor forma de vida do que a que se lhes apresenta. Esta realidade, apesar de ser espantosamente ignorada por pessoas de grandes conhecimentos técnicos, pode ser observada através da circunstância inegável de ser nos lugares de menor nível intelectual justamente os lugares de maior religiosidade. Da ingenuidade religiosa resulta uma indiferença tão grande em relação ao futuro que embora a ciência mostre a possibilidade de tempos terríveis pela frente e apresenta propostas de soluções, as pessoas desprezam a opinião da ciência e acorrem às igrejas, gastando com a fantasia da religiosidade recursos materiais suficientes para pôr as coisas em ordem no mundo material onde a vida desenrola. Desse modo, a condução pela religiosidade e pela política, duas fraudes, resultou no engabelamento de convencer os seres humanos da existência de uma proteção divina e de haver vantagem em trocar o ambiente natural por riqueza. Simples assim. Basta deixar de lado o celular, a corrupção do pão e circo, os “famosos” e as “celebridades” e pôr-se a pensar. Inté.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ARENGA 407


Embora a falta de discernimento faça o bicho povo acreditar que o bem ou o mal depende da vontade de Deus, o raciocínio lógico do filósofo Thomas More levou-o à conclusão de ser o governo a nascente de onde emana sobre o povo todo o bem e todo o mal. Na realidade entretanto, no que se refere ao bem, o povo pode esperar sentado porque infinitos males até o presente momento são as únicas coisas que dos governos emanam sobre ele. Aqui nesta república de bananas e de macacos deslumbrados pelo American Way of Life, dispensando-se as aspas pelo fato de ter a macacada deslumbrada integrado o inglês ao português, por aqui os governantes se esmeraram tanto na produção de males a ponto de não haver nos jornais outras notícias que não sejam de crimes contra o povo por eles praticados. Pior ainda é não haver no mundo inteiro um palmo sequer de sociedade humana na qual não esteja seu povo sujeito à obrigação de dar conforto a uma plêiade de parasitas a título de representá-lo. Recusa-se a humanidade terminantemente a sair da barbárie de tempos imemoriáveis, apegando-se a comportamentos que deviam existir apenas na memória, para servir de parâmetro a fim de se poder equilatar o que já fomos e o que somos, comparação impossível de se fazer por sermos ainda o que sempre fomos em termos de espiritualidade. Pode-se mesmo dizer que se regride espiritualmente porque na atualidade talvez a barbárie ainda seja maior porquanto se vive a situação socialmente inexplicável de haver um por cento da humanidade parasitando os noventa e nove por cento dela. Acomodaram-se os seres humanos sob o jugo de uma escravidão tão consentida que os escravizados aplaudem seus escravizadores que, em função da cultura distorcida engendrada pelos próprios seres humanos, não se sentem escravizadores, mas, ao contrário desta triste e incompreensível realidade, se veem como benfeitores daqueles a quem causam sofrimento. A sociedade inglesa, por exemplo, situa-se entre as poucas sociedades consideradas pela cultura da parasitagem como das mais evoluídas do mundo. Entretanto, seus habitantes, graças a esta mesma cultura de considerar certo aquilo que está errado, sentem-se bem como súditos de uma realeza cuja rainha, uma senhora bastante idosa, mas que nada aprendeu na escola da vida, por não ter realmente o que fazer, quando há tanto o que fazer, apareceu na televisão brincando de alimentar um elefante, sob admiração do povo e da imprensa.

Se a barbárie humana ainda não permite uma espécie de sociedade que dispense a ameaça do cassetete, visto que a melhor forma de administração pública até agora criada, a democracia, é tida como melhor forma de se administrar uma sociedade apenas por não haver outra forma ainda pior, esta realidade leva à conclusão lógica da premente necessidade de se dedicar à tarefa de se encontrar uma forma melhor em que dedicar o tempo gasto em construir Burjs Califas, acumular riqueza, passear pelo espaço e pesquisar o infinito. Entre os muitos indicativos da necessidade de outra forma de sociedade, uma delas é a desagregação que substituiu a agregação da qual depende a harmonia social. O preço de uma prestação de serviço atualmente tem por base a condição de quem precisa do serviço. Quando o prestador sabe que o usuário dispõe de melhor condição, cobra dele várias vezes o preço justo. Outro indicativo é o fato de serem as pessoas menos intelectualmente capacitadas a entender de sociabilidade aquelas pessoas consideradas pela sociedade atual como as pessoas de maiores méritos, merecedoras portanto, de maior reconhecimento social. A administração pública se tornou tão espantosamente incompreensível além de inaceitável que matéria na Revista Época dá conta de um livro chamado DE SENHOR A LACAIO, escrito pelo doutor Celso Amorim, dando conta de que o governo Lula, do qual era ministro do exterior o próprio doutor Celso Amorim, tornou o Brasil uma potência mundial, desvencilhada dos interesses de Washington, com diminuição da exclusão social. E não é só o doutor Celso Amorim a tecer elogios ao governo Lula e ao próprio ex-presidente. Se o endeusamento de Lula pelo povo não pode ser levado em conta pelo fato de povo não ter discernimento, o fato de haver pessoas mentalmente ilustres afirmando ser Lula um líder autêntico, como fez José Mujica e como fazem intelectuais brasileiros, leva à conclusão de ser realmente confuso, carente de transparência o mundo político porque ao mesmo tempo em que se fazem estas alegações, outras diametralmente opostas são feitas. O livro O Chefe, por exemplo, cita casos escabrosos de canalhices praticadas pela mesma pessoa a quem são atribuídas qualidades de liderança. Ao lado disso, estão aí corruptores afirmando ter Lula participado de atos de corrupção sem que nem ele e nem as inúmeras pessoas também denunciadas sejam definitivamente defenestradas da política e nem obrigadas a devolver o dinheiro roubado do povo.

Afirmar-se ter havido vantagem para o povo no governo de Lula equivale a declarar total falência da atual forma de governar porque o Brasil e seu povo nunca deixaram de padecer as consequências da falta de um governo eficiente. Embora com os corredores dos hospitais lotados de infelizes desassistidos, Lula declarava que a assistência à saúde estava tão boa que até dava vontade de ficar doente para nela se tratar. Entretanto, ao se ver doente, foi se tratar num hospital que está mais para banco do que para hospital, o Sírio Libanês. Posso afirmar esta realidade porque me apresentaram lá o preço de quinhentos reais por uma endoscopia estomacal, com o aviso da possibilidade de haver uma complementação um pouco para mais ou para menos, sendo, depois, cobrada a título dessa complementação a quantia de dois mil e cem reais. Depois desse assalto, recebi outra cobrança de mais duzentos reais por conta da mesma complementação, ao que respondi que fossem roubar nas profundezas dos infernos, e não paguei. É, não é como fazem os bancos? Pois foi lá, por conta do povo sofrido que Lula, considerado líder, foi se tratar por conta do povo que amarga a falta de assistência.

No Jornal do Brasil, matéria intitulada POVO DESTRUÍDO É CONSEQUÊNCIA DOS PRIVILEGIADOS DE UMA ELITE HIPÓCRITA encontram-se mais evidências de quanto é estranho esse mundo da política em que sob o olhar complacente da sociedade, autoridades compactuam entre si artimanhas das quais resultam graves prejuízos sociais. Apenas um trecho da reportagem do Jornal do Brasil é bastante para mostrar a necessidade de outro tipo de administração pública: “Enquanto corruptores pagam multas milhardárias e continuam operando, os corruptos do momento pegam penas como se fossem os únicos responsáveis. Estes sequestram alguns anéis, mas, como os corruptores, continuam privilegiados com seus patrimônios. Se considerarmos nesta Lava Jato todos os corruptos e corruptores presos, não se conhece nenhum que esteja vivendo como os que passaram para as estatísticas do desemprego, na miséria, por responsabilidade justamente destes corruptos e corruptores.  Até quando ladrão será perdoado só por delatar ladrão? Que devolve só a quantia dada publicamente como objeto de roubo, mas permanece com patrimônios magníficos enquanto o povo roubado passa à miséria absoluta”.

Por tudo que se viu e que se vê, é mais do que preciso lançar as vistas sobre novos horizontes como fez o saudoso Raul Seixas ao cantar a música S.O.S. O mundo está a clamar por uma juventude diferente, uma juventude que pense. Inté.