quarta-feira, 17 de maio de 2017

ARENGA 420


Matéria do jornalista Silvio Caccia Bava, intitulada Crise Sistêmica, publicada no jornal Le Monde Diplomatic Brasil, não só afirma a grande verdade de que a política é controlada pelas grandes empresas, mas também pergunta como proceder para que a democracia controle a economia. Embora não faltem cientistas políticos de brinco na orelha, filósofos e escritores alugados para engendrar filosofias baratas em torno do assunto, a resposta àquela pergunta é de uma simplicidade decepcionante para quem tem a despensa abastecida por conta do falatório complicador porque dispensa todo o aparato que gira como mariposa em torno da lâmpada, num converseiro enjoado e estéril sobre dialética, metafísica, burguesia, proletariado, marxismo, leninismo, absolutismo, liberalismo, direita, centro, esquerda, o que é ou deixa de ser filosofia, eterna baboseira que vai do nada a lugar nenhum, semelhante à religiosidade que ocupa montanhas de livros, tempo, recursos materiais, e não resulta em nenhum benefício prático capaz de proporcionar melhores condições de vida em algum dos quatro cantos do planeta. A simples atividade de pensar permite entender a palavra economia como o processo através do qual se obtém a riqueza pública, e democracia a forma de se exercitar a política que outra coisa não é senão a maneira de se administrar esta riqueza pública. Tirando fora tergiversações inúteis com que a papagaiada de microfone enche o saco até do Cristo Redentor dos “espertos” cariocas que se revelaram tão bobos quanto todos nós ao serem levados no “bico” por Sérgio Cabral, o que fica é a realidade nua e crua de ser tanto a economia quanto a democracia as causas de toda a infelicidade do mundo, razão pela qual o jornalista denomina de crise sistêmica, por afetar todo o organismo social mundial. Desta forma, é indiferente que a economia prevaleça sobre a democracia ou vice-versa porque nem de uma nem da outra provirá nada de bom uma vez que a economia visa arrancar o coro de noventa e nove por cento dos seres humanos acreditando que com tal estupidez estaria beneficiando os restantes um por cento deles, enquanto que a democracia é a fórmula política que permite aquela monstruosidade da qual resulta a situação aflitiva em que se encontra o mundo com guerras, choro e sofrimento convivendo com um inexplicável e alegre festejamento fomentado pelo pão e circo que eleva nulidades sociais à categoria de “famosos” e “celebridades”.  

Se o mundo está saturado de problemas que tendem a se tornar mais virulentos à medida que são destruídas as condições ambientais indispensáveis à vida, tais problemas se resumem em nada mais nem menos do que a verdade expressada pelo jornalista de ser a política controlada pelas grandes empresas. Sendo o objetivo único das empresas o enriquecimento a qualquer custo, principalmente através de processos desonestos, no que são favorecidas por administradores públicos escolhidos por um populacho politicamente analfabeto, tem-se o que a Operação Lava Jato está desnudando, e que ocorre no mundo inteiro, embora sejam maiores os horrores nas repúblicas de banana habitadas por macacos deslumbrados pelo American Way of Life. Desse modo, só infelicidade advirá para o povo de uma política seja ela democrática ou autocrática, desde que executada por empregados das grandes empresas, como devem ser definidos os políticos, uma vez que para as empresas povo não significa nada mais do que massa amorfa de imbecis cuja única finalidade se resume em pôr suas máquinas em funcionamento e comprar as bugigangas no dia das mães, dos pais, dos namorados, do cachorro e do gato. Sendo monstros de cuja boca escorre baba de dragão que determinam a seus empregados a forma criminosa de exercer a política, fica claro o motivo pelo qual a imprensa noticia que a delação do Palocci provoca calafrios tanto nos políticos quanto nos banqueiros e empresários de renome. A realidade é que estão todos com o rabo entre as pernas ante a possibilidade de vir o ex-ministro a contar os crimes que praticaram contra a sociedade. Desse modo, em vez de se buscar o predomínio da democracia sobre a economia, mais eficiente do ponto de vista da felicidade humana seria buscar saber a que fim é destinada a riqueza que existe no mundo. Não deveria ela retornar à sociedade do mesmo modo que as águas retornam à terra? É na retenção dos recursos por apenas um por cento da população que está a origem dos males do mundo. É sintomático no que se refere à banalização da canalhice o fato de se referir a banqueiros e grandes empresários como personalidades de renome, o que significa que além da ignorância, canalhice também é motivo para fama e celebridade. O que se faz necessário para endireitar o mundo é uma juventude que pense além de dinheiro e que não leve para casa um zero do Enem. Inté.

 

 

 

 

 

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domingo, 14 de maio de 2017

ARENGA 419


                Dizia o poeta Olavo Bilac sobre o brasil: CRIANÇA, AMA COM FÉ E ORGULHO A TERRA EM QUE NASCESTE! CRIANÇA, NÃO VERÁS NENHUM PAÍS COMO ESTE! OLHA QUE CÉU! QUE MAR! QUE RIOS! QUE FLORESTA! VÊ QUE LUZ, QUE CALOR, QUE MULTIDÃO DE INSETOS!

Pobre poeta! Para seu próprio bem, você não está mais aqui. Um seu colega de intelectualidade que também deixou a pocilga Brasil há pouco, o Grande Mestre do Saber Antônio Cândido, antes de morrer, desgostoso com as condições adversas para os raríssimos homens dignos que por aqui ainda existem, disse à filha que se sentia expulso do Brasil. Aqui é o lugar ideal apenas para a massa ignara de iletrados religiosos, canalhas de todos os matizes imagináveis e inimagináveis, além de imbecis aficionados ao pão e circo. Por aqui, moleques sem qualquer noção de sociabilidade são elevados à categoria de famosos e tratados como reis. No dia 13 deste mês de maio, desci do apartamento para jantar no restaurante do hotel Mercure na Av. Prof. Magalhães Neto em Salvador, mas fui escorraçado pelos gritos e algazarra que faziam vinte ou trinta jovens jogadores de futebola. Voltei e pedi o jantar no apartamento porque o restaurante parecia um chiqueiros de porcos quando se coloca lavagem nos cochos.  Aqueles jovens representam com perfeição o tipo de gente desta terra de brutamontes espirituais. Você, caro poeta, fez bem em sair deste antro de marginais safados, ou teria que sofrer muito mais do que apenas se sentir deslocado. Os rios a que você se refere, poeta, viraram esgotos. Os insetos, o contato com o sangue pestilento dos brasileiros amorais e imorais, sofreram mutação e se tornaram também tão degenerados a ponto de danificar o cérebro das crianças ainda em gestação. As florestas foram transformadas em dinheiro e as feras que lá moravam foram mortas juntamente com os índios. As que não morreram foram trazidas para as cidades para serem apreciadas por idiotas mediante pagamento para estacionar o carro e ingresso. As crianças, nobre poeta, às quais você se dirige em seus patrióticos e maravilhosos versos, elas foram transformadas em esmoleres, bandidos e presidiários que encontram nas drogas algum alívio momentâneo, uma ilusão de felicidade cuja consequência lhes aumentará a infelicidade. As que escapam de tão medonho destino, graças a uma educação voltada exclusivamente para ganhar dinheiro, tiveram castradas de sua personalidade as qualidades que dignificam o homem e foram transformadas em monstros à busca de riqueza com a mesma voracidade com que as feras atacam suas presas. Vítimas de um sistema educacional que implanta nas crianças a cultura do TER, elas se tornam jovens que agem como robôs programados para avançar uns contra os outros a fim de obter algum tipo de vantagem. São profissionais da área de saúde extorquindo quem deles precisa, inclusive estuprando suas pacientes. São advogados compartilhando com ladrões para ficarem com uma parte do roubo. A não ser atividades criminosas, a única coisa a que se dedicam as pessoas nessa terra amaldiçoada são as imbecilidades do pão e circo. Na verdade, senhor poeta, nosso país apodreceu. A imoralidade alastrou de modo tão contundente que procurar acompanhar os acontecimentos pela imprensa como faz toda pessoa normal, causa insuportável mal-estar porque as notícias giram exclusivamente em torno de crimes. Dão conta de ter sido a administração pública tomada de assalto por bandidos dos mais cruéis que agem livremente contra uma população que apesar de imensos sofrimentos vive festejamentos intermináveis. Ler jornal, ver televisão e ouvir rádio causa sensação de completo desamparo e medo. Tudo gira em torno de violência. O ministério público denuncia quadrilhas dilapidando o erário e uma plêiade de advogados amorais, a fim de levar parte do roubo, procuram as picuinhas legais adredemente preparadas para possibilitar que tais advogados encontrem meios de proteger ladrões ricos. Eis o que diz o doutor Deltan dallagnol na página 25 do livro A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO: “Somos o único lugar do mundo com quatro instâncias de julgamento: juiz, tribunal de apelação, Superior tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal”. E, na página 22 do mesmo livro: “A prescrição é uma espécie de cancelamento do caso criminal pelo fato de seu trâmite na justiça ter demorado muito tempo sem chegar a um fim – ainda que a demora decorra exclusivamente do excesso de trabalho do judiciário ou do exagerado número de recursos interpostos”. Na página 36, temos o seguinte: “O sistema recursal, conjugado ao prescricional, cria uma verdadeira máquina de impunidade. O primeiro atrasa os processos, o segundo cancela as punições por causa desse mesmo atraso”

São as saídas ardilosamente engendradas pelos responsáveis pela administração pública para lhes permitir roubar e ficar por isso mesmo porque a imoralidade da prescrição ocorre antes que o processo tenha percorrido todo esse trâmite com as interrupções dos recursos interpostos malandramente pelos advogados parceiros dos ladrões. Ante situação verdadeiramente escabrosa, o que faz a juventude? Absolutamente nada! Como podem os jovens ser tão estúpidos a ponto de assistirem indiferentes escorrer pela tubulação do Jornal Nacional os recursos de dar melhores condições de vida aos necessitados, amenizando a violência que se alastra espantosamente e que devorará os filhos destes jovens apalermados ligados unicamente em vestibular e futucar telefone? Inté.    

   

 

 

 

 

 

sábado, 6 de maio de 2017

ARENGA 418


Alguém em sã consciência deixaria seu destino nas mãos do inimigo? Pois o povo deixa. Bota tanta confiança na recomendação religiosa de amar o inimigo que entrega de corpo e alma seu destino não apenas a um, mas a uma grande quantidade de inimigos. Não é por outro motivo que o povo é infeliz de norte a sul e de leste a oeste do planeta. Aqueles povos que se acham superiores, na verdade, nenhum motivo têm para assim se acharem. São tão espiritualmente baixos que além de roubar recursos materiais dos povos de quem escarnecem, ainda zombam deles taxando-os de ridículos. É verdade que nós brasileiros parece termos sido partejados sob influência de Satanás. Somos tão abandonados pela sorte que uma bandidagem imensurável e impiedosa faz as leis que determinam nosso destino, realidade da qual também não escapam aqueles povos que julgam superiores. Mais do que qualquer outro povo no mundo, entretanto, esse povinho brasileiro é o que menos se interessa pelos assuntos políticos, embora sejam eles que determinam sua qualidade de vida e o futuro de seus filhos. Aí está no jornal Folha de São Paulo declaração do advogado José Roberto Batochio de que a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal acabou com o direito penal de terror no Brasil. Para a massa ignara de frequentadores de igreja, axé e futebola, esta declaração nada significa porque a única coisa que chama atenção de imbecis é a impureza espiritual dos “famosos” e das “celebridades”. Entretanto, para quem pensa, porque há quem o faça, o que quereria dizer o doutor Batochio com “decisão da segunda turma” e “direito penal de terror no Brasil”? Deixando de fora a malta festeira, para as pouquíssimas pessoas capazes de pensar no futuro dos filhos, significa que a democracia tida como a melhor forma de administração pública pela impossibilidade de haver outra forma pior, aqui entre nós esse pior é ainda pior uma vez que o corpo de mossa democracia se mostra totalmente tomado de chagas purulentas que ou passam por uma desinfecção absoluta ou fenecerá como feneceu o regime feudal. Desse modo, os gatos pingados capazes de pensar que existe um futuro no qual estarão seus filhos deverão eleger como preocupação primordial engendrar uma mudança que não fracasse como fracassaram todas as já experimentadas na busca por uma sociedade na qual as pessoas não sofram tanto em consequência de relegar seu bem-estar a posição inferior à aquisição de riqueza.

A esta vergonha imensurável chegou a nossa democracia: A decisão da segunda turma festejada polo doutor Batochio é nada mais do que uma ordem de soltura para autores do crime de lesa pátria que se encontravam na cadeia graças ao trabalho heroico de uns poucos jovens cujo comportamento mostra nunca terem levado para casa um zero do Enem e que lutam arduamente em defesa desta infeliz juventude programada para futucar telefone. Pois, como prova da podridão de nossa democracia,  dos cinco ministros que compõem a segunda turma do STF, Gilmar Mendes Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, contra o voto vencido dos outros dois ministros Edson Fachin e Celso de Mello, para regalo da conta bancário do doutor Batochio, simplesmente mandaram que fossem libertados os inimigos da sociedade que lhe roubam os recursos dos quais depende o leite das criancinhas pobres, o sofrimento nos corredores dos hospitais, a violência e a choradeira na televisão. Como se não bastasse este fato para expor a podridão de nosso sistema de administração pública, a outra declaração do doutor Batochio de ter acabado o direito penal de terror no Brasil, significa simplesmente que o terror está é na perseguição aos que delinquem contra a sociedade. Para os advogados que dividem o botim com a bandidagem, os defensores da sociedade, aqueles denodados funcionários públicos cumpridores do dever, homens honrados acima de tudo que lutam pela aplicação das penalidades previstas no Direito Penal visando retirar criminosos do convívio social é que são os terroristas no lugar daqueles que promovem a desordem e a degradação da vida social. A distorção da forma de administração pública chegou a tal imoralidade que entre os administradores há traficantes de droga, proponente de suruba e “mula”. Agora, temos na imprensa essa joia de declaração do ex-secretário de Cabral: Nossas putarias têm que continuar. E a depender daqueles três ministros de biografias mais sujas que pau de galinheiro, as putarias continuarão.

Para não ficar na opinião de um Zemané qualquer, aqui está a opinião de autoridade em assuntos sociais, na matéria publicada no Blog Outras Palavras, denominada LUTA DE CLASSES, SÉCULO XXI, de Gustavo Henrique Freire Barbosa:  Zygmunt Bauman avisou, apoiando-se em Gramsci: a democracia torna-se cada vez mais oca, quando a aristocracia financeira impõe seu poder e resta à sociedade participar de eleições cosméticas   -   “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, aparece uma grande variedade de sintomas mórbidos”, escreveu Antonio Gramsci durante o longo período em que ficou encarcerado na prisão de Tudi di Bari, na Itália   -   Neste contexto, a prevalência do capital financeiro e a transnacionalização das relações econômicas, características fundamentais da globalização, vêm sucessivamente transferindo os núcleos de decisão política dos Estados nação para entidades internacionais como o FMI e a Comissão Europeia.  Tais entidades, no afã de atingir seus predatórios objetivos de acumulação, adotam como modus operandi a sistemática subjugação de soberanias nacionais e a incontida subversão de ordenamentos jurídicos, conseguindo escapar do princípio clássico de que “aquele que governa tem o poder e faz as leis”. Aí está, pois, a necessidade de fazer nascer o novo e de mandar para os quintos dos infernos a cultura de riqueza acima de tudo porque o que deve estar acima de tudo é viver bem. Mas, prá que pensar nestas coisas se a papagaiada de microfone já convoca a atenção dos biltres outra Copa do Mundo? Inté.

 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

ARENGA 417


Em 1814, depois de escorraçar Napoleão Bonaparte para o exílio, destino inexorável de todos aqueles que encontraram falsa grandeza em matanças, realidade que a vida se encarrega de mostrar, as Grandes Potências (que em termos de harmonia social não passam de grandes merdas), organizaram um troço denominado Conserto da Europa, com a finalidade de arrumar a esculhambação feita no continente europeu pelo baixim endiabrado também chamado de corso por ser natural da Córsega. A frequência das festas e a morosidade das decisões políticas levou o príncipe de Ligne a dizer: “Se o Congresso não anda, pelo menos dança bem”. É o que consta da página 57 do livro de Paulo Rezzutti, D. Leopoldina - A história não contada. É um livro de leitura accessível ao entendimento mesmo de quem não é dotado dos requintes da intelectualidade, além de muito esclarecedor sobre nosso passado. O fato histórico registrado na página 57, como vários outros, prova que vem de longe o costume dos festejamentos convivendo com os sofrimentos. No final da página 65 e começo da 66, em poucas palavras, está registrada a causa de toda a infelicidade humana, o egoísmo, lição que infelizmente os pais deixam de ensinar às crianças para ensinar-lhes apego ao pão e circo representado pela religião, axé e futebola. Naquelas poucas palavras levam à constatação da pavorosa realidade de ser indispensável à humanidade o desprezo à irmandade que necessariamente deve unir os seres humanos em função de sua personalidade gregária, como se vê no temor de Portugal ante a possibilidade da Inglaterra votar pela libertação dos escravos, uma vez que a economia portuguesa e a de sua colônia Brasil dependiam da mão de obra escrava. Como reforço para tal perversidade, o que movia a Inglaterra a ser contra a escravidão não era outra coisa senão também seu desenvolvimento econômico que por outras razões eram prejudicados pelo regime da escravatura. Desse modo, em nome de economia nem de nada se pode admitir serem nossos irmãos da pele negra serem considerados bichos tratados a chicote inclusive por esta fantasia que o desconhecimento da história das religiões faz crer ao povo existir com o nome de Deus, conforme se vê de êxodo 21:l-ll,26,27, Deuteronômio 15:12-14, Efésios 6:5 e Colossenses 4:1.

Ainda segundo o que se vê da página 66, a referência a uma tal de Santa Aliança entre Áustria, Rússia e Prússia visando impedir o avanço das ideias liberais, isto é, lutar pela manutenção da opressão dos desfavorecidos pelos favorecidos da vida é declaração do erro que se comete em buscar segurança na religiosidade. A humanidade amarga o peso de seu erro em acreditar no sentimento religioso de irmandade se a própria religião aprova a submissão do ser humano à tarefa inglória de servir a um senhor. O mundo será infinitamente melhor quando os pais fizerem ouvidos moucos para o mundo da intelectualidade complicada e ensinarem a seus filhos simplesmente a necessidade de nos tratarmos como irmãos em vez de inimigos como se tratam os seres humanos entre si, o que decorre da cultura antissocial defendida por escritores e filósofos alugados de atribuir a quem tem a unha maior o direito de unhar quem a tem menor. A vida será infeliz enquanto perdurar a falsa crença de ser possível a alguém construir uma ilha particular de felicidade no mar de infelicidades em que a sede por riqueza transformou o mundo. Inté.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ARENGA 416


Muito se escreve a respeito não só de como é, mas também de como deve ser o relacionamento humano na sociedade. Entretanto, no que diz respeito a se fazer entender quem assim escreve, isto é, de levar esclarecimento aos leitores sobre como funciona e como deve funcionar a sociedade humana a fim de poderem eles se agir objetivando melhor qualidade de vida, quanto mais famoso for o autor e os livros versando sobre problemas sociais, mais se assemelha a fama de tais escritores e livros à mesma dos “famosos” e das “celebridades” dos quais não se extrai uma gota sequer de influência positiva sobre a sociedade. No famoso livro Rebelião das Massas, do famosíssimo José Ortega Y Gasset, por exemplo, na página 77 está dito que “A vida pública não é somente política, mas, também e primeiro, intelectual, moral, econômica e religiosa”. Ora, tal afirmação mais confunde do que esclarece. Relegar a segundo plano a influência da política na vida pública é algo talvez compreensível apenas para os intelectuais porque para o povo é da vontade política que depende tudo o mais. Esta realidade está aí à vista de quem tem olhos de ver, materializada na total degradação da qualidade de vida no mundo inteiro em função de ser a política da cultura da produção de riqueza o único objetivo visado pela vontade política. Nesse livro famoso, a única coisa clara para nós que não somos intelectuais como também não é a população, é a afirmação constante da página 79 quando diz que ao jogador de futebola é vedado o maravilhar-se ante a grandiosidade do universo como fazem os intelectuais. Quanto a isso, nenhuma dúvida. O jogador de futebola, apesar de elevado aos píncaros da glória, na verdade é peso morto para o sucesso da organização social. Não faz muito, vimos um famoso jogador de futebola dizer que estádios são mais importantes do que hospitais e escolas. A importância social atribuída ao jogador de futebola é fruto justamente da atividade de uma política voltada contra os reais interesses da sociedade. É visando o desinteresse do povo pela vida social que a má política manipula o cérebro das pessoas fazendo-as ignorar quem realmente tem condição de influenciar positivamente o desenvolvimento civilizatório da sociedade e valorizar pessoas desprovidas totalmente de tais qualidades, usando para tanto do histórico pão e circo. Desta forma, sendo a política que determina a qualidade da vida pública e sendo esta que determina a qualidade da vida individual ora tomada por infelicidades generalizadas, fica incompreensível admitir como faz o intelectualíssimo Ortega Y Gasset que a política não esteja em primeiro plano no que diz respeito à vida pública.  

O estado pavoroso em que se encontra a sociedade humana, com cadáveres, lágrimas, cabeças cepadas fora do corpo, crianças sacrificadas aos milhares, e o medo constante de se tornar vítima de alguma fatalidade, medo que assombra absolutamente todas as pessoas em qualquer lugar em que esteja, esta situação tem por única causa a orientação política proveniente de bonecos  colocados nos postos de mando onde se perpetuam, lá colocados graças à ação nefasta dos Reis Midas do mundo, resulta daí uma atividade política que apesar de nefasta é aplaudida por filósofos e escritores de aluguel encarregados de inibir nas pessoas a capacidade de raciocinar. É através da ação socialmente criminosa destes prostitutos da consciência que o povo se torna capaz de aceitar como ricamente vestido um rei que na verdade estava nu. Não há como relegar a atividade política a plano inferior. Ante a realidade inquestionável de não se viver isoladamente cada um por si, mas cada um por todos e o todo por cada um, esta forma de viver depende de uma atividade política que promova sua organização. Assim, pois, dependendo da política a vida pública, tal realidade contraria a opinião do intelectualíssimo Gasset, que, como todos os intelectuais, também vive no mundo fantasioso dos poetas.

A realidade de depender a vida da política, além da realidade pavorosa em que vive a humanidade em função unicamente da política perversa adotada no mundo, aparece também na matéria publicada no jornal Le Monde Diplomatic Brasil, do dia 03/04/2017, de Silvio Caccia Bava, onde se lê o seguinte: “Hoje, sabe-se que a corrupção é uma prática generalizada entre as grandes empresas, que não conhecem limites para maximizar seus ganhos.   -   R$ 660 bilhões a evasão fiscal no Brasil entre 2003 e 2012”. ... “As grandes empresas passaram a controlar a democracia.  No Brasil isso fica claro nas eleições de 2014. Investindo cerca de R$ 5 bilhões, dez grandes grupos econômicos elegeram 70% do Congresso Nacional. O financiamento foi direto aos candidatos, e os partidos políticos se tornaram irrelevantes. Esses grupos passaram a controlar o Legislativo. Some-se a isso o fato de que os atuais ministro da Fazenda e presidente do Banco Central são seus representantes no governo”. ... “O fato é que a democracia que temos e suas instituições foram capturadas pelo poder econômico e deixaram de defender o interesse público. Resgatar a democracia e recuperar o controle político e democrático sobre a economia torna-se o grande desafio do presente.” Aí está, pois, a realidade de ser a atividade política que ocupa o primeiríssimo lugar na determinação da qualidade da vida pública. O fato de estar a atividade política submetida a uma atividade econômica voltada exclusivamente para satisfazer a fome de riqueza dos monstros espirituais de cujas bocas escorre baba de, dragão vai dar nesse estado de infelicidade geral na vida pública. Caso contrário, havendo uma atividade política voltada para uma boa qualidade de vida pública, em tais condições não haveria predominância desta atividade econômica funesta que aí está porque políticos em uma atividade política soberana não são marionetes cujos cordões são manipulados pelos Reis Midas do mundo como é a corja de parlamentares aos quais a matéria jornalística acima diz serem apenas cumpridores das ordens de dos seus patrões que os colocam nos cargos políticos. Assim, é da vontade política que resultam todos os demais aspectos da vida, o que aparece claramente na realidade mostrada na reportagem e a qualidade de vida das pessoas. Enquanto notícias como esta enchem as páginas dos jornais, o povo se liga mesmo é em assuntos como esse também nos jornais: “Sem sutiã, Mônica Iozzi sensualiza e rouba a cena na web”. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

ARENGA 415


Tive oportunidade de presenciar um espetáculo que mostra a mediocridade da vida humana melhor do que qualquer trabalho dos teatrólogos mais eminentes. Embora avesso a solenidades, não pude recusar o chamado para ser padrinho do casamento de um sobrinho a quem sou afeiçoado ainda mais por questão de empatia do que de parentesco. Amargurei momentos de extremo mal-estar diante de tantas mediocridades a título de filosofia proferidas pelo também jovem celebrante da união matrimonial de meu sobrinho à sua bela noiva. O pobre “filósofo” afiançava aos noivos que um pertenceria ao outro de forma tão inseparável e perfeita como aquela aliança que ora colocavam em seus dedos, de forma que na união entre os dois deveria haver a mesma perfeição existente na continuidade daquele arco. Também disse que o que Deus une nada pode separar. Entretanto Deus uniu Adão e Eva ao Jardim do Éden, mas a serpente os separou de lá. Numa verborreia nauseante, o pobre mendigo espiritual que filosofava a troco de pagamento afirmava que a mulher passava a pertencer ao marido e o marido à mulher. É possível alguém pertencer a alguém? Onde ficaria a afirmação de liberdade defendida por Locke, Voltaire, Rousseau, e tantos filósofos que não filosofavam em troca de pagamento, mas por amor à sabedoria e à arte de pensar? Abandonei a cerimônia por não mais suportar tanta mediocridade e tristeza ao constatar a sinceridade com que as demais pessoas prestavam atenção à verborreia emanada daquele estelionatário espertalhão cujos crimes de estelionato levaram-no a ser proprietário de uma igreja. O artigo 71 do Código Penal pune o ato de se enganar alguém a fim de tirar proveito, denominando tal procedimento de estelionato, herança do Direito Romano que ligava este comportamento antissocial à palavra "stelio" (camaleão) que engana suas presas com grande poder de camuflagem.  
Aquele espetáculo lembrava o significado do Mito da Caverna usado por Platão para mostrar o quanto é difícil fazer ver a verdade a quem está convencido da mentira. O mendigo espiritual que celebrava o casamento do meu sobrinho estimado atribuía a Deus a responsabilidade pelo sucesso do vínculo matrimonial, quando, na verdade, depende unicamente da vontade dos noivos em formar uma sociedade estável. Sendo próprio do ser humano a necessidade de companhia, além da atração sexual responsável pela perpetuação da espécie, o sucesso do casamento depende exclusivamente da forma como homem e mulher encaram o relacionamento mútuo decorrente da união que assumiram. O sucesso da união entre os dois depende mesmo é de pautarem suas vidas pela sinceridade, começando pelo reconhecimento de se tratar de duas vidas, e não de uma vida só como prega a filosofia barata de embusteiros e sua frajolice de amor eterno. Depende a duração da união muito mais do aspecto material do que a baboseira do “só vou se você for” dos momentos iniciais. Embora sejam extremamente gostosos os momentos de enlevo, eles não duram muito e é inteiramente impossível evitar que o jovem ou a jovem sintam atração física ou espiritual por outra pessoa. Portanto, faz mais bem feito o casal que dispensa a filosofia comprada de filósofos que filosofam por dinheiro e engendrarem sua própria filosofia que deve encarar com realismo o lado material dos rendimentos de que dispõem e as despesas que precisam fazer. Na mais das vezes os jovens estão acostumados à mesa e cama da casa de papai e mamãe, e de momento para outro se depararão com a realidade das compras. Desse modo, deve ser desprezado o aspecto grosseiro do assunto dinheiro, botar as cartas na mesa e combinar a participação de cada um nas despesas a serem atendidas, no caso de ambos recebem pagamento. Outra coisa sumamente importante é não omitir comportamentos anteriores que podem trazer alguma decepção para um ou para outro, assuntos que seriam melhor tratados logo no começo do namoro de todos os namorados. Outra coisa importante é a questão do ciúme. Os dois recém casados devem conversar francamente sobre duas situações: uma é aceitar tranquilamente as famosas “escapadas”. Outra é ser forte o bastante para ignorar os apelos nesse sentido, caso em que o macho e a fêmea terão de se contentar inexoravelmente em não levar em conta as fantasias sexuais, o que será recompensado pelas vantagens reais do amparo mútuo e sincero que muito benefício, conforto e segurança dá quando chega o cansaço da vida.

Enfim, o sucesso da união matrimonial depende da mesma coisa de que dependem todos os tipos de sociedade: VONTADE DE PERMANECER EM SOCIEDADE. Tão simples assim. Inté. 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 30 de abril de 2017

ARENGA 414


É inegável a realidade de ainda não ser possível existir uma única sociedade no mundo capaz de se auto conduzir, de engendrar uma forma segundo a qual todos seus membros gerenciassem as atividades necessárias à sua organização, principalmente como está sendo usado o erário. Esta realidade insofismável torna as sociedades dependentes de liderança. Constatas estas duas realidades, e considerando por outro lado ser totalmente impossível haver entre os seres humanos um só espécime deles desprovido do comportamento antissocial de se aproveitar de seu semelhante para prejudicá-lo em benefício próprio, tem-se pela frente um problema a ser resolvido, o que exige debruçar mentalmente sobre ele por ser o modo de se resolver um problema. O primeiro passo deve ser cogitar a respeito da grande realidade observada pelo pensador que afirmou só ser possível solucionar um problema depois de eliminar as causas que lhe dão origem. Constatada esta realidade, conclui-se ser inútil todo esse falatório em torno de reforma disso e daquilo porque elas não eliminariam as causas das quais decorre o problema da nossa infelicidade que são exatamente a impossibilidade de haver liderança e a necessidade dela. Se os doutos em problemas sociais se limitam a um converseiro estéril cuja finalidade não é outra senão a de justificar seus salários, é preciso que um Zemané faça o papel da criança que observou que o rei estava nu e chame a atenção geral para a realidade de ser a indisposição em evoluir espiritualmente a causa de todos os males que afetam os seres humanos. Vejam só a observação do historiador Henry Thomas na página 16 do livro História da Raça Humana: “O homem é uma criatura estúpida e o seu progresso tem sido muito lento. Além disso, este progresso não tem sido contínuo. Frequentemente retrocede de um plano mais elevado para um inferior. Há vinte e quatro séculos, os gregos eram bem mais civilizados que a grande maioria da população atual. Há dezenove séculos passados, Roma possuía um excelente serviço de esgoto. Por outro lado, há três séculos atrás havia ainda montões de lixo empilhados em frente à Igreja de São Pedro em Berlim, e, em Paris, até 1650 o povo esvaziava seus vasos noturnos nas ruas. Em 1849 Emerson vivia em Boston e exercia alguma influência sobre os habitantes regularmente inteligentes. Em 1929, os censores oficiais impediram na mesma cidade a representação de “Strange Interlude”, peça teatral norte-americana de grande sucesso, de autoria de Eugene O’Neil”.

Decorridos quarenta milhões de anos segundo o mesmo historiador, desde que o macaco evoluiu para homem-macaco, já era para ter superado o atraso tão grande que no ano de 1650 ainda era possível alguém tomar um banho de mijo e bosta ao andar nas ruas de Paris, e que no ano 2017 os seres humanos ainda não passem de joguete nas mãos de brutamontes espirituais em eternas disputas para provar quem é o maior biltre entre todos os biltres. O primeiro passo para a caminhada em direção a novos horizontes bem que poderia ser relegar os “famosos” e as “celebridades” ao seu mundinho fútil de insignificâncias e se ligar em quem tem algo de proveitoso a ensinar, como Chaplin neste texto que pode ser encontrado na parte salutar da internete: “Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.
Inté.