quinta-feira, 15 de junho de 2017

ARENGA 427


Se as indignidades são a marca registrada da história do povo brasileiro, nunca, em tempo algum, jamais estas indignidades alcançaram tão espetacular suntuosidade quanto agora que a promiscuidade entre os poderes da administração pública assumiram proporções nunca imaginadas e despudoradamente executadas às claras como mostram os argumentos capciosos contra a ação moralizadora da Lava Jato e a imitação de julgamento de crimes eleitorais pelo Superior Tribunal Eleitoral. Até as pessoas simples das feiras livres se dizem enojadas uva vez que podridão é o termo mais apropriado para definir a situação política desse belo país de triste sorte por ser realmente um país incomparável no que diz respeito à descompostura, e a falta de pudor que o torna conhecido como terra das mulheres desfrutáveis face à nudez que ilustra até mesmo propaganda de sapato. A inversão dos valores que devem orientar o comportamento humano até mesmo quando isolado de outros seres humanos, a arte de ludibriar e roubar é a base da cultura brasileira que, em consequência, provocará a debacle social se continuar a indiferença da juventude ante esta situação claramente perigosa. Entretanto, como nada se pode esperar de uma juventude desprovida do sentimento de patriotismo, que futuro terão seus descendentes a continuar a situação do momento? O pão e circo mantém os jovens preocupados em saber com qual “celebridade” determinada “celebridade” está trepando, enquanto a deterioração política se alastra deixando um rastro de destruição atrás de si. A inexistência de senso comum é parte integrante da cultura do brasileiro de forma tão acentuada que em meio à imoralidade política fala-se ironicamente na existência de comissões de ética e decoro, o que é de pocar de rir uma vez que para haver coerência deveriam ser comissões mantenedoras da falta daqueles princípios marais. Evidências da insustentabilidade da atual forma do exercício da política estão aí para todo mundo ver, como, por exemplo, na decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal ao aceitar a negação do presidente da república de ter cometido o crime de espionagem sobre o ministro relator da Operação Lava Jato. Além de ser objeto de investigação pela citada operação, o presidente negou o que vaio a ser comprovado depois de ter usado o avião particular do bilionário corruptor da empresa JBS que vendeu carne podre para todo mundo, inclusive o que se diz civilizado. Não significa que a simpática ministra seja desonesta. O negócio é que na atual estrutura em que se apoia o ordenamento político mundial, baseado em manter o povo enganado, não pode alguém agir com a devida lisura mesmo que assim exija sua personalidade porque exporá a si e aos seus perigo por contrariar interesses dos criminosos mais perigosos que os assaltantes comuns, porque, como disse o filósofo, os piores criminoso que são aqueles a quem a sociedade paga para defendê-la dos criminosos. Dessa forma, não é descartável a possibilidade de ter a ministra aceitado a explicação do presidente porque seu colega vítima do crime cometido pelo presidente Temer teria sido também beneficiado pela mesma prática de usar o avião do contraventor, algo só concebível nessa sociedade de ratos.

 O jornalista Ricardo Boechat, nos dias 12 e 13/06/2017, fez uma análise perfeita da situação atual da política brasileira. Concluiu que todo o bolodório, o disse-me-disse sobre medidas judiciais buscando corrigir irregularidades aqui e acolá, tudo isso e nada é a mesma coisa. Por que será que o jornalista está coberto de razão? A ninguém é despertada a curiosidade pelo fato de não se conseguir colocar as coisas em seus devidos lugares? Viver decentemente? A explicação para este descompasso está no estranho modo de vida adotado pela sociedade humana. Tão estranho que faz alguém da lucidez do jornalista Boechat se declarar apreciador do pão e circo cujo objetivo até mesmo um Zemané percebe ser desviar a atenção do povo da pretensão de viver com a dignidade correspondente à condição de humano. Notícias relacionadas ao pão e circo concorrem em pé de igualdade com notícias que prenunciam um futuro de insustentabilidade institucional da qual resultará a ruína do futuro das crianças que as mães despejam insensatamente nessa terra infeliz graças à ignorância que as faz crer depender das igrejas em vez da política o futuro destas infelizes crianças destinadas à morte prematura contra a qual André Cairo vem se batendo destemidamente. Quando os papagaios de microfone imiscuem assuntos sobre o descalabro político com assuntos sobre brincadeiras, estão, na verdade, cumprindo ordens das Forças Ocultas mencionadas por Jânio Quadros, cuja intenção é exatamente desmerecer a seriedade com que deveria ser encarado o assunto de não haver ninguém na área da administração pública sem rabo preso com a corrupção, uma vez que os cargos públicos são ocupados por pessoas imbuídas da cultura do enriquecimento a qualquer custo, portanto, facilmente subornáveis, escolhidas pelos monstros espirituais possuídos por espíritos demoníacos para os quais ajuntar riqueza é mais importante que a própria vida. Aí está o bilionário e monstruoso presidente cor de rosa americano a bater pé firme que esse negócio de aquecimento global é pura mentira.

Como não se pode ajuntar as imensas riquezas que estes monstros ajuntam sem praticar crimes, as pessoas que eles escolhem para os cargos públicos são pessoas que apesar da pose e de serem chamadas de excelências, são, na verdade, pessoas de caráter tão baixo que se submetem à condição de serviçais dos projetos criminosos dos monstros que se apropriaram do mundo e de cuja ação segregadora resultam as levas de retirantes a vagar mundo afora. É por isso que presidentes da república, senadores, deputados e juízes esvoaçam os céus em jatinhos da propriedade de criminosos ajuntadores de riqueza, e é também por isso que estes sabujos dos ricos procuram denegrir a imagem da Operação Lava Jato diante de uma população bestificada pelo pão e circo tão endeusado pelos papagaios de microfone que fazem foguetório quando um grupo de onze garotos ignorantes de sociabilidade e induzidos a acreditar desempenharem trabalho importante, supera outro grupo nas mesmas condições mentais numa brincadeira cujo objetivo é fazer com que uma bola toque na rede, como dizem no jargão esportivo dos analfabetos políticos.

Desta forma, anula-se a pretendida vantagem do sistema democrático porque embora sendo os administradores públicos determinados pelo voto do povo tão facilmente conduzido como manada, resulta nisso que aí está de dependerem as decisões políticas da vontade dos inescrupulosos ajuntadores de riqueza. Os executores destas vontades, são apenas bonecos orientados pelos criminosos sociais ajuntadores de riqueza. É por esse motivo que os juízes do TSE dispensaram as provas dos crimes de corrupção praticados pelo presidente e a ex-presidente da república que vieram à tona depois da apresentação da denúncia. A verdade por trás disso tudo é que, como qualquer empregador, os donos dos bonecos precisam mantê-los em seus postos de serviçais a fim de lhes facilitar a acumulação de bilhões, ainda que a custo da infelicidade social. A imprensa publicou imagem na qual a presidente Dilma encarava com admiração o escroque Eike Batista, ora presidiário. Há mesmo a possibilidade de terem sido os três votos no TSE a favor da punição dos empregados dos ricos donos do mundo nada mais do que um disfarce para esconder a farsa em que foi transformada a administração pública. Tal suspeita se justifica face à existência de dispositivo legal que autoriza considerar provas ainda que surgidas depois da apresentação da denúncia e não ser admissível que tão nobres julgadores desconhecessem esta realidade. Na verdade, para tristeza daqueles que através dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber aprenderam que a verdade é bem outra do que o embuste desse faz-de-conta em que vivem os seres humanos submissos a crendices, o poder do dinheiro é a única força determinante do destino da humanidade, e ninguém, absolutamente ninguém, foge a este fatalismo gerador de todo o sofrimento humano que ganhará cada vez mais força enquanto os brutos seres humanos não perceberem que estão preparando as crianças para se tornarem adultos tão estúpidos quanto os pais que vão buscar na religião aquilo que só pode ser encontrado numa administração pública voltada para os interesses da sociedade em vez dos interesses dos malditos reis midas do mundo. Do que é ensinado às crianças resulta uma sucessão ininterrupta de robôs programados para orar e disputar entre si a posse de bens materiais na ilusão de obter com esse procedimento antissocial a paz que jamais será encontrada enquanto a disputa não for substituída pela cooperação.

Se a inutilidade da justiça fica patente a todo momento ante as iniquidades judiciais entre as quais se inclui o faz-de-conta do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral, a inutilidade da política fica patente ante o estado de degradação em que se encontra a sociedade, e é igualmente  entristecedor constatar que enquanto a sociedade apodrece, as únicas atividades de seus jovens sejam futucar telefone e se preparar para se tornarem profissionais liberais em alguma atividade que lhes permita ganhar muito dinheiro, mas tão cegos que não enxergam a possibilidade de não poderem desfrutar da riqueza que pretendem fazer. A estes jovens passa desapercebida a realidade de não serem mais do que marionetes nas mãos da corrupção demonstrada nessa matéria do jornal Folha de São Paulo intitulada Lobista da J&F repetia que era dono da maior bancada do Congresso. Nesta reportagem pode-se tomar conhecimento da triste realidade de terem sido os interesses da sociedade relegados à total insignificância ante os interesses dos imbecis ajuntadores de riqueza. Diz a matéria jornalística: “No restaurante Figueira da Vila, em Brasília, o lobista da J&F (dona da JBS, uma das maiores processadoras de carne do mundo) vangloriava-se que a maior bancada da Câmara e do Senado não era a do PMDB, PSDB ou PT. Era a dele”. Não é sem razão que as pessoas que superaram a fase negra de povo se declaram envergonhadas de ser brasileiras. É tão grande o cinismo das “autoridades” e a pusilanimidade do povo que a imprensa anuncia guerra à Operação Lava Jato pelo fato de buscar seriedade na administração pública. Tal acontecimento pode ser equiparado a assaltantes perseguindo a polícia.

O Editorial do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, ilustra a matéria EM BUSCA DE ALTERNATIVA, do jornalista   Silvio Caccia Bava, com a imagem do Congresso Nacional rigidamente cercado com arame farpado e o aviso  PROPRIEDADE PRIVADA, matéria que começa assim: O que precisa mudar é o sistema político como um todo, desvinculá-lo da tutela do poder econômico, torná-lo muito mais aberto às intervenções da cidadania, instituir e reforçar mecanismos de controle sobre as ações de parlamentares e governantes, submeter as políticas públicas ao crivo dos seus beneficiários, a população, utilizando os referendos e plebiscitos, entre outras iniciativas. É preciso fazer uma profunda reforma no sistema político como um todo para democratizar a política”.

Aí está, pois, exposta a realidade de ter sido a política comprada por empresários bilionários cuja fome insaciável de riqueza ajunta nas mãos de apenas um por cento da humanidade noventa e nove por cento da riqueza da humanidade, realidade que evidentemente precisa mudar. Mas como mudar se os próprios prejudicados não se incomodam? E não se incomodam por causa da cultura do conformismo fomentada pela religiosidade e a distração pelas brincadeiras fomentada pelo pão e circo. Entretanto, como nem mesmo o universo é infenso a mudanças, a Operação Lava Jato é capaz de mostrar aos conformados a necessidade do inconformismo sob pena de condenarem seus descendentes ao caos total. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 




sábado, 3 de junho de 2017

ARENGA 426


Quando éramos crianças na fazenda Córrego do Caboclo onde nascemos, no Município de Itambé, a fim de se divertir com a irritação de minha irmã Irani, nosso tio Rui, que passava sempre por nossa casa, fingia quebrar um coco de cansanção para ela, mas, propositalmente, errava sempre o golpe e a pedra batia ao lado o coco. Aquilo ia inquietando minha irmã até que ela, aos pulinhos, gritava: QUEBRA O COCO, ADIOTA! Esta cena representa de modo perfeito a sociedade brasileira enganada pelos administradores dos recursos públicos. Meu tio fazendo de conta que quebrava o coco representa os executores da política fingindo trabalhar pelo país. A menininha enganada à espera da amêndoa que permanecia no interior do coco representa o país à espera das promessas de divisão do bolo feita por Delfin Neto há meio século. Para que a comparação seja perfeita, falta no país a irritação que o ludíbrio causava na menininha, o que se explica pela ausência do pão e circo que desviasse a atenção daquela criança, ao contrário do que acontece no país onde um bando imensurável de papagaios de microfone, filósofos e escritores de aluguel, além de cientista político de brinco na orelha, num lengalenga interminável e insuportável tergiversam inutilmente sobre troca de presidente, de ministro, eleições, o que disse ou não disse o deputado safado e o senador enganador, sem, entretanto, nem mesmo passar perto das causas que dão origem às infelicidades mil que recaem sobre esta população festiva que requebra os quadris no axé e no futebola indiferente à enganação de que é vítima. Entretanto, embora de modo sofrível para os brasileiros, em vez de escárnio por tanta pusilanimidade, o Brasil vai merecer reconhecimento do mundo por lhe ter mostrado o monumental erro de se deixar levar pelo pão e circo em vez de cuidar do futuro dos filhos, cuidado esse que passa a anos luz de tudo o que dizem os meios de comunicação. Nesse momento, faz a imprensa um alarde dos infernos, cansativo e de dar náuseas sobre aumento do PIB. Tome-se a atitude do pensador de François-Auguste-René Rodin, aquele homem nu, sentado em atitude de profunda meditação, que se chegará à conclusão de que o motivo da euforia pelo crescimento do PIB é nada mais do que maior quantidade de dinheiro injetado na maldição do mundo, a também chamada de ECONOMIA POLÍTICA. Servirá esse dinheiro para amenizar o sofrimento do povo iludido com o pão e circo? Aliviará o sofrimento de quem chora no corredor do hospital ou das famílias enlutadas pela violência? De modo algum! Basta lembrar da CPMF. Todo dinheiro existente ou que vier a existir será canalizado para a tubulação de esgoto mostrada no Jornal Nacional, e vai desaguar na podridão dos donos dos frigoríficos JBS, e servirá para compactuar com administradores públicos conluios inclusive para vender carne tão podre quanto a moral desses canalhas, e fazer com que os irmãos bandidos da JBS tenham o faturamento anual de quase duzentos bilhões de reais, segundo a imprensa. Enquanto aquela empresa embolsa essa fábula de riqueza todo ano, a sociedade recebe na cara o escárnio da justiça ao condená-la à multa de dez bilhões a ser paga em vinte anos. O sistema político brasileiro está tão podre quanto a carne que os povos “civilizados” consumiram, enganados pelos irmãos Batista. O mesmo mal cheiro da carne exala de absolutamente todas as instituições brasileiras. O jornal Folha de São Paulo publicou reportagem cujo título é: FAMÍLIA DE GILMAR MENTES FORNECE GADO PARA A JBS. Aí está, pois, o absurdo de um dos representantes máximos da justiça brasileira ter rabo preso com a bandidagem. Enfim, como imagens dizem mais que palavras, estas imagens comprovam a inutilidade de mais dinheiro na economia:



 

Loas para o Brasil, o primeiro país do mundo a provar a necessidade de ser o homem educado para ter a felicidade em vez da riqueza como objetivo primordial. Esta meta será facilmente alcançável através de um sistema educacional do qual resultem cidadãos conscientes da necessidade de lisura e soberania da administração pública sobre quaisquer outras coisas. Absolutamente nada justifica que bandidos da economia como os irmãos Batista se juntem aos bandidos da política e arranquem do povo demente e festivo o direito que ele nem sabe ter de não sofrer tanto, porque há no mundo recursos materiais suficientes para que todos os seres humanos possam ter a vida digna compatível à condição de humano. Mais uma vez, é uma imagem que mostra com maior eficiência o desvio ardilosamente engendrado da educação no Brasil:
 

O sistema de administração pública do resto do mundo não difere do falido sistema brasileiro. Se não fede tanto é por haver maior sofisticação nos métodos de enganar. Mas a realidade é que os seres humanos do mundo inteiro nunca deixaram de ser outra coisa senão material humano, equiparados ao cavalo de carroça, uma peça da máquina de fabricar dinheiro, nada mais do que uma manada conduzida para onde querem seus condutores. Mais uma vez é outra imagem que mostra aos jovens do mundo com mais eficiência que palavras aonde leva o caminho seguido pelos administradores que manipulam a riqueza pública:
 

A política no Brasil está tão fedorenta que nem mesmos os urubus que dela se nutrem aguentam o mal cheiro. É o que mostra esta imagem:


 Inté.
 
 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 




quinta-feira, 1 de junho de 2017

ARENGA 425


Embora pareça impossível ante comportamento tão estúpido, existe sabedoria na massa bruta de povo, sim. O fato de ela não aparecer deve-se à ação incessante do atualmente integrado inclusive por filósofos alugados que através de uma verborragia nojenta tergiversa sobre as causas da violência, sem, evitando, entretanto, fazer menção à acumulação de riqueza cujo contraponto é a acumulação de pobreza, cujo contraponto é a origem principal da violência. A única coisa que falta é se perceber haver algo de muito errado em se dar maior prioridade às brincadeiras do que aos assuntos dos quais depende o futuro dos filhos. Mas este comportamento estúpido não se deve à desinteligência. Deve-se ao incessante martelamento que castiga a mente sobre esportes e a importância social atribuída aos esportistas. É aí que se encontra a chave do problema que outro não é senão o ANALFABETISMO POLÍTICO para o qual contribui de forma decisiva a religiosidade ao convencer da desnecessidade de se raciocinar sobre o que se ouve, o que faz através de mil e uma artimanhas como ensinar que os mistérios de Deus são para ser aceitos, mas nunca pare serem discutidos. É tão eficiente a farsa da religiosidade que até mesmo pessoas dotadas de conhecimento científicos não conseguem livrar-se do preconceito contra o que diz a ciência sobre a realidade de independer a natureza de uma ideia anterior que a criasse. Na mitologia grega há mais realismo do que na religiosidade porque lá, Deus já teria encontrado a natureza feita. A intervenção divina teria sido apenas arrumar as coisas já existentes. É o que diz no grandioso livro MITOLOGIA, de Thomas Bulfinch, na página 23: “Antes de serem criados o mar, a terra e o ar, todas as coisas apresentavam um aspecto a que se dava o nome de Caos – uma informe e confusa massa, mero peso morto, no qual, contudo, jaziam latentes as sementes da coisas. A terra, o mar e o ar estavam todos misturados; assim, a terra não era sólida, o mar não era líquido e o ar não era transparente. Deus e a natureza intervieram finalmente e puseram fim a essa discórdia, separando a terra do mar e o céu de ambos”. No futuro (se a humanidade não se destruir antes que haja um futuro), a juventude vai admirar-se com a infantilidade desta inocente juventude inteiramente alheia à realidade da vida que ensinam seus filhos a necessidade das igrejas em detrimento de conhecimentos sobre a necessidade de participar coletivamente das decisões sobre seu destino, além da realidade insofismável de depender o bem-estar individual e coletivo exclusivamente da correta aplicação do erário, o que será impossível enquanto a monumental riqueza pública estiver sob a responsabilidade de uma administração tida como melhor apenar por não haver outra pior. Nenhuma lógica há em se conformar com o pior em vez de procurar o melhor, e esse melhor jamais acontecerá sem a participação dos interessados em sua elaboração. Há riqueza suficiente no mundo para não haver miséria e é necessário que se pense a respeito em vez de se pensar em igreja e campo de futebola.

O maior passo que humanidade dará não será o de chegar à lua, mas aquele que a levará ao conhecimento de ter sua atividade tornada equivalente à atividade do cavalo puxador de carroça: trabalhar, comer, descomer e reproduzir. Este fabuloso acontecimento fará com que a humanidade poque o arrocho, poque a cia e lance a carga no chão (frase socialmente monumental do poeta Elomar Figueira). E fará isso porque absolutamente ninguém aceita bancar o bobo. Se a humanidade faz papel de boba, tal fato deve-se exclusivamente ao fato de não saber ela disso em função da atividade nefasta o pão e circo e da religiosidade. Algum dia, entretanto, o número daqueles que já perceberam esta realidade inteiramente desconhecida em épocas anteriores superará o número dos que a desconhecem. Como o destino da sociedade humana é indicado pela maioria, quando se der a reviravolta da falsidade para a sinceridade, aí a inteligência anestesiada nas pessoas pelo pão e circo e a religiosidade será colocada na latrina sob forte descarga é a verdade assumirá o lugar da mentira, e o mundo passará a ser agradável, e não haverá tanto choro, e a juventude não será mais estúpida, e os assuntos principais não serão futebola, emprego/desemprego, bolsa de valores, sistema financeiro, lucro de bancos, agribiuzinesse, cotação de dólar, inflação, economia e economistas, e as pessoas famosas serão aquelas que contribuem de alguma forma para a paz e o bem-estar social, coisas assim. Há motivo para que se possa esperar ação inteligente da massa bruta de povo porque foi de lá que surgiu a ideia de que mesmo nas coisas ruins pode-se encontrar algo de bom. Pois esta profecia está a se concretizando porque a situação de caos absoluto a que chegou a administração pública na sociedade brasileira mostrará à juventude do resto do mundo a grande idiotice que é deixar sob a responsabilidade de apenas algumas pessoas os recursos de cuidar da sociedade. O mal cheiro exalado pela podridão da política desta república de banana servira para quebrar a letargia da juventude de outras plagas para a necessidade da alfabetização política que levará incontestavelmente à conclusão de estar sendo conduzida por falsos líderes porque é inteiramente impossível haver em seres ainda tão brutos quanto os seres humanos elevação espiritual indispensável ao líder verdadeiro. 

Aí estão gastos astronômicos de guerras, pesquisas espaciais, mega construções de torres de babel, monumentais riquezas individuais mostradas na revista Forbes, enquanto miséria, doenças desassistidas, aparato religioso, sofrimentos e choros grassam mundo a fora. Tal descompasso escancara a realidade de estar sendo muitíssimo mal empregada a riqueza do mundo, o que se deve à ação de falsos líderes. A palavra POLÍTICA foi resumida exclusivamente à atividade de gerenciar os recursos públicos. Entretanto, primeiramente, do seu sentido também fazia parte a noção de COLETIVIDADE uma vez que teve origem na palavra POLIS com que os gregos denominavam CIDADE, lugar onde viviam muitas pessoas. Se não vem ao caso especular sobre as causas das quais resultou a situação de se encontrar tão deturpada atualmente a atividade política, faz-se, entretanto, extremamente necessário especular sobre as consequências dessa modalidade de ser a responsabilidade sobre a riqueza pública deixada a cargo de fulano ou beltrano por estar sobejamente demonstrada a irresponsabilidade desses fulanos e beltranos. Se os rios viraram condutores de bosta, as matas viraram dinheiro, o ar causa doença nos pulmões e a comida causa câncer, tudo isto é consequência da loucura de ficar a coletividade a trabalhar para produzir a riqueza que entrega a seres humanos moralmente deformados como são todos os seres humanos sem exceção porquanto aprendem desde o berço a cultura da deslealdade indispensável à competição incompatível com a irmandade necessária à vida em sociedade. Ricardo Noblat diz no jornal O Globo que a democracia brasileira acabou. Entretanto, em nenhuma parte do mundo, a democracia deixará de ser capenga enquanto limitar o significado da primeira parte da palavra, aquela que se refere a povo, apenas ao ato de votar porque o voto, em função do analfabetismo político, é produto da indução a erro também promovida pelo pão e circo e a religiosidade da qual resulta bancada evangélica, juventude católica, e candidatos fazendo pose para fotografia ao lado de jogador de futebola como meio de angariar votos. Evidente, portanto, necessário buscar uma forma na qual o dinheiro público vise a satisfação das necessidades de todos indistintamente porque é para isto que existe inteligência, atributo maior com que a natureza brindou o ser humano. Há de se acordar para a necessidade de não se deixar orientar pelo pão e circo que ajuda os gatos pingados do grupinho de um por cento da humanidade a escravizar os noventa e nove por cento restantes de seus irmão, fazendo através de mil e uma artimanhas com que eles se esfalfem para produzir a riqueza da qual não desfrutam.

Não terá final feliz o resultado da anulação da inteligência dos seres humanos através do hipnotismo midiático levado a efeito pelos escravizadores da humanidade através do pão e circo que produz nos escravizados a uma apatia tão grande que as notícias sobre mortes, doenças e infelicidades são acompanhadas de notícias sobre campeonatos esportivos e seus executores, pobres rebotalhos mentais em termos de sociabilidade elevados à categoria de “famosos” e “celebridades”.  É por isso que a juventude do mundo inteiro deve deixar estes párias sociais e voltar seu embevecimento para a atitude de meditar sobre o exemplo ora dado ao mundo pela política brasileira reduzida a infinitas acusações e negações de canalhices, enquanto a justiça tergiversa e se deixa levar pela antissocialidade de advogados seduzidos pele cultura do enriquecimento tornando-se nada mais do que cúmplices dos ladrões do erário. Não se pode ficar indiferente a esta insanidade social. A ninguém parece incomodar o cinismo dos defensores dos ladrões de gravata. Quando um desses ladrões foi flagrado numa gravação recebendo dois milhões, seu advogado malabarista procurou justificar aquele roubo dizendo tratar-se de um empréstimo e que houve uma DESCONTEXTUALIZAÇÃO das palavras de seu cliente, portanto, injustamente acusado de roubar a sociedade, quando a verdade é ter roubado. Pensem, jovens do mundo, esta república de banana lhes mostra a realidade de ter sido a política transformada em fonte de malefícios em vez de benefícios, sua finalidade primeira. Se não é tão escancaradamente desvirtuada em outras sociedades a administração pública a ponto de ser considerado normal que advogados enriqueçam às custas do empobrecimento social, nem por isso a política de lá deixa de ter a mesma finalidade da política de cá de facilitar a situação de exploração de noventa e nove por cento da humanidade pelo grupinho antissocial de um por cento que fomenta o pão e circo que incentiva o analfabetismo político de modo tão estupefaciente que os enganadores do povo ora impedidos pela Operação Lava Jato de se tornarem portadores da chave do cofre que guarda o erário, estão promovendo artimanhas para fazer do menino Luciano Huck presidente da república, um presidente tão faz-de- conta quanto a rainha da Inglaterra porque, na verdade, as decisões estariam a cargo dos mesmos de sempre que manipulariam os cordões da marionete do pão e circo transformada em presidente desta república de banana. Inté. 

      

 

 

 

 

 

sábado, 27 de maio de 2017

ARENGA 424


A palavra povo é muitas vezes mais eficiente para definir um comportamento desinteligente do que a palavra estupidez. Nesse exato momento em que esta República Brasileira de Bananas chegou  a um estado de degradação moral nunca antes alcançado em sua trajetória de imoralidades, baixezas e vilanias, cerca de cem a cento e cinquenta mil dos mais de duzentos milhões de macacos deslumbrados com o American Way of Life que aqui vivem ajuntaram-se em Brasília, quebraram vidros de alguns prédios públicos comprados com seu próprio dinheiro, fizeram fogueirinhas nas ruas, requebraram e saltitaram ao som de gritinhos de pedidos de justiça, de fora cicrano, fora beltrano, queremos eleições diretas já. Imbecilidades, só imbecilidades. Tomaram porrada da polícia, infelizmente muito menos do que mereciam, e retornaram depois da sova às suas casas, lambuzaram com unguento os hematomas e os calombos e passaram à rotina de se entusiasmar com o incentivo da papagaiada de microfone que os orienta na direção do pão e circo. Enquanto isso, ciente da debilidade mental do povo, o governo dos banqueiros o convence de estar tudo às mil maravilhas apenas com propaganda paga com o dinheiro do próprio povo. Está aí, alardeada pelos papagaios de microfone uma propaganda que termina assim: GOVERNO FEDERAL: ORDEM E PROGRESSO! Pronto. É o bastante para que o povo se convença de estar tudo muitíssimo bem, sem, entretanto, nem de longe perceber que a ordem a que se se refere a propaganda do governo é o conformismo dos palermas com a realidade de terem o rabo fustigado, e o progresso é nada mais nem menos do que o inchaço das contas dos empresários nos infernos fiscais. Povo é nada mais que um joguete nas mãos do grupinho de ignorantes de sociabilidade que se apossaram do mundo, e do alto de suas poses e posses manipulam os cordões que movimentam a marionete povo. A notícia de que o  Bando Mundial recomenda que o governo desta república de bananas amplie o Bolsa Família para enfrentar a crise que massacra os brasileiros de triste memória é clara declaração da incapacidade que tem o povo de saber o que lhe serve ou desserve. Banqueiros desnaturados mandam jogar uma moeda para o povo sofrido na certeza de que esta esmola fará com que a massa bruta deixe as reivindicações e volte ao pão e circo.   

 A enxurrada barrenta conduzindo um troço de bosta é a perfeita representação da liderança de politiqueiros conduzindo o povo em sua eterna indiferença quanto ao destino que espera por ele. Nesse exato momento, o povo brasileiro tem dois tipos de enxurrada a conduzi-lo: a que o conduz no momento, formada por banqueiros, empreiteiros e os politiqueiros de sempre, ou uma nova enxurrada que apesar de formada por eleição direta, será tão imunda quanto a que o conduz agora. A biografia dos prováveis candidatos mostra que todos deveriam estar cumprindo pena por alguma canalhice. A humanidade não será outra coisa senão um troço de bosta sem destino enquanto o povo não passar a ser gente. Até mesmo nos lugares onde se aglomeram os povos mais velhos do mundo, cuja experiência já lhes devia ter feito perceber que ser povo é ser um troço de bosta, até mesmo nesses lugares os povos são levados ao sabor de enxurradas que os conduzem independentemente da vontade dos conduzidos. É tudo tão simples quanto água limpa no meu copo de cristal em que eu tomava uísque antes de ser proibido de fazê-lo por doença no estômago, mais uma das restrições impostas pela velhice que os jovens estão certos de nunca atingi-los, ignorância proveniente de sua eterna recusa em evoluir espiritualmente. A situação de calamidade mental do povo se deve ao fato de ser o ele orientado para uma inexplicável paixão pelo pão e circo, quando deveria ser orientado para o desenvolvimento espiritual. No momento em que o povo adquirir maturidade bastante para se auto conduzir em vez de ser conduzido feito bois, a partir desse momento descobrirá ter sido desde sempre induzido a erro tão monumental que busca sua própria extinção em vez da preservação.

     A recente brutalidade que infelicitou várias famílias inglesas demonstra com perfeição o quanto longe estão todos os povos do mundo da capacidade de agir conforme a razão. Diante de tão brutal acontecimento, as providências tomadas pelos povos tidos como os mais civilizados do mundo foram tão inócuas quanto as dos macacos deslumbrados de Brasília: Apresentaram bravatas, armas e mais violência para contrapor a violência que haverá de atormentá-los enquanto precisarem ser conduzidos por defensores do ajuntamento de riqueza ao lado do ajuntamento de miséria. O que fizeram os “civilizados” diante daquele acontecimento monstruoso foi acender velas, fazer orações e minutos de silencio, quando o que precisava e precisa ser feito é observar o raciocínio lúcido de não ser possível resolver um problema enquanto perdurarem as circunstâncias que dão origem a esse problema.  E elas, as circunstâncias que dão origem não só ao último ato bárbaro de terrorismo que estraçalhou inocentes crianças, mas também de todos os demais problemas do mundo é uma só: a recusa em se evoluir mentalmente para ser percebido que é inteiramente impossível viver uma situação em que apenas um por cento da humanidade retém em seu poder noventa e nove por cento da riqueza da mundo.

Tendo ainda os seres humanos o mesmo comportamento dos bichos, em vez do recurso da inteligência que os levaria a atitudes civilizadas na solução dos problemas, usam da brutalidade como recurso para a violência contra aqueles que realmente têm justas reivindicações a fazer, realidade que aparece até mesmo nos parlamentos. Lá deveriam haver espécimes de gente que fizessem prevalecer a sabedoria. Um trecho sobre o comportamento humano copiado da página 368 do livro História da Raça Humana, de Henry Thomas, mostra mais uma vez não só como temos sido bárbaros, mas também a necessidade de sermos diferentes. Nesse trecho, nota-se que o historiador, com justíssima razão, dá maior valor aos poetas do que aos governantes porque fala em “descer” quando deixa o assunto sobre reis para passar a falar dos poetas: Desçamos mais uma vez dos poetas para os reis. No século XVIII a civilização da Europa quase atingia seu fim, como resultado da ambição e dos desatinos de seus governantes. A geração que veio depois de Shakespeare presenciou a mais sangrenta guerra religiosa de toda a História. Durante trinta anos os reis católicos e os príncipes protestantes massacraram seus súditos e devastaram suas nações para “a maior glória de Deus”. Quando terminou a guerra, a Europa Central era um deserto. Homens e lobos famintos lutavam pela carcaça de um cavalo; a população da Alemanha diminuiu de dezesseis para seis milhões de criaturas humanas; o Palatinado (um dos Estados da Alemanha Ocidental) foi saqueado vinte e oito vezes; e a Boêmia teve nada menos de trinta mil aldeias incendiadas”.

É o comportamento resultante da cultura proveniente do que é ensinado às crianças. Aquelas pobres crianças inglesas destroçadas no penúltimo  (outros advirão) ataque terrorista foram vítimas da cultura transmitida de geração a geração através do aprendizado que valoriza religiosidade, apego a riqueza, e, principalmente, a desnecessidade de ser observada a existência de outras pessoas que também têm necessidades a satisfazer e que não se conformam em ser afrontadas pelo escárnio do resto do mundo ao jogar-lhes na cara os espetáculos de futilidades que são a materialização da indiferença dos que não sofrem ante os que muito sofrem. Aqui em nossa Vitória da Conquista, enquanto a violência extermina os jovens pobres, a cidade se alvoraço para receber o milionário Roberto Carlos, marionete do pão e circo. Estas coisas causam a revolta de indivíduos tão pobres de espírito quanto aqueles que os afrontam e materializam sua revolta através de barbaridades. No frigir dos ovos, culpados por toda a merda que existe no mundo são os pais incapazes de romper com o tradicionalismo e injetar em suas crianças outra forma de encarar a tarefa de viver. Enquanto a educação a ser ministrada for programada pelos Reis Midas do mundo haverá choro e ranger de dentes.

 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

ARENGA 423


Embora só se chegue a esta conclusão depois de passada a fase eufórica das frivolidades próprias da juventude, mas a verdade é que aos poucos os sonhos vão dando lugar à realidade, e de decepção em decepção a alegria que parecia eterna vai diminuindo sob o ataque impiedoso do desgaste natural do qual absolutamente nada escapa, até restar, como diz Schopenhauer, apenas uma sombra de tudo aquilo que se foi. Uma espiada nas UTIs é a melhor maneira de se constatar esta realidade que, entretanto, só é motivo de desespero para quem passa a vida tão preocupado em ajuntar riqueza que nem tem tempo para se elevar espiritualmente. Quem prestou atenção nos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber aprendeu que o vigor físico, como o solado dos sapatos, também vai se desgastando durante a execução da tarefa de viver, o que não deve ser motivo de revolta porque a revolta dá origem à ansiedade que só faz acrescentar novos sofrimentos aos que já existem. À medida que se consome o vigor físico, vão aparecendo desconfortos que se tornam sofrimentos ainda maiores para os desprovidos de qualquer outro conhecimento fora da atividade de ajuntar riqueza e não considerar as outras pessoas à volta. O que os frequentadores de igreja, axé e futebola acreditam tratar-se de pecado, nada mais é do que o triste resultado de se viver isolado e indiferente à necessária comunhão que deve existir entre absolutamente todos os seres humanos, sem distinção de um só deles. Mas, se os sofrimentos fazem parte da tarefa de viver, sendo, portanto, inevitáveis, nem por isso precisam existir em tamanha quantidade e nem na intensidade que existem. Observando o comportamento dos seres irracionais, percebe-se serem eles menos infelizes que os seres humanos, o que se deve ao fato de não terem ainda estes percebido que a natureza os diferenciou daqueles com a capacidade de raciocinar, que se usada adequadamente faria com que o ser humano contornasse os sofrimentos que os atormentam em vez de padecê-los mais do que padecem os bichos que curtem melhores momentos de paz porque só sentem medo quando em iminente perigo, ao passo que o ser humano vive eternamente atormentado por todo tipo de medo, o que se deve à tenaz resistência em evoluir espiritualmente, permanecendo no mesmo barbarismo dos tempos de bicho, quando havia necessidade de matar o semelhante, cultura bárbara que ainda é transmitida de geração a geração. Nossa história dá maior valor a líderes de matança do que aos líderes pacifistas, o que equivale a considerar os destruidores da paz em detrimento daqueles que perceberam a possibilidade de virem os seres humanos a desfrutar do bem-estar que cada um busca para si, mas que só pode existir se for para todos, realização que estará longe de ser alcançada enquanto apenas um por cento dos humanos condenarem noventa e nove por cento deles a viver com apenas um por cento da riqueza do mundo. Se materialmente ainda somos tão semelhantes aos bichos que também precisamos matar para viver, o fato de causar mal-estar este procedimento realmente bárbaro dá mostras de algum tipo de finura de comportamento que precisa ser cultivado e aprimorado a fim de se engendrar uma forma de vida condizente com a dignidade que merece ter o ser humano.

Toda infelicidade do mundo resulta da educação deturpada que se dá às crianças. Na página 370 do livro História da Raça Humana, o historiador Henry Thomas conta que à criança francesa que viria a ser o rei Luís XIV foi dada uma educação voltada exclusivamente para a violência, armas, desprezo pelos seres humanos e uma convicção de superioridade tão grande que veio depois a se intitular a si próprio de Rei-Sol, tal era sua arrogância. Como não falta puxa-saco em torno de quem exerce poder, também conta o historiador que Luís Bertrand biografou o rei Luís XIV como “o mais divino tipo de homem jamais produzido na França, porque sua vida inteira foi gasta na produção da guerra”. Não deixa de ser interessante a menção que faz o historiador sobre o fato de apesar da petulância, desperdício dos recursos públicos e a monumental imponência perdulária, o catolicíssimo Rei-Sol lavava os pés de doze pobres toda sex-feira santa, idiotice que ainda é praticada pelo Papa, o que se deve à recusa em se evoluir mentalmente o necessário para que seja encarada a vida com a sinceridade que ela exige porque em termos de qualidade da vida social a ninguém é dado o direito de encontrar algum resultado prático no fato ridículo de se beijar o pé de alguém. Nosso passado de insanidade, destruição e a crueldade das matanças para buscar riqueza ou para agradar Deus, brutalidades que a história registra nas guerras para construção dos impérios, na Reforma Religiosa, nas Cruzadas e na Inquisição, esta realidade nua e crua chega a dar a impressão de ter sido a história da humanidade escrita por algum comunista safado ou por um ateu igualmente safado para denegrir a imagem de Deus e dos ricos adeptos da doutrina que prega o primeiro eu e os outros que se danem, defendida pelo modo brutal de administrar a riqueza do mundo para fazer mais riqueza e não para preservar a vida e construir paz, harmonia e bem-estar, como realmente deve ser, mas que só será quando houver uma juventude que não leve para casa um zero do Enem. Inté.   

 

domingo, 21 de maio de 2017

ARENGA 422


Na página 68 do livro Os Fundamentos do Direito, Editora Martin Claret, o filósofo Léon Duguit observa que mediante o voto criaram-se parlamentos contra o despotismo dos reis, vindo depois o indivíduo a cair no despotismo dos parlamentos. Observando o modo como se comporta o povo através da história da humanidade chega-se à conclusão de se tratar de seres tão espiritualmente insignificantes que não merecem outro destino no mundo que não o de levar ferro a torto e a direito. Trata-se de seres tão extravagantes que consideram como seus expoentes máximos aquelas pessoas cujos únicos méritos se resumem na capacidade de matar e destruir, ou aquelas cujos únicos méritos se resumem na capacidade de promover brincadeiras, enquanto que a arte de viver, como nos ensinaram os filósofos, exige necessidade das ponderações, meditações e conclusões sobre a melhor maneira de se comportar durante a viagem curta que vai do nascimento à morte. Isto quer dizer que demanda uso da inteligência e seriedade. As brincadeiras são folguedos que embora indispensáveis à vida, devem restringir-se apenas aos momentos de intervalo entre os de ponderações mentais elevadas a fim de descansar a cuca. Nunca, em tempo algum, devem as brincadeiras ser consideradas como atividade principal como as consideram os seres humanos a ponto de transformar seus promotores em pessoas merecedoras de fama, celebridade e riqueza. É este desvio de finalidade da atividade de viver que dá origem ao triste e infeliz destino do ser humano que nem mesmo sabe que é infeliz.

No que diz respeito à espécie mais indigna entre os indignos seres humanos, os brasileiros, estão estes fadados a carregar no lombo desde o berço e para sempre o peso morto de parasitas sociais. Esfolados nos primeiros tempos de cortar Pau-Brasil para carregar caravelas, de lá para cá vem tendo o rabo fustigado por todos os tipos de governos nacionais e estrangeiros. Para fechar com chave de ouro a infelicidade deste povinho de merda, fala-se agora num governo encabeçado por HENRIQUE MEIRELES, representante da classe antissocial dos banqueiros cuja perversidade contra o povo não tem limite. Na “prosa” anterior, vimos que a história mostra a sacanagem que os banqueiros faziam com os pobres de espírito que formam a massa bruta de povo, recebendo comissão dos chefes religiosos tão socialmente criminosos quanto os banqueiros para enganar aqueles infelizes vendendo-lhes passagens para o céu. Crimes contra a sociedade de tal monta só existe no comportamento dos advogados milionários à custa de vender imagem honesta de salafrários que roubando o erário deturpam tanto o ambiente social que dão origem à morte de milhares de pessoas, principalmente crianças. O destino deste povinho escória da humanidade parece mesmo ter sido traçado por Satanás porque outro nome cogitado para presidir esta república de banana é LUCIANO HUCK, representante de uma categoria constituída de analfabetos políticos e de tudo o mais, verdadeiros palhaços que se sentem realmente importantes por terem sido transformados em famosos e celebridades de araque, marionetes cujos cordão são manejados pelos fomentadores do pão e circo, cuja única finalidade é esconder a verdade como fazem todos aqueles que têm algo a esconder, realidade que pode ser constatada na necessidade de se proibir um simples comentário a uma noticia no jornal como aconteceu com meu comentário à matéria da jornalista Mônica Bergamo no jornal Folha de São Paulo, intitulada STF PODE EVITAR QUE LULA SEJA PRESO DEPOIS DE CONDENAÇÃO EM 2ª INSTÂNCIA. Caso alguém encontre alguma mentira no meu comentário, que levante a mão: “O STF é o órgão máximo da justiça. A justiça aplica a lei. A lei é feita para proteger bandidos. Não podia ser diferente.” Foi o que comentei sobre a notícia de ser o STF contra a prisão de Lula. Por que, então, precisa ser cortado? Caso a lei não protegesse bandidos, estariam impunes os políticos, na verdade criminosos muitas vezes mais danosos à sociedade do que os infelizes que abarrotam os presídios? Pode-se encontrar outra finalidade no instituto criado pela lei, chamado PRESCRIÇÃO, senão a postergação do julgamento de crimes praticados pelos bandidos de gravata até que decorra o tempo necessário para que se vejam isentos da acusação, cujo exemplo maior é Paulo Maluf? Entretanto, apesar da mais transparente verdade, precisa ser escondida. Enquanto isto, no mesmo jornal Folha de São Paulo há uma coluna voltada para assuntos relacionados com cachorrinhos e gatinhos de madame. Cadê que ninguém se preocupa com as criancinhas, do mesmo modo como se preocupa com ricos empresários como demonstra a notícia de que o banqueiro Henrique Meireles busca acalmar investidores sobre consequências de delações? É por estas e outras do mesmo tipo que a vida não pode se deixar enrolar pelo pão e circo, como nos ensinam os filósofos. Portanto, juventude aparvalhada, que nem sequer sabe que um dia será julgada por seus descendentes, para merecer a estima e o respeito deles coloque a vivacidade própria dos jovens no lugar da estupidez a que foram vocês reduzidos pelo pão e circo. A única fé que merece realmente fé é a fé na razão. Não há mais lugar no mundo para o pensamento do religioso Santo Agostinho propondo que se dê maior ênfase à fé (religiosa) do que à razão. Inté.

 

 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

ARENGA 421


Embora consciente de que só máquinas pode fazê-lo, este blog tem uma fé de remover montanhas e uma esperança do mesmo tamanho em que a juventude do mundo perceba ser o sentimento de irmandade a única coisa capaz de fazer com que os seres humanos não sofram tanto. Um sentimento de irmandade que se houvesse nossos irmãos negros e índios teriam sido tratados com respeito em vez de escravizados e assassinados. Absolutamente nada justifica que os seres humanos se recusem em evoluir espiritualmente, teimando em viver do mesmo modo como vivem os irracionais a se destruírem mutuamente. Dois textos extraídos do primeiro volume do grandioso livro HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, de Edward McNall Burns, provam de modo irrespondível, a triste realidade de comportarem-se ainda os seres humanos de hoje do mesmo modo como se comportaram nossos antepassados de milhares de anos atrás. Da página 53, o capítulo intitulado A RELIGIÃO EGÍPCIA, diz o seguinte: “Logo após o estabelecimento do Novo Império a religião no Egito sofreu uma séria adulteração. Seu significado ético foi desvirtuado e a superstição e a magia ganharam ascendência. A causa principal parece ter sido uma desvalorização intelectual ocorrida ao tempo da longa guerra de expulsão dos hicsos. O rigor da luta favoreceu o desenvolvimento de atitudes irracionais. O resultado foi um notável aumento de poder dos sacerdotes, que exploravam o terror das massas em proveito próprio. Ávidos de lucro, inauguraram a prática da venda de feitiços mágicos, que tinham supostamente o poder de evitar que o coração dos mortos denunciasse o verdadeiro caráter destes. (Aqui se faz necessário o que quer dizer denúncia do coração. É que o morto era submetido a um interrogatório a fim de ser admitido no céu. A comprovação da veracidade de suas respostas era feita colocando seu coração numa balança em oposição a uma pena (símbolo da verdade) que deveria fazer a balança pender para seu lado). Voltemos, agora, para o texto: “Vendiam também fórmulas que, asseveravam, inscritas em rolos de papiro e colocadas nas tumbas, eram valiosas para facilitar a entrada do morto no reino dos céus. O conjunto dessas fórmulas constituía o chamado Livro dos Mortos. Contrariamente à impressão geral, não se tratava de uma Bíblia egípcia, mas de uma mera coleção de inscrições mortuárias. Algumas delas proclamavam a pureza moral do morto (lembra os advogados jurando de pé junto que o ladrão não é ladreão); outras ameaçavam os deuses com desastres, a menos que fosse por eles assegurada a recompensa eterna às pessoas cujos nomes registravam. Todas eram compradas na crença de que garantiam livre ingresso no reino de Re (Deus).” Esta era a mentalidade que orientava o comportamento das pessoas no primeiro aglomerado humano denominado Civilização Egípcia que existiu há cerca de seis mil anos atrás. Cinco mil e quinhentos anos mais tarde, quando seria de se esperar que os seres humanos olhassem para aqueles fatos históricos como acontecimentos provenientes de monumental falta de maturidade de um povo ainda desprovido de evolução mental, cinco mil e quinhentos anos depois, eis que o capítulo intitulado A VENDA DE INDULGÊNCIAS, copiado das páginas 452 e 453 do mesmo livro dá prova cabal de viverem os seres humanos por época do descobrimento da república brasileira de banana na mesma falta de evolução mental dos seus antepassados egípcios. Não é outro o motivo pelo qual os humanos estão predestinados à infelicidade da subserviência. São ainda tão tolos que se empolgam com discurso de político. Imensas multidões enchem praças para ovacionar políticos que se fazem passar por defensores, mas que na verdade são algozes da turba constituída por adultos tão facilmente enganáveis quanto crianças. É o que se constata deste outro capítulo: “A teoria em que se baseia a indulgência tem seu fundamento na famosa doutrina do Tesouro de Merecimento, desenvolvida pelos teólogos eclesiásticos no século XIII. De acordo com essa doutrina, Jesus e os santos, devido às suas “supérfluas” de que deram provas na terra, acumularam no céu um excesso de merecimento. Esse excesso constitui um tesouro de graça sobre o qual o papa pode sacar em benefício dos mortais comuns. Originalmente, as indulgências não eram concedidas em troca de pagamento em dinheiro, mas apenas como prêmio a obras de caridade, jejuns, participação numa cruzada ou coisa parecida. Foram os papas da Renascença, com a sua insaciável cupidez, os primeiros a iniciar a venda de indulgências como negócio lucrativo; e os métodos que empregavam não eram nada escrupulosos. O comércio de “perdões” passava muitas vezes para as mãos de banqueiros que os negociavam à base de comissão. Como exemplo, podemos citar os Fuggers, de Augsburgo, que se encarregavam de vender indulgências para Leão X, com a permissão de embolsar um terço da receita. O único objetivo do negócio era, naturalmente, angariar tanto dinheiro quanto fosse possível. Em consequência, os agentes dos banqueiros iludiam os ignorantes fazendo-lhes crer que as indulgências eram passaportes para o céu. Por volta do século XVI o nefando tráfico havia atingido as proporções de um escândalo gigantesco. Acreditava-se que os objetos usados por Cristo, pela virgem e pelos santos possuíam uma milagrosa virtude curativa ou protetora para qualquer pessoa que os tocasse ou lhes chegasse perto. Era inevitável que tal crença desse ensejo a inúmeras fraudes. Tornava-se fácil convencer camponeses supersticiosos de que qualquer lasca de madeira velha era um fragmento da verdadeira cruz. Evidente, não faltavam negociantes de relíquias para se aproveitarem desta credulidade. Os resultados foram fantasticamente além do que se pode acreditar. De acordo com Erasmo, as igrejas da Europa possuíam pedaços de madeira da verdadeira cruz em quantidade suficiente para construir um navio. Não menos de cinco tíbias do jumento montado por Jesus quando entrou em Jerusalém eram exibidas em lugares diferentes, para não falar em doze cabeças de João Batista. Martinho Lutero afirmou num libelo dirigido ao seu inimigo, o arcebispo de Morgúcia, que este dizia possuir “uma libra inteira do vento que soprou para Elias na caverna do Monte Horeb, além de duas penas e um ovo do Espírito Santo”,

Estarrecedor é constatar que ainda no presente começo do século vinte e um, o mundo continua na mesma pasmaceira intelectual. Ou alguém pode encontrar alguma diferença entre a sandice de comprar entrada para o céu, a cena ridícula do Papa beijando o pé do infeliz presidiário, jovens cepando fora a cabeça de outros jovens para conquistar a graça divina, ou o pastor que segundo a imprensa convocou fieis para vê-lo caminhar sobre as águas do rio, mas foi comido por três jacarés? Se a juventude gosta tanto de velocidade, por que permanecer nessa pasmaceira eterna da mesmice? Inté.