segunda-feira, 10 de julho de 2017

ARENGA 434


 

Ante a falência deste governo de banqueiros, Renan Calheiros afirma que a solução pode ser assumir a presidência da república o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, mais um que integra o universo dos politiqueiros a irem para a cadeia no caso de virem todos aqueles que têm filhos a superar o fetiche do pão e circo e se ligar na obrigação cívica de emparedar com os bravos jovens da Lava Jato que lutam uma luta que deveria ser lutada por aqueles pais indiferentes ao futuro dos filhos. É em defesa destes filhos cujos pais estão menos preocupados com seu futuro do que com o resultado do exame de urina do jogador de futebola que os jovens da Lava Jato estão de olho no senhor Renan Calheiros que propõe entregar os destinos do país ao filho de outro politiqueiro a ser alcançado pela Lava Jato, Cesar Maia, sobre quem a imprensa dá a seguinte notícia: A Justiça do Rio decidiu manter a condenação do ex-prefeito do Rio Cesar Maia e da Fundação Solomon R. Guggenheim que determina o ressarcimento aos cofres públicos do município de US$ 2 milhões (mais de R$ 7,4 milhões). Será realmente esta a sorte deste país de grandes belezas e que também tinha grandes riquezas naturais antes de serem surrupiadas pelos governos de povos que se dizem civilizados, mas que são tão incivilizados e ignorantes que ao nos chamar de macacos estão, na verdade, nos chamando de seus pais, atitude com a qual desqualificam a nobreza da honra de suas senhoras mães? O “jeito” para o Brasil proposto pelo senhor Calheiros é um jeito de preservar as malandragens da falta de ética e decoro da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar uma vez que o próprio senhor Calheiros usou o dinheiro do leite das crianças pobres para alimentar uma filha sua, segundo a imprensa.

A propósito da aproximação do sentido de “jeito” e “cura”, ao depararem estes meus olhos de oitenta e um anos em torno dos quais digladiam as mulheres que o acham verdes contra as que os preferem azuis com um livro chamado O BRASIL TEM CURA, escrito pela bela jornalista Rachel Sheherazade, saltaram deles chispas não sei se verdes ou azuis, provocadas não apenas por um livro sugerindo cura para os males do Brasil, mas, e principalmente por ser escrito por uma funcionária de Silvio Santos, um dos promotores desses males não só como peça do pão e circo, mas também por estar envolvido nas falcatruas do Banco Panamericano, também conforme a imprensa. Por que, então, haveria de se arriscar a perder seu ótimo emprego a bela jornalista e apresentadora na televisão do senhor Silvio Santos, se emprego está tão raro, propondo curar o Brasil dos males que nutrem a fortuna do seu patrão? Fiquei naquela de por que comprar, por que não comprar? Comprei. Comprei e constatei tratar-se de mais um converseiro daqueles que saem do nada e levam a lugar nenhum. Na página 36 lê-se: “Incansável, o brasileiro vem tentando combater os erros mediante a multiplicação das virtudes. Como bom semeador, tem esperança de encontrar um solo fértil, onde as ideias, os valores e as boas ações inspirem, cresçam, prosperem e se multipliquem”. Alguém é capaz de encontrar um só brasileiro portador de tão nobres características? Nem mesmo em povo algum do mundo elas existem porque nem os “civilizados” as têm como prova o estado de beligerância que inferniza a humanidade. Então, não é de supor venha a tê-las um povo que merece a descrição feita pela própria escritora na página 37, reconhecendo nossa inferioridade da forma que se segue: “Somado aos problemas reais, cuja solução adiamos “ad aeternum”, está nosso complexo de vira-lata, termo cunhado pelo perspicaz dramaturgo Nelson Rodrigues e que designa nossa baixíssima autoestima. Ele afirmava que “o brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem”. E por que isso ocorre? Porque nossa autoimagem é extremamente negativa”.

Se o brasileiro cultivasse a virtude, como afirma a bela jornalista, não cuspiria na própria imagem, como afirma o dramaturgo cujas observações correspondem fielmente à personalidade do brasileiro, povo no qual o instinto de rato é mais forte do que no próprio rato e a pusilanimidade é bastante para fazê-lo orgulhoso em servir de capacho para as botas sujas dos gringos cavadores de riqueza como mostram os aviões abarrotados de idiotas deslumbrados com o American Way of Life levando economias para as compras em Me Ame. Inté.

 

domingo, 9 de julho de 2017

ARENGA 433





              Sendo pessoa de poucos conhecimentos, o que sei a respeito é por ouvir falar que havia escravos conhecidos por escravos bosteiros, cuja atividade era levar nos ombros sacos e mais sacos de bosta dos seus senhores cagões. Verdade que não posso garantir e assinar embaixo disso com a firmeza que posso garantir que a bosta e o cadáver são duas coisas além de repugnantes, causadoras de doenças caso não sejam descartados ou camuflados. Considerando que os politiqueiros cagaram tanto na política do Brasil que a transformaram o país num saco de bosta, não há outra opção senão descartar esta imundície porque já causa ânsia de vômito o fedor oriundo da podridão política. Uma nojeira tão esquisita que a justiça inocenta bandidos apontados por seus colegas de banditismo como autores de crimes, não obstante as evidências destes crimes saltarem aos olhos. Como a limpeza é um trabalho a exigir cuidados a fim de não fazer como nas tentativas russa e francesa de limpar a injustiça social das quais resultou apenas trocar por outros os injustiçadores, permanecendo a mesma injustiça de sempre, e como até o momento as ações se resumem a comentários sobre o mau cheiro, sem que ninguém se proponha a dar o primeiro passo na efetivação de uma verdadeira limpeza, nós, cá do alto do semianalfabetismo, nos propomos a fazê-lo. Repetindo o que por aqui já foi dito, de que as pessoas têm seu comportamento determinado pelo que aprendem em criança, e que  da política do egoísmo ensinada às crianças resulta um aprendizado que em termos de sociabilidade é um desastre, uma deseducação por ensinar a desarmonia, está aí, à vista de quem tem olhos de ver, que desse tipo de educação resultam multidões de necessitados vagando pelo mundo com suas inocentes crianças que não pediram a seus pais idiotas para as colocar nesse mundo infeliz onde só imbecis se sentem bem. A expressão de tristeza nos rostinhos de pureza angelical daquelas pobres crianças escorraçadas por estrondos de canhões não comovem aos religiosos porque para estes monstros espirituais o sofredor é o responsável pelo seu sofrimento, uma vez que lá na bifurcação do caminho do livre arbítrio, onde havia duas setas, uma indicando o CAMINHO DO BEM e outra onde se lia CAMINHO DO MAL, optaram pelo caminho do mal. Assim, uma vez que preferiram o mal, agora que se danem. Com este auto conforto, sentam-se à mesa farta ao lado de suas crianças bem nutridas e agradecem a Deus pela fartura. Uma esmola é o bastante para convencer o religioso de ter prestado sua solidariedade ao sofredor. Não lhe passa pela cabeça santificada que uma criancinha não é capaz de fazer opção pelo certo ou errado do livre arbítrio e que se foi feita pelos pais não é justo a criança sofrer as consequências. O religioso é um ser asqueroso, e mesmo nojento por sua aversão pela antirreligiosidade, exatamente onde está a verdade de ser a religião nada mais que um estelionato. É o que mostra a jornalista Elvira Lobato no Jornal Folha de São Paulo, na reportagem UNIVERSAL MOVEU 111 AÇÕES CONTRA REPORTAGEM SEM CONTESTAR DADOS, onde está dito que a igreja universal (com minúscula) já perdeu 110 das 111 ações movidas contra aquele jornal. Entre outras realidades ali tratadas tem-se que igreja universal já montou um império empresarial em nome de integrantes da cúpula da igreja de 23 emissoras de TV e 40 rádios, além de 19 empresas de segmentos diversos, como agência de turismo, jornais, editora, imobiliária e até uma empresa de táxi-aéreo, a Alliance Jet”. Isto significa que além dos palácios e os bilhões dados aos politiqueiros, os pais ensinam aos filhos que deem também aos salafrários da religião a mesma coisa, ou mais ainda, uma vez que é a palavra de Deus que manda assim. Manda, inclusive, que seu representante máximo, o Papa, se apresentasse ao lado do ditador Pinochet, monstro que por servilismo ao monstruoso governo americano mandava drogar jovens e atirá-los ao mar por divergência política em imagem que ilustra matéria jornalística de autoria do jornalista Mauro Lopes, publicada no blog Outras palavras intitulada  RESGATE DE UMA HISTÓRIA OCULTADA, onde se lê o seguinte: “Como o papa João Paulo II mudou a face do catolicismo ao perseguir, censurar ou humilhar religiosos e teólogos não alinhados com o conservadorismo. As alianças com a CIA e ditadores. O acobertamento da corrupção no Vaticano”.

Os religiosos se dividem em vários grupos de idiotas cada um afirmando que a religião correta, aquela que está de acordo com o que Deus determina, é a sua. É tão grande a cegueira mental destes energúmenos mentais que não percebem serem todas elas falsas. E para seu próprio bem, porque se existisse realmente um Deus que fosse bom, Ele daria um pau na moleira de quem Lhe atribui as maldades contidas na bíblia que os religiosos compram como proteção, mesmo porque eles não podem entender uma vez mal conseguem ler.

Excluídas as canalhices dos milagres, alguém é capaz de entrar numa igreja doente e sair são como se faz no hospital? Sem o fanatismo próprio da religiosidade esta realidade seria suficiente para mostrar que a infelicidade da carência decorre apenas da falta do dinheiro público roubado. Os ladrões da política não dispensam a companhia dos ladrões das igrejas por se tratar da parceria que levou Lula a colocar sua mão de quatro dedos (maior seria o estrago se fossem cinco) sobre a mão leve de Edir Macedo para inaugurar a Rede Record, e, depois, dona Dilma e seu séquito de politiqueiros na inauguração do malfadado Templo de Salomão. Já que o povo gosta tanto de maus tratos que elege uma mumificada bancada evangélica, pois que chorem aos borbotões nos corredores dos hospitais. Pais religiosos são monstros capazes de preparar para seus filhos um futuro de sofrimentos. Atitude coerente seria tirar os olhos da saia do padre, do chapéu de um pastor, da barba de outro pastor, e colocá-los no porquê de haver tanta carência ao lado de tanto dinheiro. É a única maneira de garantir a satisfação das necessidades, de todas elas sem exceção de uma sequer. As grandes empresas, entre elas a igreja universal, compraram as autoridades com propinas. A mais nova descoberta nesse sentido é a declaração de Palocci de que o asqueroso ministro Mantega compactuava canalhices com os banqueiros, canalhas de nascimento que ora manipulam o governo de banqueiros para fazer da Previdência Social nova fonte de onde tirar lucros fabulosos às custas do povo já acostumado a levar ferro. Os Grandes Mestres do Saber ensinam não só que os homens são dependentes de sociabilidade, mas também ser a sociedade uma bênção pelo seu caráter agregador. A observação desta realidade equivaleria à promoção da paz e da tranquilidade por todos desejada. Mas, em vez de seguir tais princípios, seguem-se falsos líderes cujo único objetivo é se locupletarem, indiferentes ao sofrimento daqueles de quem tiram a possibilidade de terem amenizados os sofrimentos.

 

Desde que se inventou o pão e circo que ele vem evitando conclusões capazes de orientar no caminho da paz por serem as guerras necessárias à prosperidade da indústria de armas que abastece nos infernos fiscais as contas bilionários dos monstros cuja felicidade resulta da infelicidade das famílias enlutadas pela perda de seus filhos. A passagem de uma sociedade ruim para uma sociedade melhor é difícil, haja vista as tentativas fracassadas que nem mesmo apararam as arestas da diferença entre os que tudo podem e os que nada podem. Cumpre, portanto, ultrapassar quaisquer dificuldades nesse sentido. Afinal, não há quem não queira viver numa sociedade melhor. Mas sociedade melhor não é sociedade rica como pensam os habitantes das sociedades pobres ao se mudarem sociedades ricas, o que não é solução porquanto o excesso de dinheiro tanto quanto a escassez também dá origem a problemas. Onde quer que haja dinheiro em excesso não faltará quem dele precise e vá atrás. As tentativas de mudança fracassaram porque, afinal, a estrutura social, dada sua complexidade, não pode ser demolida por uma explosão como se faz com um prédio. Ao contrário, precisa ser corroída aos poucos, o que se faz com inteligência. Não há estrutura que não pode ser demolida. É só uma questão de estratégia. Os contos da Carochinha são uma riqueza de exemplos de sabedoria vencendo a força. O pequeno Davi venceu o grande Golias. No folclore consta que uma raposa se lambuzou de mel, resfolegou sobre folhas, e se apresentou como o bicho folhagem, com o que enganou a fera que a perseguia. Foi também com astúcia que Dalila fez ruir o poderio de Sanção. É questão de usar da inteligência, ficando o resto a cargo da juventude que não leva para casa um zero do Enem. Inté.

 

 

 
 
 


 

sábado, 8 de julho de 2017

ARENGA 432


Quando um poderoso leão abate uma presa de grandes proporções, embora a comida seja várias vezes superior à sua capacidade de consumir, mesmo assim se enfurece, ataca e mata qualquer outro animal também faminto que se aproxima. Entretanto, como a união faz a força, quando o intruso em vez de apenas um, é uma matilha de cachorros selvagens, de modo que o poder da força resultante de sua união supera o poder do leão sozinho, eles expulsam o leão simplesmente, mas não o matam, e passam a comer. Este comportamento de irracionais é superior do ponto de vista da atividade de viver do que o comportamento dos seres humanos, a obra prima de Deus, segundo a estupidez que os caracteriza, visto que estes sempre promoveram morticínios mesmo depois de já terem tomado o que imaginavam precisar. Embora se possa alegar imprecisão no exemplo, porquanto a matilha também atacaria outro animal faminto que se aproximasse, mesmo havendo alimento suficiente para todos, ainda assim esse contra argumento não invalidaria o exemplo pelo fato de se tratar de irracionais. Serve perfeitamente o exemplo para levar à reflexão sobre a solidariedade entre eles, embora irracionais, e que não existe entre os humanos, embora racionais. A solidariedade existente no corporativismo entre os politiqueiros só se mantém até surgir oportunidade de passar a perna no que está em posição mais elevada.

Existem no mundo recursos materiais suficientes para que tenham absolutamente todos os seres humanos a possibilidade de viver dignamente, condição tão justa quanto necessária, uma vez que as necessidades não atendidas põem os necessitados contra aqueles que os impedem de atendê-las, gerando, desta forma, conflitos que inviabilizam a tranquilidade que deve ser o primeiro objetivo visado por seres que apesar de pensantes, não pensam no que deveriam pensar, haja vista se auto conduzir para a extinção. Dois são os erros crassos cometidos pela raça humana: religiosidade e indiferença política. Aliás, a primeira, apesar da seriedade com que se apresenta, tanto quanto as brincadeiras dos “famosos” e das “celebridades”, faz parte do pão e circo, fonte do analfabetismo ou indiferença política ao qual, se referiu Bertold Brecht como o pior tipo de analfabeto por estar nele a fonte dos males que colocam obstáculos no caminho rumo à civilização. Enquanto o analfabeto político diz ter nojo da política, o Grande Mestre do Saber Giorgio Agamben, diz: “A tarefa que nos espera consiste em pensar de cabo a cabo a “vida política”.

Os seres humanos carecem da compreensão da necessidade de um espírito de irmandade que una todos em torno de um sentimento de irmandade porque, na verdade, somos todos irmãos. Independentemente das diferenças físicas, temos o mesmo começo, o mesmo fim e as mesmas necessidades. A compreensão desta realidade é o que basta para tudo o mais se normalizar porque enquanto não houver uma participação direta de todos os interessados numa sociedade menos desigual, deixando esta responsabilidade a cargo de falsos líderes, enquanto perdurar esta inexplicável insensatez, não haverá a mínima possibilidade de terem os recursos públicos o destino que devem ter, ou seja, promover meios para que todos vivam com dignidade, o que exclui e existência de quem não possa ter alimentação, assistência à saúde, educação, segurança contra o vandalismo humano, e à moradia satisfatória. A conveniência do analfabetismo político é permitir que as leis abriguem subterfúgios ardilosamente engendrados a fim de serem burladas impunemente pelos privilegiados, daí e necessidade da extinção dos privilégios, o que jamais acontecerá sem que haja interesse coletivo nesse sentido.

Por acaso, na internete, dei com a sugestão para conhecer os dez aviões mais caros do mundo, pertencentes a governantes. É simplesmente estarrecedor! O primeiro deles, o da Arábia Saudita, o mais caro de todos, foi motivo de notícias da imprensa do mundo pela exuberância da comitiva que transportava, mas todas as notícias, evidentemente, sem tecer comentário quanto ao espalhafato perdulário. A ninguém ocorre atinar com a realidade de resultar desta cultura de desperdício a impossibilidade que tem o povo de atender as necessidades mínimas, principalmente aquelas que a velhice impõe. E aqueles que acreditam estar agindo normalmente, ainda que pessoas idosas, são incapazes de perceber que tal disparidade não condiz com sociedade. Em termos de comunidade, nada, absolutamente nada, pode justificar coisas assim: O rei saudita Salman al-Saud chegou à Indonésia esta quarta-feira para uma visita de Estado de um mês à Ásia, que terá o objetivo de estreitar laços económicos com o continente. Negócios à parte, foram os luxos da visita real que saltaram à vista da comunidade internacional. Segundo o "The New York Times", a comitiva do rei chegou à capital do país, Jacarta, em sete jatos privados e num avião miliar com 506 toneladas de carga. Dessas, 63 foram descarregadas em Jacarta e 396 vão ser descarregadas só em Bali - para onde Salman vai a seguir. "Na mala", vieram limusines e dois veículos elétricos para uso pessoal e exclusivo do monarca de 81 anos. À chegada ao aeroporto de Jacarta, Salman al-Saud desceu por uma escada rolante dourada de um jato pintado com as palavras "Deus vos abençoe".

É uma bobagem do tamanho do mundo manter uma série de palácios e uma casta de semideuses a consumir fábulas de dinheiro. Os privilégios que o povo dá às autoridades não devem ir além dos que as empresas privadas dão a seus funcionários. Por mais importante que seja o administrador de uma empresa privada, ninguém o chama de excelência, e olhe lá que esse pessoal trabalha realmente em prol da empresa que lhe paga, ao contrário das “excelências” que são pagas para fazer de conta que trabalham, quando não para roubar, simplesmente. Há realmente algo de muito, mas realmente de muito esquisito no comportamento do povo. Aliás, tem nada de errado, não. Afinal, povo existe para levar cacete e chorar na televisão. Até quando? Inté.

 

sexta-feira, 7 de julho de 2017

ARENGA 431


Como o pai que castiga os filhos para evitar-lhes sofrimentos futuros, não é outra a intenção de impropérios que por vezes pintam por aqui dirigidos aos jovens, mas sem pretensão de desrespeitá-los ou ofendê-los. Na verdade, a juventude é para nós uma filha maltratada pelos estupradores da sociedade em sua infinita maldade e que em vez de cadeia ocupam postos de mando nesta sociedade que parece amaldiçoada face a tantos infortúnios. Um destes infortúnios é ouvir o ministro dizer ser preciso apoiar o governo Temer a fim de não perder tudo que já foi conquistado. A primeira parte da declaração do senhor ministro está só nas linhas porque sendo ministro não haveria de dizer outra coisa para não deixar de ser ministro. Mas, nas entrelinhas, está a seguinte dúvida: O que é que já foi conquistado pelo governo, senão celas nas prisões? A juventude não é mais que uma criança a ser protegida porque não tem ainda discernimento para compreender a insustentabilidade que caracteriza sua sociedade de modo tão evidente e perigoso a ponto de ter perdido a noção de tranquilidade. É, pois, em defesa desta filha infeliz que nem mesmo sabe ser infeliz, face à inaceitabilidade de ser a indecência, a falta de caráter e pudor, a característica de sua sociedade de modo tão evidente que valoriza as mediocridades e as trata por excelências e reis enquanto despreza e até mesmo persegue seus verdadeiros valores. De tanto ver o sucesso das qualidades negativas em detrimentos das positivas, de tanto ouvir falar ser preciso fazer isso e aquilo, mas só de falar sem que nada se faça em prol de uma vida descente, talvez envaidecido pelo fato de ter o professor, pesquisador e escritor de primeira grandeza Durval Lemos Menezes me elevado à categoria de escritor quando incluiu um texto de minha modesta autoria em um de seus livros, A República dos Miguelenses, mais um dos seus abnegados trabalhos de interessantíssimo devorteio  cultural sobre a formação e desenvolvimento de nossa região, e pelos incentivos de outro escritor, Edimilson Santos Silva Movér, ou do advogado e poeta Raimundo Cunha, como também por ter merecido gratificante dedicatória num dos seus livros que me foi presenteado pelo professor e escritor Evandro Gomes Brito, e também pela presença de quem nos honra com sua visita (em média mil por dia), tudo isto somado a uma vontade muito grande de levar até à juventude algo da experiência de quase um século de observação da vida, deixo de lado a dificuldade com o vernáculo, assumo o mesmo ar de superioridade de quando resolvi mandar e efetivamente mandei a depressão para os quintos dos infernos, e sigo de peito estufado na tarefa de tentar mostrar à juventude, considerada uma filha maltratada pela pusilanimidade de falsos líderes, a necessidade de cuidar melhor de si e de seus filhos.

Para começar o puxão de orelha, faz-se necessário antes de tudo que os jovens saibam da urgência em se fazer com que as normas de comportamento estabelecidas pelas leis sejam observadas por absolutamente todos os membros da sociedade, e, com a mesma importância, que as punições nelas previstas também punam a todos indistintamente, não se justificando sob hipótese alguma que ninguém a elas se sobreponha. Os jovens devem atentar serem eles os maiores prejudicados com os desmandos dos quais resulta o célebre “sabe com quem está falando?”. Esta cultura revela o estado crônico de ignorância de sociabilidade em que ainda se encontra a humanidade, e que precisa ser superado, tarefa para a juventude. Nota-se que os seres humanos ainda têm muito da infantilidade dos tempos em que os fenômenos da natureza representavam mistérios. Esta infantilidade se manifesta de forma mais visível nas mulheres por afetar o universo feminino, enquanto entre os homens, nem todos sentem necessidade de abrir um buraco na orelha para espetar uma argola, embora grande quantidade de homens o façam, até mesmo senhores grisalhos ou comentaristas de politicagem. A capacidade de raciocinar já amadureceu o bastante para continuar tendo razão o historiador Henry Thomas quando chegou à conclusão que o levou a afirmar ser o homem uma criatura estúpida e que seu progresso tem sido muito lento (Henry Thomas, História da Raça Humana, página 16). Desta forma, que se apresse o passo para se afastar a estupidez de se manter submisso aos desmandos. Não há porque estar de acordo com eles. As imposições das leis têm necessariamente de ser observadas por todos, do trabalhador ao bacana. No entanto, não passando de piada a afirmação legal de serem todos iguais perante a lei, inviabiliza-se o bem-estar por todos almejado. Apesar desta realidade, a ninguém ocorre dar à legislação caráter de seriedade. Lembrando a conclusão de outro pensador por aqui citada por mais de uma vez, de não ser possível resolver um problema enquanto perduram as circunstâncias que lhe dão origem, tem-se que as circunstâncias que dão origem ao problema do descumprimento das normas que visam o equilíbrio social é um problema duplo: Serem as autoridades que elaboram as leis aqueles que as infringem com maiores danos sociais, e o fato de serem estes fraudadores que escolhem os aplicadores das sanções impostas. Desta situação resulta não passar de quimera a esperança de justiça comumente implorada por sofredores em lágrimas na televisão.

 A vida tem sido tocada na base da mentira, da falsidade e do engodo. Acreditar na imparcialidade dos aplicadores da lei equivale a acreditar em Papai Noel porquanto é supor haver seres humanos com elevação espiritual capaz de abnegação bastante, o que demanda firmeza de caráter e espírito de solidariedade para conter-se diante de um tesouro sem lhe meter as mãos. Como isto ainda é incompatível com a barbárie atual, aí estão advogados deputados, senadores e ministros jurando aos pés da cruz que bandido não é bandido. Nem podia ser de outra forma, vez que o tesouro está entregue às pessoas que ainda não conseguem se segurar por lhes ter sido inculcada a cleptomania na personalidade, juntamente com os nutrientes da amamentação.

Com exceção de raros gatos pingados, os julgadores estão ligados aos julgados por laços de amizade ou de companheirismo nas falcatruas, resultando daí que os julgamentos são um faz de conta. Quando um governo em julgamento transforma o ministro da justiça em ministro do STF, busca a proteção do companheirismo, o que leva à conclusão inevitável da necessidade de haver participação dos administrados na administração para que haja a necessária transparência nos atos das autoridades. Enquanto as autoridades só tiverem a si mesmas a quem prestar contas, pode tirar o cavalo da chuva que a malandragem própria de todos os seres humanos sem nenhuma distinção continuará fazendo crer que as autoridades sejam realmente excelências e merecedoras da vida de regalias que o povo alheio a tudo lhes dá.

O egoísmo, próprio de todo ser vivo, para ser contido, exige elevação espiritual impossível de ser encontrada em seres tão brutos que se matam entre si. Mas tais elucubrações nem passam pela mente de quem vive a correr atrás de dinheiro. Enquanto for assim, predominará a brutalidade que identifica a sociedade humana com a dos irracionais. Portanto, chega de falar em mudança por trocar de governo por ser apenas trocar a vestimenta das malandragens. A maior de todas as malandragens é a de apontar defeito na Operação Lava Jato. Ela representa o começo da verdadeira mudança ao mostrar ser impossível deixar a riqueza pública à mercê das autoridades, simplesmente por ser impossível haver quem mereça confiança. Dinheiro é roubado aqui, ali e acolá. A imprensa, embora se beneficiando dos desmandos, tendo por ofício dar notícias, noticia a roubalheira escancarada entre administradores públicos e as grandes empresas, merecendo da população apenas comentários indignados, às vezes até mesmo em tom de brincadeiras, sem nunca merecer uma discussão séria sobre como resolver o problema. É preciso mais do que qualquer outra coisa se atentar para o fato de não haver escassez de dinheiro para coisa alguma. PARA COISA ALGUMA! No entanto, falta dinheiro para tudo. Onde estaria ele? Usando daquilo que a juventude mais entende, o futebola, levantada a bola, fica o resto por conta dos jovens, os mais prejudicados.

Estes pobres e inocentes jovens atarantados, lutando ansiosamente por um lugarzinho ao sol, precisam ser  despertados para a realidade de lutarem uma luta inglória porque a recompensa pela luta que eles lutam não passará de evitar cair no rol dos excluídos uma vez que este lugarzinho ao sol está reservado para ladrões do dinheiro público, profissionais da esquisita profissão de dizer que ladrão confesso é inocente, lugares estes de tal relevo que seus ocupantes são elevados à categoria de EXCELÊNCIAS. A estes privilegiados donos dos lugares onde o sol é mais brilhante e a vida uma beleza, encontra-se outra categoria de privilegiados que são os empregados do pão e circo, cuja importância eleva seus ocupantes à categoria de REIS, FAMOSOS E CELEBRIDADES. Por conta de tamanha distorção é que a juventude carece de proteção. Não se pode deixar uma criancinha vagar no meio do trânsito caótico de abastadas inutilidades que ocupam o lugar das poucas pessoas nobres. Inté.

 

 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ARENGA 430


A paciência do brasileiro, ou a desinteligência, é realmente de estarrecer. E digo com convicção porque se uma pessoa de poucos conhecimentos como eu não aguenta mais ler jornal nem ouvir noticiário por não querer ter náuseas despertadas pelo converseiro nojento e infindável sobre acusações e negar acusações, sobre o que disse o presidente, o ministro, o advogado do ladrão do erário, o deputado, o senador. Se alguém de parcos conhecimento percebe a merda que é tudo isso, nada, absolutamente nada, pode justificar que pessoas de discernimento não percebam o cinismo dessa gente. O de que precisamos é conversar sobre um novo modo de ser. Para tanto, entretanto, de grande proveito é pensar sobre como fomos. Afinal, o passado é excelente escola por mostrar os erros e permitir evitá-los. É por isto que os jovens devem conversar com os velhos em vez de idiotamente achar “prosa” o que eles têm a dizer. Ouvindo-os os jovens poderão evitar tropeçar nos obstáculos onde os velhos tropeçaram quanto eram também inexperientes da vida.

A menos que o computador resolvesse ser tão falso quanto o negar as acusações e a personalidade daqueles que as negam, os inimigos da Lava Jato, seus parceiros que os defendem, há quem leia as garatujas aqui rabiscadas uma vez que são registradas na média mil visitas diárias. Então, não deve este mal amanhado blog estar assim tão em distonia com a realidade da necessidade de mudança, razão pela qual devemos todos fazer ouvidos de mercador para o rame-rame da papagaiada de microfone e buscar as causas de estultice humana a fim de superá-la. Junto a este convite aos jovens para pensar, vai também uma opinião nesse sentido, começando depois do tempo em que nossos antepassados viviam desgarrados, isolados, ou em grupos de um macho uma fêmea e a prole:

Primeiro descobriu-se a necessidade de vida coletiva, descobrindo-se depois que viver em grupo é diferente de viver sozinho porquanto determinados comportamentos precisavam ser observados. Entretanto, a diversidade de caracteres que determina a personalidade de cada ser vivo, racional ou não, impossibilitava haver a uniformidade comportamental necessária uma vez que a variedade de comportamentos dificultava ou mesmo impedia que a vida grupal ocorresse normalmente sem desavenças decorrentes de inveja, ciúme e ódio, geradores de desavenças e violência proveniente de tais sentimentos negativos pelo egoísmo que encerram. Apesar de medíocre, a atividade cerebral levou a engendrar normas de comportamento a serem observadas por todos indistintamente, cuja observação seria imposta por uma força superior a todos os indivíduos o suficiente para obrigá-los a observá-las. Porém, chegaram a esta sábia resolução sem antes perceber que o desenvolvimento mental não superara a fase anterior de bichos da qual haviam acabado de sair. Como é a convicção que dá o tom do comportamento, o medo da fome dos tempos em que só havia comida se fosse encontrada ao acaso, uma raiz aqui, uma fruta acolá, não muitas vezes venenosas, enfim, longo período em que comida era realmente um grande problema. Esta dificuldade continuou a inspirar a necessidade de guardar provisões. Porém, mesmo depois que os alimentos não dependiam mais do acaso graças ao cultivo e domesticação de animais, a preocupação em guardar provisões continuou a orientar o comportamento de disputar posse de provisões na força do braço, o que impediu desfrutar das vantagens da vida em sociedade.

No momento em que o instinto gregário levou à formação de grupos ainda era muito forte a lembrança dos tempos em que a irracionalidade predominava sobre a razão de tal forma que mesmo depois da produção de alimentos permaneceram as querelas de antes dessa fase, razão pela qual o comportamento dos humanos muito pouco se diferenciava do comportamento dos irracionais. É compreensível que tal comportamento perdurasse por algum tempo, visto que uma vez firmada determinada cultura, não é de uma hora prá outra que ela deixa de exercer sua influência. O que não se pode admitir é que nunca chegaram os seres humanos à conclusão da desnecessidade da competição por não haver mais motivo para tal, uma vez que o alimento não mais precisava ser caçado. Apesar de tão clara evidência, até hoje o comportamento das pessoas ainda tem por objetivo acumular provisões. Sem que o saibam, não é outro o motivo pelo qual as pessoas acumulam fortunas inteiramente desproporcionais às necessidades. Estas pessoas precisam ser despertadas da ojeriza pela vida comunitária a fim de perceberem que de suas ações resultará seu próprio infortúnio. Não se justifica viver o presente como foi vivido o passado, em disputas.

Mas não é fazendo devorteios em torno do que disseram as “autoridades” que se vai mudar nada porque elas nada querem mudar. Acostumados à vida mais do que fácil de não saber quanto custa absolutamente nada, do limpar dos sapatos aos jatinhos e jatões cruzando os céus, passando pelas pastas 007, sacolas, cuecas e meias recheadas de dinheiro, é fazer papel de completo idiota dar ouvidos a essa gente em suas falas de mudença. Atente-se para o cinismo com que falam em CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR. O parlamento resume num imenso aglomerado de parasitas. A ética é a mesma que existe entre os mafiosos, ou seja, solidariedade entre criminosos, e o decoro, este é de pocar de rir.

Ante situação tão calamitosa que jogadores de futebola recebam mansões em Paris e professores recebem porrada; em que criança é baleada ainda na barriga da mãe; em que trabalhadores fiquem sem seus salários porque o dinheiro do pagamento o governador e sua mulher compraram joias; em que o presidente da república faz reunião às escondidas com pessoa que ele mesmo vem declarar ser de bandido; desonestos perseguindo honestos; governo tornado propriedade de grandes grupos empresariais. O que está posto aí é uma sociedade gangrenada por falta de irrigação de moral e decoro que precisa ser extirpada, e o único cirurgião capacitado para a operação é uma juventude menos preocupada em se preparar para ganhar dinheiro do que em viver bem juntamente com os filhos. Se houvesse vantagem em ajuntar um montão de dinheiro para se viver bem, os americanos, franceses e ingleses não estaria se borrando de medo dos fantasmas dos que eles mataram para tomar o que tinham. Viver bem só é possível numa sociedade na qual circule sangue de nobreza espiritual. Inté.   

  

 

 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ARENGA 429


 

 
 
A imprensa, sem a menor sombra de dúvida é o espelho que reflete a alma da sociedade. Se a sociedade sempre esteve, está e estará doente, sua cura depende exclusivamente de duas coisas básicas: que a massa bruta de povo se inteire do que diz a imprensa, o que se faz lendo os jornais e ouvindo os noticiários. Mas isto é a segunda parte do que é preciso fazer para curar a sociedade por que em primeiríssimo plano está a necessidade de ler nas entrelinhas. Veja-se, por exemplo, a seguinte manchete no jornal Folha de São Paulo: “'Não há democracia sem política e sem político', diz Gilmar Mendes”. A dificuldade toda está na realidade de nem mesmo o pessoal da área de saúde ter condições de diagnosticar o tipo de infecção social que desta notícia emana, e digo isto porque um médico ao saber que eu melhorara me disse que era graças a Deus, o que mostra ser tão incapacitado em percepção quanto a massa bruta de frequentadores de igreja, axé e futebola. Desta forma, sem condições de diagnosticar a doença pelos doentes, o povo, fica impossível curá-la. O que dizem as entrelinhas da notícia? Para uma análise eficiente é preciso antes de tudo saber quem é Gilmar Mendes. Para tanto, da mesma forma, é preciso adquirir o conhecimento sobre o procedimento antissocial que ele tem demonstrado em suas decisões de juiz, o que pode ser feito através da própria imprensa ou da biografia do senhor Mendes. Feito isso, cabe agora descobrir a doença social gravíssima escondida nas entrelinhas da declaração do senhor Mendes no jornal Folha de São Paulo. Em primeiro lugar, é preciso distinguir entre política e politicagem. Qualquer forma ou sistema de governo poderá cumprir perfeitamente bem o papel que lhe cabe de administrador público desde que executado por líderes autênticos, peça fundamental, sem a qual é inteiramente impossível haver a verdadeira política. Desta forma, o senhor Mendes está dizendo que a sociedade está condenada a ser administrada pela bandidagem que impede seja alcançada a aspiração de se chegar a uma política correta em vez das falcatruas da politicagem ora praticadas escancaradamente, inclusive pelo senhor Mendes, de acordo também com a imprensa.

Na verdade, a declaração do senhor Mendes não representa apenas uma doença. Ela contém um surto de várias doenças como o mal embutido na própria democracia. Não é à toa que ela é tida como a melhor forma de administração pública apenas por não haver outra pior. Realmente, em hipótese alguma, jamais, em tempo nenhum, administração alguma será bem sucedida com administradores escolhidos por administrados que não estão nem aí para os rumos da sociedade para a qual está escolhendo os responsáveis pela administração dela. É tamanho o desinteresse dos imbecis pelo destino de sua sociedade que seus administradores se locupletam com o erário e ficam por isso mesmo porque são eles quem coloca nos postos de julgadores de crimes os juízes que vão julgar os crimes que eles mesmos cometem. Não é sem razão, pois, que a democracia não passa de mais um engodo entre os muitos existentes, entre eles a religião e o pão e circo. Aliás, em se tratando de ser humano, a pior espécie de ser vivente, nada de bom se pode esperar em virtude de sua incapacidade de racionar corretamente.

A incapacidade mental do ser humano também pode ser vista no espelho que reflete a alma da sociedade, a imprensa. No mesmo jornal Folha de São Paulo, o frei Leonardo Boff diz o seguinte:o grande meteoro rasante ameaçador da vida no planeta é o próprio ser humano. Ele se fez o Satã da Terra quando foi chamado a ser o anjo bom e cuidador do Jardim do Éden”. O que dizem as entrelinhas da declaração do religioso é que uma entidade denominada Deus, figura imaginária jamais vista por ninguém, salvo nas histórias da carochinha da bíblia, o livro mais vendido no mundo por serem seus compradores tão estúpidos que veem nele proteção. O senhor Leonardo Boff, como o médico que afirmou ter sido esse tal de Deus o responsável pela expulsão do cálculo renal que me fazia sofrer, quando na verdade foram os medicamentos que certamente irão provocar novos problemas, uma vez que de todo remédio provém algum mal. Nas entrelinhas da declaração do frei há uma inconsequência do tamanho do mundo: A afirmação de que o Deus dele queria que o homem fosse o anjo da Terra, mas que em vez disso se tornou o Satã da Terra, está declarando um retumbante fracasso de Deus porque se ele não conseguiu o que queria é por ser impotente em vez de onipotente como afirma a malta de frequentadores de igreja. Todo o atraso em que vive a humanidade, como disse o pensador, tem uma só causa: A IGNORÂNCIA. Inté.  

 

 

 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

ARENGA 428


Se é importante pensar, mais importante ainda é pensar sobre o que pensar. O pensador Marx, por exemplo, apesar de muito ter contribuído com a evolução social ao mostrar a antissociabilidade do capitalismo, desperdiça pensamentos ao supor que o proletariado fosse capaz de organizar uma sociedade justa ou organizada, o que jamais poderia acontecer tendo em vista que proletariado é povo, e, em função das tais Forças Ocultas que a Operação Lava Jato está desocultando, foi o povo reduzido à condição de nada mais do que material humano ou massa desprovida da espiritualidade inerente à capacidade de formar uma sociedade organizada como pensava o filósofo Carl Marx. A incapacidade de racionar do povo fica suficientemente provada no fato de ter o próprio povo se divido em duas categorias antagônicas de explorados e exploradores, o que vai de encontro à realização do objetivo primeiro dos seres vivos que é poder satisfazer suas necessidades, a cooperação e não a competição da exploração deveria orientar o comportamento humano caso se pensasse corretamente. “Todo mundo pensa”, afirma-se de modo geral. Entretanto, é uma afirmação feita sem que antes se tivesse pensado a respeito porque o pensar de “todo mundo” é insignificante em relação à concretização da aspiração universal de ser realizada a vontade existente em cada indivíduo de poder viver de modo agradável, o que só pode acontecer se atendidas de modo satisfatório as necessidades indispensáveis a uma vida digna como deve e pode ter cada um dos seres humanos se os recursos públicos a todos servissem.  Devaneios filosóficos existem aos montes sem nenhuma ligação com a realidade da vida, e a religiosidade é a fonte maior de pensamentos não só inúteis, mas também prejudiciais aos seres humanos por se tratar de embuste do qual apenas os ateus escapam porque não se pode ser ateu sem conhecer a verdade de que  todas as crenças religiosas se apoiam na ideia de um Deus de bondade infinita cuja história é totalmente desmentida pela realidade que os religiosos desconhecem simplesmente por abominarem tudo que se refere à antirreligiosidade. Por trás desse tal de Deus que eles afirmam de bondade infinita há um rastro de infinitas maldades e sofrimentos inimagináveis ao submeter seres humanos a métodos bárbaros de tortura antes de queimá-los vivos. O horror a tudo que diz respeito à antirreligiosidade não permite que os religiosos tomem conhecimento do que há por trás da Inquisição, Reforma Religiosa e Cruzadas, quando a igreja matava pessoas em cruel perversidade para se apoderar dos seus bens.

 A denominação MUNDO CÃO para definir o estado de miserabilidade em que vivem os seres humanos se justifica exclusivamente pelo fato de se ignorar a verdade de não depender de Deus o alívio dos sofrimentos evitáveis, mas sim do uso correto dos recursos materiais aprisionados por apenas um por cento da humanidade. A falta deles é responsável pelo estado de caos, realidade que aparece em matéria jornalística do escritor religioso frei Leonardo Boff, na qual não se menciona a falta de Deus como causa de sofrimentos. É o que se vê na seguinte passagem da reportagem no jornal Le Monde Diplomatic Brasil: “No texto analítico que escreveu para esta edição, Leonardo Boff aponta as “quatro sombras que pesam sobre nós e que originaram e originam a violência”. São elas o NOSSO PASSADO COLONIAL elitista e dependente da matriz; o GENOCÍDIO INDÍGENA, que gerou o desrespeito e a discriminação social; a ESCRAVIDÃO NEGRA, “a mais nefasta de todas”, que estruturou a desigualdade social das maiores do mundo; e A CAPITALISTA LEI DE TERRAS”. Desinteligentemente, recorre-se às igrejas à medida que aumentam as dificuldades, resultando desse procedimento impróprio mais dinheiro canalizado para o Tesouro da Casa do Senhor, como o saque a Jericó (Josué 6:24). Na página 150 do livro Filosofia, de Stephen Law, Editora Zahar, há um dos raríssimos raciocínios lúcidos sobre religião. Mostra a relatividade das experiências religiosas, o que desnuda a mentira de sua eternidade. “Se católicos veem a Virgem Maria, romanos antigos viam Zeus, e os nórdicos antigos viam Odin”. Desse modo, conclui o filósofo, tais experiências não passam de criação da mente. Através do Mito da Caverna, Platão mostrou o quanto a mente pode estar condicionada a ter por realidade a irrealidade que leva uns a encarar como horror a cepação de cabeças por ordem de Deus enquanto os cepadores estão certos de agirem corretamente do ponto de vista da religiosidade. Tanto é inútil cepar fora a cabeça de jovens quanto a esperança de resultar algum benefício em se beijar a mão do Papa ou o Papa beijar o pé do sofredor. Apesar de inúteis tais atitudes, estas inutilidades ocupam a atividade de pensar da humanidade em peso, razão pela qual não sobra tempo para se pensar se é realmente necessário viver de forma tão despropositada que o criador dos bens indispensáveis à vida no mundo, portanto, o verdadeiro soberano, o senhor povo, seja relegado à insignificância absoluta. Em torno disso é que se deve voltar a atividade de pensar. O que leva o povo a ser indiferente à condição vil a que foi submetido de não poder satisfazer suas necessidades primárias? Nosso povo, sobremodo, se encontra tão separado da realidade que a parcela dele tida como a mais esperta em termos de viver, os cariocas, justificam a seguinte observação contida no Caderno Opinião do Jornal do Brasil de 16/06/2017, em matéria intitulada NO RIO DE JANEIRO DA CRISE, CARNAVAL DEVERIA SER TROCADO POR PASSEATA DE LUTO.  A reflexão exposta no jornal é uma prova viva de comportamento ilógico ante as condições de penúria que envolvem aquele povo. Lá está o seguinte pensamento lúcido:No Rio de Janeiro onde falta remédio e segurança, onde a Uerj está fechada, os professores estão sem receber, há mais de 5 milhões de desempregados, querer priorizar a verba para o carnaval é de um sadismo hitleriano. Ou quem sabe não faz parte da tática do "pão e circo", dos romanos? Aqueles que defendem que não haja corte de verba no carnaval deveriam se envergonhar, principalmente no momento em que o Brasil vê o Rio como a "caixa podre" que todo o dia expele mau cheiro. Carnaval é a festa do povo, e é justamente o povo que está sendo humilhado, sacrificado, agredido, sem trabalho, sem escola, sem saúde... Seria muito mais justo que o carnaval fosse trocado por uma grande passeata de luto e de revolta contra os saqueadores do estado. Que não houvesse só uma quarta-feira de Cinzas. Que os outros quatro dias fossem também quarta-feira de Cinzas. Não se aguenta mais aquele refrão que, na época, era bonito, mas que hoje seria digno de enterro: "Para tudo se acabar na quarta-feira". O Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, é uma eterna quarta-feira de Cinzas. Tudo já se acabou: a felicidade, o emprego, a saúde, a segurança e até a liberdade”.

É, pois, mais do que necessário voltar os pensamentos para a direção certa. Como pode um povo em tal estado de miserabilidade optar por festa em vez da solução dos problemas que o afligem? Algo de muito estranho acontece com o povo e a explicação é tão clara como água cristalina no copo de cristal onde eu tomava uísque antes de ter o estômago estragado pelo tempo que tudo estraga e que estragará também a vitalidade dos jovens, embora eles não acreditem, uma vez que a juventude é constituída de espécimes de povo, portanto, infensa à nobreza da atividade de pensar. A explicação para a apatia popular à meditação deve-se exclusivamente ao pão e circo mencionado no jornal. A atenção tanto de seres racionais quanto irracionais tende a ser atraída para o lugar de onde vem algum tipo de estardalhaço. Assim, para que as pessoas não deixem a condição reles de povo e perceba a realidade em torno de si, os espetáculos mirabolantes chamam para si a atenção do povo, permitindo os acontecimentos ora mostrados pela Operação Lava Jato combatida pelos promotores do pão e circo sob a indiferença do bicho povo.  

Sara me disse ter causado espanto entre seus colegas do curso de gastronomia o fato de ter um marido ateu. Entretanto, para pelo menos no que diz respeito ao marido dela, ou seja, eu, ser ateu é apenas ter aprendido a realidade de se viver uma grande farsa com os Grandes Mestres do Saber, que sabem infinitamente mais sobre a vida do que representantes de Deus capazes de cometer crimes contra a sociedade. Para se chegar à conclusão de se estar no caminho errado é suficiente verificar que a humanidade nunca dispensou a proteção divina ou da riqueza, não obstante a infelicidade que desde sempre atormenta os seres humanos. Se o povo não percebe o engodo em que vive é por falta do discernimento que o pão e circo não lhe permite ter, atrofiamento mental que se mostra de várias maneiras como, por exemplo, dar dinheiro ao governo para que o governo diga ao povo estar trabalhando em seu benefício, quando tudo à volta são só malefícios.

Algo sobre o que voltar o pensamento é a explicação para o fato de ter sido a parcela realmente dinâmica da sociedade, a juventude, levada a um total desinteresse pela qualidade de vida. O que será que leva os jovens a tomarem por ídolos chutadores de bola ou apresentadores de programas medíocres de nenhum incentivo mental e de baixíssimo nível espiritual, quando não amoral ou pornográfico? O que leva jovens a deixarem seus países para a imbecilidade de andarem vários quilômetros na Espanha com a única finalidade de passar por onde passou Santiago Compostela? Por que não pensar sobre o motivo pelo qual semianalfabetos são elevados à categoria de famosos e celebridades? Estes assuntos, sim. Devem ocupar a atividade de pensar porque são eles a base do conformismo do povo com sua condição inaceitável de seres inferiores. Se há exagero na filosofia de que todos nascem iguais e livres, maior exagero há na falsidade de ser necessário haver pessoas cujo destino seja servir a nababos senhores tão ignorantes da realidade da vida quanto seus serviçais, o povo, único sacrificado pelos incêndios, enchentes, secas e doenças curáveis.

No livro 1822, Laurentino Gomes nos dá amostra perfeita da serventia que tem o povo. Quando o governo de D. Pedro I se encontrava em palpos de aranha para não ser derrotado na revanche dos portugueses conta o que se chama impropriamente de Independência do Brasil, coisa irreal porque este pobre país de juventude alienada nunca deixou de ser submisso aos gringos. Apesar de sua pobreza endêmica, montanhas de dinheiro são levadas para fora por macacos deslumbrados pelo American Way Of Life. Mas isto é outra história. A falta de homens para enfrentar os portugueses deu origem à seguinte situação narrada na página 168: “Em 1826, o Ceará ofereceu 3.000 recrutas ao imperador. Embarcados para o Rio de Janeiro no porão de um navio, 553 deles morreram de fome e sede durante a viagem”. “O pavor do serviço militar entre a população pobre do interior era tão grande que muitos jovens amputavam dedos dos pés e das mãos na tentativa de fugir ao recrutamento”.  E na página 170 consta que ter sido enviado para a Alemanha (prova de que povo é povo em qualquer lugar do mundo) um alemão chamado Schaffer destinado a recrutar mercenários alemães para ajudar na luta pela “independência”. O episódio é descrito pelo historiador da seguinte maneira: “Em anúncios publicados nos jornais alemães, o esperto Schaffer prometeu mundos e fundos em nome do imperador brasileiro a quem se dispusesse a migrar para o Brasil. Os benefícios incluíam viagem paga, um bom lote de terra, subsídio diário em dinheiro do governo nos dois primeiros anos, cavalos bois, ovelhas e outros animais em proporção ao número de pessoas de cada família, concessão imediata de cidadania brasileira, liberdade de culto religioso e isenção de impostos por dez anos. Era tudo mentira. Ao chegar ao Brasil, os alemães recrutados por Schaffer descobriram que, antes de tomar posse da tão sonhada terra, iriam para a guerra. Muitos morreram enquanto suas famílias esperavam meses antes de serem encaminhadas para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Deixadas à mingua, só a garra e o espírito de solidariedade as salvaram da miséria ou da morte enquanto esperavam em vão que seus pais e maridos retornassem dos campos de batalha”. O destino do povo tem sido tão cruel que até parece perder ele a razão de existir caso venha a deixar de ser massacrado. Conduzido como boiada, o povo é indiferente a si mesmo. Não deve isto ser objeto de especulação mental? Há alguma coisa esquisita no fato de alguém não se preocupar nem com seu futuro e nem com o futuro principalmente dos filhos. Inté.