terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ARENGA 467


            A observação da vida leva à conclusão de que uma mentira repetida mil vezes tem a desvantagem de assumir foros de verdade. Mas o fato de ser considerada verdade não quer dizer que o seja. Continua sendo mentida e como tal convence de se estar procedendo corretamente, quando, ao contrário, procede-se erradamente. O fato de ter a vida dos seres humanos como paradigma duas grandes mentiras que acreditam serem verdades vem orientando-os de forma tão equivocada que eles produzem sua própria infelicidade em vez da comodidade indicada pelo pouco de sabedoria existente na natureza. Resultou em desassossego generalizado o procedimento humano orientado por duas grandes mentiras transformadas em verdade pela repetição transmitida de pais para filhos através das gerações. Uma destas mentiras é a promessa dos administradores públicos de organizarem uma sociedade justa com os recursos que seus membros lhes entregam para esta fim Outra grande mentira é contar com proteção divina. Da administração pública, em troca de muitos bilhões a sociedade é enganada com o mínimo necessário para conter a explosão que aconteceria se nada recebesse. Apenas migalhas e nada mais. Outra mentira que virou verdade de tanto ser repetida e transmitida de pais para filhos é Deus. O comportamento de esperar lisura dos administradores públicos na aplicação do erário trouxe ao caos proveniente da falta do dinheiro cujo destino a ninguém mais é dado o direito de ignorar porque a imprensa mostra diariamente o que é feito dele, enquanto que o comportamento de esperar de Deus alívio para os sofrimentos decorrentes da falta da aplicação correta dos recursos públicos, embora esperada desde que se tem notícia da existência das religiões, nunca veio nem nunca virá simplesmente por não existir Deus.

            É, pois, por ter seu comportamento fundamentado em duas mentiras transformadas em verdade que o ser humano é infeliz de uma infelicidade da qual nem sabe existir como evidenciam as festividades na juventude e tormentos depois dela em consequência de ter passado a vida inteira brincando e correndo atrás de dinheiro, sem ter tido um momento sequer de reflexão. Quando acontece de algum gato pingado parar para pensar, tais pensamentos versam sobre inutilidades como a preocupação em saber de onde viemos, para onde vamos, qual nossa finalidade no mundo. Enfim, apenas baboseiras, quando em primeiríssimo lugar a preocupação de todo aquele capaz de pensar deve ser no sentido de se viver de forma agradável, o que é inteiramente possível, dependendo unicamente de que os recursos produzidos pelos seres humanos sejam gastos visando tal objetivo. Entretanto, graças às mentiras tidas como verdades, não se percebe ser inteiramente inaceitável do ponto de vista do bem-estar social a existência das fortunas individuais mostradas à sobeja pela imprensa do mundo inteiro.

            Se a humanidade vai de mal a pior, tal fato se deve exclusivamente à falta de meditação sobre como ir melhor. Toda informação precisa ser examinada e reexaminada antes de ser aceita como verdadeira. Caso contrário, cai-se na mentira de ganhadores do Nobel de ser a competição a forma ideal para se viver em sociedade. A competição é uma invenção antissocial que deu origem à acumulação de riqueza num só lugar e miséria nos outros lugares. A sintonia fina da reflexão de Machado de Assis levou-o a dizer no conto A Igreja do Diabo que a economia tem por base a avareza. Portanto, a felicidade humana depende de uma juventude menos fácil de ser enganada que se ponha a refletir sobre a necessidade de pensar. Inté.

 

 

 

 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

ARENGA 466


De todas as línguas faladas na Terra, nenhuma delas tem um termo capaz de expressar o grau da estupidez que orienta o comportamento humano. Para os grandes pensadores, povo é termo tão pejorativo que viver no meio dele provoca um mal-estar corresponde ao causado por uma doença. Realmente, e nem precisa ser um grande pensador para se sentir incomodado no meio de uma malta para a qual a vida se resume no momento presente, como se o amanhã não lhe reservasse uma UTI onde curtir o resultado da passagem dos anos. Isso se tiver dinheiro para custear a despesa porque se não tiver amargará um corredor de hospital onde chorar. A euforia dos festejamentos dá a entender que a vida é uma alegria eterna, embora a miséria à volta denuncia coisa tão diferente que uma criança atingida por bala perdida, o que é comum nesse belo país de triste sorte, perambulou prá lá e prá cá até morrer sem atendimento médico. E esta história de povo civilizado aqui e ali é uma grande mentira porquanto em qualquer lugar povo é a mesma massa bruta de seres tão bestiais que seu comportamento não é diferente do comportamento das feras, porquanto também se destroem mutuamente. Além disso, nunca foi mais do que capacho sobre o qual falsos líderes pisoteiam. Aí está a imprensa noticiando que os ingleses das bundas brancas tidos como civilizados abastecem conta nos infernos fiscais para sua adorada rainha. O mesmo comportamento antissocial demonstram também os suíços quando procuram proteger os corruptos brasileiros cujos crimes dão origem à falta de socorro que salvasse a vida das criancinhas que morrem por falta de tudo. Entretanto, se o desatino é geral, aqui entre nós dá para qualquer Zemané perceber tratar-se do povo ainda mais povo do que o povo dos outros lugares. É de um ridículo indescritível o quadro em que pseudo cientistas políticos entrevistados por papagaios de microfone papagaiam ambos chavões seculares sobre democracia, respeito à opinião pública, vontade do povo, tripartição de poderes, justiça, economia, pesquisa de intenção de voto, campanha eleitoral, financiamento de campanha, eleição, democracia. Tudo é uma baboseira cujo ridículo não tem tamanho uma vez que o financiamento resulta na dependência do eleito ao financiador que conquista o voto da turba através dos espetáculos promovidos pelos molambos mentais denominados “famosos” e “celebridades”. A badalada democracia nada mais é do que uma forma de se ter bandidos ou “salvadores da pátria” eleitos e reeleitos indefinidamente pela malta de ignorantes políticos frequentadores de igreja e futebola, enquanto que a tal de economia resulta em que a massa bruta de povo, para ter água, luz, comida, estrada, casa, estudo para os filhos, segurança e assistência à saúde é obrigada a transformar mastodontes espirituais em multimilionários. Cada uma destas atividades canaliza montanhas de dinheiro para as contas de comparsas dos politiqueiros nos inferno fiscais.

Das entrevistas entre a papagaiada de microfone e os “cientistas” políticos nada resulta porque discorrem sobre problemas sociais, sem, entretanto, nenhuma alusão às causas desses problemas, ignorando o fato de não se poder resolver um problema enquanto perdurarem suas causas. Numa destas entrevistas um papagaio de microfone perguntava ao entrevistado o motivo da violência no Irã. A resposta dá como causa o mal desempenho da economia, o desemprego e a corrupção, caindo assim no ridículo porque aqui entre nós estas coisas são ainda em maiores proporções do que em qualquer outro lugar no mundo. É a própria imprensa que noticia ter sido registrado no Brasil o maior número de mortes violentas nos últimos 10 anos e que a corrupção toma conta de todas as instituições, inclusive da justiça.

A causa de todos os problemas que afligem todos os povos do mundo está no fato de terem todos os governos do mundo por único objetivo atochar o ferro no povo para que este os mantenha em suntuosos palácios nos quais a vida é tão auspiciosa quanto a vida dos deuses olímpicos. O Grande Mestre do Saber, Politzer, reconhece esta realidade quando afirma no livro Princípios Fundamentais de Filosofia, no capítulo A LUTA DE CLASSES ANTES DO CAPITALISMO, diz o seguinte: “... a luta das classes oprimidas conseguiu tão somente a modificação do regime da propriedade privada, substituindo uma forma de exploração por outra”. Se esta realidade é camuflada nos grupos “civilizados”, entre nós ela está aí escancarada para ser vista por quem tem olhos de ver. Tão escancarada que “autoridades” cuja despensa é abastecida pelo povo diz na cara desse povo estar cagando para sua opinião. Portanto, se não se pode resolver problema sem eliminar suas causas, de que adianta papagaiar sobre os problemas que nos afligem enquanto se procura impedir a ação saneadora da Lava Jato visando expurgar a ratazana da administração pública causadora destes problemas? Enquanto atua a ratazana, a massa bruta se esbalda na comemoração do nascimento de Cristo e da mudança de um ano para outro entre tiroteios que atingem os festeiros até dentro de suas casas durante os festejamentos, sem que nem de longe lhes passe pelo lugar onde quem pensa tem a cabeça que os administradores públicos ainda fora da cadeia só não estão lá dentro porque são eles mesmos que fazem as leis e os meios de fraudá-las através de mil e um recursos, no topo dos quais está o Foro Privilegiado que descamba no mais alto órgão da justiça, o STF, onde a conivência de juízes que até perseguem seus colegas zelosos do dever protela o julgamento até acontecer outra artimanha malandra contra o bicho povo chamada prescrição.

A história dos seres humanos mostra que também eles, como os peixes que pulam para dentro da boca do urso, do mesmo modo, buscam sua própria destruição. O que há de extraordinário nessa equivalência de comportamento do homem com o peixe suicida é que os peixes são movidos unicamente pelo instinto que os leva a assim proceder em virtude da necessidade de reprodução, enquanto os seres humanos, dispondo da capacidade de racionar, motivos há que os levam a abrir mão da necessidade de fazer descendentes, de forma que tamanha diferença não deveria permitir tamanha semelhança de comportamento uma vez que os seres humanos se destroem mutuamente a exemplo do que fazem os peixes. Mesmo raciocinando, os seres humanos tergiversam sobre o real e o ideal, mas sem nenhuma conclusão prática porquanto o mundo se encontra muito distante do ideal uma vez que a infelicidade supera de longa o desejo de felicidade que existe em cada ser humano indistintamente. Vez em quando, a experiência adquirida através da observação da vida dá lugar a algum avanço da capacidade de raciocinar, mas o apego ao que é recusa-se a marchar rumo ao que deve ser, e esse comportamento negativo leva à manutenção do primitivismo de quando a noção de sociabilidade se resumia apenas ao relacionamento instintivo entre pais e prole, comportamento que mesmo depois de se ter passado das cavernas para as cidades continua orientando o modo de ser do homem moderno, convencendo-o equivocadamente da possibilidade de se dar bem cuidando apenas de seus interesses particulares sem levar em conta a vida comunitária, resultando daí uma sociedade na qual seus membros atuam contra ela. Esse é o grande problema humano para o qual os intelectuais não apontam suas armas mentais. Ao contrário, muitos deles, estranhamente, fazem pronunciamentos por força de um emprego afirmando ser a competição a melhor forma de se viver em sociedade. Para encurtar conversa, a fim de se perceber haver algo de extremamente descabido no comportamento humano basta atentar para o fato de serem as pessoas realmente menos importantes aquelas consideradas em todo o mundo as mais importantes. Por trás disso estão as mãos e, principalmente, os pés do pão e circo.

O único problema que dá origem a todos os outros problemas é simplesmente a ausência de interesse demonstrada pelos seres humanos ao limitarem ao jogo de cartas marcadas do ato de votar sua participação na aplicação do dinheiro que eles entregam a falsos líderes para que eles façam dele o que bem quiserem. Aí está o aumento de combustíveis do qual decorrerá aumento de todas as coisas em consequência do estrago que a ratazana fez na Petrobrás. Enquanto a turba futucadora de telefone se empolga pelo fato de ter sido aquela empresa ressarcida em um e meio bilhão, ela foi condenada a indenizar investidores americanos em nove e meio bilhões e ainda terá de indenizar também os investidores tupiniquins com o dinheiro que falta para amenizar o sofrimento de quem chora no corredor do hospital e das crianças desassistidas. É inteiramente impossível esperar que dos cupinchas dos Reis Midas do mundo travestidos de governantes possa provir alguma tranquilidade para ninguém, nem para eles próprios, uma vez que de sua atuação resultaram a iminência de uma hecatombe nuclear e a danificação do mecanismo psíquico da juventude em função do vício na parafernália eletrônica que os monstros de cujas bocas escorre baba de dragão inoculam nos jovens em troca de fortunas imensas. A música que os falsos líderes tocam para o povo dançar é música fúnebre. A única coisa que falta para que a realidade apareça é o povo reconhecer que enquanto durar o analfabetismo político seu papal na história será o de capacho. Os falsos líderes mantêm o povo à rédea curta. Logo eles providenciarão para que em vez de nascer de ponta-cabeça o povo já nasça de quatro. Inté.

 





 

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

ARENGA 465


Evidente que fica excluída desta possibilidade uma juventude de mentalidade tão baixa a ponto de admirar o lixo espiritual que lhes é apresentado como dignos de fama e celebridade. Mas, embora pareça impossível, impossível não é haver o trabalho de endireitar nossa sociedade, uma vez que ela se encontra escangalhada por conta de uma política voltada exatamente para esse fim, com suas mais altas autoridades praticando crimes abertamente.  O problema é que pelo comportamento da juventude, percebe-se ser ela incapaz de realizar tal trabalho porque a educação a que são submetidos os jovens pelo perverso sistema de administração pública implanta neles a sensação de total incapacidade para qualquer coisa que não seja bobagem. Este é, realmente, o maior de todos os problemas, senão o único a impedir a evolução mental capaz de conduzir a sociedade humana à civilização. Entretanto, como todos os problemas, também este tem solução. O único problema que a burrice humana aponta como insolúvel é a morte. Tal afirmação, contudo, é apenas mais um dos erros da turba incapaz de raciocinar porque a morte é justamente a solução do problema de se viver com o destino dos irracionais cuja vida se resume a comer, trepar e cagar, posto que não podem pensar como os humanos que vivem do mesmo modo, também por não pensar. A solução para o estado mórbido de estupidez em que se encontra a juventude virá com o tempo. Não é à toa que se diz ser o tempo o senhor da razão. Uma simples olhadela num livro de história qualquer é bastante para se perceber que os seres humanos de outrora eram bem mais desprovidos de conhecimentos sobre si mesmos e a realidade, o que equivale a dizer que eram mais burros do que são atualmente. Embora demasiadamente devagar, o desenvolvimento mental acontece. Na página 46 do livro A GRANDE HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO, Richard Dawkins diz haver uma estrada de quatro bilhões de anos a ser percorrida a fim de se acompanhar a evolução da humanidade. Apesar de tanto tempo, apenas há menos de três mil anos, na Grécia Antiga, pensadores começaram a desconfiar de estar mal contada esta história da Criação Divina que posteriormente veio a ser desmentida pela ciência contestada por analfabetos fanáticos. Por mais que demore, a ação do tempo mostrará à juventude que ela pode pensar, e portanto, seguir caminho diferente do seguido pelos irracionais. Isto a tornará capaz de traçar seu próprio destino. Quando isto acontecer, alcançará o significado do dito pelo sábio quando afirmou: Ah, se o jovem soubesse, ou se o velho pudesse. A necessidade de virem os jovens a saber, depende muito da ação de virem aqueles que se tornaram capazes de distinguir entre a mentira e a verdade semearem ainda que em campo infértil a semente da evolução espiritual conquistada. Tal procedimento beneficiará inclusive aos semeadores de tais ideias uma vez ser bastante desagradável para quem logrou alcançar um mínimo discernimento sobre a vida ter de viver no meio de quem vive um estado de ignorância tão acentuado a ponto de ser convencido de de que o universo existe apenas há seis mil anos.

 

Assim, mesmo sabendo ser impossível fazer com que os jovens atuais elevem-se além do borralho mental, custa nada acreditar haver algum deles mais receptivo à razão para mostrar-lhe através de três notícias na imprensa o porquê da necessidade de pensar em coisas mais elevadas, sob pena de ser mal visto por seus descendentes. A primeira destas notícias, publicada no jornal Folha de São Paulo, é esta: Governo paga por calotes que BNDES levou por financiar obras no exterior. Tesouro Nacional já liberou R$ 124 milhões para acertar parcela de conta não paga por Moçambique, que deve cerca de R$ 1,5 bilhão; ainda há débitos de Venezuela e Angola. Aí está, pois, algo sobre o qual se faz necessário prestar atenção porque se em nossa sociedade existe um contingente de necessitados que por falta de dinheiro declararam um guerra civil que a todos infelicita, como, então, se justifica estes presentes, ainda que a outros necessitados? A segunda notícia, no Jornal do Brasil, proveniente da juventude incapaz de pensar, intitulada Juventude de Fé, é esta: “Natal: expansão do capitalismo ou chegada do menino Jesus?” Onde se lê o seguinte: “... o espirito natalino vem perdendo suas origens e a sua práxis. Infelizmente a festa natalina caiu nas armadilhas do capitalismo e fomenta uma economia pautada no consumo pelo consumo perdendo todo o sentido do que de é fato a vinda do menino Deus”. Esta notícia reflete a mentalidade paquidérmica de uma juventude que não merece fé alguma por ser ainda incapaz de perceber a realidade de ser a cultura do TER que determina o rumo de suas vidas. Estes mendigos espirituais emocionam-se ante o quadro ridículo do Papa beijando um boneco de criança e pedindo paz em nome de Deus àqueles que em nome de Deus cepam cabeças e explodem bombas para matar crianças. Mas estes molambos mentais que se intitulam Juventude de Fé, tão inocentes quanto os que se postam nas portas dos supermercados esmolando para a Campanha do Quilo, facilitando a vida dos malandros federais, não sabem que a religião não veio de Deus. Foi imposta pelos imperadores a fim de melhor subjugar o povo. No país mais rico do mundo, os Estados Unidos, babacas das bundas brancas se reuniram à espera do Jesus que eles afirmam amar as crianças e os pobres, mas que na realidade se encontram na situação desta notícia no jornal: Crianças de áreas pobres dos EUA têm traumas mentais similares aos de guerras”. Falta discernimento nessa gente pobre de discernimento para perceber a realidade de ser a religiosidade criação de nossos antepassados, vindo a servir depois como instrumento de enganação utilizado pelos ricos para manter os pobres conformados com sua pobreza. Dizem os inocentes jovens da tal Juventude de Fé que a festa natalina caiu nas armadilhas do capitalismo. Ora, o mundo é vítima eterna das armadilhas do capitalismo desde que ele foi criado nos princípios da Idade que se convencionou chamar de Contemporânea que já passou do prazo de validade, razão pela qual o processo evolutivo dará lugar a uma nova fase porque a situação atual é ainda pior do que as anteriores uma vez que os governantes não precisam mais esconder a verdade de não passarem de cupinchas dos Reis Midas capitalistas. São eles que colocam os governantes nos postos de mando para manter o povo de quatro a fim de ser atochado. Em troca da obediência, os políticos levam seu quinhão do butim arrancado do suor dos jovens da Juventude de Fé. Usem a capacidade de raciocinar, ó jovens pobres de espírito, e concluam ser conversa fiada esta história de um Deus que tudo pode, mas que não pode fazer prevalecer Sua vontade como vocês mesmos declaram quando afirmam que o espírito natalino perde suas origens. A religião perde força à medida que as pessoas se tornam menos inocentes. Seria considerado insano atualmente alguém que quisesse criar um Tribunal de Inquisição. No entanto, em época de maior força da religião, esta monstruosidade transformou muitas pessoas em cinzas depois de submetê-las a terríveis sofrimentos. Conheçam, ó jovens mendigos espirituais, a realidade sobre a reforma religiosa e o fato de não ter Lutero sido queimado por contar com o apoio da nobreza de olho grande nas terras da igreja que ele, Lutero, propunha a desapropriação. A ignorância é que mantém a religiosidade. Absolutamente ninguém terá motivo para ser religioso se tomar conhecimento da história das religiões.

 

A terceira notícia, também no jornal Folha de São Paulo, cuja análise mostra a necessidade pensar em coisas menos chã é esta: “Voluntários levam futebol a países isolados em que a Fifa não chega: Voluntários ensinam futebol para moradores de ilhas da Micronésia, no oceano Pacífico”. A absolutamente ninguém que não seja louco ou arrematado imbecil é permitido tamanho apego às brincadeiras a ponto de colocá-las acima de quaisquer outras prioridades como bem-estar pessoal como se faz ao destinar a elas os recursos que faltam para as necessidades primárias como saúde, segurança e educação. Muita coisa se esconde por trás do fato de serem os promotores de brincadeiras elevados à condição de celebridades famosas. A ninguém é dado o direito de não contestar uma situação tão extravagante na qual o professor passa necessidade enquanto promotores de brincadeiras semianalfabetos esbanjam riqueza. Há, realmente um mundo de coisas estranhas por trás desta realidade. O que será? O conhecimento sobre esta coisa realmente estranha só acontecerá quando a juventude deixar o estado reles de povo e ascender à condição de gente. Esse dia chegará. Inté.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

ARENGA 464


400 mil poupadores tungados por bancos morreram sem ver acordo de reparação. Com este título, pode-se tomar conhecimento no blog do Josias de Souza, da resposta à pergunta sobre o que mais teria chamado a atenção dele, o entrevistado, Dr. Luiz Fernando Casagrande, advogado dos poupadores roubados. Eis a resposta do advogado: “Primeiro, a constatação de que temos o Judiciário mais caro do mundo em relação ao PIB. Mesmo assim, não conseguimos resolver em duas décadas um litígio que atingia 2 milhões de pessoas. O Judiciário é caro e ineficiente. Em segundo lugar, me impressionou muito a força que os bancos têm no STJ. Eles ganharam todas as teses que levantaram para reduzir o montante da dívida. Isso forçou os poupadores a aceitarem um acordo que não contempla o que eles queriam.” Esse “queriam”, está mal colocado porque, na verdade, não só queriam, como também tinham pleno direito. O dinheiro teria de ser devolvido com o mesmo poder de compra que tinha na época em que foi desapropriado pelo governo. Portanto, o “queriam” não esclarece toda a realidade.

Demonstrações de que povo é sinônimo de burro de carroça estão à toda prova. Entre os comentários à entrevista acima citada, um deles diz que em nosso país só há espertos e canalhas que fazem do povo bobo. Verdade que nosso povo é um burro que puxa carroça mais pesada que a carroça de outros povos. Entretanto, todos os povos do mundo não fazem outra coisa senão também puxarem sua carroça. Falta um despertar para a realidade de viver a humanidade uma farsa monumental. Tudo são falsidades, e o povo do mundo inteiro, ricos e as várias espécies e subespécies de não ricos haverão de amargar as consequências de uma vida fundamentada em falsidades. Fala-se numa tal de democracia como se fosse uma bênção para os sofrimentos humanos, quando, na verdade, é uma grande mentira. Ficando a escolha dos mandatários a cargo do povo, o resultado é serem eleitos aqueles que mais promovem o sofrimento desse mesmo povo que os escolheu. Tomando-se por exemplo os Estados Unidos, país cujo espírito tem a forma de cifrão. Ali, apesar de uma destas pesquisas idiotas revelar que a senhora Hillary Clinton é a personalidade mais admirada por aquele povo da bunda branca, ela perdeu a eleição para o monstruoso Trump de cujas ações decorrerão ainda maiores sofrimentos não só para aquele povo adorador de riqueza e infelicitado pelo medo dos inimigos, mas também para o mundo inteiro ante a opção feita pelo presidente escolhido de manter a agressão à natureza para não prejudicar a sede de riqueza dos Reis Midas. O engodo da democracia, entre nós, está refletida na eleição dos declarados inimigos do povo que perseguem abertamente os funcionários públicos cumpridores do dever de zelar pela sociedade, e protegem os criminosos de forma tão aberrante a ponto de se perdoar o crime de corrupção por ser considerado um crime não violento, quando, na realidade, é muito mais violento do que o crime à mão armada que vitima apenas um, enquanto o crime de corrupção vitima a sociedade inteira.

A humanidades só terá infelicidades enquanto perdurar a cultura do acúmulo de riqueza e de pobreza, cultura que se perpetuará enquanto o povo não passar de massa de maldar nas mãos de um por cento da humanidade. A vida só poderá ser agradável quando o povo sair da condição de massa bruta e for capaz de entender o que se passa por trás de notícias como esta no jornal Folha de São Paulo: “Os brasileiros que andam céticos sobre o futuro ganharam de presente nos últimos dias do ano duas histórias que fazem pensar no que ainda dá certo no país. Mesmo quem nunca tinha prestado atenção na cantora Anitta pôde perceber como ela foi longe. Aos 24 anos, rebolando numa favela carioca com um biquíni de fita isolante, sem vergonha de expor as imperfeições do próprio corpo, ela atraiu a atenção de milhões de pessoas para o clipe de sua nova música na internet.” Algo de verdadeiramente estranho acontece com um povo que se liga em coisas assim estando diante de uma situação em que as maiores autoridades não só protegem os crimes contra a administração pública, mas também os praticam. Não menos necessária de ponderação é a notícia que os papagaios de microfone dão sobre o fato de Neymar chegar de jatinho em Barra Grande, na Bahia, onde há um luxuoso hotel que dizem ser de propriedade de Duda Mendonça, portanto, adquirido com dinheiro roubado do povo que nem sequer desconfia dos motivos pelos quais professores recebem salários miseráveis e são agredidos, enquanto jogador de futebola vai curtir descanso milionário. A falsidade da vida é tão grande que mediocridades são elevadas à categoria de “famosos”, “celebridades” e reis, na verdade, personalidades simplesmente ridículas e ávidas por riqueza, que se acham realmente importantes, o que se deve a ser elevado seu grau de ignorância. O fato de multidões prestigiarem estes idiotas lembra o conto de Machado de Assis A Igreja do Diabo, no qual tendo o Diabo resolvido fundar sua igreja, teve multidões ao pé de si, do mesmo modo que a turba de mendigos espirituais de atores de Hollywood correm atrás do estelionatário fundador da igreja da Cientologia.

Sendo o povo o verdadeiro responsável pelos recursos de custear as despesas da sociedade humana, nunca, jamais, em tempo algum, pode ele permanecer na condição de mero espectador do que está sendo feito desses recursos. Absolutamente nada pode justificar uma apatia tão grande a ponto de ser indiferente aos gastos astronômicos com templos religiosos, palácios e mais palácios para políticos, imensas fortunas absorvidas em esporte e corrupção. Aliás política e religião são os dois gumes da peixeira de escalpelar o povo. Na página 32 do livro 1808, de Laurentino Gomes, tem-se o seguinte sobre a política e a igreja: D. João Morava no palácio de Mafra, mistura de palácio, igreja e convento. Tinha 264 metros de fachada, 5.200 portas e janelas e 114 sinos. O refeitório media cem metros de comprimento. Sua construção levou 34 anos e chegou a mobilizar 45.000 homens. O mármore tinha vindo da Itália. A madeira, do Brasil. Ficou pronto em 1750, no auge da produção de ouro e diamantes em Minas Gerais. Além dos aposentos da corte e de seus serviçais, havia trezentas celas usadas para alojar centenas de frades. Era nesse edifício gigantesco e sombrio que D. João passava seus dias longe da família, entre reuniões com ministros do governo e missas, orações e cânticos religiosos”.

Enquanto pais desnaturados não perceberem o engodo da religião estarão levando suas inocentes crianças para as igrejas onde aprenderão a serem tão estúpidas quanto eles ao acreditarem que seu bem-estar depende de Deus e não da política. Aprenderão haver um motivo nobre no gesto ridículo do Papa beijando o pé do presidiário ou um boneco em forma de criança, coisas sobre as quais faz-se necessário meditar profundamente. O Natal que a massa bruta encara com respeito, na verdade, é um meio de aumentar a riqueza dos Reis Midas do Mundo. Em matéria intitulada O NATAL DAS CRIANÇAS CLANDESTINAS, publicada no blog Outras Palavras, escola de alfabetização política, o jornalista Nuno Ramos de Almeida declara com todas as letras: Para mim, o Natal sempre foi uma merda. A religiosidade é a maior das mentiras que envolve a humanidade. Por trás do manto de bondade há um mundo de maldade. Na página 362 do livro Deus Um Delírio, acusado de hostilidade contra a religiosidade, seu autor, Richard Dawkins, diz o seguinte: “... essa hostilidade que eu ou outros ateus às vezes expressamos contra a religião limita-se a palavras. Não vou atacar ninguém com bombas, decapitar ninguém, apedrejar ninguém, queimar ninguém em fogueiras, crucificar ninguém nem lançar aviões contra arranha-céus só por causa de uma discordância ideológica”. Entretanto, tais ponderações passam ao largo da capacidade de entendimento da malta ignorante com os filhos escanchados no pescoço rumo às igrejas. A religiosidade é algo tão estúpido que analfabetos contestam cientistas. Para os religiosos, na verdade brutamontes espirituais, as coisas do mundo só existem há seis mil anos e nós já surgimos no mundo do mesmo modo como somos hoje.

Enquanto o povo, principalmente a parte jovem dele, permanecer na condição de massa de moldar nas mãos dos escravocratas e imbecis ricos donos do mundo a vida não será diferente da vida do burro de carroça cuja atividade se limita a produzir uma riqueza da qual não usufrui, comer, trepar e cagar. Ou a massa bruta de povo substitui por civilidade a personalidade do bicho que já fomos, ou então estará eternamente destinada a levar ferro. É o próprio representante da classe que ajuda os ricos a atochar o ferro no povo que assim o declara. Ninguém menos do que o economista Joseph E. Stiglitz, no primeiro parágrafo do prefácio do livro O Mundo Em Queda Livre, diz o seguinte: “Na grande recessão que começou em 2008, milhões de pessoas, nos Estados Unidos e em todo o mundo, perderam casas e empregos. Muitos mais sofreram a angústia de temer que lhes ocorresse o mesmo, e quase todos os que pouparam dinheiro para a aposentadoria ou para a educação dos filhos viram seus investimentos reduzir-se a apenas uma fração do seu valor. A crise, que teve início nos Estados Unidos, logo se tornou global: dezenas de milhões de pessoas pelo mundo afora perderam seus empregos – só na China foram 20 milhões – e dezenas de milhões caíram na pobreza”.

Esse é o destino da massa bruta de povo que ignora o malefício que recairá sobre seus filhos em decorrência do compra-compra. Como urubus ante uma carniça, avançam os biltres aos montes para as lojas, queimam o dinheirinho sofrido no pipocar de fogos de artifício, esperneiam no axé, no futebola e nas igrejas, para regozijo de seus escravizadores, enquanto é tão fácil pensar de qual fonte provém tanta estupidez. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 17 de dezembro de 2017

ARENGA 463


Ana Hickmann responde com bom humor comentário sobre sua bunda: 'Tenho um bumbumzinho'Ana Hickmann responde com bom humor comentário sobre sua bunda: 'Tenho um bumbumzinho'O mundo é muito interessante. São mais de sete bilhões de seres humanos divididos em dois grupos de idiotas: enganados e enganadores. No frigir dos ovos, estão todos enganados. Os enganadores não são mais do que um por cento dos seres brutos que compõem a humanidade. Tirando fora estes idiotas, sobram os idiotas enganados que por nem desconfiar serem enganados, vivem a curtir as festas com as quais os enganadores lhes enganam. Entretanto, quem observou a vida durante oitenta e um anos percebe que ambos estão enganados. Os enganadores, embora dizendo ter a paz e a felicidade por objetivo, vivem infelizes e desassossegados pelo medo de se tornarem objeto do desespero dos enganados. Estes, embora também visando o mesmo objetivo de felicidade, são tão infelizes quanto aqueles porque parte deles está agrilhoada a um emprego que lhes suga a vitalidade em troca do sustento, portanto, escravos em todo o sentido da palavra. Pior ainda que os enganados pelo emprego são os que nem emprego têm por ser impossível haver emprego para todos, restando-lhes o desassossego da fome. O escritor Edmilson Movér me disse um dia que minhas ideias só seriam entendidas daqui a duzentos ou trezentos anos. A princípio, não vi fundamento no que ele disse visto não ser eu intelectual e falar a mesma linguagem chula do povo. Assim, não conseguia entender o porquê da dificuldade de ser entendido. Mais recentemente, todavia, começo a perceber haver razão no raciocínio do meu amigo escritor e ensaísta. Quanto mais velho e experiente fico, quanto mais contato tenho com o povo, também mais convencido fico de ser inteiramente impossível que as pessoas possam perceber outra realidade que não esta falsa realidade repassada de geração a geração através de pais absolutamente equivocados ao ensinar a seus filhos serem Deus e dinheiro as coisas mais importantes da vida. Este é um entendimento tão equivocado que embora tendo cada um dos mais de sete bilhões de seres humanos por objetivo primeiro e acima de tudo uma vida tranquila, absolutamente nenhum deles logrou alcançá-la. Continuará inalcançável tal objetivo enquanto seus perseguidores se apoiarem em falsos os princípios tais como a submissão a falsos líderes sem se cogitar da necessidade de participar o grupo inteiro da administração pública da qual depende sua qualidade de vida, ficando tamanha responsabilidade a cargo de apenas alguns seres totalmente desprovidos do altruísmo inerente aos líderes, o que se deve ao fato de ser ainda demasiadamente forte nos seres humanos a falta de percepção da necessidade de cooperação e solidariedade entre eles. Esta é uma condição indispensável para se poder levar a vida com menor dose de sofrimentos. A modalidade de ser a riqueza pública entregue a meia dúzia de seres humanos tão brutos quanto os demais fracassou e continuará no fracasso enquanto o interesse da massa bruta de povo continuar fora do que se passa nos bastidores da política, dando preferência a assuntos do tipo desta notícia na imprensa: Ana Hickmann responde com bom humor comentário sobre sua bunda.Ana Hickmann responde com bom humor comentário sobre sua bunda: 'Tenho um bumbumzinho'

O fato de não ter ainda o ser humano superado o estado de natureza bruta foi observado pelo Grande mestre do Saber Richard Dawkins de acordo com o pensamento exposto na página 40 do livro O Gene Egoísta, de que para se construir uma sociedade na qual os indivíduos cooperem generosa e desinteressadamente para o bem-estar comum não se deve contar com ajuda da natureza biológica uma vez que nascemos egoístas. Aqui o grande pensador acionou a tecla que faz aparecer na tela toda a causa da infelicidade humana e que outra não é senão o fato de serem as pessoas tão natureza quanto os bichos do mato, razão pela qual ainda decorrerão anos luz sem que a humanidade seja capaz de alcançar desenvoltura mental suficiente para entender que a vida coletiva não pode abrir mão de um sentimento altruístico. É tão extraordinária a insignificante da capacidade de percepção do ser humano que eles estão convencidos de terem sido criados há apenas seis mil anos por uma entidade mitológica e a partir de um punhado de terra. Entretanto, se a vida não for destruída antes do surgimento de uma juventude inteligente, a humanidade poderá escolher melhor caminho. O próprio autor de O Gene Egoísta, na mesma página 40, dá uma dica nesse sentido da seguinte forma: “Os nossos genes podem nos instruir para sermos egoístas, mas não somos necessariamente forçados a obedecê-los a vida toda. Pode penas ser mais difícil para nós aprender o altruísmo do que seria se estivéssemos geneticamente programados para sermos altruístas”. Esta conclusão do Grande Mestre do Saber mostra que a humanidade pode muito bem passar da animalidade para a espiritualidade quando assim o desejar.

É de se observar, entretanto, que mesmo os Grandes Mestres do Saber não se empenham diretamente na necessidade de se ter por objetivo primeiro a qualidade de vida acima de qualquer outra coisa, inclusive das especulações filosóficas que nada têm a ver com o objetivo por todos visado de ter uma vida com o menor número possível de sofrimentos. É mesmo Richard Dawkins que mostra à humanidade a desnecessidade de se viver tão mal que se perde em elucubrações alheias ao objetivo de se viver melhor, como se vê do capitulo de O Gene Egoísta, intitulado – Por Que As Pessoas Existem? – que começa assim: “A vida inteligente de um planeta atinge a maioridade no momento em que compreende pela primeira vez a razão de sua existência. Se criaturas superiores vindas do espaço um dia visitarem a terra, a primeira pergunta que farão, de modo a avaliar o nível da nossa civilização, será: “Eles já descobriram a evolução?”. Ora, o nível de evolução espiritual de um povo pode ser aferido pela qualidade de vida desfrutada por esse povo, o que independe de conhecer a realidade de ser ele fruto da evolução e não da mentira da Criação. O bem-estar coletivo é fruto da boa aplicação do erário. Quando a humanidade aprender esta verdade, o mundo será infinitamente melhor. Nada, absolutamente nada pode justificar os gastos com milhões de armas e homens treinados para brigar. Enquanto perdurar tal mentalidade, haverá uma igreja e uma farmácia a cada esquina e infelicidade em todo canto. Inté.

 

  

domingo, 10 de dezembro de 2017

ARENGA 462


“A Folha de São Paulo apresenta a seus leitores, com exclusividade, a coleção Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Nela, estão reunidos alguns dos mais importantes autores e obras clássicas da história e da economia, da sociologia e da literatura, que permitem redescobrir o país e toda a riqueza e complexidade da cultura brasileira. Às voltas com a comemoração dos 500 anos do Descobrimento, o leitor vai entender como e por que o Brasil se tornou o que é”.

Assim começa a apresentação dos dois volumes de OS DONOS DO PODER, de autoria do intelectualíssimo doutor Raimundo Faoro. Entusiasmado com a possibilidade de encontrar uma obra que desvendasse o mistério que mantém um país de imensas riquezas como o Brasil em situação de tal penúria que a única coisa ouvida de seu povo é justificado queixume de misererê. Além disso, também intrigado pela realidade ainda não explicada de ser o povo do mundo inteiro submetido à obrigação de cumprir fielmente o dever de sustentar uma plêiade de parasitas que em troca de muita mentira e discursos vazios se autodenominam EXCELÊNCIAS, REIS e RAINHAS, todos com contas nos infernos fiscais, esnobes que se consideram semideuses,  acreditando encontrar no livro Os Donos do Poder, que um brasileiro desnudasse tal mistério, comprei os dois volumes da obra citada, mas perdi tempo e dinheiro porque os intelectuais não fazem outra coisa senão tergiversar inutilmente sobre questões que nada têm a ver com nossa qualidade de vida, dando a impressão de estar tudo muitíssimo bem, embora esteja o tudo tão mal que o mundo se encontra à beira da extinção. Foi apenas mais uma das decepções a que são acometidos todos aqueles que superaram o analfabetismo político e passaram a saber que as tergiversações dos intelectuais quando não são apenas demonstração de erudição inútil, como se vê da página 273 do primeiro volume de Os Donos do Poder, quando o autor emprega a palavra PRÓDROMOS para expressar PRELIMINARES, COMEÇOS, OU PRINCÍPIOS. Tais tergiversações podem mesmo ser grandemente nocivas à evolução social rumo a uma sociedade civilizada como é a declaração do intelectualíssimo senhor Vargas Llosa ao afirmar que o capitalismo teve pleno êxito em proporcionar bem-estar social, ou ainda dos egressos das Harvards e das Sorbones do mundo que afirmam ser a concorrência a forma ideal para se viver em sociedade, quando ninguém que não seja tão imbecil a ponto de se ligar em igreja e futebola sabe perfeitamente que a desunião fomentada pela competição da concorrência é a fonte de onde provêm todos os males do mundo uma vez que ela se apoia na enganação, esperteza, mentira, falsidade e desonestidade, elementos indispensáveis à formação das grandes riquezas oriundas da competição que pessoas amorais em sua monumental ignorância social exibem mundo afora, numa clara demonstração de ter sido a criminalidade convertida em mérito. Absolutamente nada justifica que filósofos modernos como Huberto Rohden, na página 19 do livro Porque Sofremos, afirme ter Deus criado o homem, ignorando que segundo o historiador Edward McNall Burns, página 792 de História da Civilização Ocidental, segundo volume, já por volta de quinhentos anos antes de Cristo o pensador Anaximandro recusava esta teoria cuja falsidade veio finalmente a ser confirmada depois pelos estudos de Darwin e seus seguidores. Mesmo um adolescente menos imbecil do que os futucadores de telefone pode perceber a semelhança entre nós e os demais animais. Tivesse o ser humano sido criado por Deus seria algo muito melhor do que um saco ambulante de bosta e doenças. Além disto, será que também como os analfabetos que lotam as igrejas o filósofo contesta a ciência ao afirmar que o mundo existe há mais de seis ou sete mil anos e que somos frutos de uma lenta evolução que vem ocorrendo há milhões de anos? Como perder tempo com inutilidades é o forte dos intelectuais, o filósofo acredita que a palavra CRIAR é mixuruca para expressar a ação de Deus e a substitui por CREAR. Quem duvidar, dê uma olhadinha na página 19 do livro Porque Sofremos. A religiosidade é uma estupidez tão grande que seus adeptos têm seu Deus como uma suntuosidade cuja capacidade não tem limites, mas que não foi capaz de fazer com que o homem procedesse como desejava ao ser enganado por algo tão insignificante como uma cobra.

Tão inútil quando o CREAR e o PRÓDROMOS dos filósofos e os intelectuais é saber no que o Brasil se tornou. Em que se tornou o Brasil? Para desgosto de quem evoluiu de povo para gente, ele se tornou em algo tão repugnante que seus políticos deram origem à afirmação de que OS POLÍTICOS E AS FRALDAS PRECISAM SER TROCADOS COM FREQUÊNCIA PELO MESMO MOTIVO. E o motivo é a sujeira. Realmente, no Brasil a política exala o mesmo cheiro do conteúdo das fraldas. A coisa atingiu níveis tão alarmantes de desmandos que embora ninguém desconheça serem as assembleias de “representantes” do povo um antro de criminalidade, a mais alta corte de justiça do país atribui à bandidagem que as integram o direito de absolver seus membros da condenação imposta por algum juiz cumpridor do dever.  Se nas outras partes do mundo, disfarçadamente, o povo faz papel de burro de carroça ao trabalhar para sustentar parasitas em troca da ração que lhe mantém vivo, aqui no Brasil dispensa-se o disfarce e os parasitas debocham na cara do seu povo festeiro apesar de infeliz. Aqui, abertamente, funcionários do mais alto escalão da justiça acobertam crimes de políticos corruptos de forma tão acintosa que agridem verbalmente a imagem dos funcionários de segundo escalão que por estarem mais em contato com a ansiedade social tentam combater a ação perniciosa de tais criminosos. Bandidos cujos crimes dão origem à miséria da qual provém a violência que infelicita o povo contam com aliados em absolutamente todas as instituições públicas e privadas, não excluindo nem mesmo as de ensino, o que denuncia ter sido as instituições de ensino transformadas em escolas que ensinam criminalidade. O fato de ter sido o juiz Sergio Moro hostilizado por estudantes brasileiros e portugueses em Portugal quer dizer que os jovens atuais, mirando um futuro desonesto, repudiam a ação daquele juiz contra criminosos. Para encurtar conversa, a imprensa diz que os imbecis do Brasil comem cinco mil vezes mais a quantidade de veneno que comem os imbecis da Europa que também o comem. Ou não é um completo imbecil quem come veneno sabendo que ele mata? Inté.

 

 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ARENGA 461


Pela manhã, é só decepção para quem tem o hábito de procurar saber as notícias que a imprensa publica sobre a sociedade. Elas trazem cada vez maiores dissabores para quem gostaria de viver de modo diferente dos pequenos animais destinados a servir de pasto para animais maiores nas selvas. Só estão a gosto nesse mundo pessoas obtusas cujas necessidades se limitam à materialidade dos festejamentos, igrejas e riqueza, comportamento proveniente de uma ignorância tão monumental que impede a estes biltres mentais a percepção da triste realidade de se estar caminhando rumo ao nada uma vez que a disposição física necessária para tais atividades tem prazo para acabar. Vive-se a cultura da falsidade, do engodo e da desfaçatez. Duas reportagens no jornal Folha de São Paulo de 03/12/2017, levam à conclusão da falência da cultura que orienta a humanidade desde a formação dos grupos humanos e da instituição dos governos pretensamente destinados a conter a brutalidade humana manifestada através dos crimes. A primeira reportagem, intitulada SEGUNDO MAIOR NAUFRÁGIO DO MUNDO AINDA ESCONDE SEGREDOS EM ILHABELA, conta que a monstruosidade humana causou propositalmente o naufrágio do transatlântico Príncipe de Astúrias, matando por afogamento 477 pessoas, para que fossem roubadas 11 toneladas de ouro. A segunda reportagem, intitulada POLÍTICA ATRAPALHOU A LAVA JATO, DIZ EX-PROCURADOR DA OPERAÇÃO NA SUÍÇA, deixa evidente o fracasso dos governos como responsáveis pela contenção da barbaridade humana uma vez que as instituições governamentais sendo comandadas por seres humanos também bárbaros, portanto também criminosos, inviabiliza a execução dos fins a que se destinam os governos. É o que deixa evidente a realidade materializada na violência que toma conta do mundo por conta de ações criminosas praticadas pelos representantes dos governos, posto que como seres humanos também são possuídos da barbárie comum a todos os seres humanos como mostra este trecho da segunda reportagem de que tratamos, comprovando ser o crime o verdadeiro interesse dos representantes dos governos: “Stefan Lenz, o procurador que comandava, até outubro do ano passado, as investigações da Lava Jato na Suíça, responsabiliza a articulação de forças políticas nos dois países pelo "fracasso nos esforços" para intensificar a cooperação bilateral. A proposta de criar uma força-tarefa conjunta foi anunciada em março de 2016, mas até hoje ainda depende de iniciativas do Ministério da Justiça brasileiro. Lenz, que era conhecido como o "cérebro" da Lava Jato no país europeu, declarou, em sua primeira entrevista ao Brasil desde que pediu demissão do cargo, também haver ingerência nas investigações suíças”. Aí está, pois, a dura realidade de ser o crime e a proteção a criminosos a ação tanto do governo do submundo, o Brasil, quanto ao governo do primeiríssimo mundo, a Suíça. Assim, uma vez que não se pode contar com os seres também bárbaros dos governos para combater o barbarismo, fica a humanidade condenada a viver sob o império da violência, do medo e da infelicidade enquanto não se dispuser a meditar sobre a questão levantada pelo filósofo Thomas Paine há mais de duzentos anos de que o sofrimento pode ser aliviado se os homens compreendessem os princípios do bom governo. Como é impossível um bom governo na atual conjuntura, necessário se faz trocar o que temos por algo que seja capaz de fazer com que os recursos públicos tenham por destino o bem-estar social. É o mesmo Paine que afirma também na página 27 do livro Senso Comum que o governo em seu pior estado é um mal intolerável. Uma vez que todos os governos do mundo sempre estiveram em seu pior estado, sendo portanto, um mal intolerável, é burrice das maiores permanecer sofrendo de mal intolerável sem buscar a cura. Toda infelicidade humana está na crença de ser possível estar bem num mundinho particular porque a realidade é que ou estejamos todos bem ou ninguém estará bem.  

É flagrante o descompasso entre como se comporta o ser humano e como deve se comportar, realidade observada pelo filósofo Martin Hollís na página 13 do livro Filosofia, Um Convite, ao afirmar que a humanidade tem tentado compreender a natureza por razões outras que não aquelas que procuram tornar a vida mais fácil e mais conveniente. Tanto isto é verdade que os seres humanos ainda vivem sob a mesma escravidão mostrada na página 404 do livro História Geral e do Brasil, de Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, numa gravura que faz referência à situação da sociedade francesa por época da grande revolução, e na qual consta um pobre camponês vergado sob o peso de um representante da nobreza e outro do clero que carrega nas costas, do mesmo modo como o asno leva sua carga e também do mesmo modo como os seres humanos arca com o peso da vida faustosa de seus falsos líderes políticos e religiosos. A submissão humana à servidão tem origem no tipo de educação engendrado pela artimanha dos comandantes do mundo cuja finalidade é impedir o desenvolvimento mental e espiritual. Paulo Freire, na página 32 de Pedagogia do Oprimido, diz da necessidade de uma educação que leve os oprimidos à reflexão das causas da opressão, o que nem de longe interessa aos opressores porque se as pessoas ficarem esclarecidas a ponto de compreender que seu bem-estar depende da política não concordariam com a estupidez de entregar a falsos líderes o dinheiro de comprar educação, saúde e segurança.

Os seres humanos serão infelizes enquanto se comportarem como criancinhas nos parques infantis, carentes de condução, permanecendo como objeto da política sem dela participar. No livro 1808, Laurentino Gomes dá dois exemplos da dependência e necessidade imperiosa que o povo tem dos governos. Na página 31, refere-se ao estado de abandono em que se sentiu o povo português quando seu governo, para fugir de Napoleão Bonaparte, protegido pela força naval da Inglaterra, deixou o país rumo à colônia Brasil: “Seus habitantes ficaram entregues aos interesses e à cobiça de qualquer aventureiro que tivesse força para invadir suas cidades e assumir o trono”. Antes, na página 29, supõe o Brasil na mesma situação de Portugal: “Imagine que, num dia qualquer, os brasileiros acordassem com a notícia de que o presidente da República havia fugido para a Austrália, sob a proteção de aviões da Força Aérea dos Estados Unidos. Com ele, teriam partido, sem aviso prévio, todos os ministros, os integrantes dos tribunais superiores de Justiça, os deputados e senadores e alguns dos maiores líderes empresariais. E mais: a esta altura, tropas da argentina já estariam marchando sobre Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a caminho de Brasília. Abandonado pelo governo e todos os seus dirigentes, o Brasil estaria à mercê dos invasores, dispostos a saquear toda e qualquer propriedade que encontrassem pela frente e assumir o controle do país por tempo indeterminado”. O que se conclui de tudo isto, é que a humanidade ainda se encontra no mesmo barbarismo que levou Josué a passar a fio de espada os habitantes de Jericó por ordem de Deus, os assírios a vazar os olhos dos vencidos nas guerras, os espetáculos do Coliseu, os cinco mil crucificados na Via Ápia. Não é sem razão que o filósofo Adrian Raine afirma na página 11 do livro Anatomia da Violência estar o crime relacionado com as forças das trevas de nosso passado evolutivo. Na verdade, em termos de civilização, muito pouco avançamos. Tal realidade fica sobejamente constatada na indiferença emocional dos criminosos do colarinho branco em relação a suas pobres vítimas. Entretanto, a selvageria será abandonada a partir do momento em que a atenção humana perceber o engodo do pão e circo e reconhecer haver apenas insignificância nas vulgaridades dos “famosos” e das “celebridades”, voltando, sensatamente sua atenção para assuntos dos quais depende seu bem-estar. Só assim chegará a humanidade à conclusão de que o passado é indigno de seres que podem pensar, conclusão que levará inevitavelmente a cuidar de promover um futuro onde a tranquilidade supere a intranquilidade. Inté.