quinta-feira, 29 de novembro de 2018

ARENGA 517


A declaração do futuro ministro da educação do recém-eleito governo teocrático do presidente Jair Bolsonaro disse ter por prioridade a defesa de valores tradicionais tais como família e moral. Sem intensão alguma de mau agourar o trabalho de nossos novos líderes, lembra os tristes acontecimentos de 1964, quando a ação dos líderes impostos pelo governo americano sob pretexto de se defender Deus, pátria, família e propriedade resultou em famílias destroçadas, a corrupção demonstrada no magistral artigo de Mauro Santayana intitulado A Crise da Razão Política e a Maldição de Brasília, além do aprimoramento do desumano sistema capitalista de governo que aumentou a riqueza dos ricos e a pobreza dos pobres de forma tão espetacular que atualmente, segundo reportagem na revista Época/Negócios, cinco bilionários brasileiros têm uma riqueza superior aos milhões e milhões de pobres brasileiros pobres. Foi nisso aí que deu como resultado as boas intenções de proteger deus, pátria e liberdade. Aliás, contra quem deus precisa de proteção?

Embora a desordem generalizada progrida e toma conta de tudo, o que fazem os papagaios de microfone dos meios de comunicação que modelam a cabeça do povo? Tergiversam inutilmente sobre quem vai ser o ministro disso e daquilo, o que está fazendo ou não está fazendo o presidente Bolsonaro e os membros de sua família. Como crianças engendrando planos irrealizáveis, fazem análises políticas como se pudesse acontecer alguma coisa diferente do mesmismo de sempre. Até papagaios de microfone que não sabem fazer um O com um copo e que desconhecem o sentido da palavra sociabilidade se arvoram a tecer comentários sobre problemas sociais não obstante monumental ignorância. Submeta-se qualquer uma destes ridículos “famosos” ou “celebridades” com microfone na mão a um teste de cidadania e a nota zero será insuficiente para valorar o resultado.

Entretanto, apesar de muitos outros portadores de microfone terem consciência da realidade, também se limitam a tergiversar sobre o que está errado, mas sem se indignarem a fazer referência à única causa de todos os problemas que é o fato socialmente insustentável de estar em mãos de poucos a riqueza que a todos deveria servir.

Se não é um Zemané quem tem capacidade de como será possível uma modalidade de administração pública na qual a participação do povo saia da teoria de governo do povo, pelo povo e para o povo e se materialize na participação efetiva nas decisões de governo, sem esta participação jamais desfrutará o povo de melhores condições de vida porque a ação de qualquer governo vai resultar nas práticas mostradas pela Lava Jato. Ricardo Boechat acaba de nos dar excelente exemplo da impossibilidade de se contar com as autoridades ao pronunciar com sua costumeira contundência sobre a discrepância entre a luta travada pelas autoridades para endurecer as penas para os criminosos pobres e abrandá-las para os criminosos do colarinho branco.  

Enquanto o povo se mantiver alheio às decisões políticas seu destino será aquele mostrado na gravura da página 404 do livro História Geral e do Brasil, de Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, na qual um representante do povo, vergado pelo peso, carrega nas costas um representante da classe política e outro da igreja, irmãs gêmeas na tarefa inglória de manter o povo subjugado a eterno servilismo. Se esta é uma realidade por todos conhecida, por que então permanecem as pessoas aceitando conformadamente desempenhar papel de burro de carroça? Por que chorar seus infortúnios dizendo esperar providências das autoridades, se são elas, justamente as autoridades, que causam os infortúnios que fazem o povo chorar? Os frequentadores de axé, igreja e futebola acabam de ter mais um magnífico exemplo da impossibilidade de deixar que as autoridades tomem decisões politicamente corretas: Acossados por pelo trabalho de funcionários zelosos do dever de cuidar da sociedade, através da Operação Lava Jato, autoridades socialmente nocivas brindaram com aumento de salário as autoridades do judiciário responsáveis pela aplicação da lei que vão julgar os crimes cometidos contra o povo. O fato de terem as autoridades do judiciário aceito o presente da bandidagem as coloca na condição de parceria na desordem administrativa. Portanto, mais do que claro fica que enquanto o povo permanecer alheio às decisões políticas, dando maior ênfase aos espetáculos do pão e circo enquanto sua casa arde em chamas, cada vez maiores serão seus infortúnios. Inté.   


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ARENGA 516


Há frases de alcance inalcançável. Uma delas é “A PROPAGANDA É A ARTE DE EXPLORAR A EXTUPIDEZ HUMANA”. O efeito da propaganda não se limita a induzir o incauto a optar por um banco onde ser roubado ou convencido de que os governos e os refrigerantes são um bem. O efeito da propaganda aparece de modo espetacularmente avassalador na influência que o pão e circo exerce sobre o povo, inutilizando seu poder de forma tão eficiente que de senhor o povo passou a servo sem saber que é senhor nem servo. No espetáculo das eleições, por meios ardilosos, a propaganda convence que determinado pretendente à chave do cofre do erário é o vaqueiro ideal para conduzir a manada humana. No entanto, qualquer que seja o vaqueiro, o destino de manada é um só: o matadouro. O comportamento humano de destruir tudo, inclusive de se autodestruir, resulta menos da estupidez propriamente dita, e mais do efeito de propagandas das quais resulta o convencimento de não haver necessidade de se cogitar de estar tudo errado. Estando tudo certo, não havendo motivo de preocupação uma vez que é mentira esse negócio de esquentamento da atmosfera e há água potável e comida sadia em abundância, ar saudabilíssimo para abastecer o sangue de oxigênio, então, vamos às festanças porquanto não há motivo de preocupação com mudança. Quando Quintino Bocaiúva, na página 79 do livro Teatro de Machado de Assis, Editora Martin Claret, em carta ao autor das peças de teatro, Machado de Assis, afirma que “A ideia é uma força. Inoculá-la no seio das massas é inocular-lhe o sangue puro da regeneração moral”, melhor faria se iniciasse a frase de grande sabedoria com AS BOAS IDEIAS porque más ideias são inoculadas à rodo nas massas por maio de propagandas que distorcem a realidade para que ninguém se incomode com o fato de estar degenerada a moralidade.

Há uma infinidade de livros semeando más ideias. O mais recente deles – NÃO, SR. COMUNA! –, faz apologia da cultura capitalista antissocial, não obstante a contradição materializada na existência de multidões de desesperados a vagar pelo mundo mendigando sobrevivência como resultado desta cultura que por todos os meios se mostra adversa à boa convivência entre os seres humanos. O autor do livreco é o professor de Educação Física e de História, Evandro Sinotti. Sem saber, ao se propor a ridicularizar Marx caracterizando-o como palhaço, na verdade, confirma o papel de legítimo representante do povo que Marx desempenhou porque o pobre povo nunca fez outra coisa na vida senão papel de palhaço. No mais, o livro é a eterna melosidade de quem se acovarda em tentar por medo de errar. Na página 49, diz o reacionário professor que toda pessoa inteligente teme o desconhecido. Tal afirmativa não é condizente com o conhecimento que deve ter um professor eficiente de História porque a História mostra que o homem sempre se aventurou a procurar novos rumos quando acossado pela adversidade. Os primitivos aventuravam-se pelo desconhecido quando a comida escasseava, e os contemporâneos estão fazendo a mesma coisa hoje em função da miserabilidade que a cultura capitalista lhes impõe. Até por curiosidade pura e simples o homem se aventurou a enfrentar o desconhecido. Desconhecerá o professor de História e Educação Física a epopeia das Grandes Navegações que levou Fernando Pessoa a dizer que navegar é preciso, viver não é preciso? É contraditório que um professor, trabalhador da área mais desprestigiada, a da educação, faça apologia de um sistema no qual os professores são desprestigiados em detrimento de verdadeiras toupeiras em termos de intelectualidade, as “celebridades”. Além disso, quando diz ser falsa a alegação de que no capitalismo o rico se torna cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre, o professor de História e Educação Física contradiz mestres de economia. Na página 176 do livro O Mundo Em Queda Livre, o prêmio Nobel de economia em 2001, Joseph Eugene Stiglitz, professor de economia das universidades de Colúmbia, Yale, Princeton e Stanford, tratando sobre ocorrência de crise no sistema bancário americano afirma o seguinte: “Os banqueiros que levaram o país a esse estado de confusão deveriam ter pagado pelos seus erros. Em vez disso, receberam bilhões de dólares”. E no livro Formação do Império Americano, de Luiz Alberto Moniz Bandeira, na página 44 consta a seguinte declaração do professor de política econômica da Universidade de Harvard, F. W. Taussig: "Grandes fortunas foram feitas com a mudança na legislação pelos que a requereram e promoveram. O país assistiu com tristeza à honra e honestidade dos homens públicos não permanecerem imaculadas. E recrudesceu a manipulação aberta e inescrupulosa das eleições, da legislação e da imprensa, como instrumentos dos interesses particulares do grande capital”.

Para que o professor de História e Educação Física estivesse certo seria necessário que o capitalismo daqui fosse diferente do capitalismo do lugar onde ocorreram os fatos citados pelos autores acima mencionados, os Estados Unidos. Mas, a realidade é que a cultura capitalista, como previu Marx, por ser antissocial, mais cedo ou mais tarde será obrigada a ceder lugar a uma cultura socialista por ser inteiramente impossível eternizar a indolência e a conformação com a injustiça social de uma cultura da qual resulte que um por cento da humanidade retenha para si noventa e nove por cento da riqueza do mundo, principalmente porque esta riqueza foi produzida pelo trabalho dos noventa e nove por cento dos palhaços restantes.

Por estas e outras, senhor professor de História e Educação física, é que o senhor está completamente errado. Quando o senhor diz que na Inglaterra o capitalismo deu ao povo inglês a melhor qualidade de vida do mundo, parece desconhecer que esta alta qualidade de vida custou a desqualidade de vida de outros povos, inclusive desse povo que lhe paga o salário. Na página 57 do livro 1808, de Laurentino Gomes, consta o seguinte: “... o ouro, a madeira e os produtos agrícolas do Brasil seguiam direto para a Inglaterra, principal parceira comercial de Portugal. Os diamantes tinham como destino Amsterdã e Antuérpia, nos Países Baixos”.

Dia haverá em que uma juventude mentalmente sadia ocupará o lugar destes jovens mentalmente esfarrapados que não sabem quando um livro está de cabeça para baixo, e, portanto, incapaz de elevar o pensamento acima da necessidade de enviar mensagens para as rádios avisando onde o trânsito está confuso, apenas para ter seu nome mencionado. Por mais que as propagandas propagam estupidez, nunca haverá estupidez suficiente para impedir elevação espiritual que leve à percepção da necessidade de uma sociedade despida da crueldade da crença de ser normal haver quem não precise de dignidade. Inté.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

ARENGA 515


Dois fatos que têm a mesma origem e a mesma inutilidade chamam a atenção de quem pensa sobre a vida. Um deles é a matéria intitulada Reflexões Sobre o Bolsonarismo publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil, na qual André Peixoto de Souza discorre sobre o favoritismo pelo deputado Jair Bolsonaro, concluindo tratar-se de adoração cega por um mito que promete um novo mundo, um paraíso na terra, além de histeria, hipnose coletiva, passividade diante da conjuntura histórica e irresponsabilidade política. 

O segundo fato é o livro de leitura chatíssima – Tem Saída? –  versando sobre os problemas do Brasil, no qual o trecho menos intragável é de autoria de Luciana Genro, na página 51, que diz da necessidade de propor outro modelo econômico para o País.

O que chama atenção é que por preferir a complexidade, os intelectuais dispensam a simplicidade. Rodopiam em torno de zapatismo, bolivarianismo, marxismo, taylorismo, comunismo, socialismo, cristianismo, deísmo, ateísmo, e bota ismos nisso, além de tergiversar sobre a necessidade de se fazer isso, aquilo e aqueloutro. Tudo um perder de tempo porque todos os problemas humanos estão resumidos no fato de teimar a humanidade em permanecer na mesma obscuridade mental da animalidade do tempo em que inventaram como acender fogo e divindades que protegessem e conduzissem as pessoas. Até hoje continuam os seres humanos incapazes de escolherem seu caminho, precisando serem conduzidos feito manada.  A única influência sobre a decisão de como vai ser sua qualidade de vida é escolher um condutor para conduzi-los. Feita a escolha, continua o povo carregando no lombo a pesada cruz de prover os meios necessários para que seu condutor e auxiliares vivam em suntuosos palácios com vida de reis. Um urologista afirmou na Rádio Bandeirantes AM de São Paulo, que as pessoas que conseguem o procedimento inicial do tratamento de câncer de próstata pela rede pública de saúde precisam esperar dois anos para novo procedimento, quando é preciso no máximo uma semana. Há muito, Érico Veríssimo, na página 199 do livro Olhai os Lírios do Campo, através do personagem Filipe definiu a insignificância do elemento bruto povo. Do alto de um edifício, Filipe aponta lá para baixo, para o povo, e diz: “Que é o povo? Povo é aquilo. Povo não pensa, não tem vontade. ”

Mesmo os intelectuais sinceros, aqueles que não vendem opiniões, não percebem a inutilidade de sua intelectualidade diante de um povo convencido de ser portador de conhecimento maior do que a intelectualidade de quem não sabe explicar a origem do universo. Portanto, uma sociedade menos infeliz objetivada pelos intelectuais sinceros só terá início pelo convencimento da necessidade de se conhecer a realidade. Enquanto o povo estiver convencido da desimportância de sua participação na qualidade de vida, será inteiramente inútil toda conversa em torno do que está errado porque tudo de ruim que acontece à humanidade deve-se exclusivamente ao desinteresse pela atividade de viver. Eduque-se a juventude com uma educação que lhes ensine verdades e cidadania em vez de mentiras e sede de riqueza que a infelicidade cessará de infelicitar.

Se a mentira de tanto repetida toma foro de verdade, também a verdade, se repedida à exaustão resultará em convencimento. Portanto, a luta dos intelectuais sinceros deve ser em torno de combater as mentiras que de tanto repetidas tornaram o povo convencido de que o sofrimento na terra corresponde à exuberância da felicidade no céu.

A substituição de uma cultura por outra tem acontecido de forma espontânea ao longo da história humana. Faz-se necessário, pois, por parte daqueles que gostariam de viver civilizadamente, buscar uma forma de abreviar a substituição da cultura quando se torna superada por uma nova cultura. É preciso induzir o acontecimento em vez de deixar que aconteça por acaso. Desta forma, não sendo mais desconhecida a realidade de que às autoridades interessa um povo de mentalidade tão medíocre a ponto de valorizar mais “famosos” e “celebridades” de merda do que professores, cabe aos intelectuais de consciência não prostituível lutar contra este estado de coisa em vez de ficar tergiversando sobre estar errado isso e aquilo porque não há erro nenhum uma vez que as distorções são arquitetadas intencionalmente em função de ser a política, conforme explicou Maquiavel, a arte de enganar. É querer água limpa emanada de fonte suja.

O povo terá o destino de Sísifo enquanto depender de líderes que lhe digam o que é bom e o que é ruim. Nosso presidente recém-eleito, acaba de nos dar um belo exemplo desta realidade. Pelo fato de ser militar e religioso, é também conservador. Como conservador, acaba de declarar que o povo precisa compreender ser o Brasil um país conservador. Entretanto, meditando-se sobre a realidade indiscutível de que apenas as coisas boas devem ser conservadas, enquanto que as coisas ruins devem ser descartadas, uma vez que apenas coisas ruins existem por aqui, o povo precisa mesmo é de compreender haver necessidade de inovação, de mudança, em vez de conservar a podridão que está aí. Pode-se apostar um tostão furado como no fim do governo do nosso novo presidente, apesar de contar ele com deus, o povo estará contente se a estatística mostrar que diminuiu o número de assassinatos quando o ideal é não haver um só assassinato. Inté.






sábado, 3 de novembro de 2018

ARENGA 514


Entre as pessoas que leem e adquirem conhecimento sobre o mundo fluido da sociedade e as pessoas que leem e adquirem conhecimento sobre o mundo material há uma barreira mental tão intransponível quanto a que separa estas duas categorias de leitores daqueles que nada leem por serem analfabetos. Em termos de qualidade de vida, o conhecimento sobre o funcionamento da sociedade é infinitamente mais importante do que o conhecimento sobre o funcionamento do planeta e as reações físico/químicas ou o motivo pelo qual chove ou deixa de chover. Isto fica evidente quando se observa que estudiosos destes assuntos e analfabetos comungam ideias semelhantes em muitos aspectos da vida, realidade materializada no fato de haver doutores tão interessados quanto os analfabetos nas mediocridades televisivas onde brutamontes mentais semianalfabetos apresentam programas de baixíssimo nível cultural. No campo da religiosidade é onde se mostra de forma escancarada a identidade de pensamento entre doutores e analfabetos. Na página 53 do livro DEUS NÃO É GRANDE, seu autor, o filósofo Christopher Hitchens, dá um exemplo perfeito da comunhão de ideias entre analfabetos e pessoas esclarecidas apenas sobre o mundo físico. De acordo com o escritor, quando se descobriu que o papilomavírus humano transmitido através do relacionamento sexual causava câncer do colo de útero e que foi criada a vacina que imunizava as mulheres contra esse mal, o governo amaricado resistiu em aplicá-la sob a alegação de que não havendo medo do câncer, as jovens não seriam desestimuladas a ter relação sexual antes do casamento como preceitua a religião. Ante tal fato, o filósofo pondera que tal procedimento equivale a condenar as mulheres à morte em nome de deus por conta do impulso sexual que o próprio deus lhes deu. Também pondera que tal comportamento em nada difere do comportamento dos habitantes da parte mais atrasada da África que morriam de AIDS por recusarem usar preservativo nos relacionamentos sexuais por não estar de acordo com a vontade de deus. Aí estão, pois, dois comportamentos idênticos entre pessoas altamente versadas em tecnologia e analfabetos.

Muitas são as demonstrações de despreparo social dos versados no mundo físico. Uma delas é a alegação de Einstein de acreditar no deus de Spinoza porque apesar de declarar-se descrente num deus preocupado em castigar ou premiar, nem por isso Spinoza deixava de ser deísta. Do mesmo modo, o grande físico Isaac Newton, que segundo afirmam os autores de Princípios Fundamentais de Filosofia, página 119, influenciado pelo mecanicismo da época, teria comparado o universo a um grande relógio que dependeu de um impulso divino que iniciasse o movimento. Tivessem estes dois gênios dedicado ao estudo sobre comportamento humano e a História das Religiões o mesmo empenho que dedicaram ao conhecimento do comportamento do universo teriam chegado à conclusão da inexistência de deus.

A humanidade estará em melhores condições quando voltar sua atenção do céu para a sociedade. Só então perceberá a grande verdade contida na expressão “OU ESTEJAMOS TODOS BEM OU NINGUÉM ESTARÁ BEM”. Mas nunca estaremos bem sob a cultura do individualismo contra a qual não podem se insurgir analfabetos e os letrados de idêntica mentalidade porque ignorando ambos o funcionamento da sociedade, adotam comportamentos negativos ao desenvolvimento social como, por exemplo, o transplante para nosso país da festa do Halloween. Este é um comportamento típico de quem ignora o mecanismo social. Ao fazer isto, além de fomentar a submissão aos estrangeiros em que vive o continente sul americano, os pais ainda cometem o erro de incentivar suas crianças ao consumo exagerado doce. Inté.

  



  















     


domingo, 28 de outubro de 2018

ARENGA 513


Nossa Cidade de Vitória da Conquista é um exemplo do que acontece com o mundo. Aqui a vida fica mais desagradável a cada dia. Para quem adquiriu um mínimo de refinamento espiritual, em termos de qualidade de vida, o progresso, na verdade, está mais para regresso em função da diminuição drástica da possibilidade de se encontrar um ambiente agradável em função da necessidade que tem o vulgo de acumular dinheiro. Das atividades voltadas à produção de dinheiro decorre tamanha barulheira que não permite a paz necessária a quem quer ler, escrever, curtir algum mal-estar ou dormir quando o sono é leve. Aqui entre nós, requebramentos de quadris no axé ou cerimônias religiosas no Parque Teopompo de Almeida causam irritação em quem precisa de sossego. Motocicletas baratas completam o desassossego fazendo barulho ensurdecedor mesmo na madrugada. Em viagem pela Rio Bahia, dirigi para o acostamento a fim de deixar passar seis motos Harley Davidson, verdadeiras máquinas. Silenciosas, não obstante o porte majestoso. Aqui em nossa Vitória da Conquista, espeluncas fazem um barulho suportável apenas para quem não superou ainda a fase bruta de povo e que por isto mesmo não sabe que segundo declaração da ONU até envelhecimento precoce e impotência sexual decorrem da poluição sonora. Mas não fica por aí. Carros expelem nuvens de fumaça preta altamente tóxicas, o que também é proibido pela legislação. Estas coisas levam à seguinte conclusão: Se comportamentos reprimidos pela lei são aceitos com naturalidade, para que, então, servem as autoridades senão como um faz de conta muito caro para a sociedade? Ante tal realidade, conclui-se pela necessidade de estar o bom senso a exigir uma forma de administração pública na qual se faz sentir a austeridade da autoridade no sentido de impor a civilidade sem a qual inexiste bem-estar social. Mas a porca torce o rabo porque uma sociedade civilizada não pode ser formada com o povo na condição de analfabetos políticos tão alienados da realidade que ensinam falta de patriotismo aos filhos. É vergonhoso o rebaixamento moral, indecência intelectual, babaovismo, enfim, é simplesmente vergonhoso o comportamento dos brasileiros imitando os americanos com a comemoração do Halloween.

O meditar sobre estas coisas lembra quanta razão tinham os Grandes Mestres do Saber quando afirmaram que a convivência com o povo é tão desagradável quanto uma doença. Realmente, ter o raciocínio perturbado por uma malta de adultos em cânticos e orações tanto é revoltante pelo desassossego quanto pela inutilidade do ritual porque quem tomou conhecimentos da História da Religião aprendeu que a religiosidade é uma grande farsa. E o mal-estar aumenta quando se sabe ser a religiosidade a representação do atraso mental e o maior entreve que impede o desenvolvimento espiritual, anulando o potencial que jaz inerte em cada ser humano, ao torná-lo covarde e submisso à invenção do pecado. Ao contrário de temeroso a deus, o homem precisa se orgulhar e assumir a imponência a que faz justiça por ser o único vivente capaz de raciocinar. Entretanto, em vez de orgulhar-se pela soberbia de ser o único com tal poder, rebaixa-se em se conformar em ser um mero carneiro de Cristo.

Ainda não se chegou à conclusão da nossa irmandade e a estupidez que há em acreditar haver alguma razão para que um ser humano seja inferior a outro. Observando bem, percebe-se a realidade indiscutível de ser maior o sentimento de religiosidade onde também é maior a falta de leitura e, portanto, de esclarecimento. Quanto mais desafortunado e desgraçado, mais pobre diabo, mais afeito à sarjeta, mais deus lhe pague e deus lhe favoreça são falados. É inegável que a religiosidade decresce juntamente com a ignorância. A existência de intelectuais religiosos se explica por dois motivos: Opinião emitida em troca de vantagem ou covardia ante a aproximação da morte, comportamentos orientados por inocência de criança, salvo se estes intelectuais não tomaram conhecimento da trajetória do sentimento de religiosidade através dos tempos, o que é impossível porque se aprenderam sobre todas as outras coisas, não poderiam ter deixado de aprender também sobre a realidade de ser a religiosidade o maior engodo que envolve os seres humanos.

As reformas religiosas visaram tornar menos absurdos os absurdos da religião aos quais ainda se submete a massa bruta de povo porque o esclarecimento que substitui a obscuridade mental, apesar de acontecer inevitavelmente, acontece com demasiada morosidade. Tamanha é esta morosidade que embora o ser humano não mate mais outro ser humano para que o cadáver lhe sirva de alimento, apesar disto, o ser humano continua matando outro ser humano. A diferença, entretanto, de não ser para se alimentar do cadáver indica algum esclarecimento, mas não o necessário.

O esclarecimento é inevitável por força da observação que com o passar do tempo tornou obsoletas não só as facas feitas com lascas de pedras, mas também crenças como as da mitologia e a do Tesouro de Merecimento. Segunda esta última, Cristo e os santos teriam feito tanta coisa boa que de suas ações meritórias resultou um excesso de merecimento que havia uma quantidade tão grande de merecimento no céu que o papa podia lançar mão de porções desse excesso e vender a quem precisasse de merecimento para se apresentar perante deus. Embora a massa bruta de povo nada visse de falso nessa história, pessoas capazes de pensar, entre eles Martinho Lutero e João Calvino, chamaram a atenção dos frequentadores de igreja da época para o ludíbrio de que eram vítimas ao comprar merecimento divino. Se até um Zemané é capaz de ter acesso a tais conhecimentos, não é estranho que intelectuais ainda desconheçam a realidade de ser a religião uma forma de manter o pobre conformado com a pobreza? O homem não deve ser correto por medo de deus. Deve ser correto por ser a única forma de se organizar uma sociedade civilizada. Inté.  

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

AREGA 512


Duas matérias do blog Outras Palavras, uma versando sobre influência dos ricos na política e da necessidade de deter o poder plutocrático no Brasil, e outra versando sobre o crescimento de suicídios também no Brasil, e de ter a vida perdido o sentido, estes dois assuntos, juntamente com uma afirmação do filósofo Michel Foucault no livro Vigiar e Punir motivaram o assunto aqui tratado nesse momento.

Primeiro, vejamos o assunto do livro: O filósofo trata das mudanças ocorridas na forma com que através do Direito Penal a sociedade tem determinado a que tipo de punição deve se submeter quem comete crime. Erudito, o intelectualíssimo doutor Foucault discorre sobre a monstruosidade dos castigos que afligiam indescritíveis sofrimentos ao criminoso em tempos passados. Como a evolução mental ou espiritual, embora demasiadamente lenta, é inevitável, chegou-se à conclusão de que a pena aplicada ao criminoso deve visar concertar sua personalidade socialmente deformada, adaptando-a ao convívio social, em vez de submetê-lo a sofrimento como vingança pelo erro cometido. Muitos pensadores concluíram para tal conclusão, entre eles um nobre, o Marquês de Beccaria, que através do livro Dos Delitos e Das Penas se insurgiu contra a barbaridade dos castigos aplicados, afirmando que aquele tipo de punição era um crime não raro mais bárbaro do que o crime cometido pelo punido. Assim, como é inevitável o avanço rumo à civilização, o Direito Penal já não mais amarra cada membro do criminoso num cavalo e os enxota em direções diferentes, nem abre a barriga do criminoso e rapidamente puxa suas tripas para fora a fim de que antes de morrer ele tivesse tempo de contemplá-las expostas. Na página 15 do citado livro o filósofo atribui tal barbarismo à fraca influência da religião sobre o espírito humano. Pode um grande intelectual ser tão ingênuo?

O professor conquistense Evandro Gomes Brito fez minucioso estudo sobre o Instituto da Inquisição, instituição de cunho religioso cujo objetivo era punir os crimes de heresia, e publicou o resultado do seu trabalho no livro DAS BRASAS DA INQUISIÇÃO AO LEITO DA PEDOFILIA. De acordo com a pesquisa do professor e escritor Evandro Gomes Brito, os suplícios a que eram submetidos pelos inquisidores os suspeitos de heresia eram tão grandes quanto os da barbárie do Direito Penal, até maiores porque matavam judeus ricos para tomar-lhes os bens. Desta forma, só ingenuidade ou o fanatismo religioso justificaria atribuir as barbaridades das penas à falta de religiosidade. É como se o intelectualíssimo Foucault desconhecesse que o barbarismo faz parte da bíblia e que deus mandou aplicar a Pena de Talião, conforme Êxodo, capítulo vinte e um.

O que acontece com a humanidade é ter sido ela reduzida à condição de manada. Como bosta n’água, os seres humanos trilham um destino traçado pelos meios de comunicação. Ouvi um fazendeiro dizer que com a eleição de Bolsonaro vai colocar uma escopeta nas mãos de cada empregado de suas fazendas. Este pobre fazendeiro rico tem na televisão sua única fonte de conhecimento. Ele serve de perfeito exemplo da realidade de ser o pensamento dos seres humanos em geral moldado por um mecanismo denominado por Jânio Quadros de Forças Ocultas. O discernimento sobre sociabilidade, diferentemente das ciências exatas, exige refinamento espiritual capaz de perceber que só a sociabilidade leva a uma sociedade evoluída, realidade muito bem definida pela máxima OU ESTEJAMOS TODOS BEM OU NINGUÉM ESTARÁ BEM.

Um exemplo perfeito do que quero dizer foi dado há pouco quando um papagaio de microfone dizia em determinada rádio que as doenças decorrentes da falta de saneamento básico ocasionam faltas ao trabalho que resultam num prejuízo de milhões de reais à economia. Em termos de sociabilidade, isto é de monumental contrassenso. É como se a saúde da economia fosse mais importante do que a saúde pessoal. Sabendo-se que a economia trabalha para aumentar a riqueza de um por cento da humanidade e a pobreza de noventa e nove por cento dela, não precisa ser inteligente para perceber que isto vai resultar em desastre social. A genialidade de Machado de Assis levou-o a dizer que a economia é filha da avareza.

Este assunto sobre a conclusão do filósofo inocente de ter o barbarismo como causa a falta de religiosidade e os dois outros assuntos tratados nas duas reportagens do blog Outras Palavras mencionadas lá em cima formam um trio harmonioso em perfeita sintonia com a realidade vivida no momento. Ao seguir o caminho determinado pelos meios de comunicação, que leva à conclusão de ser a economia mais importante do que a pessoa, e sendo a finalidade da economia enriquecer cada vez mais os ricos, e sendo que a ninguém é permitido desconhecer que a riqueza confere tanto poder que os nobres foram desbancados pelo poder que a riqueza conferiu aos burgueses, resulta daí ser normal a influência dos ricos sobre a política e, consequentemente, sobre a qualidade de vida uma vez que é a política que a determina, embora os meios de comunicação e a religiosidade digam ao povo que é deus o responsável por ela. Como todo ignorante gosta de se exibir como pavão, e a revista Forbes prova isso, o rico usa seu dinheiro para ficar cada vez mais rico a fim de ter cada vez mais poder. Portanto, é inútil falar-se em deter o poder plutocrático no sistema capitalista porque ele se baseia exatamente no enriquecimento individual.

O terceiro assunto, aquele que trata do crescimento de suicídios, é consequência dos outros dois. Ao seguir a orientação dos meios de comunicação, comportando-se como manada, o ser humano concorda com o progresso material dependente de investimentos, financiamentos e empregos, o que é uma farsa. Um descompasso tão grande que faz a vida perder o sentido, daí os suicídios. É realmente desanimador para um jovem que pensa em vez de futucar telefone ter de enfrentar mil e uma dificuldades, anos e mais anos alisando bancos de escola para conseguir sobreviver através de um emprego enquanto que semianalfabetos, verdadeiras nulidades esbanjam riqueza e viram “famosos” e “celebridades”.

Tomar a cultura do TER como superior à cultura do SER está resultando nos desastres climáticos de consequências inimagináveis para os débeis mentais a que foram reduzidos os jovens em função da futucação de telefone. Inté.







 












segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ARENGA 5ll


A união entre a Odisseia de Homero e a antirreligiosidade de Friedrich Wilhelm Nietzsche levou este Grande Mestre do Saber a comparar a religiosidade à feiticeira Circe que segundo consta da Mitologia Grega teria transformado em porcos os companheiros de Ulisses. Nenhum frequentador de igreja, axé e futebola sabe o que é a Odisseia, nem quem são Nietzsche, Homero ou Circe em função da carência de intelectualidade decorrente da ojeriza aos livros. O que quereria dizer Nietzsche quando disse que a religiosidade é a Circe da humanidade? Queria dizer, e disse, que a religiosidade também transforma os seres humanos numa espécie de seres estúpidos.

Estas cogitações me ocorreram neste exato momento quando uma festança religiosa nas imediações me impede de concentrar na leitura do livro DAS BRASAS DA INQUISIÇÃO AO LEITO DA PEDOFILIA, do professor escritor conquistense, para honra dos conquistenses, Evandro Gomes Brito, sobre a monstruosidade da Santa Inquisição. Tomar conhecimento da maldade que infligia sofrimentos inacreditáveis a seres humanos suspeitos de heresia é o bastante para se concluir ser a religiosidade nada mais nem menos do que fruto de monumental estupidez e ignorância absoluta. O professor Evandro fez minuciosa pesquisa e constatou registro de coisas horríveis: uma mulher nua, montada numa peça de madeira de forma que sua vagina e ânus ficavam sobre uma quina, os pés pendentes no ar, e um peso pendurado em cada pé. Um homem dependurado de cabeça para baixo sendo serrado pelo meio a partir das duas nádegas. É estarrecedor que a capacidade de impor tais sofrimentos a outros seres humanos tenha sido o mérito que levou Domingos Gusmão a ser considerado pela religiosidade merecedor da honra de ser transformado em santo. É à memória de tal monstro que religiosos fazem oração. Nem mesmo Satanás seria capaz de impor tamanho sofrimento que em nome de deus religiosos impunham aos condenados de heresia ou deixar de observar os dogmas da religião cristã. Consta que ante o impasse de haver alguns não hereges entre um grupo de acusados de heresia, foi determinado que todos morressem porque deus se encarregaria de separar uns dos outros depois de mortos.

Desta forma, tem razão o filósofo do bigodão comparando a religiosidade a Circe. Um rebanho de porcos também faz barulho suficiente para impedir que alguém possa raciocinar. Inté.