sexta-feira, 21 de junho de 2019

ARENGA 579


Grande perversidade é a do Cassino Caixa Econômica Federal contra o povo. Cassino, sim, e um cassino que rouba de pobres em vez de ricos, como fazem os cassinos em geral. Ao colocar os pobres diante da possibilidade de ficarem ricos, além de enganá-los, os falsos líderes políticos causam neles uma ansiedade semanal que os torna ainda mais infelizes do que precisam ser como pobres. O engodo da mega-sena é um engodo ainda maior do que o do estelionato praticado pelos representantes de deus porque envolve também os descrentes que não contribuem para a riqueza de espertalhões. Este crime só é menor do que o de transformar seres pensantes em não pensantes, o que fazem todos os falsos líderes do mundo ao fomentar o pão e circo. O crime de manter o povo incapaz de perceber desempenhar o papel de bobo da corte vem desde quando os romanos o distraiam com os espetáculos do Coliseu, papel que hoje cabe às igrejas, o futebola, o pão circo, as putarias das “celebridades” e as baixarias dos “famosos”, marionetes manipuladas pelos falsos líderes do mundo inteiro de forma tão eficiente que o povo foi convertido em massa amorfa de imbecis incapazes de perceber não haver justificativa para sua condição de ser não pensante, realidade que se materializa na destruição de imensas fortunas em guerra, templos monumentais para oração e mordomias de políticos ao tempo em que falta riqueza para não ter pobreza.

Em São Paulo, o elemento negativo povo acaba de demonstrar sua incapacidade de raciocinar ao esperar que de uma cerimônia religiosa que mobilizou grande multidão pudesse vir alguma proteção para suas famílias, engodo tão visível que seu presidente da república que também participava está empenhado em que o Congresso Nacional aprove uma lei que permita ao povo a posse de arma de fogo como proteção. 

Intelectuais escrevem livros e mais livros indicando soluções para os problemas que envolvem a humanidade. O último deles que me levou a perder dinheiro adquirindo-o foi DEPOIS DO COLONIALISMO MENTAL, do filósofo brasileiro (mais americano do que brasileiro) Roberto Mangabeira Unger, provando mais uma vez que os intelectuais, como os políticos, falam apenas porque não podem deixar de falar. A fala deles são apenas palavras ao vento. Só não se pode mandá-los conversar para os presos porque nem mesmo os presos gostariam de ouvir suas divagações inúteis e antipáticas. O mais americano do que brasileiro Mangabeira Unger cita os Estados Unidos como uma país que nos serve de referência. Porém, o povo americano é tão infeliz quanto os demais infelizes do mundo. Sua felicidade talvez seja ainda maior do que a infelicidade dos pobres brasileiros frequentadores de igreja, axé e futebola porque os infortúnios destes ainda lhes permitem requebrar os quadris com alguma tranquilidade quanto à possibilidade de se tornarem vítimas de explosões ou rajadas de metralhadoras.

É desperdiçar dinheiro e tempo com os livros dos intelectuais porque ou eles vivem fora da realidade ou fingem por conveniência desconhecê-la uma vez que sua despensa abastecida depende de sues bestas de sela completamente inúteis. Aquilo de que se faz necessário a fim de ser a humanidade menos infeliz é despertar para o fato de se encontrar ela envolvida num engodo tão monumental que tudo em volta são falsidades. É impossível àquele que de boa vontade e espírito livre de interesses escusos se dedique a meditar um instante sobre como pode a humanidade deixar de padecer a maioria dos males de que padece. Isto os intelectuais não fazem porque se o fizessem chegariam à conclusão simples de não terem as autoridades interesse algum no bem-estar social porque se o tivessem não se encontrariam vivendo nababescamente às custas do pobre povo sob seus cuidados. Entre todas as demonstrações de desprezo das autoridades ao povo estão as guerras. Nelas se materializam duas demonstrações de que em busca da maldição denominada PODER as autoridades que deveriam zelar pelo povo faz dele bucha de canhão. E a prova mais evidente de haver uma criminosa manipulação cerebral do povo é ser ele capaz de ver sem questionar seus filhos serem mandados para campos de batalha para defender interesses pessoais de falsos líderes. O povo foi levado à condição de ser tão irracional que é capaz de se encantar ao ver queimar em fogos o dinheiro que lhe falta. A única maneira de evitar problemas sociais é elevar a espiritualidade do povo por meio de uma educação capaz de convencer cada um indivíduo da realidade de ser impossível viver em sociedade cuidando apenas do bem-estar individual. Acontece que às autoridades interessa um povo que não saiba disso porque tal percepção não lhes permitiria a vida fácil a que estão acostumadas. Esta realidade é facilmente percebível na preferência pelas brincadeiras e putarias em detrimento dos assuntos sérios que envolvem a atividade de viver. É por isto que a papagaiada de microfone papagaia incessantemente sobre esportes e festividades. É assim que leva o povo à condição de massa bruta, de seres tão mentalmente medíocres que no livro de Luiz Otávio de Lima GRANDES BATALHAS QUE MUDARAM O BRASIL, na página 9, a constatação de terem os índios Tamoios se cansado de trabalhar para os franceses em troca de presentes leva à conclusão de que até os inocentes selvagens são capazes de perceber serem iludidos enquanto a massa bruta de povo permanece eternamente indiferente a esta realidade. A verdade que ninguém quer reconhecer é que os seres humanos ainda estão muito distantes da evolução espiritual necessária para viverem de outra forma que não na infelicidade festiva em que vivem. Inté.

terça-feira, 18 de junho de 2019

ARENGA 578


Até final do século XIX eram a chibata e o lombo dos negros a força propulsora que movimentava a economia e se afirmava categoricamente que sem a chibata e o lombo dos negros estaria decretada a derrocada do sistema econômico, e os argumentos contra o fim da escravidão lembram a afirmação de Schopenhauer de que para vencer um debate a razão é menos importante do que a capacidade de bem usar da retórica para defender o ponto de vista contrário, ainda que capciosos ou inverídicos os argumentos do debatente. O livro Raízes do Conservadorismo Brasileiro, de Juremir Machado da Silva, mostra os mais diversos argumentos justificando a escravidão, entre eles a alegação do papa Nicolau V para o tráfico de negros africanos em função da necessidade de convertê-los ao cristianismo salvador de almas.

Em termos de uma elevação espiritual só alcançável por meio da evolução mental a humanidade ainda se encontra nos cueiros. A desumanidade de desconsiderar um homem a ponto de estender sobre ele o direito de propriedade denuncia a predominância da animalidade sobre a espiritualidade que separa o civilizado da besta fera. Animais irracionais é o que são os seres humanos. E sob os mais diversos argumentos capciosos, o direito infame de escravizar permanece exercendo seu poder através da instituição do emprego. No terceiro fascículo do curso “SPEAK ENGLISH”, da editora Escala, o assunto das aulas gira em torno do jovem estudante Roger, entusiasmado pelo fato de ter conseguido um emprego. Pouco adiante, na lição 22 do fascículo 24, encontramo-lo abatido, com aspecto doentio, desgastado pelo esforço sobre-humano a fim de corresponder às exigências do emprego e os estudos.

É, pois, de espantar a distância que os intelectuais se mantêm da necessidade de uma orientação capaz de transformar as crianças em adultos capazes de meditar sobre uma forma de vida na qual todas as pessoas estejam a gosto. Faz-se extremamente necessário trocar a canalhice de religiosos e políticos por uma orientação baseada na sabedoria em vez da burrice que impede a massa bruta de povo de questionar o motivo pelo qual o presidente da república desperdiça tempo recebendo em audiência um jogador de futebola. Por trás deste fato aparentemente simples rolam coisas do arco da velha. Como povo existe para ser iludido feito criança, as igrejas e os estádios para brincadeiras continuarão lotados, até quando não se sabe.    

Nestas terras brasileiras de raro esplendor e riquezas naturais, cujos habitantes vivem na total miséria material e moral, seu povo é famoso como ladrões safados, carnavalescos, adoradores de futebola e igreja. Tudo que pode haver de negativo em termos de uma boa convivência social é “o quente” por aqui. Toupeiras mentais são consideradas celebridades e a fala das autoridades tem tanta veracidade quanto o que diz a papagaiada de microfone ao fazer apologia dos bancos e do agribiuzinesse. Estamos abaixo do zero da escala mundial em termos de civilização. A massa bruta de povo brasileiro volveu com tal vigor seu queixo duro no rumo da religiosidade e do futebola que é impossível trazê-la à razão, não obstante a transparência dos fatos que demonstram tratar-se de instituições voltadas para manter o povo na condição de massa bruta, incapaz de elevar o pensamento além da necessidade de trabalhar, comer e trepar. Enquanto isto, intelectuais escrevem bestas de sela com prefácios de outros intelectuais afirmando tratar-se de obras monumentais. Monumental, na verdade, é a estupidez humana a clamar pela atenção das mentes que se encontram acima da mediocridade da massa bruta de frequentadores de igreja, axé e futebola. Inté.

sábado, 15 de junho de 2019

ARENGA 577


Embora vivendo em comunidade, os seres humanos não cogitam de uma vida comunitária. O grupo-célula da sociedade, a família, tem como único objeto de preocupação seu mundinho particular, embora insignificante em relação à grandiosidade do mundo da sociedade humana. E a intelectualidade dos intelectuais em nada contribui para a sensatez de uma orientação no sentido de mostrar a necessidade de uma fraternidade universal como única forma de superar a irracionalidade ainda predominante no ser humano de forma tão acentuada que por interesses individualistas e mesquinhos a opinião pública é convencida a seguir caminho que leva a um destino oposto àquele que corresponderia aos seus verdadeiros interesses. São falsos, negligentes, ou mesmo criminosos, intelectuais que se omitem da tentativa de mostrar à humanidade ter sido ela transformada em joguete nas mãos de falsos líderes, seres infinitamente inferiores aos criminosos trancafiados nos presídios. Aqueles monstros, de cuja boca escorre baba de dragão, destroem os verdadeiros líderes a fim de assegurar seus privilégios conquistados por meio de artifícios capciosos que transformam seres humanos em irracionais que uma vez castrados da capacidade pensar por si mesmos, comportam-se do mesmo modo da manada, indiferente ao destino. Por conta da irracionalidade, não percebendo serem opostos aos seus os interesses dos ricos empresários, a massa bruta de povo os nomeia para postos da administração pública onde irão usar em benefício próprio o poder que o povo lhes atribuiu para cuidar de seus interesses. É intrigante o desinteresse dos intelectuais em tais questões uma vez de delas decorrerão malefícios generalizados para todos indistintamente. Entre nós que somos parte dos maiores sofredores do mundo, apesar da alegria fogo-de-palha, os malefícios já forçam jovens a abandonarem seus país, forçados por uma alegada pobreza ao tempo em que fortunas imensuráveis são desbaratadas de diversas maneiras, inclusive canalizada para as contas bancárias da maldita classe de agiotas, ante total indiferença de um povo extasiado por espetáculos circenses endeusados por papagaios de microfone e levados a efeito por esportistas, carnavalescos e representantes de deus. O grande número de estádios para esportes já pode ser acrescentado ao de farmácias e igrejas como indicadores do atraso mental do bicho povo que constitui a humanidade graças à apologia que fazem as Forças Ocultas das atividades esportivas em detrimento das meditativas, o que leva a ralé intelectual na qual se enquadra com perfeição a raça humana à crença de ser a vida em si mesma a coisa mais importante da vida, razão pela qual se deixa levar pelo som da estranha palavra gol que faz coro com as palavras deus, “famosos” e “celebridades”. Entretanto, a realidade da vida passa longe destas futilidades porque a vida só tem sentido se acompanhada do bem-estar que só pode ser alcançado por meio de uma elevação espiritual jamais encontrada nas igrejas, na mediocridade mental das “celebridades” ou nos festejamentos generalizados. Os envolvidos em tais atividades têm a vida como o bem primordial enquanto que o mentalmente evoluído sabe que a intensidade de um mal-estar é capaz de conduzir à opção pela morte.

Sendo a ralé intelectual incapaz de pensar, acredita ser eterna a vitalidade para o requebramento de quadris e é incapaz de perceber a existência dos mal-estares antes de serem por eles atingidos. Quando isto acontece é maior o infortúnio para os seres não pensantes por ser mais intenso o desconforto de quem é apanhado de surpresa por uma adversidade do que aquele que já contava com sua aproximação.

Apesar de se encontrar na atividade de pensar o divisor de águas entre o ser humano e a besta, é preciso pensar sobre como superar a insanidade humana capaz de trocar por dinheiro o ambiente do qual depende sua existência. É preciso repensar tudo que já foi pensado porque uma conclusão resultante de silogismo iniciado por premissa falsa leva resulta em generalização de inverdade. É o que acontece com a conclusão a que chegou o sistema econômico mundial de depender de haver emprego para quem dele precise o bem-estar social uma vez ser impossível haver empregos suficientes, sem contar com a realidade de ser o emprego uma trama diabólica por meio da qual, para sobreviver, o necessitado abre mão de sua vitalidade. Não obstante a nobreza da atividade de pensar, faz-se necessário pensar corretamente sob pena de, como já foi dito, tirar conclusões erradas. Um exemplo: No livro Os Filhos do Imperador, da escritora Claire Messud, consta o seguinte pensamento atribuído ao também escritor Anthony Powell: “Se você cultiva corretamente seu mito pessoal, pouco mais importa na vida. O substancial não é o que acontece com as pessoas, mas o que elas pensam que lhes acontece”. Isto é completamente falso porque q vida é realidade, enquanto que os mitos são fantasias. Quando os jovens inocentes da Juventude de Fé cultivam o mito deus, pensam que o beijo do papa no pé do infeliz seja capaz de prevenir a infelicidade, incorrem em grave erro porque sendo inócuo o gesto, a infelicidade os alcançará algum dia. Inté.















   




sábado, 8 de junho de 2019

ARENGA 576


Apesar de continuar moldável, dia a dia a massa bruta de povo tem mostrado alguma rebeldia em tomar a forma desejada pelos falsos líderes políticos e religiosos que pensam por ela. Embora a quase totalidade dos seres humanos ainda pensa existir deus, não são poucos os que contestam a existência de divindades. Quando o governo diz não se justificar tomar dinheiro emprestado no exterior para pagar aposentadorias, já não consegue ter unanimidade popular de aprovação às razões apresentadas como justificativa para reformar a previdência. Calejado de ser enganado pelos governos desde que eles existem, gatos pingados despontam do meio da massa bruta de povo demonstrando alguma capacidade de raciocínio, e, ouvindo de pessoas versadas em política tratar-se de mais uma mutreta contra o povo esta reforma, preferem estes gatos pingados dar ouvidos a estas pessoas do que ao governo.

A perda de credibilidade por parte dos falsos líderes lembra a afirmação de Thomas Paine de que o tempo convence mais que a razão. Levando ferro por tanto tempo, as pessoas foram convencidas de que as autoridades têm interesses diversos daqueles que dizem ter. Realmente, se há dinheiro para alimentar a agiotagem internacional, desperdiçar à larga com palácios e uma plêiade de “excelências”, “famosos”, “celebridades” podres de ricos, templos para orações e outros tantos para brincadeiras, há realmente dente de coelho nessa história de faltar dinheiro para pagar aposentadorias. O que se faz necessário, isto sim, é corrigir as distorções. Absolutamente nada justifica quem deu duro a vida toda receber uma merrequinha de nada enquanto parasitas sociais recebem várias e gordas aposentadorias.

A religiosidade é a maior demonstração de ingenuidade que alguém pode dar. Quando o chefe do atual governo religioso diz que o Estado é laico, mas ele é religioso, está demonstrando ser tão ingênuo que não sabe serem duas coisas distintas a pessoa física do presidente da república e a instituição Estado Brasileiro. A História mostra que desde sempre houve uma parceria entre política e religião. Só não sabe disso a massa bruta de povo mais interessada nas trepadas de Neymar do que nos assuntos pertinentes à sua vida. Vivendo ambas, política e religião, de passar mel na boca do povo, é compreensível a religiosidade do presidente como político, mas nunca como ser pensante.

A sociedade humana só tem a perder por não se interessar em corrigir a falta de lógica na qual está envolvida. Raciocinando a respeito, percebe-se não haver motivo algum para se acreditar nem no que dizem os políticos e nem nos representantes de deus porque tanto uns quantos outros se apresentam como portadores de poder capaz de promover o bem, mas predomina um mal tão evidente que os bancos, embora não passando de quadrilhas organizadas para roubar a sociedade e fazê-lo com maior eficiência do que as quadrilhas dos outros bandidos, como mostram seus lucros fabulosos, são estas últimas quadrilhas execradas enquanto as primeiras têm sua prática criminosa recomendada pelos papagaios de microfone.

É preciso pensar e repensar a organização da sociedade humana, mormente neste belo país de triste sorte. A prisão de bandidos perigosos à nossa sociedade não a protege das ações criminosas porque os bandidos continuam exercendo suas atividades de dentro dos presídios, contando, inclusive, com parceria de advogados e conivência da OAB, de olho nas mensalidades.

Mesmo vendo velhos arqueados, apoiados em bengalas ou em cadeiras de roda, os jovens jogam fora sua vitalidade, imaginando-se imunes a tal destino. Daí que a única preocupação quanto ao futuro se resume a guardar o que comer quando não tiver mais força trabalho para vender. A ninguém ocorre que o trabalhador é condenado a só ter sua parca refeição quando alguém precisa dele para fazer algum serviço.

A juventude mundial só tem a perder em deixar-se transformar em massa de manobra de uma liderança tão pervertida moralmente que na introdução do livro de Arthur Schopenhauer, TRINTA E OITO ESTRATÉGIA PARA VENCER UM DEBATE, está dito com muita propriedade que a vaidade e a hipocrisia triunfam sobre a verdade. Inté.

  







 










sexta-feira, 31 de maio de 2019

ARENGA 575


O único mérito (se há mérito nisso) que têm as “famosas” e “celebridades” é ter suprimido o caráter de ultraje ao pudor que havia na nudez em público, avacalhando o mistério que a roupa resguardava, tornando ainda mais bela e enigmática a mulher, além de estimular o crime de estupro. A cada dia evidencia-se mais a realidade que a humanidade regride espiritualmente e que uma infelicidade ainda maior a espreita, não obstante a plêiade de papagaios de microfone bem assalariada para fazer crer estar tudo na mais perfeita normalidade, embora esteja tudo às avessas. Não podendo deixar de falar porque disto depende a despensa abastecida, os papagaios de microfone falam sobre reforma disso e daquilo, quando, na verdade, a única coisa a merecer reforma é a cabeça de seus patrões, os únicos responsáveis pela injustiça social que assola a humanidade de forma tão perigosamente avassaladora que os grupos não vitimados pelo flagelo da fome, para não serem invadidos pelos famintos, são obrigados a construir muros protetores. Apesar disto, se fala insistentemente em tribunais de justiça. Que justiça pode haver se enquanto gatos pingados comem iguarias finas em pratos de ouro, multidões comem na sarjeta restos colhidos no lixo? Até parece que é para mostrar o tamanho da disparidade desse proceder que a natureza transforma igualmente finas iguarias e restos de lixo em bosta.

Intelectuais se perdem na mesma tagarelice estéril dos papagaios de microfone. Ernesto Sabato, por exemplo, em A Resistência, manifesta um saudosismo injustificado dos tempos de antigamente. Injustificado porque é lá na frente onde está nosso destino. Se filosofar é pensar, e se é pensando que se raciocina, cabe aos filósofos raciocínios capazes de indicar um bom caminho à manada que não pensa, do mesmo modo como procedeu Jesus Cristo, descartada a baboseira em torno de divindade.

Mas não é isso o que se vê porque até um tal de mundo físico foi inventado pelo eruditismo inútil de filósofos, enquanto que o mundo importante seja o mundo sólido que embora resumido a apenas um terço do mundo, é nele que vivem as pessoas.

Ou os seres humanos, principalmente a juventude, despertam para a realidade de viver uma grande farsa ou vão se ferrar ainda mais do que ferrados já estão. Os gatos pingados que acreditam estar a gosto por terem ajuntado riqueza não perdem por esperar receber a galinha pulando. E inté mais ver.

     




quinta-feira, 30 de maio de 2019

ARENGA 574


Que futuro pode ter uma sociedade na qual as atividades mais rendosas são agiotagem do sistema financeiro, roubo, prostituição, tráfico de drogas, atividade esportiva, e as pessoas mais importantes são as menos importantes, e quem não se encaixa neste rol é obrigado a viver com mil reais por mês? Não obstante ser esta a realidade brasileira, as pessoas que integram esta sociedade ridicularizada no mundo é também a sociedade mais alegre do mundo. Na verdade, a sociedade humana foi tomada por tamanha imbecilidade que pessoas morrem aos montes tentando chegar no topo do Monte Everest apenas para mostrar que chegou lá. Entretanto, na sociedade brasileira, a imbecilidade é ainda maior porque a imbecilidade dos trogloditas das bundas brancas que se acham civilizados não os impede de merecer algum respeito de seus falsos líderes obrigados a tapearem seus liderados com um mínimo de bem-estar social para disfarçar a falsidade. Já os falsos líderes da ridícula sociedade brasileira dispensam esta preocupação e dizem abertamente na cara de uma juventude inútil que não lhes interessa a opinião pública, e agem de acordo com este desinteresse promulgando leis que impedem investigações sobre suas atividades criminosas.

Diante de uma árvore de pau-brasil no Jardim Botânico no Rio de Janeiro, depois de passar pelo busto de D. João VI, vi-me diante de uma árvore de pau-brasil com um galho serrado junto ao tronco, deixando à mostra sua exuberante e resistente madeira negra. Fui, então, tomado por uma ponta de nostalgia ao lembrar de ter sido aquela madeira nobre a primeira das riquezas daqui levadas. Caio Prado Júnior afirma no livro Formação Econômica do Brasil Contemporâneo que o Brasil tinha por única serventia fornecer tabaco, açúcar, ouro, diamantes, algodão e café para o comércio europeu". É realmente triste a realidade de ter o brasileiro por destino levar ferro no rabo enquanto, satisfeito, faz oração, requebra os quadris no axé e se emociona no futebola. Os versos musicalizados “povo marcado, povo feliz” não dizem aos brasileiros da sua condição de manada. Apenas lhes dizem para levantar os braços e balançá-los ao ritmo do som da música. Os milicos de 1964 obrigaram Caetano Veloso a trocar a palavra brasileiro por batuqueiro no verso NA BARRIGA DA MISÉRIA NASCI BRASEILEIRO da música Partido Alto, que também diz ter deus dado pernas cumpridas ao brasileiro para correr atrás de bola e fugir da polícia. Não pode haver mais perfeita alusão a esta sociedade medíocre de juventude tão estúpida que lota igrejas mendigando proteção a um deus tão imprestável que nem é capaz de fazer cumprir sua ordem para que se comesse o pão com o suor do rosto porque os ladrões da política, dos bancos e das empresas comem-no com o suor do rosto alheio, como lembra Gabriel Deville em seus comentários sobre o marxismo. Inté.




quarta-feira, 29 de maio de 2019

ARENGA 573


 


Muitos pensadores têm tentado mostrar à humanidade como viver de forma menos sofrível. Porém, como a humanidade não sabe ser sofredora, como mostra a quantidade de festejamentos, o esforço deles tem dado em nada. Ninguém se preocupa com prevenção contra um mal que supõe inexistente. Assim, desconhecendo a realidade de sua servidão, como a manada, a humanidade segue ao som do berrante de seus algozes, indiferente à sua triste sina de ter um destino traçado por falsos líderes, incapaz que é de traçá-lo por si mesma.
Embora a ninguém seja dado o direito de negar ser a harmonia da cooperação imprescindível ao sucesso de qualquer sociedade, no que diz respeito à sociedade humana, Reis Midas tem usado do artifício do pão e circo sustentado por uma rede infinita de papagaios de microfone que se revezam a fim de não deixar cair a peteca do engodo de fazer crer ser normal o modo de vida atual, embora ele seja tão desarticulado da realidade que pessoas de nenhuma importância intelectual recebem honrarias e riqueza enquanto que as pessoas de real valor por contribuírem com o desenvolvimento do raciocínio, a exemplo de Paulo Freire, são consideradas inimigos sociais.
  Prevalece entre os seres humanos a mentalidade medieval de quando Martinho Lutero afirmou ser a fé mais importante do que a razão. Apesar de verdadeiro absurdo, tal crença permanece viva no comportamento de jovens integrantes de idiotices como Juventude de Fé, capaz de encontrar algo senão ridículo no beijo do papa no pé do infeliz como meio de prevenir a infelicidade.
Embora a ninguém seja dado o direito de saber ser a cooperação indispensável ao sucesso de qualquer sociedade, no que diz respeito à sociedade humana, entretanto, os seres humanos foram convencidos de estar na competição a chave que abre a porta para o sucesso social.  Malandramente, os adeptos da competição usam do poder que o dinheiro lhes confere para entorpecer a atividade cerebral dos seres humanos convencendo-os ser normal gastarem sua vitalidade produzindo a riqueza sobre a qual não terá direito algum.
O mais interessante em tudo isto é que o próprio povo seja o defensor de seus algozes, razão pela qual seu destino será um terno ferro no rabo. Aliás, a cada dia cresce o número de adeptos do ferro no rabo. Quem sabe, o mundo feminino traga sensatez à humanidade? Inté.