quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

ARENGA 633

 

Se cada dia que chega encontra o brasileiro mais infeliz do que estava no dia que se foi, então, é a exuberância do ridículo desse povo mais reles do mundo que explica a espera de que o ano a chegar lhe traga melhores condições do que as que lhe trouxe o ano que passou. Afinal, o ano é o resultado da somatória de trezentos e sessenta e cinco dias infelizes e mais um de lambuja a cada seis anos.

Quando se trata de ridículo, ninguém supera o brasileiro. nem mesmo no tocante a divindades. Se no Estado Teocrático as autoridades se faziam respeitar como representantes da vontade divina, no nosso Estado Teocrático as autoridades não merecem um pingo sequer de respeito porque se auto desmoralizam de forma tão espetacular que não podem aparecer em público sem voltar para o luxo de suas mansões pagas pelo povo sem levar impropérios do mais baixo calão que o vernáculo comporta. Como a questão do ovo e da galinha, resta saber se o ridículo maior está no povo que dá vida mansa às autoridades de araque ou se está na pose das falsas autoridades que nada têm de autoridades responsáveis pela criação e zelo de normas que assegurem estabilidade social, missão para a qual existem, uma vez que são elas as autoridades entre aspas as maiores transgressoras destas normas.

Mas o ridículo do brasileiro supera qualquer outro ridículo. Se o ridículo das pessoas do mundo ridiculamente chamado civilizado faz delas tão imbecis que dão dinheiro a ignorantes de responsabilidade cívica para ser esbanjado em especulação espacial, construção de mortíferas máquinas de destruição, o ridículo do povinho desse recanto da América Latrina o faz dar dinheiro a jogador de bola para dar gorjeta de cem mil reais a uma garçonete, enquanto um trabalhador recebe mil por um mês inteiro de trabalho.

Como a finalidades deste cantinho de pensar é pensar, ocorreu de pensar o seguinte: qual será o destino de uma sociedade (a humana) formada por indivíduos educados em criança para se tornarem seres egoístas, avaros e sem noção do que seja responsabilidade cívica?

 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

ARENGA 632

 

Assusta a docilidade com que os seres humanos se submetem a desmandos. Ou não dá o que pensar o fato de haver pobreza se não precisa haver pobreza? A degradação política a ponto de haver orçamento secreto, demonstrando claramente assombroso assalto ao erário sob a mais completa indiferença pública é algo estarrecedor porque sendo do erário que depende tudo, escola, saúde, segurança, educação e comida na mesa, como ser indiferente ao desbaratamento da riqueza pública pela ratazana do banditismo político?

O servir sem questionar constitui objeto de estudo da parte de intelectuais que o denominam de servidão voluntária. Mas como a atividade de pensar é a razão de ser deste cantinho de pensar, o assunto é tratado aqui considerando não ser de vontade própria que alguém se submete à servidão, visto ser da própria natureza o sentimento de liberdade. Como afirmou mestre Rousseau no Contrato Social, todos nascem livres e a liberdade lhes pertence. Renunciar a ela, conclui mestre Rousseau, é renunciar à própria qualidade de homem. E, continua o mestre: apesar de ter nascido livre, por alguma razão, o homem acaba perdendo à liberdade. Tais ponderações nos leva à conclusão de que se renunciando à liberdade para se submeter às várias modalidades de servidão, entre as quais a do emprego, o homem renuncia também à condição de homem, logo, assemelha-se inevitavelmente ao burro-de-carroça. Tal conclusão leva a outra: a possibilidade de estar aí a causa da infelicidade humana visto que união de burros-de carroça não dá origem a sociedade na qual seres humanos possam sentir-se bem. Como pensamento atrai pensamento, a partir daí se conclui ser desperdício de tempo ater-se a problemas de fome, injustiça, excesso de pobreza ao lado de excesso de riqueza, violência, doenças, miséria, inflação, banditismo político, se tudo que há de errado se deve ao fato de tratar-se de reunião de manada de burros-de-carroça e não de seres pensantes.

Não há vários problemas. Há apenas um: desconhecer que tudo tem origem na incapacidade de racionar para que se conclua haver necessidade de reconhecer a realidade de se viver de forma totalmente adversa às exigências indispensáveis à vida comunitária porquanto vive a humanidade dentro de uma cultura tão estúpida que segundo ela quem tem garras maiores subjuga quem as tem menores. O que resulta desse destrambelhamento monumental é haver na mesma sociedade quem tenha posses infinitamente mais do que precisa e quem nada tenha além de necessidades.

Nunca que poderá ter sucesso a sociedade humana se estruturada sobre tais bases. Papagaios de microfone esgoelam impropérios contra criminosos infinitamente menos danosos à sociedade do que autores do crime de fomentar a ignorância responsável pelo demais crimes. Orientados pelo instinto e não pela inteligência, como é natural no burro-de-carroça, os responsáveis pela administração pública são orientados pela astúcia que só vai até a obtenção da vantagem, diferentemente da inteligência que vai até as consequências decorrentes da obtenção da vantagem. A história é farta em demonstrar fatos trágicos por falta de planejamento inteligente o bastante para reconhecer a realidade de não se poder viver em sociedade cuidando cada um de interesses exclusivamente individuais, ignorando a existência da vida coletiva.

Usando de astúcia, engendrou-se uma tramoia satânica tão maleficamente bem engendrada que embora servindo, acredita-se estar sendo servido. O emprego materializa esta realidade. As imensas fortunas dos Bezos e Hangs da vida, como demostrou o velho e sábio Marx, razão pela qual é odiado pelos ajuntadores de riqueza, não obstante serem feitas pelos empregados, agradece-se a deus quando se tem oportunidade de se tornar mais um dos construtores da riqueza destes monstros de cuja boca escorre baba de dragão.

Vive-se tão alheio à realidade que um trabalhador recebe mil reais para trabalhar um mês enquanto um jogador de bola dá gorjeta de cem mil reais a uma garçonete sem que isso chame a atenção de ninguém. É nesta indiferença que se encontra a fonte de onde brota a aceitação pacífica do servilismo, cabendo, pois, em nome da racionalidade, superar o desinteresse pela vida como única maneira de se alcançar a civilização verdadeira.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

ARENGA 631

 

Do ponto de vista do pensador Eduardo Galeano, utopia seria um sonho irrealizável. Serve apenas para não deixar apagar a chama da esperança em dias melhores. Do pondo de vista de outro pensador, o Thomas More, que inventou uma sociedade humana bem-sucedida, seria um sonho inteiramente realizável, no que tinha razão.  Se sociedades de vários tipos como comerciais e até sociedades voltadas para o crime são bem-sucedidas, para ter sucesso uma sociedade formada pela comunidade humana nada mais é preciso do que observar os procedimentos adotados pelas sociedades bem-sucedidas, como rigor na aplicação do capital e pronto! Resolvida a questão. Tudo de que carece a humanidade e bom senso na distribuição da riqueza pública. Para tanto e antes de tudo é preciso ter consciência de ser do dinheiro e não de divindades nem de falsos líderes que depende o bem-estar social. Outro elementos imprescindível ao sucesso da sociedade humana é verdade. É por se basear em mentiras, sendo a mais prejudicial delas a afirmação de  haver maior vantagem na competição do que na cooperação para a vida social. Sem que o elemento sinceridade seja rigorosamente observado pelos membros, qualquer sociedade estará fadada ao fracasso. O sucesso das organizações religiosas que apesar de terem a falsidade por base parece serem eternas é mera ilusão. A eternidade delas não passa de engano visto que um ou dois milênios para a eternidade é como se fosse um segundo para nós. Estão aí as antigas religiões de gregos, romanos e nórdicos transformadas em mitologias.

Aliás, os gregos que contribuíram com os maiores pensadores da história do mundo nos dão provas de que a religiosidade constitui empecilho ao desenvolvimento intelectual e, portanto, ao avanço civilizatório, visto terem sido os eles o primeiro povo na história do mundo a buscar outra explicação para a criação do universo independente de divindade.     

Fora de qualquer dúvida, pois, não se poder abrir mão da verdade e sinceridade no relacionamento entre as pessoas para que a sociedade utópica se torne real. Se a sociedade contemporânea vai de mal a pior, deve-se a inconsequências como a afirmação e prática de que o desenvolvimento econômico significa bem-estar social. É o que mostra estre trecho do economista e escritor Eduardo Moreira no livro em Economia do Desejo: “...da década de 1960 à de 2010 a quantidade de riqueza gerada no mundo (PIB Global) multiplicou-se por mais de oito vezes. Se, mesmo multiplicando a quantidade de riqueza gerada no mundo por tantas vezes (o que levou a vários recursos naturais darem sinais claros de esgotamento), temos ainda metade da população vivendo em situação de pobreza, como imaginar um mundo capaz de oferecer os recursos naturais necessários para tirar toda a população dessa situação?”

Não obstante ter mostrado capacidade de raciocinar há pelo menos três milhões de anos ao usar lascas de pedra como arma, permanece a humanidade incapaz de sair do barbarismo e se projetar na verdadeira civilização. E por culta de quem ou de que? De viver em falsidade. Esta questão foi levantada por grandes pensadores. Há mais de dois mil anos Platão avisava que ser governado por pessoas inferiores é a penalidade por se recusar a participar da política. Robert Green Ingersol, há mais de duzentos anos lembrava a quem acredita em deus que eles deveriam questionar a falta de fundamento da recomendação de não se discutir os assuntos divinos porque se o deus deles lhes deu um cérebro é para pensar. Caso contrário, seria o mesmo que proibir os pássaros de voar depois de lhes ter dado asas.

Por fim, quanto à imprescindível necessidade de se pensar a respeito da vida em vez de seguir tradições, deixamos aqui o capítulo intitulado A IGNORÂNCIA, do livro Falando Francamente, do pensador Vinicius Bittencour: “O flagelo da humanidade não é a peste, a guerra, a fome, a idolatria, a corrupção ou o crime. O flagelo da humanidade é a ignorância. Sem ela, essas calamidades não existiriam ou seriam drasticamente reduzidas. Apesar disso, o homem foge dos livros como o diabo da cruz. Reencarnando os párias, os impuros ou os intocáveis da velha Índia, nossos professores vivem na miséria. Os rebentos das classes abastadas desperdiçam o tempo com televisão e jogos eletrônicos. Os das classes pobres não têm livros, escolas, professores, nem motivação para estudar. Por toda parte alastra-se a ignorância. E nela se cevam os políticos, os curandeiros, os pastores de almas, os publicitários, a mídia eletrônica, a corrupção e o crime. A peste não existe onde há saneamento básico, assepsia, higiene. Na Idade Média, entretanto, a peste era atribuída a sortilégio e combatida com exorcismos. Em vez de matar os micróbios, cuja existência desconheciam, nossos antepassados matavam as feiticeiras. A guerra seria evitável se os povos não fossem ignorantes. Como disse Frederico, o Grande, se os soldados raciocinassem, abandonariam o comandante na primeira esquina. A fome não ocorre onde não há latifúndios improdutivos ou explosão demográfica. O fanatismo desaparece quando a sabedoria arranca a máscara dos ídolos ou sacode seus pés de barro. A corrupção elimina-se com a vigilância, a efetiva aplicação das leis e a transparência dos atos administrativos”.

Como se vê, tudo depende de bancar o inteligente em vez de burro. 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

ARENGA 630

 

Adultos têm comportam de criança  quando se descontrolam no momento em que a bola passa pelo goleiro, um carro de corrida ultrapassa outro, compram feijão milagroso ou conversam com estátuas, momentos em que são tomados emoção forte o bastante para tirá-los do sério, desconhecendo que este procedimento na verdade ridículo independe de sua vontade tanto quanto o hipnotizado que sem ser ridículo procede como tal quando o hipnotizador determina. Não é por vontade própria que são indiferentes a coisas contrárias ao bom senso como, por exemplo, a substituição dos bons pelos maus costumes não obstante o malefício decorrente para os filhos.

E não podem mesmo saber o motivo pelo qual agem de modo irracional porque seu raciocínio se encontra sob influência que independente de sua vontade. 

Quem se mantem lúcido percebe algo de errado no comportamento humano. A série O Império Romano na Netiflix mostra que para confundir o raciocínio da plebe romana, evitando que ela sentisse o efeito da má política desempenhada pelo imperador Calígula, desperdiçando o dinheiro público, ele fortaleceu o pão e circo revigorando os espetáculos no Coliseu das lutas entre gladiadores. Com isso, a turba era tomada da euforia tamanha que esperneava de alegria, indiferente a tudo o mais. Mulheres, eufóricas, desnudavam os seios e, aos berros, saudavam o gladiador que trespassava o adversário com a espada. Na atualidade, o Coliseu foi substituído pelos estádio de futebola onde, do mesmo jeito, a turba berra, esperneia e as mulheres dão jeito de acontecer.

A humanidade recusa evoluir mentalmente. Evolui na arte de matar, orar, dançar, inventar modalidades de jogo e roubo. No que diz respeito a elevação espiritual, entretanto, nega-se terminantemente a avançar. De tolice em tolice é que os seres humanos adotaram a cultura de desenvolvimento econômico que além da insensatez de produzir riqueza para poucos e pobreza para muitos, custa a destruição dos recursos naturais, consequentemente, a impossibilidade de vida para os próprios seres humanos.

No afã de repassar às inocentes vítimas do pão e circo algo do que nos ensinam os Grandes Mestres do Saber é que este cantinho de pensar vai de encontro a demonstrações de ingenuidade de quem nega a necessidade imperiosa de fazer com que a evolução material seja acompanhada de evolução mental. Negar esta realidade corresponde a ser tão inocente quanto quem acredita que a humanidade tem origem num casal formado por um Adão feito de barro e uma Eva feita da costela dele, quando, na realidade, basta nossa semelhança com as espécies inferiores para mostrar que resultamos da evolução de alguma delas como afirma a ciência.

A falta de discernimento humano desponta, por exemplo, ao levar à exuberância atividades lúdicas, atribuindo-lhes maior importância que as atividades das quais dependem não só o bem-estar, mas também a vida. Sendo alegria o objetivo do divertimento, demonstração de alegria quando se está em perigo só a idiotia pode justificar. Assim, a exuberância dos espetáculos circenses denuncia perigoso estado de afetação mental ou idiotia.


 

 

sábado, 4 de dezembro de 2021

ARENGA 629

 

Para não ser obrigada à tarefa irrealizável de evitar pandemias, limpar as águas, o ar e repor a fertilidade dos solos a juventude mundial precisa exorcizar de suas mentes o espírito maligno do pão e circo que não só transforma adultos em crianças e anula a vivacidade mental dos jovens transformando-os em analfabetos políticos de tamanha obtusidade que nem lhes desperta a curiosidade o motivo pelo qual outros jovens com infinito menor esforço viram celebridades e têm seus nomes em manchetes na imprensa mundial ganhando montanhas de dinheiro para chutar bola. Estupidez não é próprio da juventude. Algo de espantosamente grave acontece com os jovens para torná-los tão apáticos ao seu futuro e dos seus descendentes seriamente ameaçado pela indiferença da juventude com os absurdos que acontecem no mundo. Tal como acontecia em tempos imemoriáveis, ainda hoje a humanidade não percebe ser impossível deixar seu destino a cargo de falsos líderes. Por toda canto ouve-se e se lê que é preciso fazer isso, fazer aquilo e mais aquilo quando a única coisa que é preciso fazer é despertar a juventude que é a força viva do mundo para a irrealidade em que está envolvida.

Se nas sociedades tidas como civilizadas seus falsos líderes levam os jovens a se estraçalharem nas guerras, nos recantos do mundo como aqui em nossa américa latrina chega-se al absurdo de terem as autoridades às quais caberia o exercício jurisdicional assumido papel político para cuja desempenho é exigida escolha por meio de votação popular.

A alienação dos jovens permite que afeta o mundo sobressai espetacularmente em nosso país faz com que sejamos tão infelizes que o patriotismo de suas autoridades, tanto quando a moral e hombridade, sempre estiveram à venda, e a justiça esteja totalmente desmoralizada posto que, como foi dito, encontra-se contaminada pela politicagem. Tão desonradas estão nossas autoridades que eminente político (para os padrões brasileiros) que foi prefeito da segunda cidade mais importante do país, o Rio de Janeiro, foi recusado com justa razão pela África como embaixador brasileiro naquele país visto serem nossos assuntos políticos tratados nas páginas policiais.

A ausência de amor próprio do brasileiro o faz semelhante ao marido que fecha os olhos para a promiscuidade sexual da mulher, quando, segundo nossa cultura, do ponto de vista do homem honrado, seu papel deve ser pegar o boné e ir embora, sem, contudo, negligenciar o cuidado com filhos. Mas o brasileiro desconhece o que é vergonha na cara e à juventude cabe a tarefa de consertar o que está a clamar por conserto como, por exemplo, o fato de ser a criança brasileira educada para se tornar adulto isento do nobre sentimento de honradez, realidade materializada na irresistível imitação por inveja das coisas dos outros países em detrimento de sua pátria. Desta forma, o que realmente é precisos fazer é despertar nosso juventude para a tarefa de fazer com que nossa sociedade passe a ter a dignidade que nunca teve para que possa ser merecedora de respeito pelos bons exemplos que venha a dar às outras sociedades em vez de sermos merecedores descomposturas como a de musa política Heloisa Helena quando da tribuna do senado bradou corajosamente que aquele senado não merece respeito porque não se faz respeitar. Um viva para Heloisa Helena e que a juventude se mire em seu caráter.

 

domingo, 28 de novembro de 2021

ARENGA 628

 

Sendo aqui um cantinho de pensar, sempre tem um pensamento pensado para compartilhar com os gatos pingados que devorteiam por aqui para não desmentir a opinião de quem afirma haver no mundo bobo prá tudo. O que me fez garrar a imaginar desta vez foi o porquê de ter outro leitor de jornal saído de borduna e xingamento prá cima de mim quando opinei contrariamente à nomeação do pastor para a mais alta corte de injustiça. A discordância se deveu à exigência de notório saber jurídico e não de notório saber sobre deus. Todo caso, se o STF abriga ETs cujas capas lhes dão a aparência de besouro rola-bosta, por que não também um vendedor de feijão santo?

 Mas, sendo inocente o religioso porquanto  a religiosidade cai em desuso a cada dia, sendo predominante em recantos onde maior seja o atraso mental, não seria realmente de se discordar da nomeação de um religioso? Já não é tempo de se concluir não haver mais espaço para a crendice, perceber que tudo isto não passa de monumental farsa, se  os representantes de deus não contam com nenhuma proteção divina vez que se adoecem procuram os hospitais e têm sua segurança física assegurada por carros blindados? Que é verdade a evolução de espécie inferior para superior se é absoluta nossa semelhança com os bichos? Que são inúteis as orações do Papa vez que quanto mais ele ora pela paz mas recrudesce a violência? Que é fazer papel de bobo conversar com estátua e comprar feijão milagroso? Faz-se necessário despertar para o fato ser bem outra a realidade que procuram nos fazer crer. Na página 19 do livro A gênese, Allan Kardec emite a opinião de que uma revelação implica em passividade tão absoluta que deve ser aceita independentemente de verificação, exame, discussão. Ora, é não pensar, ponderar, meditar e raciocinar sobre o que é dito o que interessa àqueles que se acreditam em situação tão confortável que temem mudança. Como é apenas gatos pingados em situação confortável, estando a maioria absoluta em situação desconfortável, faz papel de bobo quem se deixa levar pela fala mansa e traiçoeira dessa gente. Vamos despertar para a realidade ó juventude!

 

 

 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

ARENGA 627

 

Uma semana depois de completar oitenta e cinco anos e dormir por quase cinco horas, despertei às duas da madrugada, engoli o comprimido de dor de estômago, contribuindo com a primeira parcela do dia para riqueza dos Bezos da Indústria Farmacêutica, e abri o livro Economia do Desejo de Eduardo Moreira. Pulei o prefácio que é puro intelectualismo chatíssimo e passei à introdução onde vi o seguinte: “Agora, finalmente, estamos nos colocando seriamente a perguntar se de fato é necessário existir as chamadas ‘classes baixas’ da sociedade: ou seja, se é preciso existir um grande número de pessoas condenadas desde seu nascimento a um trabalho duro, para prover a outros os requisitos de uma vida refinada e privilegiada; enquanto eles próprios são proibidos, por sua pobreza, de ter qualquer fatia dessa vida”.

Embora já tivesse lido antes, foi desta vez que isto me despertou perspectivas de novidades a serem acrescentadas às bobagens destas arengas que passo a registrar com tamanho entusiasmo como se isto pudesse despertar na juventude pensamentos capazes de levar os jovens à conclusão de que algo precisa ser feito em prol de seus descendentes condenados a integrar a maioria que se sacrifica para dar vida regalada a parasitas, comportamento de burro-de-carroça. Inexiste justificativa para se concordar com a realidade de terem algumas pessoas se apoderado de exorbitantes quantidades dos recursos indispensável à sobrevivência, deixando, desta forma, sem meios de sobreviver a grande maioria, principalmente por ser esta grande maioria quem produz estes recursos. Como haver justificativa para o fato de produzir para que outros desfrutem?

Não é mais possível no presente estágio da evolução humana manter-se a humanidade apegada aos padrões de centenas ou milhares de anos atrás. Na página 693 do segundo volume de História da Civilização Ocidental, de Edward Mac Nall Burns, lemos o seguinte: “Um clérigo inglês, escrevendo por volta de 1830, expôs o ponto de vista de que era uma lei da natureza o serem alguns pobres, a fim de que os misteres sórdidos e ignóbeis da comunidade pudessem ser desempenhados. Opinava que desse modo era muito aumentado o cabedal de felicidade humana, pois os mais delicados não somente ficam aliviados de trabalhos penosos e ingratos e daquelas ocupações ocasionais que os tornariam infelizes, mas também podem seguir as profissões que mais se ajustam aos seus diversos temperamentos e que mais úteis sejam ao estado”.

Ora, que diabo de raciocínio é este que relega seres humanos à condição de burro-de-carroça que dispensa o elemento dignidade? Sendo outros os tempos, também de ser outra a cultura. Não mais se justificam algumas forma de pensamentos ainda que de grandes pensadores como mestre Rousseau que segundo consta da página 21 do livro O Livro da Economia, afirmava que a propriedade deve ser privada porque as pessoas não poderiam ser generosas se não tiverem alga para dar, o que implicaria n existência de quem para viver tenha de depender da generosidade de outrem, o que está fora de qualquer lógica do ponto de vista de sociedade cuja existência exige comunhão de condições de vida.

O que acontece com a humanidade é que o tempo passa e ela não acompanha. Não adquire experiência bastante para saber quando mudar como muda o tempo. Ao contrário, permanecem os seres humanos agrilhoados a carcomidas ideias de antanho, submissa a preconceitos, crendices e regras inteiramente defasadas. A escravidão, por exemplo, apenas na forma foi abolida porque o emprego á também uma forma de escravidão, realidade a que se chega aprendendo os ensinamentos de velho e sábio Marx. Mas a humanidade é tão burra que se deixa levar por seus exploradores e abominam as ideias daquele sábio pensador.