domingo, 13 de março de 2011

VAMOS PENSAR?

Ouvi que contrataram inadvertidamente um doido em uma construção e ele empurrava o carro de mão emborcado para evitar que ele fosse enchido com areia.
A realidade dos doidos é uma realidade diferente da realidade das pessoas normais. Pessoas normais são aquelas que se diferenciam das feras pela capacidade de raciocinar e tirar conclusões que indicam maneiras de diminuir as dificuldades da vida, o que pode ser notado ao observar quanta adaptação o ser humano aplicou à natureza em busca de bem-estar, enquanto as feras vivem ainda do jeito que a natureza lhes conduz. Para se chegar a uma conclusão, faz-se necessário antes pensar porque é do pensamento que nasce a conclusão. Embora todo ser humano pense, há quem pense certo e quem pense errado. Pensa certo quem chega a conclusões das quais nascem comportamentos socialmente positivos como aquele que leva alguém a não ser desagradável desnecessariamente a outra pessoa. Pensa errado quem chega a conclusões que dão origem a comportamentos socialmente negativos como aquele que leva alguém a engordar para ser rei mambembe por três dias, e depois ter de arrancar um pedaço do estômago para não virar monstro. Ninguém em sã consciência vai ficar balofo só para estremecer as banhas no saracoteio dos festejamentos por três dias, e amargar sofrimento pelo resto da vida.
Pouquíssimas pessoas pensam certo. Tão poucas que sua voz tem sido abafada pelo barulho das pessoas que pensam errado. Elas são tão numerosas que seu peso arrasta consigo tudo o mais. Se a força-bruta não pode interferir no funcionamento da fabulosa máquina de pensar, o cérebro, pode quebrá-la e acabar com a fabricação dos pensamentos. Isto tem acontecido com algumas máquinas que produziram pensamentos desagradáveis às pessoas que pensam errado. Todo mundo se lembra dum cabeludão gente boa, portador de uma máquina que produzia pensamento certo, mas que foi morto em sofrimentos terríveis só porque desagradou aos que pensavam errado.
As pessoas que pensam errado só não despertam para o erro do seu pensamento porque o resultado do comportamento resultante da conclusão filha do pensamento errado só aparece muito depois. Se este resultado negativo aparecesse na hora, como quando se coloca a mão em lugar quente, aí as pessoas evitariam tais comportamentos, assim como evitamos colocar a mão na chapa quente.
Aprendi com pessoas inteligentes que escreveram livros, pessoas que pensavam e que pensam certo, a enxergar a verdade sobre nossa realidade e ela não é nada daquilo que nos ensinaram. A verdade está com as pessoas que pensam certo. Estão aí ao alcance de todos os seus ensinamentos, basta consultá-los. Uma vez absorvido o conselho que todos eles nos dão, uns de um modo, outros de outro modo, mas todas as pessoas que pensam certo há muito vem nos mostrando que o caminho pelo qual caminhamos vai nos levar ao desastre. Fica impossível contentar-se com uma vida tão medíocre depois de perceber nas suas lições que é possível se viver de maneira muito melhor.
Há uma integração tão grande entre os indivíduos e a sociedade quanto a que existe entre as células e o corpo. É por isto que o resultado de comportamentos nascidos de conclusões orientadas por pensamento certo ou de pensamento errado, beneficiam ou prejudicam não só a sociedade, mas também ao indivíduo porque é impossível separar os dois. O comportamento das pessoas que pensam errado lhes faz agir como se suas pessoas não fizessem parte da sociedade. Elas agem como se só houvesse o seu mundo, sem observar que as pessoas ao alcance do seu barulho também tem seus mundos e que talvez barulho não faça parte dele. Impor barulho a quem não o quer ou mesmo não pode recebê-lo é o mesmo que impor silêncio a quem quer festejos. Neste sentido os religiosos se comportam negativamente quando obrigam quem quer paz a ouvir gritos.
A integração indivíduo/sociedade é tão grande que a história “Por Quem Os Sinos Dobram” diz não haver necessidade de se perguntar por quem os sinos dobram porque eles dobram por nós. Com isto, Ernest Remingway, pessoa que pensava certo, nos advertiu de sermos um só ser vivo, as pessoas e a sociedade, de forma que ao morrer alguém também morre um pouco dos outros. Talvez exagerada, porém a inobservância desta realidade de se ter comportamento individualista vivendo-se em grupo, é a causa dos desatinos que infelicitam as pessoas e é o motivo de incômodo para as poucas pessoas que pensam certo, como se pode observar nos seus ensinamentos.
Mas, como escrever me cansa muito, principalmente pela dificuldade com as vírgulas, esta prosa vai ficando por aqui. Voltarei a convidar gente a pensar. Inté. Boas ressacas.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

E CADÊ A TAL SUPERIORIDADE?


O homem gosta de complicar. Dos animais, é o mais idiota. Tão idiota a ponto de ser presunçoso. Tão presunçoso que se acha obra prima da natureza ou de Deus. Acha-se tão distante dos outros animais, enquanto está tão próximo. E, não raro, tem comportamentos inferiores ao comportamento de muitos irracionais, quando levado por um instinto de perversidade ausente nos animais tidos como inferiores que o faz comprazer-se em fazer alguém sofrer. A natureza também produz gente capaz de desenvolver este tipo de caráter. Só será boa para se viver, uma sociedade na qual o mal-estar de apenas um dos seus membros seja motivo de preocupação de todo o grupo.
Entretanto, nem aquelas pessoas consideradas normais se dão conta do falso mundo em que vivemos. É mentirosa esta superioridade que o homem atribui a si mesmo. Não pode haver tanta diferença assim entre seres que se originam do mesmo processo físico-químico e que vivem do mesmo modo a trepar, comer e fazer muita sujeira.
O ser humano é imbuído de um sentimento de péssima qualidade que é o pernosticismo. Qualifica-se a si mesmo de HOMO SAPIENS. Já ouvi falar que esse tal de sapiens significa sabedoria. Se é verdade, é de causar riso. Como haver sabedoria em seres que embora sendo da mesma espécie e vivendo juntos, não só estabelecem uma diferença infinita entre eles, no que diz respeito à capacidade de terem atendidas as suas necessidades, mas que também se odeiam entre si?
Qualquer iniciado na verdadeira sociologia sabe que as pessoas só podem alcançar o bem-estar por todos desejado se houver entre elas o sentimento de solidariedade. Para que alcance seu objetivo, uma sociedade que se propõe a promover o bem-estar de seus membros, como é o caso da sociedade humana, seria necessário haver não só a ausência da competição entre as pessoas que compõem esta sociedade, mas também a presença da cooperação entre elas. Foi com o intuito de cooperação entre os indivíduos que a sociedade foi formada, depois de terem eles concluído ser mais fácil sobreviver em grupos do que isoladamente. Foi a sociedade concebida para que as pessoas se ajudassem mutuamente, e não para que de digladiassem.
Como o pavoneamento próprio da estupidez não deixa olhos que alcancem um palmo além do nariz, o ser humano complicou tanto a vida que fazer festa é tão importante a ponto de serem promovidos a celebridades milionárias todos aqueles que animam festas.
Não cabe no universo, sem ficar rabo de fora, o tamanho da estupidez contida na afirmação de ser preciso estar-se preparado para a guerra a fim de se ter paz.
A estupidez montou uma indústria de armas que precisa produzir mais e mais armas para satisfazer a fome de um monstro chamado mercado de armas. Então, como armas só servem para matar, a estupidez sai matando jovens mundo afora.

São estes os seres que se julgam superiores!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

LIVRE PENSAR



Lá na escola, no tempo de inocente, eu ficava impressionado com a história de Moisés e as infrutíferas tentativas de tirar do Egito o Povo de Deus. Aquilo chegava a emocionar. Ouvia-se até comentário sobre como é que se podia desobedecer a Deus! “Mas também ele viu o que é bom prá tosse.” – Dizia alguém sobre o faraó. – “O mar fechou bem na hora que eles não podiam mais voltar”.
Esta recordação da juventude inocente me ocorreu ao ouvir duas senhoras que comentavam lá na agência do correio sobre os garotos de rua e as drogas. Uma delas estava absolutamente certeza de que os próprios garotos eram os responsáveis por sua desgraça. Eles teriam inteira liberdade de utilizar de uma ferramenta chamada livre arbítrio para moldar outro tipo de vida, se assim quisessem.
Temos, pois, duas ocorrências: A primeira era a certeza de ter acontecido realmente o episódio das nove tentativas frustradas de Deus para libertar o Seu povo. A segunda ocorrência era a tranqüilidade com que a cultura implantada por falsas informações podia distorcer a verdade de modo tão brutal a ponto de fazer aquelas duas senhoras sentirem-se isentas de qualquer responsabilidade, ainda que coletiva, pela situação daquelas crianças. Criadas sem nunca ter ouvido uma palavra de carinho, tendo a rua por “doce lar”, sem terem recebido nenhuma orientação de comportamento e cuja perspectiva de futuro é nenhuma, como esperar de tais crianças um comportamento normal, se até as crianças bem educadas tem comportamentos anti sociais?
A verdade, pois, é o contrário daquilo que aquelas duas inocentes senhoras acreditavam. A sociedade é que é a culpada da infelicidade daquelas crianças por ter permitido que elas sejam tratadas em situação inferior à de cães. Impedir tratamento indigno às crianças não quer dizer que as pessoas devam cuidar pessoalmente das crianças. Basta exigir que o poder público cumpra sua função porque é seu dever. Fazer esta exigência é muito mais eficiente do que encher o saco da gente nos locais de compra com a campanha do quilo. A força do povo quando usada para exigir o que a lei lhe garante pelo direito vigente é insuperável. No Egito, o povo está exigindo a saída de um senhor todo poderoso há trinta anos dono do país, mas que vai deixar de ser por pressão do povo.
Tanto a atitude de ficar emocionado por uma história para criança como é a das dez pragas quanto aquela outra da certeza de serem os garotos os próprios responsáveis por sua situação, são atitudes infantis. São adultos pensando ainda como eu pensava quando era adolescente. O aprendizado na escola da vida e nos livros que pessoas inteligentes escreveram me mostrou muitas verdades sobre a realidade da vida através de um método eficiente que é a purificação das informações que me chegam antes de aceitá-las como verdades prontas e acabadas. Quem assim procede, além de deixar de ser um maria-vai-com-as-outras, também se livra de um comportamento falso porque oriundo de uma falsa informação.
É espantoso observar o quanto a simplicidade destas pessoas pode levá-las a se acharem intelectualmente capazes de contestar opiniões de pessoas infinitamente mais bem preparadas intelectualmente para opinar sobre qualquer assunto. Ao mesmo tempo em que as pessoas valorizam o estudo e o conhecimento, desprezam as opiniões dentro da mais absoluta lógica, que é a ciência de coerência do raciocínio. O episódio do duelo entre Deus e o Faraó, se examinado por pessoa adulta e coerente não passa de brincadeira para criança. Absolutamente ninguém com imparcialidade admitiria que Deus, senhor de todo o universo, tivesse de medir força com um governantezinho, porcaria se comparado com quem criou tudo, inclusive o Egito e o governantezinho. É absolutamente certo haver algo de errado em quem admitir aquelas intervenções divinas com castigos terríveis a pessoas que nada tinham a ver com a disputa, inclusive assassinato de crianças.
Se a simplicidade mental das pessoas que povoam o mundo ainda não lhes permite raciocinar dentro da razão, isto significa que as pessoas agem desordenadamente e é por isto que o mundo é uma desordem só. Não há ordem numa sociedade onde os que produzem o sustento do grupo fiquem de fora na hora da divisão do resultado do trabalho de todos.
Esta realidade, entretanto, não pode ser percebida pela inocência, só depois de algum amadurecimento mental que permita analisar com isenção a informação recebida porque pode ser uma falsa informação como aquela que informava ser a terra quadrada. São, pois, as falsas informações as responsáveis pelos falsos comportamentos que produzem uma sociedade tão falsa a ponto de mediocridades virarem “celebridades” e “excelências”.
Se hoje até rimos de já se ter acreditado ser a terra o centro do universo, futuramente também rirão de nós ao constatarem que alguém sem instrução tenha salário mais de mil vezes superior ao salário de um professor. Dá até para ouvir a conversa de alguém do futuro falando sobre nós (se houver gente viva no futuro): “Parece incrível” – Dizia o cara do futuro – “Folheando esta enciclopédia, vejo que as pessoas no começo do século vinte e um queimavam o seu dinheiro em fogos e festas e morriam nas filas dos hospitais por falta daquele dinheiro”. E a gozação sobre nosso comportamento continuava entre os caras do futuro: “Ah, isso não é nada”. – Dizia outro cara do futuro. – “Eles tinham um sistema de administração pública cujos administradores tinham o direito de viver em palácios e ficarem ricos.As pessoas mais bem remuneradas naquela época eram as que exerciam as atividades menos relevantes como cantar e dançar um negócio horroroso chamada axé ou participar de programas medíocres de televisão. Estas pessoas eram denominadas reis ou rainhas e realmente levavam vida de reis”.
Não pude evitar uma ponta de tristeza por constatar o quanto podia ser melhor a nossa vida se agíssemos como pessoas adultas, educadas, e bastante responsáveis para assumirmos a responsabilidade pelo que somos responsáveis, superando a eterna criança só para brincadeiras. Viver em sociedade exige responsabilidade.






terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PORQUÊ DA VIOLÊNCIA

Não se trata de presunção querer explicar a violência. Apenas repito o que aprendi nos ensinamentos que pessoas inteligentes deixaram nos livros. Eles nos mostram que nossos males decorrem da infantilidade humana. Como as crianças, os adultos também adoram soltar foguete e destruir coisas. Verdade que esta infantilidade diminui dia-a-dia, porém, ainda nos mantém tão longe da realidade da vida quanto nossos antepassados ao acreditar ser a terra quadrada. O desconhecimento da realidade (inocência) que leva a criança a enfiar o dedo na tomada elétrica, também faz os adultos se estabelecerem sobre um arsenal nuclear na certeza de ser este o procedimento correto para se ter paz. Como dormir em paz ao lado de bombas atômicas?
A estupidez da humanidade levou o sábio Leonardo da Vince a dizer as seguintes palavras sobre nós (ou contra nós?). Foram estas as duras palavras do mestre: “Os que se acomodam ante os desmandos não passam de condutores de comida, os únicos rastros que deixam de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias”.
Devíamos nos envergonhar de merecer tal reprimenda por aceitarmos os desmandos do mundo! Somos indiferentes ao sofrimento de nossos irmãos, pessoas com os mesmos sentimentos e necessidades que nós! Com a desculpa de livre arbítrio todos pensam que podem ficar tranquilos quanto à indiferença com que contemplam crianças berambulando pelas ruas. Crianças que nunca ouviram uma palavra de carinho! Criança não pode ficar na rua sozinha!
Conselhos sábios não devem esperar por pedidos. Os mestres do saber nos mostram que nossa sociedade é ruim porque o comportamento atual das pessoas é exatamente o contrário daquele comportamento que levou as pessoas a sentirem necessidade de viver juntas. A cooperação entre elas lhes facilitaria a vida. Mas eis que a competição substituiu aquela cooperação inicial de modo tão violento que ainda justifica a expressão de ser o homem o lobo do próprio homem. É por isto que nossa sociedade é vítima de uma infelicidade maior a cada dia. Nenhuma sociedade pode ser normal com desavenças entre seus membros.
Um destes conselhos sábios nos dá o filósofo Sam Harris, no livro Carta a Uma Nação Cristã, pág. 16. Ao constatar que mais da metade do povo de seu país ainda pensa que o universo foi criado há apenas seis mil anos, quando a ciência prova a existência de coisas com centenas de milhares de anos. Não deixa de ser estranho tal comportamento. Não parece coisa de quem pensa acreditar mais em algo de que só se tem notícia do que em algo cientificamente provado.
Quem se dedicar a pensar sobre o assunto de maneira independente, acabará concordando com o filósofo. Inocência é o contrário de experiência, e é notória a superioridade da experiência sobre a inocência quando se trata de se construir alguma coisa. Não há outra explicação por termos uma sociedade tão mal construída senão a ingenuidade de acreditar que para se ter paz é preciso preparar-se para a guerra. Só a aceitação de desmandos faz com que se encare sem indignação a ocorrência de disparos ouvidos em meio a uma programação de rádio, mas que era a inaceitável realidade de alguém sendo morto na rua, em frente à estação que transmitia o programa.
O comportamento da sociedade atual é o mesmo da Idade Média, quando as pessoas que compunham a fina-flor da sociedade tinham como única preocupação apenas caçar e cobrar impostos para gastar em festas. Não é demais repetir, portanto, ser o resultado da falta de amadurecimento mental, ou seja, a inocência da realidade que nos cerca, a causa de tanto choro.
Um mundo que gasta montanhas de dinheiro em armas para ter paz, já por este comportamento demonstra insanidade. Demonstra insanidade ainda maior ao alimentar a fonte da violência que é a exclusão social. Isto significa que a inexperiência nos leva ao comportamento irracional do cachorro correndo atrás do próprio rabo. Fazemos a guerra para obter a paz e acabamos com a paz ao produzir miséria e a violência. Então, o que dizer de tal construção, senão ruim?
A próxima geração terá oportunidade de constatar se o filósofo tem razão. Se as coisas estiverem bem quando forem adultas as crianças que as mães carregam hoje em seus ventres, aí estará provado o erro do filósofo por não acreditar que a proteção divina salvaria as pessoas dos eventos funestos anunciados pela ciência. Porém, e se o filósofo estiver certo?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DESEDUCAÇÃO

DESEDUCAÇÃO

TRISTÃO E ISOLDA, de que falamos da última vez, é uma lenda medieval. Ainda criança, portanto muito longe ainda de conhecer Isolda, Tristão foi entregue por seu tutor, gente da nobreza, ao sábio mestre Gorvenal para que lhe desse uma educação esmerada. Tristão foi muito bem preparado para o mundo daquela época. Foi muitissimamente (o computador não quer esta palavra, não) bem preparado nas artes marciais, o que convinha porque as guerras de conquista de territórios eram comuns naquela época e ser bom guerreiro era o melhor que um pai podia desejar para um filho.
Agora vamos ao ponto onde se tocam a educação do Tristão e nossa cultura de “levar vantagem” que tanto infelicita a humanidade. Embora a humanidade não saiba, ela carrega consigo uma infelicidade mascarada pela inocência da juventude e que tem origem no comportamento das pessoas orientado por um sistema educacional deformado.
É que a educação moderna, como a da Idade Média, também prepara as pessoas para a guerra. Uma guerra de conquista. Conquista de um troço esquisito chamado mercado, adorado pelos governos. Consiste em comprar e vender coisas, com ênfase no “vender”. É tão esquisito que todos os países querem vender e nenhum quer comprar.
As pessoas são educadas em cada país de todo o mundo para serem boas na conquista de mercados. As armas destes soldados, em vez de lança, espada, etc., são armas com poder de destruição mais eficiente do que os arsenais nucleares porque elas destroem a alma das pessoas sem matá-las. Transforma-as em zumbis programados para perseguir riqueza e nada mais. Ao nascer uma criança, trata-se logo de iniciá-la numa religião e abrir-lhe uma poupança bancária, ambas providências negativas. O primeiro procedimento é condenado pela professora da Universidade Católica de Campinas, Marilda Novaes Lipp, Ph. D. em psicologia. Ela não condena a religião em si, mas a maneira como ela é ensinada às crianças atualmente (esta importante matéria está na revista Isto É, de 7 de maio de 1997). O segundo procedimento também é negativo porque leva à ambição e ganância. O dinheiro, do mesmo modo que dá bem-estar também dá infelicidade quando vira obsessão. Somos educados para valorizar apenas o TER em vez do SER. Nenhum pensamento quanto à possibilidade de uma vida menos infeliz onde as pessoas comportam como se se odiassem mutuamente ou mesmo a si próprias. A indiferença das pessoas ante tantos desatinos como cheirar bufa de ônibus e danificar a audição, atinge as raias da estupidez. Todos os males que nos infelicitam decorrem de um único mal: o mau uso do dinheiro público. Basta dar uma olhada no site IMPOSTÔMETRO.ORG.BR para se ver a quantidade de dinheiro existente.
A infantilidade de nossas mentes pode ser avaliada pela conversa que tive com uma senhora a quem não via há mais de trinta anos, ainda mais velha que eu e que fora criada em nossa casa. Criatura simples e analfabeta, mas de uma integridade moral suficiente para limpar Brasília. Religiosa como toda criatura simples. Fomos irmãos até os meus cerca de dezesseis anos, época em que, uns mais outros menos, éramos todos quase analfabetos e com o mesmo modo de pensar. Um dia nos separamos por um período muito longo. Depois de alguns reencontros, conversas, lembranças e muitas saudades, esta minha irmã, que tem um tempero maravilhoso para preparar um peixe, estranhou minha maneira de ser tão diferente da maneira de outros tempos, principalmente em religião, e falou: “Ué, Zemaro, por que você tá desse jeito, se você não era assim?”
Ao perceber que o raciocínio daquela adorada criatura permanece o mesmo do tempo de juventude me fez refletir muito sobre a vida. Pensar que já acreditamos nas mesmas coisas e que tínhamos os mesmos costumes! Dois seres com as mesmas crenças e aspirações no passado, atualmente com idéias completamente opostas em virtude do tipo de aprendizado e do ambiente em que viveram.
Com a finura e sensibilidade que me caracterizam, respondi: “Olha, você não passa de uma idiota. O que me faz pensar diferente de você é um montão de conhecimento que adquiri lendo nos livros. Pessoas inteligentes aprenderam sobre a vida através de muito estudo e observação e deixaram escritas estas observações para quem quiser aprender as coisas que eles descobriram. Como você não teve oportunidade saber ler e nem conviveu com pessoas que pensam de outro modo, continua igualzinha àquele tempo em que nosso conhecimento cabia num dedal. Porém, você e todo mundo mais dá valor ao estudo. Tanto é verdade que colocou todos os seus treze filhos na escola. Então, uma vez que você e qualquer pessoa que não seja muito burra valorizam o conhecimento, você devia aceitar o meu modo de pensar porque ele se baseia em muita leitura e só pela leitura se obtém conhecimento de verdade em vez destas mentiras que você tem na cabeça oca.” “Pois então,” continuei, “só há vantagem em aprender nos livros sobre a vida. Basta ler o que sábios escreveram que a gente ganha um pouquinho de sabedoria. Agora, presta atenção e me diga como é que se explica o fato de uma pessoa que nunca leu coisa nenhuma contradizer as afirmações de sábios como Einstein?” Com cara de nenhum convencimento ela retrucou: “nunca vi falá desse Istái”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

NARIZ NÃO É CHAMINÉ, OUVIDO NÃO É LATA DE LIXO

Quem observa os ensinamentos da escola da vida e ainda não foi contaminado pela indiferença perversa que domina o relacionamento entre as pessoas, levando-as a se portarem como verdadeiros inimigos, ao observar o comportamento das demais pessoas, haveria de sentir o mesmo incômodo que sentiria ao ver alguém em perigo, mas sem poder ajudar.
Quem permanece o dia todo no centro de nossa cidade, principalmente na Régis Pacheco, Dois de Julho e terminal dos ônibus, reduz a cada dia a capacidade de respirar e ouvir. Estas pessoas se acostumaram de tal modo à fumaça e ao barulho que já não sentem mais incômodo algum embora os danos à saúde sejam os mesmos verificados em alguém como eu, acostumado ao ar menos venenoso porque morei os últimos vinte e cinco anos na zona rural, senti-me sufocado e tive de desistir do que ia fazer e sair rápido das imediações da sinaleira no cruzamento da Regis Pacheco com a Fernando Spínola, tal o mal-estar causado pela fumaça negra que me queimava o nariz e garganta.
Entretanto, aquelas pessoas que não parecem se incomodar, estão preparando uma velhice com falta de respiração e audição, o que é um sofrimento imenso. Só quem já viu um velho na agonia da falta de ar pode imaginar o que seja. E embora os jovens não acreditem que vão envelhecer, podem estar certos de que vão, sim. A vida, aliás, é um constante envelhecer. Estamos constantemente perdendo células, de modo a tornar a quantidade delas insuficiente para nos manter com o mesmo jovial aspecto, e à medida que o organismo vai perdendo a capacidade de repor as células que morrem nosso organismo definha a cada pulinho do ponteiro de segundos, num constante envelhecer, até à morte de todo o organismo.
Por que as pessoas não se incomodam em respirar veneno e danificar a audição com o barulho infernal dos carros de propaganda, preparando para si uma velhice mais infeliz do que ela precisa ser? Por dois motivos. Ambos com origem na inocência a que leva o despreparo mental. As pessoas pensam que vão permanecer como estão agora para sempre, mesmo respirando veneno, e isto é uma burrice de todo tamanho. Por acreditar ser duradoura a saúde é que só se preparam para o futuro em termos de dinheiro. Os precavidos procuram acumular dinheiro para custear as despesas com a manutenção física. Porém, tão importante quanto isto é a preparação mental, psicológica, espiritual, ou o que for, contanto que se tenha alguma preparação para o envelhecimento, coisa que o sistema educacional deformado não fornece. Prepara as pessoas apenas para o trabalho que produz riqueza, nunca para a vida.

Se as pessoas que respiram aquele ar putrefato pudessem enxergar a si próprias no futuro, certamente procurariam se mexer de alguma forma para mudar o rumo das coisas. Só a inocência justifica a indiferença aos comportamentos dos quais resultam sofrimentos. A inocência não deixa o povo perceber que pode mudar o rumo do caminho pelo qual caminha.
As pessoas que passam todo o dia no centro da cidade um dia estarão meio surdas e, mais tarde, surdas. O ouvido acostuma com aquele inferno, mas os danos são irreversíveis e o conformismo demonstra desinteligência. É incompreensível que alguém passe todo um dia, uma semana, um mês, anos, respirando veneno e ouvindo barulho indiferentemente aos perigos que lhe rondam.
O problema do barulho, este é facílimo de resolver. O barulho que não me deixa raciocinar me levou a pedir providência ao vereador Miguel Felício, homem verdadeiramente ligado aos problemas sociais, que me disse estar trabalhando no sentido de fazer cumprir a Lei do Silêncio.
Se a mentalidade das pessoas lhes permitisse outros interesses além do mundo corrupto do futebol, bastava não freqüentar as lojas cujo estardalhaço danifica o aparelho auditivo para acabar com o barulho. Além disso, Podemos interferir na política de várias maneiras. Podemos ajudar as autoridades apontando-lhes defeitos na administração a fim de serem corrigidos, como fiz eu ao procurar a autoridade responsável para pedir providência contra o barulho. Podemos até propor a criação de leis.
Aprendi com pessoas inteligentes que a indiferença das pessoas ante os mal-estares que a todos afligem é a causa da perpetuação destes desconfortos, e, realmente, não podia ser de outra maneira. Pessoas orientadas pela cultura do "levar vantagem" acabam produzindo desvantagem coletiva como a infelicidade do medo de violência que a todos assombra. Não se pode esperar outra coisa de pessoas com mentalidade tão curta a ponto de danificar seus corpos numa busca inexplicável ao culto à beleza.
No primitivismo, quando a manutenção da vida era mais difícil porque a alimentação dependia da caça e coleta, justificava-se a primazia das preocupações com os bens materiais. Na atualidade, porém, depois da agricultura e domesticação dos animais, podemos muito bem dedicar algum tempo na busca de um modo de vida sem tanto sofrimento. Mas a ganância pela posse de bens materiais presente em todo ser humano supera de longe a preocupação com um bom relacionamento e isto haverá de levar a uma infelicidade sem fim porque o planeta não dispõe de recursos materiais capazes de promover a riqueza de toda a humanidade, e a parte que ficar de fora, como já se pode verificar, procurará de todos os modos buscar os meios de sobrevivência onde quer que eles estejam e por quaisquer meios, resultando desta busca o desassossego no qual já nos encontramos mergulhados. E olha que a coisa está apenas começando!
Quando o maldito carro de propaganda do G.Barbosa interrompeu minha leitura da lenda Tristão e Isolda, estava eu a meditar sobre uma passagem da leitura, referente à educação do personagem Tristão. O primor de educação dispensada a um príncipe, o Tristão, nos dá uma perfeita amostra da causa de nossa absurda cultura da violência, sobre o que falaremos em outra oportunidade porque o ato de escrever me é penoso pelo cansaço que causa o desconhecimento do vernáculo, principalmente as vírgulas, as quais decido no par ou ímpar. Caso algum dos cheiradores de bufa de ônibus tenha tido saco de ler esta baboseira até aqui, voltaremos à lenda medieval de Tristão e Isolda e a relação entre aquela história e nosso modo estúpido de viver.
A Editora Martin Claret lançou uma coleção denominada Obra Prima de Cada Autor. São livros baratos. Este contendo a lenda custou nove reais. Atualmente já custa um pouquinho mais, mas vale a pena. Só a leitura, a boa leitura, poderá fazer de nós seres menos idiotas. Inté.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A JUVENTUDE E O FUTURO

A JUVENTUDE E O MUNDO
Considerando que daqui a cinqüenta anos apenas existirão sobre a face da terra os atuais jovens, e que o índice de maior ou menor agradabilidade do ambiente em que viverão dependerá do procedimento que estas pessoas mantiverem em suas inter-relações, ou seja, na nos modos pelos quais as pessoas se relacionem entre umas e outras. Se dos procedimentos atuais resulta uma sociedade como a nossa onde se ouve dizer que a pessoa sai de casa sem certeza de voltar viva, é porque as pessoas que compõem esta sociedade não estão tendo o comportamento adequado para resultar em uma sociedade diferente, onde não houvesse medo.
O irrefutável e conhecido fato de ser o nível cultural e educacional de cada um dos componentes de um grupo o determinante do comportamento do total destas pessoas, ou seja, o comportamento social, fica evidente que o sistema educacional está errado porque o normal seria que as pessoas procedessem de modo a viverem em harmonia porque em qualquer circunstância a paz é melhor que a violência, quando as pessoas são normais.
É por isto que vocês, jovens, para seu próprio bem e de seus descendentes, precisam pensar. Se a ciência (e vocês são estudantes, afetos, portanto, às ciências), está a nos mostrar desastres decorrentes do atual comportamento, não se compreende a atitude de total indiferença ante os desmandos que comprometem o futuro de vocês. O comportamento da juventude se assemelha ao de moradores de um prédio em ruínas e indiferentes ao risco. Não esperem pelo desabamento do único prédio capaz de oferecer guarida, o planeta. Lembrem-se de que ele Já corre perigo. Se nosso comportamento é orientado pela educação recebida, uma criança que vê o pai extasiar-se pela emoção de uma corrida de carro, por exemplo, ganha a certeza de ser aquilo algo maravilhoso e este aprendizado vai terminar nos “rachas” que tem feito alguns paraplégicos. Se não há a menor dúvida quanto ao fato indiscutível de ser o aprimoramento educacional o único fator capaz de produzir uma sociedade onde se possa viver em paz, com a sinceridade de quem só lhes deseja harmonia e uma vida agradável, isto porque também tenho descendentes, digo-lhes que só terão a ganhar com a leitura de um artigo do grande jornalista Alex Ferraz, publicada no jornal Tribuna da Bahia de 08/12/2010, que pode ser lida na internete. Ao abrir a página sobre A Tribuna da Bahia, clique em “página inicial e escolha a opção “colunistas” lá no alto. Clique em “Alex Ferraz” e não deixe de ler a matéria intitulada O Pior de Todos os Males deste País. Lá vocês perceberão a maldade que é feita com vocês.
Certa vez, ao fazer referência ao despreparo dos jovens participantes do programa Yahoo Perguntas e Respostas, onde eu participava como Pensador, fui criticado por um jovem que teria visto algum tipo de desmerecimento nas minhas palavras. Não é isto. O atual sistema educacional capenga e defasado não lhes pode dar uma boa formação porque ele que devia ser movido por um Estado verdadeiramente interessado no melhor futuro possível para sua juventude, passou a ser interesse de empresas cujo único objetivo é ganhar dinheiro. Nenhum interesse no futuro de ninguém. O atual sistema deseduca. Prova disso é o modo como são maltratados os professores, tanto pelo Estado que permite a um chutador de bola receber salário mais de mil vezes superior ao salário de um professor, quanto pelos alunos que deviam lhes ser gratos por lhes ensinar algo sobre o enfrentamento da vida.
Enquanto vocês espetam espetos no corpo e detestam política, o órgão representativo da classe estudantil é transformado em antro de pelegos e é desbaratado o dinheiro de remunerar professores para que possam se dedicar integralmente à tarefa de lhes preparar eficientemente como cidadãos e técnicos capazes de evitar a contratação de estrangeiros em virtude de deficiência em nosso pessoal. Se você leu isto, não sabe o quanto aprenderá com a matéria sugerida. Boa leitura, boa sorte.