domingo, 18 de setembro de 2011

INDIFERENÇA E ESTUPIDEZ


Um empresário da Avenida Bartolomeu de Gusmão me disse estar apreensivo com os assassinatos ocorridos nas imediações de sua empresa, e que ainda ontem (dia 12) uma menina de dezesseis anos levou três tiros na boca. Que a pobrezinha ainda correu e sangrava muito. Morreu pouco adiante.
O que faz a sociedade ser indiferente a tal barbaridade? É preciso ser mais bruto do que o mais bruto dos irracionais para não se sentir enojado e até revoltado ante tal barbaridade, principalmente quem tem filhas. Ser insensível ao sofrimento daquela criança é ser monstro! Os poucos que sofrem junto com a menina, estes nada podem fazer porque o rumo da sociedade é determinado pela absolutíssima maioria das pessoas, e elas só pensam em dinheiro.
O desconhecimento do que seja viver com outras pessoas leva a pensar na possibilidade de se ter seu mundinho particular, o que impossível. O que acontece na sociedade acontece conosco, mais cedo ou mais tarde.
Como a qualidade das pessoas determina a qualidade da sociedade, se a sociedade é insensível à brutalidade é porque esta brutalidade está em cada um de nós. É por ter conhecimento disto que escrevo mesmo sem saber, na ilusão de que seja minha gota de incentivo ao surgimento de uma sociedade onde as menininhas recebam carinho e educação. Nunca, de modo algum, não pode acontecer, é o cúmulo da degradação humana, dar tiros numa menininha. É incompreensível a indiferença dos pais de menininhas! É incompreensível, sobretudo, a indiferença dos jovens! Desperta, cambada! Lança longe o espeto do beiço e exija como cidadãos educados que as autoridades cumpram seu dever.
São evidentes as más qualidades das pessoas modernas. Assumir um compromisso atualmente não significa nenhuma obrigatoriedade. O homem atual não sabe o que é honrar sua palavra.
Sendo uma das pessoas que sofre junto com a menininha, havia eu feito uma carta ao prefeito pedindo limpeza na cidade porque as pessoas estão pisando em fezes que escorrem dos ralos e levando doenças para suas casas. Este assunto como se vê, é pertinente a todas as pessoas que prezam a higiene. Fui ao jornal Diário do Sudoeste saber o custo de publicação e me disseram que seria publicada sem custo por ser de interesse público. Saí de lá com a certeza de se tratar de gente capaz de sofrer também com acontecimentos iguais ao da menininha. Entretanto, no lugar da carta publicou fuxicos de novelas.
É necessário levantar mais alto a cabeça para enxergar além da necessidade de correr e fazer barulho em busca de dinheiro, mesmo porque ele será buscado pelos descendentes de quem atira em menininhas. O Japão estabeleceu um sistema tão rígido de educação para formar técnicos eficientes na produção de riqueza que muitos jovens japoneses se sentiam tão inferiorizados por não conseguirem acompanhar o ritmo e cometiam suicídio. Alcançou o objetivo e produziu imensa riqueza ao custo de infelicitar o povo rico com o medo justificado de viver numa ilha ponteada de usinas nucleares sujeitas a serem quebradas por cismas climáticos que abundam na região. Do mesmo modo, os Estados Unidos acumularam montanhas de dinheiro e tem por conseqüência seus cidadãos sob constante perigo.
Está enganado quem espera encontrar bem-estar junto a um monte de dinheiro estando ambos rodeados de necessitados capazes de dar tiro em menininha pela falta de apenas alguns reais. A desumanização embrutece as pessoas. Já chegamos ao cúmulo do absurdo de se morar em meio a uma construção com o consentimento do poder público que libera habite-se a um prédio inacabado. Neste momento sou bombardeado por marretadas, ronco de furadeira, enfim, um inferno. Não tem moral para exigir que as pessoas observem as normas de conduta o poder público que descumpre a norma que exige total conclusão do imóvel para obtenção daquele documento.
Enquanto vida tiver, não deixarei de pirraçar para que as pessoas aprendam a pensar. Descobrirão existir um universo de coisas além de dinheiro. Descobrirão que não somos obrigados a suportar barulho e que ele faz mal. Veja o que disse o juiz paulista Dr. Antônio Silveira Ribeiro dos Santos no jornal Notícias Forenses, de junho de 1997, página nove: “Atualmente o direito de propriedade não é absoluto, devendo assim o proprietário utilizar sua propriedade de forma a atender os fins sociais, não prejudicando terceiros, bem como não produzindo nenhuma ação poluidora que afete seu vizinho ou a coletividade, uma vez que o direito a um ambiente sadio é previsto constitucionalmente, reconhecendo-se uma nova função da propriedade: a ambiental”.
Se não temos de suportar barulho, como pode o poder público permitir que seja habitado um prédio em construção?
Precisamos refazer nosso comportamento social de modo a que nos preocupemos com as menininhas. Principalmente os jovens. Não devemos nos esquecer de que a violência social, de um a um, acabará atingindo a todos, garante o autor de Por Quem os Sinos Dobram. E ele é bem mais inteligente que nós.





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PENSAR É PRIVILÉGIO DO HOMEM


Olá, juventude envelhecida. Ói eu traveis nos pé docêis.
Como o barulho de alguma festa não me deixa dormir nesta madrugada de sábado, fiquei a pensar como a vida seria melhor se os jovens tivessem conhecimento do que seja vida social. Seria bom porque com a vivacidade própria dos jovens eles haveriam de aprimorar este conhecimento, de modo que depois de algumas gerações viríamos a ser uma sociedade civilizada. Entretanto, com a mentalidade de dar preferência a assuntos do tipo Programa do Ronco – Miss boniteza – Fashion Week – Fórmula Um – Futebola – Basquetebola – Voleibola, fica difícil elevar a mente a coisa menos rasteira. Para aumentar minha tristeza, ao ligar o rádio ouço a notícia de que Ronaldinho Gaúcho foi a estrela que mais brilhou na Bienal Do Livro. É simplesmente assustador! Livro tem a ver com o cérebro e ele fica na cabeça. Não nos pés. Os jovens estão tão velhos que caducam. Já estão querendo usar califon. Qualé, meu!
Sendo do tipo teimoso que não larga o osso, não desisto de abrir uma brechinha no monte de bobagem que vocês tem na cabeça para colocar uma pitada da sabedoria que a velhice me deu e que seria proveitoso vocês prestarem atenção na prosa de hoje porque vocês não sabem, como eu também não sabia quando era jovem, o que é vida social, e a falta deste conhecimento levará vocês ao destino horroroso previsto pele ciência e vocês nem sabem disto porque preferem a atividade doa pés. O conhecimento da vida social é mais importante do que o conhecimento que levou o homem à lua. Prova isso o fato de que o país que levou o homem lá é o mesmo país onde os cidadãos vivem com medo da própria sombra porque tem inimigos no mundo todo.
Não se pode desconhecer o fato de que para se viver em sociedade é necessário levar em conta a existência das outras pessoas. Nós que constituímos a sociedade humana precisamos uns dos outros e de cooperação para que haja harmonia. Uma sociedade na qual se possa viver com dignidade não pode existir onde se desconheça que antes do EU individual há o EU social e ele impõe limite ao meu EU individual pela necessidade de observar que não estou só, que há pessoas em volta e que estas pessoas, do mesmo modo que eu, também tem seu espaço, afazeres, lazeres e direito de exercê-los tanto quanto eu tenho direito às mesmas coisas. Como os interesses são desencontrados porquanto uns querem coisas diferentes de outros, faz-se necessário o conhecimento do que seja vida social para que se esteja convencido da vantagem na conciliação dos interesses para evitar perturbações que prejudicam a harmonia social.
Certo dia, na Praça do Gil, um domingo pela manhã, alguns jovens funcionavam uma parafernália sonora em frente a um hotel. Esta preocupação em levar algum esclarecimento aos jovens, porque deles depende o futuro, me fez reclamar com eles, até com alguma rispidez, fazendo-os ver a situação de quem dormia no hotel. Dada a cordialidade daqueles jovens que acataram minha observação e fizeram silêncio, concluí tratar-se de pessoas de boa índole e com boa dose de educação doméstica, a quem peço desculpa pelo modo de falar. Só lhes falta a educação social, o conhecimento do que seja vida social. Um sistema educacional como o nosso onde os pés rendem mil vezes o salários do professor que usa a cabeça não tem interesse em produzir cidadãos, mas seres esquisitos com aspecto de adulto e mente infantil.
Não aprendem na escola que a sociedade é um abrigo para cada um de nós e que precisamos protegê-la. Certamente as crianças perguntarão: Como proteger algo que não se vê? Só não vê se não tirar o pensamento da preocupação de saber se vai botar o pirce no beiço de baixo ou no de cima. Se prestar atenção na quantidade de objetos e atitudes de que depende o bem- estar de cada um, verá de quanta gente ele depende. Nós dependemos uns dos outros.
O escritor Ernest Hemingway faz referência a este inevitável e necessário entrosamento entre os seres humanos no livro Por Quem os Sinos Dobram. Diz ele que ao perguntar por quem os sinos dobram a resposta seria que eles dobram também pela pessoa que está perguntando. (Perguntar por quem os sinos dobram equivale a perguntar quem foi que morreu. Era costume haver um sino repicando durante todo o dia quando morria alguém com alguma relevância social).
A afirmação do escritor de morrer um pouco de cada um quando morre alguém faz sentido levando-se em conta que as pessoas são as células do corpo social porque a sociedade é um organismo vivo que exerce influência sobre o nosso comportamento. Não cumprimentar uma pessoa tem efeito que provoca reação na prática. A sociedade é a força resultante da união das pessoas e o nível de conhecimento destas pessoas determina o da sociedade. Nós os seres humanos estamos para a sociedade humana assim como as células do nosso corpo estão para o nosso corpo. Se a morte de uma delas afeta o nosso organismo, do mesmo modo, a morte de um de nós afeta o corpo social ou sociedade em função de nossa interdependência.
Quando jovens inocentes arrebentam seus tímpanos e sistema nervoso com o som do carro ou o estrondo da moto eles também produzem o mesmo resultado danoso nas pessoas em volta. Elas não se incomodam porque também desconhecem o resultado negativo que o barulho produz. Agora, imagine a situação de quem sabe e é obrigado a suportar a tortura de ter sua saúde estragada sem poder cumprir o instinto primário da autodefesa de seu bem estar espezinhado pelo barulho. Neste exato momento escrevo sob marretadas provenientes de obra em algum apartamento no prédio. A vida seria melhor sem tanta ignorância.
Ante a inocência de vocês, sinto obrigação de mostrar um caminho com menos pedregulho do que este por onde vocês caminham e que lhes indicaram por maldade. Qualquer pessoa ficaria agradecida por receber tal aviso e pior para vocês se continuarem nesta indiferença indolente à deseducação que os leva a preferir quem dá pontapé a quem escreve livros.
Sociedades que investiram na formação de cidadãos em vez de barulhentos vivem infinitamente melhor do que nós. Tá na hora de pensar, ainda que de mansinho prá começar. A novidade pode dar dor de cabeça ao desenferrujar o cérebro. Vamos ficar no fácil, mas vamos aprender a pensar: Podemos começar pela situação absurda de estar o governo gastando bilhões na festa da corrupção do futebola e declara não haver dinheiro para aumentar a prevenção contra o surto violento de dengue que a ciência está anunciando vai arrasar com vocês. Vamos lá! Esqueça a academia e o pirce por um momento e aprenda a pensar que não dói, embora a pergunta exige muita concentração e esforço mental. Lá vai a pergunta, preparem-se: Um jogo de futebola onde houvesse noventa por cento de chance de ter dengue, alguém iria?
Qualquer jovem teria pergunta a fazer a um bailarino da bola. Entretanto, estando diante de um profissional cuja formação exigiu adquirir conhecimentos científicos durante anos, teria uma pergunta a fazer? Digamos que diante de um advogado, teria curiosidade de lhe perguntar por que a imprensa diz que estão roubando o erário e nem os ladrões são presos nem a imprensa responde por calúnia? Diante de um profissional da saúde, perguntaria se as pessoas usassem água e sabão em lugar de papel higiênico haveria menos problemas de hemorróidas? A um engenheiro, perguntaria por que os apartamentos modernos se assemelham a uma moradia coletiva a ponto de se tomar conhecimento do que se passa no outro apartamento e por que a água do banho só corre para o lado onde o ralo não está? Ou ainda por que pias e vasos sanitários deixam voltar o meu cheiro para dentro de casa? Estando com um político, pergunta-lhe por que há tanto barulho e sujeira na cidade? Estando com um técnico da Embasa, pergunta-lhe que tipo de água estamos bebendo? A um religioso, perguntaria qual a superioridade do ser humano sobre os outros animais, se também comemos outros bichos e nascemos de um mesmo processo no qual até os movimentos do macho de bicho e de homem são iguais na hora da forniquexa que produz a proliferexa? Inté.





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MOMENTOS AGRADÁVEIS

Nosso papo de hoje também inclui as pitadas de ensinamentos dos grandes mestres do saber que pesco nos livros deles e passo para vocês. Porém, desta vez, o assunto principal e que não vai ser lido como os outros, vai em torno de uma história legal que vem depois do conselho indispensável para que vocês dêem atenção também para outros valores como pensar num futuro melhor para seus filhos uma vez que a ciência está nos prevenindo da iminente falta de água e comida em virtude da estupidez de se acabar com a fertilidade dos solos e a vegetação que a protege. No Rio Grande do Sul, cerca de seiscentos mil quilômetros quadrados já viraram deserto e os cientistas afirmam que Minas Gerais terá em algumas décadas um terço de sua área em iguais condições. Enquanto os solos férteis desaparecem, a necessidade deles aumenta. Máquinas estão também dependendo de terra para serem alimentadas.
Uma dona de casa me disse que Jesus não deixará nada disto acontecer. Basta dar uma olhada nos lugares que viraram e que estão virando deserto para ver que Jesus num tá nem aí. Aliás, imaginem só o que espera por vocês depois de tomarem conhecimento de uma das informações do mestre Geoffrey Blainey: Até à época em que o nosso cabeludão andava por aqui nós teríamos feito apenas cerca de trezentos milhões de filhos. (volte e leia de novo do até que é preciso entender isso direitinho) Entretanto, só no tempinho de lá prá cá a fornicação colocou quase sete bilhões de pessoas para comer feijão e beber água junto com vocês. E vocês não pensam nos filhos dos filhos de vocês?
O mundo está muito ruim e vocês precisam dar um jeito nisso. Está muito errado esse negócio de deixar nosso país ser conhecido por causa de esporte e prostituição. Gira por aí uma propaganda da “paixão” de nossas mulheres e prova o dito com o testemunho de vários gringos que enaltecem as excelências das suas “paixões”. Já ouvi a “ferramenta” propagada no comércio do turismo ser tratada carinhosamente (como merece) de “perseguida” e até de “ligeireza”. Nunca de “paixão”.
Fica por aqui o aconselhamento de hoje porque vou lhes contar um fato legal que envolve o respeitável empresário UBIRATÃ AMORIM. E duvido que alguém fora do mundo dos negócios saiba quem é este respeitável senhor. Pois pode segurar na cadeira porque vou dizer que é ninguém menos que o nosso impagável Bira Bigodão, figura das mais estimadas e que dispensa apresentação. Da mais humilde oficina mecânica aos lugares mais refinados não há quem não se sinta bem com a presença de Bira Bigodão porque ele é como o violeiro que “alegrava o terreiro numa buniteza” da canção de Elomar. A diferença é que na canção, depois da alegria inicial, o sentimento espalhado pela música do violeiro trazia a tristeza de volta. Já com a chegada de Bira Bigodão é só alegria o tempo todo. Atrás daquela cara fechada há uma eterna juventude que contagia.
Pensei em economizar tempo abreviando o “Bira Bigodão” para apenas BB. Porém, me ocorreu que este é o nome pelo qual é conhecida uma famosa mulher e mudei de idéia. Afinal, pode não dar certo alcunhar um macho que ostenta um bigode daqueles com nome de mulher.
Não há quem ainda não tenha curtido ao vivo uma das histórias sadias e bem humoradas que justificam a empatia do Bigodaço. Eu já presenciei duas. A primeira foi em companhia de um cidadão irrepreensível de nosso meio que é o nosso estimado João Alberto Novais, carinhosamente chamado de João Bocão. Este cavalheiro não haverá de negar seu honesto testemunho no caso de vir eu a necessitar provar perante alguma corte de justiça a veracidade do acontecido.
Certa vez alguém tentava por em ordem um aparelho desordenado, quando chega Bira Bigodão já mandando uma peruada: Não tá vendo que o problema aí é a junta, pô? – disse ele. – Qualé junta, ó bigode de puxada. – Respondeu o rapaz – (todos são íntimos do Bigodudo). Ajunta tudo e joga fora! – Arrematou o Bira.
A outra história de que participei foi também em companhia de alguém do mais alto quilate. Um empresário do setor automobilístico de boa qualidade como Renault, Honda e Nissan. Trata-se de Sebastião Cardoso Neto, cuja aparente sisudez não consegue esconder a sinceridade e compreensão estampadas no olhar que legitimam o apelido de Netinho. Os funcionários o estimam segundo me disse a simpática e agradável Adriana, a garota morena do cafezinho. Como são poucas pessoas com boas qualidades, precisamos valorizá-las para que elas venham a florescer também em nós.
Reunidos e conversando amenidades, dois empresários e este aposentado, o que desfez minha impressão de que todo empresário quando não está contando dinheiro estivesse maquinando coisas contra nós. Pois ali estávamos a jogar conversa. Perguntei a Bira se ele ainda lidava com laticínios. Respondido que sim, perguntei se ele tirava leite. Respondido que sim, comentei que eu até aos quinze anos era vaqueiro do meu pai e que tirava leite por obrigação, enquanto que o Bira fazia isso levado pela comichão que faz ele não ficar quieto. Disse que eu fazia requeijão, manteiga, ferrei animais e tratei de bicheiras. Falei que no meu tempo, do qual já se vai muito tempo, a barra era mais pesada que hoje. Naquela época havia chuva e uma camada da lama do esterco do curral fazia crer que se estava usando botas. O leite era tirado de cócoras e não raro se encostava a bunda na lama.
Como, entretanto, desde que se tem notícia de gente, é sempre dando um jeito de adaptar a natureza às suas necessidades de conforto, hoje não mais é necessário meter os pés aos poucos até se acostumar com a lama fria pela manhã porque o frio é amenizado pelas botas de verdade.
Enquanto eu falava Bira e Netinho escutavam como pessoas educadas que são. Prossegui falando que também observei o uso de um banquinho com uma perna só amarrado no trazeiro da pessoa de modo a não ser necessário carregá-lo. Ao se levantar, a única perna que tem o banco e que lhe dá sustentação fica na horizontal e a pessoa pode se deslocar livremente ostentando um rabo horizontal. Ao sentar-se, volta o apoio para a vertical, apóia-se no chão proporcionando relativo conforto ao trabalhador.
Perguntei a Bira se ele usava um banco semelhante e a resposta nunca mais saiu da minha mente. Disse ele que usava, sim, a ajuda do banquinho. Disse mais: que o banquinho dele tinha o apoio virado para baixo ao contrário do banquinho dos gaúchos que tem o apoio virado para cima.
Nenhum gaúcho encontraria motivo de ressentimento diante da figura do Bira Bigodão porque ninguém consegue estranhar o Bigodaço. Inté.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

INSTRUÍDOS E NÃO INSTRUÍDOS


Olá jovens que nem tomarão conhecimento desta prosa. Problema não. Mesmo com uma das mãos momentaneamente inutilizada, volto a tentar mostrar-lhes a mediocridade da vida por vocês vivida. Vítimas de um sistema deseducacional que faz o aluno maltratar o mestre, vocês ainda estão, sem que disto tenham culpa, na categoria de pessoas não instruídas, de acordo com a classificação de um dos Mestres do saber, como veremos. Portanto, mesmo que não prestem atenção, ainda assim não deixarei de fustigá-los para que aprendam um pouco dos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber que pesco em seus livros e passo para vocês juntamente com a experiência de setenta e cinco anos de aprendizado na escola da vida, a fim de lhes evitar muitos dos tropeções que dei e que vocês não precisam dar.
O escritor Fiódor Dostoiévski estabelece uma oposição entre homem não instruído e homem instruído. Afirma que o desenvolvimento mental é muito menor no homem não instruído do que no homem instruído, e isto não permite que o homem instruído possa sentir-se bem junto ao homem não instruído. Como podem observar, é realmente difícil uma convivência entre pessoas que querem pensar e outras pessoas que querem fazer barulho. O barulho não incomoda ao homem comum porque ele desconhece o malefício que o barulho produz no organismo, enquanto que o homem instruído sabe perfeitamente que o barulho produz surdez e neurose, além de impedir a concentração dos homens instruídos. A ciência afirma que o barulho inevitável do progresso vai tornar surda toda a humanidade. A História registra o fato de uma colônia egípcia localizada perto de uma catarata do Rio Nilo onde todos os moradores eram surdos.
O escritor Fiódor Dostoiévski chama de doença o mal-estar causado ao homem instruído pela presença do homem não instruído, presença obrigatória porque a quase totalidade da raça humana é constituída de pessoas não instruídas. Foram estas as palavras deste Mestre do Saber, na página 18 do livro Memórias do Subsolo: “Uma consciência muito perspicaz é uma doença, uma doença autêntica, completa. Para o uso cotidiano, seria mais do que suficiente a consciência humana comum, isto é, a metade, um quarto a menos da porção que cabe a um homem instruído”
.O homem instruído, portanto, tem o pensamento voltado para a produção de idéias, enquanto o homem não instruído tem seu pensamento voltado para coisas unicamente materiais e fúteis como bares e academias de formar bêbados e músculos, ainda que inoculando produtos estranhos em seus corpos, o que fará com que o organismo fique mais debilitado do que outro organismo mantido naturalmente. A única preocupação do homem não instruído em relação a seus filhos é com a possibilidade de lhes faltar bens materiais, sem despertarem para a realidade de que a pobreza em volta tornará perigosa a posse de tais bens. Não lhes ocorre que a deficiência do sistema educacional cria a necessidade de se importar mão de obra estrangeira qualificada para a tecnologia moderna e que isto tornará ainda mais difícil do que hoje para os futuros jovens conseguirem emprego.
Os apartamentos construídos pelos nossos engenheiros e arquitetos eliminaram a privacidade dos moradores. Moradores destes imóveis tomam conhecimento até dos momentos de intimidade dos casais de outro apartamento. A água do banheiro sempre escorre para o lado contrário do ralo e o mau cheiro de esgoto retorna para dentro de casa em face do mau acabamento na colocação das pias e vasos sanitários e isto faz os moradores respirar gazes putrefatos prejudiciais à saúde. Dá medo passar sobre uma ponte construída pela engenharia produzida pelo método deseducacional.Estes absurdos são aceitos pelas pessoas não instruídas como coisa normal, mas incomodam as pessoas instruídas porque elas sabem do resultado danoso de tais comportamentos.
Estou aprendendo nos livros das pessoas instruídas que elas sofrem por não poderem ter um só espaço onde sentir-se à vontade porque as pessoas não instruídas ainda não aprenderam a observar o fato de que para se viver em sociedade há de se respeitar o espaço das outras pessoas e isto está a anos luz de pessoas barulhentas ou que não se incomodam com o barulho, ou ainda que ocupa a rua com o veículo, ou aquele que espalha água nas pessoas, ou aquele que passeia tranquilamente sobre as bostas nas ruas. Há alguém sem estas características entre nós? Só haverá uma sociedade normal quando todos formos pessoas instruídas. Vamos começar a nos instruir?
Ninguém tem culpa de não ser instruído. A verdadeira verdade da vida é como o samba. Não se aprende na escola. A indiferença das pessoas com a situação de imundície em que se encontra o centro da nossa cidade, um ambiente desagradável, próprio para irracionais, demonstra a falta do hábito da higiene. Quem anda sobre fezes de animais e caldo pestilento de esgoto leva para casa nos solados dos sapatos doenças para danificar a saúde dos filhos que dizem amar. O barulho ensurdecedor ao qual o povo é indiferente, só encontra explicação na falta de conhecimento e sensibilidade. Pessoas grosseiras tem maior capacidade de encarar um ambiente assim. A Organização Mundial da Saúde declara que o barulho além de causar surdez também causa a neurose da qual resulta violência suficiente para produzir muita infelicidade.
A distância que separa as pessoas da realidade faz que elas acreditem ser possível acostumar-se ao barulho. Não pode! O barulho, como a câncer, age sorrateiramente e o resultado do seu trabalho aparece quando se passa a pedir para que o interlocutor repita o que disse e quando se é dominado por fúria bestial até por ter alguém arranhado um carro.
Jovens de países que cuidaram da educação de seu povo já começam a perceber o papel de idiotas que a sociedade lhes atribui e começam a exigir tratamento melhor das autoridades. Por aqui, entretanto, a mente dos jovens não vai além das manchetes do Yahoo. Neste exato momento os jovens tem a oportunidade de absorver refinado caldo de cultura nas seguintes matérias: 1 – Dinei e popozuda se beijam. 2 – Alguns dos meus ex são gays. 3 – Jesus: cachê alto para discotecar. 4 – Dentinho defende gata e ataca invejosos. Então, que pensamentos podem nascer de mente capaz de dar assunto a tais assuntos? O resultado do exame de urina do jogador de bola é notícia capaz de despertar interesse nas pessoas classificadas pelo poeta de MANADA. Não lhes interessa saber que os países com os menores gastos em segurança, mas que cuidaram muito da educação de seus cidadãos são os países com o menor índice de violência.
É constrangedor observar a indiferença com que as pessoas encaram os desmandos que lhes são prejudiciais. Eles podem ser evitados sem necessidade da violência usada por jovens de outros países nas suas reivindicações. O estardalhaço ensurdecedor promovido pelas casas comerciais nos carros de propaganda e nas próprias lojas deixaria de existir se as pessoas deixassem de freqüentá-las.
Como se vê, precisamos nos educar.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

CURIOSIDADE BOBA

O suicídio de uma jovem cantora alvoroçou a juventude do mundo para saber o motivo que levou a jovem a morrer. É simples, meus jovens, foi o suicídio! Vocês deviam procurar saber é o porquê de haver ela suicidado. Se vocês seguirem direitinho a trilha até o suicídio da moça, lá no final da pesquisa haverão de encontrar a si mesmos, isto é, pessoas vazias de qualquer objetivo nobre pela impossibilidade de enxergar um pouco mais alto do que a mediocridade que lhes é transmitida por um sistema que deseduca e forma idiotas. Atrofiaram tanto a inteligência dos jovens que eles se portam como inimigos do professor que vai passar para eles as dicas de como se dar melhor no mundo cão.
Ouvi um jovem que se sentia esperto por ter conseguido um ingresso para um espetáculo musical em São Paulo depois de ter permanecido por vinte e quatro horas na fila. Isso é demonstração de completa imbecilidade, demência e conformismo. Para se comprar um ingresso não são necessários mais que dez minutos. Entretanto, o jovem acreditava ter feito um trabalho meritório.
O que levou a moça ao suicídio foi o falso mundo da fantasia, do enriquecimento fácil, principalmente na prostituição televisiva, mais degradante do que a prostituição ao vivo, mundo com o qual sonham todos vocês. O que vocês não sabem, aliás, vocês não sabem de nada verdadeiro! E o pior é que não podem aprender porque o sistema é para ensinar mentiras. As brincadeiras, por exemplo, não são mais importantes do que as coisas sérias porque a fase da vida que passamos envolvidos com coisas sérias é muito maior do que a fase das brincadeiras. Nenhuma destas nulidades que vocês elegem como líderes ricos tem um milésimo do mérito que tem o professor que os jovens maltratam. Nenhum líder verdadeiro enriquece à custa de seus liderados.
Se vocês, jovens, não sacudirem fora a mandinga do atual sistema de aprender mentiras e procurarem por vocês mesmos algum entendimento da realidade da vida a fim de poderem fazer escolha, estarão sempre iludidos e vivendo num mundo desagradável, de más perspectivas de futuro e de tanta falta de hombridade nas pessoas. A inocência que orienta o comportamento de quem está tão distante da realidade da vida social a ponto de indicar palhaço, jogador de bola e boxeador para seus legisladores.
Jovem sadio, isto é, vivo, com a sagacidade própria dos jovens, parece não mais existir. Os órgãos representativos de quaisquer entidades de classe dos jovens atuais foram transformados com sua aquiescência em ambiente de politicagem. Estão apáticos pela falta do uso da inteligência que todos tem, mas não usam.
As drogas são um flagelo para a juventude inexperiente. A droga leve pode e deve ser usada por provocar um bem-estar necessário para ajudar as pessoas idosas a terem um pouco de conforto em suas atribulações mentais próprias da velhice, conforme assegura um amigo e companheiro de velhice.
Esta “curtição” já existe só no fato de ser jovem, e por isto eles não necessitam de nenhuma droga. As drogas pesadas, então, são o caminho para a ruína total do organismo. O comportamento de alguém que se imola em troca da sensação agradável e nunca suficiente provocada por droga forte é o mesmo comportamento de quem se explode junto com dinamite. A diferença é que no caso dos drogados irrecuperáveis o suicídio é para masoquista, lento e com sofrimento.
O mundo da fantasia só existe porque a humanidade ainda é liderada pela mentalidade mumificada de velhos decrépitos e amorais que conseguem com o poder do dinheiro fazer artimanhas capazes de tornar as pessoas ligadas apenas em brincadeiras de líderes comprados, o que lhes permite esconder as coisas realmente importantes como o emprego do dinheiro público que tem sido usado até para manter casas de prostituição de luxo. Aliás, para quem a experiência da idade diminuiu um pouco a burrice comum, percebe ser intencional a grande valorização atribuída a pessoas que fazem brincadeiras a ponto de torná-las celebridades. Há celebridade por brincar de fazer de conta que está cantando usando um imenso e ridículo chapéu. Há celebridade pelo fato de chutar bola ou conseguir colocar maior quantidade de comida ou bebida no estômago. Há celebridade porque chega primeiro a um ponto previamente estabelecido, partindo de outro ponto distante, cujo percurso é feito por imensa multidão em desabalada e ridícula carreira. A insignificância mental faz com que pessoas deixem suas casas e acorram de longe para ver tamanha bobagem. Há celebridade por dirigir carro a uma velocidade maior que a dos outros corredores. Há, enfim, celebridade para todo tipo de idiotice.
É isso aí, jovens, o mundo da fama e dos espetáculos envolve tanta falsidade e mau caratismo que leva as pessoas a necessitarem de drogas cada vez mais fortes e isto faz o que fez com o Elvis, com o Michel que fazia com que vocês jovens vibrassem quando ele lhes apontava o saco com a luva branca. A Cássia Eller e tantos outros também foram vítimas da insanidade do falso mundo das celebridades.
Seria muito melhor para vocês, garanto com palavra de homem, que vocês quisessem saber por que morreram Guevara, Luther King, Marighela, Lamarca, Kennedy, Tancredo, Juscelino, e tantos jovens nas décadas de 60 e 70. Isto sim, tem tudo a ver com o bem-estar de vocês e suas crias. Inté

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Barulho danifica a saúde mental.



Até sentir a presença indigesta da censura, participei do programa Yahoo Perguntas e Respostas e lá havia muitas queixas de vários lugares por incômodo de barulho proveniente de outro apartamento. Agora que este incômodo me incomodou, e já tendo ouvido sobre uma tal Lei do Silêncio, fiz uma pesquisa na internete e comprovei a desconfiança de haver algo errado. A crença corrente de ser normal o barulho em horário comercial é falsa. Para encurtar a história, vou lhes dizer que ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a ouvir barulho em nenhuma hora e nem há necessidade de se medir os decibéis. Se incomoda, pode ser levado à justiça. E, pasmem, colocar habitante em prédio com apartamento ainda inacabado é CRIME. Comecei a pesquisa pedindo ao Google a lei do silêncio e a partir daí se abre um horizonte de informações. Entende-se por Lei do Silêncio à exigência legal de se evitar ruído excessivo à saúde, contida em vários dispositivos legais. A OMS declarou que o barulho danifica a saúde mental principalmente em jovens. As pessoas não devem ficar indiferentes ao martelar vindo de algum lugar porque aquilo estará realmente martelando o juízo do seu filho. Vou lhes indicar onde está a garantia que o Estado lhes dá de não serem obrigados a ouvir barulho:
CÓDIGO CIVIL, art. 1277.
LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS, art. 42.
LEI Nº 9605, DE 12/02/998.
Tá na hora de deixar de ser boca aberta e procurar seus direitos. Se as pessoas exigissem as coisas que a Constituição Federal lhes garante nós estaríamos num belo mundo. Escutem o que sempre lhes digo, jovens: jovem tem que ser esperto. Deixem as drogas para a velhice, aproveitem enquanto tem gás e deem dignidade ao seu belo país famoso por coisas fúteis. Aproveitem a experiência de quem já aprendeu que é bobagem espetar espeto no beiço e evitem futuros arrependimentos. Não sejam indiferentes à política porque é ela que determina seu futuro. Ninguém pode ser considerado ilegal por pleitear uma coisa que lhe é assegurada por lei. A maior revolução que pode acontecer na história do mundo não usará pistola. Ninguém pode ser obrigado a pensar assim ou assado. Os jovens atuais tem a chance de iniciar o maior movimento revolucionário já ocorrido no mundo ao ensinar verdades a seus filhos. O sistema educacional só lhes ensina a serem obedientes. Pois, cá do alto dos meus setenta e cinco, lhes digo que se pode ser desobediente desde quando a obediência exigida lhe seja prejudicial. Do mesmo modo, não há falta de respeito em se cobrar cumprimento de dever da autoridade. Alguém que chega ao posto de autoridade é por ter alcançado nível educacional que lhe permite compreensão mais apurada (há exceção) e, portanto, nunca tomaria por negativa a manifestação cívica do cidadão comum.
Não há jovem que não precise de conselho. Os menos idiotas, pelo menos os escutam. Provo com ação a crença na necessidade de uma ação em busca da paz contida nas minhas palavras. Intrigado com a acusação pública de roubo contra Lula e Sarney sem qualquer repercussão, pedi esclarecimento ao Procurador da República na carta abaixo e vocês poderão constatar não haver nem sobra de desrespeito.
EXMº SR. DR. ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS, DIGNÍSSIMO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA.
Movido pela recomendação de não ser indiferente à política, e como cidadão idoso e apavorado com a violência que me faz quase um prisioneiro no apartamento é que venho com o devido respeito que a responsabilidade impõe, expor os motivos que me levam a ousar pleitear merecer um pouco de sua nobre atenção antes de formular a pergunta cuja falta de resposta é angustiante.
Nossas cidades amanhecem com cadáveres em volta. Pessoas atingidas por cataclismos ficam a depender de caridade enquanto bancos dispõem de quanto recurso necessitar a cada dificuldade, ainda que fabricadas.
Vejo pessoas recebendo em troca de brincadeira recursos suficientes para lhes garantir padrão de vida infinitamente superior àquelas pessoas que prestam serviços úteis à sociedade.
Vejo a Saúde, a Educação e a Segurança transformadas em especulação comercial, ao contrário do estabelecido no Preâmbulo e no Artigo 5º da Constituição Federal.
Vejo o governo abandonar seu dever de promotor do bem-estar coletivo substituindo-o por festas e propaganda.
Vejo presidiários amontoados como legumes, numa total inversão do sentido da pena.
Vejo crianças abandonadas pelas ruas a tentar malabarismos por alguns centavos a fim de adquirir a droga que lhes dá a impressão de ser boa a vida.
Vejo pessoas indiferentes a tais crianças por acreditarem serem as próprias crianças as responsáveis por sua infelicidade, vez que elas poderiam usar uma ferramenta chamada livre arbítrio para moldar outro tipo de vida.
Vejo igrejas tomando parte dos parcos recursos de que os inocentes dispõem em troca de milagres. Uma pobre senhora afirma que o dinheiro entregue à igreja é para adquirir um lugarzinho no céu.
Vejo velhos de semblante entristecido nas bilheterias do cassino da Caixa Econômica sendo ludibriados pela perversidade do governo ao acenar-lhes com a possibilidade do enriquecimento fácil.
Vejo autoridades das diversas áreas serem absorvidos pela cultura da roubalheira que assola os brasileiros.
Por fim, não só pela alta confiança da opinião pública, mas também por ser esta instituição sob o comando de vosselência responsável pelo combate às distorções administrativas prejudiciais à sociedade, ante a existência de dois livros “Honoráveis Bandidos” e “O Chefe” acusando os dois ex-presidentes da república José Sarney e Lula da Silva de roubo do dinheiro público, consulto a vosselência se era cabível adoção de medidas que esclarecessem este nebuloso assunto, e, em caso afirmativo, foram tomadas? Nada se ouve a respeito. O que está acontecendo com nosso país, Senhor Procurador-Geral? O quadro existente não sugere festa!
Reafirmo o mais puro propósito ao procurar tomar o precioso tempo de Vosselência, jamais o faria por leviandade. A idade não o permitiria e nem o respeito às autoridades.
Com o respeito e atenção devidos, atenciosamente,
José Mário Ferraz
RG.00316055-67 – BA


quinta-feira, 2 de junho de 2011

RUIM COM O ESTADO, PIOR SEM ELE


O primitivo bicho-fera encarava um semelhante como inimigo ou refeição. Ainda há resíduos deste instinto bestial no comportamento do ser humano. É por isto que se faz necessário um poder capaz de coagir a brutalidade de uns contra outros, principalmente dos fortes contra os fracos. Este poder é exercido pelo Estado. Ele tem a função de promover o bem-estar social. Para isto a sociedade lhe abastece dos recursos materiais necessários.
Fato acontecido comigo esclarece a imprescindibilidade da presença do Estado: Os agiotas do Bradesco, num comportamento orientado pelo instinto de bicho-fera, não se contentando em usurpar apenas dinheiro, usurparam também a nobre função judicante própria do Poder Judiciário e me condenaram ao descrédito publicando meu nome como desonesto. Pedi a proteção do Estado através da justiça e ela me socorreu. Vê-se, portanto, a importância de uma força capaz de coibir a ação nefasta de brutalidades que impedem a existência de uma sociedade sadia.
Pois, apesar de sua necessidade, estamos sem a presença do Estado. Ele faliu. Isto é assustador porque a maldade do ser humano não terá um contraponto e disto resultará um ambiente perigoso para as futuras gerações. O Estado Brasileiro não tem mais capacidade de fazer valer as leis que ele estabelece para regulamentar o relacionamento entre as pessoas sob sua guarda. Quando o Estado perde a capacidade de impor sua vontade, sem um poder moderador dos desmandos próprios de seres inferiores como nós, estabelece-se o caos porque a incompreensão não permitirá a convivência.
O Código Civil Brasileiro proíbe que uma pessoa incomode outra pessoa com excesso de barulho. Chega mesmo a garantir ao morador incomodado por ruídos de vizinho a promessa de protegê-lo impondo ao causador do distúrbio a força do seu poder de Estado para obrigá-lo a observar a ordem dada de não agressão sonora.
Tal promessa faz o Estado no artigo 1277 do Código Civil, no artigo 42 da Lei de Contravenções Penais e outros dispositivos legais, sem que haja cumprimento da determinação.
A prática corrente de se locar apartamentos em um prédio ainda em construção anula totalmente a proibição porque não se pode construir sem barulho. Nas ruas, então, o barulho ultrapassa muitas vezes o permitido, festas de igrejas e de futebol parecem zombar da cara do Estado e isto caracteriza uma desordem (descumprimento de uma ordem). Porém, ordem faz parte da natureza do Estado. Quando o Estado perde a capacidade de impor a ordem que expressa sua vontade, torna-se inútil e é substituído por outra forma de Estado. Estamos longe ainda anos luz de uma educação que permita a cada um comportar-se de modo a dispensar a presença do cassetete.
É desanimador constatar estar-se perdendo a única proteção de que dispõe o fraco contra a ferocidade do forte. Mas, infelizmente, é a realidade que se nos depara. Até se fala em emprego para barulhentos. É a mais flagrante demonstração da debilidade estatal. Ao mesmo tempo em que proibe o barulho, admite o emprego de fazedores de barulho!