sexta-feira, 15 de novembro de 2013

DE CABEÇA PRÁ BAIXO


 

Para as consciências prostituídas, teúdas e manteúdas pela depravação do mundo capitalista causador da infelicidade do mundo, para quem a vida se resume em juntar dinheiro, as drogas são para este tipo de consciência as causadoras de toda a desarrumação social. Garantem cientistas sociais falsificados e contratados para fazer a mentira parecer verdade que as mortes decorrentes do tráfico de drogas o são por causa do consumo destas drogas, o que não passa de distorção da realidade. Usar droga só mata o usuário, e assim mesmo se exagerar no consumo. Fora disso, não mata mais ninguém porque ninguém é assassinado por comprar refrigerante ou roliúde para fumar. Embora estas drogas lícitas causem tanto malefício ao organismo quanto as drogas ilícitas, os danos provocados pelo consumo da garapa de tinta e açúcar, bem como do montão de venenos contidos no roliúde, tais danos só se manifestam na velhice e na UTI. Antes disso, é uma satisfação tão grande que sentem seus usuários quanto os fumadores de maconha, e também convictos de que daquele procedimento só resultam prazeres.

Ao contrário do que afirmam os deformadores de opinião, a bagunça ou deterioração social é que dá origem ao problema das drogas. Elas são um refúgio para a frustração espiritual em que vive a humanidade, principalmente para quem carece também de recursos materiais além dos espirituais. A sociedade foi envolvida em tal estado de materialidade que a Rádio CBN comenta com entusiasmo uma educação financeira para crianças. É exatamente desta educação que provém a desarmonia vivida pelos seres humanos. Daí a frustração e a busca por algo diferente da insanidade de anular a capacidade de raciocinar. Como o ser humano não foi elaborado para ser teleguiado, ainda que sem saber estar sendo robotizado, seu inconsciente repele esta subordinação incompatível com a inteligência que todos temos e recusa de alguma forma o comportamento de burro de carroça. Não havendo fuga do jugo capitalista, e sendo o jugo incompatível com a condição de ser humano, como provaram Spartacus, Zumbi e João Cândido Felisberto, procura-se escapar do jugo da servidão pela fantasia das drogas ou disparando arma sobre pessoas.

Os propagadores de mentiras exercem tão grande influência sobre a sociedade que a convence de que a solução dos seus problemas está nas igrejas, que a saúde está nas academias, e que a diversão para o espírito está em evitar artificialmente a velhice, ou na brutalidade das lutas sanguinárias, no barulho produzido para o requebramento de quadris, ou nos terreiros de futebola e de axé. Deste convencimento não pode resultar outro tipo de sociedade senão esta onde prevalece a desarmonia entre seus integrantes. As pessoas são inimigas entre si e grupos são inimigos de outros grupos do mesmo modo como era em tempos considerados bárbaros. É o macaco sentado em cima do rabo a falar do rabo dos outros macacos. Havia tanta barbaridade quanto há. Neste exato momento há seres humanos em grande sofrimento nas Filipinas em decorrência de um tufão que arrasou com a paz daquele povo, mas, como se não bastasse, outros seres humanos saqueiam estes pobres infelizes, tomando-lhes o que conseguiram tirar consigo de dentro dos destroços e que lhes poderia servir de algum alento. Pois este resto de esperança é destruído por seus semelhantes.

O estado desconexo da realidade vivido pelas sociedades humanas encontra sua causa na brutalidade exercida pela forma de administração destas sociedades. Prova isso o fato incontestável de serem os grupos com menor discernimento como nós os mais infelicitados pelos administradores. Se a humanidade ainda se encontra na fase anterior à civilização, nem por isso deixa e existir grupos que adquiriram mesmo empiricamente alguma noção de sociabilidade e as autoridades procuram pelo menos disfarçar sua brutalidade na ação predatória. Entretanto, nos grupos mais brutos como nós, o cinismo e a desfaçatez não precisam de máscara e faz crer ser verdade o que é mentira. A política de onde emana a diretriz dos rumos da nossa sociedade é uma farsa tão grande que político ornamentado com as mais altas letras disponíveis nas melhores universidades do mundo exerce uma política tão danosa quanto a exercida por um analfabeto descido da carroceria de caminhão. Mas, tanto um quanto outro garante ter feito uma administração exemplar, quando a realidade é que vivemos em meio a cinquenta mil assassinatos a cada ano e temos uma constituição que não presta para nada. Em tal ambiente, como saber quem será o próximo a ser assassinado?

Ante tal evidência, não é preciso ser sabido para saber haver algo de muito estranho nisso tudo. Inté

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A BRONCA DO PROFESSOR PASQUALE


O professor Pasquale Cipro Neto nos dá um exemplo do ranço xenofóbico resultante da ação da Prostituição da Consciência em sua arte maligna de denegrir a imagem de Cuba. Relata o professor, num excelente artigo publicado no jornal Folha de São Paulo do dia 14/11/013, intitulado A IGNORÂNCIA É ATREVIDA, ARROGANTE etc.

Conta o professor que leitores seus caíram de pau prá cima de uma brasileira chamada Sheila Ramos Vieira que estuda medicina em Cuba, por ter dito a seguinte frase: “No Brasil, com certeza, seria muito difícil para mim fazer um curso de medicina”. Diz o professor que foi dito o diabo sobre o “nível” da moça. O fato de estar a palavra nível entre aspas significa que os detratores da estudante zombavam do seu grau de escolaridade para ter a pretensão de estudar medicina. Tanto assim que teriam afirmado: “como pode uma analfabeta ser médica?”. Acontece que a falta de conhecimento era dos que censuravam a estudante porque o professor, autoridade máxima no assunto, explica estar corretíssima a frase da estudante. O que está por traz disso tudo é o ódio ao regime socialista cubano inoculado nas pessoas pelo veneno destilado nas falsas informações que os ricos senhores capitalistas lançam através dos opinadores que opinam por dinheiro, maldosa e  tendenciosamente distorcendo uma realidade da qual os capitalistas fogem como o diabo da cruz. É que num regime socialista não se permite roubar dinheiro para esconder nos infernos fiscais. Nem é permitido engordar contas bancárias transformando educação e saúde em indústrias produtoras de lucros fabulosos. Recentemente foi publicada na imprensa internacional que o padrão de vida dos cidadãos cubanos é superior ao dos brasileiros. A administração pública no regime socialista é exercida em favor de toda a sociedade e é por isto que é tão combatida pelos ricos acostumados às falcatruas em conluio com as autoridades cuja administração nem de longe visa o bem-estar social.

Do trabalho nefasto da dos formadores de opinião assalariados resulta um povo que rejeita uma administração pública voltada para os interesses da coletividade e apóia a que é exercida para atender a gana insaciável dos ricos viciados em ajuntar dinheiro. São eles, os ricos, que colocam nos postos de administração pública os administradores que, em retribuição, não só lhes facilita os “negócios” como também participam deles. Tanto assim é que ao deixar seus postos estão tão ricos quanto os ricos menos ricos. Nenhum ocupante cargo público com acesso à chave do cofre deixa seu posto sem ter enriquecido. Esta é a razão pela qual os meios de comunicação recebem dinheiro suficiente para pagar salários astronômicos a nulidades com a função de apresentar tantas bobagens que fazem as pessoas se tornarem bobas. Tão bobas que apóiam o que lhes é prejudicial e rejeitam o que lhes é benéfico. A mente das pessoas do povo, em virtude do ataque constante de opiniões compradas já não funciona como mente humana, e, sim, como robô. No caso da estudante, também o computador, máquina manipulada tanto quando a mente das pessoas enganadas pela Prostituição da Consciência, rejeitou o computador, do mesmo modo como rejeitaram os detratores da estudante, a construção “difícil para mim fazer um curso” o computador também mandou escrever “eu” em vez de “mim”. Entretanto, é um verdadeiro mestre do conhecimento de português como o professor Pasquale quem afirma estar corretíssima a frase dita pela futura médica Sheila Ramos Vieira. O que se percebe deste triste episódio é que os detratores, estes, sim, de baixíssimo nível em todos os tipos de conhecimento, aproveitaram equivocadamente o que acreditavam ser um erro na construção da frase da moça e quiseram atacá-la por afirmar ser mais fácil estudar em Cuba do que no Brasil onde a educação é fonte de riqueza para o mundo dos ricos.

Ao contrário de tudo isso, as autoridades do regime socialista cubano não são acusadas da roubalheira escancarada que faz parte da nossa cultura de larápios. Entretanto, o próprio povo roubado é quem defende esta monstruosidade mesmo sabendo que o dinheiro produzido com o seu trabalho está escondido nos infernos fiscais. Desta forma de proceder resultará infelicidade para todos, ricos e pobres. As invasões de condomínios de luxo são sintomas de um futuro sem futuro para a coletividade. No máximo, surgirá do pó uma outra forma de administração da qual resultará novos pobres e novos ricos, repetindo-se a história de uma sociedade humana infeliz resultante da forma deturpada de uma sociedade formada de enganados e enganadores.

Vivemos uma sociedade tão idiota que as pessoas acreditam receber carros como presentes de Deus. Imensas igrejas locupletadas de criaturas humildes que para lá acorrem levando dinheiro para enriquecer espertalhões. As pessoas mais simples são as mais fáceis de serem enganadas. Percebe-se isso nos carros sempre baratos que ostentam os agradecimentos a Deus pelo presente. Não se vê um só carro de alto padrão como presente de Deus, embora os ricos sejam os grandes incentivadores da religiosidade por se beneficiarem com a conformação com a pobreza pregada pela igreja, o que tem mantido os pobres conformados com sua pobreza. Até quando, não se sabe.

O que se tem de concreto até o presente momento são discursos inúteis prometendo reformas e mudanças que nunca acontecem, deputados presidiários ao mesmo tempo em que são legisladores, um povo infeliz que vive a brincar mesmo tendo como única possibilidade de futuro o choro nos corredores dos hospitais, uma educação tão deseducativa que ensina ser o dinheiro mais importante do que vida com saúde. Livros denunciam presidentes da república de terem cometido crime hediondo de roubalheira, e nada acontece nem aos denunciados, se realmente cometeram tais crimes, nem aos denunciantes, se mentiram ao fazer tais denúncias. De quebra, temos um sistema de saúde no qual intermediários entre os usuários e os prestadores dos serviços médicos enriquecem com a intermediação, tudo com a participação das autoridades. Um sistema judiciário voltado para proteger os ricos e massacrar os pobres amontoados em celas com várias vezes sua capacidade de suporte. Uma Constituição Federal mambembe que garante tudo de que se precisa para viver bem, mas que nada dá. Uma política sem futuro de incentivar a produção de automóveis para abarrotar as ruas e ficar tudo parado a soltar veneno no ar. Tudo, absolutamente tudo, completamente errado e as pessoas não se dão conta de estar tudo errado.

 Se já está mais do que evidente que o planeta não suportará dez bilhões de habitantes, não se justifica a alegria das mulheres barrigudas, achando que ser mãe é sofrer no paraíso. Como ser paraíso um lugar sem água, comida, energia e ar respirável? Idéias novas precisam substituir as idéias velhas. É preciso escancarar as tumbas mentais, abrir os sarcófagos e retirar as ataduras que mumificam as idéias velhas para que elas recebam luz solar e respirem ares novos que as façam produzir novos comportamentos.

Não há nem sombra de lógica uma situação em que o ordenamento para orientar o comportamento social seja determinado por desordeiros. Até o presente momento, apenas os Black Bloc se insurgem contra esse erro. Mas, a forma de arrumar por eles apresentada, a violência do quebra-quebra, não logrará êxito porque o poderio bélico dos malfeitores tidos como representantes da lei e da ordem é muito grande. A verdadeira transformação, a que beneficiará toda a sociedade humana não poderá ser alcançada senão pela mudança de comportamento, o que só será possível pelo convencimento só alcançável através da educação. Onde há educação de boa qualidade dispensam-se as igrejas, os ricos, a polícia, e os infernos fiscais. Inté

   

 

  

terça-feira, 12 de novembro de 2013

ESCRITORES ASSALARIADOS I


A história do capitalismo e das religiões, se espremida, sai sangue e lamúrias. DE ONDE VEM O DINHEIRO? É o título do capítulo XIV do livro HISTÓRIA DA RIQUEZA DO HOMEM, onde seu autor, o escritor Leo Huberman dá uma noção da monstruosidade da forma como se estabeleceu a base desse sistema nefasto que orienta a humanidade de forma tão anti-humana que uma parte dos seres humanos está sendo orientada para a idiotia e outra parte para a monstruosidade de desprezar seus semelhantes e amar os bens materiais porquanto a essência deste sistema perverso é a exploração da humanidade por outros seres humanos dotados de tal presunção e equívoco que se julgam tão especiais a ponto de estarem convictos de que apenas eles devem desfrutar dos avanços que a tecnologia cria para melhorar as condições de vida. A religião sempre esteve de mãos dadas com esta monstruosidade, apresentando-se como intermediária entre um Deus que nunca existiu e o sofrimento de uma humanidade que acredita ser feliz por força da tapeação a que a mantém iludida, acreditando, como crianças, em Papai Noel, sujeitando-se a todos os tipos de desmandos, mas muitíssimo satisfeita com a recompensa à sua espera no céu. Neste exato momento, num cantinho do mundo chamado República das Filipinas, a natureza foi levada pela ação desastrosa do sistema capitalista a produzir um desastre climático sobre seu povo, matando tanta gente que ficou impossível o resgate dos cadáveres cujo mau cheiro impede a respiração dos que não morreram, havendo entre estes quem saqueia as infelizes vítimas já sobejamente infelicitadas. Entretanto, nada, absolutamente nada, é capaz de convencer a humanidade de que nós somos os senhores do nosso destino e que, portanto, devemos produzir nossa própria proteção em vez de buscá-la nas igrejas e orações inúteis. Os lugares onde mais se reza são os lugares mais infelizes.

A religião e o capitalismo constituem as duas pragas de onde provém toda a infelicidade humana. O sistema capitalista desumano e a religião se fundamentam na posse de riqueza. Da simplicidade primitiva de ausência de propriedade privada, descobriu-se que ser dono de alguma coisa tinha vantagem, e que ser dono de muita coisa tinha mais vantagem ainda. Assim, quem era proprietário de algo, passou a usar esse algo como meio de estender sua propriedade sobre mais coisas, dando origem à inversão do procedimento antigo quando o homem descobriu que havia mais vantagem em enfrentar na companhia de outros homens as dificuldades que a vida lhes impunha, e essa novidade que viria a se mostrar prejudicial à humanidade grassou de tal forma que tornou os homens inimigos uns dos outros. Aqueles que dispunham de armas, passaram a usá-las não mais para caçar animais, mas para matar outros homens e lhes tomar o que tivessem conseguido ajuntar.

Numa desumanidade tão grande quanto a dos monstros que tomam dos moribundos lá na República das Filipinas o pouco que lhes resta, assim também, monstros vindos do continente europeu, mais velho e, portanto, com armas mais sofisticadas do que os tacapes e as flechas dos nativos do continente americano, massacraram estes povos e se abarrotaram das riquezas existentes em suas terras, devidamente apoiados pela religião. As Cruzadas são um exemplo fantástico desta parceria demoníaca. O autor citado lá em cima registra uma pequena amostra do caráter de vandalismo quando os holandeses subornaram o governador português da cidade de Malaca para não oferecer resistência à sua invasão, mas em vez de pagar o suborno, mataram o governador para se abster do pagamento. Esta atitude dá bem uma amostra de como os brutos ajuntaram o dinheiro com o qual foi estabelecido o sistema capitalista vigente para infelicidade humana. A transformação em mercadoria de seres humanos aprisionados na África e lançados em porões insalubres dos navios negreiros devia ser suficiente para convencer a humanidade da inexistência de um Deus protetor. Mas, qual o quê, nada tira da mente humana esta fantasia perniciosa que convence haver vantagem no sofrimento, farsa montada pela parte também inocente da humanidade que acredita na vantagem de manter a outra parte enganada e convencida de estar bem, quando, na realidade, está tão escravizada quanto estavam os antigos escravos negros cujo comércio era tão desumanamente rendoso que a rainha Elizabete da Inglaterra, entusiasmada com o lucro obtido na primeira viagem do negreiro John Hawkins, tornou-se sua sócia no macabro negócio e o transformou no cavalheiro Sir John Hawkins, fornecendo-lhe para o transporte de seres humanos considerados bichos um navio chamado Jesus.

O velho Marx afirmou que se o dinheiro vem ao mundo manchado de sangue, o capital vem pingando sangue e lama. Razão tem o pensador. Não há comparação em termos de desumanidade um sistema onde, por exemplo, caso se descubra o processo de cura para o câncer, será ele impedido de ser aplicado para salvar vidas a fim de não prejudicar que se locupletem os monstros da indústria da saúde. É a tal monstruosidade que se submete a humanidade indiferente à realidade e ligada em fantasias. Embora o futuro esteja seriamente comprometido com uma população exagerada não só num compra-compra desembestado, mas também em relação aos recursos que o planeta dispõe. Ainda assim, as pessoas continuam reproduzindo insensatamente a ponto de logo se chegar à cifra inimaginável de nove bilhões de seres humanos a demandar comida, água e energia cada vez mais insuficientes. Mesmo assim, ostentam orgulhosamente suas barrigas estufadas as mulheres para quem ser mãe é sofrer num paraíso onde em breve faltará até o ar para respirar.

Depois de dizimar populações inteiras a fim de saquear as riquezas que vieram a formar o Capital, como mostra a História da qual o historiador referido nessa prosa nos conta, a província de Banju Waing, de Java, tinha em 1750 mais de oitenta mil habitantes, mas que em 1811 aquela população estava reduzida apenas a dezoito mil pessoas. A Inglaterra não deixou por menos na mortandade sobre os indianos. Milhares de nativos morreram de fome porque os ingleses compraram todo o estoque de arroz para especular e só vendiam a um preço tão elevado que eles não podiam pagar.

Enriquecidos por estes meios, os ricos precisavam encontrar novas formas de aumentar suas riquezas e inventaram o capitalismo que foi impulsionado quando da invenção das máquinas ocorrida na Inglaterra. Como as máquinas precisassem de pessoas para pô-las em funcionamento, deram um jeito de tomar as terras dos pequenos proprietários ou posseiros, expulsando-os para as cidades onde teriam de se submeter a um regime escravagista de trabalhar nas indústrias para não morrer de fome. Até criancinhas tenras trabalhavam para atender à gana de riqueza dos monstruosos senhores capitalistas.

É a isto que os escritores assalariados se prostituem para garantir às pessoas inocentes ser beleza pura. Inté.       

 

 

 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

INCIVILIZAÇÃO


 

Entre os significados apresentados pelo Aurélio para a palavra “civilizar” estão: “integrar à vida humana em sociedade”, “dar cultura ou refinamento”, “educar”, “tornar mais culto ou instruído”. Sendo assim, não se pode falar em civilização porque nada disto existe em nenhum lugar do mundo. Os seres humanos não estão integrados a uma vida social, muito ao contrário. Nem precisa ser sabido para saber que vivemos num mundo de monstros, e não numa sociedade de pessoas educadas, instruídas, ou preparadas para formar um grupo que respeite a vida humana. Pode-se formar uma sociedade de brutos. Estão aí as quadrilhas de bandidos declaradamente bandidos, as de bandidos enrustidos em politiqueiros, as torcidas organizadas, os clubes de boxeadores, os ajuntamentos de apreciadores do barulho de motos ou carros de corrida, as multidões de requebradores de quadris e apreciadores do saco de Michel Jackson, enfim, sociedades desse tipo abundam mundo afora. Entretanto, não são sociedades de pessoas capazes de formar uma sociedade verdadeiramente civilizada e com objetivo de construir um modo de vida menos atormentado pelas agruras que a natureza impõe aos seres vivos. Seria no sentido de construir benefícios para seus componentes que se formaria uma sociedade de pessoas civilizadas se houvesse esse tipo de pessoas. É por isso que o dicionário coloca o ato de educar, que é a mesma coisa de dar a compreensão necessária para se viver bem em coletividade. Como em nenhum lugar do mundo se vive bem, fica evidente o fato de não haver civilização em nenhuma parte do mundo porque em todo canto há mais destruição do que construção. Tanto quanto nos tempos denominados de bárbaros, quando destruir sociedades fazia parte da cultura de então, quanto nos dias atuais, a destruição nunca deixou de estar presente. A barbárie de matar para se apossar de bens pertencentes a outrem continua a pleno vapor. Assim, não se pode falar em CIVILIZAÇÃO. As feras que depois de se fartarem permitem que outras feras participem dos restos da presa por elas conquistada formam uma sociedade menos bruta do que a sociedade humana onde predomina o individualismo incompatível com vida social.

Não se pode viver em grupo sem noção de sociabilidade, ou conhecimento da necessidade de se observar um condicionamento dos instintos a regras de convivência. Embora haja diversidades, embora haja quem prefira a violência em lugar da paz, tais caracteres devem se constituir em exceções. São comportamentos particulares que não podem impor sua preferência à preferência do coletivo.

A verdade é que todos desejam o bem-estar. Até os violentos acreditam encontrá-lo através da violência, mas, mais cedo ou mais tarde, chegarão à certeza de não ser por aí que o alcançarão. A sabedoria existe. Não é certo que o sábio é quem sabe que nada sabe. O sábio é o que sabe, e não o que não sabe. Errou quem produziu tal sentença, mesmo sendo um sábio porque os sábios também cometem erros. Eles já garantiram que a terra era quadrada e que o sol girava à sua volta.

Como diz meu irmão Leopoldo, a informação é uma coisa bem diferente do conhecimento. Refletindo sobra esta afirmação, conclui-se que o conhecimento se traduz em sabedoria porque é através do conhecimento que se pode separar das coisas boas as coisas ruins, e a sabedoria está exatamente na capacidade de tornar menos sofrível o período da existência, o que não é observado por pessoas equipadas apenas com informações, visto que muitas pessoas deste tipo são produtoras de infelicidade, inclusive para si próprias ao acreditar haver bem-estar na posse de riqueza material. São pessoas muitíssimo bem informadas sobre assuntos técnicos, mas que demonstram completa falta do conhecimento da arte de viver em paz, daí os conflitos, principalmente os internos que levam pessoas a disparar armas sobre outras pessoas. A falta de visão da vida leva, por exemplo, o físico Marcelo Gleiser, homem dotado e inúmeras informações sobre o mundo da física, a afirmar que o homem precisa de Deus, o que está longe da realidade da vida. Sem nenhum Deus por ser ateu, tive enfarto como também tem inúmeras pessoas que pensam precisar de Deus, mas, ao contrário delas, não precisei ser operado. Tive depressão, como um pastor daqui desta cidade que, embora contando com Deus, sofreu durante um ano inteiro e foi objeto de festa religiosa onde inúmeros pastores pronunciaram discursos inúteis em agradecimento a um Deus inexistente por ter tirado o seu colega daquele sofrimento. Pois eu, que só conto comigo mesmo, venci a depressão sozinho em apenas um mês, e também não precisei de Deus para deixar de fumar maconha quando senti que aumentava meu sofrimento dos males de estômago, razão pela qual procuro mostrar aos jovens o perigo das drogas para eles cuja inexperiência da vida não lhes deu ainda conhecimento e força para não se tornar escravo de nada.

Também são portadores apenas de informações em vez de conhecimento ou sabedoria os construtores que falsificam planos de construção por economia e constroem prédios que desabam, nem tem sabedoria um regime que legitima a mentira através da profissão da advocacia e não vê imoralidade no fato tenebroso em que advogados se mancomunam com ladrões do dinheiro de tirar do sofrimento as criancinhas abandonadas para ficar com parte do roubo. Um advogado já me mandou dizer que não fiz uma coisa que fiz, o que recusei. Não tem sabedoria médicos como o falecido (para segurança de muitos) Dr. Valter Pinotti, que quase exauriu nossos recursos ao mentir que tinha cura a doença de nossa mãe e nos fez interná-la no Hospital Nove de Julho em São Paulo, ou o Dr. Nilzon não sei de quê, do Hospital Santa Izabel, de Salvador, ao afirmar mentirosamente ser necessária implantação de ponte de safena em meu coração, apenas para ganhar mais dinheiro, nem tem sabedoria o Dr. Rui Cunha, um médico e pastor ao mesmo tempo, que diagnosticou necessidade de cirurgia de catarata em meus olhos, o que faria por treze mil e quatrocentos reais. A Sabedoria está em saber viver. Quem aumenta o sofrimento de quem já sofre em troca de dinheiro é por não ter sabedoria alguma e é exatamente por isso que não há nem vislumbre de sabedoria na forma como vive a humanidade. O que há são informações sobre a arte de produzir dinheiro e infelicidade.

Embora haja portadores de sabedoria no mundo, sua influência é nenhuma porque o caminho a ser seguido por todos é determinado pela sociedade formada de brutos cujo peso faz a concha da balança da vida pender para o lado da brutalidade vigente em que os homens modernos qualificam de bárbaros os tempos em que os homens se atacavam com machados, lanças, flechas, instrumentos rudimentares diversos, mas sua cegueira mental não lhes permite ver que a diferença daqueles tempos para os tempos atuais só existe quanto à sofisticação dos instrumentos usados modernamente para matar. Como no conceito de CIVILIZAR, no Aurélio, não há espaço para barbaridades, não podemos falar em homem civilizado em qualquer lugar onde ainda se mata, principalmente por riqueza para ser transformada em poder de matar ainda mais. Na China milenar, por exemplo, se hoje trabalhadores são soterrados aos montes nas minas num trabalho de escravo para fazer a riqueza dos ricos, não era diferente em outros tempos como mostra o historiador Geoffrey Blainey no livro Uma Breve História do Mundo, pag. 76, onde se lê: “Os governantes dentro dos maiores Estados da China viviam no luxo e serviam-se da riqueza produzida pelos camponeses e artesãos que trabalhavam duro. Quando morria um rei, até quarenta pessoas podiam ser enterradas com ele. Nos séculos anteriores, estas pessoas eram enterradas com a crença de que poderiam servi-lo na vida depois da morte. Para isso, também enterravam instrumentos de trabalho. Além disso, para também evitar o conhecimento das intricadas câmaras e roubassem os tesouros”.

Se qualquer criança normal pode perceber a inutilidade deste proceder, não se admite que adultos não percebam a semelhança entre aquele desperdício, apreço exagerado a autoridades, crendice e desprezo à vida humana ainda, costumes vigentes ainda hoje nas construções de templos de vários tipos para nada, consumindo-se fabulosos recursos para homenagear vários tipos de parasitas do povo, entre elas as divindades. Até continuam sendo enterrados nas minas de carvão os trabalhadores chineses para produzir a energia usada na produção da riqueza de seus patrões.  

Se o caráter se forma no berço, o berço em que foi formado o caráter da sociedade humana e do modo desorganizacional de administração pública que desorganiza a possibilidade de paz no mundo, chamado de capitalismo, foi formado num berço forjado na oficina do satanás. Sob base de sangue, lágrimas e muito sofrimento fundou-se o sistema capitalista monstruoso que levará os seres humanos à ruína.

Como esta prosa está também uma prosa, Inté.

 

 

 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ESCRITORES ASSALARIADOS


Ao se perguntar se é justo uma pessoa passar a vida inteira trabalhando e acabar abandonada e chorando numa fila de hospital, certamente haverá unanimidade na resposta negativa. Ao se perguntar se é justo uma forma de administração formada por conluio entre as autoridades e os ricos, de modo que só eles tenham direitos e o resto da população tenha apenas obrigações, certamente a resposta será negativa. Ao se perguntar a uma família em qualquer parte do mundo se está certo convencer seus filhos de que outros filhos de outras pessoas a quem eles nunca viram são seus inimigos e que por isso devem ser mortos, ainda que tenham de morrer eles próprios na tentativa de matar os supostos inimigos que nunca lhes fizeram mal algum, certamente a resposta será negativa. Se for indagado a qualquer pessoa que não faça parte do mundo dos ricos ou das autoridades, porque estas são obedientes àqueles, se está certo um sistema de organização no qual as pessoas comem, bebem e respiram veneno, certamente a resposta será negativa. Se for perguntado ao povo se está certo um sistema onde cachorros e gatos são tratados como crianças mimadas e as crianças sejam tratadas como bichos peçonhentos, a resposta também será negativa. Pergunte-se a qualquer pessoa se está certo entupir as cidades de automóveis para ficarem parados e vomitando veneno pelos canos de descarga que a resposta será negativa. Entretanto, apesar de insanidades, é o que temos.

Por que, então, pessoas inteligentes escrevem livros combatendo homens que tentam implantar um sistema de governo mais racional e menos estúpido e desumano? Um governo que acredita ser melhor para todos, ricos e pobres, uma distribuição mais igualitária do produto do trabalho dos trabalhadores? Um sistema de governo que ponha o bem-estar do seu povo acima da insanidade dos ricos? A ninguém é dado o direito de não saber que toda a riqueza do mundo é produzida pelo povo. O rico não produz nem suor porque o clima em que vive é controlado por aparelhos cujo funcionamento prejudica o ambiente para o resto da população que realmente sua. Então, voltando à pergunta, porque escritores escrevem livros e mais livros afirmando as excelências de tal modo de vida? É porque são pagos para isso. É a Prostituição da Consciência que põe as idéias à venda. Como os usuários de drogas como já fui e cheguei a pagar setecentos e cinquenta reais por cinquenta gramas de maconha, os ricos também estão certos da necessidade de acumular riqueza e esta insanidade os leva a gastar fortunas para manter a população do mundo pensando os pensamentos que eles querem. É por isso que apesar de estar tudo errado e de saberem todos estar tudo errado, o erro permanece inabalável.

A juventude que realmente representa a força viva da humanidade, é transformada em débeis mentais pelo poder da propaganda da mídia dos donos dos meios de comunicação, que inculca desumanamente em suas mentes hipnotizadas pela arte de explorar a estupidez humana, como muito acertadamente se definiu a propaganda, o que se percebe na seguinte notícia: Na busca da reeleição, o governo do PT entrega cada vez mais emissoras de TV aos pastores evangélicos. É a troca de canalhices. O governo dá aos supostos representantes de Deus os meios de comunicação para serem usado na formação de eleitores. Alguém se lembra da brincadeira de unir pontinhos para formar uma figura?  Pois no jornal Tribuna da Imprensa de 26/1013 tem uma charge do Sponholz para ligar os pontos e descobrir o perfil do eleitor brasileiro. O desenho formado é a cara de um jumento. A realidade pode doer às vezes, mas nem por isso deixa de ser a realidade como prova o fato de ser preferido pelo eleitorado um iletrado ex pau-de-arara cujo único mérito foi transladar com a família para o mundo dos milionários através da roubalheira mostrada no livro O Chefe e se ufanar de ser amigo pessoal de Bush.

As pessoas estão embrutecidas a ponto de se tornarem incapazes de um despertar para o hábito perigosíssimo de viver em uma sociedade onde o número de crianças criadas como bichos e transformadas em inimigos perigosos da sociedade pela miséria e a ignorância seja infinitamente maior do que o número dos filhos a quem os pais almejam um futuro brilhante. Aqui está uma pequena amostra das notícias que os meios de comunicação implantam na cabeça dos jovens fazendo-os crer serem importantes, conseguindo com isso desviar sua atenção das coisas realmente importantes:

Neymar e Bruna Marquezine vão juntos a churrascaria no Rio. Casal esteve no Porcão da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, no fim da tarde deste domingo, 10. Marquezine chegou ao local de mãos dadas com o namorado e deixou à mostra um anel no dedo anelar da mão direita. Será que foi presente de Neymar? Durante o programa, o casal foi recebido por David Brazil, promoter da churrascaria, e parou para tirar fotos com fãs

Conquistador nato, Romário colecionou affairs durante a vida.


Qual o significado de se dar tanta importância a pessoas sem importância alguma para o bem-estar social? É exatamente para manter a mentalidade das pessoas desligadas da realidade. É para isso que a imprensa dos ricos enche de dinheiro e transforma em “celebridades” e “famosos”, pessoas completamente inúteis e totalmente desprovidas de sociabilidade, fazendo crer à juventude haver real importância nesses ricos de dinheiro e pobres de espírito. A humanidade vive uma fantasia. O filme americano “The Mentalist” insinua que o espírito de uma mulher assassinada foi a uma recebedora de espíritos e denunciou à polícia sua assassina. É por meio destas artimanhas que a Prostituição da Consciência não permite o raciocínio lógico. Até pessoas inteligentes e portadoras de conhecimentos científicos se deixam levar pelo engodo das divindades, equiparando-se aos analfabetos que sabem explicar a origem do universo, fato explicável apenas pela falta de contato com a anti-religiosidade, deixando-se levar pelo conhecimento empírico que orienta os iletrados.

O país mais rico do mundo, os Estados Unidos, gasta fortunas através da Fundação Templeton para prostituir a consciência de cientistas a fim de se declararem crentes em divindades. Enquanto isto acontece de um lado, do outro lado acontecem coisas como o que diz esta matéria escrita pelo Frei Beto no Boletim Sindical: Segundo o FED (Banco Central estadunidense), o governo de Tio Sam repassou aos bancos privados, como bóia de salvação, US$ 16 trilhões.

Caso o povo americano vivesse a realidade em lugar da fantasia, certamente tal absurdo não aconteceria. Mas o mundo fantasioso da religião e das brincadeiras faz crer serem normais os absurdos vividos com tranquilidade. É tão poderoso o poder de convicção da religiosidade que até pessoas conhecedoras da realidade como frei Beto pregam a utilidade das divindades, mesmo sabendo que a finalidade da crença é convencer as pessoas de haver mais importância em se omitir do que participar. Funciona tão bem que as pessoas não percebem haver mais bem-estar e tranquilidade nos lugares onde há menos religiosidade e mais desenvolvimento espiritual no sentido de convivência social. Mostrar a alguém que se encontra sentado na sarjeta que ali é lugar para cuspe, e que o ser humano tem dignidade, é infinitamente superior do ponto de vista da sociabilidade e da razão do que dar esmola.

Certa vez, por ocasião de eleição para governador da Bahia, a Rede Globo perdeu a compostura que nunca teve e mandou que uma apresentadora de programa infantil pedisse às crianças que não deixassem seus pais votar num candidato considerado comunista porque os comunistas matam crianças e fuzilam padres. O perfil da Rede Globo pode ser conhecido consultando o arquivo contido na memória do Mestre do Saber Hélio Fernandes, do jornal Tribuna da Imprensa. Se o mundo está bambeando é por se basear nas hipocrisias e falsidades ensinadas às crianças. Para manter a humanidade com a brutalidade dos bichos, sempre em disputa, foi montada a falsidade da vantagem em se acumular riqueza e da religião. A bíblia, respeitada como coisa divina, é uma grande história de brutalidade e muito sangue. Foi o que disse Hugo Grotius em 1625 em O Direito da Guerra e da Paz nas seguintes palavras: “Eu via no universo cristão uma leviandade com relação à guerra
que teria deixado envergonhadas as próprias nações bárbaras.”

Tanto sangue há na bíblia que até a água do Rio Nilo foi transformada em sangue. Entretanto, para a humanidade, toda aquela baboseira é pregação de amor e fraternidade tal um estado de torpor humano tão desumano que os pais nem ligam para o aviso de centenas de cientistas reunidos em Estocolmo para avaliar o nível de aquecimento global do planeta, o conhecido Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), e nos transmitiram dados preocupantes: A percepção básica que se tem ao ler o resumo de 31 páginas é que vivemos num tipo de mundo que sistematicamente destrói a capacidade de nosso planeta de sustentar a vida. Foi o relatório apresentado pela ONU.

Todo o mal que assola sobre os seres humanos decorre da incapacidade de abandonar hábitos arcaicos e enferrujados e assumir nova postura capaz de criar um mundo novo e sem ranço. Aqui, com muito orgulho, passo a palavra ao Mestre do Saber Machado de Assim, agradecendo-lhe por concordar comigo quanto à resistência às novas idéias. Disse o mestre na crônica de primeiro de agosto de 1876: “Mas qual foi a verdade nova que ainda não encontrou resistências formais? Colombo andou mendigando uma caravela para descobrir este continente; Galileu teve de confessar que a única bola que girava era a sua.” Falou e disse, mestre. Brigadão pela concordância de um sábio. Inté.

 

 

 

 

domingo, 3 de novembro de 2013

HALLOWEEN


 

A humanidade não é composta apenas de seres brutos. Também há entre os humanos pessoas de fineza espiritual. Mas, para desgraça humana, são os brutamontes que abrem o caminho por onde todos devem caminhar.

Ontem, num dos raríssimos momentos em que a televisão não está transmitindo putaria, futebola, apologia à riqueza, educação financeira para crianças, ou incentivando a lamentável transformação dos jovens em rebotalhos mentais acampados à espera do momento de requebrar os quadris no espetáculo musical que só ocorrerá em trinta dias, o canal 115 da TV Claro mostrava um documentário sobre as pobres e atrasadas regiões banhadas pelo rio Nilo, onde se podia ver um triste quadro de total alheamento mental quando pessoas cortavam o pescoço de aves e as atiravam dentro do rio, convictas de que daquele comportamento brutal resultaria benefícios para as dificuldades que aquela região inóspita lhes acarretava.

Enquanto isso, uma bela jovenzinha de doze anos recusou participar da festa do Halloween promovida pelos pais das crianças do prédio onde moro, alegando tratar-se de alienação. Nenhuma criança desse tipo permitiria aquele espetáculo grotesco de adultos sangrando aves e as atiradas ao rio por saber tratar-se de pura ignorância, maldade e inocência, sem qualquer resultado prático, o que confirma a afirmação de ser nosso caminho traçado pelos ignorantes. A lição da jovenzinha não foi aprendida pelos babaquaras que realizaram a macaquice da imitação do Hallloween do povo americano.

Um excelente profissional na arte de cortar cabelo, cortava meu cabelo e eu lhe contei sobre um artigo do frei Leonardo Boff afirmando que a agressão à natureza tornaria inviável a vida no planeta. Religioso, como a maioria absoluta dos que nada sabem sobre a vida, e certo da proteção divina que os protegerá da calamidade prevista pela ciência, afirmou categoricamente o competente profissional na arte de cortar cabelo que o frei Leonardo Boff não entende nada de Jesus Cristo. No campo da religiosidade, como pode um perito em cortar cabelos entender mais de Jesus Cristo do que um perito em religião? A verdade, entretanto, é que nenhum dos dois entende porque Jesus Cristo nunca existiu, não passando de uma armação do poder político de Roma. É o que afirma o Professor Joseph Atwill. Como na religião quem sabe menos sabe mais, Cristo continuará existindo porque o caminho por onde caminhamos é indicado pelos que sabem menos como os que não sabem distinguir coco de cocô na grafia. No lugarejo denominado Quilômetro Cem, na Rio Bahia, havia um anúncio de que ali se vendia cocô verde. Este é o perfil das pessoas que determinam nosso destino. Pessoas que se chicoteiam, batem a cabeça em parede de pedra, posicionam-se com a bunda voltada para o céu, conversam com estátuas, em busca de proteção divina. Lotam caríssimos templos dirigidos por estupradores, assassinos, hipnotizadores, malandros de todos os tipos. O número de pessoas mortas e famílias infelicitadas equivale à infelicidade proveniente das guerras. Porém, nada, absolutamente nada, pode remover do lugar onde as pessoas deveriam ter cabeça a certeza de ser a religiosidade a única maneira de se obter a tão procurada felicidade que, segundo eles, só pode ser encontrada no céu e depois da morte.  Ao mesmo tempo, estão certos estes pobres de mente vazia que a morte é um horror e que deve ser evitada a qualquer custo. O sábio Confúcio, porém, há cerca de quinhentos anos afirmava que só quem desconhece a vida teme a morte.

Desconhecem a vida tanto quem se apega à religiosidade quanto seus pregadores. Aqueles por falta de discernimento. Estes, pela ilusão de servir a religião como obstáculo ao avanço da bestialidade humana. Até dizem que a religiosidade serve de “freio”, quando, o que vemos é o avanço sempre progressivo desta bestialidade sem que frenagem alguma a detenha. Ao contrário, os próprios agentes da religiosidade também o são de estupros, assassinatos, ludíbrios. O único freio capaz de arrefecer a marcha da brutalidade é a educação. Onde há educação não se carece de igrejas nem orações, enquanto que os lugares onde grassa a ignorância são os mesmos lugares onde a religiosidade alcança maior ímpeto, evidência esta que está levando os estudiosos à conclusão de que na segunda metade deste século os diversos tipos de crenças ou crendices serão superados pela descrença. Para se chegar a esta conclusão nem carece de levantamentos e pesquisas científicas. Basta tirar o tapa-olho da ignorância para se perceber que onde há maior religiosidade é onde também há os mais elevados índices de violência, mortalidade infantil e sofrimento. É nestes lugares onde as pessoas acreditam ter recebido carros como presentes de Deus, embora tenham pago por eles.

Os festejadores de Halloween, os que enchem os cemitérios de flores para virarem lixo em vinte e quatro horas, os que arrancam montanhas de dinheiro do suor daqueles cuja única recompensa é chorar no corredor do hospital, os que gastam a saúde em busca de dinheiro para gastar na recuperação da saúde, os que se deslumbram com as maravilhas dos países enriquecidos com a pobreza dos países pobres, os que fazem pose na Revista Forbes ao lado de montanhas de riqueza, os que abarrotam os templos com sua presença e com dinheiro o bolso dos vigaristas gigolôs da fé, os que escrevem nos carros “presente de Deus”, os que aguardam meses à espera do requebramento de quadris, os adoradores de falsos líderes, os que apregoam educação financeira para crianças, os que ensinam aos filhos a violência dos terreiros de futebola, axé e corrida de carros, estes permanecem espiritualmente nos galhos das árvores sem saber o que afirma o Mestre do Saber doutor Ubirajara Brito de que há mais de quatro milhões de anos seus companheiros abandonaram as árvores, ficaram bípedes, aprenderam a consumir proteína animal e desenvolveram a capacidade intelectiva.

Será assim enquanto houver na imprensa notícias do tipo da que foi publicada na Tribuna da Imprensa de 4/10/13, em matéria do jornalista Pedro do Couto: Brasil desembolsa com juros quase o que gasta com Educação e Saúde. Inté.  

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

NO MATO SEM CACHORRO


Há dois mil anos o rei Salomão usou o trabalho de cerca de duzentos mil homens escravizados para construir um templo onde as pessoas deveriam encontrar uma proteção divina tão inexistente que o tal templo teve como única finalidade servir para ser destruído e reconstruído por três vezes sem que nenhuma divindade evitasse esse monumental desperdício de recursos. Passados dois mil anos, bilhões de escravos continuam construindo templos para adoração de divindades do céu às quais foram acrescentadas outras divindades da terra que comem feijão e enchem latrinas. Mas, como se não bastasse tal desatino, elevaram politiqueiros à categoria de divindades também merecedoras de templos onde suas figuras desprezíveis são cultuadas em homenagem à esperteza, na realidade uma falsa esperteza, visto que o procedimento destes falsos líderes terá como consequência a repetição ampliada da Revolução Francesa que já começa a pipocar por todo canto.

O mundo carece de um rumo. Só os deformados por todos os tipos de deformação não percebem estar a humanidade vivendo uma loucura total. Os valores morais foram substituídos por uma degradação de caráter sem limites, na qual chafurdam os seres humanos ao conviver tranquilamente com cenas de putaria e banditismo em suas moradias que já foram chamadas de lar, e até mesmo de doce lar. Em consequência, a juventude que deveria ser o futuro da humanidade está sendo orientada para ser seu algoz. A que porto conduzirá a humanidade a sua força viva reduzida a uma juventude composta de desajustados mentais? A juventude está desamparada e carece de amparo. Ela está sendo orientada para a perdição pelo canto que não é de sereia, mas de um monstro chamado Mercado que vicia os jovens em futucar aparelhos eletrônicos que se superam a toda semana por outros mais modernos, e mais outros ainda mais modernos, numa corrida infernal para as doenças mentais e uma produção monstruosa de lixo perigoso. Como se fosse pouco, vicia também os jovens em beber garapa colorida com açúcar, comer sem saber o que está comendo, ainda por cima às pressas, levando-os à indiferença quanto aos cuidados sem os quais o corpo chegará a uma velhice sofrida e escangalhada.  O organismo não é diferente do motor dos carros que precisam de manutenção. Assim como os líquidos precisam ser limpos através de filtragem para manter um motor saudável, assim também precisa ser livre das impurezas os líquidos necessários ao funcionamento do corpo humano, sendo os rins filtros maravilhosos que nos livram dos venenos ingeridos a todo instante. Entretanto, só se lembra de sua existência quando eles não suportam mais os maus tratos e descambam para a produção de cálculos, o que se deve na mais das vezes por pura falta de ingestão de água de boa qualidade. Pode-se tomar conhecimento do desprezo à saúde nesse sentido pedindo ao amigão Google para mostrar o que diz quem entende do assunto digitando “Médico fala sobre água”

 Uma parte da juventude é constituída de inocentes para quem a vida se resume em requebrar os quadris nos espetáculos de barulho, outro elemento danoso à saúde, como se pode ver também no amigão Google digitando “consequência do barulho”. Não passa pelo lugar onde os jovens deveriam ter cabeça a imensa vantagem de se reservar para a velhice um pouco da vitalidade desperdiçada ao entregar o corpo aos bruxos do bisturi em troca de uma falsa aparência menos desgastada pelo tempo. Quando os trabalhos nefastos dos bruxos do bisturi e das academias não fizerem mais o efeito enganador e a ilusão for substituída pela realidade de que a velhice não pode ser burlada, aí é que se vai perceber o quanto vale ouvir quem já passou pela fase das fantasias e hoje vive a realidade da vida aonde todos chegarão. É nessa hora que os requebros de quadris se transformam em ais, uis, muleta, andador, operação de catarata, implante dentário e UTI. É esta a juventude de quem dependerá as pobres e inocentes criancinhas levadas pelo mesmo caminho desastroso. Lacaios do maldito Mercado alardeiam na Rádio CBN do Rio de Janeiro uma Educação Financeira Para Crianças enquanto outros monstros mentem sobre as vicissitudes de uma Economia Política que, na realidade, não passa de um malogro através do qual a humanidade exerce trabalho servil do mesmo modo que aqueles que construíram o templo para glória de Salomão. Dia chegará em que as pessoas perceberão que foram induzidas a um erro monumental pelos lacaios do maldito Mercado que as faz crer ser normal este sistema absurdo que torna propriedade privada de poucos os meios de produção dos bens de que necessitamos, principalmente a terra, e condena o resto da humanidade a trabalhar em troca de uma sobrevivência medíocre com direito apenas às promessas contidas nos discursos da Constituição Federal elaborada sob o seguinte estardalhaço:

 “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.”

É a prova mais eloquente de engodo, de faz-de-conta, de tapeação e deslavada mediocridade das autoridades. Qual a serventia desse documento se em lugar de igualdade temos desigualdade, insegurança em lugar de segurança, brutalidade em lugar de fraternidade, atraso em lugar de desenvolvimento, desordem em lugar da ordem, desigualdade em vez de igualdade, escravidão em vez de liberdade e uma democracia apenas para ricos enquanto a solução pacífica das controvérsias são cacetadas, bombas que danificam os olhos, balas de borracha e de verdade nos professores? Tá ou não tá faltando rumo? Inté.