sábado, 3 de maio de 2014

ORIGEM DA CORRUPÇÃO


 

Esse negócio de corrupção ser culpa da ignorância que impede o povo de saber votar é só meia verdade. A verdade inteira demanda alguns devorteios arengatórios para se chegar até onde ela está. É verdade que a corrupção surgiu por culpa exclusiva da ignorância do povo, mas não por não saber votar porque na época em que surgiu a corrupção ainda não existia esse misto de “sabedoria” e burrice ao mesmo tempo, que é o ato de votar. A história da corrupção começou algum tempo depois da formação de agrupamentos humanos. Todo mundo sabe que os seres humanos viviam separados uns dos outros, salvo quanto à exigência da sexualidade que obriga o macho e a fêmea a se procurarem a fim de aumentar sua espécie fazendo filhos que sobreviviam unicamente graças ao instinto materno de defender sua cria, exigência que a natureza fez a todas as fêmeas de todas as espécies de bichos. Quando se ajuntou a esta proteção instintiva, outras proteções oriundas da atividade cerebral e das vantagens do agrupamento, passou a sobreviver maior número da filharada dos bichos humanos, ao contrário do tempo em que viviam isolados, tempo em que sobreviver era exceção. Resultou um aumento de bichos humanos tão grande que tornou a vida grupal numa confusão dos diabos graças ao instinto individual do tempo do isolamento que continuou atuando. Embora os bichos humanos não mais se encontrassem isolados, o antigo costume de estar se prevenindo contra a falta de comida permaneceu fazendo parte do comportamento, o que dava origem a um total desrespeito aos outros bichos humanos do grupo.

 Como viver em grupo agindo como se não existissem as outras pessoas não pode dar certo nunca, a convivência se tornava inviável graças aos atropelamentos, as brigas, a desunião e a ignorância que levava e ainda leva até hoje o mais forte fisicamente a empregar a força bruta como vantagem sobre o mais fraco, coisa comum num ambiente de feras. Daí que foi necessário inventar um meio de aparar as asas da conturbação. Que fazer? Matutaram até descobriram um meio: Separaram alguns dos bichos humanos que passaram a exercer uma atividade nova e especial que era impor ordem e evitar as confusões. Uma espécie embrionária de fiscalização quanto à observação das normas estabelecidas pelo grupo.

Entretanto, como impor ordem a um grupo não é tarefa fácil, como sabem os professores e as professoras de crianças, porquanto o comportamento das crianças difere muito pouco do comportamento dos adultos, vez que ambos promovem ações desastrosas. Aqueles bichos humanos selecionados para exercer autoridade, entretanto, fracassaram em sua missão. Nem podia ser de outra forma. Se a maioria absoluta dos bichos humanos até hoje ainda tem um pé lá no tempo da individualidade primitiva, e sua índole de bicho ainda produz comportamentos estúpidos de todos os tipos contra tudo e contra todos, inclusive contra si mesmo, se até o presente continua sendo impossível haver ordem, fica mais fácil entender a impossibilidade que impediu o trabalho das primeiras autoridades. Elas começaram a executar o trabalho de proteger a sociedade com a maior boa intenção do mundo, mas logo chegaram à conclusão de ser impossível ter um grupo organizado formado por bichos humanos. Constataram serem estes ainda mais brutos que as outras espécies de bichos na natureza e concluíram ser impossível amestrar bichos humanos uma vez que eles são como as hienas. Também o riso dos bichos humanos, em virtude de haver tanto sofrimento no mundo, não tem ainda razão de ser.

A fim de que pudessem dedicar seu tempo trabalhando em benefício do grupo, nada mais justo que recompensar as pessoas escolhidas para cuidar do grupo. Ao lado disso, também se veio a constatar a realidade de haver outras despesas a fazer para a manutenção da ordem. Os reparos dos estragos provenientes de uma desavença que resultasse em feridos ou mortos exigiam gastos não só para reparar feridas e fraturas, mas também para reparar prejuízos patrimoniais e sustentar presidiários e familiares. As autoridades foram aos poucos se convencendo ser um grande desperdício gastar tanto dinheiro para concertar coisas que os bichos humanos voltavam a quebrar. Isto foi lhes enchendo tanto o saco que resolveram ficar com aquela grana em vez de desperdiçá-la. Daí é que começou a corrupção. Unicamente por uma causa: Falta de espiritualidade suficiente para cultivar um sentimento de sociabilidade que amainasse a animalidade que integra a personalidade humana uma vez que ele já foi bicho também, situação que parece querer perpetuar. Absolutamente corretos os que afirmaram ser a ignorância a causa dos males do mundo. Que tal sair dessa? Inté. 

 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

ARENGA VINTE E SEIS


Embora as pessoas que ainda não aprenderam a pensar não percebam, está sobre nós uma incógnita muito maior do que aquela interrogação preta que as histórias em quadrinhos costumam colocar na cabeça de seus personagens quando se encontram diante de um grande embaraço ou perplexidade. Insistentes dores de cabeça tem atormentado a humanidade como sintomas de algo errado no seu organismo. As levas de escorraçados pela fome e violência é uma destas dores de cabeça. Este sintoma avisa que este é apenas o início de um movimento nascido da carência e que terá o efeito de deslocar multidões mundo afora em busca de melhores condições de vida. Isto, a princípio. Mais tarde estarão lutando apenas pela vida. Não fosse a idiotia que leva uns a só enxergar dinheiro e outros a só enxergar festas, corrida de carros, brincadeiras de mil e uma formas, as secas e as enchentes já teriam sido tomadas como sinais de advertência para alguma coisa estranha. 

Encheram tanto o saco da natureza que seus presentes de grego com os quais devolve as agressões haverão de fazer com que as coisas encrespem também para o lado dos posudos da Revista Forbes que acreditam estar a salvo de tudo pela proteção do dinheiro, mas descobrirão muito tarde terem seguido na contramão da vida. A euforia da ganância pelos montes de milhões, cada vez mais milhões, sem que haja limite para a fome de dinheiro está conduzindo a humanidade para uma situação em que débeis mentais com cifrões em lugar de pupilas, como ratos, amealham todo o dinheiro que deveria ser usado para contornar os sofrimentos existentes nos bolsões de miséria provenientes exatamente da falta desse dinheiro. A obesidade da ganância precisa ser contida por cirurgia de redução do lugar gerador da ganância por dinheiro porque o futuro também será negro para os Midas culpados da miséria do mundo. Está carecendo de uma aragem fresca que refresque nos Midas o lugar onde as pessoas que pensam tem a cabeça. Como vampiros sedentos, os usurários sugam da população a energia necessária à produção de suas riquezas sem acreditar que os mantenedores de sua opulência venham a reagir antes de ficarem completamente exauridos. Pelo que se percebe, os fornecedores da própria vida já estão manifestando alguma insatisfação através dos protestos ainda desordenados, mas ocorrentes mundo afora. É a natureza que os conduzirá a este procedimento de autodefesa.

A atividade intensa exigida pela ganância de correr tresloucadamente atrás de dinheiro não permite aos iludidos donos do mundo pensar em outra coisa que não dinheiro. Até o tempo que vosmecês, donos do mundo, dizem que é dinheiro, deveria servir para contemplar a História e perceber os exemplos de outros pedestais tão opulentos quanto o de vosmecês, mas que vieram abaixo pela insustentabilidade de um ambiente formado por um mundinho de nada de riqueza dentro de um mundão de todo tamanho de miséria. Toda vez que o mundo da miséria exorbita de miserabilidade ele vira a mesa. A ostentação exibida no pedestal da fantasia onde se encontram os coletores de bilhões não escapa à percepção de uma multidão a perder de vista de necessitados que se encontra embaixo com olhos ávidos nas algibeiras dos de lá de cima no pedestal, indiferentes aos sinais de advertência social e natural. Toda enganação acaba por mostrar sua falsidade. O problema maior deste fim da enganação social é que isso tornará extremamente agressivos os bichos em forma de gente que vosmecês, senhores donos do mundo, sevaram através de uma educação adredemente preparada pelos Estados Unidos, num conluio chamado Programa MEC/USAID, especialmente arquitetado para manter os brasileiros do jeitinho que eles sempre foram: especialistas em bobagens e canalhices, além de eternos abastecedores dos gringos das bundas brancas e de um almoxarifado chamado Erário transformado em propriedade privada do grupo que estiver no momento gozando do bem bom dos tapetes dos palácios sobre os quais os pés afundam. É um círculo vicioso enrolado pelo satanás a situação em que se encontra a humanidade. Com o poder dos montes de bilhões os ricos donos do mundo estabelecem um nível tão baixo de desenvolvimento intelectual além do qual a juventude não deve passar a fim de ser incapaz de raciocinar acima do medíocre. Isto funciona favoravelmente aos ricos porque sem raciocinar não pode a juventude perceber estar sendo ludibriada e dirigida para idiotices como criar músculos, injetar tinta e espetos no corpo, procurar o prazer das drogas já que não podem encontrá-lo num tipo de vida da qual participam corpos esquartejados nas ruas e choro sem fim no corredor dos hospitais.

E assim o capeta solda as duas pontas do círculo vicioso mefistofélico no qual segue a humanidade inteira a doar até exaurir a própria energia para produzir o brilho do luxo do pedestal sobre o qual repousa a nata da fina flor da riqueza e da burrice de usar essa riqueza para montar um gigantesco e caríssimo aparelho hipnotizador destinado a sustentar uma grande farsa que não pode, contudo, se eternizar.  Com sua maldade, a troco de riqueza, os ricos donos do mundo envenenam desde o sagrado leite materno até a espiritualidade dos seres humanos ao obrigá-los a fazer papel de bobos. Por falta de outro tipo de liderança os jovens se ligam a uns tais de “famosos” cuja capacidade de contribuição para o desenvolvimento social de sua comunidade é sugar-lhe dinheiro em troca de brincadeiras, com total reconhecimento de quem teve convenientemente afetada sua capacidade cerebral a ponto de exacerbar a índole de macaco e extrapolar ao imitar estes tais de “famosos” no corte de cabelo, de se vestir, e até no modo de andar. Tudo por falta de quem realmente mereça admiração. A cegueira mental imposta aos jovens pelos organizadores do sistema que orienta o mundo é equivalente à cegueira física que os guerreiros fenícios impunham aos vencidos na guerra, vazando-lhes os olhos. Né, não? Inté.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

ARENGA VINTE E CINCO


 

Militar não foi feito para governar. Militar foi feito para brigar. Por isso que um fuzil fica melhor em suas mãos do que a caneta. O militarismo é resquício dos tempos bárbaros em que atacar alguém ou um povo inteiro para lhes tomar os pertences era a coisa mais natural do mundo. Como fica muito feio demonstrar incapacidade para evoluir, embora os costumes continuem bárbaros, inventam-se pretextos para os saques que lhes dão um verniz de qualquer outra cor diferente das que realmente tem os brutos saqueadores. Está a anos luz na evolução um esclarecimento espiritual que permita aos ainda bichos humanos uma percepção de outra realidade que não o acúmulo de riqueza e isto torna impossível a seres extremamente individualistas e ávidos por dinheiro, ter em suas mãos fortunas imensas sem lançar mão delas para atender a falsa necessidade de garantir a segurança do seu grupo familiar, crasso erro de quem acredita poder adquirir paz através de violência.

Em 1964, nesse Brasil de quem só não desfruta quem não quer, os militares tomaram o poder e governaram do jeito que lhes foi ensinado a fazer as coisas: com violência, e não podia ser de outro jeito porque só se pode fazer algo da maneira como se aprendeu a fazer. Como precisavam esconder a realidade, e diante do fato claro de que o povo existe para ser feito de bobo, lançaram mão do verniz dissimulador e alegaram estar agindo em defesa do patriotismo, Deus e as famílias, todos ameaçados que se encontravam pelo perigo do comunismo. Nunca é demais frisar a facilidade com que se engana o povo requebrador e freqüentador de igrejas. O motivo que leva os Grandes Mestres do Saber a espinafrar o povo/manada é sua infantilidade, e quem procura conhecer algo do que eles nos ensinam percebe que o povo se comporta como cãezinhos e gatinhos para os quais merece consideração quem lhes dá comida. Taí a esmola do programa Bolsa Família angariando para o PT a consideração popular. A única diferença entre cães e gatos e o povo é que os dois primeiros detestam estampidos, enquanto o povo gosta tanto deles que os provocam de vários tipos e a todo instante e tem até fábricas para produzir elementos que explodem e provocam surdez, acidentes e mortes.

Não é possível harmonizar quem pensa com quem não pensa. É por não pensar que o povo não vê a necessidade de desacreditar nesse seu Deus tão impotente que precisa dos nossos valorosos, mas pobres militares com suas espingardas de chumbo para defendê-lo de um punhado de jovenzinhos comunistas.

Convencido o povo da nobreza do seu gesto, os militares botaram prá quebrar em cima dos meus colegas universitários. Prendeu, espancou e matou jovens embevecidos por ver vigorar idéias pensadas pelos grandes gênios que a humanidade produziu e que recomendaram em sua sabedoria ser a paz melhor que a guerra e que a vida seria infinitamente melhor para todo mundo se não houvesse tanta pobreza cuja única causa é o excesso de riqueza amontoada num só lugar. Esta situação de famintos num lado e super abastardos no outro lado, coloca-os na situação de um osso, uma corda e um cachorro na seguinte disposição: A corda prende o cachorro a uma estaca e não permite que ele alcance um osso perto, mas inalcançável por mais que se esforce o cachorro. Porém, de tanto esticar, não pode ser que a corda venha a quebrar? E se quebrar, aquele osso vai ser ruído ou não vai? É por isso que a rapaziada comunista pretendia fosse adotado um sistema sem que ninguém estivesse de olho gordo no que é dos outros por que assim ninguém teria motivo nem para roer nem para ser roído por ninguém.

Mas, o povo aplaudiu o patriotismo, a defesa à sua família, o temor a Deus e a valentia dos nossos militares. No entanto, segundo quem sabe onde tem o nariz, o motivo daquilo tudo era simplesmente o saque, como nos tempos dos reis, quando então o “quente” era ter fama de bom de guerra e de saqueador. O jornalista Thomaz Ferreira Jensen, em artigo publicado no importante blog Outras Palavras, intitulado “Ditadura & Grandes Empresários: Outro Caso Emblemático”, nos mostra a realidade sobre as verdadeiras intenções daquele movimento militar. A matéria pode ser lida por quem sabe ler e pensada por quem sabe pensar sem ser com a parte do corpo destinada aos requebros. É só pedir ao amigão Google. Entretanto, aqui vai pequena amostra do que nos diz o jornalista: É público e notório que as Forças Armadas agiram com o apoio e a serviço dos interesses da grande burguesia – os donos das principais indústrias, dos bancos, da grande mídia empresarial e das grandes propriedades rurais – e do imperialismo – governo dos Estados Unidos e empresas daquele País com interesses no mercado brasileiro”.

Aí está, pois, por debaixo do verniz, o verdadeiro objetivo da chamada revolução: outra guerra de saque nas riquezas deste belo país de triste sorte. Como de toda guerra resulta imenso número de fraturas a serem recompostas, também pesa sobre os militares brigões a falta de percepção da desvantagem que as brigas trazem para a sociedade da qual fazem parte eles e suas famílias. Os garotos comunistas que ameaçavam Deus, afirmavam e estavam absolutamente certos de que se gastando em educação o dinheiro da guerra, resultaria no predomínio da paz e na inversão do gastar para não brigar em vez de gastar para brigar por ser isso insanidade mental que pode ser curada com a percepção pelos brigões de todo o mundo da vantagem em substituir seus instrumentos do trabalho de matar por instrumentos de cujo funcionamento resultasse paz tão necessária à vida. Nisso aí eu bato firme com a garotada comunista que os militares escorraçaram. Entretanto, todos que me conhecem assinariam embaixo de uma declaração de que não faço mal a ninguém. Garanto que não se incomodariam de assiná-la se constasse também que até faço o bem. Então, se não prejudico ninguém, por que deveria eu ser morto? Verdade que não participei da turma que brigou de estilingue. Todavia, se disto dependesse conforto para as famílias pobres, uma vez que a revolução ajudou a aumentar o conforto das famílias ricas, se disto dependesse o fim do choro no corredor do hospital e de tanto sofrimento, com muito medo, é verdade, mas em troca disso eu daria uns tabefes num militar menor que eu. Inté.

domingo, 27 de abril de 2014

ARENGA VINTE E QUATRO


 

No blog Outras Palavras, organizado ao que me parece, por um senhor chamado Antonio Martins, podem ser lidas reportagens interessantíssimas. Vi lá uma matéria que expõe as razões da estupidez desse povo idiotizado que só presta para o que não presta e que considera certo aquilo que é errado. Trata a reportagem de uma entrevista na qual um jovem declara que fumar maconha nunca lhe prejudicou em nada, e cita o fato de só tirar notas boas “apesar de não se ligar nos livros”. Isto é uma coisa tão assustadora que só não bota em pé os cabelos dos pais das criancinhas rechonchudas porque eles pensam com a parte do lado de baixo do corpo e o que sai de lá não tem serventia. O que para aquele jovem é um comportamento correto, na verdade, é comportamento absolutamente incorreto. Embora seja verdade que a maconha não ofusca a inteligência daquele jovem, ofusca-lhe a saúde. Sendo inteligente, teria talvez nenhuma razão para usar droga se vivesse em outro ambiente que não esse onde os jovens são levados à ignorância absoluta. A juventude esperta e sadia não precisa de estímulo nenhum para viver em paz com a vida. A satisfação de viver dos jovens é prova de que eles não precisam do estímulo das drogas e o ar sempre feliz de suas fisionomias prova que estão satisfeitos, e quem está satisfeito é por estar se sentindo bem, e quem está se sentindo bem deve conservar assim seu estado de espírito. Enquanto se é jovem as coisas fluem com aparente normalidade mesmo dentro da anormalidade em que vivemos. Se aquele pobre garotão que não se liga nos livros estivesse ligado neles, ah! Seu mundo não precisaria de droga para não ser chato porque cada estímulo oriundo de cada novo aprendizado que os livros nos dão aprimora a espiritualidade e dá a sensação de uma conquista tão agradável que produz enlevo equivalente àquela que o jovem do meu tempo sentia nos primeiros contatos com uma garota “diferente” que lhe agradou tanto não só pela atração imposta pela natureza, mas também pela coincidência dos pontos de vista, e que lhe foi tão agradavelmente receptiva. É realmente compensadora cada conquista de novo conhecimento. Leva o aprendiz a repetidas emoções a cada vez que se alcança mais um horizonte na caminhada em busca do esclarecimento. As emoções que se encontram no mundo do esclarecimento são permanentes e, além disso, são cumulativas, diferentemente da satisfação proveniente das drogas, que desaparece e só aparece outra vez mediante outro estímulo. Porém, da repetição dos estímulos resulta uma velhice desgraçada de tão infeliz. A redução das atividades que o aumento da idade impõe ao corpo afeta a espiritualidade e deixa certo vazio na vida do idoso, que às vezes dá origem a uma inquietação inexplicável, ocasiões em que um estímulo se faz tremendamente salutar, coisa necessária apenas no idoso em tais condições, o que não é o caso de idoso que passou pela vida sem nada aprender nos livros porque estes, como os irracionais, só sentem tristeza quando é vítima de algum mal que lhes impeça de se fartar de comida.

O idoso que aprendeu a pensar não pode se sentir bem em meio aos que não aprenderam por serem pessoas completamente diferentes e esta circunstância deixa o idoso que pensa um pouco isolado, o que lhe faz carente de um estímulo que só lhe será permitido se tiver poupado um pouco de saúde na juventude para ser usada nesses momentos. Se aquele idoso desconfortado espiritualmente jogou fora parte de sua saúde quando jovem em busca dos estímulos desnecessários das drogas, aí aquele idoso espiritualmente desconfortado terá de curtir seu desconforto porque a velhice se encarrega de gastar o que sobrou de sua saúde, ficando impossibilitado de um analgésico espiritual reconfortante pela falta daquele pedaço de saúde jogado fora lá atrás.

Se está errado o jovem da entrevista ao usar droga, muito mais errado estará em não se liga nos livros. Se ligasse, estaria ainda mais satisfeito com a vida do que seu ar risonho de satisfação demonstra. Apenas através dos livros tomamos conhecimento do que se passou por aqui antes da nossa chegada, conhecimento que permite aprender o que deu certo ou errado com nossos antecedentes, permitindo-nos adotar os hábitos de boas consequências para evitar os outros. Só há vantagem nos ensinamentos dos bons livros. Que tipo de trabalho prestará à sociedade um profissional que não se liga nos livros? A prática criminosa de deixar e até dar uma mãozinha para que a juventude siga por este caminho de inimizade com o mundo da cultura é uma crueldade sem limite. Fala-se em crime hediondo quando alguém que só aprendeu brutalidade pratica contra uma pessoa a brutalidade que aprendeu, mas não se fala no crime praticado contra um povo inteiro ao se deseducar a juventude e idiotizá-la tanto a ponto de torná-la inimiga do saber. Estes coitados, pobres de conhecimento, chegarão a uma velhice tão infeliz quanto foi sua falsa felicidade no tempo de preferir o mundo esquisito onde não há necessidade de aprender coisa nenhuma fora daquilo de que se esteja participando fisicamente. Como será um mundo onde o conhecimento se restringe aos acontecimentos que ocorrem naquele momento apenas? Apesar de muito esquisito, esse será o mundo das criancinhas de hoje a persistir esta perigosa alienação mental da juventude. Se por um lado a falta de conhecimento do passado tira dos jovens a necessidade de pensar, o automatismo da futucação de aparelhos eletrônicos, por outro lado, lhes tira o pouco de inteligência que tinham, resultando daí uma sociedade de robôs programados para fazer besteira. E o pior é que são robôs com sentimento e que sofrem, comem e bebem.

Porém, sem se ligar na atividade de aprender alguma coisa e pensar sobre ela, os jovens felizes e certos de não haver necessidade de conhecimento abstrato chegarão a uma situação em que o comer e o beber ficarão tão escassos a ponto de não se justificar mais motivo algum para os risos. Quem não pensa não parece gente. Nem mesmo sabe como será sua vida num mundo sem água e comida. Não sabe que cerca de trinta por cento da água tratada em São Paulo são jogados fora entre a estação de tratamento e a casa dos consumidores. Isto é coisa sobre a qual todos precisam pensar. Quase um terço da água tratada a um alto custo no estado paulista é simplesmente jogado fora.

Não é conveniente continuar andando pelo caminho até aqui caminhado porque tudo à volta é insensatez. É preciso mudar imediatamente desse rumo idiota. Nesse momento está em altas discussões  aumentar a verba para educação depois que a imprensa mostrou a vergonha que é o nível de conhecimento da juventude. Porém, quem pensa sabe perfeitamente qual será o destino daquele dinheiro e é por isso que quem pensa não dá certo com quem não pensa. Inté.  

  

sexta-feira, 25 de abril de 2014

ARENGA VINTE E TRÊS


Os requebradores de quadris, frequentadores de igrejas, e os loucos por escoiceadores de futebola, costumam fazer pose ao se pavonear das maravilhas de Miami, como se fosse propriedade deles. Aquilo, sim, é que é povo civilizado! Viu aquele cara jogar o saco de pipoca no chão? Se fosse nos Estados Unidos ou na Europa isto não se daria porque lá temos um povo educado. Temos um povo! É como diz o idiota desta colônia que nem sabe ser ridicularizado por lá a ponto de ser chamado de “cucaracha”. Aquilo é que é terra para se viver, garante o “cucaracha”. Quando o objeto de inveja não é Miami, a Quinta Avenida, a Disney, a Estátua da Liberdade, são as coisas das Zoropa. Já ouvi alguém afirmar com muita pose que seu relógio batia em cima com o Big Ben e que a tourada é um espetáculo imperdível! E a Torre Eiffel? Que colosso! Dez mil toneladas de aço! Não é coisa para se perder de vista por muito tempo!

O comportamento de macaco deste pobre povo demonstra bem seu estado mental deplorável. A única contribuição para o desenvolvimento cultural da humanidade que o povo brasileiro apresenta é a cultura da falta de vergonha, o que deveria ser pensado e repensado pelos jovens. Os povos a quem os pobres e infelizes brasileiros se referem como “AQUILO É QUE É POVO!” não passam de cretinos no entender dos Grandes Mestres do Saber. Os americanos, como que castigo por terem inventado o “Time’s Money”, são um povo tão infeliz em sua riqueza que um sujeito na rua salta de banda assustado se alguém der uma bufa cujo barulho penda mais para o som de BUM do que para PUM. Seus jovens enlouquecem repentinamente e matam outros jovens. Os donos do Big Ben, por sua vez, não fazem por menos em sua mediocridade e imbecilidade se internando em hospitais para sentir as dores do parto. Não é difícil imaginar quão vazia é a cabeça de um homem (homem?) que tenha interesse em saber como dói o parto, coisa de que Deus encarregou exclusivamente à mulher depois de ter passado um tremendo esculacho nela e botar ela prá fora de lá do bem bom. Em vez de ter gratidão ao Deus que aqueles caras pensam que existe, os mal-agradecidos dispensam-Lhe ter-lhes poupado do vexame. Mas, e depois de gastar a grana e passar por boa dose de sofrimento, como poderão aqueles entes protozoáricos ter certeza de terem sentido a mesma dor da mulher no parto? Isto lá é povo com nível cultural de causar inveja? A cultura inglesa fede tanto a mofo que os bundas alvejadas de lá se matam pela manutenção da prática medieval de babar o saco de reis. Conservam ainda, por incrível que pareça, o instituto da realiza. E os donos das touradas? Estes, então, nem se fala. Torturam um touro até matá-lo de agonia e praticam um balé digno de débeis mentais correndo na frente de bois pelas ruas da cidade. Por lá também ainda existem reis, rainhas, príncipes e princesas, o que causa suspiro de inveja nos brasileiros por não dar muito certo imitar a realeza.

Até quando vamos ser esse tipo de gentinha? Estará esse país condenado a ser habitado pela pior espécie de ser humano que existe? O brasileiro cultiva com orgulho o desprezo pelas qualidades que dão dignidade ao ser humano. Não merece a superioridade sobre as outras espécies animais em razão da capacidade cerebral que lhe permite pensar e raciocinar. Se a grande vantagem do raciocínio é produzir conclusões que permitam jogo de cintura àquele que raciocina de modo a permitir-lhe driblar muitas das ocorrências que dificultam a vida, com os brasileiros, eternos bobos da corte, as conclusões a que levam seus pensamentos dão origem a comportamentos prejudiciais a si mesmos e à sua sociedade que vai tão mal a ponto de se encontrar pedaços de corpo humano na rua, e corredores de hospital abarrotado de infelizes e lágrimas.

Qual será o motivo de nossa inferioridade? Seguinte: nós já nascemos inferiores. O povo não sabe disso e nem sabe ser inferior porque a única coisa que o povo sabe fazer é feita com a parte do meio do corpo, parte que não sabe o que faz e de onde surge muita encrenca. Mas, se nascemos há quinhentos anos, já era tempo de ter maturidade para ocupar posição digna. Que não fosse de superioridade, mas nunca de inferioridade. Esta situação fica esclarecida quando se examina o resultado do aprendizado a que tem sido submetido o povo deste país de triste sorte. Todo mundo nasce sem saber nada, e nós também nascemos assim. Todo mundo aprende o que lhe é ensinado e nós também aprendemos o que nos ensinaram: ser preguiçoso, safado, batuqueiro, ladrão e proxeneta. É mais do que evidente que de tal aprendizado só podia resultar seres humanos assim:

ou do tipo que espalha pedaços de corpo humano pela rua. Caso nos tivessem ensinado qualidades nunca inferiores à linha da normalidade e nós teríamos alcançado degrau mais elevado na escada do desenvolvimento espiritual. Como o que nos ensinaram foi o que nos ensinaram, aqui estamos nós na situação em que estamos com nossa juventude desprezando os livros, única maneira de se entrar em contato com os ensinamentos superiores à linha da normalidade, ou até mesmo conhecer o ponto de vista dos Grandes Mestres do Saber sobre comportamentos mais espertos que evitam absolutamente todos os motivos de lamentação. Em vez disso, entretanto, nos ensinaram a viver de um jeito tão sem jeito que estamos em guerra e em festa ao mesmo tempo.

Dos comportamentos resultantes dos ensinamentos que nos ensinaram resultou uma juventude que tem por ídolos pobres figuras que só a compreensão humana permite não serem odiadas. Este rapaz da imagem é uma figura digna de pena. A velhice de um corpo normal já é um saco, é de se imaginar a velhice de um corpo injetado de tinta. Do mais danoso dos ensinamentos que ensinaram aos jovens resultou afastá-los dos livros, o que é muito conveniente para aqueles cujo enriquecimento ilícito precisa do alheamento deles. Mas, e onde isso vai dar? É exatamente esse alheamento que faz a juventude ajudar a destruir seu próprio futuro. Mas, como essa arenga já vai longe, descansemos os sacos. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ARENGA NÚMERO VINTE E DOIS


 

Às vezes chego quase a querer acreditar não haver motivo para pessimismo. Vai ver não vai faltar água nem comida, nem ar, e que vai até diminuir a incidência de moléstias graves que infelicitam sobremaneira as criancinhas fofas e rechonchudas que cada vez mais estão sendo vítimas do maldito câncer. Quem pode garantir, de uma hora para outra, estejam certos os frequentadores de igreja e da frivolidade, que nada veem de anormal em orar e dançar indiferentes a um futuro resultante deste presente? As pessoas que raciocinam, aquelas que não fazem parte da manada como os Grandes Mestres do Saber, afirmam não haver motivo para o otimismo dos iletrados. Embora haja gente de credibilidade afirmando que sempre houve secas e cheias, este otimismo está em desacordo com os acontecimentos só não percebíveis porque a já escassa atividade mental está voltada para as atividades que integram o corre-corre diário de modo tão absoluto que não deixa a brutalidade humana perceber a possibilidade de se presentearem os humanos com o destino dos dinossauros.

É impressionante como pais não se incomodam com o futuro dos filhos ante a assustadora certeza de faltar água e comida. Motivo para isso está aí de montão. A escassez de alimento não pode mais ser considerada coisa duvidosa. Tudo concorre para isso. Não fosse a concentração de terras a produzir riqueza para o agribiuzinesse, tem a degradação que já desertifica grandes áreas. Ao lado disso, embora a constituição proíba, vastas áreas estão sendo adquiridas por chineses e japoneses para produzir comida a ser levada para a China e o Japão, o que ajuda a diminuir ainda mais a área de produzir comida para os habitantes deste país de triste sorte. Outras áreas imensas servem para os gringos produzir celulose com eucalipto, lavoura que esgota rapidamente o solo, o que faz com que os gringos da bunda branca o plantem aqui que é terra de ninguém.

Prestando alguma atenção aos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber compreende-se ser impossível ter esperança num futuro não desastroso para as crianças de hoje porque a humanidade está atolada até o pescoço no pântano para onde foi levada por práticas decorrentes de hábitos do passado distante e que continuam praticados embora se tornassem perniciosos à sociedade. Se tempos houve em que o território de cada Capitania Hereditária abrigava apenas um punhado de seres humanos, a situação atual é diferente. No entanto, proporcionalmente aos que não tem terra alguma, há fazendeirão pelaí com áreas equivalentes às das capitanias. Como disse o Mestre Thomas Paine, o antigo hábito de não pensar que uma coisa esteja errada dá a esta coisa a aparência de estar certa. Mas olha lá que é apenas a aparência. A coisa em si não deixa de estar errada. Ela tem apenas a aparência de certa e por isso é considerada sem estranheza. O hábito de tê-la como certa esconde a verdade de ser uma coisa errada como apenas uma família exercer domínio sobre uma área equivalente a uma capitania hereditária. Do mesmo modo, o hábito de ver crianças vivendo de modo inferior a cães e gatos sem despertar a atenção de ninguém, é outra coisa muitíssimo errada porque quando as crianças bem nascidas de hoje forem as madamas e os madamos terão suas vidas infelicitadas se seus pais não cuidarem daquelas criança tidas como seres de outro planeta em vez de mandar prendê-las.

Quando se diz que a causa de toda a desarrumação é a ignorância não se está dizendo que as pessoas não sabem ler. Está-se dizendo que elas ignoram o fato científico de que ao alcançar dez bilhões de pessoas, o planeta não poderá mais sustentar a vida sobre ele. Se já estamos perto dos dez bilhões, não é motivo para alegria o nascimento de mais uma criança porque a cada uma que chega apressa mais o ponteiro que se dirige para o ponto final. Ninguém pode temer algo que desconheça. Para que se tenha medo do que está caminhando em nossa direção é preciso sair do mundo da indiferença e procurar saber que tipo de água está bebendo, que comida está comendo e que ar está respirando. Apenas o convencimento da inevitabilidade do resultado danoso de um ato é capaz de eliminar a sua prática. O sujeito que não se incomoda em se servir nos restaurantes a quilo de algo sobre o qual pousou uma mosca é porque não viu aquela mosca voar da pereba da perna do mendigo lá fora na calçada e pousar em cima daquela guloseima. Se visse não a comeria. Todo caso, se tratando de brasileiro, não é de se duvidar. Entretanto, em condições normais, nenhum Mestre do Saber comeria uma comida sobre a qual aquela mosca pousou. Assim como a falta do conhecimento do lugar de onde veio a mosca e suas consequências não impede a indiferença, do mesmo modo, o desconhecimento da realidade escondida no mundo fantasioso das festas e do endeusamento das “celebridades” e “famosos”, a fixação sobre a acumulação de riqueza, enfim, o reinado da ignorância, destas causas ignoradas resultará infelicidade para ricos e pobres porque a água, a comida e o ar, em vez de saúde, estão provocando doenças de tratamento caro; a violência vai recrudescer e produzir ainda mais infelicidade; a biosfera vai ser destruída por secas e enchentes e haverá fome.

Estas são as consequências. A causa delas é uma cultura resultante dos hábitos de seres tão brutos como os seres humanos, com destaque para requebradores de quadris, causas combatíveis com uma educação que não ensine como solução dos problemas por elas criados o caminho da igreja em vez da sociabilidade e cooperação além de uma cultura que valorize as qualidades espirituais em lugar das práticas bárbaras ainda em vigor de competição de pancadaria na qual se inclui além de socos, coices que podem danificar para sempre um rim ou outro órgão qualquer. Inté.

 

domingo, 20 de abril de 2014

ARENGA NÚMERO VINTE E UM.


Para quem costuma analisar as coisas que ouve antes de tomá-las por verdadeiras, e esta atitude é adotada por pessoas inteligentes como se verifica nos ensinamentos dos Grandes Mestres do Saber, fica muito difícil para estas pessoas admitir a possibilidade de que o brasileiro tenha alguma propensão ou serventia para outra coisa que não seja rodopiar o traseiro. O rebolamento está tão incorporado ao sentimento de brasilidade que os juristas italianos deram uma esculachada no Brasil através de um argumento rebolativo. Quando o governo brasileiro negou extraditar o italiano Cesar Batista, os juristas italianos ironizaram dizendo haver mais mulheres reboladoras do que juristas no Brasil, o que é pura verdade. Fora uns gatos pingados, nossos juristas não são exceção à regra da desonestidade nata do brasileiro. Ainda está fresca na memória o crescimento do nariz do doutor Márcio Thomaz Bastos quando cochichava com os marginais do Mensalão que ele garantia e assinava em baixo se tratar de gente da mais fina flor.

Tirando fora as prendas rodopiantes dos brasileiros, só fica o oco. As outras qualidades são ainda mais degradantes como bajular os povos da bunda branca viciados em saquear os povos da bunda mole; mostrar que sabe falar ingreis; fazer compras em Miami; fazer proselitismo da facilidade com que podem ser desfrutadas as mulheres brasileiras através do turismo sexual que cogita criar outro símbolo representativo de brasileirismo a ser materializado na figura de um tremendo bundão. Fica difícil botar fé num povo conhecido por um tipo de cultura que considera como maior expressão de sua nacionalidade o rodopiar das partes cuja maior serventia é expulsar do corpo a sujeira que vai embora com a descarga.

Entretanto, apesar de todas estas elevadíssimas prendas morais e intelectuais apropriadas para “celebridades” e “famosos”, está rolando aí na internete um movimento animador reivindicativo de mudanças políticas exigidas por brasileiros esclarecidos, o que é de causar espanto pelo avanço tão significativo na capacidade de percepção demonstrada por estes brasileiros esclarecidos que descobriram haver necessidade de se mudar alguma coisa. Haverá realmente tal necessidade? Fica mais fácil concluir pelo sim ou pelo não olhando que tipo de imagens reflete o espelho da alma da sociedade, a imprensa. Vamos ver que tipo de imagens estão refletidas no espelho social brasileiro? Vamo lá:

A revista Isto É n. 2313/2014 entrevistou um cientista social e pesquisador inglês que declarou haver na Inglaterra cinco guardas para cada cinquenta presos, enquanto no Brasil há apenas um guarda para cada duzentos presos. Também disse que a prisão juvenil no Brasil é o pior lugar que ele já visitou em toda sua vida de pesquisador.

Todos os órgãos de imprensa noticiam um negócio da china para um bilionário belga da bunda branca celebrado contra a Petrobrás, instituição fadada a ser roubada. A imprensa sobre o seu ex-presidente Shigeaki Ueki que hoje mora nos Estados Unidos onde leva vida de milionário, vindo ao Brasil em seu jatinho que deixa em Buenos Aires para “não dar na pinta”, acabando de chegar a São Paulo em avião comercial para tratar certamente de negócios escusos.

Na casa do ex-diretor de refino da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, a Polícia Federal encontrou setecentos mil reais e duzentos mil dólares. Ele tentava destruir documentos comprobatórios de um esquema que movimentava dez bilhões de reais. Tá na imprensa.

Revista Caros Amigos, influente órgão da imprensa, por Frei Beto está dito que os gastos com a festa do futebola chegam a vinte e oito bilhões de reais, enquanto também esta na imprensa que uma auditoria constatou carência de trinta e dois mil professores do ensino médio no Brasil e que trinta e duas mil e quinhentas escolas rurais foram fechadas por medida de economia.

O jornalista Cláudio Humberto escreve no Jornal Metro que a Agência Brasileira de Inteligência gastou em 2013 na atividade investigativa das bandalheiras apenas quarenta e oito milhões de reais do total de quatrocentos e noventa e três milhões que deveriam ser gastos na perseguição a falcatruas. Em outra seção no mesmo jornal, idiotas opinam sobre a foto de uma “celebridade” argumentando calorosamente sobre sua calcinha e a “xereca”.

Não haveria no computador memória suficiente para guardar todas as imagens desse tipo refletidas no espelho da sociedade. Arrematando esta pequena lista esta a seguinte notícia digna de politiqueiros: O Itamarati quer quatrocentos e sessenta mil reais em flores para melhorar a impressão sobre o Brasil. Esta pretensão do Itamarati não dá certo porque aquele dinheiro não é suficiente para fazer produzir flores bastante para disfarçar a tristeza de todos os ambiente fúnebres país a fora. O certo mesmo é que está precisando mudar tudo. Não tem absolutamente nada certo nesse país que tem tudo para não ter nada errado. Confirmada a necessidade de mudar, agora é pensar mudar para onde. Não se muda só por mudar. Ninguém se muda sem ser impulsionado por alguma necessidade. Mas acontece que os brasileiros esclarecidos que querem mudança devem ser em número insignificante entre os brasileiros não esclarecidos que frequentam igrejas, levam os filhos para o futebola e as lutas corporais. Este tipo de gente constitui a absoluta maioria e está tão feliz em seu rodopiar de quadris que a única coisa que eles querem mudar vez em quando é o ritmo dos requebros. No mais, dificilmente teria algum motivo para querer mudar alguma coisa. Mas que é preciso mudar, não se pode negar.

Problema maior é o medo do desconhecido, medo de mudança. Esta é a principal causa de resistência. Se até as mudanças nos transportes coletivos incomodam, incomodam muito mais ainda as da vida. Entretanto, dificuldades não significam impossibilidades. O inimigo natural do que está errado é o convencimento. Assim o modo mais eficiente de minar os alicerces da cultura da indiferença política é o lento crescimento do número de jovens aprendendo a pensar e chegando à conclusão de haver realmente necessidade de mudança. É urgentemente necessário que os jovens ricos e pobres se liguem na sociabilidade porque assim uns e outros viverão em condições mais condizentes com a possibilidade de se criar um futuro tão sem futuro para as criancinhas fofas e rechonchudas de hoje. Tudo ficará melhor quando os jovens se interessarem por política a fim de perceber que a diferença entre politicagem e política é a mesma que existe entre água no esgoto e água potável no pote. Inté.