sábado, 31 de outubro de 2015

ARENGA 183

Rolou no Aerobar entre goles de uísque a seguinte historinha: Face à presença de vários deputados no meretrício, alguém perguntou a alguém qual seria o motivo e a resposta foi de se tratar do dia das mães. Historinhas desse tipo existem aos milhares pelaí, o que demonstra a quantas anda a falta de vergonha, de hombridade, enfim, a canalhice dos impropriamente chamados políticos por não passarem de politiqueiros, cuja diferença é a mesma existente entre água potável e água de esgoto. A massa ignorante de povo, entretanto, se limita a brincar com assunto de tal seriedade. Já era para se ter concluído pela necessidade de mudança por ser inteiramente inadmissível se conformar em ser representado por pessoas merecedoras de tamanha desqualificação. Se apenas um bilionésimo de tudo que é armado contra o povo é capaz de despertar o perigoso ódio que começa a ser exteriorizado pela população, não é difícil imaginar o que ocorrerá no mundo inteiro quando os povos imbecilizados, porque todos eles o são, atinarem com a realidade de nunca terem sido outra coisa através do séculos senão um gigantesco burro de carga utilizado por líderes que desconhecem o significado de liderança. A vida faustosa de todos os governantes no mundo é o bastante para mostrar aos povos a burrice que é entregar o dinheiro dos impostos a seres espiritualmente vis que o desbaratam acintosamente na cara de seus verdadeiros donos.
A vilania, no presente, assumiu proporções tão alarmantes que a qualquer ora a subserviência que levava a massa bruta de antanho a beijar as mãos dos reis vai fazer com que as massas brutas atuais beijem os pés ou o saco dos governantes que degradaram a nobre atividade de administrar a riqueza pública a ponto de terem o direito de carrearem imensas riquezas consigo. De nada valeu para nenhum povo do mundo o exemplo de simplicidade dado por José Mujica, não sendo de causar estranheza seja ele motivo de gozação para governantes ladravazes. O prefeito do Rio de Janeiro não fez gozação com Lula por achar que ele roubava pouco? O desprezo é a recompensa de quem pretende implantar justiça social em sua sociedade. Quando escritores assalariados e a papagaiada de microfone caem de pau prá cima de Fidel Castro, condenando-o pela morte de crianças nos naufrágios quando da fuga para os Estados Unidos, nem de longe mencionam o fato de serem estes fugitivos adeptos da antissocialidade e desejosos do ambiente antissocial da competição dos americanos cujo resultado é a infelicidade que grassa naquele país de bundas brancas apavorados pelo medo de serem explodidos a qualquer momento. Por que será que os tais escritores assalariados ganhadores do Nobel de literatura, aqueles da revista Seleções do Reader’ Digest e tantos outros, inclusive a papagaiada de microfone, puxa saco de seus patrões, os ricos donos do mundo, não se espantam com o número infinitamente maior de criancinhas mortas ou condenadas à morte por terem sido obrigadas a se tornarem marginais por obra e graça do sistema capitalista cujas botas eles fazem questão de lamber? Inté.
 

domingo, 25 de outubro de 2015

ARENGA 183

Tinha me esquecido da desculpa esfarrapada que um dia inventei de inventar ter sonhado como pretexto para escrever bestagem. Só não posso jurar por Deus porque aprendi com os Grandes Mestres do Saber que Deus só existe nas cabeças desprovidas da capacidade de pensar. Contudo, garanto e assino embaixo que sonhei o seguinte sonho: Sara me chamou para ver algo interessante na televisão como sempre faz quando passa algo que ela acredita me interessar. Tratava-se de uma poderosa associação mundial englobando toda a humanidade com o objetivo de exigir que os governantes cumprissem o acordo feito entre ela e as autoridades mediante o qual a sociedade humana fornecia os meios e as autoridades os administrariam com a lisura devida. O entusiasmo com a notícia sobre algo inteligente contrastou com a realidade de ver no jornal a notícia de que a Campeã do BBB será pela sexta vez ring girl. Assim mesmo, sem aspas.
Palavras novas não são novidades em qualquer idioma. Quando eu ainda era vaqueiro não existia a palavra “deletar” e hoje eu deleto adoidado. Mas as palavras novas são de autoria desconhecida à exceção de “imexível” que foi criada por um ministro semianalfabeto de Collor, apanhado na Inglaterra com duas belas mulheres comprando relógios. Mulheres onde há facilidade de dinheiro são como moscas onde há facilidade de açúcar. Como Ministro do Trabalho, entretanto, o criador de “imexível” nunca foi visto a lutar pela valorização do trabalhador transformado em material humano, na verdade coisa, ou escravo.
Como velho que procura aprender algo com os Grandes Mestres do Saber não deixa de especular as informações, matutei sobre o assunto e cheguei à conclusão de termos um genial criador de palavras novas. Alguém já viu as palavras “ring” e “girl” em algum dicionário da nossa língua? Pois os autores de novos dicionários terão de incluí-las porque se não há nenhum sinal indicando tratar-se de palavras estrangeiras, como se faz ao escrever palavras diferentes das palavras do vernáculo em que se escreve. Se nada diz tratar-se de palavras alienígenas é por serem aquelas palavras esquisitas irmãs das nossas palavras e integrarem nossa língua portuguesa. Como todo brasileiro sabe falar “ingreis”, também sei que “ring” é uma palavra da língua inglesa que significa anel e “girl” significa moça. Mas qual a ligação entre moça e anel? Talvez pelo fato de toda moça gostar de anel. Resolvi que não era por aí. O fato de ser a bunda grande tão importante que eleva sua dona à condição famosa e celebridade, lembrei-me, então, de já ter ouvido durante minha longa e atribulada vida de quase oitentão algo sobre um tal anel de couro que eu nunca soube o que significa e nunca tive coragem de perguntar a ninguém com medo de ser coisa feia. Inté.
 

sábado, 24 de outubro de 2015

ARENGA 182




Seria bom se houvesse realmente um Deus a quem pedir para derreter a malta estúpida que habita esse país com enxofre e lava vulcânica como se fez em Sodoma e Gomorra uma vez que a putaria por aqui supera a de lá. Dá nojo olhar os jornais pela manhã e deparar com tanta esculhambação. Tão nauseante quanto as notícias da roubalheira desenfreada é o lengalenga do negar as acusações. Onde já se viu ladrão declarar-se ladrão? E que dizer sobre a obrigação de se viver em meio a um povo tão desprovido de inteligência que apesar de tudo vive a paparicar o canceroso ladrão da voz enjoativa e aspecto repugnante? A explicação, não é demais repetir, está na identidade gastronômica dos adoradores de Lula com a do peru. Pelo jeito, o governo português não deixa por menos ao encontrar motivo de homenagear figura tão desprezível considerando-o doutor por motivo de honra, não obstante o livro O Chefe. A indignação expressa no “Que país e esse?” é insuficiente para dar ideia do que ocorre por aqui. A família do presidente da câmara dos deputados é criminosa e sujeita a ir parar na cadeia antes do seu chefe que chegará mais tarde por contar com proteção na mais alta corte de justiça do país através da imunidade parlamentar. Por aqui bandido tem proteção da justiça. Quando algum juiz se mete a sério recebe vinte e um tiros ao chegar em casa depois de um dia de trabalho em defesa da sociedade.

Não se abre um jornal sem se deparar com os maiores absurdos praticados contra a multidão ignorante de frequentadores de igreja, axé e futebola. Nada justifica ser indiferente à ação criminosa dos assassinos que trocam por carros de luxo o leite das crianças pobres. A população tem serventia de capacho com sua indiferença por já ter se acostumado a ser escrava do lamaçal que tomou conta dos palácios. A escravidão consentida envolve covardia, mau caratismo e indignidade. Na escravidão do chicote, ao contrário, a revolta pela falta de liberdade provocava reação dos escravizados, diferentemente da escravidão moderna em que o feitor é a televisão e o chicote são os papagaios de microfone. Mas estupidez de montão se encontra mesmo é na presunção humana de se achar obra prima de Deus. Era só o que faltava! Povo ser obra prima. Nem mesmo satanás teria capacidade de produzir obra de tamanho primor em negatividade, na verdade, uma fábrica de bosta. Fosse transparente o corpo humano não haveria motivo para orgulho tal a imundície por dentro da “obra prima de Deus”.

A mais baixa qualidade do ser humano é o conformismo com as injustiças materializado na aceitação da condição de escravo satisfeito com a escravidão. Na bela canção do poeta cantador Elomar Figueira, O Peão na Amarração, até o burrico atira sua carga no chão, enquanto a besta humana carrega seu fardo discutindo futebola alegremente nas filas do banco.

A afirmação de Thomas Hobbes no Leviatã segundo a qual o homem perdeu a liberdade quando se submeteu a uma autoridade dá o que pensar porquanto sem uma força coibidora da selvageria humana, nem mesmo se poderia mostrar a cara na janela e ficar com ela inteira. Por outro lado, esta mesma selvageria leva a autoridade a ser o próprio agressor da sociedade, anulando, assim, a razão de ser da autoridade. O livro Os Ben$ Que os Políticos Fazem mostra imensas áreas de terras usurpadas na mão grande por autoridades, com prejuízos sociais incalculáveis. Inté.

 
 
 





sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ARENGA 181



A imprensa noticia o aparecimento de uma igreja que emergiu de dentro das águas de um rio que baixou em função da seca severa que castiga o México, fato naturalíssimo porquanto em função da infantilidade dos seres humanos as igrejas sempre os acompanharam.  Apesar de não haver novidade nisso, o fato assume foros de mistério. Entretanto, não se cogita de mistérios quando igrejas soterram fiéis ou bombas os mandam pelos ares juntamente com pedaços da igreja onde foram em busca de paz. Buscar paz através de religião deixa também inúmeros veículos esbagaçados ao lado de cadáveres espichados nas estradas. Há contrassenso na declaração do Papa de ser inadmissível a pena de morte porque o próprio Deus, seu chefe, matou populações inteiras, inclusive crianças. Em Números 35, 36, Deus mandou matar um pobre coitado cujo crime foi apanhar lenha num dia de sábado. Desperta, humanidade! Você já está bem velhinha para ser ainda tão boba. A bíblia, uma vez lida sem o fanatismo que leva analfabetos a se julgarem de maiores conhecimentos do que cientistas são contos que não convencem nem mesmo a criança esperta. A história de toda religião começa sempre com um fanático sendo seguido por um bando vagabundos, e assim permanece até hoje com multidões a seguir representantes de Deus à procura da paz que cada indivíduo tem consigo, mas por não saber disso, vai procurar em outro lugar. A paz, ó bando de energúmenos, não pode coexistir com a fome e a doença, males que só podem ser sanados com dinheiro e nunca com orações. Assim, enquanto o povo se liga em inutilidades, a imprensa noticia que o ministro Gilmar Mendes mandou arquivar pedido de abertura de processo contra Eduardo Cunha, mesmo depois de provado ter ele roubado o dinheiro de estabelecer as condições sociais para a existência da paz, sendo o ladrão denunciado nada menos que o Presidente da Câmara dos Deputados, e seu protetor, Gilmar Mendes, Ministro da mais alta corte de justiça, o Supremo Tribunal Federal. É se ligando nestas coisas que se encontra a paz. Inté.  

 
 
 











 









quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ARENGA 180




A despeito da crise, bancos não abrem mão de lucros imensos. Este é o título de matéria publicada na seção Opinião, do Jornal do Brasil de 21/10/15. Diz que no primeiro semestre o lucro de bancos privados no país superam R$ 30 bilhões, no total. Está certo um negócio desse? Apesar de estar muitíssimo errado, é o que aí está na cara desse povinho frequentador de igreja, axé e futebola. É esta a lógica da competição que orienta o comportamento irracional do humano. Afirmar que tal brutalidade é a melhor forma de sociedade como fazem os escritores assalariados e a papagaiada de microfone, é a mais contundente prova de que estes sacanas não passam de grandiosíssimos sacanas. Por ser este o trabalho do qual depende a subsistência deles, nem por isso deixa de ser sacanagem mentir tão descaradamente ao afirmar haver vantagem em ser depenado tão impiedosamente por banqueiros possuídos do espírito de Satanás. É a esta monstruosidade de vencedor e perdedor que o horroroso Henry Kissinger afirmou ser a melhor forma de se viver. É mentira, canalha! A melhor forma de se viver será a que vier a vigorar quando esta juventude de bosta aprender a pensar, concluir da necessidade, e implantar uma forma de vida baseada na cooperação em vez da competição. Uma forma de vida na qual as pessoas se preocupam umas com as outras da mesma forma como acontece entre os membros de uma família que mereça o nome de família porque num ambiente assim ninguém arrancará a pele de ninguém.

Depois de ultrapassadas as infinitas etapas evolutivas no sentido de superar a alma de lobo que Thomas Hobbes afirmou existir em cada ser humano, caso a matilha não se destrua antes de superar a brutalidade, no dia em que a humanidade abrigar maior quantidade de gente do que de povo, nessa ocasião vai se ver diante de um Nó Górdio trançado com cabo de aço que é prá nenhum sabidinho cepar com espada. A natureza está a anunciar um futuro tenebroso para a sociedade em decorrência da indiferença da juventude imprestável para com o destino de sua sociedade. Absolutamente nada pode explicar tanta estupidez na única espécie de ser vivo capaz de pensar. Só loucura total ou total estupidez justifica viver em festas ante a certeza da ruína total. Triste destino terão estas pobres criancinhas que os pares de mastodontes mentais colocam no mundo. A incapacidade de raciocinar dos seres humanos não lhes permite outra classificação que não a de pré-macacos. Faz-se, portanto, mais que necessário mudar esta forma estúpida de vida. Não existe problema sem solução. Certa vez o humorista Golias citou como problema insolúvel fazer retornar para dentro do tubo de pasta o conteúdo dele depois de posto para fora. Trata-se de uma verdade apenas aparente porque se levar a pasta e o tubo à mesma máquina que acondicionou a pasta dentro dele, a pasta será novamente acondicionada sem maior problema. Na verdade, até mesmo a morte só é problema para biltres mentais porque quem se eleva espiritualmente não á vê como problema. A morte, na verdade, em vez de problema é solução para o desconforto em que se transforma a vida depois de transformar em trapo o que foi um ser vivo e atuante de qualquer espécie, como ensina o mestre Schopenhauer.

O estado deplorável da mente humana ainda vai ter muito que rebolar para alcançar a luz do entendimento de como funciona a vida. Este entendimento é o que separa o homem da besta. O fato de não terem ainda o homem adquirido tal entendimento denuncia sua qualidade de besta, qualidade esta que permanecerá enquanto as crianças não aprenderem a necessidade de analisar bem as informações que lhes são passadas. Ouvir com naturalidade o crime pavoroso que os banqueiros cometem ao arrancar das criancinhas o direito de tomar o seu leite é prova de uma burrice maior do que o próprio mundo onde tal aberração acontece. E bota aberração nisso porque já se chegou à situação não menos aberrante em que as próprias autoridades cometem crimes contra a sociedade. Inté.

 
 
 









quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ARENGA 179




A afirmação do filósofo Bertold Brecht de que as pessoas indiferentes à política são os responsáveis pelos desmandos sociais, e mais a afirmação de Rui Barbosa de que todos os males do mundo têm a ignorância como causa, estas duas afirmações se transformam em realidade cristalina materializada na situação social de miserabilidade em que chafurda esse povinho de merda no qual, infelizmente, a natureza me colocou. Por vezes chego a ser levado a ser indiferente ao sofrimento daquele amontoado de chorões que a televisão mostra nos corredores dos hospitais porque sei perfeitamente que aquela situação é causada pelos próprios sofredores com sua estúpida incapacidade de perceber não haver motivo para nada daquilo. A indignação assume ares de ódio quando vejo estúpidos pais levando seus filhos para as igrejas onde aprenderão a se tornarem também futuros chorões infelizes. Os monstros espirituais que ensinam monstruosidade espiritual a seus filhos estão convencidos erradamente de que o bem-estar deles estará garantido pela posse de bens materiais, no que incorrem no erro monumental de ensinar a seus filhos nada mais do que dinheiro e lamber as botas de Deus. Vinha eu remoendo estas tristezas quando parou em minha frente um espécime de povo esfregando euforicamente as mãos e exclamando com entusiasmo: “Hein, Zé, e o Corinthians hoje Zé, digaí Zé?

 Nesta cena espiritualmente macabra está a confirmação daquilo que disseram o filósofo Bertold Brecht e o jurista Rui Barbosa. Trata-se de uma só opinião escrita com palavras diferentes porque a ignorância citada por Rui Barbosa como fonte de todos os males é a mesma ignorância da qual resulta o analfabetismo político citado por Brecht. Já ouvi alguém dizer que o político não rouba nada dele, razão pela qual não vê o porquê de se preocupar com roubo na política. Quanta verdade há nas palavras daqueles sábios! O comportamento daquele infeliz pai de família eufórico com a perspectiva de um jogo de futebola manipulado pela corrupção dos esportes será repassado para seus filhos, os filhos dos seus filhos, aprendizado que levará à choradeira nos corredores dos hospitais. É apavorante a realidade de ser esta irrealidade fomentada pelas próprias autoridades a fim de manter o povo incapaz de se elevar mentalmente que é para ter o comportamento do burro de carroça que se sente recompensado com uma moita de capim à noitinha quando lhe são retirados os arreios do lombo.

Do que aprendem as crianças resulta a incapacidade mental. Ao saber que eu chegara dirigindo de Brasília, um profissional liberal, portanto pessoa estudada, me disse que Deus foi generoso comigo ao me permitir estar tão vigoroso aos setenta e nove anos de idade. Que motivo teria Deus para cuidar deste velho ateu e abandonar crianças para morrerem em águas geladas ou enjauladas em cárceres imundos por terem sido abandonadas pela sociedade que lhes dispensa tratamento inferior ao dispensado às feras nos zoológicos? O mudo, na verdade, está de cabeça prá baixo, mas alguns Arquimedes já despontam por aí à procura de um ponto de apoio a partir do qual movê-lo para a posição certa. Os doutores Joaquim Barbosa, Sergio Moro, Heloisa Helena e Eliana Calmon são alguns destes Arquimedes. Dê-lhes um ponto de apoio e uma alavanca que tudo entrará nos eixos bonitinho. Inté.

 
 
 


domingo, 18 de outubro de 2015

ARENGA 178




Não seria interessantíssimo uma redação cujo tema fosse “Coisa Nenhuma”? Pois foi sobre coisa nenhuma o tema da redação pedida aos vestibulandos: ÉTICA PROFISSIONAL. Alguém é capaz de encontrar ética em alguma profissão? Portanto a moçada discorreu sobre coisa nenhuma. Já me foi prescrita por um médico mercenário, um tal Nilzon, de Salvador, cirurgia urgente para colocação de ponte de safena, mentira tão inescrupulosa quanto aquele cirurgião canalha. Já me foi também prescrita desnecessariamente uma cirurgia para retirar pedra do rim. E os advogados dos luxuosos e caríssimos escritórios que botam a mão no fogo pela santidade dos bandidos milionários? Sendo a ética o sentimento do qual resultam comportamentos ilibados, como falar de ética numa sociedade de canalhas na qual os postos onde deveriam estar autoridades estão bandidos? Entre bandidos não pode haver ética porque esta encerra algo de socialmente positivo em sentido amplo de sociedade humana. Numa sociedade de criminosos, pode haver códigos de honra dos quais nunca participará o sentido de comportamento socialmente correto e necessário para que a sociedade humana pudesse existir sem os conflitos que a inviabilizam. Embora os intelectuais dão mil e uma voltas em torno do que seja ética, é mais simples encará-la como sabedoria que se observada levará à irmandade indispensável à boa convivência. Entretanto, tendo a sociedade humana se transformado num bando de ladrões e num bando de imbecis satisfeitos em serem roubados, conclui-se pela inexistência de ética por falta de uma ética-mãe que a partejasse. Inté.