segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ARENGA 449


               A manchete do jornal Folha de São Paulo “TEMER PROMOVERÁ OUTRA RODADA DE CARNÇA ÀS HIENAS”, nem de longe parece fazer referência a um presidente da república de um país e a câmara dos deputados eleita pelo povo deste mesmo país. Entretanto, a triste realidade é o absurdo de ter sido o povo desta desqualificada república de bananas podres a que chamam impropriamente de país submetido a tamanha degradação moral que seu presidente é denunciado pela segunda vez de cometer crime contra a  república que preside, mas como a denúncia só pode ser apurada se os representantes do povo denominados de hienas pelo jornal quiserem, então, o presidente supostamente criminoso distribui dinheiro público (a carniça da manchete) à rodo para as hienas (os deputados) e eles recusam a aceitação da denúncia. Enquanto isto, os papagaios de microfone apologistas do pão e circo anunciam que a Lady Gaga cancelou as apresentações que faria na Europa, que a rainha da Inglaterra vai ser avó mais uma vez e fazem alarde sobre o requebramento de quadris que envolve o povo numa incontida euforia num festival no Rio de Janeiro onde a única coisa que não falta são tiroteios, mortes e medo. E, por incrível que possa parecer, há imbecis que acompanham os corruptos que por medo condenam a Operação Lava Jato, entre eles altas autoridades, absolutamente todas de rabo preso nos crimes contra o país.

Na verdade, a única coisa de se estranhar na bestialidade que tomou conta da sociedade brasileira é o alarde que se faz em tono desta bestialidade, porque ela sempre existiu e nem poderia deixar de existir por ser tão natural no brasileiro quanto a sede ou a fome, uma vez que seu instinto de rato é mais dominante do que no próprio rato. Se a roubalheira incontida nunca foi percebida é porque nunca existiu uma Operação Lava Jato que expusesse as chagas morais desta sociedade constituída por seres cuja mentalidade provém de um cérebro que em vez de sangue é irrigado por caldo de bosta. Se o comportamento do adulto é ditado pela personalidade, e a personalidade é ditada pelo que se aprendeu na infância e juventude, considerando que a sociedade resulta do comportamento de seus integrantes, os integrantes da nossa sociedade tiveram a imundície mental como companheira desde o berço. Na página 72 do livro 1822 de Laurentino Gomes, sobre a história do nosso país, consta a seguinte declaração sobre os brasileiros, quando sua sociedade ainda usava cueiros: “Em seus negócios, prevalece a astúcia mesquinha e velhaca, principalmente quando efetuadas as transações com estrangeiros, aos quais pedem o dobro do preço que acabarão por aceitar por sua mercadoria, ao passo que procuram desvalorizar o que terão de obter em troca, utilizando-se de todos os artifícios ao seu alcance. Salvo algumas exceções, são pessoas inteiramente destituídas do sentimento de honra, não possuindo aquele senso geral de retidão que deve presidir toda e qualquer transação entre homens”. Tempos depois, segundo informa o jornalista bisbilhotador Alex Ferraz, do jornal Tribuna da Bahia, o Grande Mestre do Saber Charles Darwin, depois de conhecer de perto os brasileiros, teria declarado que eles não possuem as qualidades que dignificam o homem. Portanto, em vez do alarde em torno das canalhices, o que há realmente para se alardear é que depois de tanto tempo ainda não se tenha corrigido nos brasileiros o defeito do qual resulta neles a personalidade de rato e falta de pudor, uma vez que a personalidade pode ser moldada pela educação. Tanto pode que por conta de um tímido passo na inevitável marcha rumo à civilização, que infelizmente ocorre muito vagarosamente, mudou-se o costume de matar ou decepar a mão do ladrão para o costume de recolhê-lo à prisão com o objetivo de corrigir o defeito da antissocialidade em sua personalidade de criminoso, tornando-o sociável. Desta forma, todo o converseiro nojento em torno da ladroagem que resulta em malas, cuecas, meias e caixas de sapato recheadas de dinheiro, em vez disso, o que deveria estar em discussão era o porquê da inexistência de uma educação voltada a ensinar boas maneiras sociais aos requebradores de quadris frequentadores de igreja, axé e futebola.

Mas a deseducação social não é privilégio da ratazana brasileira porque a desonestidade caracteriza o comportamento humano em qualquer lugar do mundo, sendo flagrada apenas nos agrupamentos mais jovens e, portanto, mais inexperientes na arte de dissimular a canalhice em que foi convertida a nobre tarefa de administrar o dinheiro público, visto que absolutamente todos responsáveis por ela se arvoram a deuses do Olimpo numa vida faustosa em deslumbrantes palácios. O brasileiro não é assim tão diferente das outras sociedades humanas uma vez que todas são lideradas por líderes tão falsos que suas preocupações com os liderados não vão além de mantê-los enganados com migalhas enquanto lhes esfolam o rabo na obrigação de os manter abastecidos de tudo aquilo de que necessitam. Sempre foi assim, e assim continuará sendo enquanto o povo tiver por únicas atividades trabalhar, orar e brincar, encarando a vida com a mesma felicidade insignificante que faz a alegria do bêbado, mas que no dia seguinte terá de se ver com a tristeza da ressaca. A realidade é que no mundo inteiro, povo nunca deixou de ser o burrico sobre o qual o carroceiro atrela a carroça para ganhar o pão, com a diferença de que o pão arrancado do lombo e suor do povo é Pão de Ló para regalo de parasitas denominados Excelências. O ser humano terá de arcar com consequências funestas enquanto permanecer em seu procedimento antissocial de ter na vida a riqueza por objetivo em detrimento da satisfação de desfrutar do bem-estar que a tranquilidade pode proporcionar, mas que nunca foi buscada em tempo algum de sua existência, apesar de muito se falar em paz.

Os historiadores costumam considerar a história da humanidade a partir dos primeiros agrupamentos humanos ocorridos no Egito e na Mesopotâmia, e que chamam impropriamente de as primeiras civilizações, desconsiderando de certa forma os tempos chamados bárbaros, quando o homem tinha o mesmo comportamento das feras, o que dá a entender ter a raça humana se elevado a uma superioridade comportamental que distinguisse seu comportamento do comportamento das feras, quando, na realidade, como as feras, também depende de matar outros animais para viver. Demonstram os seres humanos brutalidade ainda maior do que a brutalidade das feras porque matam seus semelhantes apenas para lhes tomar o que possuem.

O período impropriamente denominado de civilização, os historiadores dividem em quatro fases, cada uma com sua cultura. Entretanto, no que diz respeito à servidão a que o é povo submetido, nada mudou. Se no período denominado Idade Antiga os seres humanos eram comidos por feras para diversão de seus senhores, no período seguinte, denominado Idade Média, eram eles submetidos à servidão imposta pelos senhores feudais, e nos dois períodos subsequentes, denominados Idade Moderna e Contemporânea, foi o povo submetido primeiro ao jugo de colonizadores que lhe fustigava o rabo na tarefa de lhes abastecer das riquezas existentes nas colônias, e, depois, da mesma forma, submetido ao jugo de uma escravidão disfarçada de emprego. Para justificar esta nova escravidão os egoístas ajuntadores de riqueza através de prostitutos da consciência propagam mil e um argumentos que apesar de cinicamente antissociais, dizem tratar-se da justiça de um monstro denominado livre mercado, aberração social que vê justiça no fato de ser uma pessoa atingida por catástrofe ser forçada a pagar valor exorbitante por um copo d’água. É através do monstro Mercado que os empregadores obrigam os empregados a construírem imensas riquezas para lhes servir de deleite porque ninguém precisa de imensa riqueza para viver uma vida agradável. Na página 81 do livro Justiça, de Michael J. Sandel, editora Civilização Brasileira, no capítulo Filosofia do Livre Mercado, o autor se refere ao pensamento do filósofo Robert Nozick, na verdade, em termos de vida social, uma grande sacanagem que é a seguinte: “Cobrar impostos do rico para ajudar o pobre é coagir o rico. Isso viola seu direito de fazer o que quiser com aquilo que possui”. No final da página 77, outra sacanagem: “... nada há de injusto na desigualdade econômica desde que ela não resulte do uso da força ou de fraude, mas das escolhas feitas em uma economia de mercado”. No final da página 78, outra barbaridade social diz o seguinte: “... temos o direito de fazer o que quisermos com aquilo que nos pertence, desde que respeitemos os direitos dos outros de fazer o mesmo”.

Tudo isto vai de encontro a uma vida social equilibrada. Tanto isto é realidade que por seguir esta falta de lógica o mundo se encontra aos frangalhos e a infelicidade bate em absolutamente todas as portas e o medo de uma hecatombe nuclear não pode ser considerado exagero. Em termos de comportamento socialmente equilibrado, é nessa monstruosidade em que veio dar o mundo chamado de civilizado, no qual se justifica que apenas um por cento das pessoas possuam noventa e nove por cento da riqueza existente, o que exige da humanidade mais um salto para passar da atual quarta fase denominada Contemporânea para uma quinta fase na qual vislumbrem reais indícios de civilização. O primeiro passo nesse sentido é dispensar a humanidade de ser tutelada, comportamento que lhe justifica a alcunha de manada uma vez que é obrigada a fornecer os meios para custear uma sociedade sem direito a usufruir dos recursos de que ela dispõe como proteção às adversidades, direito este restrito a um grupinho de parasitas que subjuga o mundo com aquiescência de noventa e nove por cento dos seres humanos sempre enganados e satisfeitos.

 Em oposição ao governo absoluto dos reis, os opressores da humanidade inventaram um negócio de poder tripartite e uma tal de democracia, garantindo que daquele momento em diante o poder seria exercido em nome do povo através de representantes por ele escolhidos. Considerando que esse negócio de poder é conferido pela posse da chave do cofre que guarda a riqueza pública, estas garantias nunca passaram de palavras vazias de políticos porque os supostos representantes do povo têm objetivos bem diferentes dos de cumprir o dever de zelar pela sociedade que representam, como mostra a Operação Lava Jato detratada por quem parasita a sociedade e seu séquito de baba ovo. Tão enviesada se encontram as coisas por aqui que as cadeiras do parlamento são ocupados por hienas às quais é servida carniça. Triste povo. Triste país. Tristíssima juvente. Inté.       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  


      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ARENGA 448


Ler um livro sobre filosofia lembra a afirmação de Politzer, o Grande Mestre do Saber que afirmou ter sido a filosofia convertida na arte de deixar as pessoas com a cabeça às tontas. Efetivamente, é o que acontece. Quanto maior o número de títulos honoríficos de glorificação ao autor dos livros sobre filosofia, maior é a confusão porque o que eles fazem é armar uma tremenda demonstração de erudição sem qualquer conotação de praticidade no que diz respeito àquilo de que a humanidade mais carece: engendrar uma forma menos estúpida de viver. A filosofia virou um desperdiçar de conversa difícil que torna incompreensível algo na verdade muito simples. Pode alguém ter qualquer dificuldade em entender o que seja ter amor à sabedoria, até agora a melhor definição do que seja filosofia? Pois é isto em que se resume a filosofia e a ninguém é dado o direito de desconhecer o que significa nem amor e nem sabedoria. Amor, embora para a brutalidade que ainda caracteriza os seres humanos signifique trepar, na realidade, é algo que paira tão alto que vai além daquela atração irresistível que um espécime de um sexo sente por outro do sexo oposto e que as pessoas menos brutas envolvem num manto de romantismo uma vez que os seres humanos são tão ligados às fantasias que fazem mil e um devorteios fantasiosos em torno de algo tão simples como a exigência natural do instinto de conservação da espécie. A palavra amor vai muito além destas coisas porque o desejo de união que lhe é inerente se refere também a um sentimento ainda mais nobre, o sentimento de irmandade que deveria unir os seres humanos pelo fato de dependermos todos das mesmas coisas e vivermos no mesmo mundo físico, sentimento este que se observado faria com que a sensação agradável de viver não fosse apenas uma ilusão que vai aos poucos se apagando juntamente com a fase alegre da juventude tão distante da realidade que bate três vezes na madeira ao ouvir falar em morte, como se os jovens não tivessem de algum dia estar cara a cara com ela. Tendo em vista ser o bem-estar da comodidade o objetivo de qualquer ser vivo, quem quer que se ponha a pensar sobre a vida de modo inteligente inevitavelmente chegará à conclusões que levariam a fazer opção por uma forma melhor de se viver do que esta forma de vida que se faz acompanhar de sofrimentos sem fim. Seria realmente inevitável tanto sofrimento? Seria verdadeiramente necessário que os seres humanos vivessem sobressaltados, com medo? Por que motivo jovens deixam de viver a alegria da juventude para se explodirem em meio a outros jovens? O Papa lavar e beijar o pé de um infeliz contribui para aliviar a tormenta causada pelas infelicidades, principalmente as infelicidades causadas às famílias das crianças molestadas sexualmente pelos seus auxiliares na tarefa de fazer com que as pessoas se liguem em fantasias em vez de realidades, crimes para os quais o Papa pede desculpas?

Toda a confusão sobre esta coisa simples de parar para pensar a vida é intencionalmente arquitetada para impedir o desenvolvimento espiritual dos seres humanos porque à medida que se evolui espiritualmente menos apego se tem aos jatinhos, lanchas, palácios, contas nos infernos fiscais, pose na revista Forbes, e coisas que tais. Acontece, porém, que por força da estupidez humana, a palavra sociabilidade atemoriza as mentes mumificadas por educação que ensina a antissociabilidade existente no procedimento de individualidade que leva ao “cada um por si” incompatível com a vida comunitária, irracionalidade observável na diferença que caracteriza os ignorantes que fazem pose na revista Forbes e os ignorantes da sarjeta que estendem a mão por esmola, o que se deve unicamente por conta da burrice que caracteriza a ostentação em oposição a sabedoria existente na simplicidade. Há realmente sabedoria na simplicidade. Embora sem o exagero de Diógenes, que por apego à simplicidade andava nu, usando um barril para cobrir “as partes”, exageros à parte, considerando a realidade de serem limitados os bens materiais de que todos necessitamos e cuja falta provoca inquietação, inconformismo e a revolta da qual provém o medo que toma conta do mundo, fica sobejamente claro ser burrice das grandes o ajuntamento desses bens nas mãos de poucos ignorantes que através da ostentação torna pública sua ignorância de sociabilidade. Entretanto, apesar de ter tudo a ver com intranquilidade social, o objetivo humano de riqueza vem sendo perseguido desde sempre, alcançando tão grande sucesso que um por cento dos seres humanos detêm quase toda a riqueza do mundo, razão pela qual o mundo está do jeito que está. Como pensar leva à conclusão de estar errada a cultura do ajuntamento de riqueza, e como ser contra a cultura do ajuntamento de riqueza vai de encontro aos interesses dos ricos donos do mundo que a fomentam, para impedir o desenvolvimento da arte de bem pensar é que se alimenta o desestímulo à atividade de pensar ou filosofar, tornando a filosofia um verdadeiro bicho de sete cabeças. Tenho aqui ao lado um livro chamado Filosofia, do intelectualíssimo Stephen Law, Editora Zahar, que é uma demonstração do mais alto eruditismo inútil em torno dos primeiros pensadores, os filósofos antigos, cujos ensinamentos não obstante sábias reflexões merecem restrições em função de terem vivido épocas em que a religiosidade, a crença na existência de Deus, não admitia contestação como hoje que o conhecimento empírico adquirido com a vivência faz perceber só se sustentar por força da ignorância fomentada pelos dirigentes do mundo para atrofiar a capacidade de raciocínio. A irrealidade da existência de Deus é mostrada pelo fato palpável de exercer Sua presença maior influência exatamente nos lugares onde são maiores os sofrimentos em consequência do desconhecimento proveniente do atraso mental que na Idade Média se atribuía a Peste Negra tinha às feiticeiras, e muitas mulheres foram queimadas por conta de se ignorar que a doença estava nos ratos e era transmitida pelas pulgas que os parasitavam do mesmo modo como as “excelências” parasitam o bicho povo. Assim, por força do lento, mas inevitável desenvolvimento do esclarecimento, a existência de Deus permanece apenas em função da recusa em ser admitida a verdade depois de ter sido a mentira enraizada na personalidade. Como no tempo dos antigos pensadores a ciência era condenada pela religiosidade e praticamente não se contestava a existência de Deus, quase todos os filósofos de então se deixaram levar pelo engodo divino, razão pela qual seus ensinamentos merecem restrições, conclusão a que se chega pelo fato de que para grandes pensadores a guerra era uma necessidade. Hoje, pode alguém ver nas guerras senão como consequência da estupidez humana? A ninguém mais, principalmente aos pensadores, é dado o direito de desconhecer que a religiosidade é ao mesmo tempo causa e causadora do atraso do qual se beneficia o modelo escravizador de administração pública do qual participa ativamente a religiosidade. No livro 1808, página 58, entre as causas da decadência do reino de Portugal, Laurentino Gomes diz o seguinte: “De todas as nações da Europa, Portugal continuaria sendo, no começo do século XIX, a mais católica, a mais conservadora e a mais avessa às ideias libertárias que produziam revoluções e transformações em outros países. A força da Igreja era enorme. Cerca de 300.000 portugueses (10% da população) pertenciam a ordens religiosas ou permaneciam de alguma forma dependentes das instituições monásticas. Só em Lisboa, uma cidade relativamente pequena, com 200.000 habitantes, havia 180 monastérios. Praticamente todos os edifícios mais vistosos do país eram igrejas ou conventos. Por três séculos, a Igreja havia mantido submisso o povo, seus nobres e reis. Por escrúpulos religiosos, a Ciência e a Medicina eram atrasadas ou praticamente desconhecidas. D. José, herdeiro do trono e irmão mais velho do príncipe regente D. João, havia morrido de varíola por sua mãe, D. Maria I, tinha proibido os médicos de lhe aplicar vacina. Motivo? Religioso. A rainha achava que a decisão entre a vida e a morte estava nas mãos de Deus e que não cabia à Ciência interferir nesse processo”.

A conclusão da irrealidade de Deus veio à tona independentemente de estudo e inteligência. Tal realidade foi absorvida pelo conhecimento empírico resultante da observação das coisas da vida. Como os antigos pensadores não tiveram tanto tempo assim para observar a vida, incorreram em bobagens do tipo desta citada na página 69 do livro Filosofia sobre o qual tratamos, atribuída ao pensador René Descartes: “Não seria possível eu ter em mim a ideia de um Deus, se Deus não existisse realmente”. Ora, nisto há uma falta de lógica do tamanho do mundo porque a ser o pensamento determinante da existência das coisas cruzaríamos diariamente nas ruas com Papai Noel comprando apetrechos para sua fábrica celestial de brinquedos, Saci Pererê aprontando pelaí, Mula Sem Cabeça aterrorizando, e tantas outras criacionisses do imaginário. Por estas e outras é que os intelectuais deveriam ser o carro chefe na luta pela condução do pensamento na direção da revogação do modo de vida até aqui vivido, fundamentado em mentiras, falsidades e ludíbrios, quando aquilo de que se faz necessário, na verdade, é optar pelas verdades em vez de tergiversar inutilmente em torno do que aí está porque do que aí está resultou no que está aí. Na página 107 do livro citado, tem-se: “Se Deus é amor e a fonte da moralidade, então fazer o que é amoroso aos olhos de Deus é fazer o bem, como madre Tereza”. Ora, se o que fez madre Tereza foi caridade, a existência de quem necessita de caridade denuncia falta de uma administração pública correta como a vigente no mundo que considera normal a distorção que permite apenas alguns se apossarem dos recursos que a todos devem servir. Desta forma, o que se faz necessário é corrigir a distorção na administração da riqueza pública, mas nunca usar da caridade para mitigar o sofrimento do sofredor por não existir motivo de sofrimento por falta de recursos materiais. Se há é por serem eles desviados de sua verdadeira finalidade, como, por exemplo, a imensa riqueza gasta com o pão e circo, os palácios e imensa plêiade de parasitas tratados de excelências e a pão de ló. Talvez por ter chegado à realidade insofismável de ser a caridade o caminho errado conclusão a que teria sido leva pela sabedoria companheira da velhice, segundo matéria publicada numa das antigas revistas Veja ou Istoé dava conta de uma carta escrita por madre Tereza em seus últimos dias ao seu confessor na qual ela dizia ter sido inútil o seu trabalho, como realmente foi porque apesar de toda a caridade existente no mundo a miséria é cada vez maior. Problema social só pode ser resolvido por meio de política. Nunca através de ação individual por piedade a quem sofre.

Ainda sobre o tergiversar inútil da intelectualidade em torno do simples ato de pensar, na página 123 do mesmo livro de que tratamos tem-se o seguinte: “Num álbum de fotografias, vemos fotos de nós mesmos em diferentes estágios da vida. O que faz de todos esses indivíduos a mesma pessoa?” Dentro do raciocínio em torno do qual se desenvolve o texto faz sentido a elucubração. Mas, do ponto de vista de se viver melhor, isso é apenas bolodório inútil porque a diferença entre uma e outra fases da vida resulta do correr do tempo. Tais divagações se justificam apenas como deleite da atividade mental. Entretanto, com as pessoas vivendo tal estado de brutalidade que supera a brutalidade dos irracionais, vivendo-se de modo tão estranho que pais não se preocupam com o futuro dos filhos que ingerem veneno no leite materno, toda atividade mental deve girar em torno do porquê de ser assim, se assim não deve nem precisa ser. Absolutamente nada justifica viver a humanidade sob o jugo da escravidão assegurada, inclusive, pelo Deus adotado como paradigma para o comportamento humano, como se vê de   Êxodo 21:1-11-26-27. Deuteronômio 15:12-13-14. Efésios 6:5. Colossenses 4:1. Falsidades e mentiras sempre formam a base sobre a qual está assentada a sociedade humana, o que pode ser facilmente percebível mediante a forma tão esquisita como está estruturada nossa sociedade que seu destino é decidido por apenas alguns gatos pingados denominados excelências, reverenciados pelos demais, o que vai de encontro à sabedoria existente no adágio “quem quer, vai, quem não quer, manda”. Nunca que chegará a sociedade a bom termo com as pessoas que a compõem interessadas apenas no resultado da administração pública e desinteressadas na forma como está sendo feita esta administração. A administração pública ou política sempre foi praticada de forma tão desenxabida que a melhor forma até agora engendrada é tida como melhor apenas por não haver outra pior. É o que se diz da democracia. Mas só não existe forma eficiente de política por conta da estultice de ficar de cá entregando dinheiro a brutos seres humanos esperando deles nobreza suficiente para empregar corretamente esse dinheiro. Aí estão os palácios, o esbanjamento e o roubo mostrando esta realidade. A distorção da administração pública vem de longe. A figura humana considerada guia mental dos executores da política, o senhor Maquiavel, endeusava de tal forma o governante que na introdução do seu livro considerado a bíblia dos políticos, O Príncipe, se dirige a um príncipe (governo da época) como VOSSA MAGNIFICÊNCIA por sete vezes, e apesar da poesia das  palavras “Assim como é preciso se posicionar na planície para se considerar a natureza dos montes, e nos montes para se considerar a natureza das planícies, assim também para conhecer bem a natureza dos povos é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é necessário ser do povo”,  o senhor Maquiavel incorre em falha ao supor ser interesse do governo (príncipe) conhecer o povo de perto. O único interesse dos governantes  em relação ao povo é atochar-lhe o ferro até o dia em que a massa bruta de povo passar à categoria de gente e colocar as “excelências” no seu devido lugar de simples trabalhadores como os demais, sujeitos a cumprir a vontade do patrão. Até que isto ocorra, povo continuará a ser o elemento tão desprezível que o general Figueiredo em sua rude sinceridade afirmou preferir cheiro de cavalo ao de povo, no que tinha inteira razão dado ao comportamento inusitado de manada próprio de quem ainda se encontra na fase rude de povo. Como entender adultos soltando bombas e foguetes, estraçalhando-se aos socos como divertimento para outros adultos, aplaudindo a substituição de escolas e hospitais por terreiros de praticar brincadeiras, se estas coisas são coisas de criança? Inté.

 

 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

ARENGA 447


“É inadmissível elaboração de leis imorais, cujo único propósito seja privilegiar alguns poucos indivíduos, locupletando-os injustificadamente à custa das pessoas que sustentam financeiramente o Estado com seu trabalho”.

Considerando que a função das leis é assegurar a ação da justiça em sua importante e necessária tarefa de tentar amenizar a tendência natural à brutalidade que os seres humanos carregam na alma e que os obriga a se destruírem mutuamente, embora sem sucesso nesse sentido porque sempre houve quem se locupletasse às custas de outro, ainda assim, a existência de leis e um corpo de funcionários públicos com o poder de fogo indispensável aos ambientes onde predomina a selvageria que iguala a sociedade humana à dos irracionais, ao forçar o cumprimento às determinações legais esta força bruta consegue manter pelo menos uma tênue tranquilidade que não existiria sem que nada coibisse a maldade humana que em nada difere da brutalidade do morticínio das selvas.  Desta forma, tendo as leis por finalidade assegurar que haja pelo menos um mínimo de justiça, pode haver alguma contestação quanto à perfeição do pensamento expresso na declaração em negrito que dá início a estas mal traçadas? Evidente que não. O que está dito ali é exatamente aquilo a que se propõe a fazer a justiça: coibir que alguns ressuscitem a escravidão da chibata. Pois, apesar de não haver o que retocar naquela afirmação, há quem a conteste no meio desse povo tão esquisito que sua personalidade está muito mais para rato do que para ser humano. Quase inacreditável se não se tratasse de brasileiros é haver entre os contestadores autoridades dos próprios órgãos responsáveis pela elaboração das leis e aplicação da justiça. Quem fez aquela declaração sensata e socialmente irretocável foi ninguém menos que o doutor Rodrigo Janot, que apesar de defender com unhas e dentes a sociedade contra a ação predatória da ratazana, o que equivale a proteger o futuro dos filhos dos jovens imbecis futucadores de telefone, seu trabalho merece menor reconhecimento do que o trabalho prejudicial à sociedade de fomentar o analfabetismo político executado por pobres mendigos mentais que inocentemente por conta da ignorância de sociabilidade que caracteriza o bicho povo se tornam marionetes do pão e circo aos quais é proporcionada vida abastada em retribuição à atividade de distrair a atenção da malta para as brincadeiras enquanto os malandros fazem a festa em cima do erário. Como a humanidade vive de mentiras, pessoas esclarecidas o bastante para conhecer esta realidade fazem coro com os pobres infelizes que desconhecem ser o pão e circo responsável por grande parte da dinheirama que escorre pelo esgoto da corrupção que fomenta a violência e, por conseguinte, infelicita a sociedade da qual participam os filhos dos apologistas do pão e circo nefasto. É tão desequilibrada nossa sociedade que um condenado à prisão está em campanha país afora como candidato à presidência da república, afirmando que seus acusadores é que estão errados. Sendo o doutor Janot o carro-chefe da Operação Lava Jato, contra ele e seus colegas do Ministério Público insurgem contestadores quanto à legitimidade do trabalho de procurar expurgar marginais do meio social. Conforme noticia o jornal Folha de São Paulo, esse candidato condenado à prisão teria afirmado não só que os responsáveis pela Lava Jato são canalhas, mas também que Nenhum juiz tem o direito de contar mentiras a respeito dele e dizer que ele roubou. Acontece que não é só o juiz que o condenou à prisão quem diz tratar-se de ladrão porque um jornalista/escritor chamado Ivo Patarra escreveu o livro O Chefe, no qual há todo um cabedal de denúncias de roubos e falcatruas praticados pelo presidiário/presidente sem que fosse desmentido. Como quem cala consente, prevalece o que foi dito pela acusação.

A singularidade da sociedade brasileira que a torna incomparável na prodigalidade de promover coisas ruins, de buscar mais infortúnios além daqueles que a é pródiga em produzir, esta estranha característica encontra explicação na circunstância de ser nossa sociedade formada por pessoas que dão origem a notícias como a de ter uma pastora doado chácaras compradas pelos fiéis de sua igreja ao marido dela, também pastor. Como estupidez é a marca registrada por aqui, outra notícia dá conta de que um ex-ministro do STJ recebeu propina de R$ 5 milhões. Taís notícias são regadas a muito festejamento. Coisas assim caracterizam esta sociedade de parvos frequentadores de igreja, axé e futebola, povo que faz festa com os recursos de que dispõe para comer. O segundo mais importante estado deste país de triste sorte, unidade da federação habitado pelo povo considerado o mais esperto entre todos os demais que por aqui pastam, gastou tanto dinheiro em festas que agora grande parte dele dorme debaixo das marquises e seus funcionários públicos viraram pedintes. No estado considerado o primeirão de todos em riqueza, onde vive o povo que se autoconsidera mentalmente superior aos demais, mas que é tão insignificante espiritualmente quanto os demais, talvez ainda mais pela inexistência de motivo para a petulância próprio dos ignorantes que   elegem quantas vezes se candidate um deputado condenado à prisão em outros países e que aqui é deputado e milionário às custas dos petulantes “bacanas” e “sabichões”. É, realmente uma calamidade a sociedade brasileira. A malandragem por aqui é tal que sob pretexto de trabalhar em benefício da sociedade, malandros, aventureiros, religiosos, enfim, a escória mental da sociedade, têm a desfaçatez de pleitear arrancar da comunidade a fabulosa soma de três bilhões e seiscentos milhões de reais para custear as despesas com sua eleição a cargos eletivos, o que foi magistralmente analisado pelo jornalista Ricardo Boechat como o cúmulo da safadeza a pretensão de obrigar a sociedade a ter de arcar com os custos para que malandros se tornem profissionais políticos, quando todas as demais profissões são custeadas pelos que se dispõem a exercê-las. Apesar de serem as coisas ruins a característica dos brasileiros desde que deles se tem notícia, os amaldiçoamentos que os infelicitam atingiram atualmente níveis insuportavelmente alarmantes. É de dar dó ver pobres desvalidos ostentando cartazes onde se lê “EXIGIMOS RESPEITO     .” Foi incorporada à nossa personalidade social a convivência pacífica com a ausência de pudor, moralidade e autoestima. Consta no mesmo jornal Folha de São Paulo que um ministro desse desmoralizado Estado Brasileiro declara ter estranhado ser retirado da fila na hora de entrar no avião rumo aos Estados Unidos, para onde ia a serviço, sob alegação da necessidade de ser submetido a uma revista especial. Como à tal revista especial não fora submetido nenhum outro passageiro, o ministro pediu explicação perguntando a razão pela qual ele era motivo de um cuidado à parte, ao que o funcionário lhe explicou tratar-se de ordem do governo americano. Apesar de fazer parte o ministro do ambiente de Brasília, ao optar por não viajar a submeter-se à tal revista especial determinada por Tio Sam, o ministro demonstrou ser homem de fibra, apesar de ser brasileiro. Quem observa o dever cívico de acompanhar o que diz a imprensa sobre os acontecimentos de seu país sabe que houve um ministro brasileiro que se rebaixou a tirar os sapatos como um marginal qualquer para ser revistado num aeroporto americano e outro que beijou a mão de candidato a presidente do país que dá ordens aqui dentro, o que envergonharia este país de safados que roubam até animais no zoológico, além da Cruz Vermelha, caso eles soubessem o que é vergonha e não se agachassem com tanta facilidade. As notícias sobre a sociedade brasileira giram exclusivamente em torno de roubos, viadagem, putaria, pão e circo, assassinatos, mortes através de uma gama de acidentes, e para completar a lista de patifaria, a podridão política. Coisas assim são corriqueiras: “Ex-ministro do STJ recebeu propina de R$ 5 milhões.” – “Escândalos de corrupção no governo contribuem para aumento de violência contra policiais”. – “Chega a 100 o número de PMs mortos no Rio de Janeiro desde o início do ano”. – Base no Congresso pretende usar discussão de medidas para cobrar cargos e verbas.” A jurista Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça da Alemanha, afirmou em São Paulo que "há dúvidas cada vez maiores" sobre se o Judiciário brasileiro coloca o país na lista de lugares onde o Estado de Direito não é respeitado”.  

 A insustentabilidade das ações governamentais no Brasil é tão flagrante que existe um ministério voltado para as brincadeiras. Dinheiro aqui é para ser roubado sob aplausos dos roubados. Os funcionários públicos zelosos do dever de proteger a sociedade são cobrados de faltar com o respeito aos ladrões. Está também no jornal Folha de São Paulo a seguinte censura aos procuradores públicos graças aos quais estão sendo retiradas muitas mutretas de debaixo do pano para serem expostas à indignação social dos capazes de se indignarem. Diz o jornal: “A Lava Jato voltou à violação imprópria da vida privada. Desta vez, divulgou uma conversa familiar entre Jacob Barata Filho e uma de suas filhas, ambos preocupados com o estado psicológico da outra filha. É só sadismo dos divulgadores”. Aí está. Era só o que faltava! Como sadismo perseguir bandidos, se sádicos são eles que roubam o dinheiro do leite das criancinhas e as deixam à míngua? Àqueles a quem é dada a faculdade da percepção certamente que meditam sobre o motivo que leva intelectuais à convicção de sermos todos uma toupeiras incapazes de enxergar sacanagens nos melindres quanto ao estado psicológico dos quadrilheiros engravatados que saqueiam o erário e sacrificam a sociedade enquanto sofredores premidos pela necessidade de roubar migalhas amargam o inferno dos presídios. Só as entrelinhas do que se ouve e lê podem explicar o que há por trás de tanto embuste. Toda a dificuldade está no fato de que o alcance ao conteúdo das entrelinhas exige muita dedicação, esforço e vontade de alcançá-lo, coisas que inexistem na massa bruta e ignorante da manada em seu corre-corre diário a fim de produzir mais riqueza para os infernos fiscais.

Embora o termo socialismo defina com maior precisão o espírito de cooperação ou o sentimento de irmandade sem o qual seremos eternamente infelizes, veio ele a adquirir conotação de determinada forma de exercer política. Como a política é sempre exercida de modo a maltratar o povo, o termo socialismo, com justa razão, passou a merecer justificada ojeriza. Entretanto, absolutamente nada justifica desinteresse pela política porque dela depende o bem-estar social. Afastar-se da atividade política é incorrer no mesmo erro de quem compra um carro usado de um brasileiro acreditando no estado de conservação descrito por quem o vende. Até quando terá esse belo país tão triste sorte? Como a juventude que tudo pode entende mesmo é de futebola, fica levantada prá ela a bola para ser iniciado o jogo de colocar sensatez e integridade onde predominam a estupidez e indecências. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ARENGA 446


O mundo dito civilizado não é assim tão dessemelhante do mundo das republiquetas de banana que vendem carne alterada, porque lá são vendidos ovos também alterados. Mas a coisa por aqui é tão estupefaciente que acaba de sair uma declaração do governo dizendo que o caminho certo para o Brasil é o caminho da criminalidade. Se é a criminalidade o dia a dia dos brasileiros, prática encontrada por exemplo na defesa empenhada da Advocacia Geral da União para que o deputado ladrão apanhado com a mala de dinheiro não perca o direito ao seu salário, pelo menos teoricamente o instinto de rato era disfarçado. Agora, não. Agora nesta sociedade de párias sociais é o próprio governo que induz a juventude à criminalidade através em uma propaganda que termina afirmando que BRASÍLIA ESTÁ NO CAMINHO CERTO. Sendo lá em Brasília onde se localiza o quartel general de Ali Babá, declara-se, pois, que o caminho certo é o caminho da criminalidade, declaração que deixaria estarrecidos os pais desse país de triste sorte por estarem seus filhos sendo induzidos a se tornarem bandidos. Levando-se em conta que a sociedade brasileira convive harmoniosamente com a assombrosa realidade de que o crime compensa, o qualificativo sapiens em Homo Sapiens, no que se refere aos brasileiros seria mais apropriado que eles fossem qualificados de Homo Paquidermens. O brasileiro é uma espécie de gente que não parece gente. Seus falsos líderes, as “excelências”, a fim de não deixar cair a peteca da idiotia que lhes permite tosquiar o rebanho de cristo, complicaram tanto o processo simples de ir à urna e votar que em torno disso inventaram coisas assim: maioria relativa –  escrutínio majoritário plurinominalvoto proporcional –  sistema de lista abertamétodo majoritárioquociente eleitoraldistribuição das sobras quociente partidário – voto distrital – sistema eleitoral de lista aberta – sistema eleitoral de lista fechada. Entretanto, a ninguém parece ocorrer a realidade de ser isto nada mais do que a materialização da teoria de que a confusão beneficia os malandros. E tanto beneficia que os malandros responsáveis pela malandragem desta confusão em torno de eleição acabam de tomar da sociedade a fábula de três bilhões e seiscentos milhões para serem gastos com a fim de ir o eleitor e marcar seu voto. Simples assim. A imprensa diz que no Rio de Janeiro, terra do brasileiro considerado “esperto” a população já não se importa de ter as marquises por teto sob o qual dormir. Sei não, viu? Mas o brasileiro é realmente um povinho desgraçado. Como pode alguém ir dormir debaixo das marquises, sem se ligar no fato de estar seu dinheiro nas obras faraônicas do pão e circo e da corrupção? Onde está a capacidade de raciocinar de uma juventude incapaz de uma só ação em defesa de seus filhos ameaçados de terem de dormir sob marquises ao lado de monumentais templos que homenageiam o desperdício e o escárnio à população? Como aceitar dormir ao relento enquanto seu governador aluga um jatinho por dois e meio milhões? Resposta: Ora, pois, tratando-se de brasileiros que já têm o cangote calejado pela canga, nada há de se estranhar sobre eles. No entanto, é absolutamente estranho que brutamontes espirituais travestidos de líderes políticos se relacionem com a sociedade que parasitam com uma indiferença maior do que a indiferença com que senhores de outras casas grandes se relacionavam com os escravos de outras senzalas porque aqueles escravocratas se preocupavam com a sanidade de seus escravos a fim de que não ficassem impossibilitados de trabalhar, o que não acontece com os falsos líderes para os quais é indiferente se seus escravos tenham as marquises por abrigo. Eles simplesmente colocam um leão para tomar dinheiro da sociedade independentemente de qualquer consideração anterior. Possa ou não possa, o relacionamento dos falsos líderes com a massa bruta de povo é na base do ou dá ou desce. Taí, à vista, enquanto os “espertos” cariocas dormem sob marquises, seu governador aluga jatinho para ir a Brasília buscar o dinheiro que os brasileiros bonzinhos despejam no impostômetro uma vez que as contribuições dos escravos cariocas não são suficientes para as mordomias que a população está acostumada a proporcionar de bom grado aos parasitas tratados de “excelências” e a pão de ló.   

A necessidade de reformar a confusão do sistema político montada pelos falsos líderes que o embaralharam para que a confusão os beneficiasse, se feita pelos próprios falsos líderes terá por única finalidade defender seus interesses escusos, o que fica sobejamente provado com o fato de ter esta reforma logo de entrada transferido a fabulosa quantia de três bilhões e seiscentos milhões para os malfeitores das corporações criminosas denominadas partidos políticos. Como se não bastasse, segundo a imprensa, é o próprio relator da proposta de reforma que propõe ressuscitar as doações ocultas nas campanhas e ampliar os limites para que pessoas físicas possam financiar candidatos, além de colocar barreiras e vedações à divulgação de pesquisas eleitorais. Aí está, pois, a prática da política exercida por debaixo dos panos cuja malandragem já começa a ser percebida aqui e acolá. Algumas pessoas, embora sem saber de onde vem o canto, ouvem um galo cantar. Poucas pessoas, é verdade, percebem haver algo de errado e já procuram corrigi-las. Mas como do pouco também se chega ao muito, à medida que mais pessoas perceberem o papelão que fazem nessa forma de sociedade, mais perto estará o dia da mudança para algo que se espera pelo menos não ter por objetivo a produção de infelicidades. É preciso, para o bem das próximas gerações, descobrir onde canta o galo da malandragem e escutar que que ele está dizendo não ser possível à sociedade ficar a mercê do corporativismo que anula o princípio de controle entre os poderes uma vez que já existem juízes cuidando proteger malandros da política e a OAB trabalhando para não ser cerceado do criminoso o direito ao longo caminho dos infinitos recursos a fim de dar aos advogados oportunidade de ganhar dinheiro protelando indeterminadamente a condenação dos criminosos ricos ou mesmo o fim da condenação pela prescrição.   

Como para o brasileiro de triste memória sofrimento nunca é demais, depois de pisar e repisar uma encheção enfadonha e nojenta sobre esta excrescência da artimanha da reforma política, a papagaiada de microfone passa agora a virar o disco e pisar e repisar sobre alteração da meta fiscal que objetiva suprir uma inexistente falta de dinheiro.  Não desperta nos brasileiros infelizes e festeiros a necessidade de questionar se falta realmente dinheiro, o que é a coisa mais fácil do mundo de fazer. Basta assuntar para o que diz a imprensa e o que acontece e pode ser visto à volta. De acordo com a arrecadação mostrada pelo impostômetro, os brasileiros sempre de quatro entregam ao governo cerca de quatro milhões de reais a cada minuto. Para se saber disto basta pedir ao amigão Google sobre o impostômetro. Prestando atenção se perceberá que em quantos minutos a coluna dos milhões avança quatro vezes. Isto mostra ser simplesmente impossível faltar dinheiro para coisa nenhuma. Constatada a realidade de não faltar dinheiro, cabe agora assuntar para o que está sendo feito do dinheiro existente. A Operação Lava Jato mostra que o destino de grande parte de toda aquela dinheirama é consumida em falcatruas entre os ladrões das empresas e os da política, também conhecidos por “excelências”, enquanto que as mordomias destas “excelências” consomem outra gorda fatia daquela fabulosa arrecadação DE CERCA DE QUATRO MILHÕES DE REAIS A CADA MINUTO.

Quando os papagaios de microfone anunciam algo de positivo, as entrelinhas dizem ser negativo. Alardeia-se, por exemplo, nesse momento, como coisa boa o desenvolvimento do setor de serviços, o que na realidade, como diz a própria imprensa, deve-se à época em que imbecis também chamados de turistas arribam mundo afora gastando as economias que fazem para esse fim. Entretanto, com o surgimento de novas e desconhecidas doenças, estes idiotas transformados em fotógrafos se tornam um veículo transmissor de doenças para uma sociedade onde os corredores dos hospitais já estão abarrotados de doentes chorando por atendimento. Tanto a realidade quanto a irrealidade está mostrado na imprensa. Ela mostra os milagres resultantes da deturpação da política, mas esconde o demônio responsável por eles ou até mesmo os exalta quando recebe pagamento para dizer que do agribiuzinesse e dos bancos resulta algo de positivo para a sociedade. Nesse exato momento, vendo no Yahoo Notícias que o doutor Sergio Moro diz que a reforma política proposta não é uma verdadeira reforma, como realmente não é, minha veia de cidadania me levou a comentar a notícia dizendo que o doutor Moro incorria em erro porque ele, como todo cidadão, deseja uma reforma que moralizasse o sistema político, de modo a beneficiar a sociedade. Desse ponto de vista, a reforma realmente não é verdadeira. Porém, do ponto de vista dos reformadores malandros, a reforma é verdadeira e legítima do ponto de vista deles uma vez que atinge o objetivo de possibilitar o parasitismo sobre a sociedade que lhes permitiu surripiar do povo conformado a fortuna de três bilhões sob alegação de despesas com a eleição. Entretanto, antes de completar meu comentário sobre a verdadeira finalidade da reforma política, como num passe de mágica, o poder das forças ocultas fez com que o meu comentário simplesmente desaparecesse. É desta forma que a imprensa acoberta os desmandos através do poder das forças ocultas que fazem desaparecer qualquer referência verdadeira à desordem reinante, por mais humilde que seja esta referência.

Apesar de quase imperceptível, o esclarecimento é inevitável mesmo em seres de praticamente nenhuma atividade mental algo mais elevada como são os brasileiros. Até os irracionais são capazes de evitar repetir algum procedimento que lhe tenha resultado experiência desagradável. Desta forma, graças a esta inevitabilidade do processo de esclarecimento, a política exercida às escondidas começa a ser questionada, principalmente no Brasil, onde o povo é maior vítima do resultado de artimanhas como encontros furtivos noite a dentro no palácio do Jaburu e ação abertamente política de ministros do STF. Por conta deste lento mas real esclarecimento é que já se percebe não estarmos mais nos tempos de se distrair vendo leões comendo pessoas, enquanto no interior dos palácios era decidido o destino do povo sem que ninguém visse nada de errado nisso, o que já não acontece com tanta tranquilidade, evidenciando-se, assim, algum progresso no caminho da civilização, evidência esta que se faz notar no incipiente inconformismo demonstrado por gatos pingados através de comportamentos que embora inadequados não deixam de ser inconformismo, o que é melhor em termos de sociabilidade do que a conformação pura e simples de permanecer em erro.

É como diz a razão de quem observa a realidade da vida: à imprensa não interessa mudar nada num mundo em que se acha de posse do melhor quinhão daquilo que é considerado fator de tranquilidade e bem-estar: a riqueza. Entretanto, por força do ofício de informar, ela acaba promovendo a mudança indesejada por ela mesma ao mostrar a pontinha da montanha de corrupção e desmandos que fica do lado de fora do mar das mentiras, farsas e falcatruas das quais provêm os infortúnios que amaldiçoam esta sociedade paquidérmica infensa à necessidade premente de mudança mostrada cotidianamente pelas notícias da imprensa, como a que dá conta da reunião do banqueiro Henrique Meireles em com um grupo de outros sorridentes parasitas sociais, acompanhada de outra notícia dando conta de que o economista Sardenberg diz que o funcionalismo público será afetado ainda mais pela reoneração e pelo reajuste da alíquota previdenciária. As maldades são engendradas em meio a sorrisos. É como se as “autoridades” tivessem sido tomadas por um surto de sadismo que os faz achar pouco que os felizes trabalhadores são levados a ter as marquises por teto e procurassem engendrar novas maldades para infelicita-los ainda mais. Outra notícia cujas entrelinhas revelam o caos moral é a de que o mesmo senhor Meireles pede ao mundo dos negócios para não rebaixar ainda mais o Brasil. É sabido que no mundo da moralidade e da decência o Brasil não tem mais para onde ser rebaixado. Se no mundo dos negócios e das negociatas ele ainda pode ostentar alguma altura, tal realidade é mais uma evidência da necessidade de mudança porque o mundo dos negócios e das negociatas tem por base a desagregação inerente à cultura do individualismo, o que se opõe ao indispensável sentimento de solidariedade que permite a aglomeração em grupos sociais. Tamanha indiferença quanto ao mal-estar social expõe a cambada cega de parasitas às mesmas aflições pelas quais no correr da história passaram outros parasitas que também se achavam inteiramente a cavalheiro. O que pode fazer quem é de paz, e o ideal seria que todos fossem, é desejar aos produtores de infelicidades que a inevitável mudança seja feita por uma juventude capaz de merecer o qualificativo sapiens que mude o curso da história de modo que não haja necessidade de acrescentar novas infelicitações às já existentes. Inté.

 

 

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 13 de agosto de 2017

ARENGA 445


O que há de melhor a fazer aqueles que se preocupam com o futuro dos filhos é refletir sobre uma realidade inexplicavelmente aceita por se tratar de grande burrada esse negócio de deixar que falsos líderes sejam responsáveis pelo destino de seus filhos. Não é mais permitido a ninguém ignorar que a administração pública foi tão desviada de suas finalidades que nada mais justifica sua presença nos moldes como é exercida por não serem aqueles para os quais foi estabelecida e que podem ser resumidos na responsabilidade de cuidar para que seja devolvido à sociedade em serviços o total dos recursos apurados com arrecadação de impostos, coisa que não ocorre em absolutamente nenhum governo no mundo. Aqueles governos nos quais o povo se acredita em posição cômoda, o que fizeram na verdade foi espoliar outros povos de modo tão brutal que atraíram para seus governados a ira dos espoliados, e agora não podem dormir sossegados com medo de inimigo à espreita. Do desvirtuamento da finalidade da administração pública resulta um vazio administrativo que estranhamente não parece interessar aos prejudicados preencher. Se a princípio a recusa de querer ver as coisas em ordem e as instituições cumprindo seu dever de administrar com dignidade possa parecer estranho, na realidade não é. Para se entender o motivo pelo qual as pessoas só se interessarem pelo futuro no que diz respeito a dinheiro é preciso considerar a influência dos meios de comunicação sobre o comportamento destas pessoas. Sendo assunto da maior importância social a realidade de ser a imprensa que molda o comportamento humano, precisa tal assunto ser pisado, repisado, esmiuçado e remoído à exaustão porque o comportamento resultante da orientação dada pelos meios de comunicação só tem trazido desarmonia e infelicidade, razão de sobra para se fazer necessário investigar o papel da imprensa na sociedade. O futebolês, idioma que nessa pátria desamada concorre em igualdade com o inglês, define com perfeição o papel da imprensa no cenário político do qual resulta o caos atual e um futuro semelhante ao inferno de Dante para as crianças de hoje porque a imprensa não joga o jogo da necessária mudança para uma nova cultura que substitua esta velha e defasada cultura produtora de infelicidades ao colocar as pessoas umas contra as outras por força do levar vantagem enraizado na personalidade formada sob o jugo dos meios de comunicação que fazem parecer normais coisas inteiramente contra os princípios que regem vida coletiva tais como a necessidade desnecessária de comprar e a agiotagem do sistema financeiro. Mas, se não joga, a imprensa levanta a bola para ser jogado o jogo da mudança, embora como parte do grupinho dono do melhor quinhão daquilo que a vida oferece, sua atuação seja pela manutenção da situação atual na qual lhe é garantido participar da divisão desonesta do erário. Porém, como formadora de comportamento, é inaceitável que ela não se dedique à implantação de um sistema social isento de injustiça por estar interessada em participar do esquartejamento do erário. Significativa fatia do bolo de Delfim Neto vai para a grande imprensa. Quando surge algum jornalzinho metido a besta de querer se insurgir contra os desmandos, a exemplo do Pasquim, Opinião, Movimento, Tribuna da Imprensa, e outros, não só são forçados a desaparecer, mas também perseguidos seus jornalistas até à morte a exemplo de Rubens Paiva e Vladmir Herzog.

Desta forma, sendo a imprensa que faz a cabeça das pessoas, e estando ela por motivos de interesses pessoais de seus proprietários conservadores a manutenção do estado atual de desordem que os beneficia e que os faz sentirem-se a cômodo nesta situação de desordem na qual vão para poucas mãos os recursos que a todos devem servir. É por isso que a imprensa se limita a noticiar crimes sem nem de longe pensar em admitir que a causa dos crimes é justamente o inexplicável e socialmente condenável ajuntamento da riqueza num só lugar, deixando ao léu os demais lugares. A importância do dinheiro é tão grande para a sociedade que dele depende a vida de cada um. Desta maneira, torna-se descabida a prática de não haver dinheiro em todos os lugares onde haja vida. Se a imprensa finge desconhecer esta realidade é por não jogar no jogo da virada para uma sociedade civilizada, o que fica evidente no fato de ser a responsável pela criação, manutenção e distribuição do pão e circo cuja última encenação é o estardalhaço sobre a festança que iluminou a Torre Eiffel para recepcionar um jogador de futebola, peça de grande importância na máquina de desviar a atenção da política para que os jogadores do jogo da corrupção possam jogar sem marcação. Entretanto, se a imprensa não joga no jogo da mudança a ser implantada quando a juventude se alfabetizar politicamente, por força da sua atividade de informar a imprensa levanta a bola para o povo jogar quando leva a conhecimento público uma situação inusitada quanto a de uma administração pública exercida para prejudicar a sociedade que administra. Se o povo não joga o jogo que resgatará de um futuro incerto para outro futuro com chance de normalidade para seus descendentes é por não querer jogar. Mas que a bola foi levantada, isso foi. E foi porque a ninguém é dado ser apenas espectador de situações assim por conta da roubalheira: estados falidos e seus funcionários dependendo de caridade para não passar fome; liberação de três bilhões de reais para campanhas eleitorais; ataques de jovens ensandecidos sobre jovens distraídos; explosões de bombas das quais resultam mortos e feridos; a existência de mais de três dezenas de aglomerações parasitárias com o nome de partidos políticos e as mais de três dezenas de aglomerações destinadas a abrigar encobertadores das irregularidades praticados pelos chefes de governo, denominadas ministérios; crimes contra o patrimônio fazem uma vítima em SP a cada 30 segundos. Por enquanto, a percepção da necessidade de mudança chega apenas à sensibilidade de poetas como Wilson Souto nos seguintes versos denominados DISTRITÃO:
É orçamento que extrapola,
Ética que à fraude embola,
E a gangue quer outra meta,
É mudar a regra do jogo,
As leis? Jogarão no fogo...
E a mutreta se completa.
 

Vão criar um DISTRITÃO,
Que só interessa a ladrão,
Sem querer perder a teta,
Dá nojo, asco, ojeriza,
Merecem mesmo uma pisa...

Ou o espeto do capeta.

Ao levar ao público o conhecimento de ter falido a administração pública, a imprensa leva junto o antídoto para seu próprio veneno, o analfabetismo político, que tanto serve às peripécias das malandragens daqueles que se escondem atrás dos cargos de administradores públicos, peripécias estas que muito beneficiam a grande imprensa que vai abocanhar grande parte daquela fortuna que o governo destinou às eleições. O efeito do antídoto contra o veneno que faz abaixar o cangote para receber a canga já pode ser percebido na impossibilidade de poderem os deputados aparecer em público sem serem apupados com ovos, vaias e sopapos, principalmente nos aeroportos, o que inutiliza a tática que passaram a usar de voar em aviões da FAB porque os aviões não podem parar senão nos aeroportos. Inté.

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ARENGA 444


No que diz respeito à necessária reviravolta que vai colocar do lado de cima o lado bom da sociedade e sumir com o lado ruim no qual vivemos, o papel da imprensa é tão inútil quanto o trabalho do cachorro correndo atrás do rabo. O que ocorre na verdade é que a imprensa precisa ter sobre o que comentar. Comenta-se e se comenta há anos incontáveis sobre os desmandos políticos, não obstante estarem eles cada vez maiores. É que a imprensa precisa ter sobre o que falar por ser esta a razão de sua existência. Quanto mais escândalos, maior é o campo de atuação para a imprensa. É por isso que ela não cogita das soluções. É preciso haver assunto em torno do qual rodopiar como mariposa na lâmpada. É inteiramente impossível que os milhares e milhares de comunicadores existentes no mundo, todos desconheçam que a política praticada por baixo dos panos vigente no mundo inteiro não quer que as coisas não sejam endireitadas simplesmente porque a obscuridade faz parte das ações sorrateiras, daí a razão pela qual a política objetiva justamente a desordem. Caso contrário não existiriam as guerras, os excluídos de uma vida com dignidade, as crianças transformadas em bandidos, os hospitais abarrotados de chorões infelizes, as cadeias abarrotadas de ladrões pobres, e a política abarrotada de ladrões ricos. Há, realmente, entre os envolvidos no processo de comunicação pessoas que apenas transmitem o recado sem noção do que está nas entrelinhas das mensagens. Tais comunicadores, como os executores do pão e circo, são apenas inocentes úteis para um trabalho antissocial. São pessoas de poucos conhecimentos que se acreditam realmente importantes e até mesmo indispensáveis à sociedade, sem a mínima noção de que a prejudicam. Ao lado destes, entretanto, há pessoas de elevados conhecimentos, os intelectuais, mas que por se encontrarem aboletados em ótimos empregos, recusam-se, e é natural que o façam, a arriscar uma situação favorável e conhecida por uma desconhecida e incerta. É como alguém que conseguisse um ótimo assento numa casa de espetáculo lotada e que naturalmente não se arriscaria a sair dali um instante sequer por receio de perder seu lugar privilegiado. Não há outra explicação plausível senão o apego ao emprego para o fato de uma pessoa dotada de relevantíssimos conhecimentos científicos e históricos demonstrados pelo intelectualíssimo filósofo e laureado escritor Yuval Noah, que apesar de tão profundo conhecimento do lado material da vida demonstrado no fabuloso livro Uma Breve História da Humanidade, editora L&PM, sobre nossa trajetória no mundo desde sua formação, e mesmo com sábias incursões sobre o aspecto social dos seres humano, o que explicita quando reconhece a indiferença dos administradores públicos em relação à sociedade, realidade que aparece, por exemplo, na página 14 do livro Homo Deus, do mesmo autor, editora Companhia das Letras, na seguinte afirmação: “Se pessoas na Síria, no Sudão ou na Somália morrem de fome, é porque alguns políticos querem que elas morram”. Entretanto, como todo intelectual acomodado em um bom emprego, coloca panos quentes no que se refere à indiscutível necessidade de uma nova cultura da qual resulte uma sociedade nova, sem uma desigualdade social tão acentuada entre seus membros que a ninguém incomoda a inexplicável aceitação de haver pessoas desprovidas de tudo. É o que aparece na mesma página 14 deste segundo livro quando diz o seguinte: “Na maioria das regiões do planeta, é improvável que uma pessoa que perdeu seu emprego e todas as suas posses morra de fome. Sistemas de seguro privados, agências governamentais e ONGs internacionais podem não resgatá-la da pobreza, mas a proverão de um número de calorias diárias suficiente para que sobreviva. Coletivamente, a rede global de comércio transforma secas e inundações em oportunidades de negócios e possibilita superar a escassez de alimentos de modo rápido e barato. Mesmo quando guerras, terremotos ou tsunamis devastam países inteiros, esforços internacionais para evitar a fome são geralmente bem-sucedidos. Embora centenas de milhões de pessoas ainda passem fome todos os dias, na maioria dos países o número de mortos por inanição é muito pequeno”. Ver normalidade no fato socialmente inaceitável de se morrer de fome é procurar disfarçar a realidade da necessidade de mudança. Tal declaração vai de encontro ao ideal de uma comunidade humana bastante civilizada para que o único motivo de morte se limite a doenças que a ciência ainda não pode curar. Assim, os conhecimentos científicos demonstrados pelo erudito escritor vão de encontro a conhecimentos sobre uma sociedade tão civilizada que não permita a morte de uma única pessoa sequer por inanição, o que é inteiramente possível porque os seres humanos produzem recursos materiais suficientes para que todos possam viver com dignidade. Se há sofrimento por falta de recursos materiais, deve-se à má distribuição destes recursos em função de uma administração pública que desvia tais recursos do seu caminho, o que de modo algum pode escapar à percepção de tão ilustre intelectual. Entretanto, para salvação de todas as pátrias, existem o conforto da esperança nas exceções, entre as quais está o também intelectual, filósofo e escritor Ladislau Dowbor, que afirmou em matéria publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil, de maio de 2017, a seguinte verdade sobre as causas dos problemas que afligem a humanidade: “O capital financeiro drena o produtivo. Generaliza-se o capitalismo improdutivo no planeta. O rentismo não é só brasileiro. Voltamos ao século retrasado, em que as “famílias de bem” viviam de rendas”. Mas a regra geral entre os intelectuais é enrolar e enrolar para nada mudar. No livro Autopoiésis do professor de filosofia doutor João D. Fonseca, na página 29, temos o seguinte: “Devemos substituir a visão da adaptabilidade da vida pela visão construtivista. Não é verdade que os organismos encontram ambientes e, ou se adaptam a eles, ou morrem. Eles constroem realmente o seu ambiente independentemente das zonas do mundo. Os genes de um organismo, na medida em que influenciam o modo como aquele organismo conduz o seu comportamento, fisiologia e morfologia, estão simultaneamente a ajudar a construir um ambiente. Assim, se os genes se transformam no decurso da evolução, o ambiente do organismo também se irá transformar”. Aí está, pois, mais uma amostra do vagar e vagar em inutilidades. Desse palrar floreado nenhuma luz emana sobre a ignorância de sociabilidade da qual resulta uma sociedade tão infeliz quanto a nossa sociedade carente de conhecimentos em vez de mais confusão sobre os pobres e infelizes analfabetos mentais que vão inutilmente procurar conforto num Deus inexistente e que só infelicitou a cambada de lambe botas que O bajulou. Para se constatar tal realidade basta perguntar a Noé, Abraão, Moisés, Jonas, Jó, Cristo, São Pedro, São Paulo, enfim, à turma de fanáticos por Ele.

Desta forma, não sendo interessante à comunidade que tem capacidade mental e poder de informação que ocorra a mudança capaz de aliviar o sufoco dos sufocados pelas necessidades, e uma vez que a exceção é insuficiente para promover o conhecimento coletivo à compreensão da necessidade de mudar, resulta daí que os prejudicados na situação atual são os únicos a quem compete a tarefa de buscar solução para seus problemas. Mas a dificuldade está no fato inusitado de que aqueles que se encontram no sufoco não obstante o desconforto, se acham a cavalheiro em sua condição de sufocados, fazendo crer que as coisas continuarão do mesmo modo, e que a imprensa continuará indefinidamente correndo atrás do próprio rabo e fazendo devorteios em torno do que disse ou fez o presidente, o ministro, o senador, o deputado ou a PQP. Aquilo de que carece a sociedade humana, principalmente a juventude, é colocar em exame minucioso a cultura do levar vantagem porque ela criou uma situação inteiramente insustentável em termos de vida coletiva. Se não há outra forma de se viver senão coletivamente, e os meios de comunicação que impõem a cultura faz com que se acredite ser ideal uma cultura do salve-se quem puder, cuja inconsistência fica patente quando se vive uma organização social como a nossa na qual apenas seis brasileiros detenham riqueza equivalente à riqueza de 100 milhões de outros brasileiros, como mostra o jornal UOL, Congresso em Foco, de 17/01/2017, ou o absurdo de apenas sete famílias do mundo reterem para si a riqueza equivalente à da metade da população do mundo, sobre estas coisas é que é preciso não só falar, mas também meditar e remoer à exaustão por ser inteiramente incompatível com uma vida em sociedade, estando aí a causa da desarmonia que infelicita os seres humanos, inclusive os farrapos espirituais que dão origem a este absurdo e que acreditam na proteção da riqueza contra os males do mundo, do mesmo modo como os também molambos espirituais frequentadores de igreja que acreditam na proteção divina, bem como os trapos mentais que compõem a juventude e acreditam ser eterna a disposição de jovem. O mundo permanecerá infeliz enquanto não houver uma juventude que perceba a realidade de se viver uma farsa do tamanho do mundo. São provas desta irrealidade a figura de Papai Noel, do Papa beijando o pé do infeliz, de ser indiferente à contradição existente entre a afirmação que Deus pode tudo, ama e prega a paz, e viver o mundo em guerra e tão infeliz. Ao contrário do que se aprende, a miséria requer rebeldia contra ela. Nunca a conformação. Se os primeiros seres humanos não tivessem se rebelado e lutado contra as adversidades que os acometiam e se lançado à luta para obter alimento e abrigo, a humanidade teria perecido no começo. Por que, então, submeter-se agora aos infortúnios como querem a religiosidade e os falsos líderes políticos acomodados no seu bem bom de palácios e mil mordomias?

A estranheza com que é encarado o fenômeno morte, também é uma evidência da distonia com a realidade da vida porque absolutamente tudo, inclusive a própria forma atual do universo terá um fim. Portanto, o medo do fim da vida é apenas mais uma das muitas estultices. Os seres humanos precisam encarar a realidade de haver ação deliberada no sento de manter a maior parte deles desprovida das condições necessárias à vida, e o fato de ser infinitamente maior o número destes infelizes do que o número dos abastados, não pode haver dúvida quanto a se estar frente com uma situação de risco. Os recursos dispendidos pelos abastados para impedir que os necessitados se abasteçam na despensa deles são suficientes para impedir que os necessitados sejam causa de inquietação para os abastados. O caminho único para a tranquilidade humana é fazer da verdade o único objeto de culto e mandar as falsidades para os quintos dos infernos. Só assim poder-se-á chegar a uma sociedade civilizada, objeto a ser aspirado por uma juventude mentalmente sadia. Enquanto for a juventude um amontoado de palermas futucadores de telefone e adoradores de igreja, “famosos” e “celebridades” o mundo continuará de cabeça para baixo e as pessoas serão cada vez mais infelizes enquanto tiverem a riqueza por objetivo maior, cultura que aterrorizaria as crianças, não fossem elas desprovidas de discernimento, ante a perspectiva embutida na seguinte notícia em matéria publicada no blog Outras Palavras, escola de alfabetização política que deveria ser frequentada pelos analfabetos políticos, principalmente os da juventude:

“A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal, mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta lista.    -   para produzir 1 quilo desta leguminosa são necessários 1.500 litros de água”. E então, ó juventude boca aberta, vai ficar a futucar telefone enquanto o agribiuzinesse manda embora bilhões de quilos de soja destinada a produzir proteína animal para os robustos povos das bundas brancas, levando cada quilo mil e quinhentos litros da água da qual depende a vida de seus filhos, ou que eles venham a ser mortos por famintos em decorrência do resultado do que mostra uma notícia da Folha de São Paulo sobre o fato de que nos últimos quatorze anos o governo premiou grandes empresas com subsídios que superaram os destinados a programas sociais, ou àquela outra notícia também do blog Outras Palavras, sobre o fato de ter o presidente Temer comprado o Congresso por dezessete bilhões? Os filhos de vocês, jovens, os amaldiçoarão por tanta pusilanimidade. Nada, absolutamente nada pode justificar a indiferença ante o fato inexplicável de o governo direcionar bilhões para campanha eleitoral. Então, o povo vai dar dinheiro para que os meios de comunicação lhes convença a votar errado? Não se pode ser indiferente a um congresso comprado, pois pode? Pode não. Inté.