sexta-feira, 10 de maio de 2019

ARENGA 572


Sem meditar sobre sua vida, o ser humano em nada se diferencia da fera. Portanto, a atividade meditativa deve ser a principal ocupação do ser humano. Mas para que da meditação se colham bons frutos é preciso usar de sabedoria a fim de que os pensamentos envolvam questões relacionadas com o bem-estar social por ser ele mais importante do que o bem-estar individual, uma vez que a instituição Estado tem por objetivo primeiro a organização social, devendo, para o bom cumprimento de sua obrigação, colocar o interesse coletivo acima do individual, o que nem de longe é o caso do nosso infeliz Brasil. Embora seja inegável haver ainda na personalidade do ser humano em geral o ranço da barbárie dos primeiros tempos, entre nosso povo este ranço é mais acentuado do que nos povos que por se acharem civilizados procuram mitigá-lo com o perfume da desfaçatez. Parece que o filósofo Thomas Paine pensava no infeliz Brasil quando meditou sobre o seguinte: “A sociedade, em qualquer estado, é uma bênção, enquanto o governo, mesmo no seu melhor estado, não é mais que um mal necessário; e, em seu pior estado, é um mal intolerável. Porque, quando sofremos ou ficamos expostos, por um governo, às mesmas misérias que poderíamos esperar em um país sem governo, a nossa calamidade fica maior ainda quando refletimos que somos nós que fornecemos os meios pelos quais sofremos”.

É exatamente a falta de reflexão que impede a malta humana de perceber não passa de burro de carroça nas mãos dos governos. Aqui entre nós, de acordo com as informações da imprensa deste nosso desgraçado país, seus habitantes frequentadores de igreja, axé e futebola se encaixam perfeitamente nas meditações de Thomas Paine porque fornecem os meios para que suas autoridades lhes imponham maiores sofrimentos do que as outras partes do mundo padecem. Depois de considerarem as autoridades brasileiras não ser hediondo o crime de deixar o Estado à mingua por roubar o dinheiro público, passaram a esponja sobre as manchas que maculavam os praticantes destes crimes, de modo que tais ladrões passam a ser considerados cidadãos tão honestos quanto as pessoas que vivem do seu trabalho. Desta forma, uma vez que a razão de ser do Estado Brasileiro é facilitar a vida de canalhas e uma vez que a reação do povo a tal situação é batucar panelas, pintar a cara e dar pulinhos, tem-se de ser adepto do deputado Justo Veríssimo, genial criação do saudoso Chico Anísio.  É o cúmulo da aberração social a indiferença com que é recebida a notícia de ter sido preterida a educação proposta por Paulo Coelho em favor de uma educação militar. A culpa pela indiferença da juventude em relação a tais assuntos cabe ao sistema educacional que prepara as crianças para serem um adulto preocupado apenas com as inutilidades deus e dinheiro, e não prepara os adultos para a inevitável velhice, o que os faz acreditar não ter fim a vitalidade, gastando-a exclusivamente nos malabarismos físicos, sem nenhuma preocupação com os espirituais, os mais importantes da vida, como perceberão um dia, quando já será tarde demais. Inté.




quarta-feira, 8 de maio de 2019

ARENGA 571


O alvoroço que a papagaiada de microfone faz em torno do nascimento do príncipe inglês vai por conta do complexo de capacho deste infeliz povo brasileiro pródigo em canalhice porque sua mentalidade não alcança a altura do solado do sapato. Ouvi na rádio CBN um desses paus mandados do pão e circo dizer que o mundo espera ansioso pelo nome que vai ser dado ao principezinho. Não é crível que o mundo todo chafurde na mesma ignorância que assola os habitantes desta republiqueta de banana sempre de quatro para quem quiser se aproveitar da falta de patriotismo e hombridade de suas autoridades. Na notícia de que o mundo espera ansioso para saber o nome da pobre criança rica há tanta verdade quanto na notícia de haver conveniência em abrir uma conta num banco, covil de agiotas travestidos de homens de bem. Não é menos falsa a notícia de que o bem-estar dependa de um sistema econômico que visa exclusivamente facilitar aos avaros Midas do mundo sua interminável busca por riqueza. Se a título de gastar menos para maior enriquecimento estes monstros conhecidos como empresários, de cuja boca escorre baba de dragão, provocam desemprego substituindo empregados por robôs, evidente estar errado colocar a estabilidade social na dependência de um sistema econômico fundamentado num pleno emprego inalcançável. O descompasso no passo da humanidade rumo à civilização encontra sua razão de ser no fato de viverem os seres humanos ligados exclusivamente no aspecto material da vida, sem cogitar do seu lado espiritual. Quando gatos pingados se arvoram nesse sentido, suas cogitações giram em torno de “Por que existo? ”, “O que estou fazendo aqui? ”, “De onde vim e para onde vou? ” “Existe vida depois da morte? ”. Questionamentos desse tipo são de nenhuma importância para o bem-estar pessoal e, consequentemente, social, porque uma sociedade composta de pessoas infelizes terá de ser também uma sociedade infeliz como é a insensata sociedade humana, empacada na cultura insana do ajuntamento de riqueza num lugar e miséria nos demais lugares por conta da cultura antissocial da competição.

Os questionamentos diretamente ligados ao bem-estar social devem girar em torno do porquê de se afirmar mentiras às quais as pessoas são indiferentes em função da mentalidade paquidérmica da humanidade que nem de longe desconfia da burrada que é deixar seu destino a cargo de falsos líderes que pelo fato de terem a mesma mentalidade lhes é negada a percepção de que jamais chegará a bom termo uma sociedade que tem seus membros perseguindo cada seu bem-estar pessoal e o social que se dane. O fato inegável de ir a humanidade de mal a pior, deve-se exclusivamente à recusa de pensar sobre a vida com o mesmo empenho em que pensa em riqueza. A cultura do enriquecimento que depende da competição, o que significa a exploração do mais fraco pelo mais forte está tão bem enraizada nos falsos líderes que eles usam do poder que os liderados lhes conferem em benefício próprio, razão pela qual eliminam os gatos pingados que por meio da boa filosofia mostram a realidade de estar tudo errado. A boa filosofia se nutre de pensamentos voltados a tirar vantagem da capacidade de racionar com a qual a natureza brindou o ser humano. Pensamentos que levam à conclusões capazes de fazer com que a vida possa ser agradável do princípio ao fim em vez de se mostrar agradável apenas durante a imaturidade da juventude. Para a boa filosofia é mais importante especular sobre o porquê dos sofrimentos do que sobre a origem da vida ou se ela continua depois da morte, invenção de quem teme a ideia de deixar de existir por não saber que Schopenhauer lembrou não haver razão para se temer a inexistência porque o tempo em que ainda não se existia não incomoda ninguém.

Embora o instinto de fera ainda presente no ser humano faz com que ele precise matar o dessemelhante, ele continua matando também o semelhante mesmo sabendo estar errado quando condena o assassinato. Mas seu lado fera exclui de punibilidade a matança nas guerras onde o assassinado e o assassino se consideram inimigos sem nunca terem se visto antes. Não se pode negar haver ainda muita semelhança entre a vida no mundo irracional e no racional porque como os bichos, também os homens limitam suas vidas unicamente às atividades de trabalhar, comer, trepar e cagar, sem se envolverem com a atividade meditativa. A rádio Jovem Pan acaba de dar um perfeito exemplo de falta de meditação quando um brasileiro morador dos Estados Unidos elogiava a política do atual presidente da república de permitir a posse de arma. Dizia  o participante do programa gostar de armas e possuir três delas. Os apresentadores do programa agradeceram ao participante sem que lhes ocorresse que tal declaração indica involução civilizatória uma vez que gostar de armas é o verso da moeda da elevação espiritual. Além disso, não merece aprovação nenhum presidente da república que condena um método educacional dos jovens que os estimule a capacidade de racionar e incentive método oposto que a desestimule, o que faz ao propor educação em colégios militares onde se ensina a obediência às regras estabelecidas pela política tradicional da competição, bem como educação religiosa porque, como afirmava Lutero, a religiosidade dispensa a razão por bastar-se a si mesma como orientadora do comportamento humano. Como se vê, tais insanidade trouxeram o mundo à infelicidade em que se encontra.

Como se pode perceber, é tudo apenas uma questão de pensar em algo que não seja dinheiro. Inté.    




segunda-feira, 6 de maio de 2019

ARENGA 570


Apesar de se considerarem adultos, o comportamento dos seres humanos não é diferente ao das crianças de jardim infantil cuja falta de discernimento requer severa fiscalização sob pena de graves incidentes e acidentes. Esta necessidade de fiscalização levou a humanidade a inventar uma instituição denominada deus. Como não serviu para nada, inventaram outra chamada Estado, com poder coercitivo capaz de inibir os comportamentos desastrosos das crianças grandes. Mas se esqueceram do detalhe de não haver ninguém com o discernimento necessário para desempenhar tão importante missão por ser comum a toda a humanidade a mentalidade de criança, o que se deve à lembrança do tempo em que ainda não se raciocinava e que se faz muito presente para permitir à raça humana elevar-se muito acima dos irracionais. Vez em quando, é verdade, pinta algum espécime da espécie humana espiritualmente acima do normal. Mas como é a maioria que decide o rumo a seguir por todos, a influência destes gatos pingados espiritualmente privilegiados é anulada pelo peso da irracionalidade generalizada e eles são perseguidos como inimigos da sociedade. Daí ter fracassado também a instituição Estado de forma tão retumbante que veio a ser preciso dividi-lo em várias sub instituições para que se fiscalizassem mutuamente. Tudo em vão porque em razão da imaturidade, a posse do poder que a sociedade atribuiu aos fiscais os encheu de tamanha soberbia que passaram a usar esse poder contra a sociedade que contava com eles para sua proteção e organização. É, pois, a imaturidade que dá o caráter destruidor da humanidade em vez da estupidez como afirmou o historiador Henry Thomas, porque as crianças destroem sem serem estúpidas.

E é interessante observar que mesmo pessoas intelectualmente ilustres se mostram tão infantis quanto as crianças grandes em geral. Um exemplo: Ao discorrer sobre o grave problema social da solidão o escritor Leandro Karnal, na página 13 do livro O DILEMA DO PORCO ESPINHO cita episódios mitológicos da bíblia entre eles a história sobre Saulo de Tarso como se fossem fatos reais. É a seguinte a história desse cara: Descrente como eu das coisas divinas, foi abordado por deus de forma estúpida assustando o cavalo que em função do susto jogou o infeliz cavaleiro no chão. Recomposto Saulo, deus o convenceu a deixar de ser como eu e passar a ser seguidor dele. Acontece que ao se comportar como vira-folha e pregar a palavra de deus, o que era proibido, Saulo foi morto por um soldado. Se a infantilidade faz crer que deus seja sinônimo de bondade e a morte sinônimo de maldade, Saulo teria se dado mal ao decidir seguir deus. A afirmação de Martinho Lutero de que a fé dispensa a razão objetivava justamente evitar que fossem examinadas à luz da racionalidade as bobagens divinas. A bíblia que para os inocentes contém a palavra de deus é um livro verdadeiramente idiota que a infantilidade faz com que seja o mais vendido no mundo, embora seja o menos lido. É que as crianças grandes acreditam que dele emana a proteção divina para suas casas não obstante a infelicidade geral e as balas perdidas que causam as mortes que têm como providência manifestação de solidariedade das autoridades civis e eclesiásticas para conforto dos familiares.

A inocência também faz com que as crianças grandes se considerem obra prima de um deus de infinita sabedoria, quando, na realidade, não passam de uma tosca máquina rústica com dois buracos no alto por onde entram alimentos e dois em baixo por onde saem bosta e mijo, como também acontece com a hiena. Quanto mais posudo o ser humano, quanto mais engalanado e mais convencido de sua grandeza, menor o discernimento e maior seu enquadramento na expressão SEPULCRO CAIADO empregada por Cristo para comparar os fariseus ao mausoléu que apesar de ser belo por fora guarda podridão por dentro. Para piorar, a podridão do lado de baixo é menor que a do lado de cima, a espiritual, presente na personalidade de absolutamente todos os falsos líderes que ditam as regras a serem observadas pela sociedade humana. Estes crápulas aproveitam dos desprotegidos para prejudicá-los, principalmente usando do secular pão e circo para manter o povo tão ludibriado que concorda com os desmandos por eles impostos e acredita realmente ser motivo de fama e celebridade o fato de alguém cantar bobagens, praticar bem um esporte ou aparecer muito em público por conta de sensualidade. Graças à ingenuidade, criminosamente, os enganadores montaram uma parafernália através da qual imensa papagaiada de microfone faz a cabeça dos “adultos” incapacitando-os de fazer distinção entre falso e verdadeiro, como, por exemplo, que as autoridades constituídas para proteção praticam extorsão e sua ação se limita a deixar cair para o povo migalhas de sua mesa farta onde se banqueteiam com lagostas e vinhos caros. Para mascarar esta realidade o Estado criou entidades de assistência social onde a muito custo os pobres encontram algum alívio para seus sofrimentos físicos e se sente agradecido às autoridades por esta benesse enquanto paga para elas atendimento de luxo.

Para que o mundo deixe de ser um vale de lágrimas, basta que a humanidade amadureça para poder raciocinar. Inté.

sábado, 4 de maio de 2019

ARENGA 569


Na introdução do livro 1889 o historiador Laurentino Gomes observa que as comemorações da Proclamação da República do Brasil são tímidas se comparadas com as comemorações à Declaração de Independência. Frisa que os estudantes brasileiros titubearão na resposta à pergunta sobre quem foi Benjamim Constant ou Quintino Bocaiúva ou Rui Barbosa ou Deodoro da Fonseca ou Floriano Peixoto, figuras que dão nomes a ruas e praças pelo país afora e que tiveram influência decisiva para a mudança de reinado para república. O historiador conclui seu pensamento a respeito do pequeno entusiasmo em relação à mudança de reinado para uma república mal-amada pelos brasileiros. Observando a sensatez na recomendação de Machado de Assis para se apurar bem apuradinha uma informação antes de acatá-la como verdadeira, e usando deste proceder em relação às observações do historiador, conclui-se que comemorar a Proclamação da República ou a Declaração de Independência têm a mesma falta de sentido que tem a fracassada sugestão saudosista do atual governo reacionário dependente de consultas ao oráculo para que fosse comemorado o golpe militar de triste memória que o governo americano mandou os militares brasileiros aplicarem contra os brasileiros e que tanto mal fez a este belo país de tristíssima sorte. Chegou-se ao cúmulo do antipatriotismo do governo “revolucionário” deixar a cargo do governo americano através do acordo MEC/USAID o direito de fazer o programa educacional da juventude brasileira, resultando desta aberração o amor roxo dos brasileiros pelo “American Way of Life” que os impede de morrer antes de fazer compras em Me Ame, festejar o Halloween e nominar em inglês seus estabelecimentos comerciais. Numa geringonça de vender água de coco verde na rua Francisco Santos se lê FAST COCO.   

Se o Brasil fosse independente suas autoridades não teriam de estar a correr frequentemente para os Estados Unidos a tomar a bênção e beijar a mão do presidente americano ao qual entregou um pedaço do Estado do Rio Grande do Norte denominado Base de Alcântara, localidade de onde se pretendeu participar da ridícula exploração do espaço sideral lançando um foguete que pipocou assim que foi encostada a brasa no pavio. Como ridículo é o quente por aqui, entregou a localidade ao patrão Donald Trump para que, como disse ele mesmo, economize muito dinheiro na palhaçada de explorar o espaço em vez de cuidar do planeta Terra. No que diz respeito à República, não há também o que comemorar porque o conceito de república envolve a ideia de coisa pública, de uma organização social onde absolutamente todos tenham acesso às benesses que os recursos públicos possam patrocinar. Sendo assim, merece comemoração, por acaso, uma república na qual a riqueza do país serve apenas a parasitas aboletados em palácios e seus chefões, os ricos donos do mundo? Não sendo independente e nem de fato republicano, não há realmente o que comemorar porque infelizmente nenhum destes dois fatos históricos encontram respaldo na realidade.

Por outro lado, o historiador ameniza o desconhecimento dos jovens brasileiros sobre a história de seu país quando afirma que os estudantes demorariam a responder sobre figuras importantes da Proclamação da República. Na realidade, os estudantes não demorariam a responder porque eles simplesmente não saberiam responder. E não saberiam por serem burros. É que o sistema educacional do sistema capitalista tem por objetivo emburrecer os jovens tornando-os mais interessados no resultado do exame de urina do jogador de futebola do que no futuro dos seus filhos. Daí a declaração de inimizade a Paulo Freire feita pelo governo atual chefiado por um militar em cujas mãos um revólver ficaria melhor do que uma caneta. Aculturados os jovens jamais, ficam as coisas ao saber dos malandros da política porque nada mais conveniente a malandros do que ser indiferente à malandragem. Como o método de ensino proposto por Paulo Freire sugere incentivar nos jovens a capacidade de raciocinar, e como raciocinando chega-se à conclusão de estar tudo errado, e como ao se descobrir estar tudo errado acaba a festa dos parasitas que vivem mil mordomias custeadas pela juventude afastada de conjecturas deste porte pelo pão e circo que transforma brutamontes intelectuais em celebridades, então, excomunga-se Paulo Freire por representar a possibilidade de se tornar o fim da malandragem dos malandros.

Uma vez capacitados os jovens a raciocinar por si mesmos em vez de serem teleguiados pelas ordens vindas dos meios de comunicação, teriam a lucidez temida pela cultura capitalista forjada nas Harvards do mundo, organismos diabólicos que apesar de não dispensarem a imagem de Cristo nas paredes, destinam-se a transformar pessoas inteligentes em fantoches propagadores da infâmia de ser a competição a melhor forma de se viver em sociedade. São exemplos perfeitos desta farsa o feioso Henry Kissinger e o Secretário de Estado Americano da cara de cavalo John Kerry diante do qual Michel Temer e José Serra posam ridiculamente embevecidos e subservientes como Abrão diante de deus dentro do fogo que queimava a erva que não se queimava. É, ou não ridículo o babaovismo destas duas tristes figuras? É entristecedor que a juventude de um país tão exuberante como o nosso aceite ser representada por pessoas desprovidas de amor próprio.

Mas a tristeza é suplantada pela convicção de que a evolução natural à qual nada escapa, inclusive o discernimento, por mais que demore trará à massa embrutecida de jovens alienados apreciadores de “celebridades” e “famosos” de merda perceber o engodo em que foi envolvida, induzida a botar fé em proteção divina e palavra de políticos em vez de ter fé em si mesma. Dia chegará em que a juventude será capaz de alcançar o sentido do que disse Paulo Freire quando afirmou que A CLASSE DOMINANTE BRASILEIRA JAMAIS ACEITARÁ QUE AS MAIORIAS SEJAM LÚCIDAS”. Então, juventude, vai permanecer eternamente de boca aberta enquanto ideias bolorentas lhe induzam ao erro de considerar inimigo quem na verdade é amigo? Marx por exemplo, inimigo para as ideias bolorentas, mostrou-se um grande amigo ao advertir os filósofos de que eles se limitam a analisar o mundo, quando o de que se necessita é modificar o mundo. Só há lucidez nesta afirmação porque realmente precisa ser modificado um mundo no qual seus líderes, como disse Maquiavel, precisam esconder a verdade de seus liderados através de uma educação, além de sede de riqueza, ensine religiosidade cujo ridículo pode ser visto nessa passagem bíblica de Êxodo 21:32 “Se um boi chifrar um escravo ou uma escrava, dar-se-ão trinta siclos de prata ao senhor dos escravos, e o boi será apedrejado”. A vida está a carecer de racionalidade. Inté.       




domingo, 28 de abril de 2019

ARENGA 568


            Na página 645 do primeiro volume de História da Civilização Ocidental, o historiador Edward McNall Burns conta que reagindo contra os novos ideais propostos pela Ravolução francesa, o apego ao tradicionalismo defendia a ideia de ser a tradição mais importante do que a razão. A ser levada a sério a ideia de que a tradição deve prevalecer sobre a razão um navio ou um avião não deveria mudar o curso ante o advento de uma tempestade que se formou no seu caminho porque sua rota já estava estabelecida. Nem deveriam, como fazem as múmias mentais apegadas a preceitos religiosos, se vacinar contra doenças por ir de encontro à tradição segundo a qual o corpo que foi feito por deus não deve sofrer interferência humana. Enfim, por conta da tradição burra Galileu foi obrigado a se retratar, embora estivesse correta sua opinião. Se houve época em que as tradições eram respeitadas, atualmente elas devem ser relegadas ao mesmo sarcófago para onde foi mandada a convicção de haver piedade por parte dos monstros que em nome de deus condenavam pessoas à fogueira da Inquisição afirmando ser ato de piedade reconduzir a alma extraviada do condenado de volta à companhia de deus.  Conservadorismo é nada mais do que a burrice de ter medo do futuro por quem acredita estar a cômodo no presente, o que demonstra falta de discernimento por ser a mudança uma exigência da natureza.

            Segundo o texto citado no início, o movimento conservador recomendava que a humanidade deveria se guiar apenas pela infalibilidade da religião, o que é mais uma sandice das mentalidades mumificadas para as quais inovação é coisa do diabo. Se desde suas origens a humanidade é guiada por preceitos religiosos, e sua infelicidade é cada vez maior a ponto de nunca ter havido na história número tão grande de suicídios como agora, principalmente de jovens desiludidos com a vida guiada pela religiosidade, fica evidente só haver desvantagem em depender a vida da religiosidade. Se esta falsidade não é percebida é por ter sido atrofiada a já escassa capacidade de raciocínio do ser humano de modo tão espetacular que eles carregam sorridentes no lombo o peso de parasitas a sugar sua vitalidade. Concordar que o beijo do papa no pé do sofredor seja prevenção contra o sosfrimento é prova de total falta da capacidade de raciocinar.  Em seu estado normal, qualquer mente perceberia que a manifestação de pesar e dor feita pelo papa ante as mortes ocorridas no festejamento da cerimônia religiosa da Pácoa é clara declaração da inutilidade divina ao se restringir à lamentar o horror em vez de evitá-lo.

Como é impossível evitar que a marcha da história traga consigo algum esclarecimento ainda que mínimo, a cada dia aumenta o número de pessoas conscientes o bastante para saber que considerar como ordem dar prioridade à tradição em detrimento da razão é inverter as coisas porque o ser humano em sua eterna busca pelo bem-estar não pode desconhecer que o mal-estar prevalecerá sobre o bem-estar enquanto não se reconhecer que jamais poderá dar certo a sociedade tradicional segundo a qual a maior parte de seus membros deve se conformar em não poder satisfazer suas necessidades primárias a fim de que parasitas adoradores de bezerros de ouro possam satisfazer suas necessidades suntuárias. São imbecis completos aqueles que se colocam contrariamente às ideias marxistas por ser completa irracionalidade permitir que uma só pessoa possa se apossar legalmente de bens correspondentes ao valor de duzentos bilhões de dólares, o que corresponderia a mais ou menos cinco milhões e quinhentos mil dólares por dia durante cem anos de vida faustosa e estúpida, enquanto cerca de um bilhão e meio de pessoas no mundo vivam com apenas pouco mais de um dólar por dia durante toda a vida miserável e estúpida.

            É, pois, chegada a hora de se reconhecer a necessidade de mandar para os quintos dos infernos o tradicionalismo e seus defensores de mentalidade enferrujada e burra para dar começo a um novo tipo de sociedade por ser absolutamente impossível continuar vivendo a loucura na qual pessoas de alta espiritualidade sejam submetidas a uma regulamentação social estabelecida por trogloditas espirituais incapazes da percepção do descompasso na situação na qual o militar Jair Bolsonaro e o oráculo Olavo de Carvalho, por apego à tradição, consideram inimigo da educação o educador Paulo Freire cujo método de ensino recomenda incluir estímulo à capacidade de raciocinar dos educandos. Não se pode deixar de perceber o grande avanço civilizatório contido na sugestão do Grande Mestre do Saber Paulo freire reconhecendo a necessidade de se desenvolver no jovem a capacidade de reciocinar. Como para a tradição é preciso aprender a obedecer, estimula-se a educação religiosa que ensina a desnecessidade de raciocinar, e da língua inglesa que ensina alienação patriótica. Paulo freire sabia do entrave imposto pelo tradicionalismo bolofento contra um sistema educacional capaz de formar cidadãos esclarecidos em vez de idiotas futucadores de telefone e admiradores de “famosos” e “celebridades” de merda. Tanto era conhecedor que afirmou o seguinte: “a classe dominante brasileira jamais desejará que as maiorias sejam lúcidas”. É exatamente isto, Professor Freire, os trogloditas querem uma sociedade de trogloditas.

            Portanto, dependendo de lucidez a civilização, enquanto as crianças aprenderem conservadorismo, estará a população condenada a negar que a terra gira em torno do sol e aceitar a imbecilidade de que as mortes nas igrejas e hotéis de luxo são devidas à falta de deus e não ao cansaço dos necessitados de se conformarem em apenas contemplar imensa riqueza sendo jogada fora. Inté.

  



  

  

sábado, 20 de abril de 2019

ARENGA 567


Como disse alguém que acredito ter sido eu mesmo, os conservadores têm a tendência gastronômica do peru porque o que há para se conservar não é outra coisa senão um monte de merda. Entre os conservadores, segundo matéria do Le Monte Diplomatique Brasil, da doutora em Sociologia e Alimentação, Elaine de Azevedo, entre os conservadores que felizmente já deixou esse mundo, está um tal de doutor Ludwig Von Mises que teve a insanidade de afirmar que os agrotóxicos são responsáveis pela longevidade. É, ou não é o cúmulo do apego à vontade de conservar a produção de comida em mãos dos brutamontes mentais do agribiuzinesse produtor de cânceres? Onde já se viu ingerir veneno fazer bem à saúde? Os conservadores são pessoas que temem o novo e usam da técnica ensinada por Schopenhauer para que se possa vencer um debate independentemente de se ter razão quanto ao assunto debatido. Nesse caso, recorre-se a argumentos capciosos para fazer prevalecer sobre a verdade um ponto de vista falso. É o que ocorre quando por meio de xingamento os conservadores denigrem a personalidade dos inovadores na tentativa de diminuir o valor de suas ideias. Esse mesmo doutor Ludwig escreveu um livro chamado O Marxismo Desmascarado, onde certamente procura descaradamente condenar a luta de Marx em prol de uma sociedade menos infeliz. Só mesmo sendo povo para concordar com ideias de trogloditas mentais defendendo uma sociedade na qual um por cento possui noventa e nove por cento da riqueza.    

Embora os trogloditas espirituais ainda encontrem seguidores, são estes em número cada vez menor e sua influência só consegue se fazer sentir porque a juventude foi transformada também num monte de merda. Absolutamente nada se pode esperar de uma juventude incapaz de desconfiar haver algo de esquisitíssimo na notícia de que a assessoria de Pelé anuncia que o rei se trata em hospital de Paris, ou que o presidente da república e autoridades governamentais recebem em audiência um João Ninguém por ser pai de Neymar, também um João Ninguém espiritualmente, ou na cena ridícula no festival de beijos que o papa dá nos pés sujos de pobres diabos deserdados pela sorte. É a força da necessidade de se manter a tradição bolorenta incompatível com a vivacidade de uma juventude sadia fazendo um homem sincero como Francisco se submeter àquele ridículo porque qualquer Zemané sabe que aquela bobagem não pode exercer nenhuma influência para aliviar os sofrimentos decorrentes da exclusão social.

O mundo precisa mudar. Precisa de uma juventude capaz de trazer novos ares, escorraçando de volta para seus sarcófagos os Oráculos, os Gurus e a papagaiada de microfone com seus insuportáveis “eu acho que”. Inté.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

ARENGA 566


Do mesmo modo como os vaqueiros conduzem a boiada, os papagaios de microfone conduzem a massa bruta de povo cuja irracionalidade é inevitável uma vez que os afazeres não permitem a estes seres ainda brutos perceberem sua condição de irracional. Refletir sobre o trajeto da humanidade através de sua história leva impreterivelmente à conclusão de que os seres humanos nunca tiveram poder de decisão. Ao contrário, têm seguido por caminhos que lhes são indicados por interesses que em vez de corresponderem aos seus próprios interesses, correspondem a interesses de falsos líderes políticos ou religiosos. É facilmente percebível o interesse desses falsos líderes em afastar o povo da capacidade de raciocinar. No que diz respeito à política, a capacidade latente de raciocinar que é inerente ao ser humano, é intencionalmente abafada pelos falsos líderes para que possam exercer sua falsa liderança com tranquilidade. Os falsos líderes políticos, esborrachados em poltronas divinas dos palácios, chafurdam no bem-bom das melhores iguarias sem a menor possibilidade de haver algum questionamento quanto ao porquê de vida tão faustosa se o povo que lhes dá tamanha tranquilidade vive apavorado com medo e lhe falta tudo. Responsáveis pela administração da sociedade, estes falsos líderes estabelecem um sistema educacional que ensina às crianças nada mais do que capacidade de produzir dinheiro para ser manipulado na agiotagem do sistema financeiro enrustida no pseudônimo de Economia Política. Para maior tranquilidade, ensina-se também obediência enrustida no pseudônimo do bom comportamento recomendado por Papai-Noel como exigência para ser recompensado com os presentes que fazem a festança natalina criada pelo monstro Mercado. Sendo esta a realidade da vida do povo, por que, então, tantas festas? É aqui, exatamente, onde se encontra o X do problema. As festas, os “famosos”, as “celebridades”, as putarias, as notícias sobre haver vantagem em lamber a xoxota antes da trepada ou enfeitá-la com joias, que é mais conveniente ser roubado no banco A do que no banco B, tudo isto constitui o pão e circo que enreda o povo de modo tão envolvente que este mundo fútil e irreal passa a ser o seu único mundo e a expressão “um outro mundo é possível” passa a anos luz da sua capacidade de percepção. A futilidade assume o lugar das ações nobres e o povo se torna incapaz de elevar seu pensamento acima do solado do sapato, o que permite aos falsos líderes políticos sua festança de enriquecimento ilícito.

Do outro lado do cordão que manipula o Mané-Gostoso enrustido no pseudônimo de povo estão os líderes religiosos. Nas páginas 484/5 do primeiro volume do livro História da Civilização Ocidental, de Edward McNall Burns, esclarece que a Reforma Religiosa objetivava incentivar uma confiança tão absoluta da fé que fizesse dela a única verdade, desprezando, portanto, a atividade intelectual por ser esta afirmação de independência do homem perante deus, tendo Lutero, inclusive, afirmado que a razão é a prostituta do diabo e convocado seus adeptos a contentarem-se com a revelação sem necessidade de procurar entender o que lhes é revelado pelos assuntos divinos, devendo a fé excluir a dúvida e o desejo de submeter a verdade à apreciação. Como pode ver quem não tem obrigação de seguir recomendação dos falsos líderes, tanto a religiosidade quanto a política foram criações dos homens como forma de conter a brutalidade que por incrível que possa parecer já foi maior do que é hoje. É por isto que os Grandes Mestres do Saber que superaram a brutalidade declararam não precisar de deus.

É, pois, inútil o tagarelar da turma do “eu acho que” sobre as ações das “autoridades” porque elas têm por objetivo esfolar o rabo do povo que se ficou livre de produzir palha para a construção de tijolos com os quais os falsos líderes egípcios produziam templos destinados ao bolor, atualmente é obrigado a produzir fortunas também para o bolor das caixas-fortes nos infernos fiscais. Inté.