domingo, 31 de dezembro de 2023

ARENGA 710

 

Salve, ó desocupados que por não terem coisa melhor a fazer perdem tempo lendo as bobagens do Zé Pensador. Pois aqui vai mais uma que é o seguinte:

Uma vez que a vida é uma luta da qual sairemos inevitavelmente derrotados, por que, então, ser permitido que as mentalidades mumificadas dos Reis Midas do mundo não só inviabilizem a possibilidade de se viver prazerosamente enquanto ainda não fomos derrotados pelo prazo de validade, mas também que ponham em xeque o futuro da juventude apenas para satisfação do vício mórbido de ajuntar riqueza? O motivo que leva o Estado a se dobrar ante a vontade do poderio dos ricos é que deve ser estudado. No entanto, estudam-se coisas como Estoicismo, Cinismo, Iluminismo, Fascismo, Comunismo, Socialismo, Cristianismo, Racionalismo, Empirismo, Existencialismo, budismo e tantas coisas mais que ninguém aprende e que nada têm a ver com a falta de qualidade de vida em função de justificados medos dos quais decorrem as paranoias que se alastram pelo mundo numa pandemia de tal modo incontrolável que jovens disparam adoidadamente armas contra outros jovens.

 A humanidade vem se deixando levar pelas mentiras que de tanto repetidas tomaram foros de verdade, e a mais prejudicial destas mentiras é a que faz acreditar ser possível uma sociedade na qual a proporção das pessoas com direitos de usufruir comparadas às que apenas têm obrigação de trabalhar corresponde a uma gota d’água no oceano humano. No dicionário consta que sociedade é um agrupamento de seres que convivem em estado gregário e em colaboração mútua. Assim, sendo a colaboração ingrediente da sociedade, nunca este ingrediente foi adicionado à composição da humana uma vez que para um ter milhões de vezes mais do que outro é preciso viver guerreando contra si mesmos para se chegar a esta situação de tamanha brutalidade que enquanto um trabalhador cujo trabalho resulta em benefício para alguém recebe mil e quatrocentos reais por mês, um jogador de bola recebe tantos milhões que formam fortunas impossíveis de serem quantificadas.

O que sempre houve, e continua havendo, é o mal que decorre da cultura do venha a mim e os outros que se danem que, como se pode deduzir, é totalmente adversa ao conceito de sociedade. Desta forma se não podemos viver senão de sociedade e na sociedade que temos não se pode viver sem ser infeliz, viemos a cair num impasse do qual é extremamente necessário sair sob pena de amargar eterna infelicidade porquanto a economia que sustenta a sociedade é a mesma que causa a destruição dos elementos naturais indispensáveis à continuação da espécie.

Mas a humanidade não está condenada a ser do jeito que é. Por maior que seja a estupidez humana, confirmada por pensadores como Einstein, cada ser humano é dotado ainda que por uma fagulha de inteligência. Ninguém é totalmente desinteligente a ponto de valorizar o que não tem valor e desprezar o que tem. Se esta é a realidade vivida é por haver algo de muito errado e o desenvolvimento que esta inteligência vem auferindo pelos séculos é tão evidente que de caçadores-coletores elevou o homem a ser capaz de cruzar os mares, viajar pelo espaço, retirar de uma pessoa um coração imprestável e colocar outro bom. Se no que diz respeito a uma forma de vida inteligente a humanidade se recusa a acompanhar o avanço tecno-científico, deve-se exclusivamente a ser indiferente por viver a cultura do venha a mim e os outros que se danem porque, como vimos, para que haja vida comunitária é preciso haver a cooperação da qual os monstros espirituais ajuntadores de riqueza fogem como o diabo da cruz. Montaram um tipo de sociedade alicerçada em mentiras que infinitos papagaios de microfone martelam nos ouvidos do povo com tamanha insistência que se tornaram falsas verdades.

Mas se a humanidade vem sendo enganada há muito, por outro lado, sabe-se ser impossível engar a todos por mais do que determinado tempo. Depois disso, a verdade começa a mostrar-se como se vê na matéria Jornalística com o título GERAÇÃO TIKTOK: APOIO AOS TERRORISTAS DO HAMAS E ATÉ A OSAMA BIN LADEN. Esta matéria dá conta de que jovens americanos demonstram interesse pelas ideias contrárias às mentiras tradicionais que vêm sendo passadas de geração a geração. Na reportagem que pode ser vista colocando o título no Google, consta o que parecia impossível até agora: expressões como “meus olhos se abriram” e “nunca mais vou olhar a vida, ou esse país da mesma maneira” de jovens americanos são indícios da revolução que há muito o mundo está a clamar, uma revolução sem sangue porque seu ideal pode ser alcançado com ideias em lugar de armas.

 

 

 

 

 

  

terça-feira, 14 de novembro de 2023

ARENGA 709

 

Nossa língua portuguesa tem coisas do arco da velha, coisas que dão panos prá manga a filólogos. Esse tal de prefixo é uma destas coisas. O prefixo “en”, por exemplo, que em palavras como enfeitar, enraizar, etc., indicam, conforme o Priberam, adornar, acrescentar enfeites e prender com raízes, ajuntar raízes, enraizar.  Assim é que enfezar (irritar, aborrecer), a partir deste princípio, teria de significar acrescentar fezes. Não menos interessante é que ovacionar, que significa aplaudir, aclamar, como é do gosto dos políticos, bem que poderia ser, e com justa razão, atirar ovos.

Mas, e uma vez que o ideal de políticos, apesar do que eles fazem, é serem ovacionados no sentido dado pelo dicionário, isto é, aplaudidos, deveriam se mirar no exemplo de Michael Jackson e apontar o saco para a multidão. Sempre que aquele artista segurava seu célebre saco e o apontava para a multidão, ela ia ao delírio, tomada pela euforia sonhada pelos políticos.

Entretanto, é duvidoso que saco de políticos exerça tamanha atração sobre o povo como o saco de Michael embora pudesse fazer ainda maior sucesso desde que eles fizessem a coisa certa porque um trabalho político bem-feito credencia o autor a levar multidões ao delírio acostumadas que estão as pessoas a só encontrarem desvantagens com a ação dos políticos tais como Verbas Secretas, Emendas Parlamentares, Foro Privilegiado, Prescrição para crimes de lesa pátria. Tudo isto depõe contra a classe política, principalmente a insegurança que toma conta da sociedade a ponto de haver roubo de armas de guerra dento do próprio exército.

Tirando fora os políticos tradicionais, comprovadamente comprometidos com a desordem, dois políticos que despertaram imensa esperança do povo, Collor e Lula tiveram oportunidade de moralizar a política, mas jogaram fora a chance passarem para a história como autores desta bela heroica e salutar façanha.

A única coisa que trava a alvorada de uma política que corresponda à nobreza de sua finalidade são os Midas que se apoderaram de tudo, inclusive do poder de conduzir a opinião pública a prá onde lhes for conveniente. Tamanho é o poder desses párias sociais que fizeram o povo rejeitar políticos interessados na boa política tais como Heloisa Helena, Eliana Calmon e mais alguns gatos pingados e fizeram com que as preferências sejam pelos maus políticos que levaram o mundo a se encontrar prestes a não poder mais oferecer condições de vida, fato que apesar de representar extinção da raça humana, é como se não existisse para o povo. Povo, realmente, não pensa.

 

 

sábado, 11 de novembro de 2023

ARENGA 708

 

O que fizemos nós seres humanos para termos um destino tão ingrato a ponto de por ignorância provocarmos nosso próprio extermínio e que não obstante a capacidade de raciocinar, como disse o historiador, vivermos a destruir o que construímos? Como entender que desperdice em armas caríssimas o dinheiro da saúde, segurança, moradia e alimentação, se os carentes destes bens tandem à violência e ao desassossego?

Nada é a resposta para esta pergunta. E é justamente por nada temos feito que somos tão infelizes e estúpidos a ponto de sermos indiferentes às causas de nossa infelicidade embora elas estejam bem aí à vista nas figuras de aproveitadores da nossa ignorância.

Quando deixamos de nos interessar pela política, pelo modo como se administra a riqueza pública, também deixamos o campo livre para que esta riqueza que é a única responsável pelo bem-estar social e garantia da sustentabilidade fosse apropriada e desperdiçada por pessoas de nenhum senso comunitário para as quais é possível uma comunidade na qual a maioria apenas produz para uma minoria tão frívola e perdulária desperdiçar como faziam aqueles perdulários despreocupados que antecederam a Revolução Francesa, no dizer do historiador Eduard Mac Nall Burns.

A vida jamais será possível sem que seja encarada a realidade de ser o dinheiro o único provedor de tudo aquilo que ela demanda. Assim, portanto, não há de se permitir que parasitas tenham permissão para a posse de quantidade de dinheiro infinitamente maior do que as necessidades. A infelicidade decorre unicamente da burla engendrada pelos aproveitadores e ajuntadores de riqueza que afasta das pessoas esta realidade e as conduz para os céus e um deus inventado para evitar o conhecimento da verdade.

Da falsidade que envolveu os seres humanos por obra de enganadores inescrupulosos e perversos resultou tamanha deturpação da nobre atividade política que dela não participa por justificado motivo ninguém de nobreza de caráter e que não vise a locupletação.

Livros volumosos, os tais de “Best-Sellers”, ou seja, ótimos de vendagem, tergiversam esbanjando intelectualidade inútil, mas sem tocar no assunto de ter a humanidade se deixado conduzir por maus caminhos ao deixar-se levar pelo berrante sobrado pela imensa papagaiada de microfone que mundo afora, em obediência a ordens de Midas que por mil e uma artes demoníacas se apossaram da mente humana e a tornou incapaz de agir contra sua própria ignorância e destruição.    

  

 

 

    

terça-feira, 31 de outubro de 2023

ARENGA 707

 

Assim como se teve de reconhecer que a Terra não era o centro do universo e nem era quadrada, por obra do doutor Galileu, mas redonda e achatada nos polos, assim também haverá outro doutor Galileu para forçar reconhecer que o bem-estar não depende de divindade coisa nenhuma. Que depende mesmo é do dinheiro. Feito isso, acabar-se-á o que era doce para os Midas do mundo que têm cifrões em lugar de pupilas porque uma vez constatada a indispensabilidade do dinheiro porque sem ele não se pode ter bem-estar de nenhuma forma, ninguém mais vai cair na bestagem de ir procurar bem-estar nas igrejas, mas no Estado que é quem cuida da distribuição do dinheiro. Chegando a essa sabedoria, é claro que sob pena de nunca mais receber votos, os governos serão obrigados a impedir que Midas açambarquem para si sós o dinheiro de fazer com que todos tenham dinheiro para que possam ter o que precisam ter e que não têm porque o dinheiro tanto é roubado quanto desperdiçado de mil e uma formas sem que os ladrões e desperdiçadores sofram a penalidade correspondente a seus crimes como mostra esta matéria publicada no grandioso jornal Gazeta do Povo, de 22/10/23:  A OCDE aponta um fato prodigioso, já comentado com frequência na mídia independente: não há no Brasil, no momento, nenhum preso por corrupção.

Só duas situações explicam o fato de inexistir preso por corrupção no Brasil: não haver corrupção ou ter ela conquistado as autoridades.

 

 

sábado, 21 de outubro de 2023

ARENGA 706

 

A qualificação de sapiens que a biologia atribui à espécie humana está anos luz distante da realidade por que monstros não são sábios; são nada mais que monstros haja vista a monstruosidade das guerras que com o passar do tempo recrudesce a crueldade porquanto se matam inocentes criancinhas. A permanecerem os seres humanos em tamanha estupidez, atrairão sobre si inevitavelmente o destino dos dinossauros.

Para falar sobre os sapiens, esse cantinho de pensar pede permissão à memória do grande pensador Vinicius Bittencourt para extrair das páginas 19 e 20 do seu livro Falando Francamente sua observação sobre o ser humano para brindar aos gatos pingados que nos honram com sua atenção, e que já somam duzentas e setenta mil visitas. Com a palavra, pois, o doutor Vinicius Bittencourt:

“Tudo mudou, mas o homem é sempre o mesmo. No mundo das ideologias é o Midas da putrefação. O que ele toca, logo apodrece. Basta ver o que ocorreu com as ideias generosas do Cristianismo, da Revolução Francesa e da Revolução Soviética. Na política, na religião, na administração da justiça, na administração pública ou em outra qualquer missão, o homem tudo subverte. Sobre ele atuam poderosamente os sete pecados capitais, fazendo-o proceder em função exclusiva de seus próprios interesses. Nada, absolutamente nada, resiste à sua ação predatória. A corrupção é invencível. Todos os que contra ela se insurgiram acabaram mortos, banidos, na cadeia, ou simplesmente difamados. É clássica a conclusão de Lord Acton, no sentido de que todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

A Revolução Francesa acenava com a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Mas descambou na corrupção do Diretório e desaguou na tirania de Bonaparte. A Soviética prometia acabar com o antagonismo de classes e a exploração do homem pelo homem. Intensificou, porém, esse antagonismo e essa exploração, criando uma nova classe de privilegiados, a dos funcionários do Partido Comunista, que passou a escravizar o resto da população. O Cristianismo pregava a humildade, o ascetismo e a caridade. Os fariseus, todavia, apropriaram-se da doutrina do profeta e continuaram a viver como antes, cultuando a hipocrisia e explorando a humanidade. Por isso, Nietzsche observou que: “O evangelho morreu na cruz”. E como disse Ruy: “O que ficou é uma simbólica sem alma e sem verdade, pasto à credulidade das classes ignorantes e mando do cepticismo dissimulado e calculista da minoria ilustrada”.

As exceções só servem para confirmar as regras gerais. Como adverte a lei sociológica de Le Bom: “Nos grupos humanos a média da moral é constante”. Há sempre, em todos eles, patifes e benfeitores. O número, porém, dos últimos, é tão insignificante que não modifica o conceito do grupo. No homem, o egoísmo é inato e raramente pode ser atenuado pela educação ou restringido pelas cominações legais. O homem é um animal e, como todos os outros, luta por sua sobrevivência. Busca instintivamente uma vida de conforto e luxúria que só pode ser alcançada com o sacrifício de seus semelhantes. A simples existência dos organismos policiais e judiciários evidencia que a maldade humana precisa ser submetida a permanente vigilância.

Nenhum animal é mais perigoso do que o homem. Nenhuma outra espécie tem o seu poder destrutivo. O animal selvagem contenta-se em matar para alimentar-se. O homem mata por uma infinidade de motivos. E o faz em escala colossal. Com sua inteligência, infinitamente superior a de todos os outros animais, o homem não exibe sua maldade apenas durante as guerras ou nas chacinas que, em tempo de paz, ocorrem nas metrópoles. Esgrimando a perfídia e outros meios de trapacear, o homem busca ascender em todas as comunas, para comer o pão com o suor do rosto alheio e desfrutar de todos os prazeres. Ludibriando eleitores, explorando a crendice religiosa ou simplesmente fraudando compromissos, o homem esbulha os frutos do trabalho individual ou coletivo. Como disse Ghandi, a Terra tem bastante para a necessidade do homem, mas não para sua cupidez”.

Infelizmente, a realidade humana é absurdamente estúpida. Esgotam-se os elementos dos quais depende a vida e os bichos de dois pés não se abalam em busca de solução. Pais veem o que acontece no mundo com incompreensível indiferença apenas porque os horrores ainda não lhes batem à porta e o sofrimento dos atingidos não lhes causa nenhuma comoção.

 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

ARENGA 705

 

Tanto é triste quanto perigosa a realidade de ter a humanidade desprezado por completo o nobre sentimento da solidariedade humana vez que nem as crianças escapam da selvageria das guerras estúpidas postas em prática pelos falsos líderes, fantoches manuseados pelos Reis Midas do mundo entre os quais se encontram quem criminosamente aufere lucros fabulosos com a indústria armamentista. As guerras são nada mais do que a mortandade de jovens maldosamente convencidos da necessidade de se empenharem em matar outros jovens quando deveriam estar se confraternizando numa comunidade fraternal e universal pelo fato alvissareiro de se encontrarem na melhor fase da vida que em lugar de ser desperdiçada com extravagâncias principalmente de drogas deve ser usada para meditar sobre a realidade de se deixarem conduzir como marionetes ao matar e morrer para satisfação de viciados em poder e riqueza e que na verdade são todos os tais de poderosos que no final de tudo acabarão tão podres como qualquer desvalido insepulto.

Na página 625, volume II do livro História da Civilização Ocidental, o historiador McNall Burns diz o seguinte sobre Napoleão Bonaparte que dizimou a juventude francesa em guerras: “O triunfo de Napoleão se deveu a certas qualidades intrínsecas de sua personalidade. Era astuto, egoísta e sem escrúpulos”. Ora, se estas são qualidades de vilania, o que é que faz a humanidade se conformar em ser governada por vilões? Ou não é vilão quem destrói a maior riqueza de um país, sua juventude, para satisfazer egoísmo?

Cabe à juventude do mundo descobrir o engodo em que se encontra envolvida. Tudo a seu redor é só falsidade. Não veem o fanatismo por futebola, carnaval e a crendice na felicidade depois da morte, instituições às quais nenhum governante nega apoio e entusiasmo? Pois é tudo uma grande farsa para evitar que se alcance a verdade de que a felicidade depende é da forma como é administrada a riqueza que a coletividade produz e que desaparece até em verbas ocultas para que o povo não saiba como é desbaratada. O futebola prende a atenção de forma a não deixar espaço para outros pensamentos. O carnaval é uma verdadeira orgia digna do deus Baco para a qual os governantes distribuem camisinhas. Quanto à religiosidade, como disse o filósofo americano Robert Green Ingersol: “Todas as religiões são incompatíveis com a liberdade intelectual”. O porquê de nenhum governante deixar de incentivar também a religiosidade é que eles precisam de um povo que não tenha liberdade intelectual. Sua intelectualidade é atrofiada pelas religiões com a imposição de não se discutir os mistérios de deus. Se examinados à luz de raciocínio lúcido caem por terra. Um exemplo: como explicar que Jacó lutou com deus e venceu (Gênesis 32:22,32)? Deus, na verdade, é o Papai Noel dos adultos.  

 

 

domingo, 15 de outubro de 2023

ARENGA 704

CAPITALISMO E LIBERDADE é o nome de um livro do economista americano Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia. O livro mereceu elogios rasgados de jornalões americanos e o autor é dito o economista do século. Que o mundo enlouqueceu, não é novidade se jovens estão cometendo suicídio, desordeiros são tratados de excelências e pobres diabos mentais são famosos e celebridades. Entretanto, é novidade que os maiores intelectuais do mundo tenham enlouquecido também. O capítulo primeiro do livro do economista do século, começa do seguinte modo: “Há uma convicção generalizada de que a política e a economia são questões distintas e têm pouca relação entre si; de que a liberdade individual é um problema político, e o bem-estar material, um problema econômico”.

Se é que há a convicção, de que política e economia são questões distintas, é só na redoma de vidro em que vivem os intelectuais, distante da realidade do povo, no mundo da lua. Para quem vive no mesmo mundo onde vive o povaréu é diferente. Política e economia são tão vinculadas entre si que são como unha e carne. Além disso, a única liberdade que a política assegura é dar aos pobres o direito de escolher em pagar de uma só vez ou em parcelas o valor do imposto. E mais, é a política que determina o tipo de economia. Tanto esta é a realidade que no capitalismo, forma de administração pública preferida pelos ricos donos do mundo e que vem mandando e desmandando (desmandando mais que mandando) em todas as sociedades ricas desde a Revolução Industrial. Dissemos “desmandando” com base no também economista Eduardo Moreira, que na página 27 do livro Desigualdade diz o seguinte a respeito da desarrumação econômica que do capitalismo resulta para nossa sociedade: “... vivemos no país que possui a maior desigualdade social do mundo, com o 1% mais rico concentrando a maior parcela do total da renda gerada. No Brasil, essa fatia é de quase 30% da renda total. Quando analisamos patrimônio, e não renda, esse percentual aumenta ainda mais. Para se ter uma ideia, 1% dos donos de terras concentram mais de 50% das terras cultiváveis do país. E quando consideramos o volume de dinheiro, o 1% mais rico possui mais reservas acumuladas do que os 90% mais pobres. Uma verdadeira catástrofe social, com consequências nefastas, que parece, porém, passar despercebida à maior parte da população”.

Clama aos céus, pois, a afirmação de ser a economia responsável pelo bem-estar material da sociedade porque na verdade é responsável pelo mal-estar social que toma conta da sociedade humana com guerras pipocando por todo canto e o povão idiotizado em meio a tudo isso ignorando que cabe a ele e não a divindade a tarefa sublime de fazer a vida menos desagradável, sobretudo pelas inocentes crianças que sofrem pelos desatinos dos adultos que desembocaram na catástrofe social a que se refere Eduardo Moreira.