quarta-feira, 3 de abril de 2013

ETERNOS BOBOS


                 Uquié uquié é? Anda numa correria maluca prá lá e prá cá, é tomado por um misto de ridículo e loucura nos terreiros de futebola e de axé, trabalha para sustentar gigolôs de religião, politicagem, planos de saúde, axé, futebola e, principalmente, o carro-chefe da gigolotagem que são os meios de comunicação, e que quando não estão brincando é porque estão chorando? Resposta correta: um bobo arrematado. Só bobo teria tal comportamento. A bobagem tomou conta. As pessoas se encontram num estado tão degradante de bestagens, como diz meu amigo Movér, que aceitam indiferentes a permuta criminosa que o governo faz com os meios de comunicação. É uma coisa desgraçada mesmo. O governo repassa enorme quantidade do dinheiro do povo para os meios de comunicação, e estes devolvem com a prestação do trabalho de convencer as pessoas de que elas devem ser tão bobas quanto são. É por isso que há sempre uma televisão onde quer que se vá. A luminosidade dela atrai mais que pêndulo de mágico. Ela faz até o pai e os filhos conviverem harmoniosamente com negociatas de xoxotas. Os meios de comunicação anulam completamente nas pessoas a capacidade de pensar e tirar conclusão. Dois quadros recentes estampados na imprensa mostram a quantas andam as bestagens resultantes do trabalho dos meios de comunicação.

No primeiro quadro aparece um candidato ao único emprego de onde o empregado sai milionário, o de presidente da república, ao lado de um iletrado jogador de futebola. Todo candidato a alguma coisa procura mostrar capacidade de fazer aquela coisa. Entretanto, para quem pensa, a mensagem da propaganda deve ser entendida ao contrário. Deve ser entendida como declaração da continuidade dos governos que priorizam as brincadeiras em detrimento de salvar a vida de tantas menininhas que perdem o futuro por falta do dinheiro gasto com as brincadeiras destinadas a manter o povo incapaz de perceber a realidade existente do lado de fora dos eternos festejamentos que constituem uma verdadeira barreira pela qual não passa a percepção de quase a totalidade dos seres humanos.


Quem espiar do lado de fora do baile vai ver coisas escabrosas. Dá a impressão de estar a sociedade na rota do Titanic, mas, convencida pelos meios de comunicação de estar em rota muito boa. Tão boa que há muita festa. Uma das raras pessoas que observam a vida afirmou que “A propaganda é a arte de explorar a estupidez humana”. Não tem limite o alcance desta conclusão como também não há limite para a estupidez de quem vota num candidato pelo fato de se apresentar ao lado de um iletrado jogador de futebola porque este é o tradicional tipo de político cujo objetivo é o mesmo de sempre: manter o povo num salão de festa que é para não desconfiar de estar sendo enganado. O governo do Ceará está processando o jornalista Ricardo Boechat por ter criticado (como realmente é de se criticar) o pagamento de seiscentos mil reais por um espetáculo de axé, enquanto os cearenses pobres amargam os efeitos de mais uma seca que rende gordas liberações de verbas que fazem com que os responsáveis por elas sejam os únicos empregados que ficam ricos e tão importantes para o povo, que este, em reconhecimento pelo trabalho tão eficiente que não lhe deixa faltar nada do que precisa, constrói memoriais para que tão eficientes e honestos políticos possam perpetuar a imagem da ignorância de quem deseja ser perpétuo.
No segundo quadro, que também transmite mensagem oposta ao que a bestagem permite interpretar, as personalidades são a presidente ou presidenta Dilma e o governador do Rio na cerimônia em homenagem aos mortos que morreram por falta da aplicação correta do dinheiro de prevenir aquele resultado. É por isso que o mesmo atento jornalista Boechat analisou a sena retratada naquele quadro como a de alguém que vai prestar condolência à família de um morto que morreu por sua culpa. Perfeito o raciocínio do jornalista. Quando a presidente ou presidenta entrega a chave do cofre à sanha do colarinho branco como fez ao se reunir com empreiteiros para se aconselhar como melhor gastar os mais de cem bilhões nas estradas e portos, e quando o governador é flagrado em companhia do colarinho branco em alta farra em Paris, a conclusão lógica a que chega quem pensa é a de que nenhum dos dois está preocupado com os bobos que se sentem prestigiados pela presença de quem os infelicita.  
Cada povo tem o governo que merece” é outra frase saída de raciocínio privilegiado. Entretanto, como se vota enganado, como se vota por estar convencido de algo que não é a realidade, como aconteceu quando até as pessoas que pensam votaram em Lula, o fato de se estar certo de estar votando certo quando se está votando errado não justifica ser sancionado por comprar gato por lebre quem não conhece gato nem lebre. Não está certo ter-se de padecer os sofrimentos decorrentes de um mau governo porque ao votar estava-se certo de ser aquele “o cara” ainda que esteja completamente enganado como faz quem vota num candidato por se apresentar ao lado de um iletrado jogador de futebola. Todos os povos merecem ter um governo que use o produto do trabalho de todos em benefício de todos. Esta é a única maneira de se viver em paz e com a dignidade que merece todo ser humano. Se nosso governo é o contrário do que deveria ser como provam os gastos em festas e as menininhas mortas por falta de dinheiro, atitude de não bobo seria trocar tal governo por outro que gaste o produto de trabalho de todos em benefício de todos.
Uma destas raras pessoas que pensam também deixou o resultado de uma importante conclusão na seguinte frase “Aquilo de que você se arrepende de ter feito no passado não carece seu arrependimento porque por aquela ocasião você era outra pessoa”. Desta afirmação se conclui que aquele que faz algo de que vai se arrepender é porque não sabe o que está fazendo. Ninguém praticaria conscientemente atos danosos a si próprio. Quando, entretanto, inconscientemente, pratica, produziu para si mesmo o sofrimento futuro causado pelo arrependimento. Se o sofrimento resultante daquela prática fosse sentido de pronto, certamente seria evitada a prática. Caso os garotos e garotas barulhentos e barulhentas sentissem imediatamente os efeitos maléficos que os cientistas da ONU afirmam provir do barulho, é certo que eles teriam outra atitude. O inocente que conduzia uma moto que me ultrapassou na estrada da Barra e cujo zumbido me incomodaria por mais tempo antes de tomar distância se eu não fechasse os vidros completamente, tivesse aquela inocente criatura visão de sua pessoa no futuro, só continuaria daquele jeito se fosse muito bobo porque atrair sofrimento é papel de bobo. Como o povo não sabe o que está fazendo, procede como bobo e faz coisas das quais haverá de se arrepender como se arrependerá um dia de ter sido incapaz de aprender as lições que nos dão diariamente os doutores do saber. Quem estiver a fim de saber que a presença do governador do Rio na cerimônia não representa sentimento de solidariedade poderá ter uma excelente lição na coluna do jornalista Alex Ferraz no jornal Tribuna da Bahia do dia 28/3/2013. Entre as provas do “real interesse” pelo povo demonstradas pelo governador, há na matéria de Alex Ferraz o seguinte: “...ele esteve, no último sábado, quando as chuvas mais que previsíveis arrasavam os morros do Rio e matavam dezenas, no Madison Square Garden (foi fotografado lá), com o filho, onde, entre lautos goles de cerveja, assistia a uma partida de basquete”.
Como essa prosa já está uma prosa, fica aqui o meu inté.  Se algum infeliz acompanhou estas bestagens até aqui, pode estar certo de novas bestagens depois de devidamente recompostos os sacos de quem vê e de quem apresenta.
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

SERVIDÃO HUMANA



                      O escritor William Somerset Maugham escreveu um livro chamado A Servidão Humana, cuja história gira em torno de uma das figuras mais desconcertantes que a humanidade já produziu. É um sujeito chamado Philip, cuja figura é a cópia fiel da humanidade. Todo tipo de sofrimento que se possa imaginar, e até mesmo inimagináveis acometeram aquela representação de uma desgraçada figura criada pela mente privilegiada do escritor para nos mostrar não haver limite para a degradação moral a que pode chegar um ser humano cujo cérebro se encontra dominado por força negativa tão grande que o faz convencer ao resto do corpo de que faz parte de ser ele tão vil a ponto de ser incapaz de um gesto de nobreza. Causa mal estar a quem pensa sobre as coisas da vida ser identificado pelo mesmo substantivo “homem” que também serve para identificar figuras como Philip ou a maioria absoluta das pessoas que compõem a humanidade em sua degradação moral capaz de deixar Philip e a humanidade ainda mais baixos do que a situação de quem se encontra de quatro.

O pobre Philip era complexado por ser portador de um defeito no pé que o fazia mancar. Tinha uma personalidade deformada pela criação num ambiente de grande religiosidade, onde certamente lhe teria sido inoculada a cultura da submissão ao sofrimento, tarefa ingrata de toda religião. O sofrimento deve ser encarado com rejeição, jamais acolhido com satisfação. Os sofrimentos inevitáveis, estes serão mais facilmente suportáveis se forem entendidos como obras do acaso, razão pela qual são inevitáveis. Esta forma simples e despida de fantasias dá maior tranquilidade para encarar os sofrimentos inevitáveis a quem pensa sobre a vida. Ao contrário, quem vive apenas em função de dinheiro e futilidades, como nada sabem sobre as outras coisas, mortificam-se infinitamente mais ante os infortúnios que a natureza nos impõe.

 O escritor limitou à desconcertante figura do infeliz Philip, seu personagem, a servidão que submete toda a humanidade. Cada ser humano é um Philip na realidade. Se os ricos são servos da necessidade de acumular riqueza e da preocupação em guardá-la a salvo de quem dela precisa, por um lado, por outro lado também se encontram escravizados à necessidade de fazer de conta que não sabem do sofrimento dos pobres que fazem suas riquezas, mas que são obrigados a conviver com a situação da garotinha que chegou ao hospital com um braço quebrado, vinte e quatro horas depois ainda se encontrava no mesmo lugar, chorando, com o bracinho já inchado e na mesma espera, enquanto em outro hospital, outra menina que foi baleada em tiroteio permaneceu durante oito dias à espera por socorro até morrer num abandono cruel. Os ricos sabem, mas precisam ser indiferentes a estas coisas que atrapalham os negócios. Os pobres não sabem, mas precisam saber que a situação de sofrimento daquelas menininhas se deve por falta das montanhas de dinheiro escondidas nos infernos fiscais, provenientes de roubo de todo tipo, inclusive do suor do trabalhador cujo trabalho não ajuda sua filha, mas ajuda Lula a fazer orgias no alto em luxuoso avião planando no céu azul.

A observação da vida nos mostra que absolutamente ninguém, individualmente, é capaz de admitir uma situação em que duas crianças morram por abandono e que seus pais sejam obrigados servilmente a contribuir com tratamentos sofisticadíssimos que salvaram da morte Lula e Dilma.

A humanidade precisa acertar o passo. Marcha em desordem tão grande que se encontra numa situação confusa de dupla personalidade. Individualmente, ninguém deixa de condenar o sofrimento daquelas menininhas, entretanto, coletivamente, aceitam indiferentemente aquela situação de duas crianças submetidas a uma condição infinitamente inferior à dos cães e gatos. O comportamento humano ainda se encontra muito ligado ao comportamento dos irracionais que apenas vivem. É preciso incluir no processo de viver a atividade de pensar. A vida não pode ser levada na base do simplesmente “toca prá frente” porque ninguém individualmente toca nem prá frente e nem prá trás sem antes querer saber o que vai encontrar lá na frente ou lá atrás. Entretanto, em conjunto, as pessoas caminham sem saber para onde.

Se for perguntado a cada uma das pessoas perfumadas antes de entrar na igreja, não haverá uma sequer a concordar com o sofrimento daquelas duas menininhas. Entretanto, quando em reunião de “irmãos”, nem se lembram de indagar qual a origem da situação daquelas duas irmãzinhas lá longe. Só há necessidade de preocupação quando se trata de pessoa da família. Mas, e irmãos não fazem parte de uma família? Se assim é, e se todos são filhos de Deus, todos são irmãos. Então, as menininhas também são. Como pode, então, irmão ignorar sofrimento de irmão? É que a tal irmandade é pura hipocrisia. Desaparece quando se atravessa a porta de saída da igreja do mesmo modo como desaparece a indignação com os problemas sociais quando se desliga a televisão.

A humanidade vive a situação aparentemente inexplicável de ser cada indivíduo obrigado a ser do jeito que ele não quer ser. É exatamente a isso que se pode chamar de servidão porque outra coisa não é senão servidão o fato de ter cada indivíduo da humanidade de conviver com as coisas que ele gostaria de evitar tais como filas, planos de saúde, descontos no extrato bancário, barulho, ser impedido de embarcar, embora com a passagem na mão. Ninguém concorda com isso individualmente, coletivamente, porém, todos estão de acordo e dão boas risadas nas filas. Desse modo, quem é obrigado a proceder do jeito que não quer, é por ser servil a alguém. Quem é servil é por ter o procedimento do servo, e servo é aquele que vive sob alguma forma de escravidão. Portanto, quem é servil ainda não alcançou o nível de dignidade que distingue o homem sociável das bestas humanas.

Nestas afirmações, nem mesmo o religioso ferrenho será capaz de encontrar desrespeito ao seu Deus. Não se pode atribuir a elas outra intenção senão duas, mas nenhuma contrária ao que pregam todas as religiões. A primeira intenção é incentivar o sentimento de irmandade para todas as crianças do mundo na situação daquelas duas menininhas infelizes. A segunda intenção é manifestar um grande desejo de ver a humanidade ser constituída de irmãos sem aspas e sem escravidão.

No que diz respeito a ser contrário à escravidão, embora os religiosos não aceitem que Deus tenha aprovado a escravidão, Ele o fez. Em Êxodos, 21, Deus estabelece regras para a escravidão. Tem até outras passagens por lá também sobre o mesmo assunto, mas vou deixar de citar para não ficar parecendo pirraça. As menções do endereço citado são suficientes para provar a conivência de Deus com a escravidão. Embora ninguém individualmente concorde com essa afirmação de que Deus é escravagista, coletivamente, porém, todos carregam a bíblia com as regras ditadas por Deus sobre como conduzir os escravos. Embora não aceitem, por ser a desmoralização de Deus, fazem de conta que  não existe o que realmente existe. Basta abrir a bíblia naquele lugar citado para fazer de conta que não está lá o que lá está. Afinal, todos são obrigados a proceder do modo diferente do preferido. Fazê o quê, né não?

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

O CIDADE ALERTA X O CIENTISTA


Malamanhadamente como sempre faço, em algum lugar nesse malamanhado blog escrevi sobre as drogas e o tráfico, afirmando ser bobagem esse negócio de proibir uso de drogas e que teríamos mais tranquilidade se elas fossem compradas nos mesmos locais onde são comprados o roliúde e a cachaça. Assim, não haveria de ser comprada às escondidas e custando tão caro que se o sobre valor virasse imposto e fosse aplicado corretamente sob a vigilância dos compradores de drogas seria suficiente para promover campanhas que mostrassem aos jovens a estupidez que é danificar seus corpos e ter como resultado uma velhice infeliz na UTI, com aspecto de ser muito mais velho do que realmente é. Esta é uma tarefa dura de enfrentar, mas não impossível haja vista haver jovens convencidos a se imolar. Certamente será mais fácil convencê-los a se preservar porque vale muito a pena economizar um pouco de vitalidade para usar depois. Isto dá melhor resultado do que economizar apenas dinheiro porque na hora em que a saúde debilita completamente o dinheiro vai inutilmente para o hospital.

 Do meu fraco ponto de vista, também afirmei haver só vantagens em transformar as fortunas bilionárias que enriquecem os mafiosos do tráfico em conluio com os politiqueiros. Estes recursos seriam suficientes para montar bons hospitais onde seria restabelecida a saúde dos fracos e infelizes jovens já com aparência de velhos.

Certamente ninguém leu o que escrevi porque ninguém lê nem quem sabe escrever, quanto mais quem não sabe.  Supondo haver alguma alma penada que lesse, com certeza ficaria horrorizada com tais idéias por instigarem o desrespeito à moral e aos bons costumes que, na realidade, são costumes imorais e torpes.

Entretanto, pessoas de nobres conhecimentos fazem declarações nas quais se confirmam todas as afirmações deste iletrado. Certa vez, da tribuna do Senado Federal, o saudoso e honesto senador Jefferson Peres (que a juventude não sabe quem é, assim como também não sabe o que é “homem honesto”), convocou os senadores a pensar na idéia de liberar o comércio de drogas no Brasil, no que foi prontamente contestado pelo religioso senador Pedro Simon.  

Os religiosos sempre se insurgiram contra uma inovação. Eles precisam de seguidores acostumados a seguir sem querer saber para onde está seguindo. É esse pessoal que garante a refeição dos gigolôs de religiões. É de se observar, entretanto, que as coisas contra as quais se insurgem os religiosos acabam por se instalar na sociedade. Este fato encontra explicação no fenômeno conhecido por “desgaste natural” e que, como diz o nome, é o envelhecimento que produz a fraqueza e a necessária substituição de coisas enfraquecidas por coisas vigorosas. Nada impedirá, por exemplo, que venham a ser adotados o tratamento por célula tronco, a legalização do aborto e a liberação do comércio de drogas. Também o divórcio já foi demonizado pelos religiosos e hoje reina tranquilo.

Mas a gente tratava era sobre a opinião que emiti a respeito do comércio de drogas e da proibição que só faz consumir imensos recursos no ralo da corrupção e da morte de muitos jovens. Este é o ponto de vista que a observação da vida me levou a crer ser o mais acertado. Qual não é minha surpresa ao encontrar grandes pensadores que pensam de modo a confirmar as afirmações deste iletrado e censurado por quem mal sabe quando um livro está ao contrário. Aqui está a prova material de estar meu ponto de vista combinando com o ponto de vista nada menos que do Dr. Alexandre Vital Porto, escritor e diplomata. Mestre em direito pela Universidade de Harvard, trabalhou nas embaixadas em Santiago, Cidade do México e Washington e na missão do país junto à ONU, em Nova York. Escreve aos sábados, a cada duas semanas, no caderno "Mundo" do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, que publicou a seguinte matéria da autoria do Dr. Alexandre, intitulada A UTOPIA DE UM MUNDO SEM DROGAS:

“Os astecas comiam cogumelos alucinógenos; os antigos hindus fumavam maconha; os romanos misturavam ópio ao vinho. Parece que nunca houve sociedade sem drogas.

Sem contar os usuários das drogas já regulamentadas, como álcool e tabaco, atualmente, entre 3,4% e 6,6% da população adulta do mundo utilizam drogas ilícitas, como maconha, cocaína e anfetaminas.

A maioria destes fará uso eventual, sem maiores consequências ao longo da vida. No entanto, de 10% a 13% desenvolverão problemas de saúde, como dependência, ou contaminação por HIV e doenças infecciosas. O que era para ser recreativo vira patológico.

De cada cem mortes no mundo, uma decorre de atividades relacionadas ao tráfico de narcóticos. Estima-se que os custos dos problemas de saúde relacionados ao uso de drogas ilícitas alcancem de US$ 200 bilhões a US$ 250 bilhões anualmente.

Os prejuízos causados pela atividade ilegal – mas muito lucrativa – são absorvidos pelo conjunto da população. É como se o povo subsidiasse os traficantes com incentivos fiscais. É o pior de dois mundos.

Em 1961, a ONU aprovou sua Convenção Única sobre Entorpecentes com o objetivo de combater o problema das drogas por meio da repressão à posse, ao uso e à distribuição. O documento, assinado por 184 países, tornou-se, em grande parte, base conceitual para a elaboração das legislações mundiais sobre o tema.

No entanto, mesmo em países com leis especialmente severas, como Arábia Saudita e Cingapura, o tráfico e o consumo de drogas persistem. O exemplo clássico da ineficácia desse enfoque, a Lei Seca, tentou proibir o consumo de álcool nos EUA entre 1920 e 1933. O que acabou conseguindo foi transformar Chicago num antro de crime e criar personagens da linhagem de Al Capone.

Enquanto se persegue a utopia do mundo sem drogas, o comércio internacional de entorpecentes movimenta cerca de US$ 300 bilhões por ano. Em lugar de contribuir com impostos, esse dinheiro paga propinas e estimula a corrupção das instituições democráticas.

A história mostra que parte da população mundial vai continuar se drogando. Mesmo que, para isso, tenha de desafiar as leis. Se políticas de repressão estrita funcionassem, o Irã não teria uma das legislações mais severas quanto ao tema e um dos piores índices de dependência de heroína do mundo.

Os países que resolveram enfrentar a questão por meio de políticas inovadoras, que consideram o tema como de saúde pública e incluem a descriminalização do consumo de drogas leves, como a maconha, têm tido resultados encorajadores na reabilitação de usuários e no combate à criminalidade e outras consequências negativas da dependência.

A proibição das drogas só dá lucro aos traficantes. Não elimina o consumo nem seus efeitos deletérios, mas impede o controle, a tributação e potencializa o problema. Torna-se um fator de corrupção. Mas, acima de tudo, é irrealista. É tempo de considerar que "um mundo livre de drogas", como quis a ONU, talvez não seja possível. O jeito é conviver com elas pagando o menor preço.”

Aí está. Quem tem maior autoridade para falar desse assunto, a requintada superioridade intelectual do Dr. Alexandre, o cientista, ou o religioso, grosseiro, e bem nutrido Datena, capaz de ofender pessoas cujos sentimentos são infinitamente mais nobres do que o sentimento de quem recebe gordo salário para destilar ódio contra nossos infelizes irmãos que a vida jogou na marginalidade e as pessoas nem ligam para elas. Preferem passar perfume para ir à igreja.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 18 de março de 2013

O ATEU E O RELIGIOSO




Se o crescimento espiritual da humanidade cresce como rabo de cavalo, é de se imaginar a quantas anda a espiritualidade do povo brasileiro, tão conformado em ser escória da humanidade a ponto de servir de monturo para outros povos, cujo lixo é transformado em camisas com as quais jovens brasileiros desfilam orgulhosamente pelos parques, circos, campos de futebola e terreiros de axé.

Agora, se o Brasil é escória, que dizer da Bahia? Em Salvador, certa vez, recebi no braço uma bolota de catarro cuspida de uma janela da casa vizinha para onde me dirigia, onde fui socorrido com a devida higienização, estando vivas ainda muitas das pessoas desta casa. E se a Bahia não tem como ser mais desclassificada, que dizer de Vitória da Conquista, nossa cidade? Não há cidade habitável no Brasil, é verdade. Entretanto, nessa daqui, a situação está mais prá bicho que prá gente. Aliás, ontem, o carro de barulho do mercado Santo Antônio fazia barulho quando eu entrava no prédio e xinguei o jovem que o dirigia, ao que ele disse: “Tá estressado? Vai morar no mato!”

Não pode haver maior demonstração de ignorância do pobre jovem que pensa ser a cidade própria para se fazer barulho, e que os mais sensíveis devem ir para o mato, lugar de bicho, colocando os bichos acima de sua capacidade de racionar e dos seus patrões cuja ânsia por juntar dinheiro não permite que suas mentalidades se elevem acima do caldo que escorre do esgoto pelas ruas onde os bichos humanos, estes sim, verdadeiros bichos, convivem com a imundície de pisar em caldo de fezes e suportar o barulho que os bichos do mato não suportariam.

Aqui está uma parte de um texto e da fonte da informação sobre os males causados pelo barulho:

(Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Trata-se de fato comprovado pela ciência médica os malefícios que o barulho causa à saúde. Os ruídos excessivos provocam perturbação da saúde mental. Além do que, poluição sonora ofende o meio ambiente e, conseqüentemente afeta o interesse difuso e coletivo, à medida que os níveis excessivos de sons e ruídos causam deterioração na qualidade de vida, na relação entre as pessoas, sobretudo quando acima dos limites suportáveis pelo ouvido humano ou prejudiciais ao repouso noturno e ao sossego público, em especial nos grandes centros urbanos.

Os especialistas da área da saúde auditiva informam que ficar surdo é só uma das conseqüências. Os ruídos são responsáveis por inúmeros outros problemas como a redução da capacidade de comunicação e de memorização, perda ou diminuição da audição e do sono, envelhecimento prematuro, distúrbios neurológicos, cardíacos, circulatórios e gástricos. Muitas de suas conseqüências perniciosas são produzidas inclusive, de modo sorrateiro, sem que a própria vítima se dê conta.

O resultado mais traiçoeiro ocorre em níveis moderados de ruído, porque lentamente vão causando estresse, distúrbios físicos, mentais e psicológicos, insônia e problemas auditivos. Além disso, sintomas secundários aparecem: aumento da pressão arterial, paralisação do estômago e intestino, má irrigação da pele e até mesmo impotência sexual”.

Isto significa que os barulhentos de hoje serão amanhã velhos e velhas bichonas nervosas, surdas, com a pele ressecada, e loucas.

Ante a ignorância generalizada da juventude barulhenta e para sua própria proteção, pedi ao Ministério Público o seguinte:

“VITÓRIA DA CONQUISTA, 15 DE MARÇO DE 2013.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PROMOTOR PÚBLICO DE JUSTIÇA NESTA CIDADE.

             José Mário Ferraz, brasileiro, idoso, casado, RG. 00316055-67, residindo no bairro Candeias, rua pastor Artur de Souza Freire, 650, apartamento 1001, juntamente com as pessoas que assinam as folhas anexas, tendo em vista ter esta cidade se tornado inabitável para os poucos moradores com noção de higiene, saúde e educação, vem, respeitosamente, apoiados nos artigos primeiro, item III, e quinto, item XXXIV, letra a, da Constituição Federal, e na legislação pertinente ao assunto aventado (cópias anexas), requerer se digne Vosselência de obrigar a administração municipal omissa a cumprir sua obrigação de corrigir as seguintes faltas:

1 – Caldo de esgoto a céu aberto, tanto no centro como nos bairros, e os carros salpicando as pessoas com o caldo putrefato além de possibilitar o transporte de doenças nos sapatos para dentro de casa.

2 – Lufadas de fumaça preta saídas dos canos de descarga em consequência de motores desregulados.

3 – Barulho infinitamente superior ao legalmente permitido, inclusive com os carros do G. Barbosa e do Supermercado Santo Antônio a disputar quem grita mais alto, cujo resultado danoso à saúde, como afirmam os médicos, faz parte dos documentos anexos a este requerimento, inclusive fotos mal feitas, mas que dão uma amostra da situação das calçadas.

4 – Concessão de HABITE-SE a prédio ainda em construção, deixando nós, entretanto, de citar um caso específico por ser injusto ante a impossibilidade de citar todos. O prédio em que moro, por exemplo, foi autorizado a ser habitado antes de estar concluído.

         5 – Calçadas quase intransitáveis para jovens e completamente intransitáveis para velhos e deficientes de outro tipo de deficiência, sendo utilizada grande parte das boas calçadas para comerciantes exercerem sua atividade comercial.

6 – Trânsito caótico com carros sobre as calçadas, carroças em meio aos carros, bicicletas e até motos trafegando em sentido contrário ao fluxo de veículos.

É por tudo isso que rogamos socorro por parte desta nobre instituição do Direito e da Justiça.

Atenciosa e respeitosamente,

José Mário Ferraz.”

Uma jovem e competente doutora em assuntos nutricionais ficou admirada quando eu lhe disse não ter apego a esta vida medíocre. Nenhum jovem pode compreender tal situação, nem mesmo os jovens responsáveis e bons profissionais. Esta vida só é boa para quem não teve tempo de aprender nadinha sobre ela. A cultura estabelecida pelo sistema capitalista transforma os seres humanos em apenas ganhadores de dinheiro e adoradores de divindades representadas por espertalhões mancomunados com politiqueiros na demoníaca tarefa de fazer com que só se pense em dinheiro, diversão, e oração, ficando distantes e indiferentes ao sofrimento de outras pessoas, apesar de se tratarem entre si de “irmãos”.

São inúmeros os casos de infortúnio como o da garotinha com uma bala na cabeça que ficou num hospital sem atendimento até morrer. Outro caso de cortar o coração, mas que as pessoas nem ligam, preferindo fazer reuniões nas igrejas, longe do hospital onde um senhor que dirige o seu bom táxi me contou ter chegado lá em determinado dia da semana passada e ficou penalizado ao ver uma garotinha com o braço torto, quebrado, sentadinha à espera no seu canto. Ao contar o final desta história, aquele homem demonstrou sentimento de grande revolta. É que no dia seguinte ele teve de retornar ao mesmo hospital e viu a menininha a chorar, no mesmo lugar, e com braço já bastante inchado.

Alguém que está nas igrejas se incomoda com isso? Pois, a mim, que gostaria de destruir todas as igrejas, causou uma tristeza infinita. É por isto que detesto as igrejas e seus frequentadores perfumados e ignorantes, indiferentes ao sofrimento de quem sofre, enquanto a um ateu causa sofrimento o padecer das pessoas porque para o ateu nós é que temos obrigação de cuidar de nós mesmos, e, portanto, não é possível que apenas alguns estejam excessivamente bem e outros excessivamente mal.

           Para que possa um jovem psicólogo ou psiquiatra preparado por técnicas inventadas penetrar no entendimento da espiritualidade que causa a uma mal-estar a uma pessoa sofrimento de outra pessoa ainda que desconhecida, é preciso que tal psicólogo ou psiquiatra seja alguém de capacidade extraordinariamente notável. O fato de saber ser a desunião a causa de quase todos os males, e ter de viver em meio a tanta desunião não me permite gostar do tipo de vida que sou obrigado a viver. É vida infeliz apenas porque ninguém faz nada para fazê-la pelo menos não tão infeliz. Ninguém faz reunião para pedir que se economize nos festejos do futebola lá na Fonte Nova e dê à menininha do braço quebrado a felicidade de sair daquele sofrimento, e do sofrimento de todos os menininhos e menininhas de todos os lugares. Amém.

 

 

 

 








 



 
 
 
 
 


quarta-feira, 13 de março de 2013

MONSTRUOSIDADE E SANTIDADE DE MÃOS DADAS

É de fazer pena a quem pensa, a pobreza espiritual da humanidade. Imagine só que nesse momento o mundo se alvoroça à espera de uma bufa colorida saída de uma chaminé italiana. Mas não é uma lufada de qualquer fumaça, não. É fumaça santa. Esta bufa colorida é uma mensagem santificada que causa suspiros na manada aglomerada à espera daquela mensagem em cores dizendo que os santos homens que se vestem de vermelho haviam escolhido o mais santo entre eles para representar o chefão de tudo que a mentalidade antediluviana das bestas humanas diz ser tão bom que nem presta. Chamam-no de Deus. A cada dia diminui no mundo o número de pessoas dispostas a dar dinheiro para sustentar malandragem de pastores bilionários e santos padres, todos criminosos. A mais recente notícia de crime praticado pelos chefes religiosos é a maior demonstração do papel de palhaços daquelas pessoas embevecidas e suspirantes em função da bufa colorida. Aquelas pobres criaturas ainda não sabem que entre os santos homens de vermelho está o cardeal americano Roger Mahony, condenado pela justiça de seu país a pagar dez milhões de dólares como indenização por crime de abuso sexual contra menores. É ser mesmo muito babaca uma imprensa medíocre como a nossa que dedica quase tanto tempo à palhaçada da bufa colorida quanto ao tempo despendido naquilo que melhor faz a imprensa: bobagens como manchetes anunciando venda de xoxota. Afora estes, o assunto principal dos babacas da imprensa é o resultado a que teria chegado os santos de vermelho, com o voto de um santo estuprador de criança. Até o povo americano, o mais estúpido na estupidez religiosa, depois deste infeliz Brasil, já começa a perceber a estupidez que é esperar proteção divina com as igrejas soterrando quem vai prá lá e os cadáveres no asfalto de pessoas que iam puxar o saco de algum santo. Fica muito feio para a multidão à espera do santo de cuja escolha participou um bandido que infelicitou o futuro de crianças. Como o povo americano, o mais estúpido e perverso do mundo, povo que joga bomba sobre as pessoas que ocupam lugar onde haja petróleo, estando agora a receber de volta as bombas que jogou. Tudo para aquele povo de grandes bundas brancas pode ser transformado em dinheiro, e logo buscarão transformar em ouro o que tocarem. Desta fome insaciável por dinheiro nasce a indiferença pela lembrança infeliz a atormentar o futuro das crianças molestadas por estes santos monstros. Para a estupidez dos branquicelas, entretanto, basta pagar para que se passe uma esponja no assunto.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

TRISTE JUVENTUDE




 Havia ontem na Avenida Olivia Flores um grupo de jovens com a cara pintada. Seria contra a eleição de dois bandidos para a presidência das duas casas do Congresso Nacional, onde são elaboradas as leis que regulamentam o destino da sociedade? Seria contra o fato do ex-presidente da república fazer orgias sexuais acima das nuvens, lá no alto do azul do céu, em luxuoso avião comprado e mantido pelos seus pais? Seria pelo fato de não conseguirem mostrar a seus pais também alienados a burrice que é ter eles de sustentar além dos filhos, milhões de desempregados expulsos do campo pelo agribiuzinesse dos bilionários, muitos deles estrangeiros? Seria pelo fato de haver três livros intitulados Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe, mostrando para onde vai o dinheiro dos impostos pagos por seus alienados pais? Talvez fosse pelo fato de ter a presidente da república anunciado que vai tomar providências para aumentar o consumo do qual resultará ainda mais lixo para apodrecer o ar e a água dos quais dependerá a vida dos filhos daqueles jovens e netos de seus alienados pais?  Ou seria por revolta contra a administração municipal que deixa caldo de bosta escorrer pelas ruas e ser levado para suas casas no solado dos sapatos onde provocará doenças?
Não! Infelizmente, não! A tinta na cara daqueles jovens era a única coisa coerente com o comportamento da juventude em geral que é o triste papel de palhaço sem graça.
O sistema deseducacional impinge na juventude uma ignorância monumental, só comparável à do motorista de taxi que me disse em Salvador, há muito tempo, não ter nada com o que dizia o povo sobre a roubalheira de ACM, uma vez que aquele governador não roubava nada dele, do motorista. A mentalidade daquele homem tão pobre de espírito é a mesma mentalidade daqueles universitários também ignorantes.  A estupidez desta triste juventude, alegre apenas por idiotia, produzirá um mundo ainda com maior ignorância e infelicidade para seus filhos. Uma juventude que não se incomoda em pisar em bosta, respirar fumaça preta das descargas e ouvir barulho milhares de vezes superiores ao suportável sem danos à saúde é uma juventude sem nenhuma perspectiva de ser humano. Está mais chegada para os enchedores de privada a que se referiu o gênio Leonardo da Vinci quando definiu magistralmente o comportamento da atual juventude indiferente a todos os desmandos a que estão submetidos, inclusive pagando por tudo que a Constituição Federal lhes garante em troca dos impostos que seus bobos pais pagam. Se estes jovens ignorantes soubessem o que é a Constituição Federal, eu lhes recomendaria uma olhada no artigo quinto, mesmo sabendo que de nada lhes adiantaria porque eles não tem capacidade de entender nada que não seja futebola e axé. Foi esta a sentença do Mestre do Saber na qual se enquadra perfeitamente o comportamento da juventude imbecilizada: “Aqueles que se submetem aos desmandos não passam de condutores de comida. A única marca de sua passagem pelo mundo são latrinas cheias.”
Não é difícil entender porque todas as grandes inteligências repudiam o comportamento geral da humanidade, principalmente do brasileiro, campeão em encher privada.
O mestre Darwin disse que o brasileiro tem quase nada das qualidades que conferem dignidade ao homem.
É realmente triste para quem observa as lições dos grandes Mestres do Saber e aprende haver um modo civilizado de se viver, mas ter de viver em meio a tanta ignorância. Só bois, vacas e bezerros convivem harmoniosamente com bosta. Eu vi, com estes olhos da cara, um jovem, imbecil como todos, ser borrifado por um carro com o caldo fedorento e doentio saído do esgoto. A única coisa que aquela pobre e estúpida criatura fez foi virar a cara para o outro lado e seguiu em frente como se nada estivesse acontecendo enquanto seu corpo recebia um banho de caldo de bosta.
Embora seja comum entre meus parentes viver até mais dos cem anos, eu gostaria de ter uma morte tranquila e rápida a fim de sair do meio desta triste manada.
 
     

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ATÉ QUANDO TANTA INDIGNIDADE?


Quando eu era menino, coisinha de apenas uns sessenta e cinco anos atrás, ouvia uma história de um alienado mental constantemente ridicularizado por imbecis. (A história não falava em imbecis. Mas, como qualificar quem atormenta alguém já naturalmente atormentado?). Certo dia, porém, a debilidade levou seu portador ao desespero e ele arrebentou um dos muitos bobos que frequentemente o atormentavam para espanto dos demais. Quando em julgamento pela agressão praticada, o advogado de defesa da infeliz criatura assumiu uma atitude estranha de riscar palitos de fósforo e ficar a procurar algo pelos cantos da sala e debaixo das mesas, o que irritou o juiz. Inquirido pelo juiz sobre aquele procedimento esquisito em ambiente tão sério, o advogado respondeu que queria mostrar haver um limite para a tolerância como demonstrou o próprio senhor juiz, homem de esmerada educação ao se irritar por apenas alguns segundos ante um quadro desagradável, que dizer daquele infeliz que sempre viveu a suportar humilhações?

Esta história tem tudo a ver com nossa situação de bobos (quase todos) ou humilhados (aqueles que pensam). Ela, a História, mostra que a paciência tanto se esgota no alienado mental como no homem de letras. O detalhe importantíssimo é que os governantes estão tão embevecidos em sua posição de mando que acreditam poder nos manter na condição de eternamente atormentados, tão bobos que vivemos a correr para prover suas necessidades quaisquer que sejam elas. Até templos para homenagear a memória de quem a imprensa diz ser ladrão. Nada pode faltar para as autoridades. Nem mesmo as orgias sexuais não só em luxuosas casas de prostituição que o povo paga para as autoridades, mas também lá bem alto no céu azul em luxuoso avião pago pelo povo bobo que tá mais a fim de saber qual foi o resultado do jogo.

O comportamento das autoridades de total embevecimento com as maravilhas que o poder pode proporcionar quando aliado à ignorância impede que as autoridades se lembrem dos exemplos registrados pela História de como terminou este tipo de procedimento por parte de governantes alheios aos anseios da população. Nem toda a população é constituída de bobos. Além disso, mesmo uma grande parte dos bobos também já está insatisfeita por não poder chegar até àquelas coisas que a televisão lhe inculca na cuca como sendo só maravilha e, além disso, de facílimo acesso, e quem não comprar é viado ou fi de puta. A indiferença de governantes pelos anseios da sociedade já terminou em tanta infelicidade que incluiu corpos separados das cabeças.

O modo como os politiqueiros administram a sociedade não pode ser aceito por quem não seja bobo porque ele levará a sociedade à derrocada total. Não haverá outra definição senão derrocada total para o resultado da produção de tantas quinquilharias e indiferença para com a violência e apelo às compras que inclui mulheres seminuas nas mais variadas posições excitantes. Quem quer que se dedique por algum tempo a pensar no modo bobo como vive o povo brasileiro haverá de se recusar a seguir os mesmos passos. Ele nem mesmo sabe para onde está indo e nem mesmo pensa nisso por estar impossibilitado de pensar face à preguiça cerebral implantada em sua cabeça pela cultura BBB, Fazenda e manchetes na imprensa dando conta de pesquisa para saber quais os homens com as maiores rolas do mundo. Um povo com tal magnitude intelectual não constrói uma sociedade decente.

A maior injustiça a que pode um ser humano ser submetido é viver em meio ao barulho e à impossibilidade de conversar sobre algo que não seja futebola, axé, último modelo de celular, fazer compras ou colocar flores na calçada da boate queimada no Rio Grande do Sul ou fazer orações. Se os bobos de lá não fossem tão bobos a ponto de “não se meter em política” e cobrassem da administração municipal o cumprimento de suas obrigações, ajudando-a inclusive, a esta altura seus jovens não estariam precisando de funerais.

A falta de discernimento de bobo leva a humanidade a recusar sistematicamente o destino inevitável que tem: a morte. “Ninguém quer a morte. Só saúde e sorte” já dizia o poeta. Como, entretanto, a danada da morte não depende de querer ou não querer, inclusive já morreu o jovem poeta criador desta sentença verdadeira apenas para jovens que ainda não tiveram oportunidade de aprender como é que a vida é e para velhos que já perderam a oportunidade de aprender.

Nossa sociedade está tão à deriva que um professor precisa ter vários empregos para apenas sobreviver enquanto um bobo iletrado recebe quarenta mil reais para conversar bobagens por uma hora de relógio sobre futebola. Nossas crianças assistem debates e mais debates sobre a venda de vagina pela mesma imprensa que se diz guardiã dos interesses de seus leitores.

Estamos tão bobos que temos deputado condenado à cadeia por crime comprovado contra nós, mas que em vez de estar no xilindró, lugar de bandidão, está bem a gosto na companhia de seus pares na câmara dos politiqueiros que devia ser CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, a receber suas vantagens de deputado pagas pelo povo bobo e fazendo discursos enxovalhando a justiça que o condenou.

Estamos tão à deriva que aceitamos coisas inaceitáveis para não bobos. Se nós pagamos às autoridades para que elas organizem um sistema judiciário para condenar bandidos, como podemos aceitar que a autoridade não aceite que esta justiça tenha validade quando ele é o bandido? Temos vários ex-presidentes ladrões, denunciados nos livros Privataria Tucana, Honoráveis Bandidos e O Chefe. Entretanto, inexplicavelmente, estão todos aí jurando de pé junto que trabalha pela felicidade de seu povo que vive a chorar nos corredores do hospital por pura birra uma vez que a saúde no governo do PT  é simplesmente beleza pura.

Que triste sina tem esse povo tão bobo que vive a chorar na televisão e a brincar nos palcos e nos estádios construídos com o dinheiro de lhes amenizar os sofrimentos? É um comportamento tão desinteligente o do brasileiro que o leva a ser constantemente ridicularizado até por outros bobos como atores incultos. Vestir roupa confeccionada com lixo hospitalar americano é coisa normal para o brasileiro bobo que não só tira isso de letra, mas também encara numa boa o roubo escancarado do dinheiro de lhe proporcionar melhores condições de vida. É com a bobagem de contar com a eterna bobagem do povo que os politiqueiros roubam a grana de pagar o estudo garantido pela Constituição Federal a todo momento invocada por eles como inviolável, mas que deixa de ser quando anunciam espalhafatosamente como eficiência do seu trabalho o empréstimo de dinheiro a juros para que o estudante pobre possa estudar. Se esse dinheiro já foi passado aos politiqueiros através dos impostos, é uma deslavada safadeza emprestar de volta esse mesmo dinheiro ao seu dono, o povo, que nem sequer sabe disso por ser constituído de bobos.

O que está ocorrendo com a eleição dos presidentes do senado federal e da câmara federal, que não merecem ter os nomes iniciados com letra maiúscula em função de sua pequenez, é uma afronta monumental para quem tem vergonha na cara.  É realmente boba uma juventude que assiste impassível à substituição do seu Congresso Nacional por uma pocilga de negociatas corruptas praticadas por ladrões piores que os assaltantes de rua, porquanto não se arriscam. Não há nível de desclassificação para um congresso que elege bandidos para sua presidência. A disfunção cerebral dos politiqueiros não lhes permite perceber não haver necessidade nem futuro nisso.
Haja saco!