domingo, 28 de outubro de 2018

ARENGA 513


Nossa Cidade de Vitória da Conquista é um exemplo do que acontece com o mundo. Aqui a vida fica mais desagradável a cada dia. Para quem adquiriu um mínimo de refinamento espiritual, em termos de qualidade de vida, o progresso, na verdade, está mais para regresso em função da diminuição drástica da possibilidade de se encontrar um ambiente agradável em função da necessidade que tem o vulgo de acumular dinheiro. Das atividades voltadas à produção de dinheiro decorre tamanha barulheira que não permite a paz necessária a quem quer ler, escrever, curtir algum mal-estar ou dormir quando o sono é leve. Aqui entre nós, requebramentos de quadris no axé ou cerimônias religiosas no Parque Teopompo de Almeida causam irritação em quem precisa de sossego. Motocicletas baratas completam o desassossego fazendo barulho ensurdecedor mesmo na madrugada. Em viagem pela Rio Bahia, dirigi para o acostamento a fim de deixar passar seis motos Harley Davidson, verdadeiras máquinas. Silenciosas, não obstante o porte majestoso. Aqui em nossa Vitória da Conquista, espeluncas fazem um barulho suportável apenas para quem não superou ainda a fase bruta de povo e que por isto mesmo não sabe que segundo declaração da ONU até envelhecimento precoce e impotência sexual decorrem da poluição sonora. Mas não fica por aí. Carros expelem nuvens de fumaça preta altamente tóxicas, o que também é proibido pela legislação. Estas coisas levam à seguinte conclusão: Se comportamentos reprimidos pela lei são aceitos com naturalidade, para que, então, servem as autoridades senão como um faz de conta muito caro para a sociedade? Ante tal realidade, conclui-se pela necessidade de estar o bom senso a exigir uma forma de administração pública na qual se faz sentir a austeridade da autoridade no sentido de impor a civilidade sem a qual inexiste bem-estar social. Mas a porca torce o rabo porque uma sociedade civilizada não pode ser formada com o povo na condição de analfabetos políticos tão alienados da realidade que ensinam falta de patriotismo aos filhos. É vergonhoso o rebaixamento moral, indecência intelectual, babaovismo, enfim, é simplesmente vergonhoso o comportamento dos brasileiros imitando os americanos com a comemoração do Halloween.

O meditar sobre estas coisas lembra quanta razão tinham os Grandes Mestres do Saber quando afirmaram que a convivência com o povo é tão desagradável quanto uma doença. Realmente, ter o raciocínio perturbado por uma malta de adultos em cânticos e orações tanto é revoltante pelo desassossego quanto pela inutilidade do ritual porque quem tomou conhecimentos da História da Religião aprendeu que a religiosidade é uma grande farsa. E o mal-estar aumenta quando se sabe ser a religiosidade a representação do atraso mental e o maior entreve que impede o desenvolvimento espiritual, anulando o potencial que jaz inerte em cada ser humano, ao torná-lo covarde e submisso à invenção do pecado. Ao contrário de temeroso a deus, o homem precisa se orgulhar e assumir a imponência a que faz justiça por ser o único vivente capaz de raciocinar. Entretanto, em vez de orgulhar-se pela soberbia de ser o único com tal poder, rebaixa-se em se conformar em ser um mero carneiro de Cristo.

Ainda não se chegou à conclusão da nossa irmandade e a estupidez que há em acreditar haver alguma razão para que um ser humano seja inferior a outro. Observando bem, percebe-se a realidade indiscutível de ser maior o sentimento de religiosidade onde também é maior a falta de leitura e, portanto, de esclarecimento. Quanto mais desafortunado e desgraçado, mais pobre diabo, mais afeito à sarjeta, mais deus lhe pague e deus lhe favoreça são falados. É inegável que a religiosidade decresce juntamente com a ignorância. A existência de intelectuais religiosos se explica por dois motivos: Opinião emitida em troca de vantagem ou covardia ante a aproximação da morte, comportamentos orientados por inocência de criança, salvo se estes intelectuais não tomaram conhecimento da trajetória do sentimento de religiosidade através dos tempos, o que é impossível porque se aprenderam sobre todas as outras coisas, não poderiam ter deixado de aprender também sobre a realidade de ser a religiosidade o maior engodo que envolve os seres humanos.

As reformas religiosas visaram tornar menos absurdos os absurdos da religião aos quais ainda se submete a massa bruta de povo porque o esclarecimento que substitui a obscuridade mental, apesar de acontecer inevitavelmente, acontece com demasiada morosidade. Tamanha é esta morosidade que embora o ser humano não mate mais outro ser humano para que o cadáver lhe sirva de alimento, apesar disto, o ser humano continua matando outro ser humano. A diferença, entretanto, de não ser para se alimentar do cadáver indica algum esclarecimento, mas não o necessário.

O esclarecimento é inevitável por força da observação que com o passar do tempo tornou obsoletas não só as facas feitas com lascas de pedras, mas também crenças como as da mitologia e a do Tesouro de Merecimento. Segunda esta última, Cristo e os santos teriam feito tanta coisa boa que de suas ações meritórias resultou um excesso de merecimento que havia uma quantidade tão grande de merecimento no céu que o papa podia lançar mão de porções desse excesso e vender a quem precisasse de merecimento para se apresentar perante deus. Embora a massa bruta de povo nada visse de falso nessa história, pessoas capazes de pensar, entre eles Martinho Lutero e João Calvino, chamaram a atenção dos frequentadores de igreja da época para o ludíbrio de que eram vítimas ao comprar merecimento divino. Se até um Zemané é capaz de ter acesso a tais conhecimentos, não é estranho que intelectuais ainda desconheçam a realidade de ser a religião uma forma de manter o pobre conformado com a pobreza? O homem não deve ser correto por medo de deus. Deve ser correto por ser a única forma de se organizar uma sociedade civilizada. Inté.  

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

AREGA 512


Duas matérias do blog Outras Palavras, uma versando sobre influência dos ricos na política e da necessidade de deter o poder plutocrático no Brasil, e outra versando sobre o crescimento de suicídios também no Brasil, e de ter a vida perdido o sentido, estes dois assuntos, juntamente com uma afirmação do filósofo Michel Foucault no livro Vigiar e Punir motivaram o assunto aqui tratado nesse momento.

Primeiro, vejamos o assunto do livro: O filósofo trata das mudanças ocorridas na forma com que através do Direito Penal a sociedade tem determinado a que tipo de punição deve se submeter quem comete crime. Erudito, o intelectualíssimo doutor Foucault discorre sobre a monstruosidade dos castigos que afligiam indescritíveis sofrimentos ao criminoso em tempos passados. Como a evolução mental ou espiritual, embora demasiadamente lenta, é inevitável, chegou-se à conclusão de que a pena aplicada ao criminoso deve visar concertar sua personalidade socialmente deformada, adaptando-a ao convívio social, em vez de submetê-lo a sofrimento como vingança pelo erro cometido. Muitos pensadores concluíram para tal conclusão, entre eles um nobre, o Marquês de Beccaria, que através do livro Dos Delitos e Das Penas se insurgiu contra a barbaridade dos castigos aplicados, afirmando que aquele tipo de punição era um crime não raro mais bárbaro do que o crime cometido pelo punido. Assim, como é inevitável o avanço rumo à civilização, o Direito Penal já não mais amarra cada membro do criminoso num cavalo e os enxota em direções diferentes, nem abre a barriga do criminoso e rapidamente puxa suas tripas para fora a fim de que antes de morrer ele tivesse tempo de contemplá-las expostas. Na página 15 do citado livro o filósofo atribui tal barbarismo à fraca influência da religião sobre o espírito humano. Pode um grande intelectual ser tão ingênuo?

O professor conquistense Evandro Gomes Brito fez minucioso estudo sobre o Instituto da Inquisição, instituição de cunho religioso cujo objetivo era punir os crimes de heresia, e publicou o resultado do seu trabalho no livro DAS BRASAS DA INQUISIÇÃO AO LEITO DA PEDOFILIA. De acordo com a pesquisa do professor e escritor Evandro Gomes Brito, os suplícios a que eram submetidos pelos inquisidores os suspeitos de heresia eram tão grandes quanto os da barbárie do Direito Penal, até maiores porque matavam judeus ricos para tomar-lhes os bens. Desta forma, só ingenuidade ou o fanatismo religioso justificaria atribuir as barbaridades das penas à falta de religiosidade. É como se o intelectualíssimo Foucault desconhecesse que o barbarismo faz parte da bíblia e que deus mandou aplicar a Pena de Talião, conforme Êxodo, capítulo vinte e um.

O que acontece com a humanidade é ter sido ela reduzida à condição de manada. Como bosta n’água, os seres humanos trilham um destino traçado pelos meios de comunicação. Ouvi um fazendeiro dizer que com a eleição de Bolsonaro vai colocar uma escopeta nas mãos de cada empregado de suas fazendas. Este pobre fazendeiro rico tem na televisão sua única fonte de conhecimento. Ele serve de perfeito exemplo da realidade de ser o pensamento dos seres humanos em geral moldado por um mecanismo denominado por Jânio Quadros de Forças Ocultas. O discernimento sobre sociabilidade, diferentemente das ciências exatas, exige refinamento espiritual capaz de perceber que só a sociabilidade leva a uma sociedade evoluída, realidade muito bem definida pela máxima OU ESTEJAMOS TODOS BEM OU NINGUÉM ESTARÁ BEM.

Um exemplo perfeito do que quero dizer foi dado há pouco quando um papagaio de microfone dizia em determinada rádio que as doenças decorrentes da falta de saneamento básico ocasionam faltas ao trabalho que resultam num prejuízo de milhões de reais à economia. Em termos de sociabilidade, isto é de monumental contrassenso. É como se a saúde da economia fosse mais importante do que a saúde pessoal. Sabendo-se que a economia trabalha para aumentar a riqueza de um por cento da humanidade e a pobreza de noventa e nove por cento dela, não precisa ser inteligente para perceber que isto vai resultar em desastre social. A genialidade de Machado de Assis levou-o a dizer que a economia é filha da avareza.

Este assunto sobre a conclusão do filósofo inocente de ter o barbarismo como causa a falta de religiosidade e os dois outros assuntos tratados nas duas reportagens do blog Outras Palavras mencionadas lá em cima formam um trio harmonioso em perfeita sintonia com a realidade vivida no momento. Ao seguir o caminho determinado pelos meios de comunicação, que leva à conclusão de ser a economia mais importante do que a pessoa, e sendo a finalidade da economia enriquecer cada vez mais os ricos, e sendo que a ninguém é permitido desconhecer que a riqueza confere tanto poder que os nobres foram desbancados pelo poder que a riqueza conferiu aos burgueses, resulta daí ser normal a influência dos ricos sobre a política e, consequentemente, sobre a qualidade de vida uma vez que é a política que a determina, embora os meios de comunicação e a religiosidade digam ao povo que é deus o responsável por ela. Como todo ignorante gosta de se exibir como pavão, e a revista Forbes prova isso, o rico usa seu dinheiro para ficar cada vez mais rico a fim de ter cada vez mais poder. Portanto, é inútil falar-se em deter o poder plutocrático no sistema capitalista porque ele se baseia exatamente no enriquecimento individual.

O terceiro assunto, aquele que trata do crescimento de suicídios, é consequência dos outros dois. Ao seguir a orientação dos meios de comunicação, comportando-se como manada, o ser humano concorda com o progresso material dependente de investimentos, financiamentos e empregos, o que é uma farsa. Um descompasso tão grande que faz a vida perder o sentido, daí os suicídios. É realmente desanimador para um jovem que pensa em vez de futucar telefone ter de enfrentar mil e uma dificuldades, anos e mais anos alisando bancos de escola para conseguir sobreviver através de um emprego enquanto que semianalfabetos, verdadeiras nulidades esbanjam riqueza e viram “famosos” e “celebridades”.

Tomar a cultura do TER como superior à cultura do SER está resultando nos desastres climáticos de consequências inimagináveis para os débeis mentais a que foram reduzidos os jovens em função da futucação de telefone. Inté.







 












segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ARENGA 5ll


A união entre a Odisseia de Homero e a antirreligiosidade de Friedrich Wilhelm Nietzsche levou este Grande Mestre do Saber a comparar a religiosidade à feiticeira Circe que segundo consta da Mitologia Grega teria transformado em porcos os companheiros de Ulisses. Nenhum frequentador de igreja, axé e futebola sabe o que é a Odisseia, nem quem são Nietzsche, Homero ou Circe em função da carência de intelectualidade decorrente da ojeriza aos livros. O que quereria dizer Nietzsche quando disse que a religiosidade é a Circe da humanidade? Queria dizer, e disse, que a religiosidade também transforma os seres humanos numa espécie de seres estúpidos.

Estas cogitações me ocorreram neste exato momento quando uma festança religiosa nas imediações me impede de concentrar na leitura do livro DAS BRASAS DA INQUISIÇÃO AO LEITO DA PEDOFILIA, do professor escritor conquistense, para honra dos conquistenses, Evandro Gomes Brito, sobre a monstruosidade da Santa Inquisição. Tomar conhecimento da maldade que infligia sofrimentos inacreditáveis a seres humanos suspeitos de heresia é o bastante para se concluir ser a religiosidade nada mais nem menos do que fruto de monumental estupidez e ignorância absoluta. O professor Evandro fez minuciosa pesquisa e constatou registro de coisas horríveis: uma mulher nua, montada numa peça de madeira de forma que sua vagina e ânus ficavam sobre uma quina, os pés pendentes no ar, e um peso pendurado em cada pé. Um homem dependurado de cabeça para baixo sendo serrado pelo meio a partir das duas nádegas. É estarrecedor que a capacidade de impor tais sofrimentos a outros seres humanos tenha sido o mérito que levou Domingos Gusmão a ser considerado pela religiosidade merecedor da honra de ser transformado em santo. É à memória de tal monstro que religiosos fazem oração. Nem mesmo Satanás seria capaz de impor tamanho sofrimento que em nome de deus religiosos impunham aos condenados de heresia ou deixar de observar os dogmas da religião cristã. Consta que ante o impasse de haver alguns não hereges entre um grupo de acusados de heresia, foi determinado que todos morressem porque deus se encarregaria de separar uns dos outros depois de mortos.

Desta forma, tem razão o filósofo do bigodão comparando a religiosidade a Circe. Um rebanho de porcos também faz barulho suficiente para impedir que alguém possa raciocinar. Inté.  

  




quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ARENGA 510


 Em matéria publicada no blog Outras Palavras, Boaventura de Sousa Santos fala que temos raízes cravadas nos conceitos que herdamos para analisar ou avaliar o mundo em que vivemos. Acontece que dos conceitos transmitidos de uma geração a outra geração nenhum se refere à necessidade de se analisar a vida. Ao contrário, aprende-se a desnecessidade desta análise. A religião ensina que o destino é traçado por Deus e, portanto, inalterável. Desta falsidade resulta a cultura do conformismo com os sofrimentos desnecessários. Tão falso quanto a desnecessidade de se meditar sobre como se viver bem é a necessidade de ajuntar riqueza. Desta forma, o que as gerações posteriores recebem das anteriores é a cultura antissocial do malogro, da esperteza e do levar vantagem. Nunca, porém sobre a vida. 

A presidente da mais alta corte de justiça do Brasil, ministra Carmem Lúcia, diz esperar que propostas de políticos sobre o STF não passem de retórica. Por mais inacreditável que possa parecer, o que propõem os políticos é a submissão da justiça ao banditismo que toma conta do Poder, sendo ainda mais inacreditável a conivência de membros daquela corte com a bandidagem. Pois, embora inacreditável, é a realidade. Este país é realmente um poço de absurdos e quem se insurge contra eles recebe rajada de metralhadora. Daí a cautela que a ministra demonstrada ao declarar apenas “esperar” não passar de retórica a ação dos políticos contra a justiça. Como chefe daquela instituição, entretanto, deveria meter na cadeia os bandidos em vez de temê-los.

Na página 64 do volume VII da série de estudos do filósofo Eric Voegelin, intitulada História das Ideias Políticas, há referência da necessidade de devolver ao homem sua relação com Deus. Ora, outros filósofos afirmam que Deus nunca foi mais do que uma invenção, afirmação esta mais condizente com a realidade porque a ideia de Deus sugere uma paz e uma tranquilidade que nunca existiram desde que se tem notícia da existência do mundo. Além disso, o que mostra a história da religião é que a própria figura de Deus tem dado motivo para morticínios sem fim.

Tais constatações levam à conclusão de haver necessidade de se inverter a ideia proposta pela palavra religião (ligação do homem a Deus) para uma ligação dos homens entre si porque enquanto predominar a cultura do cada um por si haverá infelicidade de montão. Inté.   

sábado, 4 de agosto de 2018

ARENGA 509


Meu amigo Movér, escritor, poeta, e de várias outras serventias úteis à sociedade, me recomenda não ser contra os intelectuais. Todavia, para quem nasceu com o defeito de desejar que os seres humanos deixem para os irracionais esse negócio de ter medo uns dos outros não há como não ser contra a atitude indiferente dos intelectuais a esse respeito. Eles desperdiçam o riquíssimo cabedal de conhecimento sobre os mais diversos assuntos, menos sobre o motivo pelo qual os seres humanos digladiam quando deviam se abraçar. É imperdoável a despreocupação dos intelectuais quanto a esta realidade. Em vez de erudição, caberia a eles mostrar a nós de poucas letras ser inteiramente incompatível competição e vida social. Pior ainda que a indiferença é haver entre eles quem defenda esta cultura flagrantemente antissocial que em vez de saúde e tranquilidade encheu o planeta de armas, gases venenosos, bombas, morticínio, riqueza, pobreza e infelicidade. É por isso, meu caro amigo Movér, que ainda na pequenez da minha desimportância não deixo de condenar os intelectuais. Como podem homens de grande discernimento ficarem impassíveis ante a deterioração moral, cinismo, falta de pudor, roubalheira desavergonhada, autoridades compactuando com a bandidagem que transformou o Estado de Direito em Estado do Crime? Se a ninguém, nem mesmo aos Zemanés é dado o direito de não observar que se todos os seres humanos normais gostariam de poder viver na tranquilidade da paz. Por que, então, não vivem se é o que desejam? É, pois, imperdoável a atitude dos intelectuais de pavonear erudição e não se interessarem em empregar sua sabedoria em torno desta distorção de valores que faz de brutamontes sociais e vulgares as pessoas mais valorizadas da sociedade. Abração, meu amigo. Inté.

 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ARENGA 508


Quando eu era menino, os filmes eram anunciados em cartazes amarrados nos postes de iluminação. Entre os colegas na escola primária da minha ainda insipiente cidadezinha de Itapetinga, então município de Itambé, para debochar (hoje “buling” em função do babaovismo do brasileiro com as coisas do estrangeiro) com um colega procedente de outra cidadezinha ainda menor que a nossa Itapetinga de metade do século passado, um dos nossos colegas mais inventivo dizia que viu lá na cidade desse outro colega um cartaz que anunciava da seguinte maneira as excelências de um filme de caubói: “Murro prá carái. Tiro como corno. Tá rebocado quem não ir”. Nunca consegui entender direito o significado de “tá rebocado”. Mas lembro que “estar rebocado” era ofensa. Como pensamento de velho não sossega, esta lembrança me foi trazida antes de sair da cama, ao ouvir pelo rádio um candidato a governador anunciar suas excelências sobre as inconveniências do oponente. Para o colega lá da escolinha, pensei, as campanhas eleitorais seriam mais ou menos assim: “Óia, cês tudo vota neu pruquê garanto lutá prá carái pelo bem docês tudo. Tanto os daqui como de quarqué lugá. Falô?”. O motivo da comparação é que as tais campanhas eleitorais têm a mesma falta de lógica das propagandas de bancos, do agribiuzinesse criador de fortunas e de cânceres, do consumismo, do mercado financeiro. É tudo armadilha visando explorar a estupidez humana. Embora ninguém mais acredite neles, os urubus, digo, os candatos, em torno da carniça, digo, do erário, dizem ter por objetivo o bem da população. Isto é tão ridículo quanto o banqueiro Henrique Meireles dançando forró. E não é menos ridícula a seriedade com que os papagaios de microfone entrevistam os pretendentes à chave do cofre. Perguntar-lhes como agiria em tal situação é de uma estupidez cavalar porque até mesmo um Zemané sabe perfeitamente que eles pretendem fazer isso aí que a Lava Jato está mostrando. A política nunca deixou de ser a arte de parasitar a massa bruta de povo ainda iludida com eleições. Está na imprensa que o banqueiro Henrique Meireles conta com sua eleição porque dispõe de milhões e milhões para gastar. Caberá à massa bruta de povo restituir estes milhões com os juros bancários. No tocante ao interesse público, com as necessárias e raríssimas ressalvas (felizmente), a palavra autoridades sempre mereceu ser escrita entre aspas. No O capítulo 21 do livro Cocaína, A Rota Caipira, de Allan de Abreu, intitulado Advogados do Crime, lê-se a seguinte passagem: “No fim dos anos 1980, um juiz federal de Campo Grande (MS) inocentou um traficante flagrado com 1,2 tonelada de maconha alegando que o laudo pericial não apontava se a droga era “macho ou fêmea”. Além disso, determinou a devolução do carregamento ao seu dono”. Agora, temos ministros da mais alta corte de justiça fazendo a mesma coisa com ladrões.

Se o funcionamento dos meios de comunicação não lhes permite interromper um minuto sua comunicação, pelo menos devem comunicar alguma coisa não tão imbecil quanto a nojeira das campanhas eleitorais, principalmente sobre as de países estrangeiros. Absolutamente nada pode justificar arrancar bilhões do lombo da massa bruta de povo para gastar em eleições enquanto falta dinheiro para coisas essenciais. Entretanto, a papagaiada de microfone, passando ao largo de assuntos que dizem respeito às causas da esculhambação, tergiversam inutilmente em torno de coligações, candidatos à excrescência da figura inútil de um vice para aboletar-se em palácio e ser motivo para mais falatórios inúteis. Tá, ou não tá precisando mudar tudo? Pior é que esta estupidez não está apenas nas sociedades primitivas como a nossa, ainda de braços dados com o regime colonial. Também as sociedades tidas como civilizadas estão mal e a pedir a mudança que inevitavelmente virá malgrado a má vontade da papagaiada de microfone que a soldo dos Reis Midas do mundo fazem de tudo para eternizar a insustentável cultura da competição. Denigrem o socialismo acusando-o de assassinatos, mas escondem a realidade de inexistir um sistema político ideal uma vez haver infinitamente maior número de assassinatos decorrente da competição que leva a sociedade à violência que é a marca registrada tanto no socialismo quanto no capitalismo que o babaovismo garante ser o ideal.

A História mostra, pelo menos no entendimento de quem é de poucas letras, que as várias mudanças ocorridas não aconteceram porque pessoas se reuniram e disseram “VAMOS MUDAR!”. Ninguém disse “VAMOS FAZER FOGO!”, “VAMOS INVENTAR A AGRICULTURA, A RODA, DOMESTICAR ANIMAIS, A ATIVIDADE COMERCIAL, O MERCADO OU O CAPITALISMO”. Apesar disto, aconteceram, e acontecerem em função da tendência natural de evoluir que leva o ser humano à ação quando premido por incômodo que dá origem à necessidade de mudança, necessidade esta que sempre existiu e que provocou várias mudanças, todas inócuas uma vez que o desassossego nunca deixou de fazer parte do cotidiano em virtude de viverem os humanos a grande fantasia do desconhecimento da realidade da vida ao acreditar não ter fim o vigor da juventude. Tendo se tornado insustentável a cultura da competição, algo diferente haverá de substituí-la. Sendo o conhecimento cumulativo, isto é, o conhecimento adquirido facilita a aquisição de mais conhecimento, o que pode ser constatado ao se verificar que à medida em que se executa determinado trabalho a facilidade de executá-lo aumenta na proporção das repetição de sua execução, a acumulação de conhecimentos, do mesmo modo, levará inevitavelmente à conclusão de haver forma menos estúpida de se viver. Da mesma forma como os grandes escritores começaram tomando conhecimento do nome das letras, do mesmo modo como toda caminhada por maior que seja começa pelo primeiro passo, o caminhar no rumo de uma vida melhor, embora lentamente, prossegue. O desalento em torno das eleições mostra que até mesmo seres quase irracionais como os da massa bruta de povo foram levados à percepção da falsidade que as envolve. Também facilmente observável é que da acumulação de conhecimentos tem resultado em que as mudanças ocorram com maior celeridade. Esta é a razão pela qual a pré-história durou mais que a primeira fase da história, que durou mais do que a segunda, que durou mais que a terceira, que durou mais que a quarta e última, esta em que vem a humanidade aos trancos e barrancos se arrastando até os dias atuais numa vida que em nada difere da vida das feras.

 O grande erro dos seres humanos vem sendo repassado de geração a geração. Consiste em que aqueles que por esse ou aquele motivo vieram a se encontrar em situação considerada privilegiada em relação aos demais seres humanos, eliminando com tal comportamento a igualdade tão falada nos tratados internacionais. É verdade que em função da brutalidade humana é impossível a igualdade absoluta. Entretanto, uma vez que os seres humanos são obrigados a viverem em sociedade,  em nome da sociabilidade, pois, não há de ser tão grande a desigualdade, razão pela qual pecam fragorosamente contra si mesmos aqueles que sempre se opuseram a qualquer tipo de mudança em função da cultura contrária à cooperatividade necessária à vida coletiva. A cultura da competição é responsável por todos os males da humanidade por ser impossível uma sociedade na qual uns membros vivem tomando de outros membros da mesma sociedade as coisas de que necessitam sem levar em consideração que os usurpados necessitam também daquilo que lhes é tomado. Esta realidade é visível. Aparece, por exemplo, na notícia no Jornal do Brasil de que o lucro dos bancos (R.$28,8 bilhões ao ano) é quase a metade do montante que atenderá as necessidades de trinta e nove milhões de famílias no programa Bolsa Família. Isto justifica plenamente o que disse o historiador de ser o ser humano uma criatura estúpida. Se nas sociedades humanas mais adiantadas no ainda insipiente processo de civilização, aquelas nas quais é menor a desfaçatez da indiferença quanto ao bem-estar coletivo, ainda guerreiam ente si, este fato demonstra não terem as sociedades tidas como civilizadas alcançado ainda a evolução espiritual capaz de viverem a paz de que tanto falam. Que dizer, então, das sociedades mais atrasadas? Pode-se dizer seguramente que ainda não deixaram a pré-história.

Embora os meios de comunicação procurem evitar a todo custo, é sumamente necessário pensar sobre estas coisas. As criancinhas precisam que seus pais se inteirem do porquê de girarem as notícias na imprensa em torno de brutamontes semianalfabetos e completamente ignorantes de sociabilidade considerando-os “famosos” e “celebridades”, ou em torno de bundas, doutores bumbuns, langerries, enfim, em torno de baixarias. Por trás disto estão as Forças Ocultas representadas por infinita papagaiada de microfone empenhada em fazer crer que brincadeiras são mais importantes que assuntos do tipo dos assuntos tratados aqui, embora de forma risível para os intelectuais que escrevem calhamaços enfadonhos versando sobre o que é, mas sem uma palavra sequer sobre o porquê de ser assim e muito menos sobre como deve ser. O último desperdício de meu pouco dinheiro com estas inutilidades foi a compra do livro A Elite do Atraso do intelectualíssimo Jessé de Souza. O atraso é notório. Se os intelectuais estivessem realmente interessados num tipo de vida menos estúpida deveriam se ocupar em buscar o porquê de tamanho atraso humano capaz de justificar a existência dos morticínios comuns na história da vida dos homens, inclusive em nome da figura imaginária de Deus. Mas, não. Gastam sua intelectualidade mostrando o que está à vista de todos. Pior ainda são os intelectuais que dizem ser esta a melhor forma de se viver, quando é palpável a realidade de ser esta fase histórica conhecida por Contemporânea tão insustentável quanto as duas que a precederam e cuja insustentabilidade as levou a sucumbir por se fundamentaram na existência de exploradores e explorados como acontece agora na mesma intensidade e de forma ainda mais desumana. Mais desumana ainda porque de tal modo disfarçada que os explorados agradecem a Deus quando conseguem um emprego que os explore até restar um caco choroso no corredor do hospital.

Embora desde séculos antes de Cristo o imperador Ciro, por meio do Cilindro de Ciro, condenasse o procedimento de exploração de seres humanos por outros seres humanos, tal exploração nunca deixou de existir. Alguma forma menos desinteligente de viver, para o bem das criancinhas que mães ignorantes lançam no mundo, não  deverá jamais deixar de ser procurada. Inté.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

ARENGA 507


As candidaturas de Luciano Huck a presidente da república e de Romário a governador do Rio de Janeiro expõem a realidade de haver algo de estupidamente errado com a política. Sendo ela, a política que determina as condições de vida da humanidade, fica claro a necessidade de uma nova política porque desta que está aí resultou uma insegurança tão grande e geral que ninguém está a salvo de a qualquer momento ser vítima da violência. Embora intelectuais e analistas políticos discorram incansável e enfadonhamente sobre política, ninguém se preocupa com o motivo pelo qual pessoas incapazes de redigirem um texto sobre algum assunto ainda que trivial por absoluta falta de conhecimento podem ser chefes de governo com aprovação das velhas raposas da política como Fernando Henrique Cardoso e Miro Teixeira? Antes da resposta, abre-se um parênteses para observar a propriedade da expressão “velhas raposas” atribuída aos políticos mais experientes.  porque o interesse e a ação deles na política é o mesmo interesse e ação da raposa no galinheiro. Fechado o parêntese, a resposta à questão de não se exigir qualificação intelectual para chefes de governo é simples: É que a “res publica” ou recursos públicos são considerados coisa de ninguém. Esta é a razão pela qual ninguém se interessa pelo resultado de sua administração. Quanto ao interesse das “velhas raposas” em ter como chefe do galinheiro, digo, do governo, pessoas de nenhuma qualificação moral ou intelectual é que a falta de discernimento e absoluta incapacidade administrativa destas pessoas, decorrente de seu analfabetismo, torna tais criaturas marionetes tão facilmente manobráveis que a chave do galinheiro, digo, do cofre, fica à mercê das “velhas raposas”.

O fato de haver algo errado com a política só não é percebido pelo povo por lhe ser vetada a atividade de pensar. Embora as aulas de filosofia, ciência que objetiva o desenvolvimento da atividade de pensar, não sejam absorvidas pela juventude porque as mentes dos jovens estão preocupadas com o exame de urina do jogador de futebola, a matéria filosofia está sendo retirada do currículo escolar, o que certamente ocasionará aos intelectuais oportunidade para demonstrar erudição através de grande, inútil e enfadonha tergiversação sobre o assunto. Mas na verdade tal procedimento visa dificultar à massa bruta de povo a percepção de sua condição de burro de carroça puxando um mundo de parasitas, realidade que aparece em notícias como esta, intitulada LUCRO DE BANCOS É MAIOR QUE GASTO COM BOLSA FAMÍLIA, onde se lê: Ganhos de cinco famílias banqueiras vão superar os R$ 30 bilhões do programa com 39 milhões de famílias. O Segundo maior banco privado do país, o Bradesco, fundado por Amador Aguiar, em 1943, divulgou ontem lucro líquido recorrente de R$ 5,161 bilhões no segundo trimestre. É por isto que se proíbe à massa bruta de povo o contato com a filosofia porque só mesmo não pensando para se encarar como normal uma política da qual resulte tão brutal realidade.

A tarefa de viver está envolta num manto de falsidades que só são aceitas em função da incapacidade de pensar implantada nas pessoas desde tenra idade graças em função de dois fatores: A MALDADE HUMANA E A FACILIDADE COM QUE O CÉREBRO PODE SER CONDUZIDO. Esta realidade pode ser percebida quando o banqueiro paga a “celebridade” Rodrigo Santoro para se dirigir ao povo e sugerir-lhe “benesses” do Bradesco.

Custa nada sonhar com um mundo habitado por gente em vez de povo. Nenão? Inté.   

 

 

 

 

 

 

 

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