sábado, 31 de julho de 2021

ARENGA 599

 

            Apesar de bastante velhinha, a humanidade ainda não percebeu não haver ser humano ungido da santidade que o tornasse capaz de superar o primitivismo atávico responsável pela ganância e sede ferozmente incontida de riqueza. Desta realidade só escapam loucos e personagens como Jó, das histórias bíblicas da Carochinha. Na realidade, o que se tem é que governantes se mancomunam com personalidades amorais e imorais para formação de famigerados grandes grupos econômicos especializados em espoliar as sociedades em que se encontram sob vistas grossas ou mesmo com participação das autoridades que em troca da facilitação das malandragens embolsam gordas propinas.

 É totalmente inusitado ficar o destino da sociedade humana sob responsabilidade de quem tem por objetivo parasitá-la. Entretanto, mesmo sendo os interesses desses grupos diametralmente opostos aos interesses das populações, embora numericamente insignificantes sejam os avarentos, o interesse dessa minoria antissocial prevalece sobre o interesse da imensa maioria de seres humanos transformados pela astúcia tinhosa dos parasitas em carneiros de Cristo conformados com uma situação que seria inaceitável como os que menos possuem são os que mais contribuem com impostos. 

É insano buscar a própria infelicidade permitindo que criminosos do colarinho branco, assassinos que matam por desnutrição, doenças desassistidas e violência, transformem a política na politicagem narrada da primeira à última das oitocentos e oito páginas do livro Tchau Querida, do politiqueiro Eduardo Cunha, calhamaço de enfadonha narrativa sobre reuniões macabras, jantares, conversas fiadas, enfim, uma trama diabólica de futricagem, desonestidade e conluio conta a turba festeira e estúpida que nesse momento, enquanto leva ferro, curte em Tóquio espetáculo circense das Olimpíadas.

terça-feira, 27 de julho de 2021

ARENGA 598

 

Entre todas as atividades desenvolvidas pelos seres humanos na busca inconstante e mesmo instintiva de maior comodidade, duas destas atividades se destacam em razão de estarem mais diretamente ligadas ao bem-estar. A primeira delas é a política, responsável pelo bem-estar coletivo e individual, o que pode se dizer redundância porque os dois se complementam.

A segunda atividade mais importante é a medicina porque quando bem apoiada pela política evita a maioria dos males que afetam a saúde.

Visto isto, este cantinho de pensar levanta uma questão que embora da maior importância é totalmente negligenciada. Se estas duas atividades são de tamanha importância, por que, então, não merecem da sociedade o acatamento que merecem? No que diz respeito à política, merece tanto zelo por parte das populações que passada a enganação das eleições, os eleitores se retiram com tal indiferença que logo nem mesmo se lembram em quem votaram. Poucos sabem quem são os senadores e deputados de seu Estado e os vereadores de seu Município. Quanto à medicina, embora haja médicos que desprezando a ética profissional se tornam meros ganhadores de dinheiro e enriquecem, nem estes e muitissimamente menos ainda aqueles que respeitam o juramento Hipócrates merecerão da    sociedade o apreço dispensado a toupeiras intelectuais às quais se dão os títulos de "famosos" e de "celebridades". A propósito, 


No que diz respeito aos nobres professores responsáveis pela relevante atividade de ensinar, estes, então, coitados, além de salários miseráveis são maltratados também por jovens levados tanto pela rebeldia própria da juventude, mas fora do contexto porque as cosas a clamar por rebeldia passam incólumes pela juventude futucadora de telefone. A respeito do quanto se estima os protagonistas de atividades que dependem de músculos em vez de cérebro, na madrugada do dia 25/07/2021, na Rádio CBN, um papagaio de microfone lamentava que em função da pandemia não se podia abraçar os atletas na festa de dos Jogos Olímpicos no Japão.

Talvez a humanidade, como os dinossauros, desapareça antes de saber o significado de pão e circo. Nunca, jamais virá alguém em perfeita saúde mental concordar com o fato de meninos aculturados, portanto, desprovidos de consciência social,  tanto pela inexperiência quanto pela falta de instrução, recebam enormes fortunas em retribuição a habilidade em jogar bola. Se a sociedade pensa diferente por ser uma sociedade doente.

  

segunda-feira, 19 de julho de 2021

ARENGA 597

 

          Aquela criança que mostrou a nudez do rei precisa aparecer outra vez para mostrar que os intelectuais estão tão longe da realidade quanto estava o rei nu. A inutilidade dos intelectuais no que diz respeito àquilo que realmente interessa, a qualidade de vida, aparece também no primeiro capitulo do livro O Fim Da Utopia, do intelectual Russell Jacoby, que começa desse jeito: "Em setembro de 1955, centenas de escritores e acadêmicos, de Raymond Aron a Arthur Schlesinger Jr., reuniram-se no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia de Milão para discutir o futuro da liberdade". Causa pasmo tamanha sandice. Discutir sobre o futuro de algo que não existe. Tamanha perda de tempo pode ser comparada à longa explanação do filósofo assalariado pela Rede Globo Mario Sergio Cortella sobre a deidade de Cristo. 

          Apesar do vasto conhecimento, os intelectuais sinceros, porque há os insinceros como Marcelo Gleiser que afirma ter o homem necessidade de deus, opinião falsa porque o homem precisa é saber ser o único responsável por sua maior ou menor infelicidade. Nesta mesma linha de falsidades, outro intelectual, Henry Kissinger, afirma que a competição é ideal para a vida comunitária e vasta gama de baba ovos do sistema financeiro afirmando que os bancos exercem atividade socialmente benéfica ao levar dinheiro onde ele se faz necessário, quando a verdade é que os bancos exploram a sociedade tão injusta e escandalosamente que por meio apenas das famigeradas e malditas taxas arrancam da sociedade mais dinheiro do que o governo gasta em saúde e educação.

Mas, tirando fora os vendedores de opiniões, mesmo os intelectuais que demonstram preocupação quanto a necessidade de superação da barbárie em que vive a humanidade, mesmo estes se perdem num interminável falatório sobre problemas, quando o único problema que existe é que os seres humanos criaram para si mesmos obstáculos intransponíveis no caminho que a levaria à civilização.

Desta forma, despertar a humanidade para este fato é mais importante do que mostrar-lhe os problemas uma vez que estes resultam do desinteresse humano em relação à atividade de viver. Como bem disse Mestre Rousseau, é impossível fazer-se entendido por quem é desatento. O desinteresse da humanidade quanto à sua qualidade de vida é uma realidade tão clara quanto água limpa no meu copo de cristal aqui ao lado com uma talagada de “Bleu Label”. A negligência humana quanto a seu futuro pode ser observada de várias maneiras, sendo a quantidade de festas uma delas. Outra, totalmente inviabilizadora de boa qualidade de vida está no fato de depositar na economia política a dependência do bem-estar.  Ao fazer isso, a humanidade cria monumental impasse porque quando a economia está mal, o presente também estará mal. Mas, quando a economia está bem, é o futuro que estará mal. Isto é absolutamente inevitável e dentro da cultura individualista do capitalismo adotada pela humanidade é uma regra para a qual não pode haver exceção visto que o desenvolvimento econômico capitalista inviabiliza não só a possibilidade de uma vida social equilibrada, mas também a sobrevivência da humanidade vez que não pode prescindir da destruição do meio ambiente. Apodrecendo o ar, a água e envenenando os solos e a alimentação, o desenvolvimento econômico suprime as condições das quais depende a vida. Não é por outra razão que o aquecimento global já provoca trágicas consequências, entre elas a primeira pandemia da era moderna que assola a humanidade. Outras virão.

Uma segunda razão para a inviabilidade do desenvolvimento econômico é que sendo seu objetivo acumular riqueza para poucos e pobreza para muitos, torna inevitável a violência ao dividir a humanidade em duas classes tão diferentes quanto fogo e água, portanto, ferrenhamente antagônicas porquanto  uma minoria privilegiada com direito a tudo ao lado de uma maioria esmagadora numericamente que por não ter direitos nenhuns, para sobreviver, é obrigada a se tornar serviçal da classe privilegiada, numericamente insignificante. Esta situação se assemelha a um barril de pólvora ao lado de uma fogueira. Daí a violência de presídios abarrotado de infelizes e um medo generalizado a demandar imenso aparato de homens em armas a consumir imensa riqueza.

Embora teçam-se loas ao desenvolvimento econômico, trata-se de opiniões emitidas em troca da despensa abastecida. Como disse um dos raros economistas cujas opiniões não são vendidas, uma vez que são irreversíveis os danos à natureza, o desenvolvimento econômico cria para as gerações do futuro um débito impossível de ser resgatado porquanto lhes será impossível deter a elevação da temperatura, limpar os rios e o ar, restaurar as florestas, devolver os animais ao seu ambiente, evitar o surgimento de doenças.

Para encurtar conversa sobre o desvario que é apoiar-se a humanidade no desenvolvimento econômico, matéria publicada no Yahoo Notícias de 15/07/2021, com o título Os Salários Astronômicos Dos Brasileiros No Futebol Chinês mostra com perfeição o quanto distante da realidade está a sociedade humana vez que no país prestes a se tornar a primeira potência econômica do mundo ocorre tamanha insanidade. Eis a notícia: “Ex-jogador de São Paulo e Inter, Oscar é o mais bem pago entre todos os brasileiros na China, com salário de R$ 12 milhões por mês. Ou seja, o meia do Shanghai SIPG fatura quase R$ 150 milhões por ano”.

É ou não é total loucura desperdiçar tanto dinheiro com o objetivo único de desviar a atenção da humanidade das mazelas políticas para evitar que ela perceba a realidade de que sendo ela o único e verdadeiro senhor, por que ser liderada tão desastrosamente por fabricantes de riqueza, pobreza, desarmonia, guerras, Onze de Setembro, doenças e infelicidade? Tal sandice só acontece enquanto o pão e circo impedir que se desperte para a realidade de estar tudo errado.

 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

ARENGA 596

 

A organização social humana não condiz com a realidade de se tratar de obra executada por seres dotados de inteligência porque parece ser impossível haver inteligência em criaturas dominadas por ânimo destrutivo tão exuberante que destroem não só suas próprias construções, mas também a si mesmas. Destroem, inclusive, a possibilidade de superar o primitivismo e se tornarem civilizadas posto que montaram uma organização social inferior à das abelhas e formigas na qual todos os membros da sociedade trabalham em benefício da coletividade. Ao contrário da sociedade humana onde muitos trabalham e poucos desfrutam, na sociedade de irracionais todos produzem para que todos desfrutem. Não haveria por trás desta situação total desinteligência? Parece inegável sobretudo porque na sociedade humana, por mais desumano que seja é legal e mesmo necessário que seres humanos se tornem propriedade de outros seres humanos, atitude na qual resplandece imensurável estupidez e desumanidade. Como permitir-se que seres humanos privem outros seres humanos de dignidade tornando-os mercadoria, e de forma tão absolutamente abjeta que tal direito pode determinar se o escravizado deve morrer.

 Apesar de inadmissível esta monstruosidade que não era segredo no tempo da escravidão da chibata quando homens, mulheres e crianças eram nada mais que animais de serviço e objeto de negócio tão lucrativo que enriqueceu muita gente, se é que se pode considerar gente esse tipo de gente, embora não se pode deixar de levar em consideração a cultura da época.

Treze de Maio de 1888! Acabou a escravidão no Brasil! Acabou? Não, não acabou! Proibido látego, a escravidão metamorfoseou-se, tomou forma de emprego, e continua de bandeira desfraldada vez que outra coisa não é senão escravo quem por força da necessidade de vender força trabalho, como se deve entender o emprego, vê-se obrigado a ter definhada a vitalidade vez que não lhe é permitido dormir o necessário, ter de adquirir doenças em função da atividade, ser privado da tranquilidade de sentar-se à mesa com a família para não perder o chamado do apito do patrão.

E a demonstração de desinteligência agiganta diante da seguinte questão: sendo de escravizados a absoluta maioria da sociedade humana, e sendo esta maioria que escolhe as autoridades responsáveis por este tipo perverso de organização social, por que, então, são escolhidos para os postos de mando justamente as pessoas interessadas em preservar a penalização da maioria, como se a sociedade fosse formada de masoquistas e de sádicos? Da forma como foi organizada a sociedade humana, de escravizadores e escravizados, sobra sofrimento para todo mundo. Mestre Platão observou que ao subjugar outras pessoas o subjugador forma suas próprias cadeias.

Para melhor ilustrar a monstruosidade em que nos encontramos envolvidos é que este cantinho de pensar transcreve parte do discurso proferido pelo senador Paulino de Sousa, na ocasião em que foi aprovada a extinção da escravidão negra no Brasil, o último país do mundo a fingir extinguir a prática de considerar seres humanos como se humanos não fossem. Na página 28 do livro Raízes Do Conservadorismo Brasileiro, de Juremir Machado da Silva, pode ser encontrada amostra de como a sociedade humana foi engendrada de modo tão estúpido que não estariam fora da realidade as palavras com as quais aquele senador considerava desumano acabar com a desumanidade da escravidão. É isso mesmo, haveria humanidade, altruísmo, generosidade e sentimento de irmandade na escravidão porque sua eliminação teria como consequência deixar ao Léo  velhos e crianças, o que, nos moldes da organização social escravagista não é de todo sem razão como mostram as palavras do senador Paulino Sousa, explicando o porquê de ser um mal acabar com a escravidão: “É desumana porque deixa expostos à miséria e à morte os inválidos, os enfermos, os velhos, órfãos e crianças abandonadas da raça que se quer proteger, até hoje nas fazendas a cargo dos proprietários, que hoje arruinados e abandonados pelos trabalhadores válidos, não poderão manter aqueles infelizes por maiores que sejam os impulsos de uma caridade que é conhecida e admirada por todos que todos que frequentam o interior do país”.

Pode haver vislumbre de inteligência em seres que organizam uma sociedade na qual há na escravidão amor pelo próximo? Pois, dentro da monstruosa sociedade humana é o que acontece.

A exuberância de irracionalidade humana se mostra de forma espetacular também na destruição da natureza da qual resultou esta pandemia que apesar de ter matado mais de meio milhão, não inibe festas nem que pipoquem alvoroçados campeonatos esportivos como se nada de perigoso estivesse acontecendo.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

ARENGA 594

“A respeito dos embustes dos milagres, frutos tanto da indisposição em raciocinar quanto da incapacidade de superar a crendice da qual resulta o medo da infundada ameaça do pecado, o filósofo Robert Green Ingersol levanta a interessante questão a respeito de milagres: Se Cristo tinha por objetivo provar o poder de deus, nada mais precisava fazer do que se apresentar perante seus algozes depois de ressuscitado, trazendo consigo Lázaro e o filho da viúva também revividos depois de mortos. Desta maneira, teria calado definitivamente os opositores visto ser inteiramente impossível contestar um poder capaz de trazer mortos de volta à vida. Como é a enganação a base da religiosidade, ela não admite raciocinar logicamente sobre seus alegados mistérios porque se eles forem encarados sem o tapa-olho da crendice mostrar-se-ão sem fundamento algum. Veja-se, por exemplo, que nenhuma lógica há na exigência de deus em ser amado (Lucas 4:8 – Salmos 100:2 – 150:1,6) porque o amor não pode ser uma obrigação, exigido, imposto, é espontâneo. Da mesma forma, o porquê de deus gostar de sangue e pedaços de animais esquartejados (Gênesis 15:9), (Êxodo 29: 20,21,22). E Nem se pode explicar como podia deus, apesar de onisciente, não saber que ia dar errado a criação dos homens para que viesse depois se arrepender de tê-los criado e afogá-los no dilúvio, se o arrependimento só acontece porque se desconhece o resultado do ato a ser praticado. Na baboseira do livre arbítrio, então, a inconsequência aflora pelos poros ante o raciocínio de não haver outra via para merecer as graças divinas senão puxar o saco de deus. Não há limite para os contrassensos da religiosidade. Raciocinar sobre o que diz Allan Kardec, de que a bondade de deus não permitiria que ele criasse o mal, sendo este, portanto, criação do próprio homem, leva à conclusão de ter o homem imposto sua vontade sobre a vontade de deus. A ser desse jeito, se deus não queria o mal e o homem o quis e pôs em prática é porque o homem se impôs à vontade de deus, o que é inaceitável para quem como Alan Kardec pensa que deus existe.”

Com alguma diferença que não altera o sentido, este foi um comentário que fiz sobre matéria publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil onde havia referência ao milagre da ressurreição de Lázaro, mas que foi censurado porque na cultura capitalista, como bem observou Orwell, a verdade representa ato revolucionário. Como revolução implica em mudança, o que não interessa aos ricos donos do mundo, não se pode falar a verdade. 

Decorrem coisas do arco da velha em consequência da necessidade de esconder a verdade. Se a humanidade fosse capaz de raciocinar sobre as informações nas quais fundamenta seu comportamento descobriria ser vítima de ludíbrios que se evitados muitos sofrimentos deixariam de existir.

Não questionar é contraditório com a capacidade de raciocinar. Por não raciocinar é que se dialoga com estátuas, compra feijão santo, água milagrosa e se festeja quando o momento exige muita cautela face às perspectivas negativas de futuro.

Não se pode deixar de questionar o fato de jovens aculturados serem alçados às alturas na estima coletiva por habilidades esportivas enquanto pensadores que contribuem com o desenvolvimento civilizatório do homem são ignorados e mesmo perseguidos a exemplo de Marx, Paulo Freire e tantos outros. Da mesma forma, ser a única preocupação dos seres humanos em relação à atividade de viver resumida ao aspecto material e de forma tão equivocada que torna o meio ambiente impróprio à vida para construir riqueza se para viver bem não não é preciso riqueza. Nem se deve negligenciar a realidade vivida de aparatos destinados a cultos religiosos, gastos astronômicos em armas quando basta observar o ensinamento de Cristo e dos Grandes Mestres do Saber para se concluir serem totalmente desnecessários. Nem se deve deixar de questionar porquê de ter a população de bancar  de desembolsar imensas fortunas além do custo para enriquecer quem lhe fornece as coisas necessárias como águe, luz, moradia, remédios etc. Nem se deve ignorar o erro existente em deixar a juventude por inocência encarar a velhice como algo repugnante que não lhe acontecerá jamais.

É por não pensar que a vida humana não difere da vida de bicho na qual inexiste atividade mental. Nem intelectuais deixam "escorregar" pelo fato de não pensado melhor sobre o que diz. Ana Cláudia Quintana de Arantes, por exemplo, no livro A Morte É Um Dia Que Vale A Pena Viver, Pág. 88, diz que o amor é que traz alguém à vida, quando o que traz alguém à vida é o relacionamento sexual que independe de amor como acontece no estupro e entre os bichos. Também em equívoco por não ter meditado incorreu Abrão em Êxodo 32:22 ao afirmar ser o povo propenso ao mal, o que não é verdade. Segundo mestre Platão, o comportamento do adulto resulta da orientação dada à criança pela educação. Aqui, sim, explode a sabedoria. O povo poderia ser sábio e bom se tais sentimentos lhe fossem ensinados em criança. Se é mau, como é, deve-se a não aprender quando criança os sentimentos de nobreza de espírito e a necessidade de tratar os outros do jeito que queremos ser tratados como ensinado por líderes verdadeiros como Cristo, Marx, Paulo Freire, entre outros.  



sexta-feira, 18 de junho de 2021

ARENGA 593

 

          Dia desses eu comentava em nossa melhor fonte local de informação, o jornal Tribuna da Bahia, uma das muitas notícias sobre os também muitos descalabros que infelicitam nossa medíocre sociedade de religiosos torcedores e carnavalescos, cabendo ressaltar, todavia, que estupidez e mediocridade não são privilégios da nossa republiqueta de banana apaixonada pelo “American Way of Life” uma vez que também nas sociedades consideradas superiores ocorre a mesma ausência de sentimentos nobres que distinguem o homem da fera. O fato de se fundamentar na riqueza material a “superioridade” das sociedades supostamente superiores torna inevitável a brutalidade e mesquinhez inerentes ao enriquecimento. Por força dessa circunstância, desconhecem o sentimento de irmandade que caracteriza uma sociedade realmente civilizada que até o momento não passa de utopia.

Na página 170 do livro História da Riqueza do Homem, do escritor Leo Huberman, tem duas pequenas amostras dos métodos que fizeram holandeses e ingleses os povos mais “civilizados” do século XVII e que põem abaixo a máscara de civilizados que eles ostentam idiotamente. São do seguinte teor: “Para conquistar Malaca, os holandeses subornaram o governador português. Ele os deixou entrar na cidade em 1641. Correram à sua casa e o assassinaram para “abster-se” do pagamento de 21.875 libras, o preço da traição. Onde punham o pé, provocavam a devastação e o despovoamento. Banjuwangi, província de Java, tinha em 1750 mais de 80.000 habitantes, em 1811 apenas 18.000”. “Na Índia em 1769-1770 milhares de nativos morreram de fome porque os ingleses haviam comprado todo o arroz e só vendiam a preços tão altos que os nativos não podiam comprar”. Mas a selvageria que justifica o dito de que por trás de toda grande fortuna há um ladrão não ficou para atrás. Acompanha a humanidade e atualmente se apresenta a pleno vapor na querela entre China e Estados Unidos disputando o troféu de troglodita espiritual mais rico.

Mas, como dizíamos entes de enveredar por outros pensamentos, falávamos do comentário na Tribuna da Bahia, quando então eu disse algo que não me saiu mais da cabeça: “Que mundo que fizeram do nosso mundo!” – disse eu. Realmente. É uma pena o que fizeram do nosso mundo. Tornaram-no impróprio de seres civilizados porque ao se procurar saber como tem se comportando a humanidade ao longo de sua história percebe ser insano seu comportamento, pelas seguintes razões:

 Da atividade econômica resultou a insanidade de apenas um por cento dos seres humanos terem se apossado de noventa e nove por cento da riqueza que devia ser utilizada em benefício dos cem por cento que integram a coletividade humana.   

E não fica por aí a insanidade humana. Não leva mais a conclusões inteligentes a atividade meditativa ou filosófica que fez dos gregos o povo mais evoluído espiritualmente do seu tampo, haja vista a baixa qualidade de vida da sociedade moderna. O raciocínio inteligente que levou os pensadores gregos a procurar coerência nas informações desapareceu de forma tão espetacular que na página 139 do livro História da Filosofia, de James Garvey e Jeremy Stangroom, consta que um senhor chamado Agostinho de Hipona, tido como o primeiro filósofo cristão, foi terrivelmente martirizado pelo arrependimento de ter-se deixado levar por uma invejável disposição sexual que o fez desfrutar das sublimes delícias guardadas no entre pernas das mulheres. É ou não é loucura total transformar em sofrimento lembranças que devem trazer prazerosas recordações de momentos tão verdadeiramente sublimes?

E tem mais: do ponto de vista da religiosidade, então, nem é bom falar.  Despreza-se a razão e se contenta com informações oriundas de crendices sem fundamento. Baseada a religiosidade num livro chamado Bíblia Sagrada, que apesar de considerado fonte de sabedoria inesgotável é, na verdade, um registro de guerras, assassinatos, inclusive em homenagem ao deus que não obstante de infinita sabedoria, faz questão de elogios, aplausos e louvação, como um reles político que gasta em propaganda de si próprio o dinheiro que estupidamente a massa bruta de povo entrega em suas mãos na esperança de ser usado em prol de bem-estar coletivo.

Do ponto de vista da vida social, a insanidade humana faz com que trabalhadores que prestam relevantes serviços à comunidade vivam em condições infinitamente inferiores a parasitas cujo nível intelectual corresponde ao de Baltazar da Rocha lendo o livro O Ultimato de Caxias, no programa humorístico A Praça da Alegria, apresentado por Manoel da Nóbrega.

No que diz respeito à ciência, vemos o cientista mais renomado, Albert Einstein afirmar que a ciência e a religiosidade se completam, não obstante ter a ciência derrubado a tese defendida a ferro e fogo pela religiosidade de que a Terra era quadrada e que a Peste Negra provinha de bruxaria. Ou o grande cientista não disse tamanha bobagem ou tinha tomado umas e outras para incorrer no disparate de afirmar que religião e ciência se complementam quando se sabe serem coisas opostas visto que a religiosidade se baseia em crendice e a ciência em fatos. 

Como ponderações vindas de um Zé Mané devem se fazer acompanhar do testemunho de alguém intelectualmente nobre, transcrevemos este trecho do livro Falando Francamente, do doutor Vinicius Bittencourt: “O flagelo da humanidade não é a peste, a guerra, a fome, a idolatria, a corrupção ou o crime. O flagelo da humanidade é a ignorância. Sem ela, essas calamidades não existiriam ou seriam drasticamente reduzidas. Apesar disso, o homem foge dos livros como o diabo da cruz. Reencarnando os párias, os impuros ou os intocáveis da velha Índia, nossos professores vivem na miséria. Os rebentos das classes abastadas desperdiçam o tempo com televisão e jogos eletrônicos. Os das classes pobres não têm livros, escolas, professores, nem motivação para estudar. Por toda parte alastra-se a ignorância. E nela se cevam os políticos, os curandeiros, os pastores de almas, os publicitários, a mídia eletrônica, a corrupção e o crime. A peste não existe onde há saneamento básico, assepsia, higiene. Na Idade Média, entretanto, a peste era atribuída a sortilégio e combatida com exorcismos. Em vez de matar os micróbios, cuja existência desconheciam, nossos antepassados matavam as feiticeiras. A guerra seria evitável se os povos não fossem ignorantes. Como disse Frederico, o Grande, se os soldados raciocinassem, abandonariam o comandante na primeira esquina. A fome não ocorre onde não há latifúndios improdutivos ou explosão demográfica. O fanatismo desaparece quando a sabedoria arranca a máscara dos ídolos ou sacode seus pés de barro. A corrupção elimina-se com a vigilância, a efetiva aplicação das leis e a transparência dos atos administrativos”.

 O que se vê e se tem na realidade justifica a observação de que a evolução espiritual priva de tudo que faz a alegria do povo porque ser alegre em meio à insensata estupidez em que chafurda a humanidade significa estado de completa demência.

 

 

sábado, 5 de junho de 2021

ARENGA 592

 

Só não se pode achar que são mentiras as façanhas que o doutor Eduardo Moreira atribui a si mesmo no importantíssimo livro O Que Os Donos Do Poder Não Querem Que Você Saiba por serem tais façanhas, apesar da grandiosidade, corroboradas tanto pelos doutores Jessé Souza e Márcio Calvet Neves nos prefácio e posfácio de outro grandioso livro do mesmo incrível doutor Eduardo Moreira, denominado Desigualdade, quanto pelos próprios livros cujo extraordinário conteúdo é imprescindível para que se possa prevenir contra a canalhice dos bancos que não obstante o endeusamento que papagaios de microfone fazem deles, extorquem impiedosamente quem conseguiu a duras penas poupar algum dinheirinho suado e precisando protegê-lo da corrosão inflacionária, cai na rede da ganância perversa dos malditos banqueiros. Um exemplo das muitas sacanagens contra os desavisados poupadores está nas páginas 35 e 36 do livro O Que Os Donos Do Poder Não Querem Que Você Saiba: “... imagine que a taxa básica de juros da economia brasileira seja de 12% e a inflação seja de 7%- a taxa de juros real é de 5%. Quando você investe em um título de capitalização de um banco, ele lhe paga os 7% desse nosso exemplo, referentes à inflação. E, com os 5% que sobram, compra alguns ou bilhetes de loteria para sortear entre os desinformados compradores dos títulos. E todo o resto do dinheiro embolsa como lucro. Títulos de capitalização não são investimentos, são sorteios da pior qualidade!”

Se a existência de seres humanos bons anula a tese de ser mau por natureza o ser humano, a maldade só pode ser aprendida. E é o que realmente acontece. Assim como no papel em branco se escrevem frases sublimes de grande sabedoria ou pornografias e baixarias apropriadas para “famosos” e “celebridades”, também no cérebro ainda em branco do recém-nascido podem ser registrados ensinamentos dos quais tanto pode resultar comportamentos adequados à formação de uma sociedade civilizada quanto de uma sociedade bárbara como é a sociedade humana sempre em guerras.

Partindo deste princípio reconhecido por Platão e conformado por Shakespeare (O destino que a educação inicia uma criança decidirá o seu destino). Como às crianças são ensinadas mentiras e a mentira nada constrói de bom e sólido, adultos que foram crianças que aprendera mentiras terão mentiras por verdade e nada melhor para ilustrar esta realidade do que a religiosidade que blinda a mente contra a entrada da verdade e torna o religioso um verdadeiro burro de carroça cujo tapa-olho não permite enxergar nada fora do caminho.

Tive oportunidade de vivenciar recentemente uma bela experiência nesse sentido: ao contestar a religiosidade de um doutor, argumentou alguém ser religiosa a maioria absoluta dos seres humanos. Entretanto, o fato de ser uma mentira considera verdade, mesmo que pela humanidade inteira, não quer dizer que seja verdade. Para a humanidade de outra época era verdade a mentira de que a Terra fosse quadrada.

A religiosidade, na verdade, faz à humanidade um grande mal que só pode ser reparado com a extinção ou da religiosidade ou da humanidade. Da influência maligna da religiosidade não escapam nem mesmo os cérebros mais brilhantes como o de Einstein, que apesar de não admitir deus, admitiu a existência de uma força superior desconhecida, quando a verdade é que por si mesma a natureza tanto cria quanto transforma independentemente de intervenção inteligente porque inexiste inteligência na natureza. Como manada estourada, a natureza segue seu rumo tanto criando curas quanto cânceres, bosta, crianças saudáveis, sem cérebro ou siameses.

O poder da crendice da religiosidade não poupou também o nosso doutor Eduardo Moreira ao afirmar haver sabedoria na bíblia. Como sabedoria se lá há regras para a escravidão (Êxodo 21:2,16 e Deuteronômio 15:12-18)? Se a criação divina é posta abaixo pela ciência? Que sabedoria pode haver em “Tudo o que é já foi, e tudo o que será também já foi”? (Eclesiastes 3:15). Onde estaria a sabedoria em recomendar em Deuteronômio 19:21 a pena de Talião para contradizer em Mateus 5:38 recomendando oferecer a outra face?

Dar-se-ia infinitamente melhor estaria a humanidade abandonando deus e cuidando de fiscalizar o que está sendo feito com o erário porque ele é o único responsável pala existência do bem-estar social. Além do mais, egoisticamente, religiosos só se preocupam consigo mesmos. Com o necessitado descarrega sua consciência na esmola. Seu egoísmo aparece na certeza de uma vida feliz ao lado de deus, na verdade uma vida da qual se deve fugir porque se resume em orações e nada de mulher prá trepar e uísque prá tomar.